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Gabrielly Stylinson


Eu não tinha a intenção de entrar e invadir sua vida, quem sou eu? Mas eu posso fazê-lo vê-lo, como eu vejo, como a vida é bela diante das palavras e letras, através da fantasia que envolve cada página de um novo capítulo. Eu posso mostrá-lo que com um lápis e um papel podemos preencher uma página em branco e construir um livro que ninguém nunca leu antes, um livro único e genuinamente nosso.


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

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Em progresso - Novo capítulo Todas as Terças-feiras
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Capítulo Um

Quando eu completei sete anos eu ganhei o meu primeiro livro, foi inesquecível. Quando comecei a passar meus dedos pelas páginas e sentir aquele aroma único de um livro que nunca foi lido, eu soube naquele momento que era aquilo que eu queria sentir para sempre.


Eu me apaixonei.


Eu me apaixonei pelas palavras, eu me apaixonei pelas letras, eu me apaixonei por cada junção que elas faziam juntas e por todos os seus significados. Quando adolescente, eu ganhei minha máquina de escrever.


Eu poderia escrever no meu notebook, mas não era a mesma coisa, eu gostava de sentir a sensação de estar em contato genuíno com as letras. Lembro-me que meus dedos doíam por conta do esforço que eu precisava fazer, mas mesmo assim valia a pena.


Meu primeiro texto me rendeu o primeiro lugar em um concurso, e com isso eu ganhei a chance de ter aulas extras com um renomado professor de literatura ,na melhor universidade de Londres, mamãe jamais teria dinheiro para isso, nossa situação econômica sempre fora limitada e eu entendia que essa era a minha oportunidade.


Henri era o seu nome; um senhor de meia idade, gentil, baixinho e robusto. Henri me recebeu de braços abertos e com muita satisfação. Ele estava tão encantado com o meu texto que não sabia falar de outra coisa, então ficamos os próximos primeiros 40 minutos só discutindo sobre como eu tive minha ideia e de como ele estava impressionado por eu ter apenas dezesseis anos.


Mas como todo adolescente de dezesseis anos eu também enfrentava minhas merdas... incluísse foi aos dezesseis que eu conheci as drogas, conheci as bebidas e também foi aos dezesseis anos que eu assumi minha homossexualidade. Aos dezesseis anos minha vida virou de cabeça para baixo, mas tudo bem, essa idade é uma merda para todo mundo, não é mesmo?


Aos dezoito anos, após terminar o colégio, recebi o convite de Henri para estudar oficialmente em sua universidade, eu fui sem hesitar. Após alguns meses eu comecei a trabalhar meio período em uma discoteca, e depois de alguns dias, eu estava morando sozinho. Eu conseguia me sustentar e quanto à faculdade, eu ganhei a bolsa integral.


No final do inverno meus pais decidiram deixar Londres para voltar para Doncaster, nossa cidade natal. Minha mãe fez um chororô para tentar me convencer ir, no entanto, nesta etapa da minha vida, Harry já estava totalmente incluído nela, e eu já estava envolvido demais em meu romance, não podia desistir de tudo.


Para ser preciso, Harry entrou na minha vida no começo do verão anterior, poucos dias depois que eu comecei na universidade. Eu achei que ele fosse um aluno novo, mas não, Harry nunca foi um aluno novo.


Harry estava lá por anos, pouco depois descobri que ele morava na universidade.


O jeito como essa notícia chegou a mim foi impactante. Eu nunca tinha o visto antes.


Ele sempre viveu nas sombras, até que um dia eu o vi pela primeira vez passando pelo corredor da faculdade, ele estava com a sua enorme mochila, seu olhar era cabisbaixo, seus cachos escondiam praticamente todo o seu rosto e seus lábios rosados imediatamente despertou meu interesse e desde então eu venho prestando atenção.


Não foi muito difícil descobrir que ele trabalhava aqui, precisei ter apenas uma conversa com Henri para arrancar dele o nome e o que Harry fazia aqui.


Depois das informações eu precisei ficar sozinho para saber o que fazer.


Descobri que Harry era sozinho e que tinha apenas dezessete anos, não terminou o colégio e não tem parentes em Londres. Começou a trabalhar e morar na universidade porque era a sua única forma de sobreviver. Descobri que todos os professores o adoram, mas ele se recusa a qualquer tentativa de ajuda ou aproximação.


Eu respeito.


