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lady_giovanni Lady Giovanni

"Me senti culpado. Incapaz. Não pude fazer nada ao vê-lo se sacrificar para acabar com aquele maldito espectro. E tudo isso bem a minha frente. Como ele pôde fazer isso comigo? Por que, Albafica? Depois de todo o tempo que me dediquei a você, tentando de diversas formas me aproximar. . Tudo isso para tê-lo um pouco mais perto de mim e quando finalmente consegui, você fez isso. Esmurrei o chão algumas vezes, deixando algumas lágrimas caírem e senti seu sangue correndo dentro de mim. Você ainda fazia parte de mim."


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 21 anos apenas (adultos). © Todos os direitos reservados.

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Will you return it?

Ajoelhado ao pé do túmulo de Albafica, me recordo das memórias que tive ao lado do cavaleiro, o qual me afeiçoei com o passar do tempo.


Estranho. Não tinha palavra melhor do que essa, para definir minha relação com ele. Depositei uma rosa vermelha sobre sua cova e deslizei os dedos pelo seu nome entalhado na lápide. Fechei meus olhos ao sentir uma pequena brisa passar por mim e suspirei.


Me senti culpado. Incapaz. Não pude fazer nada ao vê-lo se sacrificar para acabar com aquele maldito espectro. E tudo isso bem a minha frente.


Como ele pôde fazer isso comigo? Por que, Albafica? Depois de todo o tempo que me dediquei a você, tentando de diversas formas me aproximar. . Tudo isso para tê-lo um pouco mais perto de mim e quando finalmente consegui, você fez isso.


Esmurrei o chão algumas vezes, deixando algumas lágrimas caírem e senti seu sangue correndo dentro de mim. Você ainda fazia parte de mim.


Me levantei, enxuguei minhas lágrimas e olhei uma última vez para seu túmulo. Saí dali com a memória ainda vívida dentro de mim e voltei para o santuário.


Com o fim da guerra santa, fui nomeado a grande mestre do santuário. A reconstrução do mesmo acontecia devagar, já que poucos de nós sobrevivemos, mas tínhamos esperanças em nossos corações. Dohko, que costumava ser muito próximo de mim, agora havia se afastado por conta de nossas responsabilidades.


Embora a distância entre nós tivesse aumentado, nos víamos eventualmente. Éramos bons amigos e tínhamos muitas coisas em comum. Dohko sempre fora bastante paciente comigo e um bom ouvinte. Sempre procurei retribuir da mesma forma, quando ele precisava desabafar sobre algo que lhe chateava.


Mas digo que isso diminuiu bastante, conforme nossas conversas levassem sempre ao mesmo rumo: Albafica. Era claro o meu fascínio pelo cavaleiro de peixes, visto não somente pela sua beleza, mas pela pessoa incompreendida que era.


Sempre que o via se aproximando da entrada de minha casa, o perfume que inebriava meus sentidos toda vez, também me causava algo sem explicação. Sentia uma necessidade de me aproximar, mas não sabia como agir. Sabia que aquilo podia ser perigoso, mas não me importei.


Como eu costumava ser o primeiro guardião das doze casas, tinha contato com os outros onze cavaleiros, dos quais mantinha uma certa amizade e respeito. Albafica, no entanto, era o que mais me intrigava.


Sua postura sempre fora a mesma. Se recusava a manter qualquer tipo de contato, mesmo que fosse uma pequena conversa a distância. Suas raras passagens em minha casa eram sempre rápidas. Para o meu azar, eu sempre chegava atrasado, antes que pudesse iniciar qualquer tipo de conversa.


Minha vontade de vê-lo, aumentava a cada dia, a ponto de me custar algumas horas de sono. Lembro-me de certa vez que fui chamado pelo meu mestre até seu templo. Subi as casas devagar e conforme me aproximava das últimas casas, sentia uma certa angústia. Aquela sensação agoniante pareceu cessar como um choque, quando o vi na entrada de sua casa.


Minhas mãos suaram. Meu peito se comprimiu. Mal podia conter minha respiração diante de sua presença. Algo se passava comigo e já desconfiava o que era, mas ainda estava um pouco resistente a respeito disso. Antes de dar o primeiro passo rumo à escadaria, ele me advertiu:


— Não se aproxime! Não quero causar nenhum mal a você, cavaleiro de áries.


Entreabri a boca, não surpreso com o seu conselho, mas com aquela ação repentina. Fiquei alguns instantes hipnotizado pela imagem bem à minha frente e me perdi nela. Sua pele alva contrastava com os raios do pôr do sol, deixando-o iluminado como um anjo.


Uma brisa passou por ali, bagunçando seus cabelos, assim como sua capa e fechei meus olhos. Inspirei aquele perfume floral, sem me dar conta de que estava ficando atordoado e senti algo estranho. Ao colocar a mão em meu nariz, abri os olhos para ver e vi meu sangue impregnado nas pontas de meus dedos.


Olhei para cima e não o vi mais. Suspirei profundamente e ouvi uma voz pelo cosmo:


— Eu avisei para que você não se aproximasse demais. — disse e fez uma pausa. — Você está bem?


Não sabia se ficava feliz ou triste por sua preocupação. Sabia que aquilo o afetava indiretamente. Albafica se sentia culpado por causar qualquer dano causado pelo seu veneno, seja ele o mais ínfimo. Seu passado já me foi contado uma vez pelo meu mestre, quando indaguei algumas coisas ao seu respeito para poder… Não. Eu não podia entendê-lo, mas imaginava que deveria ser algo terrível, ter que lidar com a solidão daquela forma.


Albafica foi abandonado nos jardins de seu antecessor e este foi a única pessoa que de fato teve contato direto com ele. Rugonis era o nome dele. Por muitas vezes, não sabia se o bendizia ou o maldizia por não poder chegar perto da única pessoa que despertou algo que meu coração. Ainda que ele desconhecesse. Também era fato, que senão fosse por ele, jamais conheceria Albafica.


Saí de meus devaneios, ao ouvi-lo novamente e sorri. Sua voz parecia tão melodiosa em meus ouvidos, que o impacto que ela causava, era quase como vê-lo frente a frente. Suspirei e respondi calmamente, me controlando para não transparecer o quanto eu estava eufórico.


