A maldição de Kyungsoo Seguir história

hachiko Tiny Hachi

Todos sonham e esperam para viver um belo conto de fadas, com príncipes e princesas, castelos e finais felizes. Chanyeol não era diferente, desde pequeno ele esperava por sua bela princesa que seria dada a si depois de quebrar a maldição que fora emposta a ela por uma bruxa malvada. Mas o que o Park não esperava era encontrar Do Kyungsoo, um rapaz rabugento que havia ficado no lugar de sua princesa.


Fanfiction Para maiores de 18 apenas.

#disneyau #exo #kyungsoo #chanyeol #yaoi #chansoo
Conto
20
5.0mil VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

Chanyeol seu idiota!

“...A princesa fechou os olhos e deu um beijo no sapo, que logo pulou ao chão. Diante dos olhos de todos, o sapo se transformou em um belo rapaz com roupas de príncipe. Ele contou que uma bruxa havia o transformado em sapo, e somente o beijo de uma donzela acabaria com o feitiço. Assim, ele se apaixonou pela princesa e a pediu em casamento. A princesa aceitou. Fizeram uma grande festa de casamento, que durou uma semana inteira. A princesa e o príncipe juntaram os dois reinos e foram felizes para sempre…” — a mulher leu em voz alta, um sorriso doce pairando sobre seus lábios rosados quando olhou para seu filho deitado em sua cama, coberto da cabeça aos pés com seu cobertor de sapinhos.


O garoto sorriu para sua mãe. Adorava as histórias que ela contava, sempre cheias de magias. Apesar de conter fatos que muitos achavam impossível, Chanyeol sabia mais do que ninguém de que aquela história era verdadeira.


— Foi assim que você conheceu o papai não é mesmo?— perguntou; mesmo ouvindo aquela história toda noite, agia como se fosse a primeira vez que a ouvia.


— Isso mesmo, amor— a morena sorriu, fechou o livro que estava em sua mão e cobriu o pequeno garoto — E até hoje somos felizes. — soltou uma pequena risada.


— Eu posso encontrar uma bela princesa assim como você encontrou o papai, mamãe?— perguntou curioso.


— Claro que pode, mas sabe que você ainda não tem idade para isso, pequeno. Ainda é muito novo para pensar em encontrar sua princesa.


— Tudo bem, mamãe, eu irei esperar até ficar bem grandão. — abriu os braços de um jeito infantil rindo e fazendo sua mãe soltar uma risada baixa.


E apesar daquela ser uma das promessas mais infantis que já fizera, Chanyeol cumpriu o que prometeu. Esperou até ficar mais velho para que pensasse em começar a namorar.


Era o herdeiro do trono, filho único de Tiana, precisava de uma princesa. Com seus 18 anos começou a ir em encontros com as princesas que seus pais lhe arrumavam, com interesse para juntar reinos e serem bons para ambos.


No entanto, Chanyeol não se via interessado. Cresceu ouvindo histórias sobre o amor verdadeiro, e o amor à primeira vista. Amigas de sua mãe gostavam de contar suas histórias quando era pequeno, Bela, Aurora, Rapunzel, sabia de todas as histórias de cor e salteado, poderia até mesmo recitá-las de trás para frente, consequências de tardes do chá.


Depois de vários encontros com várias princesas e nenhum ter dado certo, Chanyeol lembrou-se da história de sua mãe, como ela conhecera seu pai a partir de um pequeno beijo em um sapo.


— E se eu fizer isso? Sabe, beijar um sapo, quem sabe encontro uma princesa para ser feliz para sempre com ela. — pensou alto enquanto acariciava levemente Corujinha, seu gato de estimação de muitos anos — Ficar indo de reino em reino não faz muito meu estilo, sabe.


O gato ronrronou baixinho, parecia que não estava nem um pouco interessado nos problemas de seu dono.


