23 de dezembro Seguir história

nanahoshi Nanahoshi G

Todoroki jamais se incomodou com o inverno. O frio sempre lhe fizera bem. Entretanto, naquele inverno, a neve lhe parecia uma maldição e o frio que lhe regelava os ossos parecia zombar do erro que ele cometera no último inverno. Como ele pôde? Como ele pôde fazer isso justo com a garota que amava? [Todoroki Shouto x Reader] * Esse é o meu presente para minha sis maravilhosa @_Heisenberg , que merece todos os angst do mundo.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas. © Os OCs encontrados que não pertencem à obra "Boku no Hero Academia" são de minha autoria assim como enredo. O restante pertence ao Kohei-sensei!

#romance #fanfiction #boku no hero academia #angst #bnha #todoroki shouto #todoroki
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22 de dezembro

BNHA tá fazendo milagres na minha vida. Em pouco mais de uma semana, eis me aqui com a terceira história desse anime maravilhoso. Só que essa não é uma história qualquer. É uma história especial, pois é o meu presente (super atrasado) de aniversário para minha sis maravilhosamente diva, sensacional, fabulosa e rainha, @Tamaki_Pixel.
Antes de fazer minha homenagem, quero avisar duas coisas: se você tem o coração meio sensível para situações em cadeia muito angustiantes, recomendo que leia essa fanfic em um dia que você esteja mais feliz ou não tão sensível. Eu juro q quase passei mal escrevendo esse primeiro capítulo, pq eu sentia tudo como se estivesse na pele dos personagens. O segundo aviso é que eu não sei qual será o tamanho dessa fanfic, mas estimo 10 capítulos no mínimo. Não existe limite para o tamanho do capítulo, já que a dona da fanfic não se importa com esse critério, então tenham paciência comigo caso eu meta um capítulo de 7k de palavras ASHASHUAHSHUAH
Agora, vem a parte da nota destinada à daph-chin. Daph-chin, eu juro que farei meu melhor para vc sofrer muito nessa fanfic e ficará com muita vontade de escrever a longfic de BNHA que estamos planejando. Vc amará ainda mais seu husbandinho <3 Como eu disse mais cedo, preciso dar o meu melhor para a melhor das sis! Vc n tem noção da minha felicidade de estar escrevendo novamente para você, porque não tem preço de ver animada e empolgada. Você me dá um ânimo enorme para escrever, porque está sempre me apoiando, chorando comigo as mágoas de escritora, e me compreendendo como ninguém nunca fez <3 Confesso que ter você na minha vida está sendo a realização de um sonho de consumo no quesito amizade: aquela amiga que eu criei um laço tão profundo que até parece mentira, aquela com a qual eu posso fazer aquilo que eu gosto e do jeito que eu quero, sem me preocupar em ser julgada como infantil ou brega. Seeempre quis ter alguém para surtar sobre animes, husbandos e escrever muitos romances sobre, e depois compartilhar todo o resto do meu eu com essa pessoa. E eis que eu te encontro sis <3 Socorro, como combinamos tanto?
Esta é apenas mais uma fanfic de muitas que pretendo escrever para você, e prometo tentar me superar sempre pq vc merece o melhor. Viu como fazemos a outra evoluir? <3 Eu te amo muito sis.
Desfrute dessa sofrência que você tanto ama! 



Eu nunca me incomodei com o frio.

Na verdade, o frio sempre foi a sensação que mais me agradava. Ele me negava aquilo que eu mais desprezava e trazia para perto coisas que eu amava.

Contudo, agora, a neve que eu via caindo lá fora me deixava agoniado. O vento gelado que vez ou outra adentrava meu quarto agora me regelava as entranhas, denunciando que eu não tinha mais com o que me aquecer... E as noites longas me lembravam do quanto eu me sentia só.

O inverno não era mais aconchegante.

Quando foi que isso mudou mesmo?