— Estou bem, peixes. Fique tranquilo.

— Me desculpe.

— Não se desculpe. Já falei que não foi nada. — insisti para que ele não se sentisse mal.

— Está bem.


Subi os primeiros degraus e parei, ao ouvi-lo novamente em minha mente:


— Você tem a minha permissão.

— Obrigado, Albafica.


Ele nada respondeu e acabei seguindo meu caminho até o templo do mestre. Depois de algum tempo, saí de lá e me aproximei das escadarias que levavam a casa de peixes. Pensei se aquele momento não fosse oportuno para uma aproximação, mas não sabia se seria uma boa idéia. E se ele me interpretasse mal? E se me julgasse como os outros que faziam o mesmo ao seu respeito? Não. Eu não queria causar uma má impressão. Qualquer que fosse. Decidi descer e fui diretamente para minha casa.


Depois daquele dia, parece que as coisas evoluíram entre nós. Não do jeito como eu esperava, mas como eu imaginava que fosse. Tudo ao seu tempo. Ou melhor, no tempo de Albafica. Pude sentir, que o tempo mostrou a ele que podia confiar em mim. Não que ele não confiasse nas outras pessoas, mas após ouvir os comentários, inclusive dos meus irmãos de armadura, pude imaginar o porquê de se afastar por completo de todos.


O veneno que continha em seu sangue, esse sim, era o seu maior problema. Eu mesmo, por muitas vezes, sofri de alguma forma por insistir e tentar resistir ao seus efeitos. Mas com o tempo, aquilo já não foi mais um problema para mim, desde que eu pudesse desfrutar de pequenos momentos com ele, naquela escadaria.


Por outro lado, sua fama de mais formoso – o que era uma verdade –, causava dúvidas...Julgamentos… Preconceito. Eu definitivamente odiava esse tipo de coisa e repudiava qualquer tipo de comentário maldoso ao seu respeito. Fazia questão de defendê-lo, já que ele não podia fazer isso, chegando a causar algumas suspeitas. Eu não ligava. Não mais.


Certa noite, resolvi dar um passo a mais em nossa amizade. Preparei alguns sanduíches e os enrolei, colocando em um cesto e colhi algumas flores do pequeno canteiro do qual passei a cultivar desde que passei a me interessar por Albafica. Subi as casas e parei, ao ouvir as risadas de Manigold, que estava sentado no telhado de sua casa.


— Do que ri? — perguntei seriamente.

— Vai encontrar a namoradinha, moleque?


Massageei a área entre meus olhos e fitei o cavaleiro. Ainda bem que sou calmo e sempre que posso, medito, ou nessa hora haveria uma guerra de mil dias.


— Boa noite, Manigold. Se está se referindo a Albafica, estou sim, mas ele não é nada, além de um bom amigo. Gostaria que tivesse mais respeito por ele e não preciso dizer por mim também. Acho que fui claro, não?

— Ora… Não está mais aqui, quem falou… — levantou os braços e sorriu debochadamente.

— Ah! Sobre a passagem…

— Passe logo.

— Obrigado.


Continuei meus passos até peixes e quando finalmente cheguei em sua entrada, não senti seu cosmo. Sentei nos primeiros degraus e resolvi esperar até ele aparecer. As horas foram passando, até que não aguentei o cansaço e adormeci.


Os primeiros raios de sol bateram em meu rosto e me fizeram despertar aos poucos. Quando vi que a noite já havia dado o seu adeus, olhei para trás e sonolento como estava, ainda tentava assimilar o que estava acontecendo. Então eu dormi aqui? Me fiz essa pergunta ao olhar para o cesto apoiado em meu colo. Ele ainda não voltou?


A brisa então fez sua parte, trazendo o seu perfume para mim. Fechei meus olhos e sorri. Sabia que ele estava por perto e agora que eu estava ali, não teria como escapar daquele possível constrangimento. Continuei com o olhar fixo para a casa de Dégel e quando o vi sair dela, meu coração bateu forte e acelerado. Eu definitivamente estava perdido. Não havia mais o que negar. Eu o amava.


Ao me ver ali sentado, ele parou receoso como sempre e me fitou.


— O que faz aqui, áries?


Engoli seco diante de sua pergunta e fui verdadeiro em minha resposta. Ele merecia toda a minha sinceridade.


— Estava esperando por você. — respondi sem jeito.


O silêncio perdurou por alguns segundos, me deixando apreensivo e me perguntei se ele havia se chateado, por eu estar ali? Pensei e me levantei.


— Acho que você deve estar cansado. Vou deixar esse sanduíches aqui, caso você tiver fome. — disse e deixei o cesto sobre o degrau para depois descer as escadas devagar.


Quando já estava bem próximo, notei que ele havia desviado o olhar para o chão e fiquei desconfiado. Minhas suspeitas pareciam certas. Algo o incomodava e a probabilidade de ser minha culpa, era grande. Segui meus passos até aquário e quando passei por ele, ouvi meu nome ser chamado com um tom de voz baixa.


— Shion…


Parei no mesmo instante, sem me importar se estava perto ou não dele. O silêncio que se instaurou entre nós foi o suficiente para eu pensar em diversas possibilidades de seu chamado. Contudo, nenhuma delas estava certa. Infelizmente.


— Obrigado. — disse e continuou seus passos até a escadaria que levava até a sua casa.


Abaixei minha cabeça e fechei os olhos para só depois olhar por cima de meus ombros. O vi subindo as escadas e suspirei profundamente. Voltei o olhar para meus braços e notei as veias em meus braços. Tão aparentes. Um pingo de sangue caiu de meu nariz e acertou minha pele. Retirei um lenço de meu bolso para estancar o sangue de meu nariz e saí dali frustrado.


Desci as casas devagar e vi o sol começando a subir aos poucos e as estrelas desaparecendo no céu. Quando cheguei em minha casa, deitei sobre minha cama e pensei que estava indo longe demais. Provavelmente eu seria o único a sair machucado nessa história. Albafica devia me ver como um amigo e nada mais. E mesmo que me visse com os mesmos olhos que o vejo, como seria possível ter algo com ele?


