Não me chame de fofinho Seguir história

byun_re Becca Jorge

Para Chanyeol, Baekhyun sempre foi o menininho com quem passava os verões quando ia para a casa de sua avó. Porém, eles passaram cinco anos sem se ver até o Byun, finalmente, ir para a cidade grande com a intenção de começar sua faculdade. Chanyeol ficou mais do que feliz em o abrigar em sua casa, que havia se tornado uma pequena fraternidade. O menor era muito fofinho em sua opinião, mas Baekhyun chegou determinado a fazer o Park parar de vê-lo apenas como um irmão mais novo. chanbaek | série: não me chame de | fluffy | 26x18


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

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Baekhyun não quer ser fofinho!


Baekhyun sentia-se bastante nervoso ao parar em frente à casa enorme de dois andares.

Sempre morou em uma cidade litorânea, calma, em que só ficava cheia no verão, mas ainda assim não deixava de ser sossegada. E então se via ali, no centro de Seul, em um bairro chique perto da faculdade em que ganhou uma bolsa de estudos. Deveria sentir-se orgulhoso de si mesmo, e estava, mas também um pouco receoso.

Iria começar a morar com Chanyeol, e estava mais do que radiante. Se passaram cinco verões desde que o viu pela última vez, tinha treze anos na época, e simplesmente não conseguiu esquecer o maior.

Na infância, ambos sempre estavam colados, um agarrado ao outro, mesmo com a grande diferença de idade, mas eles não se importavam, então tomavam banho juntos, brincavam na praia, dormiam em barracas no quintal para poderem observar o céu estrelado. Era a época preferida do ano para Baekhyun quando o neto de sua vizinha, a vovó Park, passava o verão com eles. Chanyeol lhe tratava com o irmãozinho caçula que nunca teve, e o Byun adorava ser mimado por ele.

Contudo, depois de um tempo, isso parou, o menor sabia o motivo e por isso não culpava Chanyeol por não ter voltado, mas se esforçou ao máximo para passar em uma boa faculdade com uma bolsa, já que sua família jamais seria capaz de pagar algo tão caro.

Na verdade, se não fosse pelo mais velho, não teria onde morar ou como se sustentar, com apenas 18 anos, na cidade grande.

Respirou fundo, imaginando se o maior havia mudado muito; em cinco anos diversas coisas podem acontecer. Então apertou a campainha, apenas com uma mochila nas costas, havia mandado suas coisas por correio, uma semana antes de ir, e tinha consigo só o essencial.

Estava ansioso e muito feliz.

Finalmente veria Chanyeol outra vez, começaria sua faculdade e a vida adulta.

Não demorou muito para a porta ser aberta com um estrondo, o que fez Baekhyun quase pular de susto, pois sequer teve tempo de assimilar o que acontecia. Em um segundo estava parado em frente à porta, no outro, um par de braços enormes o envolvia pela cintura, levantando-o do chão como um boneco e esfregando sua bochecha na de Baekhyun.

Yaaaaa, você continua tão pequenininho e fofinho, Baek! Que sauda... — Chanyeol ofegou, soltando o menor e dando alguns passos para trás, Baekhyun tinha uma expressão furiosa. — E continua estressadinho. — disse sem ar, devido ao chute que levou na barriga.

— Não me trate mais como uma criança, Chan, eu já tenho 18 anos.

— Mas continua do mesmo tamanho! — o Park resmungou, endireitando-se e desviando de um soco certeiro.

Ok, ainda era uma campo minado falar de tamanho com Baekhyun, e ele batia em qualquer um que lhe irritasse, talvez agora com muito mais de força.

— Não tenho nada, eu cresci, você que continua um idiota, mesmo com 26 anos. Não vai amadurecer, não? — disse, esquecendo-se de como estava feliz cinco minutos antes. O outro não havia mudado em nada, continuava um crianção.

Chanyeol fez um bico, com uma expressão chorosa.

— Você continua cruel, Baek. — respondeu o grandão, e era até engraçado um homem daquele porte choramingando pelo que um garoto disse.

Os dois ouviram risadas vindo da sala, e por um momento Baekhyun sentiu-se constrangido. Afinal, não iria morar apenas com Chanyeol.