Virei a cabeça inconscientemente e conferi o pequeno calendário fixado na parede do quarto. Meus olhos vagaram pelos números e dias da semana, até que se detiveram num quadrinho que ainda não estava riscado.

23...

Ah...

O som do número cavou um buraco em peito.

É mesmo...

Foi no dia 23 de dezembro...

--------------------------------

O som do despertador fez [Nome] dar um pulo na cama. Com o coração disparado, a garota desligou o toque estridente e voltou a se deitar esparramada sobre o cobertor. Sua mente acordava devagar: enumerou as etapas de sua rotina matinal, revisou mentalmente o horário das aulas do dia, perguntou-se onde tinha deixado seu uniforme, tentou lembrar qual era o dia da semana...

[Nome] colocou-se sentada na cama num pulo. Avançou direto para o celular, atrapalhando-se no momento de destravar a tela. Sim, era hoje! O dia que ela havia aguardado ansiosamente durante meses: o seu aniversário. [Nome] nunca esperara tanto por um aniversário quanto aquele. Afinal, Todoroki havia feito uma promessa: naquele dia, ele seria inteiramente dela, independente do que acontecesse. Com as mãos trêmulas e olhos brilhando de expectativa, [Nome] correu os dedos pela tela até encontrar o ícone do aplicativo de mensagens. Abriu-o e correu os olhos pelas conversas ativas. Tinha que estar ali em algum lugar...

- Ah! – ela exclamou, extasiada.

A garota clicou no ícone da conversa com seu namorado e correu os olhos ansiosa pela mensagem. Foi aí que [Nome] sentiu o peito afundar. A mensagem de Todoroki havia sido enviada muito cedo, por volta das cinco da manhã. Mas não, não fora nenhuma tentativa de ser o primeiro a parabeniza-la: Todoroki sequer mencionara seu aniversário. E pior...

Ele havia quebrado sua promessa.

"Bom dia, amor. Infelizmente, não sei que horas poderemos nos encontrar hoje. Houve uma emergência muito grave, eles tiveram que chamar todos os estagiários. Terei que faltar as aulas, inclusive, e não sei quando serei liberado. Me desculpe. Falo com você assim que puder".

Era isso que a mensagem dizia. [Nome] como se alguém tivesse jogado uma placa de chumbo contra seu peito. E essa placa de chumbo... eram todas as inseguranças e dúvidas que haviam surgido sobre seu namoro com Todoroki desde que haviam ingressado da Universidade UA.

[Nome] nem tomou consciência de seu corpo se movendo para cumprir o protocolo da manhã. Trocou de roupa, escovou os dentes, penteou o cabelo, mas sua mente sequer registrou seus gestos. Sua mente zumbia com as lembranças de seu primeiro ano como universitária e como tudo mudara entre ela e Todoroki. Antes de entrarem na Universidade, sua relação com Todoroki era um sonho. Dividiam o tempo entre suas atividades, faziam o que podiam juntos, mas também sabiam respeitar o espaço um do outro. Além disso, mesmo sendo mais sério e contido, Todoroki se revelara um namorado muito atencioso, carinhoso e companheiro. Se ajudavam apoiando um ao outro, e isso fez com que ambos amadurecessem como pessoas e como heróis. [Nome] jamais se sentira tão feliz em toda sua vida.

Contudo...

[Nome] sabia muito bem de como Todoroki era disputado pelas agências de heróis, já sendo considerado melhor que muitos profissionais que estavam há anos atuando no ramo. Também sabia de sua posição: por não conseguir controlar 100% de sua Peculiaridade e dosar os efeitos colaterais, [Nome] não chamava tanto a atenção quanto o namorado. Mas isso nunca fora um problema. Já lidara com os estádios do ensino médio e com muitas outras situações; aquilo nunca fora um empecilho para os dois.

Até que ambos ingressaram na Universidade UA.

