Minha tentação, meu tesouro Seguir história

lady_giovanni Lady Giovanni

Lune é um padre novato que, volta e meia, passava por suas provações como sacerdote, só não contava que um dia fosse retornar a ver aquela mesma pessoa que quase lhe fez desistir de tudo. Ele conseguirá resistir a tentação?


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 21 anos apenas (adultos). © Todos os direitos reservados.

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O início

Após ter uma noite conturbada pelo acúmulo de coisas que eu deixei acumulado para resolver, abri os olhos e senti uma pequena pontada na têmpora direita. Eu sabia que deveria ter tomado aquele comprimido antes de dormir, mas novamente pequei ao ser tentado pelos sete famosos pecados capitais. Levei a mão até o local e apertei os olhos com a claridade vinda da janela, pensando que aquilo seria meu castigo pela preguiça.


Voltei o olhar para o velho relógio de corda pendurado na parede e escutei o barulho das engrenagens que pareciam concordar naquela “acusação”. Eu estava sendo falho e não deveria agir daquela forma. Eu não deveria decepcionar as pessoas, visto que elas depositavam toda sua confiança em mim. Não tinha esse direito.


Afastei o lençol de meu corpo e calcei os chinelos para ir até o banheiro de meu quarto. Assim que vi meu reflexo no espelho do armarinho, o abri e peguei o frasco, tomando o comprimido a seco. Voltei a guardar, fechando a porta e novamente me vi com rosto abatido pela noite mal dormida. Nessas horas, ser albino é como uma maldição. Era muito difícil disfarçar muitas coisas. O cansaço até que não era uma das piores… o ruim era conter minhas emoções. Ficava tão claro para qualquer um o quanto me sentia sem jeito por ouvir certas coisas. Meu corpo parecia me trair.


Abri a torneira, deixando a água sair abundantemente e lavei o rosto, voltando meu olhar para o espelho. Meu dia começava tarde, mas não teria tanto para me preocupar. Hoje não era dia de abrir as portas para acolher aqueles precisavam do Senhor… aqueles que precisavam de mim. No entanto, eu deveria terminar o que tinha me comprometido a fazer. Não podia mais procrastinar.


Tomei um banho rápido e segui para o quarto para me vestir. Após abotoar a camisa, peguei a gola clerical que estava sobre a cômoda e olhei para ela por um instante. Fazia tão pouco tempo que havia saído do seminário e agora conseguia entender a grande responsabilidade do que eu tinha nas mãos. Lembro de ter ouvido alguns comentários dos padres mais velhos, mas achava que aquilo tudo era só para me assustar. Mas ao contrário do que pensam, eu não estou arrependido do caminho que segui, muito pelo contrário, sempre foi algo que eu desejei ser.


Olhei para o pequeno espelho, vendo meus cabelos levemente desgrenhados e os alinhei, antes de prendê-los com uma fita. Rolei os olhos para a escrivaninha, onde deixei a maior parte das anotações e livros que usei como referência para os estudos e suspirei profundamente. Eu tinha apenas dois dias pra terminar e confesso que tudo que queria naquele momento era sair dali pra longe, mas não podia.


Voltei o olhar para a parede onde continha uma cruz de madeira fixa a parede e me aproximei. Voltei a pensar que estava pecando ao postergar minhas obrigações e caí de joelhos com a cabeça baixa. A fita se desprendeu de meus cabelos e os vi cobrirem a vergonha estampada em meu rosto. Tão conveniente.


Estendi meus braços para frente e me inclinei, prostrando-me diante de mais um ato meu de fraqueza. Juntei as mãos, próximas de meu rosto e comecei a pedir pela misericórdia de meu Senhor:


— Pai… me perdoe. Me perdoe por eu ser falho, mas eu quero continuar nos Teus caminhos… me dê condições de continuar. Rogo pela Sua misericórdia… sei que a batina não me isenta de nada e há apenas mais um comum por debaixo dela, mas peço que não Me abandone. Por favor… — disse e senti um grande vazio dentro de mim. O que significava aquilo? Eu não tinha fé o suficiente? Deus havia me abandonado? Não. Isso jamais.


Voltei a ficar de joelhos, fazendo o sinal da cruz, assim que a vi e me levantei decidido a me redimir por aquela falha. Não deixaria que mais nada atrapalhasse meus objetivos. Se aquilo era uma provação divina ou uma armadilha maligna, eu faria de tudo para provar que eu não estava ali por nada. Tinha de manter minha fé e confiar mais nos planos que Deus colocou em meus caminhos… eu devia confiar mais em mim.



O dia passou rápido e a noite começava a dar seus ares. Os raios solares já se despediam timidamente e vi uma única estrela brilhar no céu. Olhei por mais um instante e lembrei que aquela mesmo estrela se tratava, na verdade, de Vênus.


Me senti um pouco nostálgico por também lembrar o quanto eu era curioso quando menino e de como eu gostava de observar o céu a noite. Por muitas vezes, me questionei sobre o responsável por ter criado aquela grande tela e com esse mesmo raciocínio, fiz a mesma pergunta para cada coisa que eu via. Tudo era perfeito, pois Deus designou assim. Fez tudo para nós.


Voltei o olhar para os livros e os Fechei, organizando cada coisa que tinha sobre a escrivaninha. Ouvi meu estômago roncar e me dei conta de que havia passado o dia sem colocar nada no estômago.


Saí do quarto em direção a cozinha e abri a geladeira, vendo que havia apenas um pedaço de queijo e pouco mais de meio litro de leite. Fechei a porta e fui até a dispensa, vendo um pacote de macarrão e outro de farinha. Ótimo. Aquilo não podia ficar pior… Aliás, podia sim. Eu teria de sair pra comprar algo, mas meu dinheiro também estava curto e eu tinha de economizar. Bom, nada que um cachorro quente não resolva.


Subi até meu quarto para buscar meu sobretudo e saí pela entrada lateral da igreja, tomando cuidado para não fazer muito alarde.


Fui até uma carrocinha que eu sei que fazia um cachorro quente gostoso e barato e pedi dois para levar. Escolhi um refrigerante para acompanhar o lanche e paguei o rapaz, aliviado do mesmo não ter me reconhecido. Provavelmente era de outra congregação ou até mesmo ateu. Vai saber.


Segui o caminho de volta até a igreja e assim que me aproximei da entrada, vi um carro preto estacionado perto. Tratei de colocar a mão no bolso para achar a chave que abria o portão e parei em frente, já levando a peça até a fechadura. Ouvi uma batida de porta de carro e olhei por cima dos ombros, vendo que alguém se aproximava. Me apressei para entrar e ouvi uma voz, chamando por meu nome, o que de certa forma me deixou aliviado. Eu devia ficar mesmo aliviado?


— Lune!


Olhei para aquele homem, tendo a vaga memória de que o conhecia e deixei o molho de chaves cair de minhas mãos, assim que vi seu rosto de perto. Ele… mas o que ele faz aqui?


— S-Shaka...

28 de Março de 2018 às 23:37 2 Denunciar Insira 1
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kamerom Versalles kamerom Versalles
eu comecei a leitura... Hummm. nossa, que Lune convertido e coitado, sem grana alguma. mas atento a sua rendição. Porque? shaka? uau. muito curiosa. parabéns, como sempre uma leitura gostosa e curiosa. abraços. até mais.
12 de Maio de 2018 às 15:44

  • Lady Giovanni Lady Giovanni
    Olá, minha amada! Fico feliz que vc tenha curtido a história. Ela vai ter um enredo mais sério e planejo algumas coisas ainda para acontecer. Será que existe algo entre esses dois? Hum. Veremos. Beijos, linda! 12 de Maio de 2018 às 16:40
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