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yuisamamikaze

Ele tinha aparecido de novo e agora ele o tinha na palma da sua mão, era garantido, desta vez ele iria conseguir a recompensa pela cabeça de Arthur Kirkland! Aquele maldito de sorriso presunçoso iria aprender de uma vez por todas que ninguém faz de idiota o grande Alfred F. Jones e sai impune! Aquele espião inglês nunca mais iria rir dele enquanto levanta aquele chapéu estúpido numa despedida ironicamente educada! Como ele odeia aquele chapéu estúpido! E aquele sorriso! Santo Deus, ele odeia tudo o que aquele homem tem para oferecer aquele mundo!


Fanfiction Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#Fluffy #EngPort #Spy #Mistério #Drama #LGBT+ #Yaoi #Hetalia
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Capítulo Único

   Ele tinha aparecido de novo e agora ele o tinha na palma da sua mão, era garantido, desta vez ele iria conseguir a recompensa pela cabeça de Arthur Kirkland! Aquele maldito de sorriso presunçoso iria aprender de uma vez por todas que ninguém faz de idiota o grande Alfred F. Jones e sai impune! Aquele espião inglês nunca mais iria rir dele enquanto levanta aquele chapéu estúpido numa despedida ironicamente educada!

   Como ele odeia aquele chapéu estúpido! E aquele sorriso! Santo Deus, ele odeia tudo o que aquele homem tem para oferecer aquele mundo!

   Não que ele fosse alguém horrível ou que fez algum terrível ao mundo, muito pelo contrário, o inglês é um dos melhores agentes da Inteligência Inglesa e por ser tão bom tem certo inimigos que colocaram um preço considerável pela sua cabeça no submundo. Ele como um Caçador de Recompensas respeitável claro que tentou ter a cabeça de Arthur.

   E toda a santa vez que ele tentou ele escapou sem nunca olhar para trás.

   Porém desta vez seria diferente! Aquele maldito tinha se colocado do lado errado da polícia desta vez numa missão qualquer que fez e agora ele está a sua procura e a Inteligência Inglesa deve ter deixado o seu agente agir sozinho sem nunca referir a sua existência, pois se fizesse certamente existiriam curiosos problemáticos e isso ninguém quer. A polícia sabendo que ele também estava interessado em apanhar o espião entrou logo em contacto com ele para ele ajudá-los e ele não foi idiota em dizer não, pois o sentimento de uma carteira cheia por fazer algo que quer era muito agradável.

   Então, agora, aquele que até mesmo chegou a ser chamado a Personificação da Inglaterra pelo seu trabalho tão cuidadoso, estava aqui a fugir e esconder dele. Eles estavam em pleno dia na cidade, perto de uma igreja histórica onde se pensa que o inglês se tinha escondido, ao abrir a porta ele só se depara com o padre de sorriso gentil a acender as velas.

   — Desculpe. — Chamou ele tentando manter a cama, existiam alguns civis a orar na igreja e ele não queria causar um escândalo. Porra, trabalhar assim não faz nada o seu estilo. — Viu algum inglês a entrar por aqui?

   O padre olha de maneira estranha para ele e depois solta uma pequena risada, gentil, baixa e educada enquanto escondia a boca com a mão e a manga longa da sua batina. — Estamos em Inglaterra, óbvio que muitos ingleses entram aqui senhor.

   Alfred sente as sua bochechas se corarem com vergonha da sua burrice extrema para fazer uma pergunta tão tola. — Sim, desculpe pela pergunta. — Ele soltou um riso nervoso. — Estou a procura de um inglês, olhos verdes, cabelo loiro, de sobrancelhas estranhas. — O americano faz o gesto com a mão da grossura da sobrancelhas do espião inglês, que estranhamente consegue disfarçar elas em qualquer disfarce que queira.

   O padre pensa, olhando para o horizonte seriamente , até que pareceu desistir suspirando profundamente e dando um olhar triste para Alfred. — Desculpa, não consigo lembrar-me de ninguém assim, aparecem bastantes pessoas por aqui, por ser uma igreja tão popular.

   — Eu compreendo. Obrigado pela ajuda na mesma. — Alfred sorri para o padre e quando vira costas ele faz uma face frustrada. Aquele maldito poderia estar em qualquer lugar! Ele era mestre em enganar e no disfarce, nem vamos falar a arte de negociar ou nas suas habilidades de luta, tanto com armas ou corpo a corpo.

