2minpjct 2Min Pjct

Yanggu é uma pequena cidade cercada por história, senso comum e uma lenda urbana. Depois das duas da manhã, é o horário em que os fantasmas sem rosto abandonam as montanhas que cercam a cidade, para vaguear por suas ruas atrás de vítimas. Park Jimin se considera uma pessoa cética o suficiente para não se deixar levar por lendas contadas para disciplinar os adolescentes encrenqueiros da cidade. Claro, isso até ser obrigado a invadir sua escola de madrugada, acompanhado pelo garoto que gosta e com uma missão idiota para cumprir. Diferente dele, Yoongi acredita até demais em fantasmas e, por conta disso, talvez essa seja a oportunidade perfeita para pagar de herói e conquistá-lo. Mas, com a lenda se mostrando um pouco verdadeira demais, a tarefa acaba se tornando mais difícil do que Jimin cogitou.


Fanfiction Bandas/Cantores Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#lendas-urbanas #friends-to-lovers #colegial #fluffy #jimin #suga #yoongi #yoonmin #jisu #jimsu #sujim #miniminiz #2min #minimini #minmin #2minproject #2minpjct
4
1.4mil VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

01:59

Escrito por:



Notas Iniciais: hey, é annie! muito obrigada por terem dado uma chance pra

essa minha fanfic, porque faz tempo que não escrevia um romancezinho

adolescente então tô muito animada pra saber o que vão achar :)

o fantasma da fic é uma lenda urbana real da coreia, mas na fic eu usei minha

liberdade poética pra inventar umas coisinhas a mais que se encaixasse ao

contexto hehe espero que gostem!

boa leitura ❤️



~~~~

Um mito sobre as cidades pequenas era aquele que dizia que, no interior, tudo era permanente e imutável. Os prédios eram os mesmos, as ruas tinham os mesmos destinos, os futuros eram iguais e as pessoas não mudavam.

Para Park Jimin, com sua sabedoria milenar de um adolescente de dezessete anos de idade — cujo grupo de amigos era o mesmo desde os seus doze — e um gosto peculiar para mergulhar todos os acompanhamentos do seu desjejum no café quente, essa crença sobre as cidades pequenas era uma baita história para boi dormir.

E ele tinha um ótimo exemplo para provar o seu ponto: Min Yoongi, dezoito anos, cabelo rosa, amante de camisas flanelas, quinto lugar no ranking de alunos da única escola pública do pequeno município de Yanggu, na província de Gangwon. Ele também era o dono de um fone de ouvido que só tinha um lado funcionando e do sorriso mais lindo que Jimin já tinha visto em toda a sua vida.

Min Yoongi era uma das maiores inconsistências de Yanggu.

Sua família tinha se mudado para o município no último ano do fundamental dele, pois a mãe, uma escritora requisitada, procurou nas promessas bucólicas do interior um pouco de paz para realizar o seu trabalho.

Por conta disso, Yoongi não estava presente na festa de aniversário de dez anos de Jung Hoseok, o filho do prefeito, em que todas as crianças da escola foram convidadas para brincar em pula-pulas instalados em uma das praças principais da cidade. Ele também não presenciou o dia em que Kang Yejun pediu Choi Misuk em casamento durante a passeata em homenagem à batalha de Bloody Ridge, ocorrida durante a Guerra da Coreia, em Yanggu, e foi rejeitado em frente da metade da cidade.

Ele também não estava presente no dia em que todos os alunos do sexto ano da escola pública pegaram conjuntivite, ou quando Kim Seokjin, em seu segundo ano do Ensino Médio, foi responsável pela vitória do time de beisebol escolar no campeonato da província e conquistou o único troféu do qual os estudantes de Yanggu podiam se gabar.

Yoongi apareceu como um acréscimo repentino; um novo rosto entre aqueles tão familiares, uma nova voz entre aquelas com as quais todos estavam acostumados, um novo lugar a se adicionar nas salas de aulas que, por muito tempo, tiveram sempre o mesmo número de alunos.

