Snow Fox Seguir história

u702985440 JV Bearmount

As vezes na vida, corremos de nossos problemas. Esquecendo o porque de estamos fugindo e entrando num labirinto infinito, onde acaba por causar mais dano que o esperado


Conto Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#LabirintodeRosas #MeninadeBranco #SnowFox
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A luz no fim do caminho

Snow Fox

Correr. Era a única ação que seu corpo conseguia fazer, do que? Ela não sabia, mas algo dentro de si dizia para ela continuar, era um jardim, enorme que não parecia ter fim com seu labirinto de rosas, com paredes feitas por longas raízes cheias de espinhos, estreitas e altas.


As paredes formavam caminho confuso que sempre faziam ela ir parar em becos sem saídas e a andar em círculos, por conta dos espinhos e dos caminhos estreitos suas pernas e braços eram marcados por pequenos cortes, não chegavam a dor, mas conseguiam deixar marcas muito bem visíveis no corpo alvo da garota, feitos pelos espinhos finos e longos.


Era uma garota simples, com uma beleza encantadora, cabelos longo e lisos, ondulados nas pontas, de um loiro escuro que reluzia na luz sol enquanto ela corria, ficando com alguns fios presos entre os espinhos das rosa. Seus cabelos faziam um contraste com a pele branca, quase pálida, olhos verdes que pareciam mudar de cor, cada vez que ela ficava longe da luz do sol ficando mais claros como esmeraldas, ou escuros como musgo fresco.


Usava um vestido branco, tecido fino simples e leve, com um decote pequeno que deixava parte dos seios pequenos expostos enquanto ela se mexia, a saia, curta até metade das coxas, com pequenos rasgos por causa dos espinhos das paredes de espinhos.


Não importava o quanto ela corria, parecia que aquele lugar não havia fim, sem olhar pra trás ela continuava sua corrida pela construção feita pela natureza, correndo de um perigo invisível a quem olhava de fora, mas para ela o perigo era tão visível como uma parede de pedra. Seus olhos se mantinham fixo no caminho a frente. não importava quantas paredes ficavam a sua frente, tentava sempre ir em frente e nunca olhava pra trás, algo a assustava, suas pupilas dilatadas tentavam expor algum sentimento perante a cena.


Seus pés não se cansavam, os cortes pareciam que eram sempre feitos nos mesmo lugares, como se ela seguisse pelo mesmo caminho e se cortava nos mesmos espinhos, não aumentavam , não pioravam, eles continuavam os mesmos, algo estava estranho, ela percebia que não importava o quanto corria sempre acaba passando pelos mesmos lugares, o mesmo caminho, os mesmos espinhos que feriam sua pele nos mesmos lugares.


Seu corpo parou por um momento, uma fração de segundos enquanto os impulsos nervosos passeavam pelo seu corpo até chegar em seu cérebro, criando outros impulsos elétricos, seu coração disparava e seus pulmões logo pararam de soltar ar, ele pós as mãos em seu peito, sentindo um grande aperto, enquanto ela lutava para o ar sair pela boca, nada saia.


Era como se algo a sufocasse e ela não conseguiria impedir, sua vista escureceu, mas não era efeito de sua falta de ar, uma fumaça negra tomou o lugar, ficando ao redor dela, ela sentia essa fumaça entrar por seu nariz, não tinha cheiro nem gosto, mas a sensação dela entrando em seu corpo e impedindo ela de respirar a deixava assustada, seus cortes depois de tanto tempo pareciam doer como se tivessem sido feitos agora, uma dor ardente corria por seu corpo, era uma tortura.


Num piscar de olhos, tudo sumiu, a fumaça, o labirinto, a dor, tudo sumiu. O cenário inteiro fui mudado, de um labirinto de rosas, uma área coberta de neve, tão branca quanto seu vestido e sua pele. Uma grande floresta cinzenta distante fazia o cenário parecer mais belo, e ao mesmo tempo bonito, pois olhando para o outro lado, não havia nada, um grande vazio assim como o céu, tomado pelas nuvens brancas tapando o céu com flocos de neve caindo devagar.


A garota se deixou cair sentada na neve, não sentia mas aquela sensação de sufocar, respirando fundo deixando o ar entrar em seus pulmões, o ar saia gelado, naquela fumaça por ser o ar quente se misturando com o frio, uma prova dela ainda estar viva, mas por que não sentia o frio? Sua mente, confusa até agora tentava pensar em tudo que acontecia com ela, desde a corrida infinita pelo labirinto até a sombra que tirava seu ar.


Seus pensamentos foram interrompidos por um som medonho, parecia com um rosnado rouco e mórbido, ela olhou para trás num instinto e ficou espantada, uma fera canina, do tamanho de um lobo, completamente escura, com dentes grandes expostos com um liquido preto viscoso escorria por sua boca, enquanto uma fumaça negra saia por seu corpo, seus olhos eram tão brancos como aquela neve, mas ao mesmo tempo obscuros. Ela ficou paralisada, seus membros não pareciam responder ao seu único pensamento, fugir.