   Ele sabia que estava a anos luz de tanta habilidade, mas ele sentia que poderia pegar o inglês somente com um bom plano, mas Arthur tinha sempre um com plano A, B, C e D. O americano estava em tão clara desvantagem que chegava a ser irritante, para ele como para os da polícia que ele estava a ajudar, esta era para aí a sétima vez que ele tinha Arthur na mão e ele escapava, eles certamente iriam dar-lhe mais uma chance e depois ele seria mandado embora.

   E do nada, quando Alfred estava para sair da igreja ele vê o padre a entrar pela porta a frente, com aquele sorriso gentil e Alfred sente o seu sangue gelar, quando olha para trás o padre com quem tinha falado já não estava lá e as velas estavam todas acesas como se fosse um grito do quanto lento ele era que até mesmo ele teve tem de acender o resto sem o outro perceber a sua verdadeira identidade.

   Sem mais demora ele corre pelo longo corredor a igreja e vai aos aposentos do padre e lá está a batina perfeitamente dobrada como se nunca tivesse sido usada e a janela aberta, outro ato irônico do inglês como se tentasse dar uma pista óbvio por onde tinha ido embora, pois um espião do seu calibre nunca deixaria a janela aberta sem propósito mostrando a sua fuga.

   Alfred solta um grunhido de raiva e sem pensar duas vezes ele salta pela janela aterrando no chão perfeitamente, ele olha a volta e percebe que está do lado esquerdo a igreja que tapa a vista para as pontes antigas da cidade, logo ele corre para lá e vi um homem encostado na beira da ponte enquanto olha para a estrada de baixo segurando o seu chapéu com uma mão e o seu cigarro na outra.

   Faz muito tempo que Alfred descobriu que o tabaco não era um vício do inglês e sim um gosto, isso fez com que ele não limitasse a sua procura pelo inglês por pessoas tabagistas.

   Ele correu, ele correu feito louco para a figura, até ser parado por um policial que está na investigação junto com ele.

   — Alfred! — Ele grita e o Inglês olha por cima do ombro sorrindo como se já soubesse que ele estava a correr em direção a ele, solta a fumaça pelos lábios e volta a olhar para frente como se nada fosse levando o seu cigarro aos lábios irritando o Caçador de Recompensas assim. — Amigo, estava terrivelmente preocupado contigo! Encontras-te o trapaceiro?

   — Cala-te! — Alfred grita irritado e corre em direção ao inglês novamente, ele estava tão perto!

   — Ei, Alfred, espera! — O policial correu atrás dele.

   Arthur apagou o cigarro na pedra fria da ponte e quando Alfred estendeu a mão para o pegar ele saltou escapando, literalmente, por entre os seus dedos. O americano se desequilibrou caindo para a frente, fechando os olhos por instinto e esperando a morte súbita tal como aconteceu com o espião, mas o policial o pegou antes de cair e ele ficou ali, a balançar para trás e para a frente e quando se atreveu a abrir os olhos para procurar o cadáver do inglês, não existia nenhum.

   Os seus olhos seguiram mais em frente e lá estava uma carroça antiga, mais para atrair turista do que qualquer coisa, cheia de flores, mas especialmente rosas vermelhas, com o inglês lá sentado de pernas esticadas a olhar para ele presunçosamente por cima do ombro, este virou-se para a frente e levantou o chapéu numa despedida silenciosa, educada e irônica.

   Tal como fazia todas as vezes.

   E tal como todas as vezes, ele odeia.

   Depois de uns quinze minutos a andar em cima das flores o inglês olha o céu reparando que ele está tão cizento quanto nos outros dias, ele suspira e sente-se tentado a andar um pouco mais por cima daquelas flores enquanto fuma um cigarro colocando em risco que estas peguem fogo enquanto ele ainda está por cima delas, mas ele não faz isso.

   — Ei! — Ele grita chamando a atenção do homem que comandava o cavalo com mestria de poucos. — Podes parar agora, agradeço a ajuda, velho amigo. — Arthur dá-lhe um pequeno sorriso e o homem um sorriso largo e uma risada barulhenta que era boa de se ouvir.

   — Meu caro amigo, eu estou sempre ao teu dispor para qualquer fuga. — Respondeu rindo e com aquela voz rouca por conta da idade do homem. — Mas devo dizer que esta fuga é certamente a mais estranha nos últimos tempos. Normalmente farias algo mais discreto como simplesmente entrar num carro ou algo assim. — Comenta com curiosidade na voz, mas com um tom irônico ao mesmo tempo.

   Arthur sente os seus lábios fazerem uma pequena curva no canto, ele puxa o chapéu para esconder os seus olhos do homem sabendo que estes deveriam estar a derramar sentimentos que ele não conseguia esconder quando pensava naquela pessoa. Sentimentos tão doces e gentis que ele não sabe como ele ainda consegue sentir algo tão incrível e quente.