Cinco anos antes, os pais do Park faleceram em um acidente de carro, os dois tinham uma ótima condição financeira e aquela casa enorme, além de uma rede de cafeterias espalhadas por Seul. A primeira delas foi aberta ao lado da casa onde moravam, ali que Chanyeol trabalhava, e Baekhyun iria começar também. O Park ofereceu um quarto e um emprego na cafeteria, assim descontaria o aluguel de seu salário e ainda sobraria o suficiente para o menor gastar consigo enquanto morasse com eles.

Acontece que, depois dos pais de Chanyeol morrerem, ele se sentiu muito sozinho. Estava na faculdade, e Junmyeon, um grande amigo, passava por dificuldades financeiras devido alguns problemas na empresa de seus pais, então chamou-o para morar consigo. Jun se recusou a fazer isso de graça, por isso começaram a dividir as contas, e logo veio a ideia de fazerem daquela grande casa uma fraternidade.

Não deixaram qualquer um entrar, é claro.

Havia três quartos, com duas camas em cada um, pois eram espaçosos o suficiente para isso. Então seis pessoas poderiam morar ali, e Baekhyun era o último a entrar naquela família.

— Vem, vamos conhecer o pessoal.

— Ok.

O Byun nunca foi muito bom em sorrir ou mostrar suas verdadeiras emoções, mas Chanyeol era o tipo de pessoa que conseguia fazer qualquer um se sentir à vontade, então ele desvendava Baekhyun de forma sem igual, como ninguém mais conseguia.

— Pessoal, esse é o Baek. — disse, mostrando os quatro garotos espalhados pela sala. — Esses dois são os irmãos Kim, Junmyeon e Jongdae.

— Prazer. — Baekhyun se curvou para eles.

— Ah, não precisa ser tão formal, agora você é nosso irmãozinho mais novo. — Dae falou com um sorriso.

Baekhyun percebeu que mesmo sendo apresentados como irmãos, eles não se pareciam em nada, Junmyeon tinha óculos redondos no rosto bonito e muito sério, já Jongdae parecia sorridente e brincalhão, sua aura lembrava-o o próprio Chanyeol.

Eles não eram irmãos de sangue, na verdade, pois a mãe de Jongdae havia se casado com o pai de Junmyeon quando eles tinham 10 e 15 anos, respectivamente, e desde então os dois não se desgrudavam por nada.

— Sim, parece que alguém perdeu o posto de queridinho. — Myeon disse, com um sorriso de canto ao arrumar o óculos no rosto, olhando para Sehun, que revirou os olhos.

— Os outros dois ali são Kyungsoo e Sehun, eles são apenas um ano mais velhos do que você, Baek.

— Prazer. — o Byun curvou-se na direção deles e Kyungsoo sorriu. Ele estava sentado no sofá e Sehun permanecia no chão, com a cabeça apoiada em suas coxas enquanto recebia um carinho.

— Olá, soube que vai começar a faculdade de Artes Plásticas, fica no mesmo prédio que o meu, já que faço Artes Cênicas. Se quiser, posso te mostrar as coisas por lá. — Kyungsoo disse, sendo gentil com o novo menino.

— Sério? Isso seria muito bom.

— O Hunnie também, só que ele faz aulas de História da Música e Dança, vamos nos encontrar sempre pelos corredores.

— É, tanto faz. — Sehun disse, um tanto emburrado, levando um tapa de Kyungsoo na cabeça.

— Eu não quero atrapalhar. — Baekhyun percebeu que o outro parecia desconfortável.

— Não vai, ele só tá irritado porque não é o mais novo da casa agora. — Jongdae explicou, rindo da cara emburrada do Oh.

Kyungsoo e Sehun eram amigos desde o colégio, mais de seis anos. O Do sempre foi vizinho e amigo de Chanyeol, consequentemente, Sehun também, por estar na casa do amigo o tempo todo. Três anos antes, a família do Oh se mudou para a América, pois eles expandiram a empresa de imóveis e decidiram levar a sede para lá; já os pais do Do estavam cansados e prefeririam se aposentar, deixando a cidade grande para um lugar mais recluso. A senhora Do teve Kyungsoo já em idade avançada, mais de quarenta anos, o que significava que estava com sessenta. Eles eram sócios de uma empresa de entretenimento, contudo, deixaram nas mãos de Kyungsoo o dever de estudar e assumir o lugar de ambos no local, assim como debutar lá também, e Kyungsoo já fazia diversos comerciais na TV.

Acontece que nem Sehun nem Kyungsoo queriam se mudar — muito menos se afastar —, então Chanyeol os abrigou também.

