painther-ho Mari 🌙

Um sonho te destruirá, um desejo te escravizará e o amor baterá o último prego em seu caixão. ▣▨ Como tudo, o mundo tem a tendência de se destruir e renascer, de terminar um ciclo e começar outro totalmente diferente. E foi isso que durante milhares de anos Ryo viu acontecer. Ele havia vencido, a terra havia sido destruída, mas ele não tinha mais nenhuma intenção de permanecer nela, de vencer qualquer outra batalha. A luta mais importante ele já havia lutado e perdido. Nada importava agora. De longe ele via a vida na terra tomar seu rumo. Os demônios acabaram se autodestruindo, com a falta de humanos e criaturas vivas restantes, a única forma que eles encontraram para sobreviver era devorando uns aos outros. Era entediante. Com o tempo, enquanto mantinha as costas viradas para tudo e todos, o tempo passou e, inexplicavelmente, os humanos voltaram a habitar a terra. O que era curioso, mas não o suficiente para tirar Ryo do estado lamentável que se colocou durante incontáveis anos, onde permanecia afogado no luto, mesmo que negando em algum nível estar sofrendo de algo tão humano. Depois da sucessão de eventos que levarão a destruição da terra e a vida que havia nela, Deus percebeu que existia para seu filho, sempre dado como a encarnação do mal mais puro, uma chance de redenção, e a chave para isso é o homem que fez o próprio diabo renunciar a todos os pecados: Akira Fudo, o homem meio demônio que foi, inegavelmente, sua parte humana, seu coração, que seu egoísmo destruiu.


Fanfiction Anime/Mangá Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#luto #universo-alternativo #devilman #akira #crybaby #ryo #Ryo-x-akira
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Não há mais coelhos na lua

— Você venceu, o que planeja fazer agora?

Ryo não sabia ao certo quanto tempo fazia que tudo havia acabado: o mundo, a humanidade, a vida de Akira. Também não sabia dizer a quanto tempo estava sentado abraçado ao corpo frio do menino demônio, esperando o momento que ficaria quente novamente. Não sabia quanto tempo passou gritando, mas sabia que foi o suficiente para que seu pai resolvesse aparecer.

— Os coelhos estão mortos — Ele murmurava sozinho, o rosto deitado sobre o corpo morto, sem se importar com a entidade arrogante as suas costas esperando atenção. — Eu matei todos os seus preciosos coelhinhos. Eu exterminei os humanos que você amava. Eu destruí seu lar, olhe ao redor Akira, não lhe restou nada.

Ele segurou o rosto de Akira Fudo nas mãos, aproximando-o do seu, na esperança de que abrisse os olhos.

— Então acorde para me matar, você não prometeu que me mataria, Akira? Não me diga que desistiu. — Ryo não sabia o que fazer quando aquela sensação esmagadora encontrou seu peito, uma dor impossível para ser tolerada, que lhe tirava o ar e fazia seu corpo todo agonizar. Dava vontade de gritar, de... chorar. — DROGA AKIRA, ME RESPONDA! DIGA QUE DESISTIU! DIGA QUE ME ODEIA! DIGA ALGUMA COISA!

Deus, o ser admirado e amado por todos os homens, louvado por todo tipo de gente, benevolente, o pai de toda a humanidade, não se importava com muita coisa e entre elas as pessoas que o ama. Não se importava com os filhos e com aqueles que criou, pouco ligava se tudo tivesse um fim, por isso que não impediu que Ryo matasse todos, ele permitiu que o ser mais desprezível exterminasse cada uma dessas pessoas, como se elas não fossem nada.

Agora, ele esperava pacientemente que Ryo respondesse sua pergunta, que olhasse para ele. E seu filho não o fez, em nenhum momento tirou os olhos do corpo de Akira, mas lhe dirigiu a palavra, não com a resposta que procurava, mas com outra pergunta.

— Você os amava? — Ele o encarou por um segundo, mas não hesitou em responder.

— Amava. — Ryo quase riu de tão absurda que era aquela afirmação, tão convincente, tão cheia de certeza. Ainda assim, tão falsa.

— Se os amava porque deixou que eu os exterminasse? Por que deixou que eu envenenasse seus corações até que destruíssem uns aos outros?

— Matar Akira Fudo fez com que o amasse menos, Samael? — Ryo trincou os dentes.

— Não é a mesma coisa.

— Como não? Se não o amava porque partiu seu corpo ao meio?

— Ele não era os humanos... ele... eu não... — Ryo odiava aquela sensação, de quando seu pai crescia na sombra do seu medo e usava isso contra ele, o diminuindo até se sentir menor que uma formiga, enquanto ele permanecia imaculado no topo do mundo.

— Não é como eu? — Deus inclinou a cabeça para trás, quase como se estivesse incrédulo diante da afirmação que parecia brilhar no rosto de seu filho. — Não percebe, Samael? Você fala como eu, chora como eu, ama como eu.

— O que você sente por eles não é amor! Você me abandonou e quando eles mais precisaram do seu amparo, você fugiu! Feito um covarde.

— Não era o que você queria? A vitória? Destruir o mundo? Entregar tudo os demônios? Está me crucificando por escolher você a eles? Ou está com raiva porque não o escolheu?

— Cale a boca! Cale a boca! Cale a boca! — Ryo gritava, as mãos tentando esconder o rosto, se esconder de tudo, dos próprios pesadelos, das verdades amargas que seu pai não parava de desferir. Não queria mais sangrar, não queria mais se sentir assim.

— No fim, você conseguiu tudo o que queria.

— Eu tirei tudo de você... Essa foi minha recompensa.

— E ficou sem nada, que gosto tem a vitória, Ryo? — Amargo, ele queria dizer, enquanto tremia silenciosamente. — Você me odeia porque somos parecidos, mesmo na miséria. Odeia que depois de tudo, estejamos igualados, os dois sem amor e seus pobres corações imortais despedaçados.

30 de Dezembro de 2022 às 15:09 0 Denunciar Insira Seguir história
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