Weasley. Seguir história

tia-kuro-neko ❤ Tia Kuro Neko ❤

Sim, Malfoy era carente, precisava de alguém que pudesse o tomar nos braços e mostrar que o mundo não era preto e branco, que ele poderia se liberar das amarras que o prendiam, podia ser o garoto quente que habitava aquele olhar. Ver as diferentes nuances das cores que enfeitavam o mundo, uma paleta diversa onde vermelho e branco poderiam se misturar e formar novos tons.


Fanfiction Livros Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Weasley.

Olá pessoas, Kuro Neko aqui,


Bem vindos ao meu mundo de loucura onde o Malfoy pode amar e ser amado pelo Rony, é... Essa é a sequencia de "Malfoy" e pode ser lida separadamente apesar de ser melhor aproveitada após a leitura da primeira historia.

Não está tão profunda e detalhada quanto a primeira, mas é...é isso.

Fanfic criada com inspiração no desafio CrackShipp. Não julguem minha loucura.

Enjoy.

(Não se esqueçam dos comentários <3)

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I Know.


I know from the look in your eyes

I know from the words that you use like a shield

I know from your lies

I know from your guilty


Rony observou os olhos azuis se desviarem tão rápidos quanto possível, quase não pode capturar aquela chama vívida que a cada dia buscava com mais desespero. Se dissesse, em voz alta, que encontrava calor nos olhos de um Malfoy, seria com certeza enviado para a ala hospitalar. Mas ele sabia, e talvez apenas ele soubesse, o quanto aquelas pequenas safiras poderiam ser quentes. Sentiu os olhos de Hermione sobre si e se ajeitou na cadeira com certo incômodo.


-Não deixa ele atingir você Ron. - A amiga lhe ofereceu um sorriso tranquilizador e, sem saber o quanto estava enganada, segurou sua mão tentando lhe dar conforto.


Dizer que Draco o atingia era eufemismo, o garoto o atravessava com cada olhar furtivo como, se com cada um, arrancasse um pedaço de sua carne. Sentia-se nu, de peito aberto e completamente a mercê daqueles olhos.


Notando seu silêncio fixou os olhos castanhos nos dele, o questionamento estava explícito no olhar e, para evitar a bateria de perguntas que viria a seguir o ruivo se viu obrigado a forçar um sorriso.


-Eu vou caminhar um pouco, respirar...sabe? - Disse ao se levantar um tanto relutante.


Era fácil culpar as ofensas de Malfoy, dizer que se sentia humilhado e que gostaria de um tempo sozinho. Mas as palavras, as duras palavras, tinham o mesmo efeito que um “bom dia” murmurado por um transeunte desconhecido, Rony esquecia um segundo depois que haviam sido ditas. Não, as palavras não incomodavam.


Malfoy contava tantas mentiras, inventava tantas histórias e, acreditando que as palavras poderiam ser usadas como armas, dispunha de um vocabulário rico em ofensas. E ninguém podia enxergar o que Weasley enxergava, talvez ninguém se importasse o bastante, mas ele via a culpa. Ele via como cada sílaba que escapava pelos lábios pálidos arrancava um pouco mais do brilho daquele olhar, ele sentia a vida se esvaindo de Draco.


I know that it hurts

And is hard to breathe

I know from your sadness

That just mine can read


Não soube ao certo como havia chegado no corujal, mas estava ali. Os pássaros faziam suas idas e vindas, agitados com a rotina que os mantinham ocupados. Quantas vezes Rony não havia pensado na possibilidade de escrever uma carta para o outro? De dizer que tudo ia ficar bem, que ele estava ali e entendia o quão confusa a vida podia ser.


Mas eu nunca o fez. Nunca faria.


Sentiu sua respiração falhar quando um soluço escapou por seus lábios trêmulos, não tentou conter o choro, sabia bem que mesmo tentando a tarde toda ele não poderia. O ar frio invadia seus pulmões à medida que a respiração ficava cada vez mais irregular.


Quantas vezes ele havia sido tachado como lerdo? Desatento, até mesmo burro. Era sempre o palhaço do grupo, o amigo leal que de um modo ou de outro faria com que todos sorrissem. Como ninguém além dele podia ver o quão perdido o garoto estava? Se ele era assim tão burro, como ele podia ver as intenções por trás de cada palavra? As entrelinhas de Malfoy, os pedidos de socorro a cada riso debochado.


Talvez fosse a tristeza que carregava consigo que o permitia ver o que o outro não desejava mostrar. Ele não sabia bem quando havia sido a primeira vez que viu aquela pequena chama, tão frágil, tão discreta que ele temia respirar mais profundamente e apagá-la.


Aquela chama, aquela pequena chama fez com que Rony ardesse em fogo. Estava acostumado com os olhos frios, com o ódio infundado, a rivalidade nata. Não com a carência.


Sim, Malfoy era carente, precisava de alguém que pudesse o tomar nos braços e mostrar que o mundo não era preto e branco, que ele poderia se liberar das amarras que o prendiam, podia ser o garoto quente que habitava aquele olhar. Ver as diferentes nuances das cores que enfeitavam o mundo, uma paleta diversa onde vermelho e branco poderiam se misturar e formar novos tons.


I heard the words you didn't say

I saw the smiles that come and fade

I felt the warmth your hugs provide

I found the love you tried to hide


Com o tempo Weasley aprendeu a distinguir cada olhar de Draco Malfoy, aprendeu também que eles surgiam apenas em sua presença.


Os olhares de ciúmes eram, de certa forma, divertidos. Os olhares de raiva lhe deixavam com um gosto amargo na boca. Os de angústia, os de medo, os pedidos silenciosos de socorro, esses o deixam como ele estava no momento.


Uma pilha de emoções, sozinho, sentado em um corujal sujo e chorando desesperadamente, o corpo tremendo pelo frio e pela impotência que o paralisava.


Queria poder dizer o quanto ele o entendia, o quanto aqueles sentimentos faziam sentido para ele, mas ele não podia. Era uma sensação estranha, como um doce que ao mesmo tempo acariciava seus lábios com o açúcar e agredia sua língua com um sabor azedo e intenso. Sabia que era correspondido, e isso era ao mesmo tempo a melhor e a pior sensação do mundo.


Podiam chamá-lo de tolo se quisessem, ele não se importava. Onde todos viam um garoto riquinho, protegido, arrogante e inclinado para as artes das trevas, Rony via Draco.


Apenas Draco.


Draco, o garoto que precisava de ajuda, de proteção. O garoto que buscava por amor de forma tão desesperada que encontrou tal sentimento em seu inimigo. O menino que era empurrado para um abismo e que, definitivamente, tinha medo da queda.


E ele queria tomar Draco em seus braços, queria tirá-lo do escuro e dar a ele todo o amor que fosse capaz de dar.


As lágrimas em seu rosto quase o feriam ao formar uma camada fina de gelo em sua pele , a neve cobria suas sobrancelhas e sua boca começava a ficar um pouco pálida. Talvez Rony estivesse ficando louco, mas ele sorriu.


Uma lembrança se sobressaindo aos pensamentos atormentados, uma pequena memória lutando contra o turbilhão de emoções que o levaram a procurar a solidão. Um sorriso, um pequeno sorriso que Draco, em um momento de distração, permitiu que curvasse os lábios finos.


Foi rápido, sutil e escondido imediatamente. Mas Rony viu, decorou os detalhes do gesto tão espontâneo, como jamais decorou nada em sua vida. A forma como pequenas covinhas se formavam nas bochechas, o modo como os olhos azuis ficavam pequenos e os cílios brancos pareciam maiores sob a luz do momento.


It's hard, i know

I feel it to

Killing your soul

Destroying you


Se Weasley pudesse, daria o primeiro passo. Daria o primeiro e mais alguns. Mas como explicar a Harry? Como justificar para os pais? E como Draco reagiria?


Por isso permanecia parado, no mesmo exato lugar, observando os olhares furtivos, a chama que ao mesmo tempo parecia mais forte e mais fraca.


Rony sabia de todas as pressões colocadas sobre Draco. As vontades e a carreira de seu pai, a imposição de um único caminho possível, as cordas que o arrastavam para longe.


E de que servia aquele amor? Apenas os torturava, feria. Como lâminas invisíveis, esse sentimento perfurava seu peito e, ele sabia bem, feria Draco da mesma forma. Estavam ambos a caminho da destruição pois, um dia, seriam ainda mais distanciados.


Não seriam apenas brigas fúteis, não seriam apenas ofensas vazias. Um dia uma verdadeira barreira se colocaria entre eles. Destruindo pouco a pouco as chamas que apenas eles conheciam.


Se entregar, assumir, dizer em voz alta o que sua mente gritava desesperadamente. Eram ações que apenas lhes traria mais dor.


I see your hands, reaching for me

I see my own, following the lead

My body craves your love and touch

And this love that make us choke


Os passos que o tiraram de seu estupor foram tão discretos que quase não teve tempo de se recompor, se levantou tão rápido que a neve acumulada sobre si caiu de uma vez, formando um montinho aos seus pés. Estava frio, céus como estava frio. Tentou, de alguma forma, tirar as manchas de lágrimas em seu rosto, os olhos vermelhos poderiam ser facilmente justificados.


E ele riu da própria sorte.


Malfoy o encarou um tanto quanto aturdido. Por um breve momento o ruivo viu o calor naqueles olhos, o bastante para se sentir aquecido a ponto de não se incomodar quando os mesmos olhos azuis assumiram a frieza costumeira. Ele realmente acreditava que estava enlouquecendo já que mesmo a forma arrogante com a qual Draco erguia o nariz e o olhava de cima, lhe parecia adorável.


-Chorando Weasley?


-Sim.


Ele quase riu diante do choque nas pequenas safiras, ah sim, Draco não esperava por tanta honestidade. No entanto, a vontade de rir passou no momento em que viu dor naqueles olhos, viu culpa, preocupação.


Os lábios finos se apertaram um contra o outro e o albino estalou a língua no céu da boca enquanto pensava no que dizer, na próxima forma de machucar para afastá-lo.


-Por que não vai procurar consolo com a sua namorada?


Weasley suspirou, hà muito tempo queria esclarecer os rumores, deixar bem claro que ele e Hermione eram apenas amigos. Era uma necessidade quase irracional de mostrar para Draco de que Mione não era a pessoa que ele amava.


Quando procurou pelo olhar acusador e notou a forma como o outro olhava para o chão ele se permitiu um sorriso, um bem pequeno, pois havia notado que aquela pergunta não era uma provocação. Não, Draco estava preocupado e queria vê-lo bem, queria que procurasse ajuda. E o “namorada” foi o que o entregou, se quisesse apenas feri-lo ele com certeza teria usado o termo “sangue ruim”.


-Eu não tenho uma namorada. - Olhos confusos se voltaram para ele e antes que o outro pudesse questioná-lo, ele continuou. - Eu nunca tive uma namorada.


Malfoy novamente olhou para o chão, um leve tom de vermelho tingiu suas bochechas e como se desperto por uma voz em sua cabeça ele retomou a postura arrogante. - Nem mesmo “ela” te quis… Bem que eu não acreditei quando me disseram. Quem iria querer alguém como você não é?


-Você?


Olhos azuis se arregalaram, os lábios finos se separaram em um pequeno ó e, como se a distância fosse a única coisa que pudesse salvá-lo, Draco deu um passo para trás.


Mas Rony não suportava mais essa distância, essa maldita distância que o impedia de cuidar do outro, de alimentar o fogo que via em seu olhar, que não lhe permitia conhecer o verdadeiro Malfoy, o menino assustado que se escondia sob tantas camadas e que só se permitia ser visto por ele, em momentos breves e insuficientes.


-Eu sei Draco.


-Você não sabe nada. Você não tem que saber nada. - A voz normalmente arrogante desceu alguns timbres, os olhos se encheram de pânico. - Você é só um...um…


E ele caiu no chão, os joelhos cederam a uma pressão que não era física. Apesar de ter um nó se formando em sua própria garganta, apesar de querer acompanhar Draco naquele choro mudo que descarregava a frustração acumulada durante anos, Rony se sentia aliviado.


Se abaixou devagar, ajoelhando-se em frente ao garoto. Ele estava tão frágil, exposto. E, pela primeira vez, Weasley poderia conhecer o verdadeiro Draco, o garoto delicado e carente por quem havia se apaixonado, de quem deveria cuidar.


-Está tudo bem Draco, eu sei. - E sua voz falhou. - Eu sei. - E as lagrimas cairam.


Era surreal, estavam ali, chorando juntos. Desesperados por um sentimento que já não podia ser negado, eles tentaram, por muito tempo tentaram. Mas uma hora, uma hora tudo iria vir a tona, explodindo com a energia suprimida de um desejo incoerente.


As mãos pálidas e trêmulas se levantaram, Rony pode finalmente sentiu o toque, a pele fria tocando a sua, acariciando seu rosto como se para ter certeza que ele estava ali, não era uma ilusão. Não foi uma surpresa para o ruivo quando as próprias mãos imitaram o gesto.


Ele precisava senti-lo.


Eles soluçavam e os soluços se confundiam, os olhos se encontraram e havia chama. Rony viu fogo, um que não se apagou, não se escondeu.


Precisava prova-lo.


Foi rápido, foi natural. Os lábios fartos capturaram os finos, as línguas se experimentaram com uma carícia suave. A saliva misturada os inebriava, duas substâncias unidas homogeneamente e causando uma reação explosiva.


Malfoy ofêgou, Weasley segui. Os fôlegos se cruzaram como uma continuação do toque, do beijo.


O gosto salgado e amargo das lágrimas geladas se misturava a essência do ósculo, e eles choraram. Draco chorou nos braços de Rony, envolvido em um abraço necessário, esperado. Um abraço que pertencia apenas a ele. Pois o ruivo entendia. Sabia.


And it's funny to say

I knew from the start

And i’ll, if i may

take, and keep your heart


Rony não sabia exatamente a quanto tempo eles estavam ali, calados. Compartilhando o calor do corpo alheio no silêncio confortável de duas pessoas que se compreendiam, palavras não precisavam ser ditas.


Mas o ruivo sabia que em algum momento o encanto se quebraria. E se quebrou.


Não ofereceu resistência quando Draco o empurrou, não fugiu dos olhos perdidos e cheios de raiva. Ah, ele sabia muito bem que aquela raiva não se dirigia a ele, mas a tudo que os distanciava. Ainda era surreal para ele que aquele contato houvesse acontecido, ainda podia sentir a pressão em seus labios , o gosto em sua boca.


Sorriu. Sorriu pois estava cansado de chorar.


-Eu sempre soube, desde a primeira vez que você me olhou de um jeito diferente eu...eu soube.

-Calado. - A voz de Draco estava um pouco mais oscilante do que o garoto gostaria de transparecer.


-Eu sei que é difícil, e...e você tem muita coisa pra pensar agora. Malfoy, olhe pra mim.


Mas ele não olhou, e Rony se sentiu um tolo. Por um momento havia se esquecido de tudo que os separada, da barreira invisível que os mantinha sempre a um toque de distância.


Ainda assim, alguma coisa havia mudado.


-Se...se você disser uma palavra sobre isso Weasley eu. - Os olhos azuis procuraram pelos seus, assustados, angustiados.


-Não vou.


O silêncio os envolveu novamente, não queriam realmente sair dali, no instante em que dessem o primeiro passo para a normalidade aquele momento, aquele pequeno momento em que puderam assumir seus sentimentos, quebrar suas barreiras, tudo seria deixado para trás. 

A culpa voltaria, o medo voltaria, as ofensas vazias, os olhares onde pouco daquela chama se faria visível.


Chama que, agora, Rony via tão vivida.


Ele podia entender a confusão na mente de Draco, a sua própria estava uma bagunça. Cada célula em seu corpo pedia para que ele tocasse o outro novamente e, ainda assim, se manteve distante.


I will cherish

watch it grow

I'll hold it

Cause i know.


O primeiro passo foi dado, a barreira se levantou levemente enquanto Malfoy tomava distância, Rony soluçou. Ele não conseguiu se conter.


-Weasley?


O ruivo levantou os olhos e encontrou apenas as costas de Draco, o garoto estava parado, pronto para descer as escadas. O chamado foi delicado, um consolo por si só, Rony entendeu, sempre entendia.


Só quando ele se acalmou, só quando as lágrimas se tornaram esparsas e silenciosas foi que Draco voltou a descer.


-Eu sei. - Ele sussurrou fazendo com que o outro parasse novamente, alguns degraus os separava. Degraus que simbolizavam muito mais.


-É, eu sei. - Malfoy respondeu o olhando uma última vez, o fogo ainda em seus olhos.


Eles sabiam, sabiam que algo havia mudado.

24 de Abril de 2018 às 17:48 0 Denunciar Insira 1
Fim

Conheça o autor

❤ Tia Kuro Neko ❤ Oi, eu sou uma moça menina, senhora ou senhorita, chame como preferir. Escrevo quando sentimentos transbordam do meu peito, quando as palavras me escapam por entre o respirar suave, inspirar e expirar. Sim, escrevo apenas fanfics no momento e sim, são fanfics repletas de "putaria e viadagem", mas olhe por entre as linhas, encontre meus segredos, desvende minha historias, leia os meu desejos.

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