Junmyeon estava com 26 anos, assim como o Park, e ambos já eram formados em administração, mas, no momento, o Jun estava começando seu doutorado, e o irmão, Dae, estava no meio de sua faculdade de História. O mais novo dos Kim morava no local desde os 18 anos, assim que passou para mesma faculdade do mais velho. Todos eles tinham uma boa família, o que significava que ninguém precisava trabalhar, na verdade, se quisessem, sequer precisariam dividir uma casa, mas gostavam de estar juntos. Chanyeol apenas cobrava de aluguel o necessário para suprir as necessidades do lugar; água, luz, telefone, comida.

Ele também trabalhava no café durante a manhã e algumas vezes durante a tarde, deixando a noite sob os cuidados de outra pessoa para poder fazer o jantar em casa, gostava de ver todos reunidos na mesa, conversando sobre o dia e brincando.

Ali era mais do que uma fraternidade para Chanyeol, era sua família. Algo que ele havia perdido cinco anos atrás, e encontrou novamente com aquelas pessoas, seus amigos. Baekhyun era alguém de quem sempre sentiu falta, mas depois da morte dos pais, ele precisou assumir os negócios com 21 anos, e nunca mais teve tempo para voltar na casa da avó, ou quando ia apenas por um dia para vê-la, calhava de ser em momentos que Baekhyun não estava.

E então, com o Byun ali, Chanyeol sentia que sua vida se tornava completa. Morria de saudade do pequeno garoto que acompanhou o crescimento, e ao vê-lo ser puxado por Jongdae para sentar-se entre ele e Kyungsoo, sendo bombardeado por perguntas, o Park finalmente conseguiu reparar atentamente no menor.

Ele não era mais a criança de dez anos, que se agarrava em sua blusa e o encarava como se fosse a pessoa mais legal do mundo. Baekhyun estava com 18 anos, era um homem, mesmo que seus traços fossem delicados e bonitos. Ele tinha olhos muito expressivos, algo que nunca mudou, sempre foi uma criança de feição emburrada, com o rosto que não deixava transparecer o que realmente sentia; Baekhyun lhe dizia que não sabia sorrir, mas Chanyeol sempre o viu fazer isso com seus olhos quando estavam juntos, mesmo que geralmente eles fossem daquela forma, profundos. Sérios. Fazendo um arrepio percorrer todo o corpo do maior quando os orbes encontraram os seus.

— O que foi? — quis saber o Byun, e o Park riu de nervoso, percebendo que todos estavam olhando para ele por encarar tanto o mais novo.

— É só que… — o Park se aproximou, puxando Baekhyun para os seus braços como se fosse um ursinho de pelúcia. — Você continua tão fofinho, tenho vontade de apertar suas bochechas! — disse sorrindo ao esmagar o menor e acariciar os fios macios que estavam em um tom claro.

Todos começaram rir de como o Park parecia um irmão mais velho e bobão, enquanto Baekhyun novamente socava-o, com uma expressão enfezada.

— Eu não sou uma criança! — resmungou, olhando o outro de cima já que Chanyeol havia caído no chão, mas ele logo se levantou e voltou a esmagar Baekhyun em outro abraço.

— Nossa, você fica ainda mais fofo assim, irritadinho.

E os dois começaram a discutir, quer dizer, Baekhyun começou a bater em Chanyeol enquanto ele apenas ria e bagunçava o cabelo do mais novo, mesmo que já tivesse com dois hematomas pelo corpo.

— Myeon? — Dae chamou baixinho, observando a cena. — Você sabia que Chanyeol era um masoquista?

— Não, mas pelo jeito…

— Ele gosta de apanhar. — Kyungsoo completou, rindo ao observar o mais velho e o mais novo da casa discutindo.

— Acho que nossos dias de paz acabaram. — Sehun entrou na brincadeira.

— Será que Baekhyun já sabe onde vai dormir?

— Bem, eu acho que não. — Jongdae riu de forma maléfica. — Hey, Byun, quer ajuda para levar sua mochila para o quarto?

— Ah, Dae, não precisa. — Chanyeol disse, segurando o pulso de Baekhyun que estava prestes a lhe socar a cara. — Eu mesmo levo pro meu quarto.

— Seu quarto? — o menor arregalou os olhos.

