A Outra Face Seguir história

Yue

O desejo pungente que crescia no coração de Hinata e Naruto foi saciado muitas vezes, até que surgisse seu primeiro empecilho, que, nesse caso, foi o inicio do declínio da relação. Houve um incidente. E logo em seguida as consequências. Ela amedrontada o procurou. Ele a renegou igualmente assustado, e o que era para ser assumido pelos dois culpados acabou se tornando responsabilidade de apenas um. Os dois eram ainda muito jovens e ingênuos. Veio a separação, a mágoa, e as dificuldades e a pequena princesa Hyuuga se viu sozinha no mundo com um filho. Abandonada. Deserdada. Completamente só. Mas o mesmo motivo que os separou irá reuni-los, com uma pequena diferença. A velha personalidade foi sepultada e a doce Hinata agora vai mostrar a todos a sua outra face.


Fanfiction Anime/Mangá Todo o público.

#drama #ua #universo-alternativo #hinata #sasusaku #naruhina #naruto #romance
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Desejos


Dois jovens caminham por um estreito jardim florido.

Entre sorrisos e olhares apaixonados eles trocam beijos cálidos e juras de amor eterno, embalsamados pela brisa morna da primavera. Um momento único e inebriante capaz de aquecer o coração mais frio.

A mão do garoto escorregou pelos fios sedosos do longo cabelo azulado da garota que sorria com ternura ao sentir o toque carinhoso. Seus olhos de prata pareciam escorregar ante o amor que transborda do seu peito.

O sentimento dócil é quase palpável de tão intenso.

Ela fecha os olhos esperando o beijo que ele prometia com o olhar desejoso. A boca pequena convidativa e macia.

Ele se aproxima e, em um ato de puro êxtase pela expectativa, fechando os olhos também de forma lenta. Os corações tocam acelerados a mesma sinfonia.

—Promete que sempre vai estar do meu lado?- ela pergunta com um meio sorriso. As bocas a meio centímetro.

—Sim. – ele responde e sela seus lábios em um beijo destreinado e ainda meio infantil.

As mãos buscam o apoio do corpo que se inclina aos poucos, mas não encontra nada mais que a superfície fria do concreto que forma o banco.

Ao abrir aos olhos se depara com um lugar vago. Desesperado por não poder mais tê-la em seus braços, se levanta e começa a caminhar. Não tem certeza de como encontrá-la, nem por onde deve começar sua procura , mas sabe que não pode viver sem o calor do corpo dela.

Sem seus sorrisos ou toques.

Ao longe uma figura se materializa. Os cabelos azulados descendo como uma cascata macia pelas costas, o uniforme escolar evidenciando suas curvas prematuras.

Naruto sorri e corre ao seu encontro chamando o seu nome com a voz carregada pela felicidade do reencontro.

Ela vira o rosto para fitá-lo fazendo-o parar de imediato.

Os olhos prateados transbordam uma tristeza esmagadora. O rosto traçado por lágrimas que descem em carreiras desenfreadas que contornam as bochechas e se encontram no queixo trêmulo antes de pingar.

Porque ela chora?- ele se pergunta mentalmente sentindo o coração apertar de dor.

—Porque você não quis ficar conosco.- ela responde com a voz rouca e embargada de emoção como se pudesse ler seus pensamentos.

Era estranho. Não se lembrava de ter abandonado Hinata, mas ao mesmo tempo se sentia culpado como se realmente o tivesse feito.

Uma vontade de confortá-la se apossou da mente do loiro. Ele precisa desesperadamente alcançá-la e envolvê-la em seus braços. Não queria ver seus olhos brilhando de tristeza, afinal, eles não foram feitos para isso.

Vencendo o torpor da surpresa ele corre em sua direção.

Ela se vira e prossegue em marcha lenta.

Ele levanta a mão para tocar-lhe o ombro. Precisa consolá-la seja lá pelo que fosse.

Involuntariamente seu corpo começou a se contorcer como se estivesse em meio a uma crise de espasmos.

Estranhos e desconfortáveis espasmos.

Aos poucos os olhos se abriram e ele se viu fitando a imensidão do quarto de solteiro.

—Senhor Naruto! Senhor Naruto!

