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Uma morte inesperada acontece no Rio de Janeiro em 1875. Min Yoongi perde a irmã assassinada e a única prova que tem é um bilhete onde Lucíola deixou escrito que o homem que ela amava queria matá-la. A única pessoa suspeita é Park Jimin, o noivo da mulher conhecida por sua beleza angelical, recato e inocência. Lucíola ter um amante é impossível. E disposto a colocar o assassino na cadeia, Yoongi acusa o noivo dela de ter cometido o crime. Park Jimin rebate as acusações, no entanto, suas palavras não são suficientes. Sua ética e moral são destruídas diante da sociedade. Todos estão contra ele. Por isso, Yoongi e Jimin desenvolvem uma inimizade capaz de mudar a vida deles para sempre. Entre acusações, desavenças e provocações, eles descobrem que, em meio a rancores, é capaz de brotar uma paixão arrebatadora em seus corações.


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

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Acusações

Escrito por: AneLolita / Jeissiane79



Notas Iniciais: Bom dia. Boa tarde. Boa noite!

Mais uma fific pra vocês.

Matei uma imensa vontade minha de escrever uma história de época YM e ela

está aqui.

Boa leitura a todes!!



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Brasil, Rio de Janeiro, 1875.



O céu, carregado de nuvens cinzentas, derramava lágrimas intensas, chorando pelo sofrimento de Min Yoongi.

Ele ajudava o humilde coveiro a jogar o barro sobre o caixão de madeira, onde descansava o corpo de Min Lucíola, a sua adorável irmã. Cada ramo de areia molhada que era lançado na cova quebrava seus ossos, machucando-o dolorosamente. Estava em um pesadelo, um pesadelo com plateia.

Yoongi ainda não tinha derramado uma gota de lágrima de seus olhos desde que soubera da morte dela.

Para ele, era como se estivesse em um mundo de sonhos e que, em breve, retornaria à sua realidade, onde encontraria Lucíola sentada na varanda da mansão em frente ao jardim, lendo um romance de José de Alencar, enquanto seus lábios rosados estariam esticados em um sorriso genuíno, ou até mesmo tortos em uma demonstração de indignação pelo que lia.

Era assim que Yoongi a encontrava durante o dia, desde que chegou de Paris. Lucíola era uma moça gentil, doce e conhecida por quase todos do Rio de Janeiro.

A morte tão inesperada deixou toda a cidade de luto.

Nem Yoongi tinha conhecimento de que ela era amada por tantos cidadãos, afinal, havia chegado há treze dias, após uma viagem cansativa de meses em um navio.

Mas também, como ela não seria?

Lucíola fazia parte de um grupo de freiras da igreja católica como voluntária, que realizavam boas ações para os mais pobres. Era sempre convidada para bailes e saraus organizados por famílias de elite. E sua educação era vista por muitas pessoas. No entanto, ser tão adorada não evitou que fosse assassinada brutalmente com um tiro no peito e outro na cabeça, e ser encontrada no fim de um penhasco com o sangue cobrindo seu corpo de maneira tão macabra.

Após terminar de cobrir o túmulo, o coveiro se afastou. Yoongi deixou a pá no chão e observou, com os olhos tão escuros e frios, cada indivíduo presente no enterro; pessoas que nem conhecia, mas que choravam baixinho pela irmã; parentes distantes, o padre, e seu primo e melhor amigo Namjoon, que sofria e demonstrava essa dor pela feição chorosa que fazia. Sentiu falta de alguém ali, que também deveria estar no enterro: Park Jimin, o noivo de Lucíola.

Yoongi fechou os olhos por um instante, respirando fundo. Precisava sair dali, ir para casa e desabar todo o peso que sentia em seus ombros, descarregar todos os sentimentos ruins que dominaram seu coração: angústia pela morte, culpa por não tê-la protegido, indignação pelo assassinato e uma raiva imensa por quem a matou.

Eu agradeço a todos que estão aqui presenciando a despedida de uma pessoa muito querida para todos nós, principalmente para mim — Yoongi começou. Seus lábios tremiam levemente, assim como seu corpo inteiro que estava gelado, não pelo frio, mas pela agonia. — Lucíola era minha única família, a pessoa que eu mais amava e que, agora, não pertence mais a esse mundo. E eu tenho certeza que, de onde ela estiver, é enormemente grata por cada um estar se despedindo junto comigo.

Então, Yoongi desviou os olhos para a sepultura, e, pela primeira vez, desde que escutou há dois dias que sua irmã faleceu, ele derramou uma lágrima. Suas pernas trêmulas não aguentaram mantê-lo firme, ele caiu de joelhos, chorando, soluçando, e pôs as mãos sobre a areia molhada, agarrando-a entre seus dedos como se estivesse esmagando o assassino.

Yoongi não se importou que os outros estavam vendo sua fraqueza, sua dor, tampouco ouvindo seu choro. Era como se estivesse só ele e Lucíola naquele cemitério, em um momento particular.

— Eu juro para você, minha irmã, que farei justiça… Descobrirei quem é o assassino e o farei pagar por tudo o que ele fez a você — Yoongi sussurrou raivosamente com a voz rouca, desejando que Lucíola ouvisse sua promessa. E permaneceu dessa forma durante um tempo, sem intenção de se afastar.

Os minutos foram se passando. Os que estavam no enterro começaram a se despedir. Eles colocaram flores e velas perto da cruz da sepultura, prestaram condolências para o Min, e deixaram ele e Namjoon sozinhos.

