Jardim das Delícias Seguir história

slowqueen SlowQueen

A ruína de seu vilarejo foi um massacre, o cheiro do sangue ainda tomava conta de suas narinas, e o enorme golem de pedra reinava seus pesadelos, com certeza Uchiha Sasuke se vingaria daquela mulher de olhos amarelos que acabara com sua vida. O único problema era... como? Como deter uma feiticeira que sozinha derrotou todos os samurais do distrito Uchiha? Em busca de poder caminharam por dias até que enfim encontraram ela... A bela, insensível e poderosa Sakura. E novamente as rodas do destino moveram-se, e o Uchiha viu-se diante de um novo dilema, ele poderia adquirir o poder para destruir seus inimigos, massacrar seus rivais e dilacerar seus adversários, mas para isso, teria que dividir o mesmo coração que um ser imortal e passar a sentir, tudo que ela sentiu por milhares de anos.


Fanfiction Para maiores de 21 anos apenas (adultos).

#Magia #Romance #Drama #Naruto #Dark #Fantasia #Sobrenatural #Haruno Sakura #Uzumaki Naruto #SasuSaku #NaruHina #Sabaku no Gaara #Uchiha Sasuke #Universo Alternativo #Hyuuga Neji #Blood+ #Delícia #Samurai #Otsutsuki Indra #IndraSaku
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Sobreviventes

Eu sou a SlowQueen e venho mais uma vez até vocês trazendo uma de minhas fanfics. 
Espero que gostem de lê-la tanto quanto estou amando escreve-la ❤


27/03/2017



Fanfic / Fanfiction Jardim Das Delícias - Capítulo 1 - Sobreviventes.


SOBREVIVENTES



Antes


O sol quente brilhava sobre a água que cercava a enorme estatua de pedra no centro do lago, o homem de pedra estava sentado com as pernas cruzadas, os punhos escorados sobre os joelhos, a ponta dos dedos indicadores e os polegares encostados como se estivesse apenas meditando, era grande e imponente, dois riscos saiam de seus olhos e lhe corriam o rosto inteiro, sua testa era coberta por uma bandana com um símbolo que não se era possível ler, os cabelos eram espetados e longos, tão longos que desciam por suas costas e espalhavam-se pelo enorme sapo de pedra que havia abaixo da figura do homem...


— Sakura... — A voz firme chamou por seu nome e ela virou-se para olhar quem o pronunciava... — É falta de respeito colocar os pés na água do grande imortal.


Ela virou o rosto e voltou os olhos verdes para os próprios pés descalços, a água estava fresca e fluía lentamente ao redor da enorme estatua de pedra, ela moveu os dedos e sentiu a água correr por entre eles uma ultima vez antes de levantar-se, virou-se para o homem parado a olhando, a roupa que ele vestia era predominantemente branca, um pano negro atravessava sua cintura e sustentava a espada pendurada na parte de trás, seus punhos eram cobertos por outro pano igualmente negro, na gola cumprida e aberta de seu quimono haviam semicírculos, a pele branquíssima contrastava com os olhos e os longos e espetados cabelos totalmente pretos. Ela baixou a cabeça por um momento em com a voz calma falou...


— Não foi minha intenção. Me desculpe.

— Eu sei que não foi... — O homem de cabelos espetados aproximou-se ainda mais e lhe sorriu, colocou a mão sobre o rosto dela e levantou-o, continuando a frase num tom mais baixo... — Ela parece estar realmente fresca...


O dia estava muito quente e ele pode entender a vontade dela de colocar os pés na água cristalina. O semblante do rosto dela mudou ao ouvir a frase, um tom mais alegre preencheu seu rosto delicado, delicadamente ele beijou a testa de Sakura... — Vamos? — Ele perguntou quando colocou os olhos sobre ela novamente e a dona dos cabelos rosados apenas aceitou com a cabeça... Ele segurou sua mão e calmamente caminharam para fora do templo onde estavam.


Quando atravessaram o arco da entrada do templo os passos diminuíram e eles pararam, Sakura segurou a outra mão do homem e virou-se completamente para ele, o vento começou a dançar ao redor dos dois, circulando-os exclusivamente, as folhas das arvores caídas no chão começaram a voar com o vento que ficava cada vez mais forte e em um piscar de olhos eles desapareceram...

