Someone like you Seguir história

lady_giovanni Lady Giovanni

Após uma longa jornada fora do santuário, Camus pôde finalmente compreender melhor seus sentimentos e terá uma grande surpresa ao retornar para seu amado. Ele estaria ainda à sua espera?


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas. © Todos os direitos reservados.

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O retorno

"I heard that you're settled down

That you found a girl and you're married now

I heard that your dreams came true

Guess she gave you things I didn't give to you"

Exílio. Essa foi a decisão que tomei, depois de descobrir que a única pessoa a qual amei se casou. Eu não suportava mais viver no santuário. Não, depois de tudo que passamos juntos e ele fez questão de esquecer.

Os quarenta e oito longos meses que fiquei longe do santuário, devido a uma missão que me foi incubida, pareciam intermináveis. Apesar de não me acostumar com o clima, entre outras coisas que muito me incomodavam, sentia falta da Grécia. Contudo, lá era o meu lar. Pelo menos, era o que eu achava.

Me lembro como se fosse hoje do dia que cheguei no santuário. Não sabia o que me aguardava, já que estava recluso. Em minha inocência, pensei que tudo poderia estar como antes. Talvez a distância despertasse a chama que se apagou, depois dos dois longos anos em que tivemos separados. Esses anos, que sem dúvida foram os melhores que tive em toda a minha vida.

Eu não sabia o que era viver até o dia em que o conheci. Milo era tão diferente de mim, mas bem diziam os antigos que falavam sobre o ditado “os opostos se atraem” e isso se encaixa perfeitamente no nosso caso. Me sentia vazio quando ele não estava perto. Me sentia incompleto. O meu erro foi acreditar que ele poderia sentir o mesmo.

O santuário estava em silêncio. Chegava a ser mórbido e até parecia um sinal de que os deuses me esperavam para caçoar de minha infelicidade. Estranho ou não, nada me fazia parar de pensar na hora em que o visse. Será que ele sentiu minha falta durante todo esse tempo?

Eu não me importava mais em demonstrar o que tanto tempo eu demorei para aceitar. Sempre considerei meus sentimentos algo muito íntimo. Não gostava de expor o que sentia, mesmo para ele.

Sempre fiz questão de evitar socializar com as pessoas, tentando manter distância delas, mas ele… Por que com ele era tudo diferente? Milo sabia abaixar minhas defesas e quebrar meus muros. Quando o via, meu coração se enchia com um tipo de sentimento do qual não compreendia.

Passei pelas casas, encontrando algumas delas vazias e quando me aproximei de escorpião meu coração apertou, tamanho sufoco que senti.

Por todo o tempo que estive longe, eu só pude contar com as memórias das noites que tivemos juntos. Eu desejava vê-lo mais do que tudo. Eu precisava dizer a ele o quanto o amava. Precisava dizer que esses meses foram decisivos para que eu percebesse que minha vida não fazia mais sentido se ele não estivesse ao meu lado. O orgulho, esse sentimento egoísta que nos faz tomar más decisões e que eu preferia desconhecer, me levou a perder a pessoa que mais importava para mim.

Ao chegar na entrada, tirei a urna dourada de minhas costas e a coloquei com cuidado no chão. Tive certeza de que ele sentiu minha presença, eu podia sentir a sua e também fiz questão de fazer com que isso fosse notado. O que não esperava é ter aquela recepção.

"Old friend, why are you so shy?

Ain't like you to hold back or hide from the light

I hate to turn up out of the blue uninvited

But I couldn't stay away, I couldn't fight it"

– Entre – ele respondeu, depois que me comuniquei pelo cosmo e anunciei minha chegada.

Peguei a urna e a coloquei em minhas costas e dei os primeiros passos até o interior daquela casa da qual aprendi a amar tanto quanto a minha. Estava tão feliz que não estranhei seu tom de voz. Nessa hora eu deveria ter ouvido a minha razão, ao invés de ignorá-la.

Estava decidido a expor a ele tudo que sentia, mas havia algo no ar. Nunca fui uma pessoa supersticiosa, porém algo me dizia que aquilo não ia bem. Um pressentimento? Talvez. O fato é que resolvi ignorar qualquer tipo de insegurança. Eu era inseguro quanto a isso, tanto que os muitos “eu te amo” que ouvi de sua boca sempre foram acompanhados do meu silêncio. No fundo, eu tinha medo de me machucar e acontecer o mesmo, que alguns de meus companheiros passaram ao se entregar ao amor.

Eu não sabia lidar comigo e, por muitas vezes, ele se esforçava para me entender. Mas tudo é diferente agora. Milo estava diferente.