Os cabelos ruivos da governanta entraram em seu campo de visão, presos em um coque que deixava que alguns fios caíssem no rosto da jovem. Não sabia dizer se amaldiçoava ou agradecia o fato de ter sido acordado, talvez fosse melhor não saber o resultado daquele sonho.

Como um ato de defesa ele se virou e cobriu a cabeça com o cobertor. Mesmo tendo acordado com os chamados dela não queria se levantar.

A mulher incansável o sacudia com mais veemência, chamando e pedindo que se levanta-se.

—Por favor acorde, senhor Naruto.- pediu exausta pela tarefa.

—Karin, por favor, só mais vinte minutinhos. –ele resmungou.

—Não senhor. Se não levantar logo daí vai nos causar problemas. Dona Kushina já está azucrinada por não ter acordado mais cedo para tomar café com ela.

—Depois eu falo com a minha mãe.

—Mas e a empresa? Precisa ir trabalhar.

Ele se enrolou com o cobertor como uma criança pirracenta, certo de que aquilo faria o ataque ao seu descanso cessar. Queria dormir mais um pouco. Na verdade, precisava dormir mais, estava trabalhando muito ultimamente e se sentia um caco.

A porta do quarto foi aberta revelando outra ruiva, dessa vez com os cabelos soltos e olhos de um estranho azul irritadiço. Ela se aproximou da cama com passos pesados emanando uma aura quase assassina.

—Karin, por que não o acordou mais cedo?- perguntou mal humorada.

A governanta tentou se explicar, mas o olhar da patroa era suficiente para fazer qualquer desculpa secar na garganta.

—Eu tentei, mas...

Kushina observou a situação. O rolinho na cama parecia confortável e livre de qualquer ameaça. Resolveu se aproximar e sentou na beirada tocando o lugar onde deveria estar o rosto do filho.

—Está na hora de acordar, filho. – disse com uma falsa voz terna, que Naruto captou no exato momento.

—Só mais alguns minutinhos mãe.- resmungou.

—Ora, meu amor! Não vai querer a mamãe brava, não é?Sabe como fico brava quando não me obedecem. E hoje você não desceu para tomar café comigo, foi solitário comer sozinha sem ter ninguém para conversar e a mamãe ficou muito irritada com isso.

Ele não queria ver a mãe brava. Na verdade, qualquer um que conviva com Kushina não quer vê-la nervosa, mas a preguiça falava mais alto.

Se cerimônia foi lançado ao chão com lençol e tudo por um delicado empurrão dado pela mãe. Ela adorava acordar os outros de maneira delicada.

Naruto sentou acariciando as costelas que resmungavam de dor pela queda. Os cabelos desgrenhados pelo sono agitado e o olhar caído de quem precisa de férias urgentes.

—Tem dez minutos para se arrumar, a empresa não faz dinheiro sozinha, sabia?É preciso guiá-la.

Ele olhou do sorriso doce e feroz da mãe para o relógio na cabeceira da cama.

—Tudo bem mãe, já me convenceu. Me espere lá embaixo que vou tomar um banho primeiro.

Ela rodou a cama e lhe deu um beijo na testa. Dessa vez carinhoso.

—Poderia ter feito isso antes, como toda mãe normal, ao invés de me chutar para fora da cama. – resmungou ainda inconformado.

—Sim poderia. Se eu fosse uma mãe normal, mas como não sou, prefiro outros métodos persuasivos.

Ela saiu cantando seus lindos sapatos de salto alto vermelho. Uzumaki Kushina nunca precisou de muita extravagância para ser elegante.

Naruto respirou fundo ao ouvir a porta do quarto fechar. Levantou deixando o cobertor que lhe cobria o corpo cair revelando músculos perfeitos que fizeram a jovem governanta perder o fôlego. Desde o primeiro dia em que o vira na capa da revista mais influente do país em uma reportagem sobre sua posse como novo presidente da empresa de do pai, Minato, se sentiu atraída por ele. Não era de se surpreender, afinal era alto, loiro, rico, atlético, dono de um sorriso encantador e o melhor de tudo, solteiro. Quando teve a sorte de poder trabalhar na mansão dele sentiu-se ainda mais eufórica.

Queria estar ao lado dele, mas o que ele fazia com ela era pecado. Estava andando só de cueca samba canção pelo quarto em direção a suíte.

