A Little Braver Seguir história

tany-yashi

Jongin nunca chegou a pensar no Natal como uma data especial, exceto naquele dia, em que poder estar com Kyungsoo parecia ser melhor do que qualquer ideia de presente que poderia receber. Porém, mesmo que tudo parecesse um encontro perfeito em sua cabeça, Jongin se vê em meio ao risco de seu plano ser um completo desastre ao saber que Kyungsoo já teria planos para aquela noite, que infelizmente pareciam não o incluir. No entanto, nem mesmo isso impediria o desejo de Jongin de ter seu Natal perfeito.


Fanfiction Bandas/Cantores Todo o público.

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Um plano não tão perfeito.

24 de Dezembro de 2016, às 19h37.

Aquela já devia ser a quarta ou quinta vez que Jongin mudava os doces de lugar no balcão expositor. Dentro da sua cabeça, ele podia ouvir uma parte mentirosa dizendo que aquele total desperdício de tempo era apenas para encontrar a posição perfeita para os bolos e tortas distribuídas ali.

Será que chamaria mais atenção se o bolo de creme ficasse ao lado da torta de morango ou ao lado da torta de limão?

Não fazia muito sentido ficar se perguntando sobre isso se nem ele mesmo se importava tanto assim. Já a outra parte da sua cabeça estava em completo silêncio, mas se prestasse atenção, Jongin perceberia um emaranhado de confusão e ansiedade se misturando ali dentro.

Do que? Ah, ele sabia muito bem do que. Isso nem sua cabeça, parcialmente, “preocupada” com a posição dos bolos, o deixaria mentir.

Ao lado da caixa registradora havia um calendário onde Jongin marcara quase todos os dias daquele mês de dezembro, fazendo uma sequência de “x” até o dia 24, véspera de Natal. E como em todo o ano, aquele seria mais um Natal repetitivo e perfeito para as pessoas saírem com os amigos, ficarem com a família ou arranjarem uma namorada enquanto escutavam músicas natalinas. No entanto, naquele ano, Jongin também desejava ter o seu “momento especial”, por isso havia planejado algo diferente para si, além de importante, naquele dia de Natal. Parecia ser o plano perfeito em sua mente. A cada segundo, ele se achava mais parecido com um adolescente entusiasmado para dirigir o primeiro carro – último modelo do ano – depois de ter tirado a carteira.

Mas o que bagunçava a cabeça de Jongin naquele momento – diferente de um carro – era um garoto. Mais especificamente, Do Kyungsoo, o dono do sorriso de coração. E que, sempre que aparecia naquela cafeteria, ia até ao balcão e pedia um mocha latte. Era a pessoa que sempre aumentava a ansiedade de Jongin antes de entrar pela porta, presenteando-o com um lindo coração nos lábios. E, também, era com quem desejava poder passar aquele dia de Natal. E Jongin sabia que Kyungsoo apareceria na cafeteria porque já havia perguntado isso a ele. O plano não viera instantaneamente em sua cabeça, ele já estava o organizando há dois dias, e mesmo assim, ainda tinha medo de falar alguma besteira.

Ok, era o plano mais bobo e clichê do mundo convidar a pessoa que gostava para sair com ele no Natal, mas o entusiasmo de Jongin conseguia o persuadir facilmente a fazer coisas idiotas.

Eu me arrependeria? Dificilmente.

Isso pode acabar dando errado? Provavelmente.

Mas ele arriscaria mesmo assim, e se no final de tudo ele se achasse um idiota, pelo menos ele seria um bom idiota. E enquanto Kyungsoo não chegava, Jongin continuava a mudar o bolo de creme de lugar.

Não havia muitos clientes na Coffee & Candy naquela noite, e para Jongin, isso fazia o tempo andar bem devagar. Porém, a lentidão do relógio era mero detalhe se comparado aos solavancos dentro de seu peito e que Jongin tinha que se esforçar para controlar e não ver o coração saltando pela boca sempre que a porta da cafeteria se abria.

Àquela altura, Jongin já se cansara dos doces, resolvendo contar os fregueses que chagavam. Eram idosos, pais com seus filhos e estudantes, mas nenhuma daquelas pessoas se parecia com quem Jongin tanto esperava. Foi quase um desafio mental ter que esperar tanto. Será que Kyungsoo mudara de ideia sobre ir até lá?