E, assim como tinha aparecido tal qual um desvio dos dias rotineiros e iguais dos estudantes de Yanggu, Yoongi estava destinado a ir embora e levar consigo a diferença que tinha causado.

Jimin sabia disso. O próprio Yoongi tinha lhe dito porque os dois eram amigos.

Quer dizer, quase. Mais ou menos.

Eles começaram a voltar juntos para casa no primeiro ano do Ensino Médio, quando caíram em um mesmo grupo para um trabalho de História, no qual precisavam ficar até mais tarde na escola, e descobriram que moravam no mesmo quarteirão. Não conversavam normalmente na sala de aula ou durante os intervalos, mas Yoongi sempre o esperava no fim da aula, com a mochila pendurada em um só ombro e uma camisa flanela de cor diferente amarrada na cintura, para que pudessem ir embora juntos.

No segundo ano, caíram em turmas diferentes, mas mantiveram a rotina de voltarem para casa acompanhados um pelo outro, ainda que os seus outros amigos estivessem presentes na maioria dos dias e impedissem uma aproximação mais íntima. Eles também participavam das aulas extracurriculares de Biologia juntos e resolveram fazer dupla no primeiro dia da aula de reforço, mantendo-a pelo restante do ano.

Naquele momento, no terceiro ano, estavam de volta na mesma classe, e Yoongi se sentava na carteira na frente da de Jimin, ao lado da janela, que refletia uma luz angelical em seus fios recém-pintados de rosa e roubavam a atenção do mais novo durante toda a aula. Ele tinha tirado nota baixa em Literatura Coreana por causa disso.

Apesar de conversarem no caminho de volta para casa, nos intervalos entre as aulas, nas vezes que resolviam fazer duplas juntos quando necessário e nos momentos em que Jimin arrumava desculpas para ir até Yoongi e seu grupo de amigos, ainda não parecia certo rotular o que tinham como amizade.

Talvez fosse porque Jimin não queria ser amigo de Yoongi. Na verdade, queria ser muito mais que isso. Queria poder segurar a mão dele sob as suas mesas quando estivessem fazendo dupla, queria poder deitar a cabeça em seu ombro no ônibus de volta para casa, queria poder roubar um beijo dele na esquina da sua rua e sair correndo só para implicar, queria poder dizer para todo mundo que ele era o seu namorado, quando perguntassem se os dois se conheciam.

Só que Yoongi era uma inconstância. E, da mesma forma que tinha chegado, estava indo embora.

Ele queria fazer faculdade na capital ou em uma das grandes cidades da Coreia do Sul. Já tinha tudo planejado e possuía as notas para realizar esse objetivo. Só sabia falar que, no próximo ano, não estaria mais em Yanggu, assim como não esteve em todas aquelas outras ocasiões que marcaram a cidade e seus habitantes.

O problema era que Yoongi já era um acontecimento marcante. Ele já tinha deixado sua presença no coração e pensamentos de Jimin, que, assim como não estava pronto para rotulá-lo como um amigo, não estava pronto para abrir mão do relacionamento peculiar que tinham em prol de uma despedida que não queria.

Por que Yoongi tinha que ser tão do contra? Por que não podia simplesmente seguir a linha natural do mito das cidades pequenas e ficar para sempre vagando pelas ruas de Yanggu, com o nome pendurado em uma placa de loja, uma casa de três quartos e uma família interiorana simples e feliz com Jimin?

Por que ele tinha que decidir ir embora e colocar em jogo toda uma confissão de amor que Jimin tinha planejado pelos últimos dois anos e, segundo seus cálculos originais, ainda demoraria mais um e ano e meio para acontecer?

Jimin bufou com o pensamento, que tinha se tornado muito mais recorrente do que a presença do próprio Yoongi em sua mente. Por conta disso, sempre que pensava no quanto gostaria de segurar suas mãos grandes e macias, era tomado pelo choque de realidade que, logo mais, não teria a oportunidade de realizar esse desejo.

Jimin odiava o fato de que os mitos não condiziam com a realidade.