— Irei tentar! Não tenho nada a perder! — disse animado, jogando seu gato no alto e o pegando no ar. Essa brincadeira logo fez com que o rosto de Chanyeol ficasse todo arranhado. Deixou Corujinha de lado, bravo com o mesmo por ter lhe arranhado, deitou em sua cama e virou para o lado contrário de seu gato, mas logo sentiu o mesmo se aproximar e deitar perto de seu corpo.


No outro dia quando acordou, foi rapidamente para um pequeno lago que ficava perto de seu palácio. O lago era grande e bonito, gostava de ir lá às vezes quando possuía tempo. O dia estava chuvoso, ótimo para conseguir achar alguns sapos.


No começo fora difícil conseguir pegar um sapo, eles eram escorregadios, além de, claro, Chanyeol achá-los bem gosmentos e nojentos. Beija-los foi talvez a coisa mais difícil que fizera na vida, mas depois de beijar o primeiro o segundo e o terceiro não parecia tão ruim.


Pegava um por um. Um. Dois. Três. Quatro. Cinco. Seis. Dava um pequeno selinho e os colocava no chão, via-os fugir de si, mas nada acontecia, nenhuma luz brilhante, nem mesmo uma fada madrinha vinha para transformar o sapo em um humano.


De longe podia ver seu gato deitado em cima de uma árvore lhe fitando intensamente. O rabo balançando, parecia que o gato sorria, talvez fosse apenas imaginação de Chanyeol, mas poderia jurar que estava vendo um sorriso do Gato de Cheshire em Corujinha antes de desmaiar.


Quando acordou, com a claridade irritando seus olhos, observou um dos médicos do palácio lhe examinando. Não possuía uma expressão de preocupação, na verdade parecia querer segurar um riso.

 

— Chanyeol! Ainda bem que acordou, amor. Você está bem?— ouviu a voz de sua mãe e demorou um pouco, antes de focar totalmente a visão nela. A morena não parecia tão preocupada, na verdade parecia também segurar um riso assim como o médico.


“O que aconteceu?” Tentou falar, mas seus lábios pareciam dormentes. Tentou falar mais uma vez, abriu a boca e a fechou, mas nenhum som saiu, parecia que sua língua também estava dormente.


— Ele não vai conseguir falar por alguns dias. — o médico disse — Mas vai ficar bem. Sorte sua, garoto, que os sapos não eram venenosos. — e riu baixinho saindo da sala.


“Como ele sabe?” Quis perguntar, mas mais uma vez a pergunta morreu em sua garganta.


— O que você estava pensando, bebê?— Tiana perguntou acariciando o rosto de seu filho — Sabe que as coisas não são assim, um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Está me entendendo? Bom, irei deixar você descansar. Amanhã conversamos melhor.


Deixou um último beijo na testa de Chanyeol, antes de sair do quarto e voltar para seus afazeres.


Chanyeol teve o tempo necessário para que ficasse pensando em seu fracasso de encontrar uma princesa. Esperava que apenas o médico e sua mãe soubesse daquela história, não queria ficar conhecido como o príncipe que acabou com os lábios inchados por causa dos sapos que beijou, em busca de uma princesa. Não era uma boa reputação.


Já estava quase pegando no sono novamente, quando enfim chegou a uma conclusão. Primeiro pensou que tivesse feito algo de errado, até mesmo pegou o livro de sua mãe para dar uma olhada, mas havia feito certo, afinal não tinha como errar em um simples beijo. Não é?


Depois percebeu que seu pai - o sapo na história - havia sido enfeitiçado por uma bruxa, e se a princesa em questão havia sido enfeitiçada, mas transformada em outro animal? Afinal nenhuma garota iria gostar de se transformar em um sapo.


E foi pensando nisso que fora em seu reino no dia seguinte. Gostava de passear pelas ruas, conversar com os plebeus. Todo o povo lhe conhecia, mas mesmo assim ainda conseguia andar calmamente pelas ruas sem ser parado por uma multidão. Também andava com alguns guardas ao seu redor. Na primeira vez que fora, teve que ser acompanhado por oito guardas reais, e depois de conversar com seus pais, conseguiu reduzir a quantidade para dois.