Seu primo se agachou e o abraçou pelos ombros. Logo esfregou o braço dele em um afago, sabendo que ele estava precisando. O seu guarda-chuva protegeu ambos do sereno. Yoongi estava quieto, paralisado, encarando a foto da irmã em preto e branco presa no meio da cruz.

— Primo, é melhor irmos para casa. Já estamos há horas nesse cemitério. Você ainda não comeu e nem bebeu nada hoje. Pode acabar passando mal.

— Eu não quero ir agora, quero ficar aqui — murmurou sem encará-lo. Até a voz estava fraca e sem vida.

— Para quê? Não tem mais nada que você possa fazer aqui. Já nos despedimos. Você está pálido, gelado e magro. Não come direito faz dois dias e precisa se alimentar.

Yoongi olhou para o primo.

— Eu não estou com fome, Namjoon!

— E com sono, você está? Não parece que dormiu esses dias.

— Eu dormi sim!

Namjoon viu as olheiras abaixo dos olhos dele denunciando a sua mentira.

Ele soltou um expirar baixo.

— Eu vou embora agora, Yoongi, e não quero te deixar sozinho. Veja! — Namjoon ergueu o rosto másculo, e Yoongi seguiu o mesmo gesto. — O céu está mais escuro, a brisa ainda está fria, e irá chover muito mais do que antes. Se ficar aqui, ficará resfriado. Então, como quer justiça pela morte de Lucíola, se nem mesmo quer se cuidar?

O olhar de Yoongi recaiu nele e engoliu em seco. Não podia discordar de sua fala. Namjoon estava certo. Sentia-se fraco e poderia adoecer. Precisava ser forte por ela, ainda tinha muita coisa para fazer e resolver.

— Tudo bem. Eu vou embora com você.

Namjoon sorriu discretamente.

— Certo! Vou levá-lo para casa, te farei companhia por um tempo e depois irei para a minha residência, se assim desejar.

Yoongi soltou um suspiro pesado e levantou seu corpo, voltando a ficar em pé. Namjoon fez o mesmo.

— Eu aceito e lhe agradeço por estar ao meu lado, Namjoon.

O Kim sorriu sutilmente. Abraçou Yoongi outra vez e o levou até a entrada do cemitério, onde estava a sua carruagem.

As folhas das árvores balançaram de maneira feroz e um ruído forte de trovão reverberou pelo ambiente. Yoongi sobressaltou e estremeceu. Como Namjoon havia premeditado, choveu mais, a ponto de Yoongi não conseguir enxergar nada pelo caminho que o veículo percorreu.

No entanto, ele nem se preocupou com a chuva forte, sua mente ficou distraída demais pensando no que faria nos próximos dias.

A carruagem chegou à mansão da família Min pouco tempo depois. Os dois homens passaram pelo portão de entrada e apressaram seus passos quando chegaram ao jardim. O local estaria silencioso, se não fosse pelo barulho da água caindo — no chão e no telhado — e dos pequenos sapos escondidos em alguns cantos.

Ao alcançarem a porta, foram recebidos por Helena, a empregada da casa. Desde que saíram para o enterro, ela esperou pela chegada do patrão, olhando todo tempo a rua através da vidraça. A mulher estava aflita, pois sofria pela morte de Lucíola e se preocupava muito com Yoongi. Não pôde ir para o enterro, pois tinha trabalho a fazer, porém isso não evitou que chorasse sozinha pela morte da menina enquanto fazia as tarefas domésticas. Lucíola e Yoongi eram como se fossem suas crias, duas pessoas que ajudou a cuidar e amamentar quando a mãe deles não tinha mais leite.

Yoongi sentou em uma poltrona, e Namjoon sentou no sofá perto dele, tirando sua cartola da cabeça. A sala estava aquecida pelo fogo da lareira e as luzes das velas nos candelabros reluziam no cômodo inteiro. Helena se aproximou dos dois homens após fechar a porta.

— Meu senhor, quer beber algo? Comer alguma coisa? Eu preparei uma sopa quentinha há pouco tempo para que pudesse se alimentar.

— Não precisa. Não estou com vontade de pôr nada na boca.

— Mas, patrão…

— Por favor, Helena. Não insista! — Yoongi proferiu, ríspido. Em seguida, esfregou os olhos. Era incomum tratar a mulher que foi sua ama de leite assim, mas naquele momento estava muito impaciente.

— Sim, senhor — murmurou, abaixando a cabeça.

— Helena, traga uma xícara de café para mim, e pelo menos água para Yoongi. Ele precisa colocar algo no estômago.

Helena assentiu, cabisbaixa, e andou com pressa até a cozinha. Yoongi ficou em silêncio e admirou uma pintura da irmã que estava sobre a lareira. Ela estava tão bonita e com um sorriso tão lindo…

— Eu não consigo entender — ele iniciou, tendo a atenção do primo sobre si. — Quem teve coragem de tirar a vida da minha irmã dessa forma?

— Eu não faço ideia, primo. Nunca vi alguém a olhar com ódio, nunca soube de ninguém estar a ameaçando, e muito menos que tinha uma pessoa que a odiava tanto a ponto de cometer um ato brutal como esse.

— Nem eu, Namjoon, nem eu — Yoongi falou, melancólico, e arfou, desviando o olhar da pintura para olhar o fogo. Começou a esfregar os olhos. — E pensar que em breve Lucíola se casaria com o homem que ela tanto disse para mim que amava.

— Realmente, ela parecia amar muito o Park.