Karin foi arrancada dos seus devaneios pela voz enérgica dele. Sem se dar conta tinha acompanhado sua jornada até o banheiro com os olhos quase estatelados.

—Karin, separe uma roupa para mim e deixe em cima da cama, por favor.

Ela separou. Na verdade aproveitou para se perder em mais suspiros e devaneios enquanto observava cada peça do vestuário. Sabia que era dona Kushina quem cuidava do visual do filho -que dizia que passar tempo em lojas escolhendo roupas não era sua praia- e não pode deixar de agradecer por isso, porque as roupas que ele escolhia tinha sempre a mesma cor:laranja berrante.

Ela tinha realmente um bom gosto. O armário estava sempre lotado com as mais belas roupas das mais famosas grifes do Japão e do mundo, -inclusive as da própria empresa da família- e era renovado a cada mês, ou seja, entravam cinco ternos novos, saiam cinco ternos usados. A obsessão pela aparência do filho era tanta que ela cuidava para que ele não repetisse a mesma roupa mais de uma vez na semana, e os panos não tinham nem tempo de gastar.

Não era por menos, agora ele era o presidente de uma das mais influentes empresas de vestuário do país, e estar apresentável é quase uma obrigação que não deve ser descumprida, afinal, o que não faltam são revistas e repórteres sensacionalistas em busca de um furo para estampar suas matérias.

Passou a mão pelas peças vasculhando qual deveria escolher e acabou optando pelo terno preto básico, camisa branca e gravata cinza.

Colocou sobre a cama e se pôs a analisar. Resolveu trocar a gravata cinza por alguma mais colorida para combinar com a personalidade dele e acabou pegando uma azul clara. Passou a mão para tirar os amassados e deixou o quarto. Precisava cuidar de seus afazeres.

Naruto saiu do banho balançando os cabelos com a mão para retirar o excesso de água. Olhou para a cama e torceu um pouco a boca ao ver a gravata. Todos sabiam que ele detestava a bendita cor azul, mas parecia que faziam questão de lhe empurrá-la garganta abaixo, principalmente a mãe que não parava de lhe comprar roupas de todas as tonalidades azuis possíveis no mundo. Dizia ela que combinava com a cor dos seus olhos.

Podia até ser, mas também lhe lembrava de um certo Uchiha metido a sabe tudo e dono de uma língua que não tinha cabimento de tão venenosa.

Se vestiu e desceu.

—Que gato!- ouviu uma voz familiar chamar atrás quando passou pelo Hall principal.

—Ohayo, Tsunade ba-chan. – disse sem se virar interessado em conferir sua e-mail pelo celular.

—Mas que coisa feia senhor presidente. Porque não se vira para que eu possa apreciar a frente também.

Ele obedeceu e se voltou com um sorriso sapeca. Gostava de Tsunade, ela era uma grande amiga da família e tinha um marido bem pervertido como ela, a única diferença entre os dois é que ela só mostrava esse lado para os amigos cuidando para ser o mais culta possível diante de outras pessoas, ao contrário de Jiraya que adora chamar a atenção. Se conhecem há tantos anos que se tratam como avó e neto.

—Lindo!- ela exclamou. –Adoro quando usa essa gravata azul, combina com seus olhos.

—Sim, todo mundo fala isso.- disse pegando um croissant na mesa do café. – A propósito, porque veio tão cedo?

—Nunca é cedo para se visitar a família não acha?Estava com saudades e resolvi aparecer para ver meu netinho.

—Mas nós vimos anteontem, como pode estar com saudades?

Ela sorriu e balançou o longo cabelo louro. Não fosse o fato de conhecê-la desde criança talvez até se aventurasse em algo mais picante, afinal, ela era uma coroa para lá de enxuta e tinha um corpo de dar inveja em muita moça esnobe.

—Saudade não tem cartão de visita meu querido. Quando ela chega tem que correr senão te sufoca.

—Já disse para se mudarem logo aqui para casa. Assim não sentirão mais tanta saudade.

—E largar a minha querida casa na beira da praia?Nem pensar, meu amor. E tem mais, se não fosse a saudade essa amizade já tinha virado divórcio.

Ele riu gostosamente, somente a vovó Tsunade para lhe arrancar gargalhadas de manhã mesmo.

—E você como tem estado meu gatinho?- disse ajeitando o nó de sua gravata.