Ele nem percebia que seu pé batia constantemente no chão, e foi apenas quando a porta da Coffee & Candy se abriu pela sétima vez (ele estava realmente contando) que um garoto baixo, de cabelos negros e com o corpo encolhido nas grossas roupas de inverno, entrou na cafeteria. Jongin observou Kyungsoo enquanto endireitava o corpo atrás do balcão, parando de bater o pé no chão. Agora sua cabeça era uma total mistura de coisas estranhas e seu coração acelerava como se tivesse sido jogado a doze mil pés de altura. Seus olhos acompanhavam o recém-chegado até que esse se sentasse em uma das mesas.

Quando ele olhou para Jongin e sorriu, o barista sentiu as bochechas queimarem (ele notou a sensação com surpresa, porque não era comum que sentisse o rosto quente) e logo retribuiu o sorriso, mas não deixou de franzir as sobrancelhas, se sentindo um tanto decepcionado por ele não ter vindo até o balcão, além de confuso por um momento.

Kyungsoo trabalhava na S&K, uma agência de publicidade a dois quarteirões dali, por isso, acabava sendo um grande frequentador da cafeteria Coffee & Candy desde que essa fora aberta há um pouco mais de três meses.

Kyungsoo quase nunca fora atendido por outra pessoa. Era Jongin quem levava os cafés e bolos para Kyungsoo. Por isso, sempre que voltava para trás do balcão, Jongin precisava aturar uma vozinha dentro de sua cabeça o chamando de idiota por sempre querer ser ele a atendê-lo, idiota por demorar sempre um minuto a mais preparando o seu café, idiota por querer ser o Barista Atencioso apenas para que, talvez, pudessem passar mais tempo conversando. E mais do que tudo isso, idiota por ficar tão ansioso esperando que ele chegasse.

Pelo o que se lembrava, desde que o conheceu, Jongin sempre agiu dessa maneira. E pelo o que conseguia sentir, foi desde naquele dia chuvoso que Jongin se apaixonou pelo jeito doce de Kyungsoo. Foi seu primeiro dia na cafeteria e o que tinha tudo para ser um completo desastre, mas Jongin nunca mais conseguiu odiar a chuva depois daquele dia.


26 de Setembro de 2016, às 11h42.

Depois na inauguração da Coffee & Candy, Jongin estava muito animado com o seu primeiro emprego como barista. Para a ocasião, arriscou até mudar o estilo do cabelo e usar sua melhor roupa, porém, seu humor acabou sendo destroçado quando a chuva resolveu aparecer no meio do caminho, levando com toda aquela água, não só a sua animação, mas também o seu novo penteado.

Jongin olhou para o céu coberto de nuvens querendo amaldiçoar quem quer que fosse o culpado daquilo e a si mesmo por não ter pegado um guarda-chuva. Saiu correndo com as mãos sobre a cabeça, tentando, inutilmente, se proteger da chuva. Mas antes mesmo de conseguir encontrar um lugar para escapar de toda aquela água, Jongin já estava completamente molhado, o cabelo estava grudado na testa e as roupas não paravam de pingar.

Ele estava parado em frente a uma banca fechada, e mesmo com a lona sendo a única coisa que o protegia da chuva, Jongin ainda era “agraciado” com alguns respingos que o vento jogava em seu rosto. Enquanto tentava tirar o excesso de água do cabelo, Jongin não parava de resmungar e de suspirar com raiva. Logo o frio começaria a incomodá-lo também e então, Jongin concluiria que não haveria nada pior para estragar o seu dia.

A cafeteira Coffe & Candy estava a uns trinta metros dali, e Jongin pensava no melhor jeito de chegar até lá, procurando outros lugares onde pudesse se proteger, quando um garoto baixinho apareceu correndo com uma grande pasta debaixo no braço e parou ao lado de Jongin, que o encarou completamente surpreso ao perceber que o garoto estava rindo.

Quando ele balançou a pasta, Jongin viu sair dali o suficiente de água para encher uma garrafa de dois litros, mas o garoto não pareceu tão impressionado, ou ao menos preocupado por todo o seu trabalho ter virado mingau, apenas ignorou o fato colocando a pasta debaixo do braço mais uma vez.