— Se eu perguntar o motivo desse seu bico emburrado, vou me arrepender? — ponderou Kim Taehyung, seu melhor amigo desde os doze anos de idade, enquanto andava ao seu lado pelo corredor da escola com as mãos enfiadas no blazer do seu uniforme.

— Até parece que você não sabe o motivo — respondeu Jeon Jeongguk, seu segundo melhor amigo desde os doze anos de idade, caminhando do seu outro lado, com um saco de batata chips em mãos.

Eles estavam se encaminhando para a quadra de basquete interna da escola, onde todo o terceiro ano tinha combinado de se encontrar naquele dia — durante o intervalo da manhã —, para que pudessem discutir os assuntos da formatura que estava se aproximando, apenas a quatro meses de distância.

Quatro meses para confessar seu amor para Min Yoongi, que tinha decidido arruinar seu plano perfeito de quatro anos só por causa da faculdade. Puft, quem precisava de um diploma universitário em pleno século XXI?

— Eu achei que você já tinha se conformado com o negócio do Yoongi hyung ir embora — falou Taehyung.

— Como, Taehyungie? Como é que vou me acostumar com o fato que o amor da minha vida vai embora, sem nem saber que eu amo ele?! — Jimin se exasperou, agarrando a oportunidade para choramingar por Yoongi assim que a enxergou. Como sempre fazia, na verdade.

— É só você contar pra ele, ué — retrucou Jeongguk, simplista. — Vocês vão embora juntos literalmente todos os dias. Oportunidade é o que não falta.

Jimin ficou tentado a ignorar Jeongguk, porque o mais novo nunca tinha uma ideia boa para compartilhar. Ser sincero naquela altura do campeonato? Que idiotice.

— E como é que eu vou chegar nele falando que sou apaixonado por ele, desde o dia que ele derrubou a cola da cartolina do trabalho de História em mim no primeiro ano, hein? — retrucou, encarando o seu amigo, que mastigava um punhado de batatas chips.

A boca cheia não o impediu de responder:

— Você chega e fala: “hyung, sou perdidamente apaixonado por você desde o dia que você estragou a calça do meu uniforme com cola. Posso te beijar?”. Viu? Simples.

— Gukie, termina de mastigar antes de falar — repreendeu Taehyung, antes de voltar o seu olhar para Jimin e continuar: — Eu achei que você tinha um plano para se confessar.

Jimin sentia sua cabeça doer só em lembrar do fracasso que seus planejamentos de meses estavam fadados a ser. Se soubesse, antes, que Yoongi tinha planos de se mudar de Yanggu, depois que se formassem do colégio, teria adiantado alguns passos dos seus planos de conquista; como, por exemplo, ter dito a ele que achava o seu cabelo rosa bonito muito antes do que disse.

Ele tinha dito semana passada.

— Eu tinha! Mas não vai dar tempo! Eu ainda tô no passo dos elogios e, até chegar ao passo do toque físico, são, pelo menos, três meses! — exclamou Jimin, exasperado.

— Jiminie, você gosta dele há quase três anos — rebateu Taehyung, abismado com a lentidão do amigo em tomar iniciativa sobre seus sentimentos.

Se fosse consigo, Yoongi já seria o seu namorado desde o incidente da cola. Afinal, não seria a primeira vez que roubaria o beijo de um garoto no banheiro da escola, enquanto esse o ajudava a se limpar da bagunça causada por algum incidente entre os dois.

— Obrigado por me lembrar que perdi todo esse tempo — resmungou Jimin.

— Ei! Não foi isso que eu disse — Taehyung se defendeu, ao mesmo tempo que Jeongguk, com a boca livre de batatas, interviu:

— Ignora ele, hyung. Não é todo mundo que tem coragem de beijar os outros quando eles só estão te ajudando a tirar uma mancha de ketchup da camisa.

— Não ouvi você reclamando — alfinetou Taehyung, cruzando os braços, e abriu um sorriso vitorioso quando as bochechas de Jeongguk ficaram visivelmente ruborizadas.