A vida de Todoroki como herói, que já era particularmente agitada no ensino médio, se tornou um inferno. Requisitado por uma agência de heróis renomada, Todoroki já começou estagiando logo no primeiro período. Fora isso, tinha que cumprir o horário das aulas, fazer os trabalhos passados pelos professores e estudar para as provas. Isso minou bastante o tempo que Todoroki tinha disponível para [Nome]. No começo, ela compreendeu que aquilo era o melhor para seu namorado, mas então as coisas foram de mal a pior. As horas de estágio de Todoroki começaram a se esticar além do horário padrão à medida que ele ganhava fama resolvendo casos na região. E no momento que o garoto encerrava sua carga horária do dia, tinha que lidar com uma horda de jornalistas desesperados e empresários gananciosos. Além disso, a agência onde estagiava começou a exigir sua presença em coletivas e eventos de marketing. E como um legítimo perfeccionista inseguro, Todoroki atendeu aos pedidos sem questionar.

Dentro dessa rotina do namorado, [Nome] se sentia sortuda se conseguisse se encontrar com ele uma vez por semana. Depois, esse intervalo aumentou para duas. [Nome] sabia que Todoroki estava construindo seu futuro...

Mas era um futuro no qual ela não parecia estar inserida.

Um vazio tomou conta de [Nome] gradual e silenciosamente, e quando achava que não podia se sentir mais sozinha, aconteceu.

Assim como ela e Todoroki, muitos que estudaram na UA no Ensino Médio também entraram na UA University. E isso incluía todos os membros da turma 3-A do curso de heróis, que estavam juntos desde o primeiro ano. E é claro que os holofotes já haviam se convergido para alguns alunos, que foram requisitados para estágios desde cedo como Todoroki. Dentre eles, havia Yaoyozoru Momo. Não que [Nome] tivesse alguma rixa pessoal com ela, mas a garota odiava a forma como muitas pessoas insinuavam que ela e Todoroki dariam um ótimo casal. E isso não cessou nem mesmo quando [Nome] começou a namorá-lo. Porém, a garota nunca precisou se preocupar com aquilo: Todoroki ignorava todos os comentários do tipo, e deixava bem claro através de suas ações com quem ele achava que formava um ótimo casal. No fim do terceiro ano, [Nome] tinha até se esquecido da existência de Yaoyozoru, e isso se estendeu até o começo do segundo período da universidade.

Todoroki recebeu a notícia que outro aluno estagiaria junto com ele. Para o desgosto de [Nome] o aluno era na verdade Yaoyozoru Momo. E para piorar, mais uma atividade foi adicionada à rotina de Todoroki: treinos obrigatórios de equipe. Com isso, o garoto começou a passar mais tempo com Momo do que com a própria [Nome].

Sentindo como se tivesse um bloco de uma tonelada em cada membro do corpo, [Nome] se arrastou na direção da porta de seu dormitório. Estava sem um pingo de ânimo para assistir aulas. No meio do trajeto até a porta, [Nome] passou por sua escrivaninha para pegar sua pasta, mas assim que puxou-a da mesa, um envelope caiu no chão. Ela se abaixou para pegá-lo e, ao erguê-lo na altura dos olhos, reconheceu a caligrafia de sua mãe. Um nó se formou em seu estômago e [Nome] empurrou rapidamente o envelope para um canto da mesa. Porém, seu olhar continuou sobre ele, enquanto a proposta que sua mãe lhe enviara no meio do segundo período ressoava em sua mente. Quando leu a primeira vez, pareceu insana, mas à medida que sua situação com Todoroki fora piorando, a ideia passara de loucura para extremamente tentadora. Contudo, a fraca esperança de que Todoroki ainda voltaria a ter tempo para ela não lhe permitia aceitar a proposta.