Ele nem mesmo a usou para tentar não tomar tanta chuva. Ele ganhou na loteria, por acaso? Foi promovido no emprego? Como alguém nessa situação pode parecer tão feliz? Jongin se perguntava. Ele realmente queria questionar o motivo de tanta felicidade, mas resolveu ficar quieto e observá-lo com o canto dos olhos, até que o garoto se virou para ele.

– Que azar o nosso, não é? – ele disse com um sorriso.

Jongin forçou um sorriso sem graça.

– Uma verdadeira tragédia. Mas... você não parece tão preocupado. Até parece que gosta de chuva – Jongin fez um careta ao se lembrar do seu estado.

O garoto aumentou o sorriso e apertou a barra do casaco, tirando o excesso de água.

– Eu penso que se você não pode impedir que a chuva caia, ao menos tente vê-la de uma maneira diferente e não apenas em como ela vai te molhar até suas roupas encolherem, ou que ela vai destruir todas as suas impressões – ele disse balançando a pasta e Jongin pôde ouvir o som de algo dançando lá dentro. Uma grande pasta de mingau de papel – Se eu não pareço preocupado, o que dizer de quem dança na chuva?

Jongin não respondeu, mas percebeu que o seu humor melhorou. Ele olhou para a Coffee & Candy muitos metros à frente, e então, uma ideia – não tão louca – surgiu em sua cabeça. Ele poderia apenas resmungar um: “Droga, estou tão atrasado” e continuar ali, mas ao invés disso, Jongin se virou para o garoto e perguntou:

– Quer correr até lá? – ele disse apontando para a plana brilhante da cafeteria.

De início, o garoto pareceu confuso, semicerrando os olhos para tentar enxergar através da chuva, para o lugar onde Jongin apontava.

– Coffe & Candy? Eu nunca a tinha visto por aqui – então ele sorriu – Mas eu topo uma corrida.

Talvez o garoto tivesse achado que Jongin o desafiara a correr, e se surpreendeu quando Jongin segurou sua mão e saiu correndo com ele, entrando na chuva mais uma vez. Os pés afundavam nas poças de água, molhando mais ainda as barras das calças, mas mesmo que estivesse novamente nessa situação, dessa vez, Jongin não se importou. Ele até podia jurar que riu enquanto corria.

Quando chegaram em frente a cafeteria, Jongin soltou a mão do garoto e então puderam entrar – finalmente – sentindo o clima quente e agradável ali dentro.

– Obrigado... é....

– Kim Jongin.

O garoto sorriu parecendo um pouco envergonhado por saber seu nome só agora. Os sapatos molharam o chão, deixando-o todo escorregadio. Talvez o dono da cafeteria – e chefe de Jongin – ficasse uma fera se visse aquilo, mas os dois não conseguiam se preocupar com isso naquele momento.

– Sim. Obrigado, Jongin – ele disse estendendo a mão – Eu me chamo Do Kyungsoo.


24 de Dezembro de 2015, às 20h25.

Desde aquele dia de chuva, Kyungsoo sempre voltou à cafeteria, encontrando Jongin quase todos os dias atrás do balcão. Com o passar do tempo, Kyungsoo deixou de se acomodar nas mesas. Agora sempre que chegava, ele ia direto para o balcão e sem precisar pedir, Jongin lhe fazia um mocha latte, então os dois conversariam até que Jongin precisasse de ocupar com alguma outra coisa, ou até que Kyungsoo fosse embora e voltasse no dia seguinte ou no próximo, repetindo tudo mais uma vez.

Porém, naquele dia 24 de Dezembro, Kyungsoo fugiu disso, indo se sentar em uma mesa distante, o que deixou Jongin realmente frustrado.

Ele esperou um pouco, achando que Kyungsoo pudesse mudar de ideia, mas ele não olhava para outra direção que não fosse para a janela da cafeteria, congelada de neve.

Bom, mas aquele detalhe não podia impedir o plano de Jongin, por isso ele se adiantou em preparar um café – incluindo um desenho de pinheiro com chocolate em pó – para Kyungsoo e ir até a mesa onde ele estava sentado. Enquanto fazia isso, Jongin esperou que ele notasse sua presença, mas Kyungsoo não desviou os olhos da janela.

Quando deixou o café em cima de sua mesa, Jongin se sentou em uma cadeira à frente.