As folhas caíram no chão e o súbito vento que apareceu sumiu, parados diante da cidade a sua frente estava o homem dos longos cabelos negros espetados e sua acompanhante. Ele segurou a mão de Sakura e guiou-a em direção a cidade. Não demorou para chegarem até seu destino, uma casa simples no meio de tantas outras, depois de baterem na porta uma mulher de cabelos castanhos abriu a porta e sorriu ao ver o homem parado diante desta...


— Indra, que bom que conseguiu vir. — Ela deu espaço para o casal entrar e assim ambos o fizeram...

— Esta é Sakura.


A anfitriã voltou sua atenção para a pequena mulher ao lado dele, não parecia grande coisa parada a lado do homem alto, vestia um quimono inteiramente branco, os pés descalços e a pele ligeiramente pálida, as únicas cores que se sobressaiam nela era o cor de rosa dos cabelos e o verde de seus olhos, o rosto dela era sério, nulo, ela apenas observava o que acontecia ali...


— Eu agradeço por sua bondade e sua atenção minha Senhora. — A mulher de cabelos castanhos ajoelhou-se no chão e colocou o rosto próximo aos pés descalços de Sakura. E a única coisa que a dona dos cabelos cor de rosa fez foi observá-la imóvel.

— Não temos muito tempo. — Indra interrompeu a reverencia da mulher... — Se puder nos levar ao monge...


A dona da casa levantou-se devagar e os guiou por um longo corredor escuro, ela parou diante de uma porta de madeira e ficou apenas calada observando o homem abri-la... O quarto estava em total escuridão quando os dois entraram, Indra fechou a porta atrás deles e viu quando Sakura fez um leve movimento com a mão e as velas se acenderam por todo o quarto, iluminando o cômodo. Na cama havia um homem deitado, sua cabeça estava raspada e ele usava um quimono vermelho, sua aparência estava desgastada, quando ele colocou os olhos sobre Sakura tentou se curvar — Minha Senhora... — ele tentou, mas não conseguiu, seu corpo fraco não permitiu, mas ela não se importou com isso, aproximou-se devagar e calmamente...


— Os monges do templo Jiraya disseram que você estava morrendo. — Com a voz calma ela iniciou... — Pediram para que eu viesse tranquilizá-lo na travessia desta vida para a próxima...

— É uma honra... — Ele tossiu — Ter a vossa presença no fim.

— Mas você não quer morrer.


Os olhos do homem se arregalaram, era impuro tentar enganar a morte e ele sabia disso, tentava esconder de si próprio o desejo profano de continuar a viver, assustou-se ao saber que ela conseguia ver este desejo... Sakura sentou-se na beira da cama e levou a mão até o rosto do homem, acariciando-o, mas a expressão séria em seu rosto nunca mudou...


— Não há vergonha alguma em desejar a vida.

— Minha Senhora, eu não poderia...

— Sakura — Indra intrometeu-se... — Não é seu dever salvar todos...

— Eu posso matá-lo se quiser. — A rosada olhava séria para o moreno... — Mas ele não cheira a morte. — Tanto Indra quanto o homem agonizando na cama se surpreenderam com as palavras dela. E esperaram por algum tempo até que ela continuasse... — Não é o tempo que quer levá-lo. Há um feitiço sobre ele...


Sakura escorregou os dedos do rosto do homem em direção ao peito, ela abriu o quimono vermelho dele e observou a respiração tremula do homem por algum tempo. O rosto sem expressão dela não indicou qual seria seu próximo movimento... Cravou a mão na carne do moribundo deitado sobre a cama e o viu urrar de dor. Indra aproximou-se rápido mas não foi capaz de se intrometer, ela afundou a mão para dentro do peito do homem e seus olhos verdes começaram a brilhar intensamente enquanto ela recitava...


Que o caminho seja brando aos teus pés.

O vento sopre leve em teus ombros.

Que o sol brilhe cálido sobre tua face.

As chuvas caiam serenas em teus campos.

E até que eu de novo te veja,

Que os Senhores te guardem nas palmas de suas mãos.


Sakura tirou a mão de dentro do corpo do monge bruscamente, e nela havia algo negro e viscoso... O homem respirou fundo e levou as mãos até o peito, mas não havia ferimento algum para estancar, sua respiração foi se acalmando aos poucos, e a cor de sua pele retomando um tom saudável, o monge não acreditou no que sentia, suspirou fundo e sentiu a força de seus músculos voltarem. Ele jogou-se no chão e curvou-se diante dela ainda sentada, enquanto agradecia por sua vida...