Tantas foram as noites que sonhei em tê-lo ao meu lado e imaginava como seria sua pele. Acredito eu, que seria aveludada, como as pétalas de suas belas rosas. Imaginava como seria sentir seus cabelos por entre meus dedos, macios como os fios da mais rara seda. O calor de sua pele… Como seria? Tinha dúvidas e fantasiava sobre isso, o que fazia meu desejo crescer. E tudo isso para que? Eu não aguentava me iludir com algo irreal. Era impossível.


Fui adormecer quando o sol já estava alto e acordei quando o sol já estava se pondo. Me sentei sobre a cama e senti que meu corpo ainda não havia descansado o suficiente. Caminhei até o banheiro e enchi a tina com água e entrei. O calor ainda se fazia presente naquela hora e buscava também acordar de vez.


Após tomar banho, coloquei uma túnica branca e calcei minhas sandálias. Fui até a cozinha e comi algumas frutas. Dali, saí e fui até o salão de minha casa do qual estranhamente senti um perfume floral. Fraco, mas pude senti-lo. Um pensamento passou pela minha cabeça, me arrancando um sorriso, mas resolvi ser realista. É claro que se ele tivesse ido até a minha casa, seria apenas de passagem, como nas outras vezes. Resolvi ser prático e racional. Usar a razão, era uma boa saída para me desvincular desse sentimento. Eu o faria, nem que me custasse dias, semanas ou anos… mas eu me livraria disso.


Fui até a arena do coliseu e me sentei sobre um dos degraus das arquibancadas. Olhei para o céu e avistei Vênus próxima de minha constelação e notei como brilhava de forma incomum naquela noite. Me peguei distraído, quando senti um cosmo se aproximando.


— Não vi você durante o dia… Aconteceu algo? — Dohko perguntou, ao se sentar ao meu lado.

— Não. Apenas passei boa parte da noite em claro. Estava cansado e acabei dormindo demais. — respondi com o foco nas estrelas.

— Sei… Soube algo pelo Mani.


Olhei para meu amigo seriamente e soltei um muxoxo.


— O que o linguarudo falou?


Dohko soltou um riso e cruzou os braços em sua nuca, ao olhar para o céu. Sem tirar o sorriso dos lábios, ele respondeu:


— Ah! O que não é novidade para ninguém, Shion… Acho que até o próprio Albafica, sabe do seu interesse por ele.


Abaixei a cabeça diante de seu comentário e olhei para um ponto qualquer. O pior de tudo é que ele tinha razão. Eu realmente não conseguia disfarçar meu sentimentos relação ao cavaleiro de peixes.


Novamente o sentimento de frustração tomou conta de meu ser e me perguntei aonde aquilo iria me levar. Ele deveria saber. Como poderia encará-lo diante de minha vergonha? Me perguntei ao pensar nas vezes em que o vi e notava um certo rubor em sua pele. Eu tinha que me afastar. Definitivamente. Eu não queria causar mais nenhum tipo de constrangimento tanto para ele, quanto para mim. Eu era um cavaleiro. Um santo guerreiro de Atena. Não podia pensar em romances, sendo que estava ali para outros fins.


— Não fale bobagens, Dohko. Está afim de treinar? — desconversei.


Ele olhou para mim animado e piscou um olho. Sorri de ver seu olhar travesso e partimos dali para o centro da arena. 


Ficamos testando nossas forças por algum tempo, até que voltamos para as arquibancadas onde ficamos conversando. Fazia algum tempo que não conversava com meu amigo, como costumava fazer, antes de me aproximar de Albafica. Havia me esquecido do quanto sua simples presença me animava. Dohko não era apenas meu amigo, era como um irmão para mim.


Depois de algumas horas, Dohko se despediu de mim e foi para sua casa. Me deitei sobre o degrau da arquibancada e fiquei ali por mais alguns minutos antes de voltar. Fechei meus olhos e os abri, assim que senti aquele perfume. Vi algumas pétalas voando com a brisa que passava por ali e entreabri os lábios. Peguei uma delas no ar e a levei até meu nariz para sentir seu cheiro.


Albafica… Por quê?


Me levantei subitamente e saí dali decidido a encontrá-lo. Caminhei até a entrada das doze casas, de onde tive o vislumbre de alguém sentado no telhado de minha casa e parei. Ao ver de quem se tratava, gelei. O que ele fazia lá, afinal? Tentei controlar minhas emoções e coloquei meu lado racional no lugar. Caminhei a fortes passos até a entrada e o fitei. Seus cabelos esvoaçavam com a forte brisa que passava por ali e novamente seu perfume se fez presente.


Ainda com a cabeça inclinada para cima, vi uma estrela cadente passar por trás dele e lembrei de uma antiga tradição. Fiz um pedido, do qual não tinha muita fé de que aconteceria e em seguida, ele pulou do telhado, parando em minha frente.


Fitei seus olhos azuis e não consegui evitá-los, assim como ele não conseguiu evitar os meus. Meu coração bateu forte com a sua aproximação e meus sentidos foram se enfraquecendo, mas a vontade de ficar era maior do que tudo. Podia parecer loucura de minha parte, mas eu sentia que tinha que me arriscar. Todos os meus pensamentos sobre razão e racionalidade tinham ido embora.


Senti o sangue escorrer de meu nariz e minha boca conter o mesmo gosto. Fechei meus olhos, pois já não enxergava mais nada e acabei perdendo os sentidos, quando senti sua boca encostar na minha.


Achava que havia morrido ali naquele instante, mas não. Fiquei em coma por quase um mês. Fechando o vigésimo quinto dia, abri meus olhos devagar, sentindo meu corpo dolorido. Olhei para os lados e notei que não estava em minha casa. Aliás… onde eu estava?


Me sentei na cama e vi um pequeno vaso que continha algumas rosas vermelhas em seu interior. Minhas últimas memórias começaram a se reavivar em minha mente. Albafica. Eu estava em sua casa? Me perguntei e tive minha atenção focada agora para uma porta ao fundo. Ainda enfraquecido, me sentei na cama e respirei fundo antes de ir até lá.