Sehun e Jongin, dois guardas reais e seus dois amigos. Às vezes conseguia negociar com os dois, ambos saiam juntos para se pegaram às escondidas e o deixava em paz para passear sozinho pelo reino. Mas como havia passado mal no dia anterior, só conseguirá sair acompanhado de três guardas, Sehun, Yixing e Minseok, esse último sendo o guarda mais fiel da rainha, na visão de Chanyeol, um chato que não quis negociar consigo.


— Eu prometi para sua mãe, Chanyeol, não irei sair de seu lado. — disse Minseok cruzando os braços e batendo o pé.


Como estava com pressa, e com uma urgência para ir passear pelo reino, não ligou muito para seus três guardas que ficavam em seu encalço. No entanto, assim que chegou na primeira loja de animais com alguns coelhos e cachorros a mostra, percebeu que seria muito mais difícil beijá-los com os três lhe vigiando de perto.


— Vocês não tem nada para fazer não? Eu já tenho 18 verões, posso me cuidar sozinho. — disse emburrado.


— Prometemos para sua mãe, Chanyeol. — disse Yixing.


— Se você passar mal e não estivermos juntos para ajudá-lo, sua mãe mandara cortar nossas cabeças. — completou Minseok.


Sabia que o menor estava sendo dramático. Tiana gostava de todos os seus guardas como gostava de Chanyeol, talvez mais.


Revirou os olhos, cruzando os braços. Virou-se para o cercado onde possuía alguns cachorrinhos, todos eram filhotes. Pegou uma pequena cachorrinha fêmea, que lhe observava com ambas as patinhas no cercado, levantou-o até a altura dos olhos, procurou pelos guardas e viu que todos estavam encantados com os outros animais. Rapidamente aproximou a cachorrinha de seus lábios e deu um rápido beijo na mesma. Colocou-a de volta no cercado, mas nada aconteceu.


Pegou outra, essa mais agitada que a anterior, aproximou-a de seus lábios e deixou outro beijo na cachorrinha, no entanto, não com tanto sucesso quanto a outra, porque quando levantou seus olhos viu o dono do estabelecimento lhe fitando.


— É. — forçou uma tosse — Príncipe? Precisa de algo?


— Não. — sorriu sem jeito enquanto colocava a cachorrinha de volta no cercado. — É-é que e-e-les são tão fofos, que dá vontade de b-beijar.


Pensou que o homem não iria cair nessa, depois de um tempo ele até sairia gritando falando que o príncipe havia ficado maluco, mas por sorte havia Zhang Yixing ali.


— É verdade, olha só que coisa fofa. — disse Yixing pegando um outro cachorrinho e lhe dando um beijo. Pegou mais outro e outro e começou a lhe dar muitos beijos. Depois passou para os coelhos, como se estivesse distribuindo beijos grátis.


— Já terminou Zhang? Estamos indo. — Sehun disse com sua famosa cara de poucos amigos. Só queria voltar para o palácio logo para fazer nada.


E então voltaram, com Chanyeol falando que não havia encontrado o que procurava, o que era verdade. Voltou cabisbaixo, triste por não ter encontrado. Não que tivesse beijado todos os animais de seu reino, mas toda vez que tentava e não conseguia se desanimava.


— Não vou desistir, mas que tal uma pausa? Minha boca já está doendo, Corujinha. — disse Chanyeol acariciando seu pequeno gato que estava em seu colo.


Iria tentar uma última vez naquele dia, esperava que desse certo.


Levantou seu gato, gordo e branco na altura de seus olhos e deixou um beijo no mesmo.


