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"Era uma vez… Em um mundo mágico, de criaturas místicas e poderosas, existia um reino tomado por flores de cerejeira e Camélias brancas, que residiam em todas as partes deste. Nele, a predominância eram de princesas na realeza, por influência das flores belas e delicadas que também se apossavam do jardim e cantos do grande castelo real."


Fanfiction Bandas/Cantores Todo o público.

#fantasia #exo #baekhyun #príncipe
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O Reino de Camélia e o Bosque de Iris

Era uma vez…

Em um mundo mágico, de criaturas místicas e poderosas, existia um reino tomado por flores de cerejeira e Camélias brancas, residiam em todas as partes deste. Nele, a predominância eram de princesas na realeza, por influência das flores belas e delicadas que também se apossavam do jardim e cantos do grande castelo real, de magnífica decoração e pintura branca. Os reis e rainhas, aldeões e cidadãos visitavam o enorme castelo em busca de benção das flores para si próprios, filhas ou netas. Tão prezadas elas, por seus poderes surpreendentes de conceder filhas formosas para as gestantes do recinto. As cerejeiras e Camélias brancas existiam há mais de milênios naquela moradia cheia de gente importante, bem relevante. A lenda destas eram que, muito antes do reino ser povoado, existiam duas grandes deusas, as mais poderosas e de elevado poder, mais fortes que quaisquer outras divindades existentes no tempo.

As duas residiam no mesmo castelo, entretanto zelavam e demandavam em diferentes partes do império. Camélia era o nome de uma das duas deusas, o nome da flor foi em homenagem a esta, tendo o significado da flor igualmente semelhante a deusa. Beleza perfeita, os seus traços eram de encantar qualquer um que desfrutasse da oportunidade de vê-la. As flores de cerejeira, apesar de o seu nome não servir de homenagem, o significado refletia da sua personalidade. Camélia era esperançosa, renovava e a sua felicidade não era facilmente destruída.

Dava demasiada atenção às flores de seu jardim, que era colorido, bem cuidado, de grama verde e habitado por diversas fadas de diversificadas espécies. O seu amor, carinho e dedicação eram investidos no bem-estar das suas plantas, árvores, arbustos e flores. Seu coração aquecia e se acalmava ao inalar o perfume dos seus tesouros preciosos. Brotava um admirável sorriso no seu rosto, iniciando uma canção com a sua voz harmoniosa e afinada. O seu coração era colossal e puro, cabia espaço para muitas flores e outros seres, até mesmo para a outra deusa, que não parecia entender o porquê de não receber tanta atenção quanto o jardim de Camélia recebia.

Iris a observava no topo do castelo sempre que podia, vendo-a alegre como nunca esteve consigo. Ela não conseguia entender o motivo, seriam as flores? O contato com a natureza? Ísis a amava, queria vê-la animada, empolgada, mas empolgada com a sua presença. Não somente com a grama verde, as pétalas rosas das flores que caíam na terra, com as fadas voando e flutuando ao seu redor. Em provação de seu amor, a fim de vê-la contente com algo que lhe envolva, ela torna em caminho ao seu enorme bosque.

O bosque que antes era tristemente congelante, solitário, nebuloso e intimidante virou à ser caloroso, acolhedor e florido. Na esperança de que Camélia se agradasse e, viesse em seu domínio passear, admirar sua devotação por aí e trocar carícias apaixonadas. Tudo o que queria era demonstrar o quanto Camélia lhe significava, o quanto ela era importante para que se mantivesse estável. Árvores que eram secas, quebradas e pendentes, ela as transmutou para as mais belas amendoeiras e quaresmeiras.

Flores nasceram ali, os cravos vermelhos tomavam conta de tudo simbolizando o seu grande amor. Entretanto, em um belo dia, Iris após semanas de trabalho no bosque, decide finalmente apresentar o seu esforço e declaração de amor para Camélia. Decidida, ela adentra os enormes portões de madeira do castelo, corre em direção ao jardim e invade o campo florido. Clama pelo seu nome, ouvindo sua canção e sentindo-a chegar no seu coração, causando aquela mesma sensação familiarizada por si. As borboletas na sua barriga estavam agitadas, o seu coração batia extremamente forte, quase voando do seu peito, um sorriso tomava com simplicidade o espaço da sua natural expressão rabugenta.

"Eu chego mais perto de você todos os dias

Mas você parece estar tão longe

Olá, estrela cadente, por favor, realize meu desejo

Um passo mais perto do meu coração

Um passo mais perto de você

Vou colocar o meu coração

Na estrela que atravessa o céu"

Fitá-la virar para sua direção com agilidade, juntamente do seu vestido longo voando com o vento, levando alguns fios acinzentado seus fez com que os seus olhos brilhassem admirados por tamanha beleza. Praticamente voou para a deusa, abraçando-lhe com força, cheia de saudade e amor para dar. Separando do seu abraço, pesca as mãos desta e entrelaça os seus dedos nos dela, lhe encara mais uma vez, sorridente, sendo bem retribuída. Afastou-se do corpo de Camélia, separando uma das mãos. Distanciando-se, ela puxou Camélia consigo, insinuando para que ela a seguisse. Camélia, receosa, o fez e deixou-a tomar as rédeas e guiá-la para aonde quer que fosse.

Impressionou-se ao notar o bosque de Iris florido, vendo que a mesma estava com um sorriso de orelha a orelha, deduziu que isso fosse um presente para a sua pessoa. Porém, não conseguia evitar de pensar no seu jardim. O que aconteceria a ele se permanecesse muito tempo fora? As suas flores ficariam bem sem o seu canto por muito tempo? Elas caminhavam juntas, mas Camélia não estava verdadeiramente ali.

Iris que não era nada tola, viu de cara que a atenção da sua amada estava em outra coisa. Ela estava distante dali, os seus pensamentos não eram tomados por si e sim por aquele jardim estúpido. Em sua visão. Ela não lhe amava? Por que estava mais preocupada com plantas que podem muito bem florescer novamente? Elas definitivamente não precisavam do seu canto e atenção como Iris necessitava do seu amor e afeto. Tomada pela sua raiva, em um ato impulsivo e cheio de repúdio, ela atravessa e arremessa toda sua paciência pelo ar, saindo do bosque. Acabando que por esbarrando no ombro de Camélia propositalmente, possessa.

De volta ao castelo, em questão de minutos no jardim, congela todas as flores, tudo o que tanto fazia sua presença sair batido para Camélia. Assassinou as fadas e pássaros que ali moravam com o frio, sem nem mesmo perceber, sem sequer se importar. O frio saía de seus dedos tortos e palma da mão, de seus pés calçados por sapatos, do seu corpo coberto por um longo e quente vestido cor vinho. Saía da sua alma, sentimentos, da boca entreaberta e fios do curto cabelo voando.

Iris subiu as escadas que davam para o seu quarto, com passos fortes e largos, marchando em direção à cama. Nela estava dobrado o seu manto marrom, sem delongas com vontade de sumir ela agarrou-o e o vestiu. Suspirou fundo, soltando tudo, sentindo algo molhado escorrer pelo seu rosto. Doía, o seu peito doía. Doía demais, era vazio, mas tão vazio que chegava a doer. Era como se algo moesse tudo de bom que tinha dentro de si, jogando tudo com o frio que lhe escapava, deixando-a vazia. Não era físico, era emocional, demoraria demais para passar e isso era impossível de se suportar. Estava frustrada, decepcionada, quero dizer, havia se dedicado tanto, por que ela não poderia simplesmente esquecer daquilo por um só dia? Era confuso, o vazio se misturava com a raiva e o orgulho, Isis tinha noção do seu egoísmo e ciúme, contudo ela não era única errada ali, era? O vazio estava tomando todo o espaço no seu peito, a ira roubava e lutava a todo custo pelo espaço em seus pensamentos.