— Sim… Lucíola me mandou várias cartas falando sobre ele, antes mesmo de dizer que estava noiva dele. Ela estava encantada... Disse para mim como se conheceram e como sonhou que um dia se casaria com ele — Yoongi comentou e encarou o primo com seus olhos tristes. — Há sete meses, quando eu ainda estava em Paris, recebi uma carta dela, a última, que falava sobre o noivado e sobre vários planos que minha irmã possuía com o Park, e o quanto ela estava feliz.

— É uma pena que Lucíola não possa mais viver o que tanto quis — Namjoon lamentou. Yoongi sacudiu o rosto levemente, concordando com o que o outro dissera. Helena chegou à sala carregando a bandeja de prata com café, blocos de açúcar e água. Ela colocou na mesa de centro a bandeja e serviu os dois homens.

Yoongi aceitou a água sem relutar e bebeu tudo o que continha no copo de uma vez. Seu corpo finalmente estava recebendo água depois de várias horas sem pôr nenhum líquido na boca.

Namjoon riu soprado. Bebeu seu café quente sem colocar açúcar, atento ao outro homem que, naquele momento, limpava o canto da boca. Yoongi era muito teimoso às vezes. Preferiu dizer que não queria nada, em vez de saciar as necessidades fisiológicas do próprio corpo.

— Yoongi, está tarde, vou para minha casa descansar. — Namjoon esticou o braço para pôr a xícara na bandeja e se levantou do sofá.

— Tudo bem. Você pode ir.

Yoongi sentiu o aperto em seu ombro, vendo o sorriso sereno nos lábios do primo.

— Amanhã eu volto para lhe fazer uma visita.

Yoongi sorriu por um momento e colocou sua mão sobre a dele.

— Irei esperar… E muito obrigado por tudo, Namjoon. Sem o seu apoio, não sei o que seria de mim agora.

— Estarei sempre com você, primo — Namjoon declarou, depois se afastou para ir embora.

Helena apareceu na sala e pegou os utensílios para levar à cozinha, e, sem conseguir se conter, perguntou ao patrão, outra vez, se ele queria se alimentar.

Yoongi recusou novamente, para a tristeza de Helena.

Ele subiu as escadas e chegou ao segundo andar da casa. Seu corpo implorava por descanso, mas, em vez de ir para seu quarto, foi para o de Lucíola.

Antes de entrar, tirou as botas. Seus pés tiveram contato com o chão frio, fazendo um arrepio percorrer sua espinha. Enquanto seus olhos percorreram cada canto daquele cômodo delicado e tão claro como um dia ensolarado, suas pernas tremeram, assim como os pequenos cílios ainda úmidos pelas lágrimas antes derramadas.

Yoongi se aproximou da estante de livros e sorriu quando sua visão parou em cada obra favorita dela, desde obras de escritores do Brasil até os romances famosos da literatura francesa.

Muitos deles, Yoongi já havia lido.

Para passar mais tempo com Lucíola, costumava escolher um romance e sentar com ela no jardim. Liam juntos durante incontáveis horas e, após a leitura, conversavam sobre o texto dando seus pontos de vista.

Lucíola sempre tinha uma visão mais rica sobre o que lia, pois estava mais acostumada, já que o irmão costumava ler mais livros acadêmicos. E Yoongi sempre a escutava, nunca discordando dela. Depois do debate, Helena aparecia e trazia lanche para ambos se alimentarem. Os irmãos bebiam chás frios, outras vezes, café quente acompanhado com biscoitos de milho feitos pela empregada, especialmente para os dois.

Foram momentos bons e inesquecíveis que não existiriam mais, e que Yoongi guardaria por muito tempo em seu coração. Ele respirou fundo e desviou o olhar para a cômoda próxima da janela. Observou os porta-retratos da família em cima da mobília. Logo um aperto surgiu em seu peito.

Sem pressa, foi até lá e segurou uma foto de uma época quando eram crianças, onde os pais ainda estavam presentes em suas vidas.

Yoongi dedilhou cada rosto, cada pessoa na foto, enquanto sentia uma enorme nostalgia. Seus lábios esticaram em um sorriso curto e seus olhos lacrimejaram.

Já perdi meus pais e superei, mas tinha que perder minha irmã também?, Yoongi se perguntou, e viu uma lágrima sua cair em cima do rosto da irmã na foto. Depois, outra e mais outra, até que seu choro retornou com força.

— Por que dói tanto? Por quê?

Yoongi caminhou até a cama dela, encarando o porta-retrato. Deitou devagar sobre os lençóis e se encolheu com a foto encostada no peito. Era capaz de sentir o cheiro doce de rosas dela no travesseiro, e o calor do corpo de Lucíola nos lençóis. Ela estava ali. Ele sentia. Seu coração afirmava isso.

— Eu não sei o que fazer, irmã… Eu não sei como irei fazer justiça, nem como irei encontrar o assassino. Por favor, me dê uma luz — Yoongi pediu para Lucíola e esperou a resposta dela. No entanto, o único som ouvido por ele foi dos seus próprios soluços e da sua respiração irregular.

Yoongi fechou os olhos, chorou durante horas, até seu corpo não aguentar mais e adormecer.

A madrugada passou, os raios solares atravessaram a janela e aqueceram seu corpo. Ele abriu as pálpebras com dificuldade, girou o corpo deitando-se de costas na cama e esticou as pernas. Elas estralaram, fazendo-o gemer de dor.

Seu corpo inteiro estava tenso e dolorido. Yoongi inspirou e expirou o ar devagar, tentando tomar coragem para sair dali.