Eu não tinha a intenção de entrar e invadir a sua vida, quem sou eu? Mas eu posso fazê-lo vê-lo, como eu vejo, como a vida é bela diante das palavras e letras, através da fantasia que envolve cada página de um novo capítulo. Eu posso mostrá-lo que com um lápis e um papel podemos preencher uma página em branco e construir um livro que ninguém nunca leu antes, único e genuinamente nosso.


Comecei a observá-lo cautelosamente e descobri que o horário de seu intervalo é praticamente no mesmo horário que eu preciso começar minha terceira aula de gramatica.


Estou fingindo concentração olhando fixamente para dentro de meu armário quando noto Harry passando apressado pelo corredor, seu cheiro natural inunda meu consciente. Respiro fundo e fecho meu armário seguindo o mesmo caminho que ele, vou devagar e fico olhando-o se sentando debaixo de uma árvore com uma agradável sombra enquanto leva um cigarro até os lábios para acendê-lo.


Ele parece soltar um suspiro de alívio quando solta a fumaça dos pulmões. Sua cabeça tende para trás, onde ele descansa a cabeça no tronco da árvore fechando os olhos relaxadamente, bem, é minha chance.


Me aproximo silenciosamente de seu corpo, eu também tirei um cigarro de meu bolso para acendê-lo e quando solto o primeiro trago seus olhos se arregalaram em surpresa na minha direção.


–Porra, que merda... -Harry murmura para si mesmo com raiva. Vejo como ele é rápido em começar a se levantar para se afastar, como se isso fosse um comando automático de seu corpo.


–Seu cigarro está queimando seu boné. –Observo olhando para onde ele deixou o cigarro, ele foi tão rápido que ao menos se deu conta de onde tinha deixado o fumo.


–Obrigado. -Ele diz colocando o cigarro nos lábios e sacudindo o boné, mas logo depois fez uma careta ao constatar que havia feito um pequeno, mas significante, buraco no tecido. – Agora eu fodi a única recordação que tinha me sobrado. Obrigado por isso também.


Seu olhar é um enigma em minha direção e eu posso jurar que ele está fazendo um esforço enorme para não chorar, ou simplesmente me bater. Ele está me culpando por ter me aproximado?


–Ei, espere... Me desculpe, eu não quis assustá-lo- Também fui rápido em levantar e apagar meu cigarro na grama, mas Harry já estava a alguns passos a frente.


Apressei meus passos até alcançá-lo e tocá-lo no ombro. Harry continua a andar, então apressei ainda mais até parar em sua frente, não dando chances de ele continuar.


–Senhor, eu estou no meu horário de descanso, se estiver precisando de ajuda eu posso instruí-lo para outro funcionário para atendê-lo melhor...


Seus olhos verdes me queimam com raiva, se ele pudesse eu juro que ele me mataria agora mesmo. Seus punhos estão fechados e sua mandíbula travada, ele está extremamente tenso e isso me deixa em alerta, talvez não tenha sido uma boa ideia ter me aproximado.


Passei minhas últimas semanas obcecado em desvendar tudo sobre ele, porém, agora que criei coragem de uma possível aproximação tenho a impressão que posso ser morto a qualquer momento.


–Me perdoe por ter chego de surpresa, não foi um jeito gentil de me apresentar, - Olhei triste para o seu boné que ele segurava na mão direita- Eu vou te pagar por isso, eu sinto muito. Aliás, prazer Louis Tomlinson.


Estendi minha mão, mas Harry ao invés de apertá-la ele simplesmente deu-lhe as costas e continuou seu trajeto.


Durante a tarde eu não vi o Harry e não tive cabeça para nenhuma aula. Fiquei fumando no pátio até as batidas do meu coração voltarem ao normal, eu não sei como, mas eu preciso descobrir tudo sobre ele e não vou desistir até conseguir.


Não esperei pela última aula para ir embora, rapidamente recolhi meus poucos pertences e segui a pé para minha casa. No caminho, passei na padaria da mãe de Liam para comprar algo para comer antes de trabalhar.


–Oi querido! Sempre é bom te ver aqui. -Mãe de Liam debruça sobre o balcão apenas para estalar um beijo na minha bochecha, me fazendo sorrir, ela me lembra tanto minha mãe. –Já vou preparar seus pãozinho e rosquinhas- sua voz emana carinho.


–Oi, tia, tudo bem, eu sempre estarei em dívida com a senhora - Digo com os olhos cheio de gratidão.


–Para, Lou, você é como da família, sabe disso! -Ele faz um aceno com as mãos antes de sumir por uma portinha dos fundos.