Me aproximei e o vi parado no centro do salão, imponente como sempre. Ele não havia mudado nada nesse tempo que eu estive fora. Seu rosto, seu olhar... Ah! Aquele olhar. Tão expressivo, convidativo, tentador, sedutor. Entretanto, havia algo naquele olhar. Ele parecia indiferente com a minha presença. Sua inquietude me incomodava. Ele não costumava ser assim.

"I had hoped you'd see my face

And that you'd be reminded

That for me it isn't over"

Dei alguns passos em sua direção, e senti as lágrimas escorreram de meus olhos. Ele permanecia imóvel, estático. Bem dizem também, que “o amor é cego” e que não percebemos o que acontece ao nosso redor. Negamos os sinais... negamos o óbvio.

Desencaixei os braços das alças e corri em sua direção. O abracei forte e finalmente deixei o choro sair. Todos os dias em que passei longe, desejei que esse momento finalmente chegasse, mas... Por que ele não retribuía?

Ouvi alguns passos e quando levantei meu rosto, que repousava em seu ombro, vi a amazona de ofiúco se aproximar. Me afastei, dando alguns passos para trás e fitei seus olhos. Pude sentir o desprezo através deles.

Olhei confuso para Milo e tornei a olhar para ela que agora havia parado ao lado dele. Sua mão segurou a dele, entrelaçando seus dedos e notei aquilo como um sinal de posse. Abaixei minha cabeça nesse instante. Não pude acreditar naquilo. Eu não quis acreditar. Tornei a olhar para ele e depois de minutos de agonia, devido ao silêncio que se instaurou em escorpião, ele finalmente se pronunciou:

– Camus, vejo que não ficou sabendo de meu casamento. – disse, enquanto eu via a amazona acariciar seu braço. Seu olhar era sério.

Quando ouvi aquelas palavras, meu mundo desabou. Nunca pensei que uma frase dele surtiria com tamanho impacto, quanto aquela proferida com tamanha frieza. As lágrimas teimavam em se acumular em meus olhos, mas eu não quis demonstrar. Não mais. Aquilo era humilhante demais para mim.

"Never mind, I'll find someone like you

I wish nothing but the best for you too

Don't forget me, I beg

I remember you said

Sometimes it lasts in love, but sometimes it hurts instead"

Engoli o choro, sentindo ele entalado em minha garganta e com muita dificuldade, respondi:

– Sejam felizes. – eu disse e olhei para ele pela última vez.

Peguei a urna e saí dali, antes que algo mais fosse dito e tenho certeza de que havia. Passei pela saída de escorpião e inclinei a cabeça, vendo as outras casas mais adiante. Subi as escadarias o mais rápido que pude e antes de cruzar sagitário, olhei para trás, derramando algumas lágrimas.

"Sometimes it lasts in love, but sometimes it hurts instead, yeah"

Continuei seguindo o caminho, até chegar em minha casa. Dei alguns passos e deixei que o peso de meu corpo despencasse até o chão. Estava péssimo e até meu cosmo oscilou, tamanho era o meu sofrimento. As lágrimas que caíram de meu rosto, transformaram-se em pequenos cristais de gelo Empurrei a urna para o lado, deitando de barriga para cima e queimei meu cosmo. Em poucos segundos, aquário estava tomada pelo gelo e eu fazia parte dela.

"You'd know how the time flies

Only yesterday was the time of our lives

We were born and raised in a summer haze

Bound by the surprise of our glory days"

Fechei meus olhos cansados de chorar e as memórias começaram a vir como um filme em minha cabeça. Eram tantas, que já não suportava a paz em minha própria casa. Me sentei e vi nossas sombras correndo, treinando, estudando… nos amando. Estiquei o braço na tentativa de segurá-lo, mas tudo que pude alcançar foi apenas a sombra de um passado que deixei escapar por entre meus dedos.

Encolhi as pernas, repousando meu rosto sobre os joelhos e permaneci nessa posição por algum tempo. A dor de saber que ele havia me esquecido e colocado outra pessoa em seu coração, era grande. Contudo, eu não sabia se podia culpá-lo por isso.