– Comtemplando a neve lá fora? – Jongin perguntou assustando Kyungsoo, que quase esbarrou no café, mas Jongin o afastou um pouco, depois o empurrou de volta – Está tão frio que se não tomar nada é capaz do seu cérebro congelar.

– Ah – Kyungsoo riu sem graça, abrindo um pouco mais o sorriso quando viu o pinheiro de chocolate – Oi, Jongin. Obrigado pelo café.

Jongin não disse nada, apenas ficou observando Kyungsoo como se esperasse alguma resposta, foi quando o garoto percebeu que Jongin poderia estar questionando o motivo de ele ter sentado longe do balcão daquela vez.

– Desculpe não ter ido até o balcão para te cumprimentar – ele disse envolvendo a xícara de café com as mãos, podendo senti-las mais quentes.

– Talvez eu te desculpe de me disser o motivo de estar tão feliz hoje – Jongin estava um pouco desconfortável, pois Kyungsoo olhava mais uma vez para a janela cheia de neve – Mais do que nos outros dias. Você está quase corando.

Aquele última frase fez Kyungsoo realmente corar, levando as mãos até as bochechas na intenção de diminuir a temperatura em seu rosto. Aquilo causou estranha ansiedade em Jongin.

– Eu pareço tão óbvio assim?

– Por quê? – de repente, o sorriso de Jongin foi sumindo enquanto sua cabeça ligava os pontos. Desde que se tornaram amigos, aquela era a primeira vez que Kyungsoo se sentava longe de Jongin, e mesmo que estivesse na cafeteria, sua atenção estava apenas no lado de fora. Ele sorria e ria mesmo sozinha em uma mesa e corava com certas perguntas. Foi como ser puxado para debaixo da terra ou ter seu coração arrancado à força quando Jongin percebeu que Kyungsoo estava em um encontro – Está... esperando alguém?

Ele tentava ao máximo não mostrar que estava decepcionado, mas seu esforço fez suas mãos começarem a tremer. Jongin logo as escondeu debaixo da mesa.

– Estou. Parece que eu não sei disfarçar, não é? Mas... é apenas um rapaz do meu trabalho – ao mesmo tempo em que parecia envergonhado, Kyungsoo também estava muito feliz, e então, voltou a olhar para a janela – E você? Com quem vai passar o Natal?

Suas mãos ainda tremiam, mas Jongin tentou ignorá-las para pensar na melhor desculpa que conseguia.

– Ah, o pessoal da cafeteria resolveu sair depois do expediente – mentiu com um sorriso forçado – Estou pensando em ir junto.

Nunca ver Kyungsoo sorrir chateou tanto o coração de Jongin, pois não seria com ele que Kyungsoo teria um encontro e não seria com ele que Kyungsoo estaria tão feliz em passar o Natal.

Quando Kyungsoo voltou a olhar para Jongin – talvez dissesse alguma coisa – mais um cliente entrou na cafeteria e aquela foi a deixa para que Jongin saísse de lá. Seu plano de convidar Kyungsoo para passar o Natal com ele acabara de ser esmigalhado junto com o que restava dentro de seu peito.

Depois de sair dali, Jongin permaneceu no balcão, sem arrumar nada dessa vez.


24 de Dezembro de 2015, às 21h55.

Meia hora, uma hora, e sempre que olhava, Kyungsoo continuava sozinho naquela mesa. Num certo momento, Jongin também começou a prestar atenção na porta, esperando que alguém que ele conhecesse e esperasse passasse por ela, mas não vinha ninguém, e quando mais meia hora se passou, Jongin duvidou que viesse.

Kyungsoo já deixara de olhar para a janela, agora observava apenas o café que mal bebera. Ele nem se dava mais ao trabalho de continuar sorrindo. Atrás do balcão, Jongdae – um dos funcionários da Coffee & Candy – que estava passando depois de sair da cozinha, parou para falar com Jongin.

– Você parece tão aéreo hoje – ele comentou apoiando os cotovelos no balcão – O que pretende olhando pra lá o tempo todo? – ele perguntou direcionando com a cabeça a mesa onde Kyungsoo estava sentado.

– Se eu conseguisse, olharia para qualquer outro lugar – Jongin disse sério, mas mesmo assim, Jongdae riu como se aquilo fosse divertido.