Antes que pudesse finalmente desistir, desanimando completamente, uma luz forte começou a sair de Corujinha. Rapidamente colocou seu gato no chão, e antes que pudesse pensar em algo totalmente coerente viu seu gato se transformar em um garoto completamente nu, moreno com os olhos grandes, a pele branca como leite.


O garoto olhou para si, confuso e assustado. Quando finalmente pareceu perceber o que havia acontecido, se levantou indo rapidamente para cima de Chanyeol e fechando as mãos em seu pescoço.


— Seu grande idiota!— berrou.


Chanyeol respirou fundo. Trocou as posições, ficando em cima do garoto.


— Por que você está bravo assim? Eu te livrei da maldição. — prendeu os braços do garoto, mas esse continuava se debatendo abaixo de si.


— Que maldição seu idiota? Burro! Jumento! Ameba! Seu...seu...argh! Me solta!


Esperou um pouco para que enfim pudesse soltar o garoto. Recebeu mais alguns tapas no braço e na cabeça, antes de finalmente ouvir a explicação do outro.


— Eu pedi para que a bruxa me transformasse. Eu era um príncipe, cheio de tarefas e deveres, frustrações e tudo mais. Tudo o que eu queria era apenas dormir e comer, então me transformei em um gato para fugir da responsabilidade, mas você estragou tudo!


Chanyeol acabou por soltar uma risada, recebendo mais alguns tapas do outro. Era uma história engraçada afinal.


— Desculpa. — acabou por gargalhar novamente — Mas esse é o motivo mais idiota para querer se tornar um animal.


O garoto bufou.


— Pensa comigo, idiota, eu vivia com você, o gato do príncipe, comida a de manhã, tarde, noite. Poderia dormir a hora que eu quisesse. Meu pêlo era muito bem cuidado.


O maior parou para pensar um pouco realmente ele tinha razão.


— Qual seu nome?— perguntou.


— Do Kyungsoo.


— Você é um grande idiota, Chanyeol. — Kyungsoo murmurou com a boca cheia de salgadinhos sem ao menos olhar para o maior.


O Park havia acabado de entrar na sala, os lábios sendo mordidos constantemente. Havia passado três dias desde que acabará com a “maldição” de Kyungsoo, e durante esses três dias ouvira mais essa frase do que poderia imaginar que iria ouvir algum dia. Kyungsoo realmente tinha um grande fascínio em lhe xingar constantemente.


— Por qual motivo agora? — perguntou enquanto se jogava no sofá.


Kyungsoo murmurou algo e indicou com a cabeça a janela que estava de seu lado.


— Estava te observando, você é muito ruim com as garotas.


Chanyeol sentiu suas bochechas quentes. Realmente ele nunca fora tão bom com as mulheres. Talvez seja por esse motivo que decidiu ir pelo caminho mais fácil para conseguir alguma namorada. Claro que sair beijando vários animais pelo reino não é algo fácil, no entanto, Chanyeol preferiria enfrentar mais uma vez uma centena de sapos do que uma garota real.


Conversar, elogiar (por mais que às vezes a garota não seja tão bonita assim), comprar presentes, chamar para sair, levar para lugares legais, pensar em encontros, ser romântico e engraçado, tudo parecia sempre tão complicado. O Park não conseguia nem ao menos conversar direito, não possuía assunto com as garotas; as achava muito chata falando sempre do que fazia ao acordar até a noite onde ia dormir, das roupas que comprava, da comida que não podia comer, do sol que irritava sua pele, do vento que bagunçava seus cabelos.


— Só não tenho muita experiência. — mentiu dando de ombros. Kyungsoo não precisava saber que já tivera várias experiências com garotas.


O menor continuou comendo seus salgadinhos, lembrava-se dos anos que ficou como príncipe, antes de sua “maldição”, havia participado de vários encontros, alguns que acabaram muito bem, outros nem tanto. Até mesmo teve que se casar para assumir seu reino, mas três dias depois foi atrás da bruxa e pediu pela maldição.


— Você poderia me ajudar. — Chanyeol o despertou de seus devaneios.