Ele parou de rir e subiu a sobrancelha como se estivesse em dúvida.

—Bem vovó.

—E o coração já arranjou uma dona?

O olhar se perdeu. É verdade que saia com muitas mulheres e levava certa fama de galinha por isso, mas nenhuma delas por mais bela, estonteante, carismática ou sensual que fosse conseguia preencher o vazio que Hinata havia deixado em seu coração desde o dia em que partira.

—Ele está interditado por hora, vovó. -mentiu.

—Tá brincando comigo? Sabe quantas mulheres dariam um braço para estar ao lado de um homem como você?Falta de pretendente eu tenho certeza de que não é.

—Não tenho tido muito tempo para me aventurar em um relacionamento sério.

—Kami. – ela olhou com ternura. – Só espero que não pretenda ficar solteiro para o resto da vida, seria um desperdício um homem tão lindo e largado. Ainda mais mal posso esperar para ver um pentelhinho correndo pela casa chamando a Kushina de vovó.

Naruto engoliu em seco. Sua mente foi lançada em um passado distante, exatamente cinco anos atrás quando a princesa Hyuuga- como era apelidada na escola por ser filha de um influente magnata. – lhe contou que estava grávida.

Um amargo incomodo tomou conta de sua boca ao lembrar o quão fraco e covarde tinha sido ao abandoná-la. Naquela época havia pensado apenas em seu medo, não se sentia pronto para ser pai ou abandonar a vida que levava . Mas quem podia culpá-lo?Tinha apenas quinze anos.

Outra dúvida voltou a incomodá-lo. O que teria acontecido com aquele bebê?Será que Hinata teria abortado ele, como disse à ela sem pensar antes de se arrepender?Ou será...

—Sabe porque adoro vê-lo de terno?- Tsunade o tirou dos pensamentos. Estava falando a alguns minutos sem que ele percebesse. – Me lembra o seu pai. Ele sempre ficou muito bonito com um terno, cai bem nele. Vocês dois são muito parecidos; sinceramente, se a sua mãe não tivesse aparecido antes de mim, eu não fosse casada e ele tão jovem eu tinha me jogado naqueles braços.

—Por acaso estão falando de algo que me pertence?- Kushina apareceu na escada encarando a visita com um olhar divertido. Usava um vestido floral simples e a sandália agora era branca com delicadas flores.

—De duas coisas na verdade. – Tsunade riu.

—Olha, Tsunade, sabe que eu sou ciumenta. Se eu descobrir que está tramando me roubar...

—Sugiro que fique de olhos bem abertos então, porque se der mole eu vou traçar.

As duas se abraçaram rindo como duas velhas amigas de infância, apesar de Tsunade ser um pouco mais velha.

—Do que estavam falando mesmo?

Naruto congelou, não queria reviver aquela conversa e resolveu que era hora de sair.

—Dos homens gostosos que empesteiam essa casa. Estava falando como o Naruto se parece com o Minato quando está de terno. A cada dia que passa ele fica mais e mais bonito.

—Claro que sim, fui eu quem fiz, era obvio que ia ficar irresistível, não é Naruto?Naruto?

Um mordomo se aproximou e cumprimentou educadamente se curvando com a mão na altura do estomago.

—O senhor Naruto pediu para informar que precisava ir rápido para a empresa.

—Aquele moleque, anda cada dia mais sem educação, quando ele chegar vai ver o que é bom.

—Deixa ele, Kushi, deve ter recebido alguma ligação de emergência.

—Tudo bem, não posso bater nele a distância mesmo.

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As sacolas estavam caídas no chão.O que era aquilo afinal? Nunca tivera uma tontura tão violenta que a fizesse se ajoelhar no meio da rua.Sorte que os guardas não tinham visto senão ia ser uma confusão.

—Hinata, você está bem?

O dono daquela voz feroz e doce ao mesmo tempo.

—Kiba-kun?!

_O que aconteceu? Está pálida.

—Não foi nada, eu só preciso sentar um pouco.

Ele a ajudou a se levantar e sentar em um banco próximo. Pegou as sacolas caídas e trouxe-as para perto colocando aos pés do banco.

—Quer que eu ligue para alguém vir te buscar?

—Não Kiba-kun, muito obrigada. Daqui há pouco estarei melhor, eu só preciso ficar um pouco sentada.