   — Eu preciso de uma destas rosas. — Respondeu suavemente. O homem velho volta olhar para o louro e vendo que este escondia o rosto com o chapéu virou-se para a frente novamente sabendo exatamente da pessoa de quem este homem estava a falar.

   — Faz tempo que não o vês.

   — Tempo demais. — Responde o espião saltando de seguida da carroça com uma rosa impecável entre os dedos.

   Os seus passos pesados começam a ir por um caminho bem conhecido dele, mas antes ele se despede sem olhar para trás, levantando seu chapéu, sabendo que o seu velho amigo estaria a olhar para ele. Então, segue o seu caminho, sorrindo educadamente para algumas pessoas, porém sempre discreto, mantendo a rosa longe de qualquer um que poderia a desmanchar sem querer.

   Os seus sentimentos o distraiam, o seu coração saltava do seu peito e as suas mãos tremiam por antecipação. Ele tinha tanta saudade, saudade de ouvir a voz dele, do calor do seu corpo, das suas palavras de amor, dos seus olhos apaixonados, dos seus momentos, ele sentia saudade de tudo daquele homem.

   A sua mão livre passou pelo seu pescoço pegando uma corrente e a puxando para fora do seu fato, mostrando assim uma aliança brilhante com uma pequena pedra no meio dela com uma impressão numa língua tão diferente da dele e tão bela vinda dos lábios do seu amor. “Tens sempre um lugar para onde voltar.”A frase que ele sempre lhe dizia quando ele ia embora e deixava-o a espera, quando ele próprio sabia que poderia ter quem quisesse, mas não, ele ficou à espera do espião inglês que sempre o deixava.

   Isso apertava o seu peito, com medo que um dia o outro percebesse que já não valia a pena esperar, que já não valia todas aquelas noites sozinho a espera de uma que poderia não chegar mais, ele tinha tanto medo que chegasse o dia que ele tivesse que sufocar aquele amor todo e que acabaria por morrer sufocado.

   Mas ele ainda não conseguia dizer adeus aquele mundo, o mundo onde ele tinha sido considerado o melhor entre os melhores, existia algo que o impedia de dizer adeus, então ele ficou mais algum tempo, sempre adiando a sua ida, sempre afastando aquela vida que poderia ter nos braços do seu amado por algo que não era seguro, só porque não parecia certo partir do mundo da espionagem.

   E ainda não parecia certo partir.

   Os seus pés pararam e os seus olhos se ergueram para a construção a sua frente, um casino, mas não um qualquer, um dos melhores casinos da Europa e talvez até mesmo do mundo, da cadeia de casinos mais poderosa do mundo. Todos os ricos iam a estes casinos, ninguém da alta classe ia a outros porque mancharia a sua própria imagem ir a algo abaixo que estes.

   Arthur logo colocou a sua máscara de indiferença e entrou pelo casino adentro ajeitando a sua gravata, puxando as suas luvas pretas e colocando a rosa no bolso do seu blazer. Ele deslizou por entre as pessoas com facilidade, riu com algumas, flertou com outras, fugiu de outras e no meio da confusão roubou um baralho com o qual brincava enquanto subia as escadas para se encontrar com o dono.

   Claro que sempre mantendo a rosa em perfeitas condições.

   Quando ficou em frente a porta destinada existiam na frente dela dois seguranças perfeitamente treinados, um deles era uma mulher, e prontos para atacar qualquer pessoas que tentasse entrar por aquela porta a força. Afinal, não era o dono daquele casino e sim o dono da cadeia em si que estava atrás daquelas portas. Uma das pessoas mais poderosas de sempre, afinal é fácil fazer alguém falar quando se tem álcool no corpo, mas é ainda mais fácil quando esta se está a divertir.

   — Bom dia, cavalheiro e madame. — Cumprimentou Arthur levantando o seu chapéu, pronto para abrir as portas, mas o homem estendeu a mão impedindo que este passasse pelas portas, a mulher levou a mão ao auricular como se alguém falasse ao seu ouvido.

   — Deixa ele passar. — Ela disse e o homem olhou para ela como se fosse dizer algo, mas ela o cortou. — Ordens do chefe. — Ele pareceu amargo ao ouvir isso e ela falou novamente parecendo que estava a perder a paciência. — Sabes que o chefe não gosta de ser contrariado.

   Logo este tirou o braço e Arthur sorriu para ambos como se não tivesse ouvido nada. — Tenham o resto de um bom dia agradável, cavalheiro e madame. — E abriu a porta.