[Nome] piscou os olhos e balançou a cabeça. Já estava num péssimo humor, e ficar ruminando aquilo só a faria piorar. Aprumou-se, pegou seu casaco, suas luvas e seu cachecol que ficavam num suporte perto da porta, vestiu-os e saiu para a manhã gelada de dezembro. O vento gélido e a brancura do cenário roubaram momentaneamente o ar dos pulmões de [Nome].

"Neve!", exclamou ela mentalmente.

A primeira neve do ano. E justo no dia do seu aniversário.

Ugh.

Os sons da palavra "neve" e "aniversário" fizeram seu estômago se torcer ao invés de borbulhar de expectativa. Se seu namoro com Todoroki estivesse como antes, aquele seria o aniversário perfeito. Ambos adoravam a neve. O inverno sempre fora a estação favorita dos dois...

[Nome] suspirou pesadamente e baixou os olhos numa expressão de derrota. Ficaria tudo apenas em suas expectativas. Todoroki não estava ali. Ele sequer lembrara de seu aniversário.

Balançando novamente a cabeça e agradecendo a brisa congelante que regelava seu rosto, [Nome] seguiu para seu centro de aulas. Ao chegar em sua sala, todos conversavam animadamente sobre o feriado de fim de ano que começaria no dia seguinte e se estenderia até depois do ano novo. As conversas sobre a ceia de natal, presentes e viagens criavam um clima bastante festivo, mas [Nome] se sentia completamente à parte daquilo. Seguiu cabisbaixa para sua carteira, e chegou tão silenciosamente que sua melhor amiga, [N/A], só percebeu sua presença quando [Nome] se sentou.

- [Nome]! – exclamou [N/A] se jogando sobre a amiga. – Feliz aniversário!

[Nome] sorriu agradecida pelo abraço. Estava realmente precisando de um.

- Obrigada, [N/A]. – respondeu um pouco embaraçada.

Seus colegas ao redor também a cumprimentaram. [Nome] já havia se acostumado com o fato de que quase ninguém lembrava de seu aniversário, já que era tão próximo do Natal. Contudo, fora sua família, duas pessoas sempre haviam sido impecáveis: [N/A] e Todoroki. Bom, isso até aquele dia.

[Nome] voltou sua atenção para a amiga, que remexia o conteúdo de sua mochila. Com uma exclamação de alegria, ela puxou um embrulho azul um pouco amarrotado e um saco branco amarrado com fita vermelha e entregou-os para [Nome].

- Eu caprichei na escolha esse ano. – comentou [N/A] sem se importar em soar convencida. – Achei a sua cara. Ah, e o saquinho branco são os cookies que minha mãe mandou.

[Nome] sentiu o ânimo voltar um pouco enquanto desembrulhava o presente da amiga. Quando abriu o papel machê que vinha por dentro, deixou uma exclamação de espanto escapar. [N/A] sorriu, satisfeita.

-Não acredito que você encontrou! Eu estava louca atrás dessa calça! – exclamou [Nome], maravilhada.

A calça era de um azul-esverdeado metálico marcado por arcos enfileirados fazendo com que parecessem escamas. E [Nome] amava tudo relacionado à sereias e ao mar, já que sua Peculiaridade estava intimamente liga à água. A garota se levantou para abraçar a amiga.

- Muito obrigada, [N/A]! Eu adorei!

[N/A] mediu-a de cima abaixo com um olhar pensativo.

- Eu sabia que você ia gostar, mas confesso que esperava ver você mais animada. Aconteceu alguma coisa, [Nome]?

O pouco de ânimo que surgira no rosto de [Nome] desapareceu. Seu olhar baixou para o chão enquanto ela se sentava com movimentos lentos. [N/A] observou os gestos da amiga com uma expressão apreensiva. Era sempre fácil demais saber quando havia algo errado com [Nome]... O que havia se tornado algo comum há um tempo. De testa franzida, [N/A] esperou a explicação.

