o que domina o batidão Seguir história

kalinebogard Kaline Bogard

Aburame Shino tinha uma vida excelente. Ele era um jovem pesquisador que trabalhava para a Universidade de Tokyo, conseguindo o emprego dos sonhos na área da Entomologia. Recebia um bom salario e os resultados de suas pesquisas alcançavam reconhecimento ao redor do mundo. Parecia a vida dos sonhos. Mas só parecia.


Fanfiction Anime/Mangá Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#Humor #fns #desafio #homossexualidade #funk #alcool #kiba #linguagem-impropria #shinokiba #FNSdoCatucadao #VemproBaileFNS #shino
8
4850 VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

Parte 01 de 02

Aburame Shino tinha uma vida excelente. Ele era um jovem pesquisador que trabalhava para a Universidade de Tokyo, conseguindo o emprego dos sonhos na área da Entomologia. Recebia um bom salario e os resultados de suas pesquisas alcançavam reconhecimento ao redor do mundo.

Morava em um ótimo prédio em Ginza, no apartamento que seu pai lhe deu ao se aposentar e se mudar para o litoral do país.

Shino era um homem de hábitos regulares.

Acordava sempre no mesmo horário, sem precisar de despertador. Geralmente fazia o café da manhã mais prático e saudável possível. Então se alimentava acompanhando as notícias matutinas pelo tablet, às vezes tinha tempo para resolver uma ou duas palavras cruzadas. Então pegava suas coisas e ia pra faculdade.

Saia de casa com tempo suficiente para pegar dois horários antes do pico da manhã, para aproveitar os vagões vazios e transitáveis. Acabava por chegar muito cedo ao laboratório, mas era dedicado ao trabalho. Beirava o vício, por isso não se importava.

Era sempre o primeiro a chegar e o último a sair. Apesar de jovem, era o professor responsável por conduzir os experimentos e chefiar a equipe de dez doutores-pesquisadores.

Em via de regra almoçava em um restaurante próximo ao campus.

Voltava pra casa dois horários depois do rush, porque o metrô lotado o agoniava.

O dia terminava na calma do lar, com Shino relaxando após um banho e um modesto jantar.

Era nesse momento que lia um livro ou ouvia música clássica debruçado na sacada do apartamento e assim terminava mais um dia.

Parecia a vida dos sonhos.

Mas só parecia.

Como qualquer pessoa normal, Shino tinha que superar obstáculos e vencer desafios em seu dia-a-dia. No trabalho enfrentava resistência pelos pesquisadores mais velhos, relutantes em seguir as orientações de alguém mais jovem. De vez em quando sabotavam suas experiências e isso atrasava toda a pesquisa. Eram boicotes inofensivos, apesar de tudo. Mas não deixavam de ser irritantes.

Em casa, Shino teve problema com mais de um vizinho. Isso o incomodava mais do que tudo, porque seu lar deveria ser seu refúgio e respeitado, tanto quanto ele respeitava o lar alheio.

No prédio em que morava, cada andar era dividido em dois apartamentos de bom tamanho.

Shino cresceu ali, vivendo com o pai e dividindo espaço com um gentil casal de idosos.

Com o passar do tempo, o casal veio a falecer e os herdeiros alugavam o apartamento. Graças a isso, de tempos em tempos, alguém problemático morava por ali.

Alguns inesquecíveis.

Houve uma família, pela época da adolescência de Shino, que quase o levou à loucura. O casal tinha seis filhos. Quatro pestinhas, ou melhor, quatro meninos e duas meninas. Os pais trabalhavam o dia todo, quem cuidava das crianças era o irmão mais velho. Ou seja, era bagunça o dia todo. O hall comunitário ficava cheio de brinquedos, bugigangas, roupas, doces… ir para o apartamento era como andar sobre campo minado. Não poucas vezes os pequeninos iam pra casa dos Aburame quando a fome apertava, porque não sabiam cozinhar direito. Shibi os alimentava e a bagunça chegava ao apartamento por tabela.

Era barulhento e cansativo, as crianças enérgicas tinham pouca educação e paciência, apesar da boa vontade de Shibi em acolhê-los.

Foi um alívio quando a firma transferiu o pai dos garotos e a família toda se mudou. O silêncio reinou e Shino valorizou muito mais a paz (ainda que no fundo sentisse um pouquinho de falta das crianças, mas só um tiquinho).

Quando cursava a faculdade, teve a vizinha gaijin, uma norte-americana nascida na Califórnia, que achava que o mundo era uma grande praia. A mulher desfilava para cima e para baixo com roupas curtíssimas, sem qualquer pudor. Grandes decotes exibiam os seios fartos que pareciam sempre a um centímetro de saltar para fora da blusa. Não perdia uma chance de dar em cima de Shino, nem de pedir açúcar quando sabia que o rapaz estava sozinho.