"I hate to turn up out of the blue uninvited

But I couldn't stay away, I couldn't fight

I had hoped you'd see my face

And that you'd be reminded

That for me it isn't over

Nevermind, I'll find someone like you

I wish nothing but the best for you too

Don't forget me, I beg

I remember you said

Sometimes it lasts in love, but sometimes it hurts instead"

Após algumas horas, me levantei e caminhei até o corredor que levava até meu quarto. Quando abri a porta, vi sobre minha cama um envelope. Fechei a porta e me aproximei para pegar aquela carta. Notei que tinha meu nome escrito a mão no verso e reconheci aquela letra. Era dele. Abri e puxei o papel, vendo que se tratava de um convite. Quando vi seu nome junto ao dela, voltei a derramar mais lágrimas e notei a marca da tinta borrar meu nome.

"Nothing compares, no worries or cares

Regrets and mistakes, they're memories made

Who would have known how bitter-sweet

This would taste?"

Larguei o convite e deitei em minha cama e pensei em todos os dias em que tentei resistir aquele clima insuportável. Corri riscos, mas me mantive vivo. Tinha uma razão para sobreviver e essa razão se chamava Milo.

Depois de passar noites em claro, vi que seria impossível ficar ali e tomei uma decisão: Teria que deixar tudo para trás e me afastar, pelo bem dele e para o meu.

Escrevi duas cartas e pedi para que Afrodite as entregasse, uma para o grande mestre, e outra para Milo. Deixei bem claro que ele se certificasse que Shina não estivesse perto, quando a carta de Milo fosse entregue. Ressaltei, também, que as duas cartas fossem entregues, após minha partida. Nos despedimos com um abraço e vi algumas lágrimas rolarem pelo seu rosto,assim que me afastei. Ele acendeu seu cosmo e me entregou uma de suas rosas, voltando a me abraçar.

– Adeus, meu amigo. – disse e o vi subir até a sua casa aos prantos.

Entrei em minha casa e retirei minha armadura, deixando-a no lugar em que costumava ficar. Deslizei minhas mãos sobre ela e pedi perdão a ela, por ser fraco. Disse também, que meu sucessor seria muito melhor do que eu e já não seria mais digno de usá-la. Eu era um desertor. Já não me considerava mais Camus de aquário. Agora, apenas Camus.

Desci as outras casas, passando por cada uma delas, e as memorizei em minha mente. Parei em frente à escorpião e senti um vazio. Sabia que de todas as casas, essa seria a mais difícil de atravessar. Dei alguns passos e quando estava para sair, ouvi alguns passos atrás de mim. Parei e abaixei a cabeça. Senti que ele também sofria com a minha partida.

"Nevermind, I'll find someone like you

I wish nothing but the best for you

Don't forget me, I beg

I remember you said

Sometimes it lasts in love, but sometimes it hurts instead"

– Camus…

Fechei meus olhos, ao ouvir sua voz e senti o poder que ela exercia sobre mim. Fui iludido novamente, pela esperança de que tudo pudesse ser diferente. Pensei que ele pediria para reconsiderar e que eu ficasse, mas não foi o que aconteceu.

– Se cuide.

– Você também. Seja feliz, e que ela lhe faça feliz, como não pude fazê-lo. – eu disse e saí dali, deixando meu coração perpetuamente enterrado na oitava casa.

Continuei descendo e, conforme passava pelas outras casas, pude sentir os cosmos contritos de seus guardiões, ouvindo apenas um “adeus” como despedida.

Meus amigos... jamais os esquecerei, até que meu corpo vire pó e meu cosmo se eleve aos céus. – declarei pelo cosmo, antes de partir definitivamente do santuário.



Depois de vê-lo partir rumo ao exílio, Afrodite fez o que o amigo havia lhe pedido. Primeiro, passou pelo templo do grande mestre e solicitou uma audiência com o mesmo. Assim que lhe foi concedida, entregou o envelope e saiu dali sem pronunciar uma palavra.

Shion abriu o envelope e começou a ler a carta, que dizia o seguinte:

Mestre,

Escrevo essa carta com muito pesar e comunicar-lhe que renuncio ao meu posto de cavaleiro de aquário, passando o cargo para Hyoga, meu pupilo. Espero que me perdoe pela minha decisão.

Eu juro pela minha vida, que eu tentei. Não pude mais conviver com a sensação de que estava traindo a deusa. Deixei que minha vida, como um santo guerreiro de Atena, fosse afetada por coisas pessoais. Não sou mais convicto de nada. Eu perdi minha força, perdi minha fé…perdi minha vida.

Nunca esquecerei das noites em que o senhor compartilhou de sua sabedoria comigo. Aprendi muita coisa e levarei isso comigo para todo o sempre.

Obrigado por ser meu professor, meu amigo e meu confidente.

Camus.