Sakura levantou-se calmamente e sem dizer nada ela começou a caminhar em direção ao homem que a acompanhava, Indra abriu a porta e esperou que ela passasse, colocou os olhos negros sobre o monge que ainda agradecia por sua vida de joelhos e fechou a porta seguindo-a pelo corredor... Ela caminhava calmamente com a mão ensanguentada erguida enquanto carregava aquela coisa negra que Indra não conseguiu identificar... A mulher que havia os atendido ficou paralisada quando a viu se aproximar, Sakura lhe ofereceu o conteúdo viscoso que tinha nas mãos e a única coisa que a mulher pode fazer foi segura-lo, quando Sakura finalmente soltou-o nas mãos da mulher Indra pode ver a grande massa borbulhante que havia sido retirada do peito do homem, e sem mudar o tom de voz Sakura falou...


— Da próxima vez que tentar matar alguém com feitiçaria. Não chame um imortal para fazer a passagem.


Ela deu as costas à mulher e saiu do lugar séria e calma, do mesmo jeito que entrou... Sakura e Indra caminharam por alguns minutos em silencio, não que isso não fosse normal, ela costumava falar apenas o necessário, e Indra geralmente precisava de um tempo para processar os acontecimentos ao redor da rosada... Seguiram o barulho da água e não muito longe dali encontraram um riacho, Sakura colocou os pés dentro deste e deu alguns passos para dentro da água, abaixou-se e lavou a mão que ainda estava suja de sangue, e quando o moreno menos esperava ela chamou por seu nome...


— Indra, o que fiz foi errado? — Perguntou serena enquanto lavava as mãos...

— Por que pergunta isso?

— Eu deveria tê-lo deixado morrer?


Ela finalmente colocou os olhos verdes sobre ele... E Indra soube exatamente o que se passava pela mente dela naquele momento. Todo aquele poder não a livrava das duvidas, ele entrou no riacho atrás dela e colocou as mãos sobre seu rosto...


— Não tem que fazer tudo o que os monges dizem. Você é o ser mais poderoso que anda sobre a terra Sakura. Não deixe ninguém lhe dar ordens, nem mesmo eu. Não deixe ninguém corromper seu coração minha doce flor...


Ele cobriu os lábios dela com os seus e depois colocou-a inteira dentro de um abraço carinhoso, enquanto afagava os cabelos coloridos pode sentir ela se aconchegando devagar entre os braços dele, as respostas dela eram sempre sutis, mas ele não se importava, ele a amava o suficiente pelos dois...



Agora.



Um enorme grito surgiu no vento, ecoando entre o fogo e as casas desmoronando, o som desesperado correu entre os corpos jogados ao chão, sendo queimados pelas chamas deixavam um cheiro insuportavelmente inesquecível no ar. Os olhos ônix incrédulos olhavam a cena, quase esquecendo-se da enorme lamina que acabava de ser retirada de seu braço, seus cabelos negros normalmente espetados, agora estavam pesados com o sangue que carregavam, assim como suas roupas antes brancas, agora encharcadas do liquido espesso e rubro, seu corpo inteiro estava machucado, os cortes variavam de pequenos á enormes, como no braço em que o amigo loiro tentava estancar, pode sentir o sangue correr ao longo deste e pingar no chão, aquele chão que era sua casa, seu lar, e agora tudo que restava eram cadáveres, lagrimas ao vento e gritos ecoando, aquele sentimento era novo em seu peito, era medo, o medo que sentiu ao ver seu lar ser levado tão facilmente, pode sentir as mãos em seus ombros, e a imagem do loiro ensanguentado apareceu subitamente a sua frente, tão ferido quanto ele, seus com os enormes olhos azuis em pânico e tão machucados que mal conseguia abri-los...


— Sasuke. Pode me ouvir? — Gritava ele enquanto sacudia o moreno, acordando-o de seus pensamentos... — Não podemos fazer mais nada. Temos que sair daqui.


O loiro colocou o braço por debaixo do ombro dele, e levantou-o, enquanto carregava-o para longe daquele lugar, era difícil dar as costas e caminhar para longe do distrito Uchiha enquanto ouvia os gritos e suplicas, fechou os olhos azuis com força, tentando tomar coragem para continuar, se sentia um fraco, um imponente, não pode salvar aqueles que havia jurado que salvaria, mas pelo menos seu grande amigo ele tiraria com vida daquele caos... sentiu o ombro ficar mais pesado e abriu os olhos, vendo os pés do companheiro plantados no chão, Sasuke sequer conseguia levantar a cabeça, os ferimentos que cobriam seu corpo eram muitos, seu sangue já havia quase se esvaído, e mesmo assim, com a voz fraca o moreno continuava persistindo...