– Quando penso, eu acho estranho. Ele já está aqui há horas e é o único também, mas não está aqui conversando com você. Afinal, o que ele pretende sentado ali fazendo nada?

Jongin o encarou com uma careta por estar fazendo tantas perguntas. Quando você está de bem com a vida, Jongdae pode ser o melhor amigo do mundo, porém, mesmo que você mude seu humor, ele não vai deixar de ser engraçado em qualquer ocasião ou, nesse caso, insuportável.

– Era bem melhor quando você estava lá na cozinha – Jongin disse querendo de qualquer jeito sair daquela conversa com Jongdae. Já era ruim o suficiente saber o que estava acontecendo. Pior ainda seria expor Kyungsoo a possíveis piadas.

– Tudo bem, não vou mais querer saber. E, bem, acho que vou ter que tirar você do seu ponto de observação porque já vamos fechar – ouvir aquilo fez o coração de Jongin disparar, e não era por uma sensação boa.

– Isso é sério?

– Sim, até passamos do horário – ele disse sem entender o desespero na voz de Jongin – Eu vou terminar de guardar as coisas lá atrás, enquanto isso, você pode dar um jeito de adiantar o seu amigo.

– Não, Jongdae – Jongin disse rápido detendo-o pelo braço – Faça esse favor pra mim.

– Por que eu preciso entrar nos seus problemas? Vocês brigaram, por acaso?

– Não.

– Estão você pode revolver – Jongdae tentou sair, mas Jongin o puxou mais uma vez.

– É que... – Jongin reuniu toda a sua força de vontade para dizer aquilo – Ele estava em um encontro, mas o cara não apareceu, e eu sei disso. Se eu for lá, ele vai querer morrer.

– Encontro na véspera de Natal? Meu Deus, eu não ia querer estar na pele dele – ouvir aquilo fez Jongin se sentir pior ainda ao lembrar que também estava na mesma situação.

– Cala a boca e vai logo – Jongin o apressou e Jongdae foi resmungando.

O barista observou enquanto Jongdae conversava com Kyungsoo, que logo assentiu com um sorriso constrangido. Vê-lo tentando disfarçar a decepção no rosto doeu no coração de Jongin mais do que tudo o que ele já sentira naquele dia, e antes que Jongdae voltasse, Jongin já tinha saído apressado em direção a cozinha.

Tudo o que ele queria era jogar as panelas e as caixas nas paredes, apenas para tentar aliviar a raiva que estava sentindo. Seja quem fosse a pessoa que deixou Kyungsoo esperando, Jongin já a odiava com todas as forças.

Não demorou até que Jongdae aparecesse na cozinha.

– Eu posso ouvir seus resmungos lá de fora, está pensando alto demais – ele disse – Todos já foram embora e eu vou te dar um brinde de sorte e te deixar ir antes que quebre tudo, então...

Jongdae era inteligente o suficiente para perceber que Jongin gostava de Kyungsoo, e talvez por isso, apenas aquele momento, ele decidiu aliviar a situação para o amigo, seja das suas piadas ou do trabalho na cafeteria.

– Obrigado, Jongdae. Vou ficar te devendo essa.

– Cuidado, você pode acabar se arrependendo.

Ele riu e Jongin acabou rindo também.


24 de Dezembro de 2015, às 22h20.

Jongin saiu da cafeteria do mesmo jeito que um alcoólatra sairia de um bar se a bebida tivesse acabado; não visualmente dizendo, mas internamente, com a sensação de um espaço vazio. E com a frustração girando em sua cabeça, ele pretendia seguir seu caminho, ignorando qualquer espírito natalino até que pudesse chegar em casa para se perder em meio as cobertas, assistindo qualquer filme idiota que, necessariamente, ele nem prestaria atenção.

Jongin ajeitou a touca na cabeça e se virou com as mãos nos bolsos e de pensamento avoado, por pouco não tropeçando no garoto que estava agachado, com as costas na parede gelada da Coffee & Candy. Foi uma surpresa encontrar Kyungsoo ali, mas... Por Deus, ele ainda não estaria esperando a tal pessoa (lê-se completo babaca) aparecer, estaria?

– O que está fazendo aí segurando a parede? – Jongin tentou parecer engraçado, talvez até para tentar se animar, mas não adiantou.

