Deuses e Diamantes Seguir história

zephirat Andre Tornado

Durante uma caçada na floresta, para onde se exilara, alguns anos depois da derrota de Majin Bu, o androide número 17 encontra uma estranha criatura ferida. Quando decide não a salvar, desencadeia uma série de acontecimentos que o levará até um mundo de deuses e de diamantes…


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas. © Dragon Ball não me pertence. História escrita de fã para fã.

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I - Falhar


“Bid my blood to run

Before I come undone

Save me from the nothing I’ve become.”

Evanescence, Bring Me To Life



No interior da floresta, o sossego morno daquela tarde outonal era quebrado apenas pelos murmúrios próprios do lugar. E também pelos seus passos, apesar de ele tentar ser o menos ruidoso possível com aquelas pesadas botas de montanha. Conseguia sê-lo se verdadeiramente o quisesse, mas a vaidade impunha-lhe que ele fizesse anunciar a sua presença onde não pertencia. Mesmo que o fosse num registo mínimo.


Deteve-se, controlando a respiração. Tinha acabado de escalar um declive íngreme coberto por um tapete húmido de folhagem morta. Olhou para cima. Viu, no topo da elevação de terra, os troncos das árvores cobertos de musgo, fileiras cerradas como que a impedi-lo de avançar mais. Sorriu. Apreciava a forma subtil como a Natureza gostava de lhe barrar a entrada para os antros mais secretos, a alma dos sítios onde nenhum humano deveria atrever-se a pisar.


Só que ele não era um humano qualquer.


Escutou o restolhar e concentrou-se. Estava perto, muito perto. Colocou todos os sentidos em alerta, saboreando a descarga de adrenalina por ter conseguido terminar a perseguição naquele preciso ponto, quase a profanar o coração da floresta. O prémio estava para lá da fileira de árvores, escondido nas sombras verdes daquele santuário.


Retirou devagar a espingarda caçadeira que levava ao ombro, presa pelo cinto de couro. O gesto foi cuidadoso, mínimo, menos até que as suas passadas, mas o restolhar parou de repente. Um sinal de que farejara uma mudança. Ele parou, a arma suspensa, o cano voltado para baixo.


Uns segundos de pausa, o mundo parado como que para uma fotografia nessa pausa.


Ele não alterou a respiração contida, o domínio de cada músculo. Franziu ligeiramente os olhos, focando o que acontecia por detrás das árvores. Sem pestanejar, estreitando apenas o olhar azul-marinho, ao de leve.


A corça sacudiu a cabeça, afastando um inseto, mexendo graciosamente as patas dianteiras, cravando com suavidade os cascos no húmus. A galhada que lhe ornamentava a fronte identificava-o claramente como um macho. Jovem, altivo, sem dúvida um belo exemplar.


Ele assentou a coronha no ombro direito, a preparar o tiro.


O restolhar regressou, agora um som ampliado furando-lhe os tímpanos, como que a querer desconcentrá-lo. Ele sentiu a cara endurecer subitamente, a adrenalina misturada com o sangue a arder pelas veias.


O animal movia-se devagar para lá das árvores. Uma presa fácil.


Ele, sem que nada o fizesse prever, sorriu. A linha direita que a sua boca fechada formava encurvou ligeiramente para cima, mais do lado esquerdo do que do lado direito. Um sorriso torto, vaidoso, enquanto pensava, entre os meandros da sua concentração impecável, no belo prémio que iria ornamentar a sala-de-estar da sua cabana. A cabeça empalhada daquela corça macho.


O dedo indicador da mão direita curvava-se sobre o gatilho. Pressionava, empurrando-o. Um pouco mais de pressão e acontecia o disparo.


Mas e igualmente sem que nada o fizesse prever, a corça parou, voltando a cabeça na direção dele. E ele viu, claramente, entre os troncos musgosos das árvores, desde o santuário inacessível que era o coração da floresta, os olhos negros, redondos e brilhantes da corça a fixarem-se nos seus olhos.


O dedo indicador da mão direita aligeirou a pressão sobre o gatilho.


Não vacilou – ele nunca vacilava. Mas hesitou.


Talvez menos do que um par de segundos, mas o tempo distendeu-se como um tecido elástico a ser puxado por quatro pontas, a partir de uma bola, a converter-se numa manta infinita ao ser esticado. O par de segundos a ser eterno.


Ele e a corça macho, entreolhando-se. Sem fazer qualquer juízo. Só um olhar, uma cena imortalizada num quadro campestre. O caçador apontando a sua espingarda caçadeira à corça, o instante antes da captura e uma mão cheia de possibilidades: um tiro falhado, um tiro certeiro, a fuga do animal, sem qualquer tiro, a desistência do caçador.


Apenas uma escolha, contudo.


A corça saltou e escapuliu-se, enfiando-se pela floresta adentro num barulho de pânico, repisando arbustos e folhas secas que estalaram sinistramente. Fundiu-se nas sombras verdes e ele deixou de a ver.


Baixou a espingarda caçadeira. A linha da boca curvava-se para baixo, num trejeito de desagrado. O animal fugira, hipótese número três. O tempo voltou ao curso normal, escutou o pio agudo de um pássaro por cima da cabeça.