Jimin revirou os olhos.

— Vocês podem parar de reviver essa memória do beijo de vocês e me ajudar? Como que eu vou conquistar o… — ele se interrompeu ao reparar que estava falando alto demais e estavam próximos da quadra, onde a maioria dos terceiranistas já estavam reunidos. Baixando o seu tom, prosseguiu: — Como faço "Você-Sabe-Quem" se apaixonar por mim em quatro meses?

— E quem disse que você precisa fazer ele se apaixonar por você? — retrucou Taehyung, no mesmo tom que vinha usando desde o começo da conversa, porque, diferente de Jimin, não se importava com o que as pessoas em volta poderiam dizer.

— Como assim? — Jimin franziu o cenho e parou de andar, obrigando os amigos a fazer o mesmo.

Jeongguk tinha um sorriso divertido em seu rosto e o olhar de Taehyung era malicioso, como um vilão de desenho animado antes de revelar o seu plano maligno.

— Você tem quatro meses para descobrir — respondeu Taehyung, enigmático, e enlaçou o seu braço ao de Jeongguk, completando: — Vem, Gukie, vamos achar um lugar na arquibancada.

— Ya! O que você quer dizer com isso, Taehyung-ah? — Jimin os seguiu, rumo ao interior da quadra, tendo dificuldade em acompanhá-los por conta do amontoado de alunos na entrada. — Jeonggukie, o que seu namorado idiota quis dizer?

— Ele não é meu namorado! — Jeongguk respondeu, por cima do seu ombro, ao mesmo tempo que Taehyung também dizia:

— Eu não sou o namorado dele!

Jimin bufou e desistiu de segui-los. Ele sinceramente acreditava que merecia um Nobel da Paz por aguentar aqueles dois por tantos anos da sua vida, sem nunca ter abandonado ambos em uma das trilhas das montanhas que cercavam a cidade, e justificado o desaparecimento deles como uma fuga de adolescentes doidos e apaixonados.

Sabendo que Taehyung e Jeongguk guardariam um lugar para ele, desviou o seu caminho até o centro da quadra, onde os alunos do terceiro ano que faziam parte do grêmio estudantil estavam reunidos, organizando os preparativos do encontro.

Entre eles, estava Kim Namjoon, o presidente da sua turma desde o oitavo ano e, por conta disso, a quarta peça daquele quebra-cabeça bagunçado que era o seu grupo de amizades.

Jimin tinha sido vice-presidente no oitavo e nono ano, mas acabou desistindo do cargo no Ensino Médio, porque sabia que seria ainda mais desafiador e atarefado, e, naquele momento, ele tinha outras coisas nas quais gostaria de focar — como seu crush gigantesco no novo garoto da cidade.

O período que passou como vice o aproximou bastante de Namjoon, que logo se deu bem com Jeongguk e Taehyung também, e, desde então, o mais velho tentava manter o trio na linha, ainda que, no fim das contas, acabasse arrumando confusão com eles.

Não que fossem aqueles super bad boys de cidades pequenas, que formavam gangues e aterrorizam os alunos mais novos. Eles só marcavam de matar aula juntos, vez ou outra, e ficavam reunidos na lanchonete do pai de Jeongguk, discutindo sobre a escola e o futuro, todo o fim de sábado.

Yoongi e Hoseok, em quem o Min tinha grudado verdadeiramente desde a sua chegada a Yanggu, apareciam de vez em quando e lhes faziam companhia, mas nunca era por convite de Jimin, uma vez que ainda não tinha arrumado coragem para convidar Yoongi para aquele tipo de encontro. A fase de chamar para encontros do plano só aconteceria no final do terceiro ano, ou, considerando a realidade atual, nunca.

— Hyung! — chamou, assim que estava perto o suficiente para ser ouvido.

Namjoon organizava duas urnas sobre uma mesa de plástico, que tinha colocado ao lado do microfone que pegaram emprestado na diretoria. Ele ergueu os olhos ao ouvir a voz do amigo e abriu um sorriso de covinhas.