   Ao entrar na sala estava uma mesa posta, talheres de prata e louça cara, um homem sentado de costas para a porta enquanto a outra cadeira a sua frente estava livre a espera que um convidado a preenchesse. O convidado era ele, apesar que ele não avisou a sua chegada, mas como sempre ele sabia tudo o que acontecia.

   Ele sempre sabia quando chegava.

   Em passos leves e com um sorriso a crescer no seu rosto, ele tira a rosa do bolso e repara detalhadamente em como os cabelos encaracolados do homem chegavam um pouco abaixo dos seus ombro e em como eles estão perfeitamente amarrados num laço dando-lhe um ar cavalheiro que ele tanto ama. Apesar que eles soltos e espalhados na mesma cama que a dele e a maneira que ele mais os ama.

   Parando um passo atrás dele e o homem ainda não o olhou, os nervos começam a atingi-lo fazendo com que ele morda o lábio, dá um passo para o seu lado estendendo a rosa para o seu amor. O homem olha para ele, com aquele olhos verdes com um toque de azul com um marca de beleza por debaixo do olho enquanto os sentimentos transbordam deles. — Acho que está rosa lhe pertence. — Ele dá um sorriso contido, mas não consegue evitar com que o seu olhar se torne tão doce quanto mel, um olhar dedicado somente aquele homem a sua frente.

   — Obrigado. — Disse na sua língua nativa, fazendo o corpo de Arthur tremer, ele pega a rosa com cuidado como se fosse um tesouro encontrado depois de muito procurarem e a aproximou do seu rosto sentindo o seu aroma.

   Aquela imagem perfeita fez com que os joelhos de Arthur tremerem, ele era lindo, tão lindo quanto se lembrava, não talvez mais, a forma com os seus olhos brilhavam era mais belo que até mesmo as estrelas, ele poderia escrever poesia sobre o seu sorriso.

   Quando o seu amor olhou para ele Arthur não teve outra ação se não beija-lo.

   Ele foi retribuído muito rápido, tão rápido que nenhum deles diria que tinha sido um beijo inesperado, não na realidade, aquela era a ação mais esperada desde que Arthur entrou na sala. O homem levantou-se da cadeira sem quebrar o beijo e colocando a flor perfeitamente em cima da mesa, encostou o louro contra a mesa e abraçou a sua cintura enquanto Arthur enterrou os seus dedos pelos cabelos castanhos do homem belo. O beijo fogoso e carinhoso continuou, as mão do homem abandonaram a cintura de Arthur e percorreram os lados do corpo de Arthur até chegar a sua face, onde ele acarinhou as suas bochechas com os seu polegares fazendo Arthur sorrir entre o beijo.

   Ambos se separaram e descansaram as suas testas uma contra a outra partilhando um sorriso idêntico, algo cheio de amor de saudade.

   — Olá, Arthur. — Ele comprimentou-o como se dissesse Bem-vindo.

   — Olá, Afonso. — Deu o seu melhor sorriso e descansou a sua cabeça no peito do outro ouvindo o coração do seu amado a correr igual ao dele, e o apertou num abraço apertado.

   Afonso o abraçou de volta com força descansando a sua cabeça sobre a cabeça de Arthur e sentindo cheiro dos cabelos do homem louro, beijando-lhe a nuca de seguida, sentindo este beija-lho sobre o coração de seguida, ambos tornam o abraço mais apertado, desejando nunca mais largar o outro.

   O português afastou-se olhando para o rosto confuso de Arthur, mas este dá-lhe um olhar tranquilizador, a sua mão vagueia para o seu pescoço encontrando uma corrente conhecida dele, ele puxa a corrente encontrando o anel que ele mesmo deu e encontra-se atordoado com a visão dele, vendo que a pessoa que ama ainda não se livrou dele, que apesar do tempo afastados eles ainda partilham o mesmo sentimento com a mesma intensidade.

   Arthur olha para as mãos do português e lá estava, o anel dourado, o seu coração bate um pulo quando o vê, tal como todas as outras vezes. O seu homem lentamente leva a aliança que ele deu a Arthur aos seus lábios beijando-a suavemente fazendo com que o louro derretesse um pouco e quando o português pega a sua mão e beija o seu dedo anelar olhando nos seus olhos as suas pernas virão gelatina e o seu rosto cora bastante.

   — Ainda és tão lindo quando coras. — Comentou o português na sua língua com perfeição, mostrando a sua perfeita habilidade com as línguas.

   — Não digas esse tipo de coisas, idiota. — Resmunga Arthur envergonhado com a situação, o português ri suavemente, como se risse mais alto ele iria estragar a atmosfera, o inglês acha que aquele riso era música, não, ele tem certeza que aquele riso era música.