O “lobo” rosnava, uma mistura de um rosnado canino com o grunhir de um javali, permaneceu parado encarando a garota, enquanto sua baba caia manchando a neve branca, seu corpo inteiro parecia estar molhado pelo liquido negro, em seu primeiro movimento, o tempo parecia ter parado, a garota tinha parado de respirar. O tempo voltou a se mexer, a besta deu um salto para pegar impulso e correr até a jovem, seus olhos brancos fixos nelas travaram o alvo, deu outro salto, abrindo sua enorme boca capaz de abocanhar sua cabeça, ela conseguiu ver, em alguns segundos os dentes curvados e tortos do lobo, mas assim como a velocidade que o animal sinistro saltou algo mais rápido apareceu.


Um rugido alto prendeu a atenção da jovem, que ao virar o rosto conseguiu ver uma grande sombra saltar sobre o lobo, ela ficou perplexa, um enorme e robusto urso pardo surgiu rugindo, saltando sobre o maligno ser canino, que virou uma fumaça negra, com um agonizante som de agudo que foi abafado pelo poderoso rugido do urso.


O grande animal se levantou, conseguindo ficar em pé em suas patas traseiras, mexendo a cabeça farejando algo, ate que seu pequeno olhos marrons encontraram a garota caída na neve, encolhida com o olhar ainda fixo onde o lobo estava, ele logo voltou seus olhos para o urso que pareceu se mover até ela, ficando com o focinho quase colado no rosto dela.


Sentiu o ar quente e o calor que o ursídeo emanava de seu corpo, foi quando de maneira brusca ele lambeu o rosto da garota, um movimento que fez ela recuar, a língua molhada e quente do urso a assustou por um minuto, passou a mão para limpar a baba do grande animal, quando ele viu uma sombra sobre ela, e o enorme urso a “abraçou”, jogando seu grande corpo sobre o da garota a envolvendo num abraço, ela soltou um pequeno gritinho pela ação do urso, mas por algum motivo não sentia medo.


Seus instintos que estavam desligados até agora, pareciam querer fazer ela se acalmar, mesmo se sentindo sufocada mais uma vez e sentir seu corpo ser exprimido pelo abraço do gigante peludo. Não demorou em ela sentir seu corpo “livre” do abraço, ao ouvir o urso soltar um gruindo, ele se afastou dela ficando em suas quatro patas com a cabeça pra baixo, com sua orelha sendo puxada por uma pequena raposa branca, quase invisível na neve.


Ela sentiu um estranho sentimento, maravilhada com a beleza do pequeno animal, e no qual cômico era ver ela subjulgando um animal muito maior, ela soltou a orelha do urso, que bufou e deu meia volta, indo em direção a floresta, enquanto a pequena raposa ficou encarando a garota, as duas trocaram olhares, a raposa tinham os olhos da mesma cor que ela, mas eram mais claros.


A pequena criaturinha se aproximou devagar, rodeando a garota antes de chegar perto dela, passando seu corpo por ela, sentiu seu pelo macio e quente enquanto a raposa parecia chegar perto dos cortes em suas coxas, ela os lambeu fazendo a garota estremecer, deixando a raposa livre para fazer isso, mas sua atenção foi desviada para a marca vermelha nas costas da raposa, pareciam marcas de dentes, talvez feitas pelo mesmo lobo que quase a atacara, e o urso não a protegera por vontade própria, e sim vingando sua amiga. Esses pensamentos passaram sua cabeça enquanto ela acariciava a raposa.


O tempo parecia não passar normalmente naquele lugar, parecia que tinha se passado horas, enquanto ela fazia carinho na raposa que agora estava em seu colo, e suas cotas apoiadas no urso pardo, que voltara para a companhia delas, ela parecia confortável ali, não sentia o frio do lugar, mas conseguia sentir o calor que tanto o urso como a raposa davam a ela.


Um sorriso inocente brotou em seus lábios delicados, ela viu, seus cortes, que a raposa fez questão de lamber todos, pareciam ter ficados menos visíveis, quase como se tivessem já cicatrizados, sendo apenas marcas que ficassem visíveis na pele branca, ele sentiu um pequeno alivio, e um sentimento de tranquilidade ali, ele olhou pra cima, vendo logo iria escurecer, mas ao mesmo tempo que o por do sol tinha sido tampado, as nuvens tinham se aberto para a luz da lua.


Algo mais incomum aconteceu tanto a raposa quanto o urso pareciam ter seus próprios “brilho”, a raposa começou a brilhar numa luz fraca, que ia ganhando intensidade assim como a troca de cores, ia de um azul para um rosa e um roxa, as cores mudavam de forma suave fazendo a garota esboçar um sorriso maravilhada com aquilo. O urso não ficava pra trás, sua “luz” era um vinho que entrava de contraste com seu pelo marrom escuro. Ela não conseguia entender porque eles brilhavam, mas não era necessário saber o motivo, a beleza nisso já era o suficiente e o momento parecia ser belo demais para procurar lógica em tudo isso.