— Não, obrigado. — virou-se e continuou comendo seus salgadinhos.


— Por quê?


— Porque não sou obrigado. Além do mais, também não sou muito bom com isso.


— Com certeza você deve ser melhor do que eu.


— Qualquer um é melhor que você, Chanyeol, você fez a garota chorar.


Chanyeol suspirou.


— Eu só disse que ela deveria não comer muitos bolinhos porque ela já estava gorda.


Kyungsoo balançou levemente sua própria cabeça em negação, Chanyeol parecia um caso perdido.


— Você vai me ajudar?


— Não.


— Por favor, eu faço o que você quiser.


— Eu não quero nada.


O Park suspirou tristemente, abaixou sua cabeça e se aproximou do menor. Uma coisa que aprendeu com esses poucos dias de convivência, era que Kyungsoo era bastante estressado. Sentou-se ao lado do menor, que parecia bastante interessado em degustar o seu salgadinho, começou a cutucar a bochecha do Do com seu dedo indicador, ficou cutucando e apertando a bochecha do menor enquanto dizia: “Kyungsoo”, de um jeito muito manhoso. Continuou fazendo isso até que o outro se irritou.


— Tudo bem Chanyeol, eu te ajudo, agora para com isso!— berrou dando um soco na perna do maior. Depois de perceber o que havia dito acabou por suspirar fundo. Evitou o sorriso convencido de Chanyeol e saiu do cômodo batendo os pés.


Para a infelicidade de Kyungsoo e para a felicidade de Chanyeol, Kyungsoo sempre cumpria com sua palavra.


Lição número um: Elogie sempre.


— Elogie sempre a roupa e o cabelo, diga o quanto aquele vestido cai tão bem nela. Toque nos fios e diga que os cabelos dela são macios e brilhosos.


Chanyeol queria testar o que aprendera, para isso se aproximou de uma serva qualquer que estava varrendo os corredores do castelo. Puxou um assunto qualquer, Kyungsoo explicara que não era muito bom começar elogiando, se não pegaria fama de pervertido.


— O que foi príncipe? Precisa de algo? — a serva perguntou sorrindo.


— Não, na verdade, não pude deixar de ver que esse vestido fica muito bem em você.


A garota acabou soltando um risinho tímido, tampando a boca delicadamente, as bochechas tão vermelhas quanto suas vestes.


— É um de meus vestidos mais velhos.


Estou indo bem, pensou. Próximo passo, o cabelo. Levou delicadamente suas mãos para os cabelos da garota, tocaram-na no topo da cabeça..


— Seu cabelo é muito ma — parou de falar assim que sentiu sua mão engarranchar nos fios crespos, haviam vários nós ali, consequência de vários dias sem lavar — Oh, espere. — tentou puxar sua mão dali, mas assim que o fez a garota gritou, depois apenas viu um pouco do cabelo da garota em sua mão.


Ela saíra correndo.


Chanyeol suspirou. Ouviu a gargalhada de Kyungsoo e o viu saindo de trás de uma viga.


— Vamos tentar...outra...coisa. — disse quase sem fôlego de tanto rir.


Lição número dois: puxe conversa.


— As garotas gostam sempre falar de si mesmas ou de alguma outra garota. Não puxe assunto de coisas que você gosta, como jogos, corrida a cavalo e etc.


Kyungsoo marcara para Chanyeol um pequeno e rápido café da tarde com a garota que o maior havia feito chorar, com a desculpa de que o Park queria se redimir por ter sido tão grosseiro. Tomaram café no jardim novamente, debaixo de uma árvore.


— Então, me conte como você está.— Chanyeol disse sorrindo enquanto servia um pouco de chá para ambos.