–Você ainda vai roubar minha mãe, filho da puta. –Liam.


–Porra, de onde você brotou, peste? - Virei-me a tempo de vê-lo entrando de mão dadas com Zayn. Provavelmente os dois já estavam ali na frente há um tempinho, mas estou tão distraído que ao menos tinha percebido.


–Oi, Loui. –Zayn me cumprimenta com um sorriso maroto no rosto, faço uma menção com a cabeça enquanto os braços de Liam me apertam em um abraço deslachado, meio abraço, para ser honesto.


–Você vai trabalhar hoje, Boo?- Liam pergunta após me soltar e instalar um beijo em minha bochecha.


–Sim, eu nunca quis tanto trabalhar quanto hoje - Sou sincero - Eu estou enlouquecendo.


–Pela sua cara está bem óbvio o motivo do seu colapso- Zayn solta um riso acomodando Liam entre suas pernas, para logo em seguida abraçar sua cintura com os braços.


–Cacete, está tão obvio assim? – franzo a testa e eles assente juntos com um sorriso nos lábios – Maldita hora que eu fui entrar nessa universidade.


Os dois caíram na risada, porque, certamente, não era a primeira vez que eu me lamentava por isso. Liam sendo meu melhor amigo acompanha de perto cada nova descoberta sobre Harry, ele fica animado junto comigo, mas fica irritado por eu não tentar uma aproximação...


Ele é radioativo, tem que ser aos pouquinhos, calmamente e mesmo assim ainda tem chances de não funcionar, mas tudo bem, ele vale todos risco.


Não demorou para mãe de Liam trazer meus pedidos e após pagá-la, despedi-me com um caloroso abraço, aquele abraço maternal, que você sente todo o carinho acumulado no coração da outra pessoa.


Eu não precisei me despedir de Liam e Zayn porque ambos me encontrariam na discoteca a noite, então apenas trocamos mais algumas provocações e eu fui embora.


Minha casa é simples.


Mas é tudo que eu preciso para ser feliz.


Penduro minha mochila, junto com o meu casaco no cabide mais próximo e tiro meus tênis. Despejo tudo que trouxe da padaria em cima da mesa enquanto ligo o meu computador para organizar as matérias que eu perdi essa tarde.


Vou revezando entre comer e fazer meus deveres, já que eu não tenho a opção de escolher fazer um de cada vez, a vida não me deu esse privilégio. Após terminar minhas atividades, sinto o meu corpo destruído.


Recolho os requisitos de comida espalhados pela mesa, lavo a quantidade considerável de louça que eu deixei acumulando e tento varrer a casa da melhor forma que eu consigo. Quando percebo o horário eu vejo que só tenho trinta minutos para estar começando meu turno no bar.


Tomo um rápido banho, aproveito para me trocar no banheiro e arrumo o cabelo por lá mesmo. Saio de casa apressadamente apenas com o celular e as chaves... Levo cinco minutos para estar lá.


–Quase atrasado outra vez, Tomlinson, quase- Jerry, o dono da discoteca murmura passando por mim. Seu hálito com cheiro de vodca é notório.


–Ainda bem que você disse quase – Virei-me dando uma piscadela em sua direção. Jarry revirou os olhos enfiando um charuto nos lábios, ainda com o olhar cravado em mim.


Tentei me distrair arrumando o balcão com as bebidas, com os copos e com os energéticos, mas eu sentia seu olhar me queimando por trás. O bar ainda não estava aberto, mas a gente já tinha muito trabalho para fazer.


Vou para pista de dança terminar de arrumar os últimos detalhes quando Niall pula em meus ombros anunciando sua chegada. Ele está radiante, sua felicidade me inunda e eu também sorrio. Ele fica lindo em seu uniforme de barman, ele está extremamente elegante.


–Vai ser nessa pista que eu vou conhecer o amor da minha vida, Louis, nesta pista! -Niall diz com os olhos brilhando, com os lábios pressionados pelos dentes e cheio de sonhos. –Essa pista vai mudar nossas vidas, Tomlinson.


Eu não entendi o que ele quis dizer a princípio, para mim Niall estava chapado e não estava totalmente coerente. Porém, alguns meses depois... todas as peças foram se encaixando e o quebra cabeça começou a fazer sentindo.


O miserável estava certo quando disse que essa bendita pista mudaria as nossas vidas para sempre.

17 de Agosto de 2022 às 12:44 0 Denunciar Insira Seguir história
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