— Ah, oi, Jiminie.

— Você precisa de ajuda? — perguntou Jimin, apoiando as mãos na mesa.

— Tô legal — Namjoon dispensou a ajuda, enquanto alinhava as urnas na superfície da mesa. Ao finalizar o trabalho, virou-se para Jimin e perguntou: — Cadê as pestinhas?

Jimin apontou para a arquibancada.

— Por ali, de segredinho um com o outro — reclamou, inflando as bochechas, o que arrancou uma risada rouca de Namjoon e o fez afagar carinhosamente o seu cabelo. Jimin sorriu, feliz com o carinho. — Pra que são as urnas? — perguntou.

Namjoon fez um sinal com o dedo para que o amigo se aproximasse e, quando os dois estavam respirando no mesmo espaço, segredou:

— É pro sorteio da Noite do Troféu, mas shhh. A gente não disse que ia fazer o sorteio hoje, então é uma surpresa.

Jimin assentiu e fez um sinal de zíper fechando seus lábios enquanto tentava não reagir muito ansiosamente à informação.

A Noite do Troféu era uma tradição iniciada um ano depois do time de beisebol conquistar o troféu de primeiro lugar no campeonato da província. Começou com Kim Seokjin, o capitão do time, que propôs um desafio para uma sexta-feira treze do ano: o time esconderia o troféu em um ponto da escola de madrugada e o aluno corajoso que o achasse antes do amanhecer receberia uma homenagem especial na festa de formatura.

O motivo da data era que, embora carregasse consigo um mito sem sentido, Yanggu era fiel a uma lenda urbana que rondava a cidade desde que os seus moradores conseguiam se lembrar.

Usada para manter os jovens dentro de casa depois de meia-noite ou assustar as crianças traquinas, a lenda dizia que, após as duas da manhã, os dalgyal gwishin — espíritos sem rosto de pessoas que morreram no anonimato — abandonavam o seu lar — as montanhas que cercavam a cidade —, para vaguear pelas ruas atrás de vítimas. Diziam que o infortunado que encontrasse um dalgyal gwishin teria sua vida sugada pelo espírito instantaneamente, sem segundas chances ou pedidos de socorro.

Os dalgyal gwishin eram descritos como criaturas horrendas de estrutura humana e uma cabeça enorme, no formato de um ovo, com a pele deformada e completamente branca, sem expressão alguma, que não a premissa do seu perigo.

Jimin nunca acreditou muito na lenda dos fantasmas sem rosto que sugavam vidas alheias por aí, mas costumava sentir um friozinho na barriga e, quando era criança, checava debaixo da sua cama duas vezes, pois seus pais diziam que, se ele não fosse dormir no horário ordenado, um dalgyal gwishin viria pegá-lo. O fato da janela do seu quarto ter vista para uma das montanhas de Yanggu também não ajudava.

Agora, crescido, Jimin sabia que aquele era só um jeito cruel dos adultos de disciplinar os seus filhos e costumava rir das histórias, assim como a grande maioria dos adolescentes da sua idade.

Por isso, o desafio existia para os alunos do terceiro ano, como um rito de passagem para a nova fase da sua vida: invadir a escola após as duas da manhã, em uma sexta-feira treze do ano, quando supostamente os dalgyal gwishin se concentravam no prédio educacional — a origem do porquê? Jimin nunca soube, afinal lendas só existiam sem um autor para clamá-las como suas e explicar suas motivações —, que ficava no sopé de uma das montanhas de Yanggu, para recuperar o troféu de beisebol.

A dinâmica, mesmo com algumas mudanças pequenas desde o primeiro ano em que o desafio aconteceu, ainda era basicamente a mesma: um grupo de alunos era escolhido para esconder o troféu, mas apenas uma dupla era sorteada para recuperá-lo. Se a dupla o encontrasse antes do amanhecer, ela e o restante dos terceiranistas receberiam os prêmios e as homenagens na formatura. Caso contrário, apenas o grupo que escondera o troféu seria vangloriado.