   Eles ficam algum tempo em silêncio a olhar um para o outro até que Afonso fica de repente com um olhar mais sério e leva uma mão ao auricular na sua orelha e a sua face fica cada vez mais séria e Arthur aperta a camisa de Afonso com cada vez mais força sabendo exatamente o que iria acontecer.

   E ele sinceramente não queria. Não agora. Foi muito pouco tempo. Muito pouco tempo…

   — Arthur…

   — Eu sei. — Falou entre os dentes. Ele sabia que a polícia já deveria saber que ele estava aqui, existia demasiadas pessoas no casino, provavelmente alguém o reconheceu e o maldito Cowboy deve ter sabido. — Eu sei, mas eu não quero. Não ainda. — As suas mãos apertam ainda mais Afonso não querendo o largar por nada deste mundo, ele não queria ir embora ainda.

   Ele deveria ter mais tempo.

   Por favor, dêem-lhe só esta noite.

   Só uma noite.

   — Então fica comigo. — O português pede, como de todas as vezes. — Eu irei te fazer o pequeno almoço todos os dias, eu vou te beijar todas as manhãs, dias e noites, eu vou te ajudar a abrir a tua própria loja de chás ou de objetos vintage, eu vou te amar. — Afonso o olha nos olhos com tanto amor que Arthur pensa que é impossível existir algo maior que aquilo. — Só fica comigo, por favor.

   — É o meu país, Afonso.

   — Mas eu sou o teu marido. — Afonso responde rápido como se tivesse a resposta na ponta da língua. Ele parece amargurado, triste e ele sente o seu coração foi arrancado com aquela imagem. Cada despedida era cada vez pior. Arthur leva uma das suas mãos a face de Afonso e acaricia com medo que este desapareça se ele disser que ainda não pode, que apesar de ele ser o seu amor, ele ainda não pode. Afonso suspira e dá-lhe um sorriso forçado seguido de uma pequena risada e o inglês quase pode ouvir o coração de ambos se partir. — Desculpa, eu fui egoísta. — Ele suspira pesadamente de forma cômica e dá uma pequena risada e o abraça. — Eu gostava que pudéssemos ter tido esta refeição juntos. — Comenta sonhadoramente numa brincadeira.

   Arthur só o abraçou de volta.

   Finalmente ele tinha chegado ao maldito casino! Os carros da polícia começavam a acumular a frente do casino tapando todas as saídas possíveis, ninguém entrava e ninguém saia. As luzes brilhantes do casino não pareciam se intimidar com as luzes das sirenes da polícia que piscavam de forma violenta para os olhos de qualquer um. As nuvens começavam a ficar mais escuras no céu, ameaçando começar a chover a qualquer momento.


   O americano só mordia o lábio inferior por impaciência, ele queria terrivelmente entrar, pegar o maldito inglês e rir da cara dele, talvez ser chamado de herói no futuro, mas só ter o inglês na mão seria prêmio o suficiente. Quando ele sente o seu corpo a começar a agir por instinto ele sente a mão do policial que o salvou naquela tarde puxar o seu braço.

   — Calma aí, Cowboy. — Resmungou ele. — Se entrares lá dentro, não será sozinho, já tiveste demasiadas chances para poder o apanhar sozinho, agora tens que levar alguém contigo. — Argumentou sem nem dar espaço para o americano discutir com e, pois o olhar de ferro que este lhe dava era motivo o suficiente para ele ficar calado.

   — Ok. — Concordou num bufo.Olhou em volta e apontou para outros dois policiais. — Tu de óculos de sol, vais ser o meu suporte. De donut, vais ser o meu outro suporte. E tu… — Olhou com desdém para o homem que o salvou na ponte. — Vais ser o meu suporte.

   Todos os três suspiraram seguiram atrás do americano egocêntrico com uma óbvia obsessão pelo trapaceiro inteligente que eles estavam atrás. Felizmente para eles seria a última vez que eles todos trabalham juntos, pois se Alfred conseguisse prender o patife ele poderia ir embora, se ele não conseguisse o chefe da polícia iria o mandar embora. Easy Bizzy.

   Quando o americano colocou o pé dentro do casino o céu deixou as primeiras gotas de chuva caírem e o ambiente fora do casino ficou pesado, como se estivesse à espera que as duas corujas saíssem de dentro do casino para poder eliminar todos os rastos que estas deixariam. Alfred ficou irritado com o pensamento, até o tempo estava do lado daquele maldito inglês.

