Você pode me ouvir? Seguir história

himenotsohime Hime

O desespero de quebrar uma janela de uma casa desconhecida é grande, e Todoroki descobriu como é isso. Mal sabia ele que quebrou a janela de um jovem garoto de olhos cor de esmeraldas que estava a beira do tédio total. Midoriya Izuku nunca saía de casa graças a suas pernas paralíticas, passava seus dias deitado na cama assistindo um programa qualquer. Privado de usar sua voz, vive calado, mas seus olhos clamam por uma mudança. E esta lhe veio no momento em que uma bola de futebol acertou a janela de seu quarto e seu devido dono foi até lá para busca-la. E então, uma doce relação nasce entre Shouto e Izuku, levando-os a um caminho incerto e, de algum modo, feliz.


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#Fanfiction #Yaoi #Lemon #BNHA #Tododeku #Boku no Hero Academia
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Prólogo

Céu levemente nublado, cedendo à tentação de deixar o sol aparecer de vez em quando. Vento gelado, temperatura quente. Era exatamente este o clima que Todoroki Shouto gostava para jogar futebol.

Na rua de seu bairro, andava despreocupadamente. Não havia necessidade para pressa, ninguém estaria esperando por ele, afinal.

Início de ano era uma época em que todos seus amigos vão viajar para longe, deixando Todoroki ali sozinho. Não que fosse de fato ruim, ele gostava de ficar sozinho. Mas o fato de quase nunca viajar o deixava levemente enciumado.

Morava em uma região de classe média, mas seus pais possuíam grandes posses graças ao emprego de cada um. Seu pai era advogado e sua mãe gerente de um hotel. Dinheiro nunca foi problema, o problema é o tempo disponível deles.

Sua mãe praticamente morava no hotel e seu pai passava o dia inteiro fora, tirando os domingos. O trabalho de ambos aumentava nas férias, graças ao aumento de turistas e violência.

Todoroki contava apenas com a diarista de sua casa, Megumi, para ter uma companhia. Uma segunda mãe.

Neste momento, caminhava pelas ruas quase vazias do bairro em que vivia. Um bom local, com casas bonitas e desprovidas de violência. Seguia para o campo de futebol público, geralmente usado só por ele e seus amigos que moravam por aquela região também. Em um dos braços, abraçava a bola de futebol, alternando entre carrega-la no braço esquerdo e direito.

Quando chegou, olhou com certo desinteresse para o campo vazio. A grama estava bem cuidada graças a um gentil velhinho que morava por ali e se interessava por jardinagem.

A verdade é que não estava com vontade de jogar, queria apenas sair de casa um pouco, onde estava praticamente trancafiado. Adentrou o gramado com certa preguiça e deixou-se desabar.

Deitou, deixando a bola rolar alguns centímetros para longe de si. Observou as nuvens que cobriam o céu e arquejou.

Futebol não era de fato seu esporte favorito, sua paixão mesmo era vôlei, mas como só havia campo de futebol ali e seus amigos apenas jogavam isso, Todoroki se juntou a eles para ter o que fazer de tarde. Não era um esporte que Todoroki realmente sentia vontade de jogar, mas gostava dos momentos que passava com toda a galera ali. Era divertido.

Tomou vergonha na cara e levantou-se antes que alguém fosse ali achando que havia morrido. Apanhou a bola e começou algumas embaixadinhas, sem muito foco em bater seu recorde.

Cansado de sempre estar ali, de nunca conhecer um lugar novo, de estar preso àquela vizinhança, Todoroki deixou-se soltar. Com força, chutou a bola para longe. A bola bateu com força na grade de proteção e voltou. Shouto correu até ela, chutando novamente e a fazendo voar.

Continuou assim durante mais alguns minutos até parar, cansado. A bola parada em sua frente lhe encarava, o convidando para mais uma rodada. Estava acostumado com a solidão, mas o campo parecia apenas intensificar aquilo.

Todoroki recuou três passos, para logo tornar a avançar e chutar com toda sua força com a perna esquerda, exibindo sua precisão canhota.