Fazia cinco anos que a tradição percorria a escola e Jimin sabia que, quando chegasse ao terceiro ano, seria sua vez de participar do evento tão ansiado por grande parte do corpo estudantil do colégio. Mas, se fosse sincero, não queria muito envolvimento com aquilo.

Era uma coisa que Taehyung e Jeongguk adorariam fazer, não ele. Prezava demais pelo seu sono para passar uma madrugada pela escola caçando um troféu e temendo mais ser encontrado por um segurança do prédio do que por um espírito que não existia.

— É melhor você ir sentar — avisou Namjoon. — A reunião vai começar.

Jimin assentiu e se despediu do amigo, encaminhando-se até a arquibancada, para que pudesse se reunir com Jeongguk e Taehyung novamente. Não foi muito difícil encontrá-los, considerando que os dois estavam em uma das primeiras fileiras acenando feito dois maníacos para o melhor amigo.

No meio do caminho, seus olhos esbarraram em uma imagem que fez seu coração disparar e o rosto esquentar como uma chaleira: Min Yoongi, em toda a sua glória e beleza estupenda, sentado em uma das fileiras mais altas com Hoseok, acenando para ele com aquele maldito sorriso encantador em seu rosto de anjo.

Jimin daria o mundo inteiro para beijar aquele sorriso pelo menos uma vezinha em sua existência miserável.

Ele retribuiu o aceno, desconfiando que o rubor em seu rosto era perceptível até mesmo daquela distância que os separava, e se apressou para sentar perto dos seus amigos, ignorando os olhares sugestivos que tanto Jeongguk quanto Taehyung lhe enviavam. Isso que dava ter amigos tão fofoqueiros como aqueles dois.

Felizmente, eles não tiveram tempo para implicar com Jimin pelo abismo profundo e sem fim que sentia por Min Yoongi, pois a voz de Namjoon — ampliada pelo microfone — tomou a quadra, explicando o porquê da reunião das classes do terceiro ano e anunciando que, antes de decidirem qualquer coisa sobre a festa de formatura, iriam sortear os participantes da Noite do Troféu daquele ano.

As reações foram as mais animadas possíveis, claro.

Jeongguk e Taehyung pararam de cutucar Jimin com os cotovelos e acenarem com a cabeça na direção de Yoongi, uma vez que estavam muito mais interessados nos nomes que seriam retirados dos interiores das duas urnas. Uma delas, Namjoon explicou, seria usada para sortear o grupo de quatro pessoas responsável por esconder o troféu e a outra para a dupla que teria que encontrá-lo.

Eles sortearam primeiramente as pessoas que fariam parte do grupo.

Jimin sentiu seu coração batendo na garganta a cada papelzinho que Chaewon — a atual vice-presidente do grêmio — retirava da urna, pois chegou a conclusão que seria uma oportunidade incrível cair naquela atividade com Yoongi e, quem sabe, utilizar a tarde que o grupo tinha para esconder o troféu como uma desculpa para um encontro improvisado.

Os dois poderiam tomar um sorvete depois, ou quem sabe fazer um piquenique, ou talvez ir até a praça assistir o pôr do sol, ou…

— Isso! — Jeongguk comemorou ao seu lado, assustando-o e interrompendo suas fantasias românticas, quando o terceiro papelzinho retirado da urna continha o seu nome.

Jimin, com o coração disparado, observou seu melhor amigo descer aos pulinhos até a quadra, onde as outras duas estudantes que já tinham sido sorteadas estavam. Uma delas era capitã do time de beisebol feminino da escola, com uma fama de encrenqueira, e a outra era uma das suas colegas de classe, que adorava trocar implicâncias com Jeongguk durante os intervalos das trocas de professores.

Colocar aqueles três juntos não era uma boa ideia. Para piorar o combo, só faltava sortearem…

— Kim Taehyung da sala A — anunciou Namjoon, lendo o último papel sorteado, que Chaewon tinha lhe entregado.