—Tem certeza?Não acho que sentar vá ajudar em muita coisa, você está tão pálida, parece até uma vela derretida.

—Que isso, você faz parecer como se eu estivesse morrendo.

—E como vou saber que não está?

Ela riu fracamente sentindo o mal estar da tontura desaparecer aos poucos. Foi bom ter sido encontrada por ele.

—Posso lhe garantir que estou viva.

—Então me prove. – fez um biquinho esperando um beijo. Ele sempre foi apaixonado pela Hyuuga e nunca fez questão de esconder seus sentimentos.

Em troca ela o beliscou.

—Ai!Porque não deu um beijinho? Seria menos doloroso. – resmungou esfregando o braço.

—Porque assim funciona melhor.

—Acho que não vou conseguir algo assim sem ter cabelos loiros e olhos azuis não é?

Ela sorriu totalmente esquecida do problema da tontura. Seus amigos sempre a fizeram esquecer de todos os seus problemas.

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Acabou. Finalmente acabou.

Hinata passou se despedindo de todos os conhecidos. Muitos homens faziam questão de olhar com desejo como se esperassem que com isso ela viesse e os atacasse como uma louca, mas ela apenas ria e seguia seu caminho.

Ser modelo era um trabalho muito cansativo, mas ela gostava, afinal, foi graças a ele que conseguiu dar ao filho pelo menos um teto decente para dormir. Agradecia todos os dias por aquele encontro no bar há três anos atrás, não fosse aquilo não gostaria nem de imaginar o que seria de sua vida.

Jiraya entrou no primeiro bar que encontrou.Não era um lugar muito atraente e passava longe dos lugares finos que freqüentava. Sua principal decepção eram as mulheres desses estabelecimentos mais simples, sempre feias e mal humoradas. Como amante do sexo oposto para ele era um desperdício encarar essas carrancas.

Mas ele precisava se esconder da chuva.

E essa noite seria diferente.

Sentou em uma mesa e se pôs a analisar os bolsos para calcular o prejuízo. Seu carro estava a quase cinco quadras de distância.

Alguns minutos depois uma voz fina o tirou se seus pensamentos.

O olhar baixo encontrou primeiro um par de pernas bem torneadas e desprotegidas, tão macias que dava vontade de apertar e arrancar um pedaço, depois foi subindo até encontrar uma cintura fina e seios firmes e fartos. Estava alucinado com a visão rara em um lugar mais raro ainda. Continuou sua analise pervertida até encontrar um belo rosto emoldurado em tristeza.

Os pensamentos impuros foram varridos em segundos ao ver aqueles lindos olhos prateados envolvidos em uma redoma de depressão.

Os cabelos eram belos sem dúvida, mas estavam um pouco descuidados e os olhos tinham profundas olheiras que circundavam dando-lhe o aspecto de zumbi. Era como se ela não dormisse há dias.

O que ele não sabia era que as suas suposições estavam certas.

Hinata trabalhava em dois turnos e ganhava uma mixaria que mal dava para pagar o aluguel e necessidades básicas. Ainda tinha que deixar o filho na creche e a noite com uma vizinha que cuidava sem cobrar por Isso. Em todos os horários sofria bulinações e tinha que agüentar em silêncio para não perder o emprego. Estava cansada e no fim da noite quase não dormia com o pequeno que sofria de crises alérgicas que o impediam de respirar direito. No inverno elas se intensificavam e ela perdeu a conta de quantas vezes saiu com ele nos braços em busca de atendimento médico.

Ela lhe entregou o cardápio simples e colocou bloquinho em mãos pronta para anotar seu pedido.

Depois daquela noite, ele voltou muitas vezes, até se tornar algo quase rotineiro. Algo naquela garota o fascinava, fora a beleza e jovialidade que esbanjava mesmo estando mal vestida. Ela tinha uma postura decidida de quem não se dá por vencida.

Um dia depois que ela lhe entregou o sakê que sempre tomava, ele lhe perguntou.

—Desculpe incomodá-la mocinha, mas queria saber quantos anos tem.

Ela se encolheu e ele compreendeu o motivo. Com certeza devia ser muito assediada.

—Desculpe, por favor, não compreenda mal, não fiz a pergunta corretamente. Me chamo Jiraya e não vou fazer nada de mal a você.

—Dezesseis. –disse num fio de voz.