Ao atravessá-la, olhei admirado para a visão que tive. Aquele jardim não se parecia com nada que havia visto em toda a minha vida. Era maravilhoso, simplesmente esplendoroso. Passei por um tipo de arco que estava coberto com algumas trepadeiras e rosas e vi alguns pássaros atravessaram meu caminho, me arrancando um sorriso. Que lugar majestoso. Me questionei se os campos elíseos continham tamanha beleza quanto aquela. Um jardim belo, digno de seu dono.


Continuei caminhando e passei a mão sobre cada roseira, sentindo a maciez de cada pétala. Dei mais alguns passos e novamente fiquei surpreso ao ver uma fonte ali. Olhei em volta e vi que além da trilha que havia seguido, haviam mais três e essas se uniam para um único caminho.


Segui os passos até a fonte e olhei para as duas figuras no alto dela. Dois peixes unidos por uma corda. Aquilo, sem dúvidas, representava o mito da constelação de peixes. Aqueles dois peixes, na verdade, se tratavam de Afrodite e Eros. A deusa do amor, como tinha um amor incondicional pelo seu filho, decidiu amarrá-lo para que ficassem juntos e se transformaram em peixe para escapar de Tifão.


Olhei para as pétalas coloridas que flutuavam sobre a água despejada da boca dos peixes e me sentei na borda da fonte. Coloquei a mão sobre a água para sentir o seu frescor e quase caí dentro dela quando ouvi sua voz:


— O que faz aqui?


Me levantei e olhei para o seu rosto um pouco envergonhado por ter invadido o seu jardim e abaixei a cabeça.


— Me desculpe, eu não queria ter…

— Realmente. Você não deveria estar aqui! — disse rispidamente.


Fiquei sem palavras ao ouvi-lo falar daquela forma comigo e desviei o olhar para uma das roseiras. Pensei se minha presença ali poderia ser motivo de tamanha indignação. Se ele não me queria ali, por que deixou a porta aberta? Não! Melhor! Se ele não me queria ali, por que eu estava em sua casa? Divaguei e saí de meus pensamentos, quando ouvi seus passos em minha direção.


— Você… está bem? — perguntou ao me fitar com um olhar de preocupação.

— Sim. Por quê?


Pela primeira vez, vi algo que me deixou completamente abobalhado: Albafica sorriu. Não era como os muitos sorrisos que já vi por aí. O seu era peculiar. Como ele ainda conseguia me surpreender com um ato tão simples? Um sorriso. Este, que fez meu amor se reavivar dentro de meu peito. Seria eu, o responsável pelo seu curto momento de felicidade? Não tive como não fazer o mesmo. Abri um sorriso e encurtei ainda mais a distância entre nós dois. Instintivamente, parei e coloquei a mão sobre meu nariz. Olhei para minha mão e vi que não havia nada. Nem um resquício de sangue. Olhei para ele, ainda não entendendo o porquê de não me sentir mal, mas tive uma certeza: O veneno já não era mais um empecilho entrei nós. Aquela barreira já não existia mais.


Não sabia o que falar para ele, então resolvi agir. Finalmente estava perto. Seu rosto alvo, começava a mudar para um tom rubro suave e imaginei que assim como eu, ele também estava nervoso. Levei minha mão até o seu rosto e vi ele recuar, como se tivesse medo. Eu sabia que não era de mim e sim, de que eu me machucasse com aquele contato. Insisti no toque sem medo e senti a textura suave de sua pele. Macia como as pétalas de suas rosas, exatamente como eu imaginava...E por Zeus… Como era quente. Talvez fosse momentâneo, já que agora, estava ainda mais rubro.


Albafica fechou seus olhos e tocou em minha mão delicadamente. Envolvi minha outra mão em seu rosto e o acariciei. Vi seus lábios se entreabiram como um convite e acariciei suas maçãs com os polegares. Eu sabia o que tinha de ser feito e aproximei meu rosto do seu para terminar o que eu havia começado naquela noite.


Guardei cada detalhe de seu rosto, decorando-o para que não esquecesse e sorri. Estava feliz de poder olhá-lo de perto, de sentir sua pele, de me sentir tocado... Beijei a pinta abaixo do seu olho esquerdo e ele suspirou com o ato.


Decidi acabar com aquela ânsia de vez e selei seus lábios nos meus. Deslizei as mãos até sua nuca e senti as suas mãos subirem pelas minhas costas devagar. Meus cabelos se enredaram por entre seus dedos e arfei. Sentimos, ao mesmo tempo, o toque de nossas línguas pela primeira ve e saboreei daquele beijo, como se estivesse provando o manjar dos deuses. Seu beijo era a minha ambrosia. Tão doce, a ponto de me levar aos céus e, mortal, a ponto de me fazer pagar dolorosamente pelo meu pecado.


Senti algo estranho. Minhas forças foram diminuindo e minha visão estava um pouco turva. Antes que caísse no chão, Albafica evitou a minha queda e me pegou no colo. Olhei para seu rosto e vi o quanto estava preocupado comigo. Seu olhar dizia tudo. Pensei em me desculpar, mas até falar parecia algo difícil, já que o ar de meus pulmões me faltavam.


Ele me carregou para fora do jardim rapidamente e me levou para o seu quarto, onde se sentou sobre sua cama. Ainda estava em seu colo e senti o calor do seu abraço. Albafica retirou um lenço branco de seu bolso e levou até meu nariz com cuidado. Vi parte do tecido branco ser tingido de vermelho e suspirei. Eu não estava livre do veneno. Essa foi a minha conclusão.


— Como você está? Se sente melhor?


Olhei para aquelas orbes que pareciam mais duas peças de safira e assenti com a cabeça.


— Você está mesmo? Não minta pra mim, por favor…

— Estou, Albafica. Eu estou melhor. — disse e toquei em seu rosto, o que fez com que me fitasse novamente.

— O que aconteceu? Por que eu estou aqui? Por que sua presença não me afeta mais e por que passei mal em seu jardim?


Ele olhou surpreso para mim e soltou uma breve risada. Meu coração disparou e senti meu rosto esquentar. Me senti bobo e infantil, por fazer tantas perguntas de uma vez.


— São tantas dúvidas… mas eu responderei cada uma delas. — disse e suspirou.


Ele me deitou em sua cama e continuou sentado ao meu lado. Toquei em sua mão, entrelaçando os dedos e olhei para ele. Não queria que ele se afastasse de mim de forma alguma. Meu gesto foi retribuído, quando fechou sua mão e me fitou com ternura.


