Amor, amor... Seguir história

insaneboo Boo Alouca

E assim o que começou como um acordo de diversão, se transformava num jogo de estratégia, ego e omissão de sentimentos. Por que eu tive que ensiná-la tão bem aonde tocar? Como tocar...


Fanfiction Para maiores de 18 apenas. © O Universo e seus personagens pertencem a Masashi Kishimoto. História feita de fã pra fã, sem fins lucrativos.

#SpinOff #UniversoOriginal #Kankuro/Yukata/Sari #Threesome #FanficsNaruto
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Capítulo único

N/A: Olá amorzinhos do Ink! Turubom com vocês?

Vim rapidinho aqui através dessas notas, avisar que essa é uma songfic da música "Amor, amor" da Wanessa Camargo, feita especialmente para o Desafio do Brega da Página FNS - Fanfics Naruto Shippers e convidar vocês a darem uma passadinha lá.

E também preciso dizer que essa oneshot é um spinoff baseada no capítulo 75 de uma longfic minha, chamada "O segredo de Suna", que ainda não está postada aqui por motivos de: é enorme vai ser a última que eu vou upar.

Mas quem quiser procurar por ela em outras plataformas fique a vontade e quem não quiser, não se preocupe, você conseguirá ler e entender tudinho tranquilamente.

Éh isto meu povo, chega de enrolar. Beijos de luz, boa leitura! o/


****


“Poderosa, atrevida, ninguém se mete mais na minha vida”


Aos poucos, ela os calava.


Conquistava seus méritos.


Aos poucos, as pessoas se viam sendo obrigadas a parar de tratá-la como frágil, estúpida, lenta. Mais fraca entre o seu time...


Não, ela não foi bem no exame chunnin. Mas sobreviveu a uma guerra logo depois, mesmo tendo estado na divisão que mais sofreu baixas em todo o conflito. Isso amadurece um pouco qualquer ninja.


Ela aprendeu suas lições.


Os poucos anos que se passaram desde então, a fizeram muito bem de qualquer forma.


Creio que seja seguro afirmar, que de uma forma ou de outra, toda a nação Shinobi evoluiu muito com isso.


Não, não estou dizendo que ela agora é uma pessoa completamente nova, totalmente forte, diferente e renovada. Ela ainda reserva suas peculiaridades, sua essência. Porém estava aprendendo a encontrar a si mesma. E foi a forma como ela começou a crescer nesse sentido, que me fez lhe dirigir meu olhar.


Logo que voltamos pra casa no fim da guerra, Gaara permitiu que Suna festejasse a vitória. A contra gosto, pois estava preocupado com as finanças, mas permitiu, ainda que tenha ficado de cara feia no canto, a festa toda. Quase entediado. Gaara é única pessoa que conheço, capaz de se entediar numa ocasião dessas.


No entanto, precisávamos todos de um alento renovador afinal. Um fato que pouca gente sabe sobre o País do Vento, é que por trás do rigor do deserto, do tradicionalismo exacerbado e até arcaico, da rabugice, está um povo que adora uma festa, bebida e música. Se deixar, tudo é motivo.


Nesse evento eu percebi, que ela não se juntava mais com as entusiasmadas tietes do meu irmão. Ela o olhava apenas com respeito e admiração Shinobi. Vê-lo lutar naquele contexto, encarar a proximidade da morte e ter sua vida salva por seus esforços, deve tê-la feito entender o que realmente é ser o Kazekage.


E com isso, compreender que a última coisa para qual Gaara teria cabeça ou precisava, era de uma claque esperneando atrás dele.


Não que ela nunca mais tenha lhe soltado uma piada ou outra. Por algum motivo, o jeito altivo e até indiferente dele, parecia atrativo a muita gente. Mas ela deixou de fazer o que parecia extremamente imaturo ou sabia que só iria perturbá-lo. E deixou também de acreditar que precisava tentar fazer o que todos faziam, seja lá por qual razão ela achava que tinha que reproduzir isso.


E foi onde eu comecei a perceber que ela se parecia comigo em muitos aspectos. Combinava, melhor dizendo.


