Ultraviolence Seguir história

damendes Daphinne Mendes

Naquele antigo e abandonado bar, as noites eram quentes e aconchegantes mesmo para pessoas com ideais tão egoístas e perigosos. Era uma atmosfera cheia de ódio e rancor, cheiro de sangue e conhaque… mas especialmente, graças a [Nome], era um santuário de canções românticas e uma taça de vinho. Calmo, aconchegante e extremamente sensual.



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Capítulo único

“Cause I was filled with poison, but blessed with beauty and rage”

Naquele antigo e abandonado bar, as noites eram quentes e aconchegantes mesmo para pessoas com ideais tão egoístas e perigosos. Era uma atmosfera cheia de ódio e rancor, cheiro de sangue e conhaque… mas especialmente, graças a [Nome], era um santuário de canções românticas e uma taça de vinho. Calmo, aconchegante e extremamente sensual.

Ela era definida com aquela palavra. Era linda, charmosa, uma poesia cantada, escrita em versos e estrofes quebradas. Um lado era bom, o outro era triste e maléfico.

Shigaraki Tomura usava boa parte de seu tempo atiçando aquela mulher das mais variadas formas. Falava que sua voz era venenosa, que quando abria a boca para cantar, fazia com que sua pele frágil tivesse urticária. Coçava-se no pescoço, nos braços, mas não os ouvidos. Nunca, nem sob tortura admitira que um dos maiores prazeres de sua vida, além de destruir as pessoas, era ouvir aquela mulher cantando. Era como uma cantiga de ninar quando ela falava de violência. Ele adorava.

Algumas vezes, após [Nome] juntar-se a liga dos vilões, Kurogiri jogava algumas indiretas para Tomura. Eram palavras simples, entretanto que causavam desconforto no homem. Faltava fazer birra, ameaçava matar Kurogiri, mas no fundo ficava quieto, olhando de rabo de olho aquela maldita mulher, cantarolando enquanto bebia vinho. Por que ela agia com tanta marra?

Mas Shigaraki descobriu. Como uma criança que ganha um brinquedo novo, ele recebeu aquela mulher em sua pele, como a alergia. Não mais se coçava por agonia, agora era por arrepios na pele desidratada. Aquela mulher lhe confrontou, disse primeiro, na frente dele, na maior dianteira possível que quando cantava, era apenas pra ele. Contara também que seus olhos escarlates lhe encantavam e lembravam sangue. Meu Deus, como ela era encantadora… chegava a constranger o homem.

Sentimentos. O que eram sentimentos, afinal? Eram coisas que davam coceira? Era o que fazia seu estômago revirar? Certamente era o que tirava seu sono, o que o fazia amar as poesias de morte que [nome] cantava. Tomura não dizia e nem mesmo aceitava… mas aquela mulher, com toda a sua postura firme e decidida, que mimava ele com a comida que cozinhava -a maldita até mesmo era melhor na cozinha que Kurogiri, fazia com que ele quisesse se encolher. Talvez em um abraço, num colo, como uma criança que quer o colo da mãe. Kurogiri achava ele infantil, todos achavam, afinal… menos [Nome]. Ela o entendia e o aceitava exatamente daquele jeito.

Nas noites em que a vingança era o assunto, em que o ódio por All Might era o ponto, geralmente o homem dos portais sabia que deveria se retirar. Notava que as mãos de Tomura arranhavam a mesa, como se fosse um sinal. Ele olhava para [Nome], do outro lado do bar, trajando um vestido de seda branco, dado por ele mesmo. Ah, como Tomura adorava dar presentes a ela… como se fosse um pagamento adiantado pelas canções que ela cantaria naquela noite. E aquilo caía muito bem em sua pele. O tecido parecia combinar perfeitamente em textura e leveza. Chegava a ferir os olhos de Tomura com o quão bonita ela estava. Sentia vontade de machucar sua pele, arranhar e…

— Você deve estar morrendo de sono, Tomura-kun —ela disse, pousando a taça de vinho no balcão do bar. Levantou-se, quase deslizando pela cadeira alta e caminhou. Ela parecia um fantasma se aproximando, a mão esquerda deslizando pela bancada a caminho de Tomura. Ele não negou, mas ficou extremamente intimidado com aquilo. Não queira que ela chegasse tão perto, como agora chegava, invadindo sua privacidade como as vezes ele invadia a dele, sem escrúpulos e sem piedade.

Mas ela o fez. Ela desobedeceu sua ordem silenciosa e agora estava perto, tão perto que Tomura podia sentir a essência de óleo de banho. Avelãs. Ele se afastou para trás, ainda sentado na cadeira, mas ela continuava perto demais, os lábios curvados num sorriso diabólico.