— Aquela noite em sua casa... acabei me aproximando mais do que deveria e isso quase causou sua morte… — disse e baixou seus olhos.


Segurei sua mão firme e não soube o que dizer. Preferi ficar em silêncio e esperar que ele continuasse falando.


— Me desculpe por isso, Shion. Eu não queria…

— Não se desculpe. — O interrompi e beijei sua mão. — Está tudo bem.


Sua face novamente tomou uma cor levemente rubra e desviou o olhar do meu. Acariciei sua mão e dei pequenas batidas, sinalizando que estava tudo bem. Ele tornou a olhar para mim e voltou a falar.


— Bom… Você acabou entrando em coma por causa de meu veneno e todos os procedimentos não estavam fazendo nenhum efeito… então…

— Então? — olhei curioso e vi seu olhar baixo. Parecia aflito.

— Decidi que era hora de tentar minha última opção. Expus você ao veneno, injetando todo o dia uma pequena quantidade de meu sangue. Você piorou muito. Por muitas noites, passei acordado, pensando que você iria me deixar.

— Albafica… — sussurrei.


Ele fez um sinal com a mão e continuou falando.


— Com o passar dos dias, você começou a reagir melhor, mas você ainda estava desacordado. Minhas esperanças estavam diminuindo dia a dia, até que, voltei para a minha casa e vi que você não estava em meu quarto. Me desesperei de imediato, pensando no pior, mas senti seu cosmo vindo de meu jardim e lá, eu encontrei você… — disse e colocou uma mecha de seu cabelo para atrás da orelha.

— Você fez o elo carmesin? Por que, Albafica?


Ele ficou em silêncio por alguns instantes, aumentando minha ânsia de ouvir sua resposta e respondeu:


— Eu já disse… e…

— Não! — o interrompi novamente. — Me desculpe, mas isso não está me convencendo. Você sabe os perigos de expor alguém ao seu veneno. Me diga! Eu quero saber!


Albafica se levantou e caminhou até a cadeira, apoiando uma mão sobre ela. Olhou para a janela e ficou em silêncio. Sei que ele me escondia algo, mas não sabia como lidar com isso. Olhei para ele, tentando desvendar o seu mistério, mas foi em vão. Ele olhou para mim enigmático. Engoli seco e senti meu rosto esquentar.


— Acho que você deva imaginar, cavaleiro de áries.


Aquelas palavras me atingiram de tal forma, que fiquei novamente sem palavras. Eu imaginava, mas o medo e insegurança, me fizeram agir com cautela.

 

— Não. Eu realmente não sei, peixes. Talvez, se não fosse tão vago, eu pudesse ter mais certeza do que está tentando me dizer. — respondi seriamente.


Ele caminhou devagar até a cama e parou em minha frente. Senti sua mão tocar em meu rosto e inclinei minha cabeça. Minha respiração se desestabilizou e sua aproximação, fez com que meu coração batesse fortemente. Fechei meu olhos e senti sua boca encostar na minha. O puxei para perto de mim e ele se deitou por cima, continuando o beijo. Suas mãos passearam pela lateral de meu corpo, encontrando minha perna e a puxou devagar. Arfei com o deslize de sua mão até minha nádega e a pressão de nossas intimidades aumentaram. A minha doía, tamanha excitação. Seus beijos desceram pelo meu pescoço e o cheiro de rosas que exalava de seus cabelos, me deixou completamente calmo e entregue a ele.


Trocamos um breve olhar e toquei em seus cabelos. Apesar dele estar conduzindo tudo de forma tão natural e desenvolta, seus olhos me diziam o contrário. Ele era tão inexperiente quanto eu. Deslizei as mãos até seu rosto e o puxei para mim, segurando firme sua cintura e rolando com ele para o lado. Sua perna repousou sobre meu quadril e coloquei uma das mãos por baixo de sua camiseta, enquanto beijava seu pescoço. Seus dedos puxaram de leve meus cabelos e ouvi o seu suspiro. O calor de sua pele em contato com a minha, fazia o meu desejo crescer. Queria beijá-lo por completo. Queria vê-lo cedendo a mim. Rendido. Assim como eu estava a ele.


Me livrei rapidamente de minha camisa, já que o calor que sentia estava insuportável e vi seu olhar. Fiquei um pouco sem jeito por me despir em sua frente, mas eu não iria parar.


Albafica se aproximou de mim e colocou os braços em volta de meu pescoço e tornou a me beijar. Conforme trocávamos mais beijos e carícias, nos despedíamos de cada peça restante de nossos corpos.


Olhamos um para o outro, ansiosos, com medo do que estaria por vir. Aos poucos, as coisas evoluíram naturalmente e finalmente pudemos conhecer juntos, o que era o prazer carnal pela primeira vez. Enquanto procurávamos estabilizar nossas respirações, trocamos carinhos e alguns beijos. Poderia ficar aninhado em seu peito para todo o sempre. Foi abraçado ao seu corpo que tive a confirmação do que mais gostaria de saber.


— Eu amo você, Shion.


Sorri com sua confissão e me aproximei, dando-lhe um beijo apaixonado. Ficamos abraçados por mais algum tempo e o vi dormir. Velei seu sono, enquanto o admirava e me senti a pessoa mais feliz naquele instante. Estar ao lado de quem ama, era o privilégio de poucos e quando se trata de um santo guerreiro de Atena, as coisas eram ainda mais complicadas.


Nos encontrávamos quase todas as noites, tanto em sua casa, como na minha. Alguns desconfiavam de nós, mas nunca nos questionaram sobre isso. O preço de ver Albafica feliz, era imensurável e saber que eu era a causa disso, me deixava ainda mais radiante. Sua felicidade costumava ser a minha e me empenhava cada dia mais, para manter aquele sorriso em seus lábios. O sorriso do qual sinto falta todas as noites.


No entanto, havia outra coisa que estava tirando meu sono...


