juniosalles Junio Salles

Um grupo de desesperados navegantes à deriva no vasto oceano avista uma ilha enigmática, iluminada apenas por um farol macabro. Em busca de abrigo e esperança, eles se aventuram em terra, apenas para descobrir que a escuridão esconde segredos perturbadores. Quando uma figura misteriosa emerge das sombras, eles se veem presos em um jogo de sobrenatural e terror, enfrentando escolhas impossíveis. Em meio a essa atmosfera sombria, o conto mergulha na luta deles pela sobrevivência, enquanto tentam decifrar o que é real e o que é ilusão, levando-os a um desfecho inquietante e surpreendente.


#12 em Paranormal Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#piratas #aventura #ilha #navios #ofarol
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Chama na Escuridão

Havia se passado mais de um mês desde que o grupo de viajantes se encontrava à deriva no vasto oceano, sem avistar uma porção de terra sequer. Arvid, um dos tripulantes, estava exausto de limpar o convés do navio e sentia suas costas queimarem de dor. Enquanto os demais comemoravam no porão repleto de ouro de saques anteriores, o capitão Bartolomeu parecia otimista, esperando encontrar terras para pilhar em breve. Contudo, Arvid não compartilhava da mesma esperança, sentindo que estava preso em uma jornada sem fim, condenado a morrer a bordo daquele navio.

Uma noite, enquanto Arvid fazia a limpeza na proa, avistou uma luz vermelha no horizonte. Apesar da exaustão, seus olhos se fixaram naquela visão, e ele esfregou os olhos para ter certeza de que não estava imaginando. Era um farol ou talvez uma vila próxima à costa. Um misto de esperança e excitação encheu o ar enquanto Arvid gritava para a tripulação:

– Terra à vista!

O capitão Bartolomeu emergiu no convés, sua perna atrofiada arrastando pelo chão enquanto sorria com um sorriso desdentado.

– O faxineiro tem razão, é terra à vista – confirmou o capitão, verificando a visão com sua luneta. Um rugido de celebração ecoou entre os piratas, e até Arvid foi autorizado a se juntar às festividades, tamanha era a alegria.

O navio foi ancorado na pequena ilha que parecia desolada e quase abandonada. Uma torre com uma luz vermelha no topo, indicando um farol, se destacava no cenário. O capitão Bartolomeu, apesar da aparência da ilha, alertou seus homens sobre possíveis ameaças, ordenando uma exploração da área. Enquanto alguns foram vasculhar a praia, Arvid, junto com o capitão e mais dois, foi surpreendentemente escolhido para investigar o farol, um convite que o pegou desprevenido.

A pequena equipe navegou pela floresta por meia hora até alcançar o farol, uma construção antiga parcialmente em ruínas. O capitão Bartolomeu, liderando o grupo, foi o primeiro a subir a escada de madeira, mas um dos degraus cedeu sob seu peso. Enquanto Arvid especulava se a madeira estava podre ou se Bartolomeu era excessivamente pesado, um arrepio percorreu sua espinha, como se uma respiração gélida passasse por ele.

Ele virou e viu um vulto entre as árvores, um vislumbre fugaz de uma figura feminina envolta em um manto branco quase transparente. Arvid apontou o lampião na direção, mas os outros piratas não viram nada, ocupados em libertar Bartolomeu do degrau quebrado. Enquanto eles debochavam da situação, Arvid continuou observando, e a figura parecia permanecer entre as árvores, desaparecendo logo em seguida, como uma sombra.

– Pessoal, eu vi algo ali – disse Arvid, mas foi ignorado pelos demais, que ainda puxavam a perna do Capitão, presa no buraco do degrau quebrado.

– Seus idiotas, finalmente conseguiram me tirar desse maldito buraco – praguejou Bartolomeu quando finalmente foi solto. – O que está resmungando aí, faxineiro? – indagou o capitão.

– Vi algo ali, entre as árvores – apontou Arvid, e os demais tripulantes voltaram sua atenção para a direção que ele indicava.

– Não há nada ali, faxineiro – comentou Erasto, um dos seus companheiros. Drake, outro dos tripulantes, caminhou mais para dentro da floresta com seu lampião nas mãos e voltou balançando a cabeça negativamente.

– Lembrem-me de não deixar o faxineiro tocar no meu rum novamente – debochou Bartolomeu, gargalhando de maneira caricata. Erasto e Drake também caçoaram dele antes de voltarem ao farol, saltando dessa vez o degrau quebrado.

Até mesmo Arvid começou a acreditar que talvez tivesse confundido o que havia visto, talvez fosse apenas uma sombra. Ele seguiu o restante do grupo na exploração do farol. O interior exalava um cheiro úmido, fazendo o nariz de Arvid coçar. Eles subiram pelas escadas internas, que rangiam a cada passo que o capitão dava.

Ao chegarem no topo, depararam-se com uma chama ardente no alto da torre. Era como uma fogueira, mas em proporções bem maiores. O local estava quente e, de alguma forma, a chama parecia possuir vida própria. Enquanto Arvid observava o fogo quase hipnotizado, ele teve a sensação de ver novamente a mesma mulher, desta vez dentro das chamas.

– É apenas um maldito farol, não há nada de útil aqui. Vamos voltar – resmungou o capitão, retornando para descer as escadas que haviam subido.

Arvid sabia que deveria fazer o mesmo, mas algo o retinha ali. Ele não conseguia desviar o olhar da fogueira, e quanto mais olhava, mais a imagem da mulher parecia real.

– Vai vir ou não, faxineiro? – gritou Erasto quando já estavam do lado de fora do farol.

– Vão indo na frente, eu os alcanço depois – respondeu Arvid, colocando o lampião no chão e se aproximando mais do fogo. Sentia um ardor em sua pele.

– Deixem esse inútil para trás. Vamos voltar para a praia e abrir outro barril de rum – argumentou o capitão.

– Que bom que finalmente estamos sozinhos – disse uma voz feminina atrás de Arvid. O faxineiro se assustou e caiu sentado junto às chamas do farol. Ao se virar, viu a mulher de manto branco. Agora, a vendo de perto, percebeu que ela não se assemelhava a uma mulher comum. Sua pele era excessivamente branca, mais do que a de uma duquesa. Seus olhos eram completamente negros e ocupavam quase todo o seu rosto. Ela não possuía nariz, e seus lábios tinham o mesmo tom negro dos olhos. Os dedos de suas mãos e pés eram interligados por uma membrana quase transparente.

– Quem é você? – indagou Arvid.

– Urd – respondeu ela. Arvid tremia de medo, se afastando da mulher em direção ao fogo. Um ardor começou a percorrer sua pele.

– O que quer de mim?

Urd sorriu e se abaixou. A luz do fogo refletida em sua veste branca a tornava completamente transparente. Ela tocou o braço de Arvid, que gritou desesperado ao sentir um toque gelado e pegajoso em sua pele.


Arvid acordou na manhã seguinte na praia, nu e com a cabeça latejando. Olhou ao redor e imaginou que tudo não passava de um pesadelo. Provavelmente tinha exagerado no rum. Ele vagou pela praia em busca de suas roupas ou de seus companheiros. Será que eles o haviam abandonado?

Ao chegar ao outro lado da praia, viu o navio e se acalmou. Pelo menos não estava sozinho. Apressou o passo em direção ao navio, mas ao chegar lá, seu coração disparou. Todos os tripulantes estavam espalhados pela praia, dilacerados. Sangue e pedaços de carne estavam por toda parte. Até mesmo o capitão Bartolomeu estava desmembrado, com sua cabeça já sendo devorada por um caranguejo.

Arvid correu em direção ao navio, determinado a zarpar o mais rápido possível. Ele começou a puxar a âncora pela manivela e desatou os nós das velas, trabalhando rapidamente e ainda nu. Sentiu mais uma vez o calafrio em seu pescoço e se virou, assustado. Lá estava Urd novamente, à luz do dia, confirmando o que ele tinha avistado na noite anterior. Ao notar sua pele não-humana e as membranas entre os dedos. No entanto, algo novo chamou sua atenção: Urd parecia estar grávida, com uma barriga enorme.

– O que você quer de mim? – perguntou Arvid, tomado pelo medo.

– Família – respondeu Urd, com um sorriso assustador.

14 de Agosto de 2023 às 19:24 16 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Junio Salles Nascido em Belo Horizonte, desde pequeno vivia em mundos de fantasia criados por mim mesmo em minha cabeça. Sempre preferi ficar sozinho imaginando e criando histórias baseadas no que lia nos livros ou assistia na TV. A maioria das histórias que criei não escrevi, mas agora de um tempo pra cá tenho passado pro papel esses roteiros que estão na minha cabeça. Espero que gostem

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SERGIO BACKUP SERGIO BACKUP
MUITO BOM
April 06, 2024, 19:17

  • Junio Salles Junio Salles
    Fico feliz que tenha gostado. Obrigado por comentar April 06, 2024, 19:23
Douglas Cavalcante Da Silva Douglas Cavalcante Da Silva
Eu achei a sua história muito boa.
January 28, 2024, 02:04

  • Junio Salles Junio Salles
    Que bom que gostou. Obrigado pelo comentário January 28, 2024, 02:06
Wesley Deniel Wesley Deniel
Muito interessante, amigo ! Seria Urd uma das crias do Povo do Mar, a prole de Dagon ? Fico imaginando se andaram se espalhando desde Innsmouth. 🤔 Parabéns por sua história ! Abraço ! 🙂
January 27, 2024, 03:33

  • Junio Salles Junio Salles
    Obrigado pelo comentário. Que bom que gostou. Não conheço as referências que citou rsrsrs. Seria mitologia nórdica? January 27, 2024, 11:57
E. M. V E. M. V
Muto bom. Um fantasma carente.
January 21, 2024, 11:36

  • Junio Salles Junio Salles
    Hahaha. Obrigado por ter lido e pelo comentário January 21, 2024, 12:04
Joakim Henriques Joakim Henriques
2 frases a dizer Está incrível
September 05, 2023, 00:35

Marcelo Farnési Marcelo Farnési
Parabéns pelo conto! Merece estar em destaque, sem dúvida. Tomo apenas a liberdade (sem desejar ofender) de reparar que há uma pequena redundância no primeiro parágrafo onde cita " sem avistar terra à vista." Ainda assim, nada que tire o brilho da narrativa imersiva. Outra vez, parabéns!
September 03, 2023, 15:58

  • Junio Salles Junio Salles
    Obrigado pelo comentário. Redundância corrigida September 05, 2023, 00:53
ME Malaquias Ezequiel
Muito interessante, deixa uma curiosidade para saber o que pode acontecer depois. Adorei a descrição dos cenários e personagens tambem.
August 16, 2023, 11:49

  • Junio Salles Junio Salles
    Obrigado pelo comentário. Caso tenha interesse, dê uma olhada nos outros contos e histórias que publiquei na plataforma. August 16, 2023, 12:05
Autora Sem Nome Autora Sem Nome
Adorei o conto! Ficou um gancho para uma possível continuação!
August 15, 2023, 11:29

  • Junio Salles Junio Salles
    Obrigado pelo comentário. Fico feliz que tenha gostado. August 16, 2023, 12:04
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