wahipogo Eduarda Victoria

Em um mundo onde heróis caíram e a vilania floresceu, Um observador sombrio se ergue, seu passado como cicatriz. Lembranças tortuosas de sonhos desfeitos, agora seu caminho, No ápice da crueldade, a redenção é sua jornada, enfim.


Microficções Fantasia urbana Todo o público.
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A queda dos heróis

O homem contorcendo-se em meio às correntes de aço e ferro rugia de ódio, seus olhos fuzilantes espelhavam a selvageria de um leão sedento de sangue, cruelmente acorrentado como um triste espetáculo de circo.

— Me solta!. Ele vociferava, a voz ecoando em desespero.

Do outro lado do vidro transparente, o outro homem observava imperturbável, sua indiferença refletindo a maldade insondável que habitava seu ser. "

— Desgraçado! Você não ganhará nada com isso!.

O grito desesperado do homem acorrentado caía em ouvidos surdos, e o observador cruel sabia que, de alguma forma, também compartilhava a culpa por aquele horrendo destino que se desenrolava diante de seus olhos. Ele, por sua vez, era o arquiteto desse destino encarcerado, um coautor na forja daquele homem terrível que agora o observava com olhos de indiferença.

A mente do observador mergulhou brevemente em lembranças sombrias, onde os passos tortuosos de sua própria jornada o assombravam. As sombras do passado o envolveram, revelando o que o havia transformado de um simples espectador da vilania em seu arquiteto silencioso.

Ele conseguia lembrar de algo, sua mãe lhe contara uma história...

— Anos atrás, um meteoro caiu na Terra, trazendo consigo poderes para as pessoas. Alguns desafortunados não conseguiram ter a sorte de ganhar poderes. Mas acredito que você, meu príncipe, terá essa sorte. Sussurrou sua mãe com carinho.

Seu coração se aqueceu ao ouvir a esperança que sua mãe tinha nele, a expectativa que depositava, um sonho que ela havia colocado sobre seus ombros.

— Quando eu terei poderes, mamãe?. Ele perguntou animado, ansioso, empolgado. Ela sorriu tranquilamente e respondeu:

— Ano que vem, meu querido. Você fará sete anos, é nessa idade que os heróis demonstram seus primeiros poderes. Ela afirmou, fazendo seus olhos brilharem com entusiasmo.

Mas o observador não permitiu que as memórias carinhosas de sua mãe o distraíssem. Com brutalidade, ele falou no microfone, dirigindo-se ao homem preso pelas correntes:

— Como é estar indefeso, Nick?

Nick, esse era o nome do homem preso pelas correntes, cerrou os dentes, seu rosto contorcendo-se em um emaranhado de emoções avassaladoras, consumido por uma raiva incontrolável.

Aos gritos, Nick disparou: — Você é um monstro!

O observador olhou para ele com um desprezo glacial e, sem demonstrar o menor traço de remorso, proferiu sua sentença: — Executem-no.

Abandonando o salão sem olhar para trás, o observador deixou para trás um Nick em desespero, cujos gritos ecoavam pelos corredores. Era difícil para Nick aceitar que o homem que um dia fora uma criança sonhadora, repleta de esperanças, tivesse se transformado em um alguém tão cruel.

O observador foi invadido por outra lembrança vívida, um tempo em que Nick era um ícone, o herói número um, amado e adorado por todos. Seu rosto aparecia nas telas da TV, participava de séries, filmes e comerciais. Enquanto assistia a esses momentos, o observador olhava para Nick com admiração.

Lembrando de sua infância, o observador murmurou: — Mamãe, meu sonho é ser como ele um dia!

Sua mãe riu carinhosamente: — Você um dia será querido.

Os olhos do garoto brilharam de esperança, enquanto sonhava em seguir os passos de seu ídolo e se tornar um herói poderoso.

Mas agora, na realidade sombria da prisão, o observador não permitiu que mais lembranças o distraíssem. Ele estava caminhando entre as celas, cercado por rostos desgastados pelo tempo e pela vida. Finalmente, ele se aproximou do microfone, pronto para falar, sabendo que suas palavras seriam ouvidas por todos na prisão.

— Vocês todos presentes aqui, um dia foram heróis, amados, adorados, e admirados por todos. Agora, olhem para vocês, presos e desvalorizados por um insignificante, SEM PODERES como eu! — Ele gargalhou de forma sádica e maligna, fazendo questão de destacar sua falta de poder de maneira cortante e desdenhosa.

Alguém, com lágrimas nos olhos, ousou questionar: — O que aconteceu com você? Você não era assim antes!