Rumores sobre uma possível reencarnação de Hades, ganhavam força a cada dia que passava. Uma nova guerra santa estava por vir e isso me deixava entristecido. Sabia dos riscos que corríamos como cavaleiros e pensar sobre uma possível separação, deixava meu coração em pedaços. Se algo lhe acontecesse, não saberia o que fazer. O fato é que eu já pressentia que algo estava pra acontecer, mas não cheguei a comentar nada com ele.


Ainda me lembro da última noite que tivemos juntos. Albafica estava inquieto e isso me preocupava. Quando o questionei o porquê de seu silêncio, ele desconversou, dizendo que estava calado pois estava sem assunto. Eu sabia que ele estava omitindo e mentindo. O conhecia mais que qualquer um ali e isso me dava direito de saber mais sobre ele.


Enquanto observávamos o céu do jardim de sua casa, fui pêgo de surpresa, quando ele retirou sua camisa. Toquei as mãos suavemente em seu abdômen e quando fiz menção para que ele viesse para mim, ele negou com a cabeça. Olhei surpreso, mas quando suas mãos começaram a desatar o laço que prendia minhas calças, pude entender rapidamente o que queria.


Ele se aproximou de mim e me deu um beijo caloroso. Uma de suas mãos invadiu minha calça e agarrou firme meu falo. Arfei com o seu toque e fechei meus olhos. Seus beijos desceram pelo meu pescoço devagar e suas mãos subiram até a barra de minha camisa. Segundos depois, eu estava sem ela. Trocamos outro beijo e o puxei para cima de meu colo. Beijei seu pescoço, dando algumas leves mordidas pelo seu pescoço e desci os beijos até o seu ombro, me concentrando nesta parte algum tempo. Adorava cada parte de seu corpo e também, adorava causar-lhe arrepios, beijando as partes mais sensíveis de seu corpo.


De repente, ele interrompeu minhas carícias e me empurrou contra a parede da fonte. Olhei para ele e conheci uma nova faceta que até então desconhecia. Albafica sempre fora tão delicado e vê-lo conduzir as coisas de forma tão selvagem, me deixou ainda mais louco de desejo. Olhei para ele e mordi o lábio, vendo-o engatinhando em minha direção como um felino. Quando finalmente parou em minha frente, tentei puxá-lo para mim, mas ele se livrou de minhas mãos e balançou a cabeça para os lados.


— Não. Hoje você vai ficar quietinho… — sussurrou em meu ouvido e depositou um beijo, seguido de uma mordida no lóbulo de minha orelha.


Entrei no seu jogo e deixei que ele me surpreendesse. Estava adorando aquilo e minhas expectativas sobre o que estaria para acontecer, aumentava a cada toque. A cada beijo.


Alba começou a trilha de beijos pelo meu pescoço, enquanto as mãos desciam lentamente até meus mamilos. Não demorou muito para sua boca alcançá-los e me arrancarem alguns gemidos baixos. Acariciei seus cabelos e fechei meus olhos. Seus beijos continuaram descendo pelo meu torso, marcando-o em algumas partes e apertei meus lábios. Eu não consegui me conter, tamanho meu desejo por ele.


Afastei seus longos cabelos azulados, para que pudesse vê-lo e me perdi em seu olhar. Aquele olhar. Jamais irei esquecê-lo. Me senti como se fosse sua presa e que estava prestes a ser devorado.


Alba se afastou e puxou minhas calças, me deixando completamente nu. Ele sorriu com minha expressão e acabei corando. Ele voltou a sorrir e olhou para minha intimidade, o que me deixou ansioso. Olhei para ele e senti suas mãos encostando inicialmente de forma delicada, como costumava fazer, mas isso durou pouco, pois sua mão se fechou e chegou a puxar, me arrancando um gemido. Ele soltou uma pequena risada e olhei seriamente.


— Vai com ca…


Não pude nem completar a frase e senti sua boca me engolindo quase por completo. Tentei me conter, mas foi em vão. Soltei outro gemido. Sua boca deslizava devagar, aumentando ainda mais minha excitação. Sabia que ele iria longe naquelas provocações e não estava errado. Sua língua explorava cada centímetro, acompanhado de algumas sucções. Aquilo estava sendo tão prazeroso, que achei que iria me desfazer a qualquer momento, mas a cada sinal de que isso estaria por vir, ele parava e cravava suas unhas em minhas pernas.


Depois de algum tempo, não consegui mais me conter e o avisei, mas ele resolveu me ignorar. Fechei meus olhos e deixei a cabeça pender para trás, soltando um gemido rouco. Ofegava como nunca. Olhei para seu rosto e o vi limpando sua boca, passando o dedo no canto dela e sugando-o de forma provocante.


— Alba, temos que esperar um pouquinho e…


Mal consegui falar e novamente tive meus lábios tomados pelos dele. Pude sentir o meu gosto impregnado em sua língua e aquilo foi simplesmente extasiante. Abracei seu corpo forte e o beijei intensamente. Nos separamos alguns instantes, sem fôlego, e acariciei seu rosto.


— Eu te amo tanto, meu amor… — disse e o vi sorrir.

— Eu também te amo... Amo muito. — respondeu e me abraçou forte.


Beijei o topo de sua cabeça e o afastei. Ele me olhou curioso e acariciei seu rosto.


— Me faça seu… Somente seu.


Seu olhar mudou repentinamente e sorriu, aproximando a boca de minha bochecha, selando-a com um beijo terno.


— Você tem certeza?

— Sim. Eu tenho, meu amor. Quero que sinta que eu sou completamente seu, assim como eu sinto de sua parte.


Meu rosto foi acariciado e recebi um beijo carinhoso.


— Eu não duvido disso, meu anjo. Você não precisa…

— Não! Eu preciso. Eu quero me entregar pra você, Albafica!


Ele me olhou surpreso e me abraçou. Sua boca alcançou meu ouvido e sussurrou:


— Farei o que me pede, meu amor. O que eu não faço por você, não é mesmo? — disse e senti um arrepio.


Alba se levantou, me pegando no colo e me levou até o seu quarto. Chegando lá, me depositou gentilmente sobre a cama e estalou seus dedos. Vi o ambiente ser tomado por pétalas de rosas e sorri. Olhei para ele e o puxei para perto de mim, beijando seus lábios apaixonadamente. Em pouco tempo, já sentia o desejo voltar com força.


