Synesthesia Seguir história

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Sinestesia: Relação que se verifica espontaneamente (e que varia de acordo com os indivíduos) entre sensações de caráter diverso mas intimamente ligadas na aparência (p.ex., determinado ruído ou som pode evocar uma imagem particular, um cheiro pode evocar uma certa cor etc.).


Fanfiction Bandas/Cantores Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Mirtilos

  Ter sinestesia nunca fora um grande problema para Hoseok, algumas pessoas o consideravam estranho ou chamavam-o de maluco quando ele explicava sobre os cheiros das cores, sabores das notas musicais, personalidades dos números e dias da semana ou sobre a cor que essas mesmas pessoas possuíam.

Desde que, aos sete anos de idade, descobrira que era sinestésico passara a questionar todos - todos mesmo, até gente desconhecida na rua - sobre o que elas sentiam em relação a alguns cheiros e cores, perguntando para elas se verde não tinha cheiro de erva doce - Hoseok odiava verde por causa de seu cheiro, o deixava enjoado -.

Quando já adolescente, nos seus quatorze anos de idade, o Jung gastava boa parte de seu tempo pesquisando sobre sinestesia, conversando com pessoas também sinestésicas e lendo artigos quilométricos sobre tal condição mental.

Chegara então a conclusão que cada um de nós tinha um nível diferenciado de sinestesia, alguns com nível extremamente baixo e outros com nível absurdamente alto, não só vendo cores em pessoas, mas também associando dor a alguns números ou gostos. Descobrira até um amigo amarelo em seu colégio, que dizia que dor de cabeça, por exemplo, tinha gosto de tangerina.

Chegara ao ensino médio sendo alvo de piadas que vinham de gente verde sobre sua sinestesia. Por que gente verde cismava em o perseguir? Hoseok gostava muito mais das pessoas cor de rosa, como seu professor de inglês e a moça da loja de conveniência que ficava perto do colégio onde estudava.

Quando entrara na faculdade, tinha aulas no mesmo prédio em que ocorriam as da maioria das turmas de psicologia, até ajudou um garoto roxo do segundo ano do curso de psicologia a fazer um trabalho sobre sinestesia, explicando tudo o que acontecia consigo e que aprendera nas pesquisas que fez durante todo o ensino fundamental e médio.

Quando o roxo se apresentou dizendo chamar-se Seokjin, o Jung sentiu cócegas. Foi a primeira vez que um nome o despertara tal sensação. Não que tivesse conhecido alguém com esse nome, mas geralmente os nomes começados com a letra ‘s’ o faziam sentir vontade de tossir, assim como os começados em ‘y’ o causavam fisgadas nas pontas dos dedos e os em ‘n’ um tipo de formigamento na ponta do nariz - era inclusive a reação mais estranha que tivera em relação a algum nome -.

O mais peculiar em relação ao mais velho era que este era a única pessoa que conhecera com aquele tom de roxo, brilhoso e mais rosado do que os outros, que tinham um tom roxo escuro, azulado e opaco.

Hoseok fazia dança, gostava de ver as cores da música em forma de pinceladas enquanto dançava, parecia que o movimento das cores se assemelhava aos de seu corpo - confirmaria isso um dia - e sempre que via Seokjin em um dos intervalos fazia questão de explicá-lo tudo o que via e sentia enquanto se movia em diferentes ritmos de dança. Até mesmo experimentou dançar ballet. Naquele dia, Hoseok machucou seu pé. Sendo verde a cor da professora de ballet, não poderia dar em outra, não é?

Durante o período em que tinha seu pé enfaixado, Seokjin o buscava comida no refeitório e estava sempre em sua cola, andando junto com ele do dormitório para a sala de aula, da sala de aula para o pátio - onde o deixava antes de buscar a comida - e do pátio para a sala novamente, depois ajudando-o a voltar para o dormitório no fim do dia. Seokjin parecia se preocupar muito consigo e isso fazia sua cor roxa brilhar ainda mais. Yoongi - o menino amarelo - disse para ele que provavelmente ele sentia algo especial para com Seokjin e explicou que, como sentia gostos ao ver as pessoas, o gosto de alguém especial era mais forte, como o gosto de abacaxi que sentia ao ver sua mãe.

Passados alguns meses - pouco menos de três - os dois já haviam se tornado inseparáveis, um ajudava o outro em seus trabalhos, sendo que a ajuda era basicamente fazer companhia um ao outro enquanto ou Hoseok dançava, ou Seokjin digitava algo em seu computador, fazendo pesquisas e entrevistas pela internet, às vezes o mais velho até perguntava para Hoseok que cor tinha seu trabalho. Hoseok não via cor naqueles papéis, mas sempre lia uma parte ou outra e dizia que eram coloridos de roxo. Porque roxo era a cor de Seokjin e, consequentemente, a cor de tudo o que ele fazia e ficava bom.

Três meses após esses outros, somando cinco meses e meio, Hoseok sentira cheiro de mirtilos em Seokjin. Mirtilo era o cheiro que ele sentia quando via seus pais abraçados ou aquele menino amarelo do fundamental andando pelos corredores da universidade de mãos dadas com um garoto laranja. Hoseok reconheceu este cheiro como o de amor.