Recobrou os seus sentidos e foi embora, passando pelo jardim, vendo-a agachada de canto olhos, com uma flor congelada, morta, em suas mãos. A neve caía, derretendo em seus fios acinzentados, que cobriam a visão para a sua face. Passou reto, prendendo aquela vontade insana de ir até lá e pedir enlouquecidamente desculpas. Caminhou para o bosque, fazendo-o de seu novo lar. Estava frio lá também, Isis tornava tudo frio sem mover um dedo para que isso ocorresse. Já no castelo, mais precisamente, continuamente, no jardim, Camélia horrorizada chorava a ida dos seus tesouros, protegendo uma flor destroçada contra o seu peito. Mantinha-se há mais de horas ali, até concluir uma decisão que custaria a sua vida. Pelas suas flores, transferiria todo o seu poder, força e vitalidade para os seres dali. Consequentemente morreria, todavia não ligava.

Largou a flor e levou seus dedos e mãos delicadas até a grama, com o maior cuidado, como se fosse um bebê adormecido ela a toca de leve. Concentrada, ela canalizou toda a sua energia e poder neste jardim, que sugava tudo que lhe era dado. O chão brilhava, cintilava com uma luz amarela encantadora. Faíscas surgiam, as flores desabrochavam e a sua pele que já era naturalmente branca empalidecia cada vez mais, até tudo acabar e se tornar parte da terra. Dessa forma que as plantas que ali residiam se tornaram mágicas de acordo com a principal e mais contada versão da lenda, concedendo filhas esbeltas como Camélia para muitas mães da realeza, filhas que pudessem cuidar do jardim do jeito que a deusa cuidou.

Mas muitíssimo tempo depois, mais perto dos tempos atuais, em um dia ensolarado de primavera, a nova rainha do reino foi até esse mesmo jardim e rezou, implorou para as Camélias e cerejeiras que lhe dessem uma filha. De beleza de cair o queixo, enlouquecer os príncipes. Deixar insano os seus pretendentes, de tão bonita. Pediu por uma filha tão, mas tão bonita que deixaria até mesmo as moças atraídas. Tão bonita que a parariam nos corredores do castelo e diriam “nossa, princesa, como você é bonita!”. Teve ajuda de suas criadas, empregadas e amigas ao rezar. Todas ali, juntas rezando, não tinha como dar errado um pedido daqueles, seguia imaginando. Contudo como o destino é cruel e brincalhão, ele resolveu em vez de dar o que a mulher tanto insistia e queria, fez melhor, deu-lhe o garoto mais belo do reino, somente para contrariar a vontade da grávida.

O garoto nasceu em uma noite fria de outono, sendo excelentíssimo bem recebido na realeza, mesmo sendo um garotinho e não uma garotinha como todos esperavam que fosse. A mãe, ainda um pouco decepcionada, se pôs a cuidar do menino e o mimar de todas as formas possíveis em sua posição. Ela estava ali, a todo momento, vigiando-o para ver se ele não estava doente, mal, tristonho ou não alimentado. Brincando e se divertindo, regando o jardim encantado e explorando mais à fora do castelo em dias especiais. Quando não podia vê-lo ou algo do gênero, deixava as criadas distraindo o garotinho energético. No início, bem na noite em que o mesmo nasceu, foi uma discussão entre o rei e a rainha para decidir um nome. A indecisão estava dentre Baekhyun e Baekbeom. O pai investia em Baekbeom e a mãe guerrilhava com unhas e dentes por Baekhyun. Entretanto como ela obtinha mais aliadas que o pobre coitado do pai, ela acabou vencendo a batalha. Nomeando-o, vangloriosa.

Aos seus seis anos, o garoto tornou à ser mais calmo e solitário. A rainha andava ocupada e as criadas acompanhavam o seu ritmo e a movimentação. E o rei era compromissado com seus deveres, não parava nunca. Vivia encerrado em seu escritório no quarto andar do castelo, no maior cômodo, do qual continha centenas de livros relevantes, vulgo nada interessantes e documentos para assinar. As crianças do castelo em maioria não socializavam consigo, noventa e nove por cento eram garotas que preferiam brincar e visitar o grande jardim do castelo e Baekhyun não gostava muito de lá. Achava sem graça, quando de vez ou outra aparecia por ali, nenhuma animação apossava o seu peito. As suas pernas não tremiam, ele não abria um enorme sorriso sincero no rosto e roía as unhas em ansiedade. O seu coração não acelerava, nada acontecia. Era simplesmente tedioso contemplar a beleza e fragilidade das Camélias.

E em uma noite de insônia e sede, Baekhyun saiu do seu quarto em passos leves e cautelosos em direção à cozinha do lugar. No exato momento em que passava por um corredor e descia alguma escada, ele dava umas olhadinhas para a direita e esquerda, certificando-se de que era o único acordado ali. Mas ao chegar próximo do jardim, viu vaga-lumes flutuando neste, eles pareciam lhe chamar para mais perto. De olhinhos grandes brilhando, ele o fez, percebendo os insetos o cercarem. A luzinha amarela meio verde lhe atraía, tanto que acabou esquecendo do copo d’água que se levantou no meio da noite para pegar.

Os vaga-lumes voavam para longe, algumas vezes parando propositalmente no meio do caminho, esperando Baekhyun os acompanhar, coisa que o garotinho fazia de bom grado. Curioso, mesmo de pés descalços, ele seguiu os vaga-lumes atraentes até um lugarzinho que jamais havia visto no jardim. Ele era escondidinho por arbustos grandes, enfeitados por Camélias que serviam de distração para qualquer um que fosse ali. Baekhyun se infiltrou dentro deles e se surpreendeu ao ver uma pequena portinha de madeira. E levado pelo desejo de seguir os vaga-lumes que passaram por cima do grande muro, ele empurra a portinha para trás abrindo-a, sem hesitar, como um ato seu de coragem.

Ao colocar a sua cabecinha para fora do muro, na expectativa de encontrar os vaga-lumes, deu de cara com um enorme bosque. Estava de noite, portanto seguindo essa lógica o bosque estava escuro também. Mal dava para analisá-lo direito, mas ao notar os vaga-lumes o adentrando, ele reuniu sua valentia guardada bem no fundo do seu ser e, tomado pela curiosidade, engatinhou para fora do muro e se ergueu. Com as pernas um tantinho trêmulas de receio, correu para perto dos vaga-lumes que se apressavam e fugiam de Baekhyun. Todos na intenção de levá-lo mais para dentro do monstruoso bosque. Ele pisava em algumas folhas e flores caídas no chão, contudo não se importava muito, o que lhe deixava apreensivo era o fato de que o bosque era tão frio, mas tão frio, tão frio quanto o jardim e o seu enorme castelo eram. Aquilo não era natural, sabia muito bem disso, entretanto estava disposto se arriscar a entrar em uma aventura neste pelos vaga-lumes e depois de tanto tempo sentir aquela emoção de divertimento da qual tanto gostava.