Ele me colocou de bruços e se posicionou por cima de mim. Suas mãos deslizaram pelas minhas costas e seus beijos desceram devagar até atingirem meus quadris. Fechei meus olhos e arfei. Alba afastou minhas nádegas e passou sua língua entre minhas nádegas. Estremeci com o contato e olhei para ele. Parecia se divertir com minhas reações e continuava os estímulos, sabendo exatamente como me tocar e onde tocar. Depois de alguns minutos, ele ousou ao me invadir com um dedo. Foi doloroso a princípio, mas a dor logo passou e consegui relaxar.


— Estou lhe machucando, meu amor? — olhei e balancei a cabeça para os lados.

— Não. Você está sendo bem cuidado. Não se preocupe. — sorri.


Ele retirou o dedo e voltou a me invadir, acrescentando outro. Apertei os lençóis e tentei me controlar para que ele não se preocupasse comigo. Ele esperou alguns instantes, até que eu me acostumasse e senti a prévia do que seria, quando ele usasse outra coisa que não fosse seus dedos. Enterrei minha cabeça no travesseiro, abafando meu gemidos e senti minhas costas sendo acariciadas, assim como minhas nádegas.


Alba puxou meus quadris, pressionando seu volume contra meus quadris e voltei a olhar para ele. Vi ele desamarrar suas calças, enquanto me encarava com um olhar luxurioso e desviei o olhar. Senti sua glande úmida roçar em minha entrada e mordi o lábio. Me virei de barriga para cima e o puxei para cima de mim, abraçando seu corpo e lhe beijando lascivamente. Abri as pernas para que ele procurasse se encaixar melhor e gemi, quando fui invadido por completo. Apertei meus olhos, deixando escorrer algumas lágrimas e gemi alto.Alba me beijou e começou a se movimentar.


— Meu amor… você quer que eu pare? — me perguntou com um olhar preocupado.

— Não… eu… só preciso me acostumar… — respondi e acariciei seu rosto.


Ele me olhou de forma carinhosa e beijou os meus sinais. Nos beijamos e desci as mãos pelas suas costas, encontrando suas nádegas. Pressionei minhas pernas contra seus quadris e gemi mais, pois aquilo estava ficando bom. Fechei meus olhos e senti ainda um pouco de dor, mas esta durou pouco tempo. Alba fora tão cuidadoso e fez tudo sem a menor pressa, sempre visando me deixar confortável. Não conseguia mais me conter e chamei seu nome a todo instante. Nossos corpos começaram a suar com o ritmo frenético que seus quadris empregavam contra os meus e gememos juntos a cada movimento.


Deixei as marcas de minhas unhas em suas costas e ele fez o mesmo, usando meu pescoço como alvo. Nos beijamos novamente e o ritmo de suas estocadas aumentaram consideravelmente, até que atingiram um ponto que até então eu desconhecia. Gemi alto, pressionando minhas unhas em suas costas e puxei para mim. Nos beijamos e ele continuou as estocadas até que cheguei ao ápice do prazer. Alba em seguida fez o mesmo e desabou sobre mim, mantendo seu rosto junto ao meu pescoço.


Sorri em meio a falta de ar e acariciei seu rosto. Ele inclinou sua cabeça e me deu um selinho demorado, voltando a deitar a cabeça sobre meu ombro. Abracei seu corpo e afaguei seus cabelos úmidos, pensando que nada poderia arruinar aquele momento. Estava decidido a dar a minha vida para mante-lo vivo. Preferia morrer em seu lugar, do que ver que algo lhe acontecesse.


Acabamos adormecendo em seguida e só acordei, quando o sol já estava alto. Olhei para o lado e não o vi. Me sentei na cama, sentindo um pouco de dor e me levantei, indo até o banheiro para tomar um banho. Depois de colocar minhas roupas, parti para minha casa. Enquanto descia os degraus, senti a presença de alguns espectros se aproximando do santuário e fiquei me perguntando onde estava Albafica. Quando cheguei em minha casa, paralisei.


Não pude acreditar que ele estava disposto a fazer o que tinha em mente. Olhei para a névoa vermelha aos pés do santuário e me comuniquei pelo cosmo com ele.


— O que pensa que está fazendo, Albafica?

— Shion, por favor, não interfira.

— Não… eu não posso. E se algo acontecer com…

— Basta! Por acaso me subestima, Shion?

— Não… Eu…

— Então proteja a sua casa e não ouse se meter em minha luta!


Cerrei os punhos, me sentindo impotente diante daquilo. Fiquei apenas observando tudo da entrada de minha casa. No fundo, ele tinha razão e eu faria o mesmo em seu lugar. Estávamos ali para cumprir nosso dever, mesmo que isso custasse nossa vida, mas… Alba. Eu tinha medo. Tinha receio, pois eu não queria perdê-lo.


Dohko chegou em seguida e tivemos uma breve conversa sobre Albafica. Expliquei a ele o que sabia sobre o cavaleiro e então finalmente pude sentir que a batalha havia começado. Dohko notou que eu estava um pouco apreensivo, mas não falou nada. Ele logo se despediu e subiu as casas, para falar com o grande mestre.


Continuei acompanhando tudo de longe, sentindo os cosmos de alguns espectros sumirem por completo e alguns se dispersaram. Restavam somente o de Albafica e daquele… Minos. Não demorou muito tempo para que mais espectros sumissem, graças às barreiras que ele havia deixado nos arredores do vilarejo e Senti um cosmo terrível aumentando. A névoa vermelha se dissipou por completo e dei um passo, pensando em ir até lá, mas lembrei de suas palavras.


Me peguei distraído, por uns instantes, enquanto lembrava de nossa última noite juntos e lembrei de nossa conversa. Eu sentia que havia algo de errado, mas eu quis ignorar. Eu não podia aceitar que agora que estávamos felizes, tudo poderia acabar. Aquela breve conversa foi uma despedida, mas eu não quis levar para este lado. Se eu pudesse voltar atrás, eu o impediria de alguma forma, mas agora é tarde. Seus últimos momentos ainda estão vívidos em minha memória.


— Shion… Não importa o que aconteça daqui pra frente, mas eu quero que saiba que você foi a única pessoa que eu amei.

— Alba…


Ele colocou o indicador sobre meus lábios e me beijou.