Sua forma de aproveitar o momento, de pensar sobre aspectos relacionados, quando longe de influências, era muito desprendido, liberal, abrangente... Sem limites de preconceitos e bobagens do tipo.


Pareceu que seria uma boa parceira para algo ocasional.


E eu estava certo. Por algum tempo ela me acompanhou muito bem em todas as ousadias que propus. Como “aproveitar” o escritório do meu irmão, num dia em que ele precisou sair e me deixou com as chaves (como se a falta delas pudesse me impedir de entrar... Digamos apenas que Gaara é muito inteligente, mas ainda conserva certa ingenuidade quanto a mim).


E antes que percebêssemos, naturalmente, estávamos começando a criar uma sintonia e conexão, que vinha nos fazendo buscar e contar um com o outro instintivamente. Opinar sobre a vida do outro...


O que podia estar colocando a parte descompromissada da nossa parceria em risco.


E essa parte era essencial pra mim.


Eu tinha prioridades, eu escolhi um estilo de vida, que simplesmente não cabia alguém próximo dessa maneira.


Podia até ser perigoso. Para ambos.


E principalmente, evoluirmos nossa intimidade, começou a fazê-la reclamar muito da minha relação com Gaara. De me doar demais por ele, de ir além das funções shinobis na forma como me dispunha. Ela não entendia o quanto lutamos e sofremos pelo que adquirimos. Para finalmente sermos irmãos.


Família vem na frente.


Ainda mais agora que tanta coisa vinha sacudindo a vida dele.


Vínhamos tendo meses difíceis ultimamente.


Uma boa ilustração disso, era que naquele momento, ele era um dos pacientes no centro médico da Vila. Havíamos tido uma batalha árdua nos portões de Suna no dia anterior. Vencemos, mas também tivemos muitas perdas e a vitória lhe resultou num desgaste extremo.


Depois de me sentir um líder falho, por ter simplesmente assistido falecer, vários homens do esquadrão que me foi confiado comandar, tive que como sempre, fingir que estava tudo bem, que nada afetava meu espírito, carregar dali inconsciente meu irmão caçula e passar a noite inteira, além de uma boa parte da manhã, velando-o no hospital.


Pensando que todas aquelas vidas perdidas... Eram meus subordinados, minha responsabilidade. Seus sangues também estavam em minhas mãos.


Eu estava exausto, frustrado, chateado, preocupado, pois a ameaça que enfrentamos não havia sido completamente aniquilada por aquela vitória... Por mais que eu não quisesse me deixar expressar nada disso.


Como fui parar naquela casa de luz vermelha?


Ela foi me buscar. Estava cumprindo uma tarefa em servir as refeições diretamente ao Kazekage, por protocolo de segurança depois de uns problemas que tivemos com tentativas de envenenamento e me convidou a segui-la “sutilmente”. A preocupação sincera implícita em seu ato, me fez lamentar.


“Droga Yukata, está se envolvendo demais, vem sendo bom o que estamos tendo, não me obrigue a te afastar...”.


Isso foi o que eu pensei, mas acabei fazendo justamente o contrário. A acompanhei. Deixei que ela e Gaara me convencessem de que eu devia descansar. Ou fingi que me convenci. Vi que ele queria ficar sozinho e eu sabia que me ver fazer alguma coisa que achasse que me divertia, o faria se sentir menos culpado pelo meu nítido abatimento. Nos revezávamos bem em tentar compensar um ao outro.


Acabei até convidando uma colega dela, que estava cumprindo a missão ao seu lado na hora, Sari, para vir conosco. Coitada, ela ficou muito perdida e sem graça, ao perceber que nossa saída lhe faria ter que ficar sozinha com a pedra de gelo que eu chamava de irmão.


E confesso que gosto de desencantar suas admiradoras...


Foi uma pequena surpresa Sari ter aceitado. Mas acho que no fim, acho que ninguém é tão sério quanto faz parecer afinal.