Baekhyun de tanto aprofundar-se no local junto dos insetos de luzinha amarela meio esverdeada, chegou em um ponto dentro daquele bosque de não saber mais aonde se encontrava certamente. Havia feito curvas, subido pequenos morrinhos, dobrado para a esquerda, dobrado direita e seguido reto. Além de que foi só se distrair uma única vez tombando em uma não tão colossal pedra que os vaga-lumes também se perderam de si, ele não sabia o caminho de volta. Suas pernas voltaram a ficarem trêmulas, vez ou outra davam uns deslizes. Piorando a situação, no escuro ele acabava tropeçando em seus próprios pés e pernas. Divagava encolhido, sem saber em que lugar se refugiar até o sol raiar, ele escala o topo até o topo de um morro grandinho comparado aos anteriores, chegando em uma caverna gigantesca iluminada pela luz da lua.

Ajoelhado, soado e de bochechinhas rosadas pelo esforço em subir o morro, ele encara o fundo da caverna e sente o coração bater forte de medo e receio. Tremia de tão frio que estava o clima, ainda mais ali no topo do lugar. Abraçou à si mesmo na tentativa de se aquecer, suas mãozinhas estavam gélidas e os seus pequeninos pés não escapavam dessa, além de estarem totalmente imundos e machucados, resultado dos tropeços. Aquele bosque lhe passava um sentimento de solidão e tristeza, e não entendia o porquê de tal coisa. Resoluto resolve chamar por alguém na caverna, as chances eram mínimas de alguém morar naquela coisa, contudo era melhor do que ficar só em plena madrugada no frio de rachar.

Alguém mora aí nesta caverna? Eu estou perdido, alguém poderia me ajudar a voltar para casa? Tá muito escuro e frio aqui fora, por favor – falou elevando seu tom de voz, sem muitas esperanças e otimismo. Talvez existisse algum ser mágico ali que fosse oferecer ajuda, contudo permanecia sendo improvável, do jeito que não obtinha nenhuma resposta. Lhe frustrava e o deixava em pânico, sua boca tremia e os seus dentes se batiam, encolhia-se, porém de nada adiantava.

Alguém? Por favor, tá tão frio aqui fora – clamou mais uma vez por ajuda, desistindo por receber ao total zero respostas. Teria de passar a noite por ali, de dia daria para ver o caminho para casa. Seus pais ficariam preocupados ao ver que não estava na cama, Baekhyun não queria preocupar ninguém com o seu sumiço, então partiria ao amanhecer, o mais rápido possível.

O garoto se crucificava por ter saído da sua cama quentinha, fofa e confortável para pegar um copo d’água, sendo que depois se perderia no meio de um imenso bosque por ter perseguido vaga-lumes legais e piscantes. Definitivamente deveria ter ficado em seu quarto, com sede, mas são e salvo. Aos poucos foi se levantando, ainda se abraçando, aproximou-se mais da caverna com o coração voando do peito e um pressentimento ruim sobre o que poderia ter nela. Cada passo mais próximo o coração do garotinho pulava e falhava, as pernas tremiam e ele cambaleava. Os olhinhos cheios de hesitação encaravam o vão escuro, até sentir um vento quente sair desta. Ele parou, franziu o cenho, semicerrou os olhos, não entendendo o que estava acontecendo. Em um lugar tão frio, como um vento quente poderia sair de uma caverna que supostamente deveria ser mais fria ainda?

Olá? – murmurou receoso.

Silêncio, total e mortal silêncio. E continuou assim até o garoto voltar a dar mais um passo em direção à aquela caverna e ouvir um rugido forte, estrondoso, intimidador e de ensurdecer vindo dela, o parando de imediato. Um vento quente veio sobre si mais uma vez, horrorizado ele deu um passo para trás, depois de outro e mais outro, observando um prodigioso bico branco aparecer lentamente para si das profundezas da caverna. A boca do animal era gigante, com ela entreaberta, podia sem dificuldades contemplar enormes e afiadas presas. Cada vez que essa mesma criatura respirava o menino podia sentir uma brisa quente, finalmente entendendo exatamente de onde ela saía. O animal era coberto por escamas, cada vez que colocava mais a cabeça para fora podia se ver claramente. Aquilo era um dragão. E um baita dragão.

O dragão obtinha uma pele fina e escamosa branca à cima de seu pescoço, com o que se semelhavam ser espinhos nas pontas destas servindo para a deixar em pé. E em seu pescoço longo, novamente, a baixo deste obtinha uma parte mais avantajada, meio solta, espessa e escamosa, com o que também tinha o que parecia ser espinhos, de fronte a ela. Seu bico era longo, meio largo, no maxilar tendo ossos extremamente pontudos saindo para fora. No queixo do animal, era igual, entretanto, pequenos e nem tão saltantes. Sua cabeça era meio fina, e os seus olhos eram puxados e ariscos, de cor verde-claro. O animal muito bem erguido o encarava intimidador de cima, deixando sua gigante cauda com escamas e espinhos – localizados em cima dela – enormes à vista.

A calda era grossa e grande, afinando na ponta. Ela se mexia, balançando perto do seu próprio corpo. O dragão era totalmente branco, com detalhes de cinza claro. A criatura respirava e expirava fundo, deixando uma brisa quente, novamente, cair sobre o garotinho de seis anos amedrontado.

O dragão desceu sua face para mais perto de Baekhyun, que até então estava caído no chão, por ter tropeçado em uma pedra quando foi dar mais um passo para trás. Levou sua face para bem perto do rosto do menino, analisando-o meticulosamente. Os seus olhos verdes desciam para todo o corpo da criança, fitando seus pés sujos e machucados. Os seus joelhos estavam ralados, mas nem isso o garoto havia percebido, só tinha noção de seus pés porque doía quando escalava e andava. A sua roupa estava suja de terra, e o cabelo bagunçado e em pé. O olhar do menininho refletia o seu pavor, o dragão notou isso no momento em que pôs a criança em seu campo de visão. Contendo milênios de vida, era um especialista em reconhecer sentimentos de quaisquer criaturas que o encarassem de tão perto como o humano havia feito.

O garoto encontrava-se de olhos arregalados, corpo tremendo, as mãos cheias de pequenas feridas causadas pelas minúsculas e afiadas pedrinhas, firmadas no chão, que serviam de apoio para o seu tronco gordinho. Batendo seus dentes amarelados com o frio de matar. Em choque, paralisado, o menininho deixou que as suas lágrimas contidas escapassem de seus olhos e formasse um biquinho estranho, iniciando uma choradeira mais aterrorizante que o próprio dragão branco.

O berreiro entrava pelos ouvidos do pobre dragão e o deixava agoniado, sem ter a mínima noção de como agir. Como se acalmava uma criança humana? Ele nunca necessitou de lidar com uma, jamais um mini rapazinho surgiu assim do nada na sua caverna e o forçou a sair dela, de tanta gritaria em frente dela, principalmente numa noite tão fria como esta.

Afastou-se bruscamente da pequena criança humana, levando sua cabeça ao alto e o mais longe possível do berreiro. Balançou o seu focinho desnorteado, sendo encarado pelo pequeno Baekhyun que ainda criava oceanos com o seu choro. Soluçava, seu coração batia acelerado, o seu peito subia e descia freneticamente. O seu nariz estava vermelhinho e gélido, as bochechas o mesmo. O medo tomava conta de si, seu peito estava cheio de pânico e receio de que o baita dragão o devorasse e o fizesse de lanche da meia-noite. E se não visse mais a sua mamãe? E o seu papai, que quase não era presente, mas que amava muitíssimo? E a titia que somente lhe presenteava com meias no natal? Não a veria mais também? Com a reflexão da noite, ele se pôs a aumentar o choro, vindo com força total para acabar com os ouvidos do dragão e de quem lá estivesse, por uma infeliz coincidência.