— Naruto, temos que ajudá-los, ainda há sobreviventes, não podemos desistir...


O loiro espantou-se, não poderia dizer que não queria voltar, pois ele queria, desesperadamente ele queria ter forças pra voltar, mas sabia que isso custaria sua própria vida, e a vida de seu grande amigo, e mesmo que o fizesse, de que adiantaria? Seria apenas uma morte a mais, ele virou a cabeça e olhou por cima do ombro do amigo ferido, no meio das enormes chamas e da fumaça entre as casas ele pode ver o enorme monstro de pedra e raízes se levantar, era imponente, gigantesco e abominavelmente forte, balançava os braços destruindo tudo que ainda restava em pé, arrastava os corpos dos mortos e atirava-os contra os que tentavam fugir, os olhos azuis do loiro arregalaram-se mais uma vez, aquelas enormes criaturas passavam entre as casas como se fossem nuvens, eram nada para eles, era impossível para eles vencer aquelas coisas, olhou mais uma vez ao redor e pode ver seus companheiros de batalha fazendo o que deveriam ter feito assim que os inimigos chegaram... Fugirem. Naruto olhou novamente para a frente e colocou ainda mais força para arrastar o amigo...


— Temos que sobreviver Sasuke, para podermos voltar amanha e vingar nosso vilarejo...


Sasuke não tinha mais forças para contestar, sua visão estava turva, a única coisa que via diante de si era o chão sujo com o sangue dos habitantes do distrito, e seus pés quase arrastados, era humilhante sair de cabeça baixa daquele jeito, mas mesmo que quisesse não tinha forças para erguê-la, sua visão foi fechado cada vez mais, e ele sentiu quando Naruto teve que apoiá-lo por debaixo do braço para continuar a caminhar para longe daquele pesadelo... pesadelo, era o que ele queria que fosse... somente um pesadelo...


Sentia o trepidar abaixo de seu corpo, o olho esquerdo estava inchado de mais para conseguir abri-lo, conseguiu apenas olhar por uma brecha entre seus olhos as rodas da carroça se movendo, o céu ainda estava escuro e a fumaça se espalhava por esse, junto ao caos que todos viviam naquele vilarejo...

Ele sentia seu corpo inteiro latejar, mover os dedos das mãos era doloroso, com dificuldade abriu os olhos, e a enorme nuvem embaçada foi tomando forma aos poucos, era dia, podia ver os raios do sol batendo no teto e iluminando o local, baixou a cabeça, não conhecia aquele lugar, era tudo feito de madeira visivelmente antiga, o chão coberto de feno, levantou o braço, e viu seus ferimentos grosseiramente enfaixados com panos não muito limpos, e quando correu o olhar por si, viu que seu corpo inteiro estava coberto por estes, ele fechou os olhos novamente, por apenas um segundo...

Logo os abriu de novo, o sol já havia ido embora, e o local era iluminado por pequenas chamas em lamparinas antigas, correu os olhos mais uma vez pelo local e pode ver o loiro deitado em uma pilha de feno, ele esfregava o rosto e o som que saia de suas narinas era irritante, mas Sasuke não pode deixar de sentir um enorme alivio em vê-lo ali...


O barulho da chuva acordou-o aos poucos, o cheiro da terra molhada invadiu suas narinas e ele abriu os olhos, seu corpo inteiro pulsava, nunca havia sentido tanta dor em sua vida, virou a cabeça e pode ver a porta aberta, e sentado no chão em frente a esta estava o loiro, vestindo uma calça suja e coberta de sangue, olhando para o céu e perguntando-se o porque daquilo estar acontecendo, Sasuke tentou chamá-lo, mas sua voz não saiu... Não teve como não surpreender-se quando viu as lagrimas rolarem o rosto do amigo, ele olhava para o colar em sua mão, a pedra verde e comprida nele parecia brilhar por vontade própria, e o nome dela saiu de sua garganta apertada... “Hinata..” o loiro pronunciou em angustia, e o choro desesperado antes apertado em sua garganta libertou-se... Sasuke fez um grande esforço para virar o rosto, deixando o amigo a sós com seus tristes pensamentos...