“Que bom que tenho conseguido manter esse lugar longe da vista do Gaara...” – Pensei enquanto o adentrava com elas. Eu vinha ajudando os donos a fugirem de sua implicância com esse tipo de estabelecimento, há tempos. Desde que ele se atentou a existência de locais dessa estirpe na verdade. Ainda que no fundo eu acreditasse, que Gaara não destruiria esse em específico, pelo mesmo motivo que me fazia gostar de frequentá-lo.


As coisas ali eram todas consensuais. Não era um harém de mulheres que mais pareciam (ou realmente eram) escravas, esses eu me orgulhei de vê-lo quebrar. Essa casa era só um alento para aqueles que precisavam de um respiro do rigor do dia a dia.


Era quase uma muleta na sanidade dos shinobis de Suna na verdade.


Todas essas coisas trabalhavam incessantes em minha mente, sem contar que eu tinha que criar toda uma estratégia de realização e segurança para o “evento secreto”, que consistia no funeral de um amigo mais íntimo de Gaara que teve um fim muito trágico na última batalha. E eu ainda me preocupava sobre ele não lidar muito bem com perdas pessoais...


Isso me daria um belo trabalho e apesar de no caminho até ali, eu já ter designado todas as ordens possíveis aos remanescentes membros do esquadrão, ainda estava receoso e praguejando sobre porque eu sempre cedia aos pedidos em cima da hora que Gaara fazia.


Mas só percebi estar meio ausente, quando Yukata parou a minha frente e ergueu meu rosto, me forçando a lhe dar atenção.


— Não vai beber nada? – Questionou já me estendendo alguma coisa.


— Não. E você também não devia. – Repreendi. Ela também deveria estar no tal evento.


Ela franziu o cenho. Contrariada e em análise.


— Se o Kazekage nos deixou ter um momento de folga, é porque podemos relaxar um pouco. – Rebateu sabendo que aquela “postura careta”, não era meu feitio normal. Sobretudo naquele lugar.


Ela realmente me conhecia, ou só estava arriscando mais uns passos na conquista de território?


De qualquer forma, não podia deixar que ela avançasse.


E assim o que começou como um acordo de diversão, se transformava num jogo de estratégia, ego e omissão de sentimentos.


Porém não era como se a verdade não pudesse ser lida nos olhos um do outro.


— Você está exausto, mas eu sei que sua cabeça não vai parar de trabalhar, então não vai conseguir dormir. Ontem foi um dia muito difícil... Mesmo assim, não precisa se fazer de forte o tempo todo. Relaxa comigo... – Não importava quanto ela estivesse moldando a voz para parecer apenas tentadora e maliciosa. Não importava o quanto ela estivesse tentando desviar minha atenção com sua aproximação, seus toques, seus movimentos no ritmo da música ao fundo...


Eu ainda podia ver nitidamente, que ela não estava argumentando apenas pra me convencer a lhe dar diversão. Até porque, eu a notei desde que chegamos, dispensar diversos outros caras enquanto dançava, homens muito mais dispostos do que eu naquele momento, a lhe dar isso. Suas olheiras mal cobertas pela maquiagem, indicavam que por algum motivo, ela também não dormiu muito bem.


Estava genuinamente preocupada.


Suspirei exasperado, revirei os olhos e fui bem direto.


Aquilo era a última coisa com a qual eu precisava lidar.


— Você não tem que fazer isso... – Disse e a segurei pelos braços, afastando-a.


Ela conteve uma gargalhada, ainda que tivesse algo sutil em sua expressão que me denunciava uma certa mágoa ou receio. Não soube identificar exatamente. Eu estava mesmo cansado. Mas ainda assim, ela arrumou forças para criar uma risada debochada.


— É uma preocupação de amiga. Você me deixou ser sua parceira, lembra? Não estou te pedindo em casamento, me declarando ou tentando bancar a esposa... – Ela rebateu, sem tirar o sorriso faceiro dos lábios, mordendo sutilmente o meu queixo. Ignorando a distância que eu havia posto segundos antes.


“Se eu tô dançando,

tô te tocando,

não significa que eu estou me apaixonando”


Por que eu tive que ensiná-la tão bem aonde tocar? Como tocar...


Sim, eu fui a primeira experiência dela. Eu diria única, se não tivesse feito questão de nos colocar em situações que lhe apresentaram outras pessoas.