[Nome] falou sobre a mensagem de Todoroki e a promessa que ele fizera algumas semanas atrás. [N/A] ouviu atentamente e, depois de pensar um pouco, disse:

- Pode ser que tenha dado algo errado mesmo... Ou talvez ele esteja te preparando uma surpresa. Não dá pra julgar muita coisa agora já que o dia está começando e temos aula a manhã toda.

O raciocínio de [N/A] fez a esperança aninhada no peito de [Nome] inchar um pouco. Talvez fosse isso mesmo. Todoroki poderia estar tramando alguma coisa, porque afinal, mesmo prometendo o dia todo, ambos tinham aula no período da manhã naquele dia. A garota até sorriu, se sentindo revigorada.

Mas isso não durou muito tempo, pois no horário de almoço, aconteceu.

As TVs da praça de alimentação da Universidade estavam sintonizadas num programa qualquer quando subitamente a transmissão foi interrompida. O fundo vermelho do plantão de notícias preencheu todas as telas e a voz da jornalista que apareceu em seguida soou alta nos altos falantes do salão:

- Depois de uma operação que durou pouco mais de 10 horas, uma equipe de heróis conseguiu conter o avanço de um grupo de vilões que visava o Laboratório F.P.H., que fica ao norte do distrito de Shizuoka. A operação só foi bem sucedida graças à chegada de reforços da cidade de Musutafu: a equipe do herói Ghost Fox, formada por dois estagiários da UA University, Shouto e Creati. Eles chegaram às 7 da manhã e a ação conjunta dos ajudantes foi essencial para a contenção dos vilões...

E enquanto ela falava, imagens da batalha piscavam na tela incessantemente. [Nome] assistiu, encantada, a performance de seu namorado contra os vilões sem demonstrar um pingo de medo. Uivos e aplausos corriam a multidão de alunos na praça de alimentação e [Nome] sentiu um calorzinho de orgulho subir por seu peito.

"Shouto... Você é realmente incrível.", pensou [Nome] abrindo um sorriso. "Agora eu compreendo que você devia estar muito nervoso com toda essa confusão acontecendo... Com certeza não ia se lembrar..."

[Nome] quase se sentiu reconfortada, mas não se deixou convencer por completo. Voltou sua atenção para a tela. O herói Ghost Fox fazia um pronunciamento, falando sobre a dificuldade da operação e sobre a incrível atuação de seus estagiários.

- Eles foram impecáveis no campo de batalha. Acataram os comandos e souberam tomar as decisões certas. – o peito de [Nome] tornou a se aquecer. - ... vamos fazer uma comemoração pelo sucesso da primeira grande operação deles.

Na hora, [Nome] não percebeu. A informação foi captada por seu inconsciente e solidificou-se a medida que as horas do dia se arrastaram e Todoroki não dava nenhum sinal de vida. [N/A], então insistiu para que saíssem para comemorar seu aniversário.

- Eu consegui entrada VIP para aquele salão super chique que fica no centro, o Metropolis. Vamos, por favor! Você vai até ganhar um prato de graça por ser seu aniversário!

Depois de vários minutos ouvindo a insistência de [N/A], [Nome] cedeu com a condição de poder voltar pra casa ou sair caso Todoroki aparecesse. [N/A] concordou um tanto receosa, mas não disse mais nada.

[Nome] foi à comemoração, mas sua mente estava em outro lugar. Seus dedos buscavam incessantemente pelo aparelhinho em sua bolsa, e seus ouvidos estavam atentos a qualquer som de mensagem ou ligação. As horas se arrastaram, e [Nome] ficava cada vez mais nervosa. Porém, quando passavam das dez da noite, uma confusão começou na entrada do bar em que se encontravam. De início, ninguém estava entendo nada, mas logo, a multidão crescente de jornalistas e fotógrafos começou a levantar suspeitas. [Nome] foi puxada por seus amigos até a aglomeração para ver o que estava acontecendo. No instante em que a garota alcançou a multidão e conseguiu se instalar num lugar com boa visão, um carro particularmente chique parou diante da porta do bar e dele desceram um grupo de pessoas. À frente, estava o Ghost Fox trajando uma combinação formal, e logo atrás dele...