Shion deixou o braço que segurava a carta, pender sobre a perna e a soltou. Tocou a mão sobre a face úmida e se concentrou, tentando se comunicar com o cavaleiro. Porém, foi em vão. Pensou em procurá-lo, mas como conhecia o cavaleiro, sabia que ele não voltaria atrás em sua decisão. Camus era assim. Ninguém o faria mudar de idéia.



Afrodite desceu as escadas e entrou em sua casa. Sentou no sofá, olhando para a carta que teria que entregar para o escorpiano e suspirou. Esbravejou , e até soltou alguns palavrões em seu idioma natal, ao ler o nome do grego escrito com a letra de Camus. Não havia mais nada que se pudesse fazer.

O sueco respirou fundo e se comunicou pelo cosmo com o escorpiano, dizendo que passasse em sua casa, assim que fosse possível. Ele imediatamente ouviu sua resposta, que dizia para o cavaleiro lhe aguardar na entrada de peixes.

Afrodite foi para a entrada de sua casa e se apoiou em uma das pilastras que a sustentavam. Depois de vê-lo sair de aquário, foi em sua direção e parou no meio do caminho, apenas estendendo a mão com o envelope. Fitou seus olhos seriamente e não falou nada. Deu meia volta e retornou para sua casa, sumindo da visão do outro.

Milo olhou para o envelope e suspirou ao ver a letra de Camus. Desceu as escadarias e deu alguns passos até interior de aquário. Parou de repente e olhou para a armadura, lembrando do cavaleiro que habitou por muitas vezes seus pensamentos.

Resolveu ir uma última vez até os aposentos de Aquário e abriu a porta do quarto. No mesmo instante, lembrou de momentos marcantes que compartilharam ali. Lembrou também, da primeira vez em que viu o cavaleiro sorrir. Uma lágrima caiu, ao ver a imagem se dissipando em sua frente e começou a questionar o porquê de Camus ter ido embora.

Por que, Camus?Por que fugiu?

Fitou aquele envelope receoso e depois de alguns instantes, o abriu para ler.

Milo,

Queria poder dizer tudo que eu vou escrever pessoalmente, mas isso não vai ser possível. Creio que as coisas fugiram do meu controle e não quero mais ser um empecilho entre você e Shina.

Queria lhe dizer que os anos em que passei ao seu lado , foram os melhores de minha vida. Queria lhe dizer que não houve ninguém mais importante que você. E, é provável que eu nunca mais me relacione com mais ninguém. Você foi a única pessoa que senti necessidade de proximidade. A única pessoa que senti a necessidade de entrega.

Nunca fui tão bom com as palavras, nem tão bom em demonstrar o que sentia e me arrependo amargamente por isso. Sei o quanto você desejou que eu retribuísse suas palavras carinhosas, depois de nossos momentos de amor e me desculpo por isso. Me perdoe.

Os meses que passei sozinho, me fizeram refletir e chegar a conclusão de que estava errado. Estava disposto a pedir-lhe uma segunda chance, mesmo que tivesse que lhe suplicar de joelhos. Eu sei o quanto sofreu com nosso término e com a minha partida, mas quando vi a amazona em sua casa naquele dia e ouvir de sua boca que estavam casados, me senti devastado. Meu coração foi quebrado em pedaços e minha alma despedaçada.

Você pode até achar estranho, mas é como dizem por aí : “a dor ensina a gemer” e foi assim que vi que havia perdido você. Não lhe culpo por suas decisões e se tem uma pessoa que tem culpa nisso tudo, é somente eu.

Espero que você seja feliz. Eu realmente espero e torcerei por isso. Aprendi que amar é abdicar da própria felicidade para ver o outro feliz. Eu daria minha vida por você e agora estou partindo para que seja plenamente feliz, sem que eu seja uma sombra no seu caminho.

Me perdoe por todo mal que lhe causei.

Eu te amo e te amarei para sempre.

Camus.

"Nevermind, I'll find someone like you

I wish nothing but the best for you too

Don't forget me, I beg

I remember you said

Sometimes it lasts in love, but sometimes it hurts instead"

Milo deixou algumas lágrimas caírem e puxou o travesseiro de Camus. Sentiu o seu perfume impregnado nele e olhou para o teto. As lágrimas escorriam de seu rosto e em meio a soluços e chamou pelo nome do único homem o qual amou na vida.

O que Milo não sabia, é que Camus havia escutado o seu chamado. Ainda convicto de sua decisão, ele partiu rumo ao seu destino: O exílio.

"Sometimes it lasts in love, but sometimes it hurts instead, yeah."

25 de Fevereiro de 2018 às 23:08 0 Denunciar Insira 1
Fim

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