O céu começou a ficar mais limpo, dando à garota a visão das estrelas, e completamente da lua minguante, curvada de uma maneira que lembrava um sorriso. Era uma sensação confortável, o calor vindo do urso e a maciez do pelo da raposa faziam seu corpo relaxar, e sua mente antes conturbada e confusa parecia conseguir seguir seu caminho.


Um outro brilho parecia chamar sua atenção, se aproximando ao longe, brilhando em um florescente arco Iris, um urso-panda se aproximava, e montado nele uma garota, tão branca quanto ela, mas com cabelos castanhos escuros, curtos com uma franja cobrindo seu rosto, ele se aproximava junto do panda colorido olhando para a jovem com um sorriso bobo no rosto, sua cara redonda com bochechas coradas não escondiam seu corpo maduro e sua expressão travessa.


O urso levantou a cabeça para ver as novas convidadas daquele momento, rosnando e virando o rosto permanecendo deitado soltando algumas bufadas, fazendo a raposa olhar com uma cara de desaprovação pro urso soltando um pequeno grunhido fazendo a jovem rir um pouco. A raposa saiu de eu colo quando o panda se aproximou dela, se deitando também na neve para a morena sair de cima dele.


Ela sorriu para a garota, que se levantou para ver melhor a visitante, notando a grande diferença de altura entre elas. A morena era visivelmente mais alta que ela, mas não chegou a assustar e sim a encantou, não somente isso como a beleza dela, algo naquela garota alta fez o coração da menor ficar agitado, talvez o sorriso brincalhão que parecia ter muitas intenções, os olhos verdes como o dela, mas muito mais claros e vivos, usava um vestido igual dela, mas muito maior cobrindo até os joelhos, com a saia também com alguns rasgos bem maiores. As duas permaneciam desse jeito, se olhando, cada uma admirando o rosto da outra, enquanto a raposa branca parecia fazer o mesmo com a panda enquanto o urso dormiu ali mesmo depois de rosnar e “resmungar”.


A troca de olhares parecia terminado quando a maior deu o primeiro passo até a garota, as fazendo ficarem próximas de mais, a menor corou e ficou surpresa com a aproximação da maior mas não recuou, mas não deixou de levar um certo susto ao abraço súbito dela, mas diferente do urso que não sabia medir sua força, era algo mais controlado, carregado, sem força, uma demonstração não só de carinho, mas também de desespero misturado com uma alegria e medo.


Ela ficou imóvel, não sabia como reagir ao ato, conseguia sentir todos os sentimentos que eram transmitidos naquele simples contato, que era ao mesmo tempo muito especial. Quando uma onda passou por sua cabeça, lembranças, dolorosas e ao mesmo tempo confortáveis bombeavam em sua mente, sem perceber lagrimas saiam de seus olhos molhando o ombro da maior, que ao sentir isso desfez o abraço e olhou para ela, com os olhos igualmente molhados, mas ainda com o mesmo sorriso.


“Finalmente te encontrei....minha raposa”


Disse de maneira delicada fazendo a garota finalmente soltar o que ela mantinha a tento tempo guardado, um grito, ela gritou de dor enquanto uma fumaça negra saia de sua boca se dissipando na mesma hora, a pequena raposa e a panda ficaram ao lado das garotas, o pequeno animal ficou unto da garota enquanto ela terminava de jogar as sombras para fora de seu corpo. Ela sentiu seu corpo fraco, não conseguia sentir força para continuar. Ela caiu, deixando seu corpo ser estendido pela morena, que a segurou com carinho e fez um carinho em sua cabeça.


Finalmente, depois de tudo isso, a corrida pelo labirinto, as feridas causadas pelos espinhos, o sufocar no meio da nuvem, ser quase atacada por um monstros sombrio, a garota finalmente conseguia sentir a paz, um conforto em seu coração que lembrava que fora tirado dela. Ela então sentiu, depois de todo esse tempo, o cansaço, a exaustão que parecia que ela havia perdido depois de tudo isso, suas pernas fraquejaram e ela se deixou cair nos braços da morena, sentia tontura, era como se pudesse cair a qualquer momento, mas sem o medo de antes.


Ela, reunindo um pouco de suas forças restantes levantou sua cabeça, e olhou nos olhos da morena, dessa vez a surpreendendo, um beijo, um simples e singelo contado entre os lábios das duas, pequeno e sem intensidade, mas que carregava ali todo o sentimento reprimido das duas, como se não fizessem isso a anos, e talvez tenha sido não é?


Não demorou para ele terminar,aquele contado deixou ambas com os rostos corados, mas não quebravam o contato visual, que parecia ser o mais importante no momento, mas somente entre elas, mas também entre a raposa e o panda, que pareciam trocar caricias.


A loira parecia ter recuperado parte de suas forças, o suficiente para conseguir ficar em pé sozinha, s e segurou na mão da morena, deu um sorriso carregado de toda a felicidade sentindo no momento olhando para ela que respondia do mesmo jeito.


“Obrigado por esperar......pandinha”  


1 de Março de 2018 às 19:35 0 Denunciar Insira 0
Fim

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