Estavam Todoroki e Momo um ao lado do outro.

Todoroki trajava um sobretudo negro, mas por baixo dele, podia-se ver que ele usava um blazer preto por cima de uma camisa social cinza, e um cachecol vermelho vinho enrolava-se em seu pescoço. A calça combinava com o blazer, e nos pés, usava um sapatênis. Momo trajava um casaco extravagante repleto de plumas e sob ele, podia-se ver um vestido rosa longo tipo canudo que moldava seu corpo até o joelho. Do joelho para baixo, o tecido escorria livre até o chão. Ela também usava luvas num tom rosa mais escuro.

[Nome] encarou-os com os olhos vidrados. Era uma visão realmente deslumbrante. Pareciam mais estrelas de cinema do que estagiários. Todoroki avançou para dentro do salão com uma expressão impassível, enquanto Momo parecia estar levemente envergonhada. Outros heróis e estagiários da Agência Kal-El Hero entraram em seguida, e muitos deram entrevista explicando que estavam ali para comemorar o sucesso da operação no norte de Shizuoka. [Nome] permaneceu com os olhos fixos em Todoroki e Momo, que adentravam o salão quase que solenemente. No fundo de sua mente, as vozes dos seus colegas da UA soaram, maliciosas:

Eles não formam um belo casal, não acha?

Vocês combinam tanto?

Todoroki, a Momo é sua namorada?

[Nome] trincou os dentes e sentiu o corpo tremer. Abrindo os braços, a garota forçou passagem até que se colocasse à margem do corredor humano que se formara para que os heróis passassem. Quando finalmente conseguiu, Todoroki e Momo estavam quase alcançando o local onde ela estava. [Nome] aprumou-se e fixou o olhar no namorado. Porém, nesse instante, um grupo de jornalistas se amontou a sua frente, e ela teve que distribuir cotoveladas para não ser jogada de volta na multidão. Enquanto lutava, permaneceu encarando Todoroki, mas ele não desviava os olhos para onde ela estava. [Nome] esperou mais um pouco e, quando ele estava praticamente à sua frente, ela deu um passo adiante... Mas foi empurrada por dois jornalistas que avançaram como abutres sobre uma carcaça. Com o movimento abrupto, Momo chegou instintivamente mais perto de Todoroki e sua mão subiu para agarrar seu cotovelo. A garganta de [Nome] se fechou. Ela pareceu se esquecer como se respirava. Os jornalistas atiraram pergunta atrás de pergunta para os dois estagiários destaque da Kal-El Hero, e entre elas, [Nome] ouviu algumas nem tão relacionadas ao incidente daquele dia:

- Vocês estão namorando?

- Já se conheciam antes?

- Começaram a namorar antes ou depois do estágio?

[Nome] ouviu Todoroki negar aquilo tudo e se esquivar das outras perguntas... Mas só. Não disse mais nada. Não falou nada sobre ela, nem mesmo seu nome.

Era como se ele tivesse se esquecido dela.

Ah... De fato.

Ele a havia esquecido. No seu próprio aniversário. Não enviara nenhuma mensagem e, ao invés de voltar para, no mínimo, parabeniza-la pessoalmente, Todoroki optara por se juntar à comemoração de seus colegas de trabalho. Claro, a operação fora arriscadíssima, e a atuação de Todoroki fora fabulosa. Era importante comemorar com seus colegas...

Mais importante do que estar com ela naquele dia.

Os olhos de [Nome] se arregalaram em choque, e ela se deixou ser empurrada para trás. Seu mundo pareceu ser sugado para dentro do buraco que se abrira em seu peito, e ela nunca se sentira tão distante de Todoroki como naquele momento.