Taehyung e Jeongguk comemoraram ao mesmo tempo — um na quadra, o outro ainda na arquibancada —, e Jimin soltou um suspiro, quando o Kim passou por ele bagunçando o seu cabelo, para que pudesse se juntar ao restante do grupo. Quem quer que fosse sorteado para encontrar o troféu escondido por aquelas pestinhas, estava muito ferrado.

— Agora, vamos a nossa dupla sortuda! — falou Namjoon, usando as palavrinhas mágicas que calaram toda a arquibancada, assim como o quarteto confusão ao seu lado.

Namjoon caminhou até a segunda urna e sacudiu as mãos sobre ela por um instante, fazendo um teatrinho que arrancou alguns protestos de alunos na arquibancada. O presidente do grêmio reclamou da falta de humor deles, mas enfiou a mão na urna mesmo assim — dispensando o drama —, e retirou um papel igual aos anteriores do seu interior.

Ele voltou para onde tinham acoplado o microfone, para que pudesse anunciar:

— Ok, nossa primeira pessoa corajosa da Noite do Troféu é… Min Yoongi da sala A!

Todo o desinteresse que Jimin tinha no evento mudou da água para o vinho ao ouvir aquele nome que tanto gostava sendo anunciado para toda uma quadra repleta de alunos do terceiro ano.

Ele ergueu a cabeça no mesmo segundo assim que o nome de Yoongi foi anunciado e buscou pelo mais velho em meio aos estudantes que o cercavam, encontrando-o abrindo caminho timidamente entre os outros adolescentes para que pudesse chegar até Namjoon. O seu rosto estava incrivelmente ruborizado, quase da cor do vermelho que pintava o piso da quadra de basquete, e seus olhos arregalados de uma maneira que seria fofa, se Jimin não tivesse percebido o quão assustados eles estavam.

Yoongi parou ao lado de Namjoon, com seus olhos grudados no chão, e tudo nele gritava um desconforto que fez Jimin sentir a urgência de correr até ele para salvá-lo da situação. Felizmente, sua oportunidade não demorou para chegar.

— A segunda pessoa corajosa é… — Ele não tinha percebido que Namjoon já estava com um novo papel, atrás do microfone, até ouvir a voz do seu amigo soando mais uma vez pela quadra. — Park Jimin da sala A!

Jimin nunca correu tão rápido para o centro de uma multidão antes.

Mentira. Foi mais ou menos. Ele ainda tinha uma dignidade a manter, afinal de contas.

No entanto, assim que parou ao lado de Yoongi e trocou um sorriso tímido com o mais velho, Jimin sabia que manter qualquer dignidade possível nas horas que teria que passar com o seu crush colossal nos corredores da sua escola de madrugada, para cumprir uma missão boba, acabaria sendo uma das tarefas mais complicadas que seria obrigado a cumprir em seus longos e cansativos dezessete anos de vida.

(x)

Passada a adrenalina do sorteio, Jimin se deu conta de três fatores muito preocupantes sobre a Noite do Troféu, e nenhum deles tinham a ver com a lenda de um fantasma sem rosto engolidor de almas inocentes vagueando pela sua escola. Claro que não, muito longe disso.

O que estava o preocupando realmente, era:

Primeiro: a noite parecia uma oportunidade perfeita para acelerar o seu plano de conquista e confissão dos seus sentimentos para Yoongi — aquele negócio de cinquenta anos em cinco, ele tinha ouvido falar em algum lugar.

Segundo: ele não fazia a menor ideia de como iria conquistar e confessar seus sentimentos para Yoongi enquanto estivessem vagando de madrugada pela escola, procurando por um troféu velho e fugindo de fantasmas que não existiam.

Terceiro: Yoongi não parecia nem um pouco disposto a participar da Noite do Troféu.

E, sabe, para o seu plano de quatro anos de conquista em quatro horas dar certo, ele meio que precisava que Yoongi estivesse presente. Coisa que o mais velho estava se esforçando muito para evitar.