— Não há sono para quem planeja matar o All Might e destruir essa geração —ele comentou, saltando para outra superfície, algum assunto que pudesse lhe trazer novamente a sede de vingança e de raiva. Talvez daquela forma [nome] recuasse com seu cheiro delicioso e pele macia. Ah, aquela pele que um dia ele já teve a sorte de tocar…

E então ela tocou. Aquela mão de dedos finos e mornos tocou seu pescoço. Tomura sentiu um arrepio instantâneo, e como um animal que acaba por sentir o perigo eminente, ele recuou, a mão dando um tapa violento na mão dela.

A máscara de mão no rosto dele quase caiu com a agitação, e então ele fitou o rosto dela, incrédulo, irritado e ferido. Ela achava que tinha tanto controle sobre ele… acreditava com todas as fibras daquela poesia que podia manipulá-lo como bem queria. Ela podia, como podia… mas não assim, não tão rápido… não antes de cantar para ele, como quem toca uma harpa para fazer adormecer.

Ela não pareceu ofendida com o tapa, muito pelo contrário, parecia divertir-se. Era realmente como uma poesia, era violenta, perturbadora e ao mesmo tempo linda. Poesias das trevas eram daquele jeito, e era daquelas que Shigaraki Tomura gostava.

— Você gosta de brincar, não é, [nome]? —ele perguntou, a voz baixa e arrastada, provocando arrepios na pele da mulher. Era tudo um jogo… um jogo para ver quem desistia mais rápido… e quem estava realmente no controle. — Sabe que dessa brincadeira eu não gosto… você é esperta, sabe muito bem disso.

— Aprenda a mentir melhor, Tomura-san. Ou então para de joguinhos e vem —ela o chamou, não, praticamente o intimou. Segurou o pulso dele, tão gelado que parecia uma pedra de gelo. Puxou-o bem devagar, os pés mal tocando o chão enquanto tateava com os dedos. Puxou até o limite em que Tomura podia ficar sentado. E via, via com clareza nos olhos escarlates dele que ele queria, mas continuava a resistir igual uma criança birrenta.

— Anda… aprendi uma nova música pra cantar pra você.

Tomura não precisava resistir, afinal, ninguém mais o estava vendo além dela. Vulnerável? Longe daquilo. Divertido, era a palavra certa. Gostava agora daquele jogo de seguir [Nome] até o quarto do hotel acima deles. O bar localizava-se logo abaixo de um prédio abandonado e velho, o esconderijo perfeito para a vilania… e o local perfeito para jogar jogos da mente, da manipulação, como Shigaraki gostava.

Odiava contato físico, tudo o deixava extremamente desconfortável, mas havia algo no toque de [Nome] que era violento para manter-se longe. Era um imã com cheiro de avelã, aquela bendita poesia desenhando-se em sua pele como fogo em brasa. Ele a seguia pelas escadas, vendo o vestido de seda ondulando a medida que ela subia, apenas os tornozelos a mostra. Ah, como ele conhecia as trincheiras do corpo dela… de uma forma que talvez mais ninguém conhecesse.

E o resultado, a mera conclusão chegava a mente perturbada e violenta de Tomura: [Nome] era dele… e ele era dela.

I can hear sirens, sirens

He hit me and it felt like a kiss

I can hear violins, violins

Give me all of that ultraviolence

Tomura parecia em transe ouvindo [Nome] cantar na frente dele, ainda segurando seu pulso e o puxando para aquele quarto escuro e aconchegante. Perderia o controle facilmente, mas não gostaria do resultado daquilo. A boca já estava completamente seca, ansiando por umidade, e podia até sentir a coceira surgindo no pescoço. Queria coçar, coçar sem controle até arrancar sangue, mas resistiu.

Algo em [Nome] fazia com que quisesse resistir.

Ao chegar no quarto, exatamente quando ela mencionou violência na canção, ele olhou para a mão. Os dedos alongados pareciam querer avançar até ela. Poderia fazer coisas horríveis, desintegrar seu corpo aos pouquinhos… mas não. Ela não gritaria da forma que ele queria ouvir. Precisava ter muito controle, absurdo para conseguir manter as mãos quietas… mas nunca sabia o que fazer. Nunca sabia onde deixar as mãos, o que fazer com elas para acabar não machucando [Nome] sem necessidade. Era perigoso, e aquele perigo era a poesia de Shigaraki Tomura.

A mão foi até os cabelos dela, onde apertou, comprimindo o couro cabeludo e formando um gritinho de susto dos lábios dela em uma importante estrofe da música. Ele subiu os degraus que faltavam para chegar nela, e sua mão foi solta finalmente dos dedos dela. Bingo. Ele chegou onde queria.

Aproximou-se devagar. A cabeça dela estava curvada para trás, não porque queria, mas porque ele mandava. O rosto coberto pela mão roçou no ombro dela, tão devagar que causava agonia. Ela estava tão quieta… como um felino quando a pele de seu pescoço é segurada. Agora era ele quem estava perto, tão perto que poderia sentir a respiração dela em seu peito, as costas inflando para trás e depois comprimindo. Os dedos podiam sentir a maciez dos cabelos, e agora alí, repousando no ombro, apenas os olhos avermelhados encarando-a de perfil, e emitiu uma risada.