Não ficou aborrecido. Voltou a colocar a espingarda caçadeira ao ombro e decidiu-se a galgar o que restava do monte, cruzar a barreira de árvores, ousar penetrar no santuário. A rebeldia dessa decisão provocou-lhe outra descarga de adrenalina e conseguiu transformar a linha descaída da boca num outro sorriso.


Caminhava com segurança, quase com presunção, filtrando as sensações transmitidas pela floresta. Era uma das suas capacidades, o de reconhecer o ki das coisas vivas, a assinatura particular de cada aura e não lhe foi difícil encontrar o ki da corça. Fervia de excitação e de terror, fugindo esbaforida pela floresta afora. Ele estugou o passo, não queria perder o seu prémio.


Estava mais escuro e frio. As árvores pareciam vivas, que se fechavam tentando impedi-lo de avançar. Mas ele avançava, teimoso, provocador, entrando cada vez mais fundo no santuário, focando todos os sentidos no ki da corça.


O terreno amoleceu, os pés resvalaram. De repente, viu-se a escorregar por uma ladeira cheia de lama. Lançou o braço esquerdo para trás, fincando as unhas na terra para suster a queda. A espingarda caçadeira abriu um roço. Parou mais abaixo, entre arbustos altos. Olhou para cima e franziu a testa. Subitamente, tinha deixado de sentir o ki da corça. Como se tivesse… desaparecido. Correu para contornar a ladeira por onde tinha descido, pouco se importando com o ruído ensurdecedor que provocava. Um par de coelhos bravos saltou diante das suas passadas, ignorou-os. Procurava ganhar terreno ao animal que fora rápido a escapulir-se, tão rápido que escapara à sua perceção incomum.


- Masaka! – Exclamou irritado.


Depois deteve-se.


Respirou fundo, acalmando a irritação.


Vira algo.


O vulto destoava da paisagem, apesar de, num primeiro olhar casual, parecer fundir-se com o recanto da floresta onde se encontrava. Estava deitado de lado, de costas para ele, curvas marcadas. Uma cabeleira longa de uma cor a oscilar entre o dourado e o verde arranjava-se em tranças grossas, apertadas frouxamente. Vestia algo sedoso que se colava ao corpo também de uma cor indefinida que podia ser castanho, amarelo, azul ou também verde, da cor obscura dos cabelos. Tinha pernas esguias, brancas que terminavam em pés pequenos calçados com botas peludas.


Ele contornou-a, para lhe ver o rosto. Assentou um joelho na terra. Afastou uma trança mais fina, mas também tão mal apertada que havia madeixas espetadas por entre as argolas de cabelo. Era uma fêmea de uma criatura como ele nunca tinha visto e pensou imediatamente num espírito da floresta ou numa fada. A cara era oval, terminando num queixo pontiagudo. A boca era pequena e vermelha, o nariz fino como uma navalha, arrebitado na ponta. As pálpebras fechavam-se sobre os globos oculares com firmeza, mostrando a sua forma grande e amendoada, coroados por dois sobrolhos tão finos que dir-se-iam desenhados a lápis. As orelhas eram pequenas e pontiagudas, com duas argolas pequenas a atravessar os lóbulos. Estava adormecida, tentou ler-lhe o ki mas deparou-se com uma resistência. Forçou a leitura e quando o conseguiu, recuou, assombrado, retirando a mão de perto do rosto da criatura. Leu o ki da corça.


Estava no santuário da floresta, lembrou-se. Fora onde não devia ter ido.


Sacudiu os ombros, desdenhoso. Segurou na espingarda caçadeira. Talvez o metal frio da arma lhe devolvesse alguma sensação de superioridade naquele sítio estranho e escuro.


Reparou noutro detalhe. Afastou uma das tranças do pescoço da criatura e viu uma mancha vermelha. Sangue. A criatura, mesmo que fosse mágica, sangrava e estava ferida. Levantou-se, espreitou para o lado direito, descobriu um carreiro que era utilizado pelos caminhantes que gostavam de explorar aqueles trajetos que se embrenhavam nas montanhas. Se estava ali aquele carreiro significava que já não estava no santuário da floresta e que aquela criatura inanimada não era nenhuma criatura estranha. A frustração de ter falhado um tiro perfeito, há pouco, estava a confundi-lo.


Ajeitou o casacão, voltou-se para o carreiro. Olhou uma última vez para a criatura ferida. Não sentia nada. Era uma das suas qualidades, não sentir nada por ninguém – não considerava um defeito, julgava precisamente o contrário. Defeito seria ter sentimentos que acabariam por torná-lo mais fraco.


Sabia que, estando ali, próxima do carreiro, a criatura seria descoberta por alguém, mais cedo ou mais tarde. Não a abandonava a uma sorte incerta. Deixava-a entregue aos cuidados de quem pudesse realmente se importar. Ele não. Ele tinha uma corça para perseguir.


Indiferente, apanhou o carreiro, a tentar compreender por que razão deixara de sentir o ki da corça e como conseguira o animal fintá-lo de uma maneira tão habilidosa. Mas haveria de caçá-lo e haveria de conseguir disparar o tiro, desta vez sem hesitações e, portanto, sem falhas.

20 de Maio de 2018 às 11:47 0 Denunciar Insira 3
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