Eu quero a minha mãe! – sua voz fanhosa e manhosa soluçava e chamava pela sua mãe, berrava e o choro não parava, quanto menos diminuía, sendo o azar do dragão.

O dragão, minutos depois, em tentativa de acalmá-lo e impedir de que continuasse com o choro e lhe deixasse surdo e irritado, voltou a ficar perto do garoto. Bem perto do seu rosto, bem à frente deste, com agilidade, ele assustou o Baekhyun e o calou por segundos, dos quais utilizou para processar o movimento do bicho. Os olhos verdes cravavam-lhe fixamente, sem desviar para outro ponto. O seu coração ia parando de bater tão rápido em notar seu olhar sereno sem quaisquer segundas intenções de machucá-lo, e de repente, misteriosamente, viu um homem meio ajoelhado defronte à si. Obtinha os mesmos olhos verdes do dragão, no seu rosto se instalava uma expressão tranquila, ele lhe encarava e estava nu.

Nu, nuzinho, pelado, despido, de pele pálida, quase branca. Orelhas de abano eram notáveis no rapaz e ele não tinha órgão genital como si, o dragão também desapareceu do seu campo de visão. A luz da lua iluminava o rapaz, fazendo com que ele produzisse uma sombra menor em si, assim como aquela criatura fazia antes dele aparecer. Ele era bonito, os seus traços eram encantadores.

Mas aquela miragem sumiu em um único instante, não dando tempo de gravar todos os seus detalhes, o animal estava ali novamente, sem fazer um mísero movimento, naquela mesma posição. O seu coração não batia à mil por hora, as lágrimas pararam de descer e um sentimento confortável o abraçava. Os seus olhinhos brilhantes ainda com um tantinhozinho de lágrimas contemplava o ser mágico, do qual aparentava ter um humano dentro de si, deixando o dragão confuso com a situação. Entretanto, o dragão não deu bola, se aproveitou da situação e pescou com os seus dentes a camisola listrada do garotinho, puxou-a de leve para cima, insinuando para o rapazinho se levantar. Baekhyun, com o coração acalmado e as bochechas quentes, impulsionou-se para subir e ficou de pé, encarando o dragão que segurava com os dentes o pano dos seus ombros.

O dragão andava de ré e puxava consigo Baekhyun, o trazendo mais para perto de seu corpo em vez de deixá-lo no frio horripilante. Abrigou-o bem para dentro da caverna, onde era mais quente e nem tão fria. Baekhyun mal podia enxergar lá dentro, contudo se sentia seguro perto do animal que já tinha demonstrado não querer machucá-lo. Mesmo um pouquinho hesitante com a ideia, aconchegou-se na barriga escamosa do dragão, sentindo a calda pesada deste ficar em cima de sua barriga gorducha coberta. Percebeu o dragão deitar a cabeça perto de si e, não muito tempo depois, adormeceu agarrado na calda do bicho bem pertinho da curvatura do pescoço deste.

Cravo Branco”.

No dia seguinte, o dragão branco acordou de uma noite de sono mal dormida, despertando não muito depois a criança humana que havia abrigado na sua moradia. O sol batia na caverna, todavia, ainda assim permanecia uma brisa fria. Baekhyun coçou os olhinhos com suas mãozinhas sujas e gordinhas, sentou-se com perninhas de índio, encostado no tronco do dragão que o olhava. Tinha baba seca no canto dos seus lábios e o cabelo estava de em pé como na noite anterior. Seus olhinhos estavam semicerrados, lidando com a claridade, encontrava-se lerdo e sonolento. Recém-acordado de um sonho do qual comia sonhos de doce de leite e morangos. Mencionando isto, ele estava com fome, a sua barriga também roncava. Seu corpo pequeno estava pesado, não queria levantar e ir pra casa, queria dormir mais um pouco, mesmo que em uma caverna.

Contudo o dragão não deixou com que isso acontecesse, o despachou dali à base de pegá-lo pela camisola com os dentes, outra vez, e deixá-lo em frente à caverna, aparecendo para a luz do sol. Baekhyun se espreguiçou preguiçoso, avistou de longe o enorme castelo branco e se recompôs para descer o morro e voltar para casa sem causar demasiadas confusões entre as empregadas do lugar. Agora, que o bosque estava mais acessível e bem mais iluminado pela luz do dia, marchou cansado e de pés doloridos até aquela mesma portinha que tinha utilizado para seguir os vaga-lumes. De coração aquecido, reprisava em seus pensamentos o que ocorreu na noite anterior e no homem que substituiu a presença do dragão em poucos pouquíssimos segundos.

Ele não tinha um piu-piu como o seu pai e o próprio tinha, mas se parecia com um humano, o que seria ele? Um elfo? Fada? Fantasma? Será que era alguma alucinação criada pelo cérebro para lhe acalmar? Isso seria possível? E tomado por questionamentos dignos de uma criança de seis, ele voltou para o seu castelo, entrando no jardim, voltando para o seu desejado quarto. Adormecendo, consequentemente por seus pensamentos e imaginação estarem focados naquele homem, sonhou com este juntamente do bosque.

E longos – menos tediosos – anos se passaram para Baekhyun, o garoto de seis anos curioso cresceu e amadureceu de acordo com a sua idade. Os seus dias não eram mais passados enfurnado no quarto ou fazendo reflexões da sua vida no corredor vazio sem nenhum sinal de vida, além do seu. Todos os dias após aquela noite o menino passou a visitar o bosque às manhãs e tardes, descobrindo nele um riacho cheio de peixes bonitos e coloridos. Fadas viviam ao redor dele, nos arbustos e árvores amendoeiras. As quaresmeiras que ali viviam se localizavam mais em meio do bosque, além de que também não via o dragão que cedeu sua caverna com frequência. Diria que de vez em nunca o via voar no céu ou vigiar por ali perto, não que fosse ali somente para vê-lo, não mesmo. Ele ia porque era divertido se aventurar naquele lugar imenso que ninguém ia, pois era como se fosse um esconderijo só seu que o distanciava do vazio do castelo. E mais, era bom de ficar ali, o bosque estava mais caloroso.

E mesmo quando necessitava de ficar no castelo para ocasiões especiais, encontros sociais com outros reinos, ele fugia e escapulia para o bosque quando conseguia uma brecha para evitar aquele tipo de situação. Não que não gostasse de socializar com outras princesas e príncipes, filhas e filhos de duques, entretanto o bosque parecia mais atrativo ao seu julgamento. E quem sabe se o dragão branco surgisse das profundezas daquela caverna em intenção de aparecer para si? Uma coisinha quase inexistente dentro de si ansiava por isto, estava com saudades e com vontade de vê-lo. E se ele deixasse que o príncipe montasse em si próprio e voasse consigo? E se ambos explorassem o bosque? Baekhyun guardava sua vontade de conversar com o dragão com carinho, tornar-se um amigo dele. Já que visitava o bosque todo santo dia, o que faltava era uma amizade com o dragão, o principal residente dali, certo?