   As pessoas ignoraram-nos, parecia que todas elas faziam de propósito, ignorando:as armas, os gritos de que eram da polícia, os distintivos, tudo, era como se eles fossem fantasmas e que a única coisa que existia ali eram duas coisas: álcool e jogo. Bem, certamente, para eles, era a única coisa que existia.

   Quando eles começaram a subir as escadas eles ficaram incrivelmente admirados que não existia ninguém para os impedir, ninguém para proteger o local, era como se todos os seguranças tivessem evaporado com a presença da polícia, o que era impossível, não tinha como alguém saber da sua chegada, pois ele próprio certificou-se que a informação não vazava por qualquer meio. Além disso, não faria sentido deixar um casino do calibre desses sem segurança alguma.

   Existia diversos corredores, mas eles seguiram pelo principal que daria a sala do dono do local, pois Alfred sabia que o espião gostava de coisas grandiosas, de grandes planos, de grandes saídas, de fazer parecer o impossível possível, como se ele fosse um mágico, iludindo todos a sua volta, fazendo estes acreditar em algo que não é a realidade.

   Os homens que ele trouxe examinavam todas as salas por onde passavam, abrindo cuidadosamente e colocando a arma em primeiro lugar caso fosse preciso atirar, o de óculos de sol parecia menos experiente que o do donut, já o irritante parecia habituado aquele tipo de situação, ele fazia bem o seu trabalho, sem dúvida alguma.

   Falando nesse homem, ele certamente não era inglês, apesar do sotaque perfeito, talvez filho de emigrantes, pois os seus traços orientais não enganam ninguém, no entanto isso realmente não interessa para Alfred, não agora que ele tinha a hipótese de apanhar o seu maior inimigo!

   A porta enorme ao fim do corredor estava só a um passo de distância, era certamente a sala do chefe, certamente a sala onde Arthur estaria, ele olha para os três homens atrás dele e logo ele abre a porta num chute apertando a arma entre as suas mão e mesmo sem querer os seus olhos assumiram algo desesperado dentro do seu ser, o desespero pela vitória.

   Lá estava o homem que ele procurava, sentado numa mesa bem posta, com um homem de cabelos castanhos bem arrumados que por estar de costas não conseguia ver a sua face, o espião parece não se importar com a presença de Alfred no quarto pois ele continua a olhar para a pessoa a sua frente como se ele estar ali não fizesse diferente, isso o irrita. O irrita muito. O inglês move as suas mão para o bolso e nesse momento Alfred grita.

   — Não mechas nem mais um centímetro, Kirkland! — Ele solta num tom ameaçador. O homem sentado de costas parece querer fazer algo mas quando o louro dá um sorriso insolente ele acaba por ficar quieto, até como se relaxasse.

   O inglês continua o seu movimento para o bolso e Alfred parece pronto para atirar, mas quando o espião tira de lá um simples baralho ele solta um suspiro que ele nem sabia que estava preso dentro de si. O louro começa a embaralhar o baralho de cartas até tirar o Ás de copas mostrando para o homem à sua frente. Alfred não sabe o que está acontecer.

   — Sabes porque nunca me capturas, Cowboy? — Pergunta Arthur, olhando pela primeira vez nos olhos de Alfred e no seu olhar existia um misto de ironia e de indiferença. — É porque não tens visão.

   Os olhos do inglês se encontram com o do homem da mesa enquanto ele beija a carta sensualmente, Alfred sente que está a interromper algo e uma pitada de constrangimento o distrai e só foi preciso isso para o inglês num movimento fluido atirar o Ás de copas como uma faca pelo ar, fazendo está ficar presa na fenda do interruptor desligando as luzes.

   Ele ficou atordoado, tudo aconteceu rápido demais, do nada os seus suportes tinham desaparecido numa porta que a sala tinha e ele não consegue perceber o motivo de eles desaparecerem e quando a luz volta a vir, só está ele e o inglês na sala e a carta que colocou a sala às escuras tinha desaparecido tal como o homem com o qual ele partilhava a mesa.

   Alfred é rápido em apontar a arma para a nova localização do inglês e num breve olhar ele percebe o porquê dos seus homens terem desaparecido, eles tinham sido enganados pelo inglês. O espião estava igual a ele. Não exatamente igual, ele não teve tempo para disfarçar as suas sobrancelhas, mas tendo como única iluminação a luz da sala onde os seus suportes estavam trancados e somente por segundos não deu tempo para reparar em tal detalhe, de resto, a sua roupa, o seu cabelo e até mesmo os óculos estavam lá.