Tinha tantas coisas para fazer, mas por enquanto só queria ficar sozinho, entregue à solidão.

Ele ergueu o porta-retrato que passou a noite inteira segurando, deu um beijo na fotografia da família e a deixou na mesinha de cabeceira. Sentou-se em seguida, reparando na cama toda desarrumada. Logo lembrou que Lucíola não gostava de bagunça.

— Me desculpe, irmã. Eu baguncei sua cama toda, mas irei arrumar. — Yoongi bocejou e saiu devagar do colchão. Retirou o lençol da cama, sacudiu e o deixou exatamente como antes, sem nada fora do lugar.

Ele segurou o travesseiro, balançou no ar e deu batidinhas. Dessa forma, qualquer fio de cabelo seu que estivesse nele sairia.

No momento que ia pôr o travesseiro de volta no lugar, Yoongi viu algo que fez seus olhos aumentarem de tamanho e seu coração acelerar.

Tinha um papel sobre a cama, um papel que estava escondido, e o mais provável era que fosse de Lucíola.

Seria essa a luz que pediu tanto na noite anterior?

Com pressa, Yoongi sentou na cama sem tirar seus olhos do papel dobrado, com medo que, de alguma forma estranha, ele evaporasse, e esticou sua mão para pegá-lo, mas, a poucos centímetros de tocar o papel, recuou por um momento.

— O que eu devo fazer? — perguntou-se cheio de dúvidas, porém uma voz sussurrou em sua mente: Pegue! — Eu tenho que pegar. Eu tenho.

Yoongi encheu os pulmões de ar. Levou sua mão até o papel e o segurou.

Estava com receio de ver o que tinha, mas sua intuição era mais forte. Ele abriu devagar e letras bonitas, mas escritas de forma atrapalhada, denunciavam ser um bilhete. Uma palpitação brusca foi ouvida por seus ouvidos quando leu a única frase que estava rabiscada no papel.

O homem que eu amo quer me matar... — Yoongi sussurrou. Suas mãos tremeram, assim como seus lábios.

Ele leu a frase de novo, e de novo, repetidas vezes, e cada vez mais, o tremor nas mãos aumentaram, ao ponto de o papel começar a se rasgar no meio.

Yoongi não aguentou mais e jogou o bilhete no chão.

— Lucíola já sabia que iria morrer e quis deixar um aviso? Mas para quem ela iria deixar? Desde quando ela sabia? Por qual razão deixou esse bilhete escondido? — Yoongi fez várias perguntas, sozinho, desnorteado.

Não sabia para onde olhava. Desviava os olhos do bilhete. Mirava ele novamente.

Andava pelo quarto, sem rumo. Seu coração queria sair pela boca. Sua respiração pesava. Ele passou a mão nos cabelos com força, lembrando da frase escrita. Ela estava morta e enterrada, e o bilhete era a luz, a resposta que precisava para encontrar o assassino. Quem mais poderia ser?

Quem mais seria o homem que ela amava?

Lucíola nunca trairia o seu noivo. Nunca agiria como uma moça da vida.

Yoongi conhecia a irmã que tinha, e desconhecia muitos fatos sobre o noivo dela.

Como ele pôde ter coragem de ter matado minha irmã daquele jeito? O que Lucíola fez para ele cometer tal crime? — Ele cerrou os punhos, fincando as unhas na palma da mão com força.

Sentiu dor e a ignorou.

Seus olhos lacrimejaram, sentindo o fervor se alastrar por todo seu cerne.

— Se não fosse por ele, minha irmã ainda estaria aqui! Viva!

Yoongi pegou o bilhete e ficou olhando para ele. Suas pupilas dilataram como se estivesse encarando o seu próprio inimigo.

— Você matou minha irmã, Park Jimin! Você! E pagará muito caro por isso!


***


Jimin odiava a morte desde quando perdeu pessoas queridas em sua vida.

Primeiro foram seus avós paternos, que ajudaram sua mãe a cuidar dele com todo amor e carinho enquanto seu progenitor viajava para negócios em outras províncias do país.

Depois seu pai, que o ensinou tantas coisas boas até seus 14 anos, sobre o trabalho, sobre as pessoas, sobre ser forte para qualquer situação desesperadora.

Outro foi um grande amigo que conheceu em Coimbra. Ele sempre o ajudou quando mais precisou, mas, por causa de uma doença desconhecida, acabou falecendo.

E a última pessoa foi há três dias, a sua querida Lucíola. Para Jimin, a morte nem deveria existir. A vida já possuía muitos problemas e causava muita dor para impedir a felicidade de outrem. Ele acreditava que seria feliz com Lucíola. Quando se casasse com ela, iria construir uma família e teriam filhos saudáveis para herdar tudo o que possuíam.

Pensou que Lucíola se tornaria sua grande paixão, pois o que sentia por ela nunca foi amor, mas gostava e sentia um enorme carinho pela noiva.

Tinham feito muitos planos juntos, porém todos desandaram.

Seu peito estava dolorido e aflito desde que soube da notícia do assassinato dela.

Era angustiante saber da morte de alguém. Tudo perdia a cor e se transformava em cinza. Até o tempo parecia mais melancólico, como se percebesse a dor dos outros. Jimin sentiria falta dela, sentiria falta dos sorrisos carinhosos que ela exibia para si, de como sempre era gentil, doce e amável.

Era assim que queria que Lucíola fosse lembrada por todos.

Era assim que ele sempre se lembraria dela.