Seus anos na UA agora pareciam um sonho distante. Via muito mais o namorado na TV do que pessoalmente, e isso, aos poucos, se tornara a rotina de [Nome]. Sentia falta de estudar com ele, caminhar da sua casa até a escola ao seu lado, conversar enquanto almoçavam, treinar juntos ou simplesmente desfrutar da presença um do outro em silêncio. Porém, agora, [Nome] sabia que nada daquilo importava mais para Todoroki. Ela não era mais uma prioridade em sua vida.

Passar o tempo com [Nome] não o faria se tornar o herói que ele sempre sonhara ser.

Sem nem ouvir direito o que estava sendo dito ao seu redor, [Nome] só pensava em sair dali. Cambaleou para longe da multidão sem sequer se lembrar de [N/A] ou dos outros. Saiu do salão a passos trêmulos e entrou no primeiro taxi que avistou. Sequer notou o vento gélido que corou suas faces desprotegidas. Lembrava-se vagamente de ter dito o endereço para o motorista, então o carro a levou. Ao chegar em seu dormitório, arrastou-se para dentro e jogou-se na cadeira de sua escrivaninha. [Nome] baixou a cabeça e focou num objeto retangular branco que jazia sobre a mesa.

A carta de sua mãe.

A garota estendeu as mãos trêmulas para o papel e voltou a abri-lo pela enésima vez. Correu os olhos pelo conteúdo da carta de sua mãe e depois puxou o papel que havia por baixo. O brasão formado por dois "H" maiúsculos saltou diante de seus olhos como se oferecesse a solução da situação. [Nome] pegou o celular e apertou o único botão que havia na tela.

22:49.

A garota respirou fundo e se levantou. Foi até o armário, escolheu seu casaco mais quente, trocou a calça, apanhou um cachecol e avançou novamente para a porta. Ao abri-la, sentiu o vento gélido que ignorara na saída do salão. Não nevava como mais cedo, mas aquela noite estava fria.

Muito fria.

*

Já passavam das duas da manhã quando [Nome] ouviu os passos. A garota se ergueu de seu esconderijo no corredor dos dormitórios masculinos, movimentando as articulações doloridas pelo frio. Caminhou até a parte externa e aguardou a aproximação do vulto adiante. Quando Todoroki estava a uma distância que [Nome] julgou suficiente para que ele a ouvisse, a garota chamou:

-Shouto.

O garoto ergueu os olhos bicolores e arregalou-os em choque ao ver a namorada para ali, àquela hora numa noite tão fria.

-[Nome]! O que está fazendo aqui!? – ele perguntou num tom urgente apressando os passos na direção de [Nome]. Contudo, o olhar que ela lhe dirigiu o fez estacar depois do terceiro passo.

- Que dia é hoje, Shouto? – perguntou [Nome] numa voz dura.

"Que dia é hoje?", repetiu Todoroki em sua mente. "Por que ela quer saber que dia é hoje...?"

Sem entender o que a namorada queria, mas receoso pela forma que ela o olhava, Todoroki não ousou não responder:

-Vinte... – ele disse, em dúvida. – E dois...

Um sorriso leve e sarcástico curvou os lábios de [Nome].

-É? – perguntou num tom que refletia o sarcasmo de sua expressão.

Todoroki franziu as sobrancelhas e puxou o celular do bolso. O relógio marcava 02:07... do dia 23 de dezembro.

23... 22...

A expressão de choque que tomou conta do rosto de Todoroki foi indescritível. Seus olhos se arregalaram além do limite que [Nome] imaginava possível e sua boca abriu num pequeno "o" de espanto. O garoto estremeceu.

- [Nome]... – ele disse num tom melancólico permeado por um pedido de desculpas.

- Eu sei o que você passou hoje. – cortou [Nome] antes que ele tivesse a chance de dizer mais algo. – Na verdade todo mundo sabe. Passou na TV o dia todo. Foi realmente incrível.