   — Finalmente decidiste ter algum estilo. — Comentou ironicamente o americano pronto para atirar a qualquer movimento suspeito do inglês, ele não poderia atirar de livre vontade por estar ajudar a polícia, mas se ele tivesse a trabalhar a solo ele já tinha estourado os miolos do inglês a muito tempo.

   — Muito pelo contrário, Cowboy. — Respondeu alongando o apelido dele num tom sensual de um típico cavalheiro, algo que ele nunca deixava de ser por mais complicada que fosse a situação. — Só a espera de poder fazer a minha saída triunfal.

   — Ninguém vai sair daqui!

   Ele suspira, até que o seu sorriso torna-se largo e pétalas de rosa começam a cair do teto, e por um segundo, só por um segundo, ele olhou para cima para ver de onde elas vinham e quando ele voltou a olhar o inglês já não estava lá. Parecia que tinha evaporado por tão silenciosa que tinha sido a sua fuga, a única marca que mostrava que ele tinha estado ali era o Ás de espadas pendurado na porta.

Irritado ele puxa a carta da porta e repara na mensagem de escrita elegante nas costas dela.

“See you, Cowboy.

From Mr. Kirkland.”

   Ele odeia aquele maldito espião.


   Do lado de fora Afonso saiu pela porta da frente, mostrando a sua identificação a polícia e passando por ela com um sorriso amigável e algum palavreado com o superior que estava presente. Os seus dois seguranças seguiram atrás dele sem dar uma única expressão para qualquer polícia sendo que um deles levava o guarda-chuva para Afonso.

   O seu motorista não demorou a chegar e quando chegou ele se despediu dos polícias com um sorriso amigável e com um adeus na sua língua nativa arrancando vários sorrisos agradáveis destes mesmos, na cabeça de Afonso só passava o quanto idiotas eles eram. O segurança que não estava a segurar nada abriu a porta e entrou primeiro, Afonso entrou de seguida e e o que segurava o guarda-chuva entrou a seguir.

   Afonso soltou um suspiro longo ao se encostar confortavelmente ao carro de luxo.

   — Afonso, quem era aquele homem? — Perguntou um dos seus guarda costas quase infantilmente.

   — O meu homem. — Respondeu com um meio sorriso. — O que? O meu irmãozinho não se lembra do dia do meu casamento? Isso é trágico, Luís.

   — Casamento?! — Gritou o outro guarda-costas, que era a mulher de cabelos bem arranjados e bem armada. — Tu nunca nos convidaste para nenhum casamento Afonso!

   — Calma Maria! — Ele riu sem graça. — Acho que esqueci de te convidar? Ou convidar alguém? Foi algo bem rápido na realidade… — Ele riu novamente para tentar aliviar o ambiente.

   — És o irmão mais velho de nós três, mas sempre te comportas tão despreocupadamente… — Resmunga ela.

   — Não te preocupes. — O seu sorriso é gentil. — Tudo deu certo no final. — Ele suspira tirando a carta do bolso de dentro do casaco olhando para ela com carinho.

   Era o Ás de copas que o Arthur tirou para ele, era uma carta tão comum mas que ele jurou a si mesmo no momento em que escapou da sala que ficaria eternamente com ele até poder ver novamente o seu amor. Cuidadosamente ele beijo no local onde Arthur a tinha beijado imaginando os lábios dele sobre os seus. Num breve olhar ele repara num par de palavras que ele tem a certeza que não estavam lá quando Arthur atirou o Ás de copas, de alguma forma estavam ali mesmo e faziam o seu coração palpitar.

“See you soon, my love.

Truly yours, Arthur.”

   Ele sabe que deve ter um sorriso estúpido no rosto pelo olhar que os seus dois irmão tinham sobre ele.

   — Vá, seus pirralhos, toca a secar os cabelos e parem de olhar-me assim! — Ordenou numa brincadeira enquanto dava uma toalha a cada um, toalhas que o motorista trouxe. — Decidam: Vamos agora para os Açores ou a Madeira? — Gritou de repente despenteando os cabelos húmidos dos dois.

   — Açores! — Gritou a Maria.

   — Madeira! — Gritou o Luís.

   Ambos começaram a discutir entre si e logo ele soube que seria melhor ele ter decidido sozinho mesmo, mas era tão bom ver a família dele ter aqueles pequenos momentos. Ele simplesmente não conseguia tirar isso também dos seus irmãos mais novos, o pouco da normalidade as suas vidas loucas.


   Dentro do casino deslizava o inglês por uma das saídas secretas que o próprio português tinha criado e mostrado ao seu amado. Com máxima facilidade anda pelo corredor isolado do mundo e quando chega a saída, lá está um homem com a sua gravata, chapéu e blazer que por cima tinha uma rosa vermelha igual a que ele tinha oferecido ao seu amor.

