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O soldado se aproximou da porta retirando o cavalete, o procedimento já começava ser fotografado a partir daí. Lílian parou por alguns segundos estudando o local, gesticulou para que as técnicas fizessem as primeiras imagens panorâmicas, elas avançaram devagar se posicionando para ter fotos com ângulos corretos, todo detalhe era importante, o quebra cabeças das imagens, era montado com todos os oficiais presentes na cena do crime, e a partir dali cada detalhe agora se transformava em um registro válido e oficial. Lílian ia na frente indicando o caminho, ainda não olhara diretamente para o morto, dizia que não só os corpos contavam histórias mas tudo ao redor, o quarto parecia limpo e organizado exceto pela cama desfeita e o guarda roupa caído, devagar foi se aproximando do corpo, agora observaria com calma para fazer os registros dela que seriam reserva caso algum arquivo se corrompe-se ou tivesse algum extravio, divulgação indevida. A segunda técnica ficara incubida de recolher os objetos pessoais da vítima, ao menos os que estavam a mostra. A despeito de sua idade e constituição física Lílian se aproximava devagar do corpo sem pisar na poça de gosma multicor que devagar se espalhava pelo quarto, as assistentes a imitavam atentas a cada passo da tutora, 30 anos de profissão, fria, calma mas por alguns segundos era perceptível a confusão em seu rosto, os movimentos precisos agora estavam mais contidos, pegou nos bolsos os sacos de amostra coletou primeiro o líquido de diferentes pontos, pedaços da membrana que a olhos mais experientes lembrava uma bolsa amniótica, o líquido misturado ao sangue da vítima e outras secreções não identificadas, espanto e horror estampados no rosto dela deixava o trabalho mais penoso do que de costume. Os sacos também eram fotografados assim como suas etiquetas e a coleta em si, cada um era fotografado, a terceira assistente era a responsável por essa etapa.



A membrana envolvia o corpo, ou o que restara de algo que foi rudemente brutalizado, a segunda técnica terminou a etapa de fotografia e pediu para sair da sala, estava tremendo da cabeça aos pés, só restara Lílian e 2 técnicas com o defunto e conforme a tutora fazia suas fotos descrevia a cena da morte ou o que quer que fosse aquilo que estava a sua frente.



- Membrana de material desconhecido, morfologicamente lembra um saco amniótico, secreções não identificadas misturadas a sangue, conteúdos do estômago e intestino da vítima.

- Caixa toráxica escavada expondo e lacerando orgãos diversos, intestinos arrastados para fora, cortados em partes de tamanho distintos, feitas com arma perfuro cortante, marcas que lembram mordidas organizadas ao redor do corpo, fraturas nas pernas e braços, lacerações e escoriações nas mãos posicionadas a frente do rosto, na parte externa dos braços, queimaduras nos de 2° e 3° graus, fraturas expostas nos dedos anelares, polegares e médios de ambas mãos, lacerações e amassados profundos no que agora é visível da face e crânio. Chumassos de cabelo arrancados. Da boca verte uma espécie de espuma branca que já foi coletada e catalogada, as pernas estão separadas do corpo num ângulo de 90 graus, pés também torcidos, ainda calçados.


Foram feitas cerca de 400 fotos em cada câmera, o soldado Juliano Camargo de Almeida já fez seu relatório base, agora estamos vamos nos preparando para deixar o local, a seguir entrarão os técnicos funerários para providenciar o transporte. Até o presente momento a causa mortis é indeterminada.

17 de Julho de 2022 às 01:30 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Siph Ferreira Nerd de maquiagem, amante de música, livros e quadrinhos, amiga de Meia Noite e Qliph, viciada em podcast e buscando seu rumo nesse mundo.

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