Agora ela voltara a deixar suas mãos me passearem, o que acabou tendo mais efeito do que gostaria de admitir. Eu não estava só fisicamente abalado afinal. Algo a mais em mim, ansiava pelo que sabia que ela podia me dar.


É oficial, ela realmente me conhecia.


Ela me compreendia, ao menos em aspectos mais básicos.


Eram os braços perfeitos pra estar naquele momento. Ela sabia como eu precisava e gostava de relaxar.


Eu parei de afastá-la, fechei os olhos e por ao menos um instante, me permiti apenas sentir a reação de seus toques.


Merda... A treinei mesmo bem demais. Ela se tornou muito boa nisso.


Mas ainda havia uma parte da minha mente que gritava para que eu fosse racional.


A parte que estava sentida e balançada por ter recentemente, perdido tantos companheiros. A parte que justificava todas as minhas barreiras, – ainda que eu não as fizesse evidentes – toda a personalidade que eu construí ao longo da vida...


Essa parte me fez não me conter em perguntar. Eu já não estava bem mesmo, já não estava sendo muito ponderado... Porque não chutar o balde logo?


— Por que está aqui? Por que insiste em mim? Justo comigo...


Ela jogou um pouco do conteúdo de sua taça na curva do meu pescoço e me arrancou uma falha na respiração, quando se pôs a sorver o líquido sugestivamente, naquela área sensível.


— Por que está pensando tanto? Não é justamente o que me disse para não fazer? Estou aqui, com você, porque conquistou isso. É bom no que faz, somos bons juntos. – Respondeu querendo fazer parecer simples. Porém quanto mais eu pressionava, mais podia ver uma certa tensão tomá-la.


Ainda que ela estivesse se empenhando muito para esconder.


“Não estou sofrendo,

não estou morrendo,

não estou correndo atrás de namorado”


— Mas não estamos “juntos”. – Frisei querendo testar até aonde os nervos dela aguentariam meu jogo. – E o jeito como insiste em mim apesar disso, me faz pensar que é porque você tem alguma esperança de que isso mude. Essa chance não existe Yukata. – Vomitei meus pensamentos, porém acabei não me sentindo mais leve como imaginei que aconteceria.


Ela me devolveu uma expressão ofendida. Essa me pareceu totalmente real.


Então ela gostava de mim o suficiente para se forçar a entrar nos meus termos, mas ainda tinha seu orgulho afinal...


Céus, ela era mais parecida comigo do que meus próprios irmãos. Isso era exatamente o que eu faria em seu lugar.


É disso que se trata, quando eu digo que acho que nos completamos.


Ela soltou enfim a taça que segurava, pouco se importando que o objeto se quebrara ao encontrar o chão e me puxou para si segurando a gola de minhas vestes. Mordiscou o lóbulo da minha orelha e sussurrou antes de me empurrar com moderada violência de volta à parede.


— Engula seu orgulho e sua pretensão. – Ela me beijou ainda mantendo os modos um pouco agressivos. Não era como se não gostássemos desse estilo às vezes. Muitas vezes... – Quer saber? Faça como quiser, não vou ficar insistindo, posso aproveitar só a Sari hoje...


“Não estou chorando,

nem me arrastando,

cala essa boca você está muito enganado”


Tudo bem, já estava bom de testes e joguinhos por hora.


Não valia a pena perder a brincadeira por isso.


Se nossa interação eventualmente tivesse que chegar ao fim, paciência. Mas naquele dia, ambos queríamos correr os riscos.


Então que assim fosse.


Precisávamos disso.


Sim, eu estava cansado.


Cansado, não morto.


Na verdade, eu precisava me sentir mais vivo. Renovado.


Eis algo no qual Yukata era ótima em proporcionar.


E Sari... Bom, talvez ela também fosse. Já fazia algum tempo que eu estava mesmo ficando curioso a seu respeito.


Por que não?


— Espera... – Pedi fazendo-a parar seus passos.


E meu orgulho me impediu de dizer mais. O pedido ficou solto no ar. Mas era Yukata, ela entendia.


