antonio-stegues-batista Antonio Stegues Batista

Ao sofrer uma grande perda, Helena vê o mundo se desmoronar. Ela não se interessa mais pela carreira, volta para a casa dos pais e se encerra entre quatro paredes. Uma viagem que não está nos seus planos a leva a conhecer uma nova terra, novas pessoas e um novo amor.


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A Partida

— O almoço está pronto. Vem almoçar. – disse a mãe da porta do quarto.

— Não estou com fome. – respondeu Helena. Ela estava sentada em cima da cama, olhando algumas fotos num álbum. Tereza se sentou ao lado dela.

— Eu fiz bolinho de aipim que você gosta, salada de maionese, galinha frita, arroz à grega e feijão mexido.

Tereza fez uma pausa, olhando as fotos da filha com a namorada. Celina morreu num acidente de carro. Moraram juntas por dois anos. Helena ficou arrasada, tanto que pediu demissão na empresa em que trabalhava. Não aguentou o vazio que Celina deixou em sua vida. Agora morava com os pais.

— Você deveria apagar essas fotos e seguir a sua vida, minha filha.

— Não vou apagar as fotos, mãe! São lembranças de Celina, dos momentos que passamos juntas.

— Você precisa superar isso. Já faz um ano. Você tem que seguir a sua vida. Vá sair com os amigos, fazer novas amizades. Você vai encontrar um novo amor. Tenho certeza de que Celina quer que você seja feliz. Ninguém deve ficar sozinho para sempre.

Helena encostou a cabeça no ombro da mãe. Seus pais foram compreensivos quando souberam que ela gostava de mulher. Não fizeram nenhum escândalo. A apoiaram como bons pais que eram.

Tereza abraçou a filha com carinho.

— Vamos almoçar. Teu pai está chegando.

Quando Otávio se sentou à mesa, Tereza notou algo diferente na expressão dele. Eles tinham como que um vínculo telepático, algo comum quando os casais se combinam e estão ligados pelo fio espiritual que une “almas gêmeas”.

— Aconteceu. Estou de férias.

— E você nem avisou a gente.

— Decidi há poucos dias. Sabem o que vamos fazer?

— Reformar o jardim. – disse Helena.

Otávio pegou uma coxa de galinha e começou a comer com as mãos. Quando mãe e filha reclamavam que ele não obedecia às regras da boa etiqueta, ele dizia em tom de brincadeira que era selvagem, um neandertal. Seus traços físicos eram rudes, não era nenhum adônis, mas era um homem honrado. Tereza apaixonou-se por ele não pelo seus traços físico, mas pela sua personalidade, sua sabedoria e bondade. As coisas belas que ele tinha por dentro.

— Nós vamos viajar para a Itália. Ficaremos alguns dias na casa do meu irmão Paolo que não vejo há muitos anos. Já podem começar a fazer as malas.

Tereza hesitou.

— Helena tem que procurar emprego. Eu preciso de uma máquina de costura nova...

Otávio acabou de mastigar, limpou a gordura do bigode.

— Aconteceu o seguinte, dois pontos: Paolo vendeu as terras do nosso avô e eu tenho que ir lá assinar os documentos para receber a minha parte da herança.

Tereza olhou para a filha de olhos arregalados. Voltou a encarar o marido.

— Nós vamos ficar ricos? Não que eu esteja interessada no dinheiro.

—Acredito. –retrucou o marido, com fingido cinismo. — A quantia não sei ao certo. Paolo não deu muitos detalhes, mas adiantou o dinheiro para as passagens. Vai ser ótimo para Helena mudar de ambiente, conhecer a Itália, os parentes. O que acha?

Celina. Na viagem que poderiam ter feito juntas. Uma coisa que tinham planejado fazer um dia e esse dia nunca chegou.

— Já podem arrumar as malas pra viagem.- avisou o pai, lambendo os dedos engordurados. Definitivamente, ele odiava regras da boa educação à mesa.

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31 de Julho de 2022 às 22:40 0 Denunciar Insira Seguir história
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