A bola levitou e voou em alta velocidade, ultrapassando a grade e atingindo uma janela do segundo andar da casa verde ao lado leste do campo. Nunca que Todoroki se sentiu tão nervoso quanto agora.

Havia quebrado uma janela e seus amigos não estavam ali para aguentar a barra com ele. Nutriu esperanças para que não houvesse ninguém em casa, mas uma mulher logo apareceu na janela, analisando o estrago, até percebê-lo ali.

Shouto sentiu todo o ar escapar de seus pulmões. Estava muito envergonhado.

Abaixou a cabeça e caminhou com passos incertos até a casa 213. Bateu levemente a porta, mesmo que a mulher já soubesse que estava ali. Demorou um pouco, mas Todoroki julgou que devia ser pelas escadas.

A porta abriu, e uma mulher com aparência gentil surgiu na porta. Esta lhe sorriu e Todoroki segurou um suspiro de alívio.

- Me desculpe, me desculpe mesmo pela janela, senhora. - Curvou-se. - Irei pagar por ela.

- Não se sinta culpado, querido, já aconteceu antes. É o preço que se paga por morar em frente a um campo de futebol.

- Então... - Shouto hesitou, desviando o olhar. - Minha bola... onde está?

Ela mais uma vez sorriu, fazendo um sinal para acompanhá-la. Todoroki tirou os tênis e as meias, entrando acanhado na casa. Seguiu a mulher pelas escadas e caminhou por um corredor com diversas fotografias na parede.

Todoroki não olhou nenhuma delas, com medo de estar sendo indiscreto demais.

A mulher bateu levemente em uma porta, para logo abri-la. Ao se ver dentro do quarto, Shouto deu de cara com uma terceira pessoa.

Seus cabelos esverdeados esforçavam com o vento que entrava pela janela quebrada, sua cabeça estava virada para a paisagem do campo. Estava sentado na cama, com as costas escoradas em dois travesseiros, tinha as pernas esticadas na cama. Em suas delicadas mãos, segurava a bola de futebol.

Com a presença dos dois, o garoto virou o rosto, mostrando seus olhos verdes, puros e inocentes.

- Izuku, este é... Bem...

- Todoroki Shouto.

- Oh, certo, eu sou Midoriya Inko, e este é meu filho, Izuku.

Ao olhar novamente para Izuku, Todoroki percebeu que ele não parava de sorrir. Ao ter a atenção do bicolor sobre si, ele acenou.

- Eu vou trazer um chá para bebermos enquanto conversamos sobre o custo da janela. Se importa de aguardar aqui alguns minutos?

- Não, não há problema algum.

Quando Inko se retirou do quarto, Todoroki se sentou em uma banqueta ao lado da cama de Izuku.

O silêncio tornou-se constrangedor, menos para o garoto ali. Ele ainda segurava a bola, sem ter noção de que deveria devolvê-la.

Para quebrar aquele silêncio, Todoroki resolveu falar algo:

- Então, me desculpe pela janela do seu quarto.

Ele meneou a cabeça negativamente, mostrando um sorriso de canto.

- Esta região é boa, não é?

Todoroki amaldiçoou-se, que tipo de pergunta era aquela? Pareciam dois velhos conversando agora. Desviou o olhar, envergonhado.

Pôde ouvir movimentação na cama, Midoriya gargalhava silenciosamente. Ele alcançou uma caneta e um bloco de notas no criado-mudo e, com a bola descansando em seu colo, escreveu rapidamente e entregou para Todoroki.

Você é engraçado"."

- Ah... - Shouto corou. - Bem, obrigado, eu acho. Mas... desculpe a indelicadeza, mas você não fala?

Ele negou com a cabeça e escreveu novamente no bloco de notas.

"Eu perdi minha voz".

- Então você é mudo... - Comentou, levemente surpreso.

Izuku assentiu. Com a bola em seu colo, Midoriya ergueu as duas mãos, fazendo sinais ágeis e precisos, o que logo Todoroki identificou como sendo língua de sinais.

Ao terminar, Midoriya descansou as mãos no colo, ao lado da bola de futebol.

- Eu não entendi nada, desculpe, poderia escrever?

Midoriya sorriu, de maneira suspeita, e cruzou os braços, negando com a cabeça.