Jimin sentou no divã, pondo os pés no chão, e gemeu ao sentir as costas doerem. Não teve forças para se levantar e ir para o quarto, sentiu-se muito cansado após pensar sobre não ter ido ao enterro da noiva. Nem sua mãe foi.

Mas como ela iria, se queria ficar ao seu lado?

As pessoas poderiam pensar que tinham feito uma desfeita, mas faltar no enterro não significava que sentiram menos a morte dela. Jimin suspirou e fechou os olhos, apoiando os cotovelos na perna e descansando sua testa sobre as mãos.

Gostaria que esse momento nunca tivesse existido, assim não estaria sofrendo por tamanha perda.

— Meu filho, está sentindo alguma coisa?

Jimin escutou a voz preocupada de sua mãe em seus ouvidos e os passos apressados dela se aproximando.

— Não, mãe. Eu só me sinto um pouco cansado. Não consegui dormir direito nesse sofá. — Ergueu o rosto e encarou a mulher à sua frente, alta e de longos cabelos negros. Era Aurélia. Ela usava um vestido longo preto de manga curta, a cauda atrás da veste se arrastava pelo chão.

— Querido, porque dormiu aqui? Deveria ter dormido no quarto.

— Eu sei, mas não pensei na hora. O sono me pegou desprevenido e não tive vontade de ir para meus aposentos.

— Evite fazer isso, esse divã não é tão bom como o nosso da fazenda, pode ter dor na coluna e até mesmo em outra parte de seu corpo — Aurélia avisou. Jimin deu um sorriso frouxo, suspirou e se levantou. Ele tocou os braços dela, percorrendo as mãos para cima e para baixo em um simples afago.

— Tudo bem. Lembrarei disso. Obrigado por sempre se preocupar comigo. — Beijou a testa da mãe. Aurélia tocou o rosto dele e acariciou os cabelos castanhos compridos do filho.

— Você está bem?

Jimin abaixou o olhar, sabia ao que sua mãe se referia. A melancolia pela perda de um ente querido era inevitável para a maioria das pessoas, contudo, muitos sabiam se manter erguidos. A vida tinha que continuar.

— Não, mas irei ficar logo. Prometo.

— Tenho certeza que sim. — Aurélia sorriu e rugas surgiram no canto de seus olhos. — Preparei com Jane um café da manhã simples e delicioso para nós dois. Você tem que comer.

— A senhora ainda não fez sua refeição?

— Não. Estava esperando você acordar — respondeu, segurando as bochechas do filho. Jimin balançou o rosto em negação.

— Ah! Mãe, desde que horas a senhora está acordada?

— Faz pouco tempo… E mesmo assim, estou sem vontade de tomar café, mas, de qualquer forma, tenho que comer agora, para não sentir fraqueza depois.

— Então vamos tomar café juntos. Me espere tomar um banho e trocar de roupa. Eu volto logo para fazer companhia para a senhora na mesa.

— Certo. Irei esperar.

Aurélia sentiu mais um beijo em sua testa. Ela dava graças ao seu Senhor pelo filho amado que ele lhe dera.

Jimin se afastou e foi para o quarto. Retirou todas as vestes que usava, escovou os dentes com pasta feita com ervas de hortelã e tomou um longo banho na tina.

Foi prazeroso sentir a água morna em sua pele lhe refrescando e o sabão o limpando. Depois de terminar seu banho, deitou-se na banheira, evitando pensar em problemas. Quase dormiu outra vez, mas saiu antes que o sono fizesse domínio sobre seu organismo. Ele vestiu sua camisa branca, uma calça preta com alças nos ombros e botas.

Após terminar de se arrumar, retirou-se do quarto e entrou no corredor iluminado pela luz natural do dia, pois as janelas estavam abertas. O ar puro estava bom, Jimin sentia o cheiro de flores vindos do pequeno jardim da residência. Seus avós fizeram bem em plantar rosas e margaridas nele.

Antes de chegar à sala, Jimin parou de andar. Suas sobrancelhas se uniram ao escutar vozes de dois homens na sala.

Na fazenda, era comum receber visitas muito cedo, mas na cidade isso ainda não havia acontecido.

Jimin entrou no cômodo principal da casa, e seus olhos viram que sua mãe chorava.

— Mãe, por que a senhora está assim? — Apressou-se a andar até ela.

Aurélia se jogou nos braços do filho, enlaçando a cintura dele com firmeza. Sequer conseguiu responder, pois soluçava bastante.

— O que vocês disseram para minha mãe? — perguntou, sério, encarando os dois homens fardados.

— Você é Park Jimin, o noivo da falecida Lucíola? — um homem baixinho com uma barba enorme perguntou. Jimin ouviu seu coração martelar no peito.

— Sim, sou eu.

— Você está sendo acusado de tê-la assassinado.

Jimin arregalou os olhos, incrédulo.

Ouviu direito? Assassinar Lucíola, sua própria noiva?

— Como? Mas… Por quê? Eu não fiz nada! — balbuciou, nervoso.

Aurélia tremeu nos braços de Jimin, desesperada.

— Filho… Não deixe eles te levarem. Eu não quero que você vá preso.

— Sinto muito, senhora, mas, se ele não for, será pior — o outro homem, alto e calvo, retrucou.

— Quem ousou me denunciar por algo que não fiz? — Jimin questionou, olhando para os dois oficiais.

— Isso o senhor irá descobrir quando chegar na delegacia. Agora, terá que nos acompanhar.

Jimin percorreu os olhos claros pelos cantos, absorto e perdido.

Nunca faria isso.