Mais quatro meses depois - agora eram nove meses e meio - e o cheiro de mirtilo havia se tornado muito forte, o Jung gostava daquele cheiro de mirtilos e, por isso, estava ainda mais grudado com Seokjin. Não havia um fim de semana se quer que ele não arranjava um jeito de estar com o mais velho, assim como ficavam juntos na maior parte dos dias da semana.

Não contara sobre o cheiro de mirtilos que sentia a cada vez que via o mais velho para ninguém além de Yoongi e este mantinha o segredo muito bem, tanto que Seokjin nem desconfiava disso, mesmo que Hoseok não fosse bom em guardar nem mesmo os próprios segredos e sempre acabasse contando isso para a última pessoa que deveria contar.

Mais um mês e meio - totalizando onze meses exatos - e estavam de férias, Hoseok morava no dormitório e Seokjin também - mesmo que morar lá fosse opcional e que ambos tivessem condições de morar fora dali -, os dois só sairiam dali quando fosse véspera de natal, voltando logo no dia 26 de dezembro, porque escolheram passar pelo menos uma das datas especiais do fim de ano juntos, com todos os seus amigos.

No dia 4 de dezembro - aniversário de Seokjin -, Hoseok aparecera no quarto do mais velho às quatro da manhã - números quatro eram animados e felizes -, cantando “parabéns para você” no tom mais alto que podia sem acordar os outros que dormiam nos quartos próximos dali com dois cupcakes de mirtilo nas mãos e chantilly colorido de lilás espalhado pelas pontas de seus dedos, já que segurava os bolinhos de um jeito completamente descuidado, acabando por sujar seus dígitos várias vezes.

Seokjin acordou e fez questão de jogar um de seus travesseiros em Hoseok. Só que - por não ter olhado para o local onde mirava - acabou acertando a parede, fazendo o Jung gargalhar e se aproximar da cama, cutucando-o com o pé enquanto repetia que queria comer logo os bolinhos. Quando o mais velho finalmente abriu os olhos e se sentou na cama, riu ao ver que havia um fósforo apagado sobre cada um dos bolos e é claro que brigou com o dongsaeng por ele estar pensando em comer um doce desses às quatro horas da manhã.

Acabaram comendo os cupcakes às cinco, porque o Jung não parava de repetir que estava guardando os cupcakes desde o dia anterior e que estava a ponto de morrer com vontade de prová-los. Hoseok - às vezes - conseguia ser muito irritante, se Seokjin visse cores nas pessoas da mesma forma que ele e com os mesmos significados, diria que Hoseok era vermelho. O irmão de Hoseok era vermelho e, por isso, o Jung sabia que vermelho era atribuído às pessoas que o irritavam.

Hoseok vivia no quarto de Seokjin, isto quando o garoto roxo não vinha para o seu e naquele outro dia não estava sendo diferente. Era dia 20 de dezembro e os dois assistiam a um filme americano - que felizmente era legendado - no notebook do Jung, deitados na cama de Seokjin e com camadas incontáveis de cobertores sobre seus corpos.

Quando o filme acabou, os dois fecharam o notebook e continuaram ali. Quietos enquanto processavam toda a informação que o filme havia lhes dado. Bem, Seokjin fazia isso, já Hoseok apenas ficava concentrado no cheiro de mirtilos enquanto observava o menino roxo.

— Você tem cheiro de mirtilo. — Dessa vez, Hoseok não deixou o segredo escapar - como acontecia com todos os outros -, pelo contrário, só contara porque achava que deveria parar de esconder isso.

— O que isso significa? — Seokjin tinha um olhar curioso, não se esperava outra reação, nunca ouvira Hoseok falar sobre o significado do cheiro de mirtilos nas pessoas.

— Casais apaixonados têm esse cheiro… Mirtilo cheira a amor. — Hoseok evitava olhar para Seokjin, não querendo ver sua reação e muito menos que ele visse suas bochechas rubras. — Você é a primeira pessoa que me faz sentir um cheiro tão forte de mirtilos. — Resolveu reafirmar o que havia dito antes, já que o mais velho estava em silêncio.

Então obteve sua resposta, um abraço que - em sua opinião - o esquentara muito mais que todos aqueles cobertores e que fora seguido de um beijo que durou até que os dois estivessem ofegantes e, quando se separaram para recuperar o ar, Seokjin disse algo que fizera o coração de Hoseok quase saltar de seu peito para fora.

— Você cheira a mirtilos. — Seokjin não sentia esses cheiros nas pessoas, não via cores nelas ou personalidades nos dias da semana, Hoseok sabia disso e por isso ouvi-lo retribuir sua declaração com as mesmas palavras que ela fora feita o fizera tão feliz.

Sinestesia nunca o atrapalhou, muito pelo contrário, Hoseok achava que se não tivesse sinestesia teria sido muito mais difícil se declarar para Seokjin com um “eu te amo” e ele achava que sendo correspondido e ouvindo um “eu te amo” direcionado para si, não sentiria metade da felicidade que sentira em saber que cheirava a mirtilos.

26 de Junho de 2018 às 00:36 0 Denunciar Insira 0
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