misssiozo Miss Siozo

Cansada de viver uma vida a qual julgou não ser a sua. Anna e seu outro eu Lola decidiram a melhor coisa que poderiam fazer, recomeçar sua vida e viver em sua plenitude sem as malditas regras. Também postada nas plataformas Nyah e Spirit.


Conto Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#Drama #Ficção #Originais #MissSiozo #Lola
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Capítulo Único

Notas da Autora

"Lola" é um manifesto contra o modo de viver hipócrita e a restrição de ser quem verdadeiramente é.
Leia e tente descobrir quem ela é.

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Eu andei escondida por tempo demais, estive presa por miseras amarras de uma sociedade hipócrita. Talvez ela(eu) não tivesse conhecimento desse lado tão diferente do qual demonstra (ou aparenta) ser todos os dias. Há uma fúria interior, um desejo incendiário e queimava por dentro por não poder expor seus verdadeiros pensamentos. Quando a mudança começou a acontecer? Não dou a mínima! Prazer Lola.

Não precisei de drogas para surgir, alguns vão dizer que estou possuída por um demônio ou que enlouqueci e há quem acredite que sou uma pobre com alter ego, já que só vale em manifestação artística de gente rica ou então que possuo dupla personalidade. Eu só sei que eu sou eu, não posso dizer que sempre fui ou que permanecerei assim, ninguém sabe de nada nem eu tenho grandes certezas sobre tudo. Acho que a única certeza que possuímos é sobre o ciclo da vida: “Tudo o que nasce morre”.

Talvez fosse por uma vida difícil desde a infância com bullying e outros infortúnios como perder as pessoas amadas, as inúmeras desilusões com a vida e as pessoas, os sentimentos de raiva e tristeza por sentir-se impotente perante o mundo e a incapacidade de manter os poucos laços construídos. No final de tudo encontrava-se sozinha, as vezes isso era um grande alívio porque é um saco trocar sorrisos e palavras falsas com “pessoas de plástico”, ela quase tornara-se um deles, por pouco não perdeu para a morte precoce. Demorou muito tempo para deixar de ser “ela” e “eu”. Raros momentos pude mostrar quem era quando a doce Anna precisava sobreviver a essa selva com aquelas instruções estúpidas:

“1 – Não fale tão alto, nem seja rude.

2 – Seja gentil até com quem não mereça.

3 – Tenha uma postura aceitável para uma boa garota, não sente-se como um menino ou uma mulher promíscua.

4 – Vista-se com roupas decentes.

5 – Aceite algumas “brincadeiras estupidas” desde que isso não te faça uma vadia.

6 – Não tente parecer inteligente demais.

7 – Na dúvida sorria.

8 – Obedeça seus “superiores” sem questionar.

9 – Não enrole demais para aceitar um noivado.

10 – Seja o que seus pais ou cônjuge querem que você seja.

11 – Não viva em pecado.

12 – Sonhos são coisa de gente desocupada ou problemática”

Se tu não achaste nenhuma dessas “regras” no mínimo idiotas saia daqui! Isso parece ter sido retirada de uma cartilha americana de mal gosto da década de 1950. Por mais que as palavras não sejam exatamente assim podemos resumir toda essa sandice em: “Seja uma mulher submissa e gentil, caso ainda consiga ser realmente feliz será um bônus”. Só digo um grandioso “DANE-SE ESSA MERDA”!

Eu estive nos sonhos dela e era a parte de sua consciência que gritava de longe durante o dia e a dominava completamente durante a noite. Todo aquele ódio do mundo o qual convertia a si, seus medos e desejos mais profundos. Sentia excitação ao ver os filmes de terror ou que de visse alguma forma de dominação as escondidas. Dava seus risos mudos enquanto os outros dormiam e depois sentia o peso da culpa no dia seguinte. Ela tinha vício em ação e rezava todos os dias para se livrar de mim (ou todo o mal, como preferira chamar) até perder a fé nesse tal deus que dizia ser um pai oras bondoso e outras punitivo, perdeu a fé nas tais “regras” e em tudo o que conhecia. Aquele foi o momento perfeito para a fusão. Arrumei as malas, saquei alguma grana e comprei uma passagem de ônibus para qualquer destino aleatório, mudei o visual e forjei outra identidade, assim aqueles hipócritas jamais saberiam de mim.

O início sempre é mais difícil, não poderia dar ao luxo “dela” pensar em voltar atrás e se condenar a merda. Não há nada de errado trabalhar num bar argentino, usar roupas de couro e maquiagem forte, não há nada errado em fazer o que quer quando se tem vontade desde que não infrinja as leis locais e muito menos apaixonar-se por uma pessoa que queira ficar com seu verdadeiro eu sem restrições e aceitando você como um todo. Não existe nada melhor do que a real liberdade. Eu sou como a fênix tatuada em minhas costas, Anna renasceu Lola quem sempre deveria ter sido. Após duas intervenções cirúrgicas e outra viagem para outro continente. Beijos, amor, vodca, chocolate e rock’n’roll, pode dizer que vivo uma mentira, eu costumo dizer que agora vivo de verdade.

Se há alguma condenação após a morte por eu ter vivido à minha maneira honesta, trabalhando e sem ferir as pessoas, eu não quero ir para o mesmo “inferno” que esses hipócritas “caga-regras”! Não aceito! Não lembro de ter pedido para vir a esse mundo e procurei por um sentido até encontrar e tentar deixar minha bosta de marca. Apenas quero que quando falem o nome “Lola” a primeira associação seja a mim, mesmo que não seja tão positiva assim.

O meu recado é para que seja quem tiver que ser. Tente realizar seus sonhos. Não permita que te façam sentir inferior ou limitado. Lute pelo o que deseja.

Um aperto na bunda ou uma mordida na orelha (carinhoso e consentido, é lógico), brincadeira! Só queria tirar uma com você. Seja feliz,

Lola.

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Noas finais

Agradeço desde já quem leu ou ao menos se interessou por essa história. Uma one-shot original, uma ideia que surgiu ao ouvir a trilha sonora da série Lucifer e ao ler inúmeras notícias. Acho que por dentro todos nós somos "Lola".
Até a próxima fanfic ^^

3 de Março de 2018 às 00:00 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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