— É, aqui nós dividimos os quartos, cada um tem seu próprio banheiro, assim é mais fácil. Myeon e Dae dormem juntos, assim como o Soo e o Hunnie, então o único quarto com uma cama sobrando é o meu. — Chanyeol falou com um enorme sorriso.

— QUÊ? — o mais novo gritou, ficando sem reação até mesmo quando o maior lhe abraçou novamente.

— Vou ser novamente seu hyung e te mostrar tudo que quiser aprender!

— Eles eram muito próximos quando Baekhyun era novo. — Kyungsoo sussurrou para os amigos, pois lembrava de como Chanyeol sempre voltava empolgado da casa de sua avó, falando sobre o menino que considerava um irmãozinho.

Porém, Baekhyun já tinha 18 anos e não queria ser tratado como uma criança pelo cara de 26, e por quem era apaixonado desde que se entendia por gente.

Logo, todos deduziram que os dias seguintes seriam uma completa bagunça, mas não conseguiram deixar de rir dos dois que pareciam cão e gato. Chanyeol era o cachorrinho bobão, doido para brincar com o menor, e Baekhyun era o gatinho raivoso que não conseguia aceitar tanto carinho do maior sem sentir seu coração pular no peito como um doido, por isso o afastava.

— ME SOLTA, CHANYEOL!


***


Um mês se passou desde a chegada de Baekhyun, ele havia viajado para Seul quinze dias antes de suas aulas começarem.

Na primeira semana do Byun na cidade, Kyungsoo e Sehun foram com ele na universidade terminar a papelada de inscrição, também mostraram os prédios importantes, o refeitório, a área de descanso, a biblioteca e afins.

Chanyeol se encarregou de levar o Baekhyun para cima e para baixo, ensinando-o a andar de metrô e ônibus, comprando os livros que ele iria precisar para a faculdade, além de outras coisas necessárias e básicas para a nova “casa”. Havia prometido para senhora Byun que cuidaria bem de seu filhinho, e realmente iria fazê-lo, pois simplesmente amava demais Baekhyun.

Sempre considerou-o o irmão mais novo que nunca teve, assim como Kyungsoo e Sehun, mas esses dois já tinham um ao outro e não deixavam Chanyeol ser tão grudento quanto queria ser, logo cortando-o antes que se aproximasse demais. Mas quando estava na casa da avó, era diferente. Ele mimava Baekhyun de todas as formas possíveis, levava-o para tomar sorvete, o ensinou a nadar e a jogar vôlei de praia, o ajudava com as lições que não havia entendido durante o ano letivo e sempre fazia suas vontades. Apesar de não sorrir o tempo todo, o Byun se agarrava à blusa de Chanyeol, encarando-o com um carinho infinito, dizendo em voz baixa as coisas que gostaria de fazer com ele naquele verão, ou dormindo nos braços do maior depois de uma tarde cansativa.

Eles eram como unha e carne.

Chanyeol, na verdade, sequer queria cobrar aluguel ou qualquer coisa do Byun, mas quando conversaram por telefone, ele foi teimoso, falando que não poderia ser sustentado pelo maior e que procuraria um trabalho, então, para ajudá-lo, o Park decidiu lhe dar um emprego em sua cafeteria.

Havia várias espalhadas pela cidade, pois seu atendimento diferenciado fazia com que fossem um sucesso, principalmente entre as mulheres.

Na segunda semana, Baekhyun percebeu isso, pois começou a trabalhar para se familiarizar com a rotina. Ele só ficaria na cafeteria meio período, por causa da faculdade. Assim, pela manhã iria estudar, de tarde voltaria para casa e seguiria para trabalhar, e à noite todos jantariam juntos.

Logo Baekhyun entendeu o porquê de ser um lugar tão requisitado. O atendimento era feito quase como se fossem um maid cafe, no caso, com mordomos, pois eram todos homens. Eles não usavam ternos, mas uma blusa social branca e calça preta, com um avental na cintura ao desfilarem entre as mesas, só sorrisos e Em que posso ajudar a senhorita?, Está em dúvida? Me deixe ajudá-la!”.

Pela manhã, o movimento era um pouco maior, então Chanyeol, Jongin e Taemin atendiam as mesas, Yixing chegava de tarde, depois do almoço, e cuidava da cafeteria até a noite junto com Zitao. Havia outros funcionários no caixa, no balcão e na cozinha, mas esses cinco eram os “anfitriões” e estrelas do local.