Por essa época ele já sabia dos próprios gostos e da preferência sexual, os avanços nunca deram em nada e a vizinha se mudou sem conseguir o que tanto queria.

Um dos piores períodos foi quando um grupo universitário resolveu alugar o apartamento e fazer uma republica onde moravam cinco ou seis garotos. Shino começara o mestrado e aceitara a vaga de pesquisador júnior na Todou.

Esse grupo de jovens não respeitava nada, não contribuía para a paz no prédio. Viviam entrando e saindo, batendo portas, nunca colocavam o lixo certo no dia certo, roubavam jornais dos outros moradores, mexiam com as mulheres e provocavam os homens. Foi um curto período de tempo, pois as reclamações fizeram o síndico entrar em contato com os donos do apartamento e eles encerraram o contrato de aluguel antecipadamente.

Vários e vários vizinhos passaram por ali. A maioria era simplesmente desconhecidos de quem Shino mal se lembrava, e a esses marcava como “épocas de paz”.

“Épocas de paz” que nunca duravam muito, infelizmente.

Há cerca de um mês o apartamento foi alugado para um novo inquilino. Era um rapaz em idade universitária, com quem Shino teve pouco contato.

No passar dos dias, percebeu que ele colocava o lixo certo nos dias certos, parecia morar sozinho e tinha horários corridos, pois saía depois de Shino, mas também voltava depois.

A partir de sua mudança, o andar passou a cheirar queimado com uma frequência impressionante, prova cabal de que o rapaz era terrível na cozinha. Shino pensou em oferecer comida em algumas ocasiões, todavia era um gesto ousado para alguém de índole discreta.

A falta de rotina incomodava Shino. Não que ele ficasse vigiando o vizinho, claro! Era apenas inevitável que acabasse descobrindo pontos do dia-a-dia de alguém que dividia o mesmo andar!

E nem mesmo esse incomodo era suficiente para irritar Shino, que sabia-se meio obcecado com rituais. Afinal, não tinha nada a ver com a vida do rapaz.

O verdadeiro incômodo mesmo, era o fato de seu novo vizinho adorar ouvir música alta. E só canções agitadas da moda, de letras duvidosas.

A primeira vez que aconteceu, era noite de sexta-feira. Shino sentou-se no sofá, com seu confortável pijama de flanela e o roupão preto felpudo; com uma xícara de chá e a biografia de Anne Frank que estava relendo. Logo conectou o celular na caixinha de som, permitindo que Chopin dominasse o ambiente e pôs-se a degustar a merecida paz quando de repente…


Piririn, piririn, piririn
Alguém ligou pra mim
Piririn, piririn, piririn
Alguém ligou pra mim


Num volume de tremer as paredes.

Shino levou um susto tão grande que cuspiu o chá de volta na xícara.

Ficou alguns segundos atordoado com a altura da música, até demais para prestar atenção na letra da canção que nunca tinha ouvido antes na vida. O pobre Chopin soterrado e emudecido pelo peso do funk escandaloso.


To ficando atoladinha
To ficando atoladinha
To ficando atoladinha
calma,calma foguentinha

Nesse ponto recuperou a capacidade de ação e resolveu tomar providências. Saiu do apartamento e foi bater na porta da frente. Mas perdeu bons segundos batendo. O som estava alto demais para que o vizinho o ouvisse!

E, enquanto a tal cantora atolava na areia da praia, Shino desistiu. Voltou para casa e terminou a noite dormindo pouco, porque o vizinho só foi desligar o som perto das duas da manhã!

Decidiu que falaria com ele dentro de algumas horas, aquele absurdo não podia se repetir!


---


No sábado cedinho, antes mesmo de tomar café da manhã, Shino saiu do apartamento, atravessou o hall e bateu na porta da frente.

Daquela vez não desistiu enquanto não foi atendido, vários minutos depois.

Seu vizinho veio abrir a porta bocejando. Os olhos sonolentos traiam o mau-humor, pouco ameaçador graças ao cabelo bagunçado e o rosto com marcas do travesseiro. Vinha sem camisa, metido em uma samba-canção com estampa de chihuahuas.

— Bom dia — resmungou.

— Bom dia — Shino sentiu-se um tanto indignado pela falta de respeito. Só porque seu vizinho tinha um bom peitoral não significava que podia sair exibindo por aí, desfilando em trajes indecentes — Vim pedir que seja mais consciencioso e não escute o som tão alto. Incomoda.

— Ee? “Conscis” o quê? — o vizinho cruzou os braços e apoiou-se no batente da porta.