Entendia e me deixava ficar como fosse confortável, ainda que esse lugar fosse a sua frente muitas vezes.


A consciência disso, a deixava implicitamente na vantagem, porém nunca falávamos sobre isso. Ela nunca usou esse artifício a seu favor.


Talvez ela nem soubesse que o tinha.


— Teremos sua honra na cerimônia mestre? – Ela se virou faceira, estendendo a mão pra mim.


E tínhamos de volta a nossa aura leve e provocante.


Já era óbvio que acabaríamos assim, desde o começo. Por que tentei me negar?


Lhe estendi a mão e meu melhor sorriso de canto. Ela me puxou pra perto e eu senti alguém puxar meu capuz, enroscar uma das mãos nos meus cabelos e me abraçar por trás. A respiração quente em meu pescoço, fez minha pele se arrepiar em resposta instantaneamente.


Sari...


— Achei que não se decidiriam nunca. – Nunca tinha notado até ali, que sua voz tinha uma nuance grave muito excitante.


E acabei não me contendo em pensar, que talvez esse fosse um dos fatores que fazia Gaara sempre passar minha frente em despertar “esse tipo” de admiração nos outros, mesmo sem nunca ter realmente a intenção de fazê-lo. Tons graves são excitantes. E isso ele tinha de sobra.


Deixei meu sorriso se alargar um pouco mais. Então toda aquela postura shinobi séria e compenetrada dela no dia a dia, tinha suas brechas afinal... Bem como eu imaginava.


— Perdão por ter te feito esperar. Juro que compenso. As duas... – Me retratei, trazendo-a para minha frente, sem tampouco soltar Yukata por isso.


— Não precisa se empenhar tanto, não queremos que nos impressione. Sabemos que não está muito bem hoje. A gente cuida de você... – Sari ponderou e eu torci a expressão ofendido.


— Hei, não me subestimem! – Reclamei e elas riram.


Yukata sacudiu a chave de um dos quartos do local frente aos meus olhos.


— Já conversamos demais, não acham? Ou alguém tem alguma condição para impor? – Como todos apenas nos olhamos sem dizer nada, ficou silenciosamente acordado que não.


Uma tarde sem regras... Quase me questionei se era um sonho, no meio de todo o caos que vinha enfrentando.


Eu peguei uma garrafa do estoque do local, ao qual meu acesso era plenamente livre, graças aos meus esforços em manter o estabelecimento protegido. Nem quis saber qual era seu conteúdo, antes de irmos para o tal quarto.


Ninguém ali era estava exatamente tímido, mas conforme a garrafa esvaziava os últimos resquícios de qualquer inibição se foram. Admito que as deixei beberem mais do que eu, apesar de controlar para que não perdessem a capacidade de tomar decisões sãs, o que obviamente abortaria qualquer interação sexual. Isso porque sexo jamais deve excluir o bom senso e porque uma parte minha ainda estava preocupada com a missão de mais tarde.


Mas também porque gostava de apreciar com conservada lucidez, momentos como aqueles.


Preferia a morte a me esquecer ou deixar que a bebida nublasse, lembranças ímpares e sensações intensas quanto as que invocamos nessa tarde.


Seria praticamente um crime, me esquecer das sensações de vê-las dançando juntas, de descobrimos como a Sari era por baixo das vestes ninja habituais e deixá-la nos descobrir.


Da sensação dos beijos, das carícias...


E da forma como tudo isso foi evoluindo, crescendo, se tornando mais rápido, menos delicado, mais... Radical. Por que alguém se arriscaria a esquecer a bela visão que foi assisti-las se explorarem, literalmente saborearem uma a outra?


Eu não precisava da bebida para me desprender ou animar, então não via motivos para permitir que ela entorpecesse a sensação que já era boa o suficiente pura, de tocá-las e me inebriar com as respostas simultâneas que me concediam.


Observar, por si só, já era e sempre foi algo no qual eu reservava um prazer especial.