— Você não vai acreditar no que aconteceu comigo. Fui com minha mãe comprar um vestido e lá estava a Cho-Hee, acho que te falei dela, uma do nariz feio. Ela experimentou um vestido tão horrível, amarelo azulado, cheio de babados. Ficou tão horrível nela que tive que me segurar para não rir. A Cho-Hee estava com a amiga, a Danbi, que nome feio não é? Confesso que se meu nome fosse Danbi, eu me matava. Estavam as duas lá, eu ouvi o momento em que a Danbi teve a cara de pau de olhar para Cho-Hee e falar que ela estava linda com aquele vestido. Eu não teria coragem de ser tão falsa assim. Falo isso porque eu sei de uns babados de que a Danbi falou para a Haneul, que falou para a Minhee, que falou para mim, que a Cho-Hee precisa procurar urgentemente uma bruxa para consertar seu nariz feio. — a garota comeu um pedaço de bolo e Chanyeol agradeceu mentalmente que essa ficasse alguns segundos em silêncio — Claro que ela puxou aquele nariz feio de alguém.


“Conhece a Myung-Hee, irmã da Cho-Hee? Então, ela não tem o nariz tão feio, mas em compensação seu queixo parece uma pedra rachada. As unhas dela também são horríveis, ela escolhe cores tão cafonas, olha as minhas como são bonitas. Vermelho e rosa pink, uma combinação fabulosa com meu vestido roxo. Reparou no meu brinco? Ele é novo, comprei na liquidação junto de meu sapato. Não foi tão barato, mas consegui um incrível desconto de 10 won em ambos...


Chanyeol parou de prestar atenção, sua mente estava longe, via a garota mexer os lábios sem parar, mas se desligou no que ela falava. Isso durou incansáveis vinte minutos, até que a garota o cutucasse no braço, tirando sua atenção das folhas das árvores.


— Olha ali a Yoora. Acha que está arrasando com suas veste de homem. Soomin pode ser insuportável, mas ela ganha de disparada. Não consigo conversar com ela nem dois minutos. Realmente insuportável...ela me lembra bastante a…


O Park observou atentamente a garota “com vestes de homem”, não achava que uma calça e uma camisa eram vestes de homem, mas se todos diziam aquilo, teria que acreditar. A garota dava algumas maçãs para um cavalo branco.


—...fiquei sabendo que ela beijou uma garota. Claro que mamãe achou um cúmulo isso e me proibiu de andar com Soomin...


— Quem é ela?


— Soomin? Uma garota que tem um dente torto e…


— Não. Ela. — apontou para a garota que estava com o cavalo.


— Você está me ouvindo? Falei que é a Yoora, filha da Merida, irmã de Zitao. Fiquei sabendo que o irmão dela cria ursos na floresta. Doido igual a irmã.


“Você já conheceu uma companheira para o baile? Fique você sabendo que comprei um vestido bem decotado e...


Chanyeol suspirou. Levantou-se e simplesmente saiu, deixando a garota falar sozinha.


Voltou para o castelo, especificamente para seu quarto onde sabia que Kyungsoo estava observando tudo com um pacote de salgadinho em mãos.


— Ela fala muito?


— Mais que uma bruxa antes de lançar algum feitiço— soltou uma risada acompanhado de Kyungsoo.


Jogou-se na cama suspirando cansado. Sentiu o colchão ao seu lado se afundar, não precisou abrir os olhos para saber que era Kyungsoo ali.


— Acho que meu destino é morrer sozinho mesmo— suspirou.


Kyungsoo remexeu-se na cama, mordeu o próprio lábio inferior pensativo. Apenas tomou coragem de falar quando observou o maior lhe fitando.


— E se seu destino for...ficar com alguém...que não seja...u-uma g-garota?


— Quem eu poderia ficar se não fosse alguma garota?


— N-não, é só que...eu estava passeando pelo castelo e vi...dois guardas...ambos homens...se beijando...então, achei que...você fosse esse tipo de garoto.


— Está insinuando que eu goste de homens?— perguntou em um sobressalto.


— Você gosta?


— Nunca convivi com outro homem para saber disso.