   Ele fez no nó da gravata, vestiu o blazer, colocou o seu chapéu sobre os seus cabelos louros, devolveu o par de óculos falsos, que usou no seu disfarce, e pegou a rosa que estava a espera de ser tocada ansiosamente, o homem oferece um guarda-chuva mas ele rejeita com um sorriso educado que foi retribuído pelo homem.

   — O chefe lhe deseja uma boa viagem, Mr. Kirkland. — O homem diz educadamente oferecendo-lhe um sorriso contido. — Ele também pediu para deixar esta mensagem: Tens sempre um lugar para onde voltar.

Arthur combate as lágrimas que ele sabe que devem estar a formar no canto dos olhos, com medo que seja muito aparente ele puxa o seu chapéu para esconder metade do seu rosto. — Diga-lhe que lhe desejo uma viagem maravilhosa para o seu país de origem. — Respondeu Arthur com uma voz educada e um pouco trêmula. — E para o senhor, muito obrigado.

   — Eu é que agradeço, Mr. Kirkland.

   E assim ele sai pelas ruas de Inglaterra, mas nunca antes de se despedir daquele homem educado, do casino, daquelas pessoas, daquele irritante Cowboy, do seu amado, com um simples levantar do chapéu sem nunca olhar para trás.

   As gotas de chuva o molhavam, tal como molhavam a rosa, ele observa o quanto lhe fica bem as gotas de chuva. Ele leva a rosa ao peito, pensando que talvez, só talvez, assim tenha o seu amado mais próximo de si. Ele sente o bolso do seu casaco mais pesado e lá está um baralho de cartas novo, com a mensagem “Um naipe inteiro de copas para a rosa que tem o meu coração.”

   Talvez o seu rosto tenha corado, mas não tinha ninguém para o provar.

   E talvez, mas só talvez, algumas lágrimas tenham escorrido do seu rosto, no entanto chuva sempre foi boa a guardar os seus segredos.

   Ele teria saudades.


   Depois de um dia de loucos um policial volta para casa, cansado de toda aquela loucura, ele felizmente não tinha ninguém à sua espera senão ele teria que lidar com mais pessoas ainda e isso era o que ele não queria, pelo menos não agora. A sua cabeça estava em água.

   Mas antes de ir descansar, ter uma noite longa de sono sem ter jantar, o que era mais normal do que deveria ser, ele tem que fazer uma chamada. Num movimento rápido ele tira o smartphone do bolso e digita um número bem conhecido dele, ele espera um pouco, uma espera de cortesia, até que foi atendido.

   “Jun Wang, fico extasiado com a tua chamada! Acredito que tens boa noticias para mim.” — A voz do outro lado era simpática, mas as suas palavras eram firmes que nem uma rocha, aquele homem poderia parecer doce, mas bastava uma palavra dele para poder derrubar qualquer um.

   “O americano foi mandado embora, neste momento ele está a voltar para os Estados Unidos da América.” — Respondeu educadamente.

   “Fico feliz por ouvir isso de ti. Deve te dar os meus louvores, saíste perfeitamente bem com o americano, mas não esperava nada menos vindo de ti.” — Elogiou com orgulho na voz, era reconfortante, afinal ele conhecia aquele homem desde a muito tempo, eles poderiam ser considerados velhos amigos, ou até mesmo família, mas ele abstém se de pensar assim.

   “Foi só preciso o salvar uma vez naquela ponte para ele não duvidar de mim, Chefe.” — Disse bocejando, ele estava terrivelmente cansado.

   "Vai dormir meu bom homem. Chama-me pelo nome, não é preciso tanta educação comigo, somos velhos amigos e os meus irmãos te consideram família.” — Comentou com a voz alegre de sempre.

   “Claro, Afonso.”

   “Vai dormir, vai, vai!”

   “Boa noite…” — Respondeu com a voz cansada.

   Sim, ele precisava de dormir.

28 de Fevereiro de 2018 às 12:48 0 Denunciar Insira 1
Fim

Conheça o autor

Yui Sama YOOOOOOOO PESSOAS. Eu sou a YuiSama! Tenho um gosto muito especial por Animes, Cartoon e o Sherlock Holmes, Tenho escrito mesmo antes de ter conta no Nyah ou no SS, mas sou uma total amadora ainda! Os meus sonhos: Criar uma BD com a minha irm� e conseguir sobreviver da minha escrita. AH! Eu shippo casais homossexuais, alias, tudo o que eu achar fofo, shippo. O amor � que importa. Lida com isso.

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