—Posso saber o seu nome?

—Hinata.

—Hinata.- ele repetiu como se saboreasse a pronúncia. - Belo nome.

—Obrigada.

—Por favor, Hinata, sente-se.

—Se o senhor não se importa eu gostaria de ficar em pé mesmo. São ordens da empresa e eu não posso perder o meu emprego.

—Fique tranqüila, se aceitar o meu pedido não vai mais precisar se preocupar com isso.

O olhar cansado da moça se transformou. Havia agora um brilho diferente, como se aquela insinuação tivesse acionado algum alarme de segurança interior.

—Por acaso o senhor é outro cafetão?Porque se for, me desculpe, mas não tenho interesse em me vender.

—Não é nada disso que está pensando. – disse apressado e desconcertado. – Essa não é a minha proposta.

—Então qual seria?Ser sua amante?Não sei o que o senhor está pensando mas já vou avisando que não sou qualquer uma. Há semanas que só recebo esse tipo de proposta indecente de tudo quanto é cliente, um deles até disse que queria casar comigo. Se for maldade...

—Calma!-Jiraya pediu consternado com as mãos levantadas tal qual um fugitivo recapturado.

Hinata se deu conta de que havia sido vítima da própria raiva. Agora era uma das protagonistas daquelas novelas de fim de tarde cheia de barracos. Suou frio quando viu, de rabo de olho, o gerente balançar a cabeça negativamente. Estava numa fria e com certeza seria despedida.

—Droga!-disse estafada passando as mãos pelo rosto. – Era só o que me faltava.

—Querida. – Jiraya chamou-a novamente recebdeno atenção. – Creio que não começamos bem, que tal se tentassémos de novo, desde o inicio?Sente-se, por favor.

Ela olhou mais uma vez para o patrão de maneira nervosa.

—Não se preocupe com isso. Vou te fazer uma proposta que vai lhe render muito mais do que ganha aqui em troca de pouco trabalho.

Ela desistiu e sentou.

—Espero que sim porque tenho um filho pequeno e ficar sem emprego é um luxo que não posso ter.

—Meu nome é Jiraya, e sou, digamos que, um caça-talentos. Trabalho para uma empresa importante e tenho amizades com outras mais.

—E o que exatamente essa empresa sua faz?

—Hinata, já pensou em ser modelo algum dia?

Depois disso ele a contratou, mas antes fez questão de dar um soco na cara do bêbado sem vergonha que todo dia passava a mão na jovem Hyuuga. Ela agradecia dia após dia a chegada desse anjo , não fosse ele estaria presa aquela vida até hoje.

Agora recebia bem, tinha um carro modesto, uma casa simples mas confortável e um médico particular para as crises alérgicas do filho.Um salto triplo para quem foi deserdada e jogada no olho da rua apenas com as roupas do corpo.

Chegou em casa e dispensou a babá. Tomou um banho, vestiu uma camisola confortável que enaltecia suas belas curvas sentindo o alivio de não precisar mais usar salto alto e ,como fazia todas as noites, foi ao quarto do pequeno.

Abriu a porta sorrateiramente, caminhou com passos leves e se abaixou para vê-lo melhor.

Um livro infantil repousava em seu peito subindo e descendo no ritmo de sua respiração. No braço direito o ursinho de pelúcia em forma de raposa que tinha ganhado do seu querido Jiraya ji-san- que havia ganhado status de avô e sempre o visitava quando possível.

Afastou os cabelos curtos e loiros que caiam sobre a testa e a beijou. Não se arrependia em nenhum momento de tudo que trocou para estar ao seu lado, afinal, nem o luxo em que foi criada ou as dificuldades que sofreu para criá-lo e alimentá-lo poderia resumir o que sentia por aquela criaturinha magnífica.

Guardou o livro e o cobriu antes de sair. A manhã seguinte seria um dia muito agitado.

25 de Maio de 2018 às 18:32 1 Denunciar Insira 1
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Cecilia Jarske Cecilia Jarske
oieeee! olha só esse Naruto embuste forçando Hinata a abortar... sorte que ela não o fez e mesmo.comendo o pão que o diabo amassou, criou o filho. *-* quero só ver quando Naruto descobrir que é pai... aborto paternal é a pior coisa do mundo! --'
17 de Novembro de 2018 às 19:22
~

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