— Você é uma mulher incomparável —ele disse, aquela voz tão relaxada e calma… aquilo sim era música para os ouvidos de [Nome]. — Me deixa com vontade de destruir você… pedaço por pedaço… mas como quando sua voz é tão… encantadora?

Ela riu, a voz levemente engasgada pela pressão que ele fazia. Ah, como era divertido ver Tomura crer com tanta veemência que tinha controle… era maravilhoso, era a definição da felicidade de [Nome]. Os pelos do corpo estavam completamente arrepiados, especialmente os da nuca. Tinha horas que desejava sentir o toque dele… o quanto ansiava era seu motivo de cantar… cantar com aquele sentimento.

Sentimento… o que era sentimento para [Nome]? Era acordar pelas manhãs, fazer gargarejo e ensaiar durante o dia, ouvindo as birras de Shigaraki sobre o All Might e então sorrir para ele. Sentimento era cantar para ele e ser adorada, idolatrada… somente por ele.

Era o fato de que ela alcançara a mão no rosto dele, e o aperto em seus cabelos se intensificou três vezes mais. Acabaria derramando lágrimas, mas qual deles não gostaria? A mão foi removida e caiu no chão, expondo o rosto de Shigaraki ao mundo. A resposta ao estímulo foi tão rápida quanto o ato, pois a mão soltara os cabelos de [Nome] e se direcionara ao pescoço. Sim… a pele dele em contato com a dela, mesmo que segurando a garganta para impedir qualquer tipo de som que ela pudesse emitir. A canção acabou.

[Nome] encontrava-se presa ao corpo dele, exatamente como queria. As costas no peito magro e duro, o braço ao redor da cintura e a mão no pescoço. Agora o rosto dele encontrara aquele ponto sensível na clavícula, onde os lábios ressecados se apoiaram e um sorriso se abriu.

— Acho que isso é um empate. Eu não gosto de perder —ele disse na pele. A alça do vestido deslizara pelo braço macio, e não precisou de muito para que fosse exposta boa parte de seu busto. Para Shigaraki aquilo era uma visão melhor do que a explosão de qualquer edifício ou a morte de qualquer um. Curioso. — Sua pele é tão macia… exatamente como sua voz.

I could have died right there

Cause Jim was right beside me

Jim raised me up

He hurt me but it felt like true love

Jim taught me that

Loving him was never enough

O controle de Shigaraki não duraria muito tempo. A qualquer momento poderia desintegrar alguma parte do corpo de [Nome], mesmo que não quisesse. Havia mais coisas para se controlar em seu corpo, em seus sentidos… Havia aquela pressão na braguilha dos jeans negros… aquela pressão tão forte que ele conhecia bem. A canção terminara muito bem, ao mesmo tempo em que começara a música dos dois.

[Nome] abraçou a cabeça de Tomura, mantendo-a em seu ombro, sentindo a respiração ritmada no pescoço. Aquele vapor quente e delicioso… era tudo o que ela precisava naquele momento. Era aquele sentimento… mesmo que para ele o significado fosse completamente diferente. Ela o confortou, assumindo a carícia e o afago. Virou-se devagar, como se não quisesse assustá-lo, e então fitou seu rosto. De perto podia ver que ele tinha a expressão de um poema torto, uma poesia cantada ao som de órgão. Era psicótico, perigoso e extremamente bonito aos seus olhos. Sorriu pra ele, a mão antes lhe enforcando agora faria carícias sobre a garganta. O sorriso rasgado que ele tinha chamou sua alma, e a sinfonia começou instantaneamente.

— Você não parece tão violento olhando de perto —ela sussurrou. Entrelaçou os dedos na nuca do homem, os cabelos cinzas fazendo cócegas nos dedos. Com isso o sorriso dele morreu, e os olhos escarlates se fecharam. Aquele era o ponto fraco dele. O empate era evidente agora. — Continue me tocando… que continuarei a cantar.

Ela mesma o beijou. Praticamente enterrou o rosto junto ao dele. Era uma melodia romântica, o som do órgão e da voz agora surgindo de ambos os ouvidos. Shigaraki Tomura sempre ficava sem jeito e sem reação a afeto, mas era a regra: não havia como resistir a [Nome], a sua voz e especialmente ao seu toque de veludo. Que combinação perigosa… tanto quanto seus olhos ou suas mãos.

Eles se encaixavam, exatamente como voz e piano. Não havia nada de violento naquilo.

I can hear violins, violins… give me all of that ultraviolence

7 de Março de 2018 às 20:37 0 Denunciar Insira 1
Fim

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Daphinne Mendes Alguém que escreve por amor <3

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