Kyungsoo se levantou tirando a neve do casaco e então olhou para Jongin.

– Eu estava esperando você sair – sua voz estava estranhamente normal para quem foi deixado por horas esperando numa mesa. Talvez pudesse ser efeito do frio, mas Jongin duvidava um pouco sobre essa hipótese.

Ouvir isso deixou Jongin um tanto surpreso. Ele sabia que gaguejaria se tentasse dizer alguma coisa naquele momento, ainda mais porque sentiu que Kyungsoo não estava mentindo. Apenas esse pensamento fazia seu interior borbulhar.

Por sorte, Jongin se livrou da possibilidade de se passar por um idiota com suas falas, pois logo, Kyungsoo continuou:

– Antes de ir embora, eu só queria te desejar Feliz Natal – mesmo com as mãos no casaco, Jongin esperava que Kyungsoo não reparasse no quanto elas se remexiam ali dentro – Até porque o meu dia foi um pouco mais divertido por sua causa.

– O que tem de divertido em receber um café com um desenho de pinheiro...? – ele murmurou, baixo demais para que Kyungsoo pudesse ouvir, e antes que ele viesse a questionar, Jongin continuou – Acho que eu devo dizer que sinto muito... pelo seu encontro – ele disse devagar.

– Foi por isso que você mandou o Jongdae no seu lugar, não foi? – Kyungsoo disse aquilo como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Se bem que, quando se tratava de Jongin, poderia ser mesmo.

– Você percebeu isso?

Droga, Jongin! Você é tão transparente...

Pensar nisso fez seu rosto queimar (pela segunda vez naquele dia). Será que ele era tão óbvio ao ponto de Kyungsoo perceber que Jongin estava apaixonado por ele?

– Foi a primeira vez que alguém diferente de você foi até a minha mesa. Não poderia ser coincidência – com isso, Jongin conseguiu ficar um pouco mais aliviado, mas não o suficiente.

– De qualquer jeito, é uma pena que o seu encontro tenha sido com um tipo de pessoa tão idiota.

– Ah... – Kyungsoo sorriu em graça – É tão constrangedor você saber disso.

– Ele... é alguém que você gostava? – no mesmo instante, Jongin quis socar a própria cara. Por que fazer uma pergunta daquelas? Estava mesmo interessado em saber? Não, nem um pouco.

Jongin pensou que Kyungsoo demoraria alguns segundos para responder, ou talvez nem respondesse (seria melhor), no entanto, ele foi rápido em dizer:

– Um pouco, talvez.

Jongin tentou olhar mais fundo nos olhos de Kyungsoo, queria ter certeza de que aquilo era verdade (idiota), mas não conseguiu saber. Talvez fosse uma mentira para acabar com o assunto e Kyungsoo pudesse realmente gostar aquele cara (lê-se completo babaca).

– Pretende ir para casa, agora? – Jongin perguntou.

– Não sei, o que for mais próximo do fim do mundo... – Kyungsoo disse aquilo baixo demais, e foi com certo esforço que Jongin conseguiu escutar – Mas por que eu estou te atrasando? Você disse que iria encontrar seus amigos, se continuar aqui, você vai ser o último a chegar.

Jongin queria dizer que aquilo era mentira, que ninguém o estava esperando e que sua vontade era de estar com Kyungsoo naquele momento, mas as palavras não saíram.

– Então... Feliz Natal, Jongin.

Mesmo que quisesse, alguma coisa dentro de Jongin o impediu de responder ou de se mexer. Ele ficou parado em frente à Coffee & Candy, com as mãos nos bolsos do casaco, vendo Kyungsoo caminhar lentamente pela calçada até se tornar quase invisível em meio à neve que não parava de cair.

Ainda ali, Jongin suspirou, vendo a fumaça sair de seus lábios. Ele imaginou o que Jongdae diria se estivesse ali ao seu lado.

“Por que ainda está parado aí, feito uma carcaça morta? Não seja idiota perdendo-o de vista.”

Jongin passara horas com a frustração de que perdera a sua chance de estar com Kyungsoo, mas ele sentia que mesmo agora, com tais reviravoltas, ele não podia deixar seus desejos de lado.

5 de Junho de 2018 às 10:17 0 Denunciar Insira 5
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