Ela fez uma pausa na qual Todoroki mal ousou respirar.

-Mas eu também sei o que você passou hoje de noite. – ela acrescentou elevando a voz de forma seca. – E não foi pela TV que eu fiquei sabendo.

Como se fosse possível os olhos de Todoroki se arregalaram ainda mais.

- [Nome]... – o nome saiu quase num gemido de dor. – Eu...

-Eu sei o que você vai dizer, Shouto. – cortou [Nome] pela segunda vez. – Você estava fazendo o seu trabalho. Afinal, estagiários tem que apenas acatar ordens, certo? E é importante comemorar com os colegas de trabalho para fortalecer a relação... Mais importante do que o aniversário da sua namorada.

A última frase de [Nome] foi como um soco na boca do estômago de Todoroki. Ele quase arfou, mas sua garganta estava seca demais para isso.

-Eu amo você, Shouto, e quero muito que você realize os seus sonhos. – continuou [Nome] num tom mais melancólico. – Você está construindo seu futuro como herói... Mas eu não estou inserida nele.

A garota sorriu de forma melancólica, os olhos agora empoçados de lágrimas.

-Eu realmente amo você, mas eu não aguento mais isso. – [Nome] balançou a cabeça numa tentativa falha de espantar as lágrimas, que escorreram quase ferventes contra seu rosto gelado. – Vou seguir sozinha daqui em diante. Acabou.

A garota avançou na direção de Todoroki, mas passou rente à silhueta petrificada do namorado. Entretanto, quando deu alguns passos adiante, sentiu uma mão agarrar-lhe o braço.

- [Nome]! – disse Todoroki com a voz mergulhada em desespero. – Eu posso... Posso mudar isso! Eu...

- Não. – interrompeu-o [Nome] com a voz baixa, mas firme. – Já é... muito tarde.

E com um simples movimento do tronco, [Nome] livrou-se do aperto de Todoroki e caminhou de volta para seu dormitório. O garoto permaneceu ali, parado, o corpo tremendo, o rosto fixo na silhueta de [Nome] se afastando até que ela fez uma curva e saiu de seu campo de vista. E ele sabia que não era só de sua vista.

[Nome] saíra de sua vida.

Todoroki como se um buraco negro se abrisse subitamente em seu peito, puxando seu mundo para a escuridão. Por algum motivo, seus olhos baixaram para olhar a tela de seu celular novamente.

23 de dezembro... Já era dia 23...

Como ele pôde fazer aquilo com [Nome]? Como ele podia ter esquecido?

Como ele a havia esquecido?

Um vento glacial soprou sobre Todoroki fazendo seu corpo se enrijecer e tremer violentamente. O que estava acontecendo? Ele jamais se incomodara com o frio. Outra lufada de ar fez seu corpo tremer ainda mais.

Aquela foi a primeira vez que Todoroki sentiu o quanto o inverno poderia ser dolorosamente frio.



Agora todo mundo respira e vai escutar uma música alegre AUHSAUHSUHAHUAHS Sofreram muito? Eu espero que sim (Nana-chan que horror) AUSHAHSUHAH. Mas é que senão não seria angst <3 Gostaram meus amores? Estão curiosos para o que vai acontecer a seguir? Não se acanhem em comentar suas impressões sobre o capítulo <3 Responderei todos com o maior carinho do mundo!
E você sis? Sofreu do jeito que você queria? PREPARADA PARA A COISA IR DE MAL A PIOR? Espero que sim pq essa vai ser a fanfic angst das fanfics angst! Vamos fazer o Todoroki se arrastar XD.
Muito obrigada a quem leu até aqui e até o próximo capítulo. Beijos da Nana-chan!

 

6 de Março de 2018 às 05:07 0 Denunciar Insira 0
Leia o próximo capítulo 23 de dezembro

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