Um silêncio constrangedor tomou conta do quarto. Para sair daquele clima tão pesado Kyungsoo levantou-se.


— Pense nisso. — disse antes de sair do cômodo.


E por incrível que pareça Chanyeol pensou mesmo.


Lição Número três: Cantadas.


— Cantadas são frases prontas que dizemos para alguma garota. Se dizer do jeito certo, elas irão gostar. Agora aqui está uma lista, escolhe uma e diga para aquela ali. Mas não saia por aí com o papel na mão, idiota.


Chanyeol decidiu que iria usar aquela tática com a garota dos cavalos. Viu-a no estábulo, com os cabelos presos e novamente de calça, mas dessa vez com uma calça branca.


— Acredita em amor à primeira vista ou eu devo passar por aqui mais uma vez? — disse ao se aproximar, escorando em um pilar que havia ali, jogando o máximo de seu charme. Se surpreendeu por ter conseguido dizer a cantada tão fácilmente.


— O quê? — a garota se virou. Um sorriso em seus lábios indicava que que havia achado graça na situação.


Quando os olhos se encontraram Chanyeol ficou nervoso.


— Seu pai é um sonho? Porque você é um padeiro.


A frase toda errada acabou fazendo a garota soltar altas gargalhadas.


— Dá para ver que você não é muito bom nisso.


— Realmente, sou muito ruim nisso. — acabou por soltar uma risada também.


— Sou Yoora.


— Prazer Yoora, sou Chanyeol.


E por incrível que pareça, algo que começou tão aleatório durou até o final da tarde. Ambos tinham bastante assunto em comum, Yoora não era igual as outras garotas, e por isso conversaram bastante enquanto davam longos passeios a cavalo pela floresta.


Quando voltaram, o Park não pensou duas vezes ao convidar a garota para um outro passeio no dia seguinte.


Quando contou tudo aquilo para Kyungsoo, Chanyeol percebeu algo diferente em seus olhos, mas decidiu ignorar achando que era só coisa de sua cabeça.


— Acho que meu trabalho já acabou. — disse amarguradamente.


— Espere! Falta algo ainda.


— O quê?


— Eu ainda não sei c-como...s-sabe...— tocou levemente os próprios lábios.


— Você não quer que eu o ajude com isso?!


— Claro que quero, você será um péssimo professor se não me ajudar com a última lição.


— Tudo bem, irei pegar algumas ameixas na cozinha...— Kyungsoo ia se levantando, mas foi parado por Chanyeol que o segurou pelo braço.


— Você acha que eu já não treinei com frutas? Estava pensando em algo...mais r-realista.


— Alguma serva?


— Não! Com você, Kyungsoo, você é meu professor...


O menor mordeu levemente os próprios lábios, pensativo. Seu coração batia tão rápido que não percebeu quando acenou em concordância.


Chanyeol ajeitou-se na cama. Estava nervoso, não por ser seu primeiro beijo, afinal mentira falando que nunca havia treinado isso. Não era de ferro, possuía dezoito verões, já sairá com tantas princesas que perdera a conta, até mesmo passou da fase das mãos bobas. Apenas queria testar algo, algo em que estivera pensando na noite passada, algo que pensara enquanto beijava a garota de mais cedo. Queria sentir os fogos de artifício, ouvir os sinos da igreja, sentir as borboletas no estômago, sentir seu coração batendo tão rápido como se fosse sair por sua boca. Queria provar de Kyungsoo e de todas as sensações de quando se está apaixonado por alguém.


Aproximou-se, mas esperou que o menor tomasse a iniciativa. Fechou os olhos e demorou um pouco até que sentisse o selar de lábios. Começou com os movimentos suaves, mexendo apenas os lábios. Depois sentiu a língua travessa de Kyungsoo tocar em seu lábio inferior, entreabriu a boca e sorriu quando aprofundou finalmente o beijo.