Nunca cometeria um crime tão perverso.

Jimin tocou os braços da mãe, retirando-os de sua cintura.

— Não! Não! Não levem meu filho — Aurélia berrou desesperadamente.

— Mãe… Me deixe ir.

— Jimin, eles querem te prender!

— Você escutou o que eles disseram, eu preciso ir. Vai ficar tudo bem. Eu vou com eles e a senhora vai atrás de um advogado.

— Não!

— Mãe, eu não tenho nada a temer — Jimin falou, firme, mas o nervosismo o rondava. Aurelia afrouxou o aperto, sentindo todo seu corpo formigar. Seu menino nunca faria uma coisa dessas. Conhecia-o desde sempre.

Jimin era um homem íntegro e de boa índole. Se ele fosse preso por um crime que não cometeu, nunca iria suportar.

O que seria dele atrás das grades? Jimin sofreria muito, e Aurélia morreria se visse o filho sofrer.

Mas, se fosse inevitável, faria qualquer coisa para deixá-lo livre, inclusive, usaria os benefícios da riqueza da família. Querendo ou não, ricos possuíam mais vantagens do que pobres e escravos.

— Eu irei achar um bom advogado. Prometo, meu filho.

Jimin mostrou um sorriso pequeno e deu um abraço forte em sua progenitora. Ele não foi algemado, como mais um prestígio por ser um homem de posses, e acompanhou os policiais até a delegacia. Como a polícia estava sem transporte, eles seguiram a pé.

Enquanto caminhavam pelas vielas de pedras, as pessoas observavam Jimin com os policiais e cochichavam, sem mesmo disfarçar.

Jimin se manteve sério e indiferente, sem se importar com falatórios. Ele prestava atenção em outros detalhes: nas crianças pobres correndo pelas ruas com suas roupas aos farrapos, acompanhando as mães que estavam andando em direção ao rio e carregavam baldes de roupas sujas dos seus senhores. Deveria ser tão pesado, era de dar pena.

Viu senhoras com vestidos cheios e longos que se arrastavam pelo chão, indo em direção à igreja. E os cavalheiros passeando pela manhã de sol quente, tagarelando com pessoas que os acompanhavam. Jimin olhou para as mangas da sua camisa e as ergueu até os cotovelos, uma gota de suor escorreu por sua testa. Questionava-se por que tinham que usar tantas roupas, mesmo em dias ensolarados.

O corpo transpirava e mudava o odor.

Ele bufou e seu olhar pousou para o lado esquerdo. Acabou vendo um homem morder o lábio inferior enquanto observava as curvas de uma mulata. Ela andava sozinha e com pressa. E viu esse mesmo homem mudar a expressão quando uma mulher apareceu ao seu lado.

Jimin quase riu e balançou o rosto, achando aquilo tão ridículo.

— Chegamos, senhor Park — um dos polícias alertou. Jimin assentiu silenciosamente e entrou junto com eles na delegacia.

Os três andaram por alguns corredores estreitos e escuros.

Aqui está precisando de janelas, ele pensou ao reparar no ambiente. O homem baixinho deu duas batidas na porta, o suficiente para uma voz grave dizer para entrar. Jimin adentrou por último. E, sem ter tempo de reagir, recebeu uma ação violenta contra sua mandíbula.

Seu corpo perdeu o equilíbrio e caiu de bunda no chão. Sua respiração tornou-se irregular e um gosto de ferrugem surgiu na ponta da sua língua.

Jimin ouviu murmúrios de surpresa, mas nem escutou direito, pareciam tão distantes. Ele pôs a mão na mandíbula, fechando os olhos com força. Massageou o local e entortou os lábios. Sentiu uma dor forte, porém suportável.

Nem teve tempo de pensar por que acabou de apanhar. Jimin ergueu o rosto, tirou os fios castanhos de cima dos olhos e visualizou o seu agressor. Logo seus olhos aumentaram de tamanho. Sua boca ficou boquiaberta. Era um homem moreno, alto, forte, trajado de maneira elegante, com calça e casaco preto sem estar abotoado, mostrando seu colete bordado.

Ele tinha os punhos ainda cerrados, o maxilar travado, os lábios em uma linha reta e as sobrancelhas finas unidas em uma expressão colérica. E os olhos, tão escuros quanto uma pedra ônix, o encaravam com uma raiva que arrepiou a espinha do Park.

— Min Yoongi… Por que fez isso? — Jimin murmurou. Em seguida, impulsionou seu corpo para ficar em pé.

— Porque é isso que um homem como você merece! E ainda é pouco. — A fala ríspida do Min deixou o Park estático.

— Como? Do que você está falando? Eu não compreendo?

Yoongi estalou a língua e riu soprado.

Como ele é descarado!

— Do que eu estou falando? Você não sabe? Ou se faz de dissimulado a ponto de disfarçar diante de mim, dos policiais e do delegado o que fez contra a minha irmã?

Jimin passou os dedos no canto da boca antes que o sangue fugisse. Ele encarava Yoongi confuso, curioso, enquanto uma ponta de raiva surgia em seu íntimo.

Que homem gostava de receber um soco e não revidar?

E que homem gostava de estar sendo acusado por algo que não fez?

Nenhum homem, tampouco uma mulher, gostaria.

— Quando minha irmã me apresentou a você há alguns dias, acreditei que você era o melhor homem para ela. Mas pelo visto, minha intuição estava errada.

— Eu não fiz nada contra Lucíola. Como pode desferir acusações falsas contra mim?