Baekhyun percebeu que cada um “interpretava” um papel, mesmo que aquela fosse a personalidade deles, ao menos, era o que parecia. Chanyeol era o sorridente e charmoso, sempre fazendo as mulheres se sentirem únicas. Kai — apelido de Jongin — era o sedutor, deixando todas elas derretidas com seu sorriso maravilhoso. Taemin era o intelectual, citando poemas e frases de livros, levando todos à loucura devido ao porte físico e voz calma ao declamar Shakespeare. Yixing era uma brisa suave, quem sorria pequeno e deixava os cliente relaxados com sua aura tranquilizadora. Enquanto Zitao era o brincalhão, cheio de piadas, alegrando o dia das pessoas. O Byun pensou que seria ajudante de cozinheiro, pois sempre foi bom em fazer doces, e Chanyeol sabia disso; ou ficaria no caixa, mas jamais imaginou que seria um dos anfitriões.

— É, ele tem um rosto muito bonito. — Jongin parou pertinho de Baekhyun, encarando-o e sorrindo daquele jeito “fodedor” em aprovação.

— Será que consegue fazer isso? — Zitao desafiou-o, rindo na expressão raivosa do menor.

Estavam nos fundos do local, e o Park havia apresentado o Byun, dizendo que o achava bom o suficiente para ajudá-los na parte do almoço e café da tarde, horário em que Yixing e Zitao trabalhavam, além de Chanyeol, quando não precisava resolver problemas das outras lojas. Taemin e Jongin estudam de noite, então trabalham na parte da manhã.

— Hm… Acho que essa carinha irritada dele vai derreter todo mundo. — Chanyeol disse, com os olhos cintilantes, levando um belo chute no calcanhar.

— Ele é irritadinho mesmo. — Yixing comentou como um sopro, em sua voz suave. — Vamos tentar por alguns dias, se ele não se acostumar, nós o deixamos no caixa.

Ele era o gerente daquela loja e ajudava Chanyeol a administrá-la, já que muitas vezes o Park precisava se ausentar para tomar conta das outras cafeterias espalhadas pela cidade.

— Vai dar tudo certo.

E deu mesmo, mais do que imaginavam.

Na segunda semana de Baekhyun morando com Chanyeol, ele começou a trabalhar, e foi um sucesso. Mesmo sem sorrir para nenhuma cliente, a aura misteriosa e distante dele fez com que as garotas fossem à loucura, Baekhyun tinha um rosto bonito demais que ficava terrivelmente sexy com aquelas feições fechadas.

Algo que Chanyeol precisou reparar, até porque seria impossível não fazê-lo.

O garoto levava jeito em atender educadamente cada um, sendo gentil sem deixar de ser reservado, fazendo com que as garotas ficassem completamente apaixonadas e doidas para saber um pouco mais dele. E isso só piorou na terceira semana de Baekhyun, pois suas aulas começaram e uma das meninas de sua sala lhe reconheceu logo no primeiro dia, então, no decorrer daqueles dias, a cafeteria ficou lotada com as meninas dos cursos de Artes, que iam até lá só para poder conversar um pouco com o Byun, que era fechado demais nas aulas.

Não gostava muito de falar com as pessoas, convivendo apenas com Kyungsoo e Sehun quando estava na universidade, algumas vezes esbarravam em Jongdae no refeitório, mas dificilmente conversava com alguém sem ser eles.

O Do e o Oh acabaram se juntando ao Byun de forma gradativa, meio sem querer. Acontece que eles tinham trejeitos e gostos muito parecidos. Assim como o mais novo, Kyungsoo e Sehun também eram um tanto calados fora de casa.

Baekhyun percebeu isso no momento em que comiam juntos, sentados no gramado da faculdade, no tempo vago entre duas aulas — quer dizer, para o Do e o Byun, Sehun estava matando aula mesmo.

Quando alguém se aproximava de Kyungsoo, ele até conversava com a pessoa, mas jamais sorria ali ou em outro lugar, da forma como fazia nos jantares em casa. Com os seis — às vezes sete, oito ou nove, dependendo se um dos meninos da cafeteria iria se aproveitar da comida ou não —, o Do era ele mesmo.

Sehun deixou sua implicância de lado ao perceber que Baekhyun não estava tentando roubar seu posto de “mais mimado do grupo, ao contrário, ele logo se juntou àqueles que não conseguiam resistir a nada que Sehun pedisse, tratando-o como a criança que ele parecia ser muitas vezes, mesmo que seu rosto e corpo definido mostrassem o contrário.