Jimin descobriu sobre a hesitação de Yoongi em fazer parte daquela tradição ainda no dia do sorteio, quando, após todas as classes serem dispensadas para retornar às suas aulas, o Min ficou para trás para conversar com Namjoon.

Jimin, ocupado ajudando o restante dos alunos do grêmio a guardar seus pertences porque era um bom aluno — e não porque queria ouvir sobre o que Yoongi estava falando com Namjoon —, conseguiu captar alguns pedaços da conversa, como: "escolher outra pessoa”, “Não vou poder” e “Me avisa se você conseguir alguém para substituir".

O segundo sinal de que Yoongi não queria participar veio alguns minutos após a conversa do Min com o presidente de turma, quando Jimin estava deixando a quadra para retornar à sua sala e foi surpreendido por Yoongi o esperando no corredor, com as mãos enfiadas no bolso das calças do seu uniforme e o cabelo rosa caído sobre os seus olhos de uma maneira charmosa.

Jimin poderia jurar que as batidas aceleradas do seu coração eram ouvidas do alto da montanha mais alta de Yanggu.

— Hyung? O que você tá fazendo aqui? — questionou casualmente, tentando controlar sua animação, e caminhou até Yoongi, que abriu um sorriso adorável em sua direção.

A beleza dele deveria ser estudada pela NASA. Ou decretada como um crime internacional pela Interpol.

— Resolvi te esperar para voltar para a sala. — Yoongi deu de ombros, simplista, como se não estivesse causando inúmeros curto-circuitos simultâneos em Jimin.

— Ah. — Jimin assentiu e começou a acompanhar Yoongi pelo corredor em silêncio por alguns minutos, até conseguir reunir coragem o suficiente para questionar: — O que você estava conversando com o Namjoon hyung?

O pescoço de Yoongi ficou vermelho.

— Ah, não era nada demais.

Jimin mordeu nervosamente o lábio inferior e, com o coração batendo em sua garganta, perguntou:

— É sobre a Noite do Troféu? Você não quer participar, né?

Yoongi arregalou os olhos ao reparar no nervosismo do mais novo, assim como no seu tom cabisbaixo, o qual Jimin se xingou internamente por não conseguir conter. Para alguém que não estava nem aí para o evento algumas horas atrás, ele estava agindo infantilmente demais sobre o assunto.

Pelo menos, foi aquela conclusão que chegou nos minutos em que Yoongi demorou para respondê-lo, enquanto avançavam pelos corredores pouco movimentados da escola.

— Não é por sua causa, Jimin-ah! — Yoongi assegurou um tanto agitado. Ele sacudiu as mãos para enfatizar suas palavras de uma maneira tão adorável que Jimin precisou de toda a sua cota de energia espiritual para não as segurar. — É que… hm, eu não… não gosto dessas coisas.

Jimin franziu o cenho, confuso.

— O quê? A brincadeira ou a história de invadir a escola de madrugada?

Yoongi sacudiu negativamente a cabeça para ambas as suposições e, se possível, seu rosto ficou ainda mais ruborizado. Ele não tinha os olhos em Jimin, focando-os principalmente no caminho à frente deles, ao responder:

Essas coisas, você sabe. A história da lenda e tal.

Jimin congelou no meio de um passo, virou-se na direção do mais velho e o encarou, intrigado. A atitude fez Yoongi parar de andar também e sua expressão era a de alguém que queria sair correndo para bem longe, sem olhar para trás.

— Você acredita na lenda dos dalgyal gwishin, hyung?

Yoongi encolheu os ombros.

— Não! Quer dizer, mais ou menos — ele se apressou para dizer, com palavras nervosas e tímidas. — Eu não gosto de histórias de terror no geral, então prefiro não confirmar se essa daí é verdade ou não.

— Você é tão fofo, hyung — soltou Jimin e corou no segundo seguinte ao se dar conta do que tinha acabado de falar. O jeito que Yoongi também ficou ruborizado apenas fez com que seu coração batesse ainda mais rápido no peito. — Ