Eternal love Seguir história

lady_giovanni Lady Giovanni

"Poucos sabem como é a vida de uma amazona e o que enfrentamos até conseguir esse posto. Abrimos mão de muitas coisas. Liberdade, vaidade… amor. Ah, o amor. Este quase custou minha vida por muitas vezes, mas não me arrependo nenhum pouco disso."


Fanfiction Anime/Mangá Impróprio para crianças menores de 13 anos. © Todos os direitos reservados.

#romance #drama #cdz #saint-seiya #marin #aiolia #saintseiya #cavaleiros-do-zodíaco #Aiolia-Marin
Conto
3
5.8mil VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

Do you feel my hearbeat

Enquanto eu seguia rumo ao cemitério do Santuário, recordei sobre as lembranças que tive ao lado de um dos doze santos guerreiros de Atena. O meu amado santo de ouro, Aiolia de leão.


Poucos sabem como é a vida de uma amazona e o que enfrentamos até conseguir esse posto. Abrimos mão de muitas coisas. Liberdade, vaidade… amor. Ah, o amor. Este quase custou minha vida por muitas vezes, mas não me arrependo nenhum pouco disso.


Lembro quando o vi pela primeira vez. Ao pisar meus pés no santuário, me admirei daquele lugar tendo mil fantasias em minha mente, pois parecia um lugar mítico. Eu não entendia uma palavra do idioma local e confesso ter ficado perdida por um tempo, mas alguém estava lá pra ser meu apoio desde sempre. Meu leãozinho.


Ele era uns anos mais velho do que eu, mas apesar da pouca idade que tinha, já se mostrava um garoto valoroso e gentil. Sempre ajudou quem fosse sem fazer distinção de origem ou sexo. Perante ele, todos éramos iguais e essa era uma das razões pela qual o amava e o admirava tanto.


Lembro, também, de certa vez que nos esbarramos após um longo treino abaixo de um sol escaldante. Meu braço estava um pouco dolorido e não consegui conter um gemido. Ele percebeu e antes que eu me desculpasse, ele o fez, percebendo a marca roxa impressa em meu braço.


— Seu braço… — disse ao encostar os dedos calejados sobre minha pele e me perdi na imensidão de seus belos olhos verdes. Soube naquele exato momento que de alguma forma, estava destinada a ele, mesmo sem ter a mínima noção do que era o amor.


— Você precisa cuidar disso… ou não poderá treinar por um bom tempo. — disse e soltou um sorriso maroto. Dei graças aos deuses por estar de máscara naquele momento, ou ele veria o quanto eu estava envergonhada.

— E-eu… não precisa… — respondi timidamente e vi ele abrir outro sorriso para mim. Era tão lindo.

— Você​ é oriental, não?

— Hai… — sacudi a cabeça algumas vezes e a baixei, pois não havia tido experiências muito boas com as outras pessoas que eu conheci até ali.


Ele vai caçoar de mim…


— De que país você veio?

— Japão.

— Wow! — disse e ergueu os braços, cruzando-os para trás de sua cabeça. — Eu gostaria muito de conhecer seu país. Aliás… eu quero conhecer o mundo todo. — disse e olhou para o céu com um brilho no olhar que nunca mais esquecerei na vida. Um brilho do qual sinto falta.

Olhei para ele e levei a mão até o braço ferido. Ele notou.

— Me desculpe. Fiquei aqui falando e esqueci de sua dor. Me perdoe.


Apenas balancei a cabeça para os lados.


— Tá tudo bem.

— Venha! Vou levar você até a enfermaria. Eles vão cuidar bem de você. — disse e tomou minha mão para que eu o seguisse. Meu coração palpitava a cada passo apressado e apertei de leve sua mão para que não me soltasse dele.


Após ser atendida, descobri que ele ainda me esperava. Eu não sabia o que pensar ou falar. Apenas me aproximei e vi ele se levantar com aquele mesmo sorriso de sempre.


— Você está bem, então… — disse ao analisar as faixas ao redor de meu braço. — Quebrou?

Balancei a cabeça para os lados e ele assentiu.

— Eu disse que cuidariam de você. Bom... eu preciso ir agora, ou meu irmão me mata se eu demorar. — soltou um riso e acenou para mim.


Olhei para ele, desejando saber seu nome e ele parou, quase que no mesmo instante.


Sempre ouvia falar sobre as coisas do amor e suas causas. Que o amor verdadeiro age sobrenaturalmente. Que quando duas pessoas se amam muito, suas almas se conectam e se tornam uma. Isso tudo era uma verdade. Às vezes, não era nem preciso dizer nada. Bastava apenas olhar para ele ou apenas estarmos perto um do outro, para sabermos se havia algo estava errado.


E foi assim, de um jeito sobrenatural, que aquele menino se revelou para mim:


— Ah, meu nome é Aiolia. — disse ao segurar o batente da porta

— Marin. — respondi com um sorriso no rosto, mas que ficou oculto pelo uso da máscara.


Ele sorriu novamente e saiu pela porta. Afastei a máscara de leve para sentir meu rosto e constatei como eu estava. Quente. Como todas as vezes que ele se aproximava de mim.


O tempo foi passando e Aiolia se tornou uma presença constante em minha vida. Sempre que eu precisava dele, ele estava lá. E claro que isso não durou muito tempo. Assim que atingi a puberdade, me alertaram sobre muitas coisas e disseram que teria que treinar somente com as meninas.


Fomos afastados um do outro, por um longo tempo e ficamos sem nos vermos. Cada dia que passava ficava mais difícil sem sua presença. Senti falta de seu apoio e acalento nos momentos mais difíceis. Me perguntava acasa noite se ele sentia o mesmo.


Os livros se tornaram minha companhia e após ler muitos contos e histórias, descobri que estava apaixonada por Aiolia. Entretanto, com esta descoberta, também vieram dúvidas que passaram a me atormentar: Por que ele ainda não havia me procurado? Será que havia esquecido de mim?


Me recordo das noites que passava chorando por não saber as respostas de minhas perguntas. Imaginava Aiolia distante... nos braços de outra pessoa e mesmo que não houvesse um “alguém”, a invejava por tê-lo por perto. A invejava por poder ouvir sua voz… olhar para seus olhos e ver a cor de seus olhos da qual eu amava tanto… de sentir o calor de sua pele, com o contato de um simples abraço. Eu estava enlouquecendo. Estava embriagada...era quase uma abstinência. Aiolia era meu vício.


Fecho meu olhos e quase posso sentir o gosto de seus beijos. A memória da primeira vez que nos beijamos veio a tona me fazendo derrubar uma lágrima.


Era um dia quente. Atípico para aquela estação. Me refrescava na beira do rio, ao jogar a água cristalina sobre meu rosto, quando fui surpreendida por sua presença inesperada.


Vi seu reflexo na água e rapidamente peguei minha máscara para esconder meu rosto, mas era tarde demais. Ele havia impedido que eu voltasse a cobrir meu rosto para olhar para mim. Baixei os olhos envergonhada e senti suas mãos tocarem suavemente meu rosto com a ponta de seus dedos.


— Eu sempre quis saber como você era por trás dessa máscara.

— Olia… eu...

— Marin, durante o tempo em que ficamos separados, tentei buscar explicações sobre a falta que você me fazia, de nossas conversas… de estar perto de você.


Neste momento, meu coração batia tão forte que podia jurar que ouvia meus batimentos sem encostar as mãos sobre minha pele. Minhas mãos suavam.


— Olia… nós Amazonas temos uma conduta a seguir e…

— Me mate.


Fiquei em silêncio e entreabri os lábios. Eu não sabia o que dizer.


— Marin de Águia, agora tenho certeza de que realmente sente o mesmo que eu. — tocou meu rosto. — Seus olhos não mentem e espero que enxergue nos meus a mesma verdade, se ela ainda não ficou explícita pra você.

— Olia… — sussurrei e senti seus lábios tocarem nos meus de forma casta, porém, se afastou.


Ele pegou minhas mãos, depositando um beijo em cada uma e sorriu para mim.


— Vou me casar com você um dia. E prometo que será em breve.


Olhei para ele, mal acreditando naquele momento e tudo que consegui fazer foi controlar minhas pernas para que não caísse ali. O amor de Olia me arrebatou por completo naquele dia e o lado cruel da pena que um cavaleiro sofreria em ver o rosto de uma amazona, não foi o que tirou ele de mim. Tínhamos uma deusa a servir e juramos protegê-la, mesmo que significasse nosso fim e foi assim que o perdi.


Rodeando aquele campo cinzento, onde haviam apenas terra e lápides espalhadas aos montes pelo caminho, lembrei dos dias difíceis que passei ao desconfiarem de nosso relacionamento.


Certo dia, quando estava treinando com uma aspirante a amazona, vi que outra garota parecia estar me observando. De fato ela estava.


Assim que demos uma pausa, fui até a árvore onde ela estava e peguei uma garrafa de água para me refrescar. Ela olhou para mim e não consegui conter minha curiosidade.


— Você quer me dizer alguma coisa?


Ela ficou em silêncio e dei de ombros, mas tinha a sensação de que ela queria me dizer algo.


— Se quer me dizer algo, fale agora!.


Ela pegou uma garrafa de água e afastou a máscara para beber e acabei desistindo. Vi que aquela conversa não iria dar em nada e me virei para sair dali, porém, ouvi sua voz rouca:


— Você é amiga do irmão do traidor, não é? — indagou de um jeito que me deixou irritada.

— Como é?? — me virei e olhei para ela. — Repita!! Repita o que disse sobre…

— Seu namoradinho? — soltou um riso e ajeitou a máscara no rosto. — Nossa mestra vai adorar saber isso. — soltou alguns risos.

— Não​ se eu arrebentar você primeiro. — me coloquei em posição de ataque e a chamei com os dedos.


Em pouco tempo, estávamos lutando, mas como ela tinha um estilo de luta mais agressivo do que o meu, acabei com alguns hematomas e um braço quebrado.


Quando pensei que não poderia ser pior, minha mestra soube da calúnia que aquela garota havia levantado ao meu respeito e fui punida severamente.


Peguei alguns dias numa espécie de solitária e os dias que passei lá pareciam intermináveis. Comecei a desconfiar que as horas havia se prolongado, pois a noite custava a passar. Meu único consolo era o toque suave do sol sobre meu rosto. Pequenos feixes que se tornaram meus amigos. Eu até falava com eles.


Quarenta dias se passaram e fui liberta de meu castigo. Alguns quilos mais magra e com uma palidez fora do comum, saí protegendo meus olhos da claridade que me cegava.


Fui novamente alertada sobre minha condição ali e para que eu o esquecesse de vez, mas aquilo não era uma coisa possível. Podiam me jogar por anos naquele cubículo escuro, úmido e com a visita oportuna dos ratos à noite, mas não abdicaria do que eu sentia por Aiolia. Nunca.


Os tempos passaram, mais punições vieram, tanto pra mim quanto pra ele, mas ninguém conseguiu nos separar. Não havia nada que fizesse apagar a chama do nosso amor, mas havia algo que poderia tirá-lo de mim sem que eu pudesse ao menos lutar.


Dividi alguns lírios entre as duas sepulturas e pedi aos deuses que Aiolos estivesse junto dele. Aiolia jamais superou a perda do irmão e sofreu por anos a discriminação por conter o mesmo sangue daquele que consideravam o traidor do santuário. Tudo o que eu queria é que não esquecesse de mim.


Passei as mãos sobre seu nome talhado na pedra em seu idioma natal e soltei algumas lágrimas. Por muitas vezes, desejei que a morte me encontrasse mais cedo para que eu me unisse a ele… mas eu não podia ir contra seu desejo. Ele sempre deixou claro que se um dia ele morresse, eu deveria continuar minha vida. Me fez prometer e cumpro sua promessa até hoje.


Fechei meus olhos e lembrei dos últimos meses dos quais fui feliz ao seu lado. Intensamente feliz. Ele cumpriu a promessa que havia feito a mim, quando éramos garotos e nos casamos. Tudo aconteceu às escondidas em uma pequena capela em Atenas. Foi tudo maravilhoso. Nossa primeira noite juntos… nosso primeiro dia acordando juntos no mesmo quarto.


Eu não desejava outra coisa que não fosse ficar ao lado dele e não me passou pela cabeça em momento algum, que tudo aquilo poderia simplesmente acabar por causa de nossas obrigações. Não éramos pessoas comuns com vidas comuns, mas recusava a acreditar que algo sério pudesse mesmo acontecer. Eu estava cega para o mundo, pois Aiolia era meu sol.


Longos meses se passaram… quase o perdi por algumas vezes, mas já não havia mais esperanças para a elite dourada de Atena. Um sacrifício em massa e a mensagem que não sai de minha cabeça em seus últimos momentos:


“Não sei se peço desculpas ou te agradeço, mas quero que saiba neste momento que sempre amarei você. Mesmo que meu corpo reduza a pó e minha alma seja condenada… jamais deixarei de amá-la, Marin de águia… minha ruiva… minha esposa por toda eternidade. Minha amada.”


Senti mais algumas lágrimas caírem, mas havia uma esperança certeira dentro de mim: um dia o reencontraria novamente e não haveria mais dores e separações. Apenas nós dois caminhando de mãos dadas em um longo campo florido, rumo à eternidade.

27 de Março de 2018 às 19:42 0 Denunciar Insira 2
Fim

Conheça o autor

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~