O príncipe não contava quantas vezes ele parava em frente ao riacho embaixo daquela mesma amendoeira em esperança de que o dragão o notasse e fosse vê-lo mais de perto, tendo oportunidade de se comunicar com a criatura. Mas para o seu importúnio, nada era como queria e a vida era cruel desse jeito mesmo. Milagres não aconteciam como almejava, portanto ou se direcionaria para o morro alto do dragão tomando uma atitude ou vegetaria e mofaria debaixo da árvore florífera, até o momento de que alguém desse falta de sua presença e fosse em busca de sua pessoa. O que não aconteceria, porventura seguindo essa lógica ele permaneceria ali até desistir da ideia. E vezes e outras, sentado, fitando as fadas brincando na beira do riacho, o homem daquela noite morava em seus pensamentos. Não ficava por muito tempo, logo ia embora como se fosse nada importante.

Mais um ano se passou desde então, sendo assim o príncipe obtendo sua maior idade. No reino, pessoas de vinte anos eram reconhecidas como de maior, enquanto pessoas de dezoito não. Todavia este reino era exceção, os outros já consideravam quem continha lá seus dezoito. Para Baekhyun, isso não interessava muito, seu pai continuaria sendo o rei e a sua mãe rainha, até que encontrasse alguém de que gostasse e pudesse finalmente se casar para suceder o trono dos seus bons velhos. O que não calharia tão cedo, já que mal saía do bosque, e muito menos pretendia. Em seu aniversário, disse não querer fazer nada, porém sua mãe não lhe deu ouvidos. Também não faria diferença, já que não compareceria. A sua vontade era aproveitar o tempo que passaria na beira do riacho, aceitando seu fracasso em tentar ser notado pelo dragão branco. Ele não iria até o dragão, o dragão não iria até ele, acabava por aí.

Ou ao menos, era o que achava. O dragão parecia indiferente à sua presença em sua moradia, mas definitivamente não era. Na verdade, fazia toda a diferença. Assim como Camélia mudou o clima do bosque de Iris, Baekhyun mudou o clima do bosque do dragão. O bosque era frio, não era? Então, ele estava mais quente. O dragão deixava o bosque mais quente, porque com o tempo foi se habituando à presença do garoto. E involuntariamente, fazia com que o bosque mudasse seu clima para que o príncipe não fosse mais embora. Para que ele não parasse de visitá-lo, para que ele se agradasse dali e não partisse tão cedo. Ele não estava mais sozinho ali, afinal, por que quereria que o garoto fosse embora e nunca mais tornasse ao lugar? Ele sempre estava à observá-lo de longe, se perdendo e se distraindo em contemplar a natural beleza do príncipe. O seu olhar arisco virou manso, o seu coração que antes era nulo de sentimentos bons situava-se abarrotado por coisas maravilhosas, e que nunca havia sentido antes.

Contudo ele escondia isso, escondia por motivos que talvez nem mesmo ele sabia. Não chegava perto porque temia o príncipe chorar as loucas como da primeira vez que o viu, gostava de tê-lo ali explorando o lugar, gostava de sentir que ele estava ali. Gostava de não ficar sozinho. Admitia para si mesmo que se ele fosse para longe ficaria triste, seus sentimentos seriam feridos e, como era um dragão, demoraria demais para sarar. Ele gostava de Baekhyun. Isso era fato, senão, não o fitaria de longe discretamente. Não o cuidaria e daria um jeito de nenhum animal do bosque o machucar, o dragão ligava para o humano. Incrivelmente, o seu coração aquentava e batia forte ao ver o humano. A criatura não sabia como se aproximar, não fazia a mínima ideia de como agir perto do rapaz. Sequer sabia o seu nome. Não tinha ciência se ele correria para longe caso chegasse mais perto do que de costume.

E ao expirar mais uma vez, floresceram os cravos brancos no topo do morro.

Cravos brancos são associados ao amor puro, sorte e talento”.

No quarto do príncipe, em uma manhã ensolarada de seu aniversário, ele acorda rodeado de suas criadas. Das quais mandavam e demandavam para que ele tomasse banho e vestisse uma roupa decente para o baile de seu aniversário planejado e decorado pela rainha, que estava na ponta de sua cama. Baekhyun, obediente e sem muito o que fazer da vida, sem a mínima vontade de agir feito um rebelde, se põe a entrar na banheira de água morna, provavelmente aquecida por aquelas que vieram lhe tirar de seus tranquilos sonhos.

O seu coração batia calmo por enquanto, sem quaisquer acelerações repentinas, o sentimento de leveza o rondeava. Seus olhos se fechavam lentamente, voltando ao tempo em que havia encontrado o tal dragão branco que tanto queria laçar uma amizade. E aquele homem… O que era aquele homem? Não deixava de se recordar daquele mesmo rapaz quando pensava no dragão. Poderia ele ser uma versão humana da criatura que cativava sua atenção? O dragão, na verdade, era humano como si? Queria dizer, não exatamente como si.

Suspirou alto, cedendo sua derrota de achar alguma conexão entre os dois e as respostas para tantas perguntas. No final, poderia ser tudo coisa de sua cabeça, não valia a pena se martirizar tanto por qualquer coisa. Ou seja, por nada de demasiado valor como tal dúvida. E que diferença faria se ambos fossem a mesma coisa? Se manteria com suas contínuas tentativas falhas de ser percebido pelo dragão e de desenvolver uma amizade legal entre ele como queria inicialmente. Não seria por nada que também cederia sua vontade ao fracasso, do dragão certamente não largaria tão cedo. E após um tempo, depois de ter colocado a vestimenta reservada e dobrada deixada na poto de sua cama, ele seca o seu cabelo e contempla o dia belo em sua grande janela. Esboçou um sorriso bonito e sincero, ansioso para voltar ao bosque o mais rápido possível. Seus olhos brilhavam em expectativa de poder encontrá-lo.

Dando passos largos e ágeis em direção ao salão, ele sai do seu quarto com pressa. Desce as longas, cansativas e várias escadas presentes no castelo, para o cômodo do qual sua mãe se localizava. Correu veloz pelos corredores sem um ser vivo, tomados por janelas imensas e quadros pintados de sua família por artistas familiarizados da realeza. Disperso, focadíssimo em chegar na sua mãe o mais rápido possível, ele não nota por alguns bons minutos uma movimentação no jardim das Camélias e cerejeiras. Entretanto, ao fim do corredor, no exato momento em que para na intenção de descer mais uma escada que era do tamanho da sua vontade inexplicável de ver o dragão, ele escuta um grito agudo no jardim à sua esquerda. Vira devagarinho e temeroso o seu olhar até este, e vê as pessoas juntas em bolinho de gente encarando o céu, confuso, ele leva o seu olhar até o mesmo local em que elas apontavam e fitavam.

Um dragão. Um baita dragão. O seu baita dragão.

Quanto seria sua surpresa em ver o gigantesco dragão branco de olhos verdes sobrevoando distante e rondando o jardim? Boquiaberto, de olhos extremamente arregalados, ele leva suas mãos delicadas até seus lábios, tapando sua boca. Ele não estava crendo no que via, o dragão estava ali por quais razões? Pensando bem, costumava ir um pouco antes deste horário para o bosque e ficar lá até tarde, era um ritual seu para que o dia fosse bom, portanto o dragão sentiu sua falta? Distanciou-as de sua boca, aproximou-as da vidraça e encostou seus dedos finos nestas. Chegou mais perto para vê-lo melhor e notou o dragão passar o seu olhar por todos os convidados no jardim, até conseguir enxergá-lo. As suas asas batiam fortes, causando um vento intenso sobre o povo, no lugar cheio de flores. O dragão encarava-lhe, sem desviar o olhar do seu por um único instante. Seu coração falhou e, ainda surpreso, acenou para a criatura, abobado, vendo-a em seguida partir sem mais nem menos.

Piscou seus olhos várias vezes, processando e organizando tudo em sua cabeça. O príncipe recobrou seus sentidos depois de muito esforço, saiu de perto da janela com passos pequenos e desceu as escadas, andando para o salão, que era perto do jardim em que todos estavam depois do acontecimento inédito. O seu coração batia rápido, tão rápido que podia ouvi-lo bater. Todavia ignorou e seguiu seu caminho, dando um intervalo de tempo para si antes de tantos pensamentos que conturbariam a sua cabeça. Quero dizer, por que suas bochechas estavam quentes? Por que seu coração batia rápido? Por que agora estava mais ansioso para vê-lo de perto? Suspirou alto pela segunda vez no dia, abrindo a porta para o cômodo que desejava ir, dando de cara com sua mãe conversando com uma senhora e uma garota com cara de tédio, logo após lhe chamando para juntar-se ao grupinho de fofocas e chá. Sorriu de má vontade, em direção á cadeira de madeira ao lado de sua mãe.

Minutos e minutos foram desperdiçados no nada que Baekhyun produzia, ele admirava a luz do sol que iluminava o lugar e nada além do que isso. Nem mesmo conseguia ouvir o que a mãe tanto conversava com a velhinha ao lado, a única coisa da qual reparava por não ser míope era que a garota que servia de companhia para a senhora, lhe olhava de canto de olho. Não que isso mudasse de alguma forma uma coisinha para si, mesmo que insignificante, só lhe parecia estranho e um pouco incômodo. E a noite chegava e os novos convidados também, ainda não havia achado alguma brecha para que pudesse escapar dali e ir para o bosque antes que ficasse muito tarde.

Minha neta é solteira, sabe? Esses meses eu tenho procurado um marido para ela, não quero que ela fique só! – a velhinha jogou essa frase no meio da rodinha de conversa com um sorriso pequeno, dando umas cutucadas no ombro da garota de mais cedo, que aparentemente era sua neta. Esta acabou por sorrir para Baekhyun, que estava com a atenção longe dali, voltando o seu olhar para a rainha.

Ah, sim, eu lhe entendo! Eu prometi para o meu filho que não o obrigaria à se casar com ninguém, e ele só sucederia o trono quando achasse alguém de que gostasse. Mas de repente, o meu filho pode mostrar o castelo para sua neta, que tal? – fez uma oferta à senhora de idade, entretanto não foi realmente possível que tal coisa transcorresse. Quando foi olhar para o seu filho, para pedir com que ele mostrasse o castelo para a moça de sua idade, que parecia enfeitiçada pelo príncipe, ele já havia ido embora sem que a própria e ninguém percebesse. Tinha achado a brecha perfeita logo no melhor momento possível, demonstrando o quanto era sortudo e esperto.

Passou e trombou com alguns duques, filhas e filhos de duques, princesas e príncipes de reinos vizinhos no meio do caminho para a porta que o levaria para fora dali. Com pressa, ele tropeça em seus pés calçados de seus coturnos negros no chão escorregadio, entretanto não cai, somente se desequilibra e volta a andar ligeiro na maior vontade de escapar do seu aniversário, e em sua opinião, desnecessário. Abriu as portas e as fechou imediatamente sem qualquer preocupação de fazer barulho, dando o fora do salão. Girou seu olhar para o corredor escuro, deserto e frio, desta vez, iluminado pela luz do luar. O seu coração batia forte novamente, deixando-lhe nervoso e hesitante. O corredor lhe puxava e o tentava para que corresse em si e perante ele conseguisse sair do castelo até o bosque do dragão, contudo alguma coisa fincava seus pés no chão, sussurrando no seu ouvido para ficar. Respirava e expirava fundo incerto, olhando para a lua grande e cheia que se situava no céu estrelado.

Seu coração aflito batia, batia e batia sem cessar. E de repente, a vontade de praticamente voar até aquela portinha de madeira com revestimentos de ferro gritou mais alto que o receio de ir vê-lo. Tudo o que pôde se escutar foram os barulhos que seu coturno causou nas tijoletas brancas e reluzentes do chão, os passos fortes e rápidos que ele dava, seguidos da rainha abrindo a porta e clamando pelo seu nome, mandando para que voltasse ali, e não deixasse sua festa. E mesmo que pequeno, um garoto de baixa estatura e de pernas não tão longas, ele correu a todo gás para longe da festa de seu aniversário, ignorando as chamadas incessantes da rainha.

Podia sentir agora, seu coração pulava e dançava feliz dentro do seu peito. Do outro lado do corredor, no jardim que era instalado à esquerda, os vaga-lumes de muitos anos atrás surgiam e deslocavam-se conforme o ritmo de Baekhyun. Já no portão escancarado que dava entrada para o campo florido, ele o adentra e corre em direção ao lugar mais isolado dali, como antigamente, tomado por arbustos e camélias não dando visão para a portinha.

Se infiltra mais uma vez entre os arbustos, empurra de leve a portinha e engatinha passando pelo muro feito de tijolos. Ergue-se cambaleando um tanto, com a luz da enorme lua iluminando-lhe. Sentiu o frio chocar-se contra suas bochechas e pescoço descobertos, e ele acaba se impressionando, ao reparar em que aqueles mesmos vaga-lumes de anos atrás o cercava em poucos segundos, logo depois voando para dentro da escuridão do bosque. Franziu o cenho em confusão e os seguiu, andando com seus passos largos para acompanhá-los melhor e não ficar para trás destes. Podendo se perder, de novo. Os vaga-lumes voavam a todo vapor sendo seguidos pelo humano, todos levando-o para o riacho, em que o rapaz sempre ia, e eles sempre viam e permaneciam de tocaia, bem atentos. E pois de lá, o dragão poderia o avistar e talvez voar até si. Os vaga-lumes que há muito tempo ali viviam, conheciam muito bem o residente principal e especial da ‘casa’.

Aos poucos o riacho se mostrava para Baekhyun, provocando como reação entreabrir sua boca mais um pouquinho e erguer suas sobrancelhas, avançando-se mais para perto da amendoeira e mais para longe dos vaga-lumes, que torciam para o dragão vê-lo dali. O príncipe, com um pouco de frio, cruzou os braços e virou lentamente seu corpo em direção aos insetos brilhantes. Um sentimento nada ruim o rondeava. E o seu coração ainda pulava e batia forte no seu peito, praticamente berrando, choramingando para que o dragão branco viesse até a sua pessoa como fez no castelo. Foi piscar os olhos que um vaga-lume passou apressado pelo seu rosto, voando até amendoeira, seguido de mais o grupo inteiro junto escoltando-o. Chegou a dar um passo para trás, girando devagarinho sua cabeça para que o seu olhar trilhasse junto das luzinhas.