Não que eu desgostasse do álcool, esse é o Gaara. Eu apenas acho que entre a embriaguez desse elemento, já meu grande conhecido, e a memória vívida e nítida, dos sons que elas produziam, dos que me arrancavam... Óbvio que eu preferia conservar do jeito mais palpável possível, o prazer encantador que era ter a confiança das duas para... Digamos... Ser um mestre de marionetes de uma maneira diferente (talvez se o Sasori tivesse tentado essa forma, não teria perdido a sanidade... Mas não é certo falar mal de um Senpai, então deixemos isso de lado).


Porque é claro que minhas habilidades sobre isso, se usadas com lógica, ajudavam muito nesse sentido. Modéstia a parte, sou muito bom em tocar e controlar outros corpos, assim como me aproveitar de qualquer entorno.


Entre outras coisas como... Criar uma boa cena.


Porque no fim não interessa o quanto à marionete seja boa, se o titereiro não souber explorar a situação em que se encontrar.


Mesmo no meio de toda a bagunça e tensão que estava minha vida, a situação da aldeia, minha família, aquele era um momento de descanso, não era? Não foi dito ser tão necessário? Então eu fazia questão de aproveitarmos o máximo que nossas condições e tempo permitiam.


Exploramos tudo um do outro quanto nos foi possível. Não demos a experiência por completa, até que todos com louvor, tivessem apreciado o que queriam, tanto de si, quanto dos demais.


O último êxtase trouxe um breve minuto de riso, que disfarçava um agradecimento geral e logo em seguida fez recair um silêncio satisfeito.


Sari não estava acostumada a se exceder tanto, tampouco a beber pelo visto. Pouco tempo depois, senti seu corpo pesar apoiado sobre uma parte do meu.


E bem, depois de tudo o que passei antes daquilo, o orgasmo e toda a dinâmica recém-realizada, estavam quase conseguindo me nocautear.


Quase, porque a visão de um inconveniente relógio de parede a minha frente, me faziam procurar ficar acordado, tentando reunir forças para levantar.


— Pare de brigar com o sono, descansa. Eu te acordo a tempo de cumprir o pedido do Kazekage. – Yukata ponderou muito atenta.


— Não posso simplesmente deixar o esquadrão sem supervisão. Dei ordens importantes demais... – Rebati me desvencilhando dela e tirando Sari de meus braços cautelosamente, ajeitando-a no canto da cama, como quem receia acordar uma criança.


— Kankuro, por favor, desacelere um segundo! Vai acabar se matando desse jeito. – Não lhe dei ouvidos e me levantei reunindo minhas roupas. Ao que ela prontamente veio atrás, não se dando por vencida. – Que tipo de irmão deixa o outro se sacrificar desse jeito!?


Soltei tudo o que já tinha pego e fui até ela como se tivesse alguma urgência nisso. Muito sério, segurando-a de forma a ter toda sua atenção.


— Para com isso! Quantas vezes vou ter que repetir? Tolero muita coisa, mas não fala do meu irmão como se o entendesse. Esse não é um assunto que eu te permita entrar, sabe disso. E onde está a pessoa que me disse há algumas horas, que não tinha intenção de agir como minha esposa?


“Está pensando que já é dono do meu bem querer,

só porque eu te olhei não quer dizer que eu quero amar você”


Eu estava me esforçando para sussurrar, porque realmente não queria perturbar a Sari.


Mas Yukata não se importava muito com isso.


E também já não estava mais se importando tanto em jogar comigo ou fingir nada.


Também estava cansada demais para encenar.


— Para você de agir desse jeito! Para você, de distorcer tudo como se o único problema aqui fosse eu estar possivelmente apaixonada. Eu me importo com você! O problema aqui é você não fazer o mesmo! – Esbravejou e eu a sacudi segurando seu rosto, minhas mãos se embolando em seu cabelo.


“Amor, amor

Você pensa que é assim que é só chamar que eu vou

Que o que você quiser é só pedir que eu dou

E que eu não resisto ao seu poder de sedução”


— Para-de-gritar. – Silabei enfático, diminuindo ainda mais o tom de voz. – Eu gosto do que temos Yukata. Sei que também gosta, pois do contrário, não estaria aqui insistindo por mim. Mas se não parar de se preocupar com o futuro, não teremos um. Precisava parar de me questionar. As decisões que eu tomo sobre a minha vida, não são algo que pode participar, sinto muito. – Decretei minha sentença. E fiz questão de parecer absoluto. Porque era. Dolorido ou não, isso não importava.


E ela engoliu em seco. Piscou os olhos no mínimo umas cinco vezes, na tentativa de impedi-los de marejar. Tirou uns segundos pra pensar e então concluiu sua decisão do dia.


Do dia, porque a maneira como vínhamos evoluindo nesse sentido, me deixava claro que ainda nos chocaríamos nesse sentido em novos motivos. Até encontrarmos uma última vez. Boa ou ruim.


— Nunca vou te impedir de nada, não é mesmo? – Ela perguntou virando o rosto de lado, num esboço de sorriso quase doloroso, mas cheio de conformação. Apenas fiz que não com a cabeça. – Então me deixa dizer “até mais”, de forma apropriada. – Extinguiu nossa distância e tomou meus lábios com toda a propriedade que eu tanto tentava impedi-la de ter, esfregando nossa contradição e hipocrisia na minha cara. – Estava indo tomar banho, não estava?


— Não me incomodo, desde que fique aqui depois, até a Sari acordar. – Afirmei, jogando a cabeça pra trás, dando-lhe acesso as áreas que ela queria explorar.


E já perdendo as contas de por qual vez, novamente naquele dia, em meio as nossas várias pequenas batalhas, concluíamos os dois por nos render.


Essa acaba sendo sempre a melhor forma de selar os temporários acordos de paz.


E eu tinha que reconhecer, não desgostava de quando ela assumia uma persona mais dominadora.


Deixei-a me empurrar até o banheiro, deixamos a água acariciar nossos corpos e aliviar o calor do deserto.


Deixei-a massagear, acariciar e sentir que me preparava, renovava para os próximos atos do dia.


Porque ela realmente o fazia no fim.


Só continuei a não deixa-la descobrir, como se tirava minha maquiagem.


Porque apenas mostraria o meu rosto a ela, no dia em que estivesse disposto a lhe confiar minha vida. E isso era um peso grande demais para pedir que qualquer um carregasse. Um risco grande demais para que eu me permitisse correr.


Para permitir que ela corresse.


Para expor tudo pelo qual sou, me sinto, responsável. Sim, isso inclui meu irmão.


Foi inevitável nos unirmos extinguindo qualquer espaço entre nós novamente. E dessa vez, quando ela me colocou dentro de si, fez questão de dizer ao pé do meu ouvido, com a voz moldada pela sensação: “Eu espero que eu consiga te fazer sentir como eu me sinto, toda vez que você vai e eu fico aqui esperando que nada te impeça de voltar... Nem você mesmo”.


Eu disse que ela era boa no que fazia...


Não a deixei saber, mas ela conseguiu concluir suas intenções. A maneira como meu corpo se sensibilizou e a respondeu, acabaram dizendo isso por mim.


Eu entendia. E pra mim, o problema era justamente esse.


Por fim, ela secava o enorme cabelo negro numa tolha e eu já estava com a mão na maçaneta para sair, quando ela me chamou atenção.


— Kankuro...


— O que? – Estava com pressa, então soei sem intenção, quase impaciente.


— Algum dia vai se importar com o que eu sinto, sem ser para medir quando deve me afastar? – Seu rosto expressava a mais pura sinceridade, ainda que sob seu esforço para soar indiferente.


Foi a minha vez de engolir em seco.


— Até mais tarde Yukata.


Limitei-me a dizer.


E parti. Deixando pra trás algo que sabia ter boas possibilidades, mas talvez não para alguém como eu.


Cada um com suas escolhas afinal...


“Amor, amor

Se toca de uma vez e tenta entender

De baixo dessa roupa vive uma mulher

Dentro desse corpo bate forte um coração

Comigo não...”

28 de Fevereiro de 2018 às 02:46 0 Denunciar Insira 1
Fim

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Boo Alouca Fanficando atualmente sobre desenhos animados e animes diversos 💙

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