Os polícias ficaram quietos, adoravam uma confusão, assim como o delegado Sanchez, que bebia café enquanto balançava seu corpo na cadeira. A barriga volumosa dele quase batia na barra da mesa.

— Por que você é culpado!

— Culpado? — Jimin riu, erguendo o olhar. Seus olhos arderam um pouco, e balançou o rosto em negação. — E que provas tem que comprovem que eu matei Lucíola, a minha noiva?

— Está aqui! — Yoongi girou o corpo, pegou o bilhete que estava sobre a mesa, e mostrou o papel amassado e aberto para Jimin. — Bem… aqui!

Jimin observou o bilhete, tentando entender que poder um simples papel tinha para acusá-lo de homicídio.

— Não consegue ler? Está com a vista ruim? Pois então chegue mais perto.

Jimin rangeu os dentes e respirou profundamente. Ouvia seu coração voltar a bater forte pela expectativa do que veria, quer dizer, do que leria.

Ele deu alguns passos até Yoongi e estreitou os olhos, forçando-se a ler as letras um pouco rebuscadas que pareciam ter sido escritas em desespero.

— O homem que eu amo quer me matar — Jimin sussurrou.

Não podia ser…

Ele leu outra vez e, enquanto pronunciava cada palavra na mente, seu corpo tremia.

Era a letra dela. Jimin conhecia.

A falecida lhe mandava bilhetes românticos, que diminuíram com o tempo, até não receber mais nenhum nos últimos meses.

— Eu não… — Jimin balançou o rosto e engoliu em seco. — Eu não sei por que Lucíola escreveu isso, mas não sou o homem que queria matá-la.

— E quem mais seria? — Yoongi interrogou.

— Eu não sei! Mas não fui eu! — Jimin rebateu.

Sua respiração acelerava, uma dor surgiu em seu coração. O que estava escrito denunciava um suposto adultério de sua noiva. Mas ele era o homem que Lucíola amava. Ela nunca demonstrou ter um amante, outro homem, e muito menos que tinha deixado de amá-lo.

Então, o que mudou?

Em que instante ela o deixou de amar?

Desde quando Lucíola era adúltera?

Era tão difícil acreditar.

— Está querendo dizer, senhor Park — Sanchez iniciou, mexendo no bigode. Todos o encararam. — Que Lucíola, sua noiva, tinha um amante?

Yoongi encarou Jimin de novo esperando pela resposta. Jimin permaneceu calado.

Como vou dizer que ela pode ter tido um amante?

Como vou poder manchar a imagem de minha falecida noiva, sendo que era a moça mais bem vista dessa cidade?

Perdoe-me, Lucíola, mas não tenho escolha.

— Sim. Eu não queria acreditar nessa possibilidade, mas é a única explicação para o que está escrito nesse bilhete.

Yoongi ficou espantado. Sua irmã nunca cometeria esse pecado. Além de boa moça, era religiosa. Que tipo de homem Jimin era?

— Como ousa, seu patife! — Yoongi berrou, andando até Jimin, e, antes de desferir outro soco, Jimin segurou a mão dele. — Me solta! — exclamou, puxando seu braço.

— Me ouça, Min Yoongi. Eu sei que é difícil e que dói. Está doendo em mim também, mas eu não sou o homem que ela diz no papel.

— Você não tem como provar! E eu não vou acreditar em alguém que praticamente não conheço!

Yoongi puxou novamente seu braço, colocando mais força. Jimin o soltou.

— E eu não vou aceitar que me acuse dessa forma!

Os dois homens se encaravam intensamente, faíscas reluzentes saíam dos olhos de ambos.

— Senhor delegado, o que irá decidir? — Yoongi perguntou, sem deixar de fitar os olhos azuis do Park. Sanchez suspirou, parando de se balançar.

— Como temos uma prova, simples, mas temos, e já que a vítima não está entre nós para se defender de um suposto adultério, o senhor Park Jimin será preso.

— Não! — Uma voz feminina foi ouvida.

Aurélia entrou no escritório, ofegante, segurando a saia do vestido e mostrando os sapatos sujos de terra. Alguns fios de cabelo estavam bagunçados e grudados na testa.

Ela havia corrido, e não apareceu sozinha. Um homem estava com ela.

Era um advogado.

— Meu filho não será preso. Eu trouxe um advogado para defendê-lo.

— S-sim, é isso mesmo.

O advogado era Taemin, um homem jovem, recém-formado. Ele estava nervoso para seu primeiro trabalho.

Aurélia não tinha tido escolha, foi o único e mais rápido advogado que conseguira.

— E o que o advogado tem a dizer?

Taemin pigarreou.

— Primeiro, preciso saber se meu cliente está sendo acusado com provas reais que comprovem seu crime.

Yoongi mostrou o bilhete para ele.

— Veja com seus próprios olhos — ele falou em tom de deboche. Taemin leu o bilhete.

Encarou Yoongi, o delegado e leu o bilhete de novo.

— Mas… o que está escrito aqui não comprova absolutamente nada.

— É a letra dela, encontrei no quarto dela, e esse homem... — Apontou para Jimin com o queixo. — Era o amor de minha irmã.

Taemin sentiu as mãos tremerem e uma dor de barriga. Ainda se sentia nervoso, mas queria dar o seu melhor para impedir que seu primeiro cliente fosse preso. Ele sentia o olhar de Aurélia e de Jimin em si, atentos em como iria defendê-lo.

— Decerto, senhor. Porém, meu cliente não pode ser preso por causa de uma frase. Nada comprova que o senhor Park, por mais que tenha sido noivo dela, seja o homem a quem ela estava se referindo.