Acontece que Baekhyun nunca gostou de ser o “garotinho fofinho”, nem ninguém jamais o colocou nessa posição, exceto Chanyeol. Então o Oh ficava mais do que feliz em se tornar amigo de Baekhyun no decorrer daquelas três semanas, já que o menor fazia, realmente, uns doces deliciosos demais para a sobremesa — alguns para vender na cafeteria também — e ele sempre acabava ignorando o pedido de todos, para fazer o que Sehun queria.

Gostava de mimá-lo, assim como Kyungsoo o fazia desde sempre.

A adaptação de Baekhyun aconteceu de forma tranquila em tudo, exceto na hora de dormir.

Ele estava acostumado com o som das ondas ao fundo, com a brisa fresca da janela e com a calmaria da cidade litorânea. Contudo, em Seul, havia apenas cheiro de fumaça, buzinas de carros e agitação, independente do dia ou da hora.

Nas primeiras noites, custou a dormir, logo Chanyeol percebeu as olheiras do menor e entendeu que ele estava com problemas para se adaptar, por isso acariciou os fios rebeldes e, sussurrado para ele:

— Quer dormir na minha cama? Tem espaço para nós dois.

Chanyeol levou um soco na boca do estômago, enquanto Baekhyun saía pisando duro com o rosto todo corado, e Junmyeon suspirava ao perguntar para o amigo — que estava todo choroso, chamando o mais novo de cruel — que merda ele havia falado daquela vez. As briguinhas dos dois havia se tornado comum.

Na mesma noite, o Park deixou seu telefone ligado com um som ambiente de ondas do mar, pois ele conhecia bem Baekhyun, e havia lembrado dele falando que adorava dormir com aquele barulho. Também fechou as cortinas, para evitar que as luzes da rua atrapalhassem o menor.

O quarto foi inundado pela escuridão.

Só havia um porém.

— Chan… — a voz de Baekhyun soou baixa durante a noite.

— Sim?

— Posso abrir a cortina?

— Mas você não vai conseguir dormir.

— Se tiver tão escuro assim, eu também não vou.

Baekhyun não gostava do breu. Antigamente, sua janela ficava aberta e o quarto era banhado pela luz da lua, todas as noites.

— Baek?

— Sim?

— Eu posso ir aí?

Baekhyun sentiu o coração martelar no peito, lembrando-se de quando tinha treze anos e dormia agarrado ao peito do maior depois de um dia exaustivo de brincadeiras, sentindo o seu cheiro, e nada no mundo era tão bom para o Byun quanto o perfume de Chanyeol.

— Pode.

E ele foi.

Se esgueirou para a cama de Baekhyun, puxando-o delicadamente e fazendo com que o menor deitasse novamente em seu peitoral. Mesmo depois de cinco anos, aquela sensação era familiar para ambos, pois se encaixavam perfeitamente.

Senti-lo tão perto de si, envolvendo-o e protegendo-o, fez com que o menor relaxasse, e pela primeira vez desde que chegou, conseguisse dormir tranquilamente.

— Você continua tão pequenininho! — sussurrou o maior, enterrando o rosto nos fios do Byun. — E cheiroso.

— Chan, é melhor você dormir antes de apanhar mais uma vez.

— E cruel.

Eles acabaram compartilhando uma risada baixa, antes de Baekhyun adormecer profundamente. Acontece que, daquela vez, foi o Park quem não conseguiu desligar a mente, pois em todas as vezes que ficaram abraçados durante a noite, na infância, nunca houve malícia. Contudo, naquela noite, Chanyeol percebeu que o corpo colado ao seu não tinha nada infantil; era magro, firme, com curvas e pele macia.

Tinha o peito liso, e ao mesmo tempo ombros largos e fortes.

Baekhyun não era mais uma menininho, e Chanyeol finalmente começou a se dar conta disso.

7 de Junho de 2018 às 20:38 2 Denunciar Insira 10
Leia o próximo capítulo Chanyeol era tão óbvio, e tão burro.

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Lara Leite Lara Leite
Felizmente segui a ícone e estou aqui szsz
27 de Junho de 2018 às 07:57

  • Becca Jorge Becca Jorge
    maravilhosa você, vem cá me abraçar! 27 de Junho de 2018 às 08:35
~

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Ei! Ainda faltam 5 capítulos restantes nesta história.
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