- Não vai me falar? - Todoroki sorriu. - Ah, mas assim vou achar que andou me xingando.

O sorriso ladino de Midoriya logo foi substituído por uma expressão surpresa, negando várias vezes com a cabeça.

- Vai guardar segredo?

Ele assentiu, a expressão divertida voltando ao seu rosto, só então Todoroki notou que ele tinha sardas pintando as bochechas coradas.

- Beleza então, vou voltar para casa e vou estudar língua de sinais. Já decorei o que você fez aí e vou decifrar! - Como que para comprovar o que disse, Todoroki imitou os sinais que Izuku fizera antes.

Ao terminar, viu o rosto do esverdeado expressar divertimento, novamente simulou uma gargalhada muda. Voltou sua atenção para o bloco de notas.

“Está tudo errado, boa sorte tentando decifrar isso”.

Todoroki formou um bico.

- Grosso.

Izuku novamente lhe sorriu e Shouto gostou do modo fácil que o sorriso vinha a faceta alegre dele. Ele pareceu lembrar-se de algo e atrapalhou-se entregando a bola de futebol para Todoroki.

- Obrigado. – Shouto agradeceu, deixando a bola parada ao lado da banqueta em que sentava.

Midoriya ergueu ambas as palmas, colocando a palma direita sobre a esquerda e fazendo movimentos circulares com a destra.

- Isso é um “de nada”? – Indagou.

Ele assentiu. Todoroki imitou o gesto e sorriu.

- Certo, aprendi!

A porta foi aberta novamente e Inko adentrou, equilibrando três xícaras de chá e uma chaleira em uma bandeja prata. Todoroki se sentiu nos anos oitenta.

Não gostava muito de chá, mas bebeu por educação e teve que elogiá-la.

- Quer dizer que engatou uma conversa com o Todoroki, Izuku? – Ela riu, sentada na beirada da cama do filho.

Izuku corou e fez alguns sinais com as mãos.

- Entendo. – Ela disse, sorridente. Logo voltou sua atenção para o bicolor. – Izuku não costuma socializar muito, já que ele não frequenta nenhuma escola ou algo do tipo. Ele nunca conversou muito com alguém da idade dele. Estuda em casa.

Todoroki sorriu, sem graça.

- Eu imagino, mas por que ele não pode sair?

- Ele é paralítico da cintura para baixo.

A informação fez o peito de Todoroki arder, quis perguntas mais, mas temeu estar sendo indelicado demais. Apenas assentiu e voltou a falar:

- Izuku-san, pode me emprestar o bloco de notas?

Midoriya moveu a cabeça, entregando-o para Shouto. Ele rabiscou o telefone de sua mãe e entregou para Inko.

- Aqui, este é o telefone da minha mãe, Todoroki Fuyumi. Por favor, ligue para ela para acertar os custos da janela. – Ele levantou-se. – Eu tenho que ir, realmente sinto muito pela janela quebrada.

Curvou-se e pegou a bola de futebol. Inko levantou-se com o intuito de acompanha-lo até a porta.

- Ah. – Shouto parou, olhando a mulher de pé e Midoriya, que lhe fitava entristecido. – Izuku-san, se importaria caso eu voltasse aqui amanhã? Gostei de nossa conversa.

O rosto de Midoriya iluminou-se e rapidamente fez os gestos com as mãos. Inko, sorridente, traduziu.

- Ele disse que iria adorar.

Todoroki sorriu e despediu-se.

26 de Fevereiro de 2018 às 01:36 2 Denunciar Insira 6
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Machadorisos . Machadorisos .
Oh, eu achei tão lindinho! A forma da escrita e tudo mais.. Mas me bateu uma dúvida, quantos anos eles têm? Pq não ficou muito claro até então
20 de Maio de 2019 às 20:55
Haruka  Senpai Haruka Senpai
Eu precisei, com muita necessidade, criar uma conta aqui para acompanhar a história. Você sabe usar as palavras corretamente. Sua história foi muito bem produzida. Estou ansiosa para os próximos capítulos. Parabéns.
26 de Fevereiro de 2018 às 10:19
~

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