O observador redirecionou um olhar mortal para a pessoa e, com um grito impiedoso, vociferou: — E QUEM É VOCÊ PARA DIZER ISSO?

Virando-se abruptamente para encarar a garota que havia ousado confrontá-lo, ele se deparou com um vislumbre de outra lembrança dolorosa.

Em um flash de memória, o jovem observador entregou um buquê de flores a essa mesma garota. No entanto, ela gargalhou alto e cruelmente arremessou o buquê de flores de volta para ele, dizendo com palavras cortantes: — Você acha que vou ficar com um Zé ninguém sem poderes como você?

As lembranças continuaram a assombrá-lo, relembrando os anos de bullying desde a infância. Tentar se sentar com outras crianças resultava em isolamento, e, às vezes, em violência.

As crianças eram implacáveis, chegando ao ponto de bater nele, enquanto os professores fechavam os olhos para seu sofrimento. E aquele doloroso episódio quando as garotas jogaram seu caderno de anotações na água, onde ele registrava informações sobre Nick.

De volta ao presente, o observador riu de forma sádica e cruel, ecoando suas próprias cicatrizes emocionais enquanto proferia: — Você não é ninguém para dizer isso.

— Todos vocês, e principalmente você, garota, vão encontrar seu fim neste lugar, hoje. — Ele afirmou com uma determinação cruel que ecoou pelas paredes sombrias da prisão.

— Mas antes, há alguém que gostaria de rever. — Ele prosseguiu mais fundo na sombria prisão, adentrando uma cela solitária. Ali, encontrava-se sua mãe, presa.

— Querido! Você veio me salvar, não é? — Ela questionou nervosamente, ansiando por uma esperança que parecia escapar. No entanto, sua expressão se transformou em uma mistura de incredulidade e temor quando ele riu cruelmente.

— Você é apenas mais uma que terá seu fim agora, "mamãe".

As lembranças afloraram mais uma vez na mente do observador, e ele não pôde evitar reviver os horrores de sua infância. Sua mãe, ao descobrir que ele não possuía poderes, havia começado a abusar dele, infligindo-lhe espancamentos e forçando-o a ser um empregado doméstico não remunerado.

Quando ela engravidou novamente e a nova garotinha demonstrou seus poderes, a mãe o expulsou de casa, deixando-o para trás como um fardo descartável. Ele retornou ao presente ao ouvir o choro desesperado de sua mãe, clamando por sua vida.

— "Mamãe", não se preocupe com a sua filhinha, eu não farei nenhum mal a ela. Executem todos nesta prisão.

Com sua voz gélida, ele ordenou que seus subordinados seguissem suas instruções e, em seguida, dirigiu-se à câmara inicial, onde o painel de vidro guardava Nick, prestes a enfrentar seu destino cruel. O observador soltou um suspiro profundo. Por mais que todos aqueles que ele mais odiava estivessem ali, aquela malignidade que o dominava o fazia sentir-se cada vez mais vazio.

E a última lembrança se materializou na mente do observador. Marcado por inúmeras agressões sofridas devido ao bullying, um dia ele avistou Nick passeando na rua. Correu até ele, com os olhos brilhando de empolgação:

— Me dá um autógrafo, Nick!

O homem riu e respondeu: — Claro que sim, rapaz. E qual é o seu nome? — Nick pegou uma caneta de seu bolso e, sorrindo, anotou o nome do garoto sonhador, acrescentando "Nick" logo abaixo.

— Eu quero ser como você, Nick! — O jovem observador, então conhecido como Zack, afirmou com esperanças e sonhos.

Nick sorriu amplamente e encorajadoramente: — Você pode ser o que quiser, garoto. E qual é o seu poder, Zack?

Zack, envergonhado, confessou: — Eu não tenho poder algum.

O sorriso de Nick desapareceu rapidamente, substituído por uma dura realidade:

— Você, um herói? Sem poderes? Você está brincando, certo? No máximo, você poderia ser um policial mediano que às vezes ajuda heróis mais qualificados e capacitados. Garoto, preste atenção e desista.

Com essas palavras cruéis e devastadoras, Nick partiu, deixando Zack para trás sem qualquer vestígio de esperança. Sentado na calçada, Zack começou a chorar em um estado de completa desolação.

Agora, no presente, todos os heróis haviam sido erradicados sob a ordem de Zack. Ele se sentia vazio, mas tinha a determinação de nunca mais permitir que alguém o menosprezasse de novo.

4 de Novembro de 2023 às 17:14 0 Denunciar Insira Seguir história
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Eduarda Victoria Olá, eu sou Eduarda, prefiro que me chamem por Wahipogo que é o apelido criado por mim, tenho 16 anos, e amo contar histórias

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