— Me perdoe, meu amor. Não direi isso no passado e no presente. Falarei no futuro, porque é impossível eu deixar de te amar. Te amarei para sempre.


Senti meus olhos marejarem e o beijei, deixando algumas lágrimas caírem. Alba as amparou e beijou meus olhos, me abraçando forte até eu adormecer.


Despertei daquela memória, sentindo meu rosto umedecido. Um dos cosmos se enfraqueceu e desapareceu por completo. Não era o de Minos. Abaixei a cabeça, tentando me manter forte e decidi que devia fazer algo. Eu sabia que logo ele apareceria por aqui, mas eu estava errado. Aquele covarde foi até Rodório, o vilarejo estimado de meu amado e começou a destruí-lo.


Fui até lá o mais rápido que pude e o encontrei a ponto de matar uma menina. Olhei para a rosa que havia em seu vestido e me lembrei sobre algo que Alba havia me contado sobre uma garotinha que o admirava. Minos abriu sua boca, me questionando se o motivo de minha presença era por vingança e senti a raiva crescer dentro de mim. Antes que eu pudesse agir, acabei pego pelo seu golpe. Meu corpo começou a se contorcer e senti meus ossos a ponto de se partirem, quando as linhas que me prendiam foram cortadas.


Olhei para a rosa negra e senti meu coração palpitar fortemente. Ele estava vivo? Pensei e o vi surgindo por trás da cortina de fumaça que se formou no local. Albafica passou por mim, tendo como foco acabar com aquele miserável e fiquei sem reação. A dor de vê-lo naquele estado era inestimável. Ouvi suas palavras e aquilo foi o suficiente para saber que eu o perderia de vez. Ele havia voltado com um único objetivo: Dar um fim em Minos. Não havia mais nada que eu pudesse fazer.


Peguei a garotinha e me afastei, observando a continuação daquela luta. O cosmo de Albafica aumentou gradativamente e lançou seus espinhos contra Minos. O juíz lançou seu contragolpe e Alba caiu no chão ajoelhado. Senti meu peito apertar e suspirei. Me levantei, já sabendo que aquilo havia acabado e me aproximei.


Ouvi suas palavras insolentes, dizendo que acabaria comigo, como fez com o meu Alba e olhei seriamente para ele. Disse que não havia necessidade, já que quem estava acabado ele e ao se dar conta de que havia sido pego pelo golpe estratégico de Albafica, ele se revoltou, unindo suas últimas forças para acabar com o vilarejo. Bloqueei seu golpe com minha muralha de cristal e o vi sucumbir à minha frente.


Olhei para seu corpo jazido no chão e me surpreendi, quando ouvi as últimas palavras de meu amado. Ele olhava para as pétalas que retornaram ao vilarejo à sua procura e pôs toda sua admiração naquele momento, já consciente que era seu fim. Eu apenas abaixei a cabeça desolado.


Carreguei seu corpo até o santuário e pedi ao meu mestre que eu ficasse encarregado de enterrá-lo. Abri a cova, deixando as lágrimas caírem livremente e me perguntei se aquilo tudo não havia sido um erro. Eu não conseguia lidar com o fato de que eu não o veria mais. E aquele ataque havia sido apenas o começo.


Me agachei e abracei seu corpo uma última vez e acariciei seu rosto. Derramei mais algumas lágrimas sobre o tecido que o cobria e beijei seus lábios. Não me conformava que aquela seria a última vez que o veria.


— Como vão ser minhas noites sem você, meu amor? Por que foi me deixar? Por quê? — perguntei em meio ao choro, tendo em mente que tinha que prosseguir e deixá-lo ir.


Coloquei seu corpo dentro do caixão de madeira e peguei um das rosas que havia separado para colocar junto ao seu peito. O beijei novamente e deixei mais algumas lágrimas caírem.


— Isso não é um adeus, meu amor. É um até logo. Sei que o verei novamente em breve. — sorri e puxei a tampa, selando-a com alguns pregos.


Coloquei o caixão dentro da cova com o auxílio de meu amigo, compartilhando não a mesma dor, mas a perda de um de nossos irmãos de armas.


Joguei a terra em cima do caixão e quando este foi coberto, espalhei algumas rosas sobre o túmulo. Peguei uma lápide e esculpi as primeiras letras, mas acabei caindo em prantos novamente. Dohko se aproximou de mim e tocou em meu ombro, como um gesto amigo e enxuguei minhas lágrimas.


— Shion, deixe que eu termine…

— Não… Não precisa, Dohko. Eu vou até o fim.

— Está bem, meu amigo. Tenha seu tempo.


Posicionei a estaca sobre a pedra e continuei entalhando seu nome devagar. Coloquei a lápide sobre o túmulo e bati algumas vezes, empurrando-a contra a terra. Me ajoelhei ao pé de seu túmulo e olhei para o céu noturno. Sorri ao ver sua constelação brilhando intensamente e saí dali minutos depois, voltando para a minha casa.


Sua ausência ficou insuportável com o término da guerra. Não tive muito tempo para pensar a respeito de sua morte, pois tinha que cumprir meus deveres. No entanto, eu sabia que isso viria à tona, mais cedo ou mais tarde. E foi o que aconteceu.


Não conseguia ter paz, pois sentia sua falta. As vezes, descia até peixes e ficava horas parado em frente à sua fonte. Desejava que aquilo fosse somente um pesadelo e que eu acabaria sendo desperto por ele de manhã, como costumava ser. Eu realmente desejava isso.


Dias, meses, anos… Dois séculos se passaram depois de tudo o que aconteceu.


A dor amenizou com o tempo, mas não apagou a chama que ainda queima dentro de mim. Seu veneno nunca me abandonou e ficava feliz com isso. Seu sangue corria junto ao meu. Ele ainda permanecia comigo, ainda que não fosse de carne e osso, mas estava em mim. Estranho? Sem dúvidas, mas sei que um dia o reencontrarei e esse desejo de vê-lo e tê-lo junto a mim irá passar de vez.


É o que eu quero. É o que eu espero. E sei que este dia está próximo. Espere por mim, Alba. Espere por mim.

26 de Março de 2018 às 16:22 0 Denunciar Insira 1
Fim

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