— Você ouviu música alto demais ontem a noite. Mal consegui dormir.

— Que caralho. Ontem foi sexta, você é o que? Um monge?

— Não. Sou um trabalhador que aprecia terminar bem o dia aproveitando o silêncio.

— Tá certo. Quer silêncio muda pro Himalaia. O bonitão aqui rala a semana inteira pra poder ouvir música e relaxar na sexta-feira.

Shino ficou abismado com a arrogância do garoto.

— Estou pedindo educadamente. Na próxima vez reclamarei pro síndico.

— Pode reclamar — o vizinho riu — Não tem nenhuma cláusula proibindo som alto no contrato. Por isso escolhi morar aqui — deu de ombros. Aprendeu como era importante sempre ler as letras pequenas antes de assinar qualquer coisa!

— Garoto…

— Meu nome é Kiba. Inuzuka Kiba. E não “garoto”.

— Muito bem, Inuzuka -kun…

— Pode me chamar de Kiba — sorriu.

Shino notou os caninos proeminentes, característica que trouxe certo ar selvagem ao rosto de Kiba.

— Muito bem, Kiba.

— E qual o nome do senhor?

A pergunta irritou Shino.

— Meu nome é Shino. Não me chame de senhor, não sou tão velho assim.

— Okay, não quis ofender — o rapaz continuou sorrindo. Fato que desarmou a raiva de Shino.

— Tenha só um pouco de compreensão, tudo bem? — apelou para algum resquício de bom senso que seu vizinho pudesse ter — É difícil dormir com o som tão alto.

Kiba coçou a nuca, um tanto sem jeito.

— Tudo bem. Vou baixar o volume na próxima vez.

— Obrigado.

— Que nada! Vizinhos tem que se dar bem, não é? A gente nunca sabe quando vai precisar de uma xícara de açúcar…

Shino ergueu as sobrancelhas, satisfeito que chegaram a um meio termo agradável.

Voltou para seu lar, onde pode tomar o café da manhã e passar o resto do final de semana em uma paz de fazer inveja a qualquer ermitão, revisando arquivos sempre acompanhado de chá quentinho e de música clássica ecoando baixinha no ambiente.

E a semana transcreveu em igual harmonia. A rotina confortante e familiar voltou, relaxando Shino que odiava lidar com situações que desafiassem seu dia-a-dia cotidiano.

Acreditou mesmo que o vizinho foi ponderado e compreensivo. Um excelente desfecho para a relação que podia se tornar conturbada.

Até que a sexta-feira chegou. E junto com ela, a falta de noção de Inuzuka Kiba.

Aburame tomou o banho refrescante, pois junho se mostrou um mês abafado. Colocou o pijama confortável e acomodou-se no sofá. Para aquela noite escolheu Chopin como trilha sonora antes de pegar o tablet e resolver algumas palavras cruzadas.

Os planos seguiam muito agradavelmente quando o som explodiu alto.


Pra dançar creu tem que ter disposição

Pra dançar creu tem que ter habilidade

Pois essa dança ela não é mole não

Eu venho te lembrar são cinco velocidade


Não chegou a ponto de tremer as paredes, mas ainda assim era ensurdecedor.

Shino perdeu alguns minutos paralisado, sentindo-se ultrajado com a falta de consideração que seu vizinho demonstrou. Além disso, ele foi extremamente maldoso. Porque prometeu abaixar o som e realmente o fez. Mas não a ponto de respeitar a privacidade dos outros moradores.

A inércia durou apenas o tempo de a canção chegar no refrão.


Creeuu creeuu creeuu creeuu creeuu creeuu, continua

fácil né, de novo creeuu creeuu creeuu creuu creeuu

Creeuu


Creu, fosse lá o que a palavra significasse, ressoando na noite de sexta-feira, levou-lhe o espírito até aquele ponto sinistro que separa pessoas de bem de assassinos frios e cruéis. Sentiu-se, inclusive, capaz de compreender quem perde a razão e tira a vida de outrem num ímpeto de raiva.

Mas ele, obviamente, era Aburame Shino. E não agia de forma impetuosa ou bárbara. Esperaria o dia seguinte para ter uma conversa civilizada com seu vizinho. Seria bem mais claro com a criatura, deixando óbvio que ele precisava diminuir o som muito mais do que aquilo.

A noite de sexta-feira estava arruinada.

19 de Junho de 2018 às 13:08 0 Denunciar Insira 2
Leia o próximo capítulo Parte 02 de 02

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~

Você está gostando da leitura?

Ei! Ainda faltam 1 capítulos restantes nesta história.
Para continuar lendo, por favor, faça login ou cadastre-se. É grátis!