Já na extremidade do morro, o dragão entrava em puro desespero. Os seus olhos fixavam nos cravos brancos que magicamente floresceriam em um lugar nada propício para tal flores. O pobre dragão branco virava para trás, virava para frente, para um lado e outro, remexia-se todo assustado causando o maior estrondo quando pisava no chão de rochas escuras. Ele não compreendia exatamente como nasciam cravos em seu morro, quando ele expirava ele libertava um ar quente pela sua boca, e aí, do nada, as flores brotavam do chão. Cada vez que respirava, o que era necessário para que se mantivesse vivo – e ele queria continuar vivo – as flores que ficavam no topo do caule surgiam do chão como moscas frequentemente chegavam do inferno para os seus ouvidos. De olhos arregalados, ele respirou fundo e expirou uma última vez, vendo mais um cravo branco florescer para completar sua coleção. Portanto ele pôde entender, as floresces nasciam a partir de si, no entanto, por razões das quais não obtinha consciência. Levando em conta que antes não florescia cravos. Porventura existia algum certo porquê.

Chegou seu focinho para mais perto do cravo em um ato repentino e curioso, inalando seu suave aroma. Fechou seus olhos e apreciou seu cheiro, seu coração acalorava e manifestava-se batendo forte, como fazia quando enxergava o príncipe naquele riacho. Lembrou-se de sua atitude de mais cedo, quando ficou preocupado do príncipe não voltar para o bosque depois de não vê-lo na amendoeira, como era de cotidiano seu. Ainda se instalava aquela coisa nova dentro de si, deixando-lhe com uma sensação ruim de que o rapaz não voltaria. Todavia não tinha como saber, bastava esperar até o próximo dia para concluir sua teoria. Distanciou-se do cravo branco, que era cheio de pétalas delicadas. Ergueu seu longo pescoço e de canto de olho, viu Baekhyun encostado na mesma árvore florífera de sempre, admirando a lua.

O coitado do seu coração falhou na hora, mas não muito depois bateu extremamente forte denunciando permanecer ali, firme e sadio, continuamente e cada vez mais agitado. Virou seu corpo bruscamente em direção do garoto, ainda mantendo-se ali, com seu olhar brilhando tanto pelo céu quanto por outra coisa. No seu peito ele batia forte, se saracuteava, pulava, dançava, rebolava, socava e gritava de felicidade em vê-lo ali. Em seus pensamentos, uma luz revivia e era como se todos os pensamentos negativos tivessem sido afastados para um lugar distante do seu. Semicerrou os olhos, admirando-o com um calor no coração. Cravos brancos floresciam na beirada do morro e ao seu lado quando expirava. Balançava sua calda gigante de um lado para o outro perto do seu corpo, todo serelepe.

E depois de muita contemplação da silhueta do príncipe e agito em parte de seu coração, não muito distante de Baekhyun, o dragão com seus olhos atentos viu um animal aproximar-se deste. Levou seu pescoço mais para fora do morro, em busca de tentar enxergar melhor o que era esse bicho que roubava a atenção do garoto da lua e do céu estrelado. No mesmo minuto em que capitou o que era, suas quase gigantescas asas de pele grossa e escamosa ergueram-se rápidas e hábeis para o voo, involuntariamente. Deu passos fortes para trás, no meio do caminho esmagando algumas flores. Correu, se jogando no ar, batendo suas asas, subindo para o céu da forma mais agilizada possível. E após ter se endireitado nos ares, ele sobrevoa as árvores arrancando com suas afiadas garras alguns galhos destas. Desce voo para mais perto do chão até pousar nele, produzindo um barulhão espantoso no bosque inteiro.

No exato segundo em que avistou o animal que encarava selvagem o príncipe, um aperto surgiu e um medo do animal feri-lo gravemente se apossou de si, em um ímpeto o dragão sugou o ar para seus pulmões e rugiu o mais forte possível, furioso. Atraindo tanto a atenção de Baekhyun quanto à do lobo. O seu rugido ressoou por todo o bosque, assustando os pássaros que nada tinham haver com a história até os próprios vaga-lumes. E o lobo só lá, se encolhendo e o encarando receoso. O dragão atemorizante deixou que, propositalmente, seus dentes afiados visíveis para o bicho, que estremeceu só de visualizar as presas grossas que o dragão continha, como um filhotinho que se perdeu da mãe. Com o rabo entre as pernas, o animal escafedeu-se arrependido de ter enfrentado o humano e com os pensamentos de não voltar ali tão cedo, levando em conta o fato de um dragão parecer proteger o humano. Ficou até meio perdidinho, sem saber aonde ir.

Aliviado, vendo o lobo correr freneticamente para o norte do bosque, como se ele competisse em uma maratona, suspira satisfeito. Abobado que só ele, floresceu mais cravos brancos na beira do riacho, em acidente e distração. E ao se tocar do que havia feito, ele arregala os olhos e o seu peito explode, com o coração quase tendo vida própria e saindo para fora, pedindo demissão do cargo que era aguentar toda aquela barra que era gostar do príncipe. Em anos de vida, jamais teve uma vontade tão resistente e extraordinária como essa que lhe enchia o saco e semelhava gostar de vê-lo sofrer todos os dias. A pobre criatura mágica quis enfiar sua cabeça e longo pescoço debaixo da terra, justo como uma avestruz faria. Aquilo era vergonhoso, como um dragão daquele tamanho poderia florescer cravos brancos? Um dragão não devia de florescer ao menos uma florzinha mais concordante com o seu porte?

Quanto à Baekhyun, ele não fazia ideia de como reagir ao dragão ali, bem à sua frente, defendendo-lhe e de bônus brotando flores brancas bonitas da terra. O coitado do seu coração não parava quieto, igualzinho ao do dragão. Seus olhos arregalados o mirando deixavam o dragão mais nervoso e envergonhado, borboletas brigavam por espaço na sua barriga. Conseguia idealizar direitinho alguma borboleta de asas coloridas com riscos de tinta preto e verde nas bochechas minúsculas e uma faixa preta manchada de verde na sua mini cabecinha. Mesmo depois de um susto daqueles, suas bochechas rubras vieram à tona, deixando a situação mais exótica e única para os dois. O dragão fugia do olhar do príncipe e o príncipe não desviava seu olhar por nada do dragão. Um hipnotizado e outro cheio de vontade de correr dali. Baekhyun levou sua mão esquerda para o seu ombro direito e o beliscou determinado a descobrir se aquilo que vivia era um sonho, comprovando e descordando da sua teoria montada mentalmente que não era, felizmente, um sonho.

Não aguentando todo aquele peso que era ser encarado por Baekhyun ao mesmo tempo em que o seu coração parecia querer se desfazer de si, o dragão abre um voo desengonçado para o seu morro decorado pelos cravos deixando ali um príncipe confuso de coração acelerado. Não ficando ao menos uns minutinhos ali para ajudá-lo voltar para casa, sequer se importou com isso, aquele sentimento era mais assustador e lhe forçava, berrava para que fosse embora.

Quero dizer, agora o rapaz saberia que o dragão o observava, porque para que fosse ali salvá-lo somente fazendo isso, certo? O príncipe havia sequer gritado por ajuda, porventura como ele percebeu a situação de perigo que o príncipe corria? Foi pego por um deslize necessário, não o deixaria ali à mercê de um lobo estúpido por não querer ser pego em flagrante em sua admiração por um pouco discreta. Alucinava um dragãozinho branco dizendo ter feito o certo no lado esquerdo de suas asas grandes, sentado em seus ossos, enquanto um outro dragãozinho preto resmungava ter feito a coisa errada do lado direito. O lobo nem parecia faminto, era só bobeira.