Yoongi riu sem humor e passou as mãos nos cabelos com força. Seu coração estava angustiado. Sua irmã havia acabado de falecer e já corria o risco de ser acusada de adultério.

— Ela pode ter tido um amante — Taemin afirmou.

— E como sabe que ela poderia ter tido um amante? Pode provar? — Yoongi questionou para o advogado. Taemin pressionou os lábios. Não tinha, mas Lucíola ser uma mulher adúltera era a única explicação para a inocência de seu cliente.

— Muitos casos de adultério estão surgindo, senhor, inclusive de mulheres casadas e muito religiosas. Então, eu te digo, sua irmã, por mais boa que fosse, não estaria livre de se entregar aos prazeres da carne.

Aurélia ofegou, pondo as mãos na boca, atônita com tudo. A morte da nora trouxe um verdadeiro caos para ambas as famílias. Era provável que seu filho tivesse sido traído, o bilhete denunciava.

Jimin baixou o olhar e encolheu os ombros. O cansaço voltou com força, assim como milhões de confusões em sua cabeça. Ele desejava estar longe dali, ir para casa e esquecer tudo.

Yoongi sentia vontade de chorar. A ingenuidade e fidelidade de sua irmã estava sendo posta à prova, e não tinha nada do que pudesse fazer.

O estrago estava feito. No entanto, lutaria para manter a reputação de Lucíola intacta.

— Tem razão, meu caro. — Todos os olhos se voltaram para Sanchez. — Mas… eu não descarto nenhuma das possibilidades, então, após escutar cada fala dita em meu escritório, eu darei meu veredito.

O coração dos quatro bateram ansiosos.

— O senhor Park não será preso.

Aurélia abraçou Jimin e começou a chorar de alívio.

Jimin retribuiu o abraço e suspirou.

Yoongi arregalou os olhos, incrédulo pela decisão. Taemin roía as unhas esperando que a autoridade continuasse sua fala.

— Só que você, senhor Park, é o primeiro e principal suspeito da morte da senhorita Min Lucíola, com isso, enquanto não aparecer outro suspeito, você será o único julgado daqui a algumas semanas no tribunal. E essa é a minha decisão.

Taemin quase comemorou por evitar que seu cliente fosse para um cubículo fedorento.

Aurélia sorriu, mesmo que isso não fosse o fim.

— Você não pode fazer somente isso. Eu quero ele preso! – Yoongi berrou, ríspido.

— Eu não vou prendê-lo, senhor Min.

Yoongi se aproximou da mesa e bateu fortemente as mãos sobre a superfície. Sanchez pulou assustado na cadeira.

— Eu não aceito isso, ele pode fugir durante essas semanas!

— Por favor, se acalme.

— Eu não irei — Jimin falou para Yoongi, chamando a atenção dele. — Não tenho por que fugir. Eu sou inocente.

Yoongi riu com sarcasmo.

— Se pensa que vou acreditar nessas suas mentiras, está muito enganado. E nem pense em comemorar. Você é um criminoso de merda e pagará pelo que fez. — Yoongi não aguentou continuar naquela delegacia e se retirou.

Não suportou ver a cara do assassino da irmã.

Não suportou saber que ele permaneceria solto.

Seu peito queimou, suas mãos ficaram trêmulas e seus olhos arderam.

Todo o seu organismo reagiu ao seu sofrimento e sua indignação. Yoongi saiu do prédio e encontrou Namjoon, saindo de uma carruagem.

— Yoongi! Por que está aqui?

Yoongi esperou o outro chegar mais perto.

— Como me encontrou?

— Sua empregada me contou que veio para cá.

Yoongi passou o dorso da mão no rosto, retirando as lágrimas.

— Eu descobri quem é o assassino de Lucíola.

Namjoon arregalou os olhos, seus cílios tremeram.

— Quem é? — perguntou ansioso.

— Park Jimin — cuspiu as palavras com nojo, e viu o primo ficar boquiaberto.

— Céus! Tem certeza disso?

— Tenho! Eu li um bilhete que estava no quarto dela. — Yoongi começou a andar para se afastar dali, e Namjoon o seguiu.

Algumas pessoas iriam dar palavras de conforto para ele, porém ele parecia tão apressado e com a expressão tão fria que desistiram.

— E o que ele dizia?

— O homem que eu amo quer me matar… Eu até decorei de tantas vezez que reli.

Namjoon desviou o olhar para baixo, perplexo.

— Meu Deus, como o Park pôde ter feito essa atrocidade?!

— Eu não sei, Namjoon, eu não sei. Só quero que ele pague pelo que fez.

— E ele foi preso?

— Não, o que me deixou com mais raiva.

— Ele deveria ter ficado atrás das grades, até porque pode acabar fugindo.

Yoongi parou de forma abrupta no caminho e seu olhar recaiu em Namjoon, um olhar tão forte que o outro sentiu os joelhos tremerem.

— Eu sei, mas se esse assassino pensa que ficará livre por muito tempo, está muito enganado. Eu fiz uma promessa para minha irmã, e eu vou cumprir. Ele será julgado, será condenado, e a justiça será feita.


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Notas Finais: Betagem e Revisão feito por: jamaisVubtriz, minie_swag/

minie_swag e YinLua/ YinLua

Design da capa e banner feitos pela incrível: @yonpanx/ @yonpanx

6 de Agosto de 2022 às 23:20 0 Denunciar Insira Seguir história
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