Tentou não demorar muito, afinal ainda estava dando uma de inexperiente. Separaram-se e ao olhar no rosto corado de Kyungsoo, percebeu que todas aquelas sensações que queria sentir eram demais para seu pequeno corpinho.


— E-eu...quer ir ao baile comigo?— falou a primeira coisa que viera a sua cabeça.


— Se você não percebeu, eu sou um homem, Chanyeol.


— Eu não ligo, quero ir com você.


—Por quê?


— Porque acabei de perceber que gosto muito de você, e quero tê-lo para sempre ao meu lado.


— Chanyeol...eu...


— Deixe-me mostrar...por favor..quero sentir as borboletas no estômago de novo…


— Sentir o quê?


— É o modo de dizer. — soltou uma risada.


Chanyeol voltou a beijar Kyungsoo, as mãos nas bochechas gordinhas acariciando de leve a pele macia. Deitou o menor na cama e logo ficou por cima desse. As mãos passando e apertando todas as partes que sabiam ser sensíveis.


Tiraram as roupas. As luzes iluminaram os corpos nus, a lua na janela deixava tudo mais romântico. Claro que ambos não tinham experiência com homens, então não sabiam que “na hora H” doía.


— Seu idiota! Imbecil! Está doendo! Saí!


Chanyeol não se afastou, continuou penetrando-o lentamente. Não possuía experiência, mas possuía dois amigos que faziam aquilo com frequência, claro que já perguntou como se fazia aquilo com homens.


— Calma, Kyungsoo, vai melhorar.


O menor continuou batendo em Chanyeol, mas começou a parar gradativamente quando começou a sentir prazer. Fechou os olhos e se segurou nos ombros fortes do maior. Gemeu tão manhosamente, que o Park achou que estava no céu vendo a expressão de prazer do outro e apreciando a voz grossa gemendo seu nome.


Naquela noite uniram-se em um só. As vozes formaram uma melodia erótica, unindo ao som da cama se arrastando no chão de madeira. Não pensavam que faziam barulhos, mas se tivesse pelo menos algum raciocínio lógico perceberiam que, talvez, o castelo inteiro poderiam ouvi-los.


— Estávamos devendo uma para ele. — Kai disse com os braços cruzados escorado na parede.


— Eu sei, mas ele poderia ter pedido qualquer coisa...Isso...isso...é o cúmulo!— Sehun respondeu.


Ambos estavam do lado de fora do quarto, ouvindo os sons eróticos. Não acreditaram quando Chanyeol fora chamá-los para ficar de guarda na porta de seu quarto, porque queria dar uns “pega” em Kyungsoo. Pensaram que seria apenas um beijinho, mas aquilo já era demais.


— Eu não sou pago para isso. — resmungou Sehun.


Passaram-se algumas semanas até que finalmente chegasse o dia do baile. Chanyeol separava algum ouro para pagar Sehun e Kai pelo favor de vez em quando, mas esses sempre subiam o preço a cada dia que passava.


Apenas pararam de reclamar quando Chanyeol conseguiu uma folga para ambos no dia do baile.


— Eu estou com medo de que todos o olham estranho, Chanyeol. — confessou Kyungsoo no dia do baile enquanto se arrumavam — Não é muito comum dois homens irem ao baile como um casal.


— Não se preocupe Kyungsoo, vai dar tudo certo. — sorriu.


E por incrível que pareça acabou dando realmente tudo certo. Chegaram no baile, ambos de mãos dadas. Receberam alguns olhar de espanto, mas ficaram mais espantados ao verem que não eram os únicos ali daquele jeito.


Havia vários casais de homens com homens.


Ninguém ficou surpreso quando Chanyeol falou que ia se casar com Kyungsoo, na verdade, os guardas na porta do quarto do príncipe não ajudavam de muita coisa.

25 de Junho de 2018 às 19:06 0 Denunciar Insira 2
Fim

Conheça o autor

Tiny Hachi Ficwriter #EXO #CHANBAEK

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~