Nesse ínterim o príncipe se levantava atordoado, com o pensamento nas nuvens, sendo cercado pelos vaga-lumes. O príncipe, com muito esforço e dedicação, recobra sua consciência e vai embora para o castelo, fazendo o seu caminho de volta ainda muito surpreendido pela aparição inesperada deste que tanto queria ver. Sem muitos raciocínios sobre como o dragão notou o lobo de uma grande distância, o príncipe engatinha para dentro do jardim. Não querendo passar por uma situação parecida à anterior e acabar não tendo o dragão para defendê-lo, bastava uma vez para que ficasse mais alerto, mesmo que nunca um lobo como aqueles tivesse aparecido por ali. Os vaga-lumes seguiram-no atravessando junto dele o jardim, entrando nos corredores. Com sua visão periférica, não tardou à ver que a festa não acabou quando vazou dali. No entanto, Baekhyun subiu aquele mesmo tanto de escadas e entrou no seu quarto, dando por último um tchau para os vaga-lumes que sumiam pela janela aberta do oitavo andar.

Adormeceu com dificuldade, passou uma boa parte da noite sonhando acordado e reprisando tudo o que aconteceu horas atrás. Aproveitou para analisar bem o que aconteceu, e percebeu que o dragão o olhava. Como ele poderia ter sido tão lépido? Todavia não importava, o que importava era que estava são e salvo outra vez na sua caminha quentinha e fofinha, graças ao dragão. Justamente como da outra vez, isso trazia à tona um calor gostoso no seu peito, provocando risos e sorrisos bobinhos. No final, ganhou o melhor presente de aniversário, encontrar o dragão. Não sendo por acaso. Mesmo que o que tenha feito ele ir até si tenha sido um lobo, não simplesmente sua humilde presença, ficou feliz e satisfeito com o seu dia. Apesar de sua aparição de manhã que não deixava de ajudá-lo ficar naquele estado bom e confortável.

E, no dia seguinte, o garoto não acordou com dificuldades. Baekhyun acordou mais disposto do que nunca havia acordado na vida, um sorriso gigante tomava espaço no seu rosto de traços delicados e ele já vestia uma roupa nem tão arrumadinha como a do dia anterior, calçava seus coturnos que utilizava no seu dia a dia e se colocou a correr pelos corredores, como se fosse o homem mais veloz do mundo. Voou pelas escadas e agilizou seus passos para o jardim, engatinhou rapidinho pela portinha de madeira revestida de ferro e muro de tijolos, andou rápido para o riacho tomado pelo canto harmonioso de passarinhos. Caminhou entre as quaresmeiras até chegar em uma amendoeira em especial, da qual sempre sentava a baixo e aproveitava a sombra em que ela produzia.

Sentou encostado nesta, com um sorriso de orelha a orelha esperando que o dragão aparecesse. Isso até recordar que o dragão não viria à não ser que corresse algum perigo real, portanto levantou-se novamente e clamou por si. Chamou-o várias vezes, aumentando seu tom de voz cada vez mais. O seu sorriso não sumia, aquele sentimento bom de muito antes não partia nem o forçando. O seu coração batia, batia, batia e batia e não deixava de o fazer. A ansiedade chegava e se instalava por ali perto, observando-o gritar pelo dragão que não aparecia. Todas as suas emoções pareciam o observar gritar pelo dragão branco, assistindo a cena rara e exclusiva daquele dia. Mas isso sem pararem com as suas devidas responsabilidades, no caso, atordoar Baekhyun.

Baekhyun parou exatamente quando se virou de leve e viu as árvores penderem para o lado ao momento de o dragão passar por estas, andando lentamente direcionando-se defronte à si. O sorriso do Baekhyun aumentou mais ainda, se é que isso era possível, e o seu peito se encheu de um mar de felicidade. Ele queria rir, contudo não tinha vontade de espantar o dragão. E se ele o estranhasse por rir do nada? De forma alguma o faria para que depois se arrependesse amargamente disso. O dragão ainda continha aquele tanto de vergonha guardadinho no fundo do seu peito escamoso. Na noite anterior, quando voltou para o morro tomado por esse mesmo sentimento, floresceu um monte de cravos a mais para sua coleção. Entretanto, Baekhyun interrompeu os pensamentos do dragão e não prolongou sua demora para abrir a boca e agradecê-lo, planejando muitíssimo esperto fazer algo além para demonstrar sua gratidão.

Eu gostaria de lhe agradecer, muito obrigado por ter me salvado do lobo. Desde aquela vez em que você me salvou do frio eu tenho tido vontade de te ver de novo… Obrigado por aparecer pela quarta vez, contando com essa – Baekhyun falou tudo com o coração na mão, controlando-se e focando para que não risse no meio da frase e estragasse tudo. Os seus olhos brilhavam de novo e o dragão também se segurava para não morrer por ali mesmo. – E então… Essa é a minha forma de dizer obrigado.

Juntou a coragem contida dentro de si juntada por vários anos, juntou sua valentia e tudo de forte que existia dentro do seu ser e andou firmemente até o dragão, agilmente, sem tempo de reagir, ele deu um beijinho no focinho dele. O tempo gelou, parou para ambos. A música parou de tocar, pararam de respirar e o dragão teve tempo de gravar aquele momento. Mesmo não conseguindo ao certo associar aquela situação direito, ele sentiu os lábios macios tocarem o seu focinho e aí uma coisa muito bizarra aconteceu. Uma coisa que nunca tinha acontecido consigo em um outro tempo e somente Baekhyun conseguiu abrir aquela fascinante porta, com uma chave que ele nem ao menos sabia da existência.

Baekhyun se afastou assustado e quase foi cegado por uma luz forte, branca e gigante que surgiu do nada no meio dos dois. O dragão não estava ali também, o que era estranho. Olhou para os lados devagarinho, observando bem para não deixar nenhum detalhe importante passar. A questão era, como um bicho daquele tamanho sumiu bem diante de si? E que luz era essa que se mantinha ali e não parava de brilhar por um segundo? Semicerrou os olhos, não entendendo pela trigésima vez na semana o que ocorria ao seu redor. Franziu o cenho e pendeu sua cabeça. Esse processo durou até a luz cessar e um humano nu sem órgãos genitais de anos atrás a substituir. Não evitou ficar boquiaberto, surpreendido. “Era aquele homem!”. O seu coração disparou mais louco do que aquela hora em que beijou o focinho da criatura, as bochechas queimavam e suas orelhas não escapavam.

E ele não mudou nadinha. Nadica de nada. E daí, uma coisa muito louca também aconteceu. O homem de cabelos cinza bagunçados e pele pálida, quase branquinha, deu dois passos com suas pernas longas para próximo de si e colocou uma de suas mãos grandes em sua cintura. Acariciou seu rosto com uma outra, e o príncipe teve de levantar a cabeça e olhar para encará-lo, paralisado e hipnotizado pela beleza deste. Sem reação, com o coração enlouquecido e as borboletas guerrilhando por espaço, de novo, o homem chegou pertinho do rosto de Baekhyun e virou a cabeça de lado para que os seus narizes não atrapalhassem aquele momento. Só que antes de fazer isso, ele riu soprado de coração ardente e abalado, vendo o príncipe fechar com força os seus olhos, esperando-o, deixando mais fofo do que normalmente. Sem querer produzir muita procrastinação, tomou os seus lábios depositando muitos beijos demorados nele. Sendo bem retribuído por Baekhyun, que não queria negar nada.

Os cravos brancos floresciam, cercando o mais novo casal.

Em simbolização do amor puro que rondeava por ali

6 de Junho de 2018 às 22:40 0 Denunciar Insira 1
Fim

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