A luz que batia em seu rosto era irritante, já era dia novamente, as dores de seu corpo haviam diminuído consideravelmente, com dificuldade ele sentou-se na cama improvisada dentro daquele celeiro, e só então reparou no enorme curativo que ia do cotovelo até sua mão, era diferente, mais limpo, havia sido trocado, correu os olhos pelo local e viu que estava vazio, colocou os pés no chão, e levou alguns minutos para conseguir manter-se em pé, a cada passo que dava, sentia uma dor aguda em seu abdômen, abriu a porta e confirmou o quão brilhante estava o sol. Então viu Naruto sentado ao lado de uma enorme bacia cheia de água, e de imediato reconheceu os panos sujos de sangue nas mãos do loiro, olhou novamente para seus curativos, riu pelo nariz e desceu os dois degraus, chamando a atenção do Uzumaki...


— Finalmente. Pensei que ia morrer dormindo... — O loiro lhe sorriu afavelmente...

— Quanto tempo eu dormi? — Perguntou ainda caminhando em direção a ele...

— Três dias.

— E porque não me acordou?

— Eu tentei. Mas você estava muito ferido, perdeu muito sangue... — O Uzumaki cuidou ele sentar-se aos pés de uma arvore calmamente...

— Onde estamos?

— Longe. — Foi tudo que ele respondeu, mas os olhos ônix do moreno pediam mais... — Carreguei você por algumas horas, achei uma carroça de madeira e coloquei você nela, estanquei seus ferimentos, depois disso andei por toda a noite e todo um dia até encontrar esse lugar...


Não deveriam estar tão longe assim, Sasuke olhou o local, não parecia abandonado e por alguma razão lhe era um tanto familiar, as arvores ao redor eram enormes e dessa forma o celeiro se tornava perfeito para se manterem escondidos, ele voltou os olhos ao loiro, que parecia ter perdido a sua concentração do que estava fazendo, levantou os olhos, e melancolicamente olhou o moreno, com uma voz baixa e tristonha...


— Tentei lavar nossas roupas, mas o sangue não sai de maneira alguma... — Sasuke olhou-o, vestia roupas limpas, e só então olhou para si mesmo, e viu que vestia calças pretas, que não lhe pertenciam... — Fui até a vila que há aqui perto enquanto você dormia, por sorte, seu pai sempre os ajudava, eles nos deram roupas, remédios e até comida, disseram que podemos ficar aqui o quanto precisarmos.


Aquilo era ótimo, por mais que Naruto estivesse em melhores condições que ele, também estava ferido, seria quase impossível caçarem algo para comer naquele estado. O moreno escorou a cabeça para trás, sob a enorme arvore em que estava encostado, as imagens daquela noite ainda eram frescas em sua mente, como se as tivesse vivido a algumas horas atrás, podia ver em sua mente aquele enorme monstro de pedra destruindo tudo que via pela frente, e a mulher vestida de vermelho, com os olhos amarelos e assustadores, recitando algo em uma língua que ele jamais tinha ouvido antes, ele abriu os olhos e viu a luz entrando entre as folhas verdes, os pássaros voando e cantando como se nada daquilo tivesse acontecido, Sasuke voltou a olhar Naruto e suspirou fundo, quase temendo a resposta, mas ainda assim tomou coragem para perguntar...


— Você... soube de alguma coisa...?

— Sim, eu soube... — Ele parecia hesitante, mas era algo de que eles não poderiam fugir por muito tempo... — Todos estão dizendo que os espadachins sobreviventes estão se juntando atrás daquelas montanhas. — Naruto apontou para o alto, e Sasuke quase não conseguiu enxerga-las de tão longe que eram... — Lá existe um templo, protegido por sacerdotes, feiticeiros perdem seu poder ao chegar perto... Disseram que depois que todos os homens que poderiam lutar estavam mortos ou haviam fugido, só então Orochimaru apareceu, agindo como se não fosse haver vingança. Ele disse aos que ainda estavam lá, que se escolhessem ficar, poderiam enterrar seus mortos com honra, mas se decidissem partir se juntariam a eles, ele está fazendo todos ficarem ao seu lado, agindo como um rei, mais monstros de pedra surgiram pela manhã depois que o fogo havia partido, eles estão reconstruindo as casas e distribuindo as moradias para as famílias...

— E meu pai? — Perguntou o Uchiha...

— Eu perguntei a todos, mas ninguém sabe o que aconteceu com Fukagu-sama... Mas viram Itachi fugindo com um pequeno grupo.


Sasuke levantou-se e caminhou novamente até a entrada da pequena cabana.. Queria apenas descansar novamente, seu corpo ainda estava extremamente ferido...


Os dias passaram rápido para os dois, o alimento que os moradores da pequena vila próxima haviam dado estava quase no fim, e eles sabiam que logo teriam que partir... Naquela manha quando o Uchiha levantou-se Naruto ainda estava dormindo, ele saiu da casa em silencio e caminhou por alguns minutos por entre as arvores, sua mente voava longe, pensava em seu lar, em seus companheiros, nas longas batalhas que haviam vencido juntos, pensava em seu irmão e na bondade que ele demonstrava com todos, em sua mãe que nunca havia negado nada a ninguém, em seu pai que apesar de parecer sério e fechado fazia tudo para ajudar a todos... Pensava que todos esses que ele tanto amava agora poderiam estar mortos... Deu um soco forte em uma das arvores e os pássaros que nela repousavam voaram assustados, e então ele continuou batendo e batendo no tronco da enorme arvore tentando liberar toda aquela fúria que dentro dele estava acumulada... Mas aquilo não parecia adiantar, a dor não diminuía, caiu de joelhos no chão, deixou a dor aflorar em seus olhos e chorou... chorou por sua vila, por seus amigos, chorou por sua família e as vidas que foram tão brutalmente tiradas...


Sasuke estava sentado em sua cama improvisada vagando entre pensamentos, virou-se ao perceber o loiro parado em pé o encarando, com os enormes olhos azuis curiosos, o moreno voltou a ficar de costas na cama, suspirou cansado e deitou-se mais uma vez, o tempo inteiro de costas para o Uzumaki, o loiro aproximou-se ainda mais da cama e olhou-o de cima, mantendo-se em pé e em silencio por algum tempo...


— O que vamos fazer? — Perguntou Naruto, e aguardou a resposta por alguns minutos...

— Vamos nos recuperar. O suficiente para viajarmos até aquelas montanhas e encontrarmos os outros...

— E depois disso? Vamos invadir a vila e dar de cara com aquelas coisas enormes. Morreremos sem nem causar problemas de verdade a eles.

— Você tem um plano melhor? — O moreno perguntou em tom de desafio...

— Sim. Eu sei o que precisamos para vencer.


Aquela resposta não era a que o Uchiha esperava, ele virou-se e encarou o loiro com curiosidade, esperando ansiosamente por suas palavras...


— Temos que arrumar alguma maneira de combater a magia daquela mulher.

Sasuke quase riu, virou-se novamente e ignorou-o por algum tempo, mas logo um tom irônico apareceu em sua voz...

— Claro. Sente ai que eu vou ali buscar a feiticeira que deixei no meu outro quimono.

— Nós acabaríamos fácil com os samurais de Orochimaru, só precisamos de uma maneira para combater aquele monstro de pedra, assim recuperaremos nosso lar, e mandaremos aquele infeliz de volta para o inferno... Só precisamos de alguém tão forte quanto ela, poderíamos realmente ter uma feiticeira ao nosso lado nessa batalha...

— E onde pretende arrumar uma feiticeira que esteja disposta a ficar ao nosso lado, Naruto?


O loiro simplesmente não conseguiu achar uma resposta para ele, feiticeiras eram seres que conseguiriam se esconder de qualquer um a qualquer momento, seres que não gostavam de companhia humana, e desconfiavam de tudo e todos... Parou para pensar nisso por um momento, não conseguiu entender como Orochimaru tinha convencido aquela mulher a ajudá-lo, deu-se por vencido e caminhou com a cabeça baixa até a saída e voltou a sentar-se no chão do lado de fora da cabana, não importava o quanto ele pensasse, não conseguia achar uma solução para aquele dilema, não tinha ideia de onde viviam aquelas pessoas com poderes sobre-humanos... Mas uma certeza ele tinha teriam que ter a ajuda de uma para conseguirem recuperar seu lar.

27 de Fevereiro de 2018 às 03:25 3 Denunciar Insira 4
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J�lia Figueiredo J�lia Figueiredo
relendo nesse site esse fic maravilhosa e viciosa
27 de Fevereiro de 2018 às 23:41
Mitty Porto Mitty Porto
Ai eu adoroo essa Sakura poderosa e macabra do passado!!
27 de Fevereiro de 2018 às 13:43

  • SlowQueen SlowQueen
    AAAAAAAAAAAAAAAAAA !!! NAO ACREDITO QUE VC TA AQUI TBM MIGAAAA !!! OBRIGADAAA 27 de Fevereiro de 2018 às 14:16
~

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