davi_a_nascimento Davi Androne

Aric tinha o sonho de mudar de vida e deixou sua pequena vila em busca disso, mas durante sua partida uma grande armação mudou para sempre sua vida


Ação Todo o público.

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Caminho sem volta

Esta história não se trata apenas de uma mera narrativa de heroísmo, nem de um simples relato de uma jornada épica.

Em vez disso, tem como objetivo mostrar cada passo que me moldou, cada escolha que me fez seguir o caminho que hoje insisto em trilhar.

Nasci em um lugar esquecido pelos deuses, na pequena aldeia de Zenith, aninhada entre as montanhas vestidas de branco.

Naquele dia, a aurora gélida penetrava até os ossos, envolvendo nossa modesta vila em um véu de neblina, como se guardasse segredos nas profundezas de suas montanhas. Lembro-me disso como se fosse ontem.

Cada passo que eu dava era impregnado de aflição e medo, sentimentos que eu raramente experimentava.

Olhei para trás e vi minha mãe, de olhos lacrimejantes, desejando-me sorte com um brilho de orgulho e apreensão. Assim como ela, eu não desejava partir daquela vila, mas a situação nos forçava a buscar o Norte em busca de salvação.

A imagem da despedida permaneceria cravada em minha memória, servindo como combustível para minha busca incessante por riqueza, uma promessa que fiz a minha mãe.

Enquanto percorria as ruas de paralelepípedos de nossa vila, observei os aldeões emergindo de suas casas, carregando ferramentas a caminho das minas de carvão. Como de costume, alguns lançavam olhares julgadores, tão gelados quanto a manhã de inverno.

Segui pela trilha de Damaraah, rumo ao rio de Terebas, a alguns quilômetros de distância. Um silêncio angustiante se instalou, e meus passos apressados eram a única trilha sonora.

Estranhamente, nenhum pássaro cantava, nenhum inseto zumbia, nem mesmo as árvores sussurravam ao vento; tudo estava imerso em um silêncio perturbador, como se o tempo tivesse congelado.

Aquele cenário, quebrando a harmonia natural da floresta de Damaraah, mexia com minha mente: "O que poderia ter acontecido aqui?", ponderava. Nem minha audição aguçada, captava qualquer som, nem mesmo uma respiração.

A cada passo mais fundo na floresta, a opressão no ar tornava-se insuportável, como se eu estivesse sendo observado por algo maligno e sádico. Uma sensação arrepiante se alastrava por minha pele.

Repentinamente, ouvi passos apressados à minha frente. Concentrei-me na direção do som e avistei a silhueta de uma garotinha correndo desesperadamente. Sem hesitação, apressei o passo para socorrê-la.

À medida que me aproximava, a sensação de alguma coisa maligna intensificava-se, como se algo se aproximasse. Para prevenir problemas, desembainhei minha velha espada, uma relíquia de meu pai, e mantive-me alerta. Cautelosamente, me aproximei da curva da trilha.

O que testemunhei à frente foi uma visão desconcertante: a garotinha jazia no chão, chorando com um som estranho, quase bestial, enquanto pedia ajuda. Minha mão estendida tocou seu ombro, mas ela desvaneceu como fumaça.

Um arrepio sinistro percorreu minha espinha, e gargalhadas demoníacas ecoaram à minha volta. Minha atenção aguçou-se, e meu instinto de Lufos despertou, sentindo meu sangue ferver e meus sentidos aguçarem.

As risadas sinistras cresciam quando finalmente vi a figura maligna por trás de uma árvore: Draco Onfor, o vampiro que há séculos assolava nossa vila, ceifando vidas.

O desgraçado aparecia esporadicamente, sempre deixando morte em seu rastro. O que ele não sabia era que eu, como um Lufos, era seu predador natural.

Ele se transformou em uma nuvem negra e materializou-se diante de mim, com desprezo evidente. "Ah, temos um Lufos aqui", provocou. "Ou melhor, meio Lufos, sangue impuro."

Seus olhos eram sombrios, cintilando com perversidade. Sabia que agora eu teria que lutar por minha vida.

Embora os Lufos fossem predadores naturais dos vampiros, em sua forma transformada, como a minha, não tínhamos tanta vantagem em um confronto direto. E Draco estava ciente disso.

Assumi uma postura defensiva, ciente de que a batalha estava prestes a começar.

A troca de olhares entre Draco e eu era um prelúdio para o conflito iminente. Seus lábios curvaram-se em um sorriso sádico enquanto ele retirava um objeto de um saco que trazia consigo.

Um arrepio cortante percorreu minha espinha quando reconheci o que estava prestes a acontecer.

Com um gesto rápido, ele arremessou o saco na minha direção, e meu coração afundou quando a cabeça da minha mãe saiu da escuridão e caiu ao meu lado.

Um grito de dor e fúria explodiu de meus lábios, rasgando o silêncio da floresta. Minha visão se tornou vermelha de ira, e meus sentidos se afiaram ainda mais.

Sem pensar, avancei ferozmente contra Draco. Minha espada cortou o ar, traçando um arco letal em sua direção. Ele se esquivou com agilidade sobrenatural, mas eu não desisti. Investi novamente, golpe após golpe, com a determinação de vingar minha mãe.

Draco retaliou, mostrando sua destreza vampírica e sua sede de sangue. Nossos movimentos eram rápidos como relâmpagos, e o confronto era um turbilhão de lâminas e presas. Cada golpe era uma dança mortal entre a vida e a morte.

Finalmente, em um momento de fraqueza momentânea, consegui atingi-lo. Minha espada penetrou profundamente em seu peito, e um rugido de dor escapou de seus lábios pálidos. Ele desabou, fumaça negra se desprendendo de seu corpo em dissolução. Eu tinha vencido.

No entanto, minha vitória foi interrompida pela chegada súbita dos líderes da aldeia, homens que eu acreditava serem guardiões da nossa comunidade.

Eles desceram sobre mim com expressões de surpresa e preocupação, mas antes que eu pudesse explicar o que havia acontecido, eles revelaram sua traição.

Com uma calma cruel, um dos líderes declarou: "Você era um estorvo, Ragna, assim como sua mãe. Contratamos Draco para se livrar de vocês." A traição me atingiu como uma lâmina afiada.

Em um acesso de fúria e desespero, lutei contra esses homens que uma vez chamara de líderes.

Minha espada era uma extensão de minha ira, e um a um eles caíram, vítimas da minha sede de vingança. O sangue deles se misturou com o da minha mãe, e eu me tornei um assassino naquele dia.

Quando a poeira assentou e o conflito chegou ao fim, percebi que não tinha escolha senão fugir. Tornara-me um pária, um fugitivo da minha própria vila.

A promessa que fizera a minha mãe de buscar riqueza para nós agora estava manchada pela tragédia. Assim, com minha espada suja de sangue e meu coração pesado de dor, iniciei minha jornada como um renegado, determinado a nunca mais retornar aquele lugar.

A vida que eu conhecera tinha desaparecido naquele dia sombrio na floresta de Damaraah.

18 de Setembro de 2023 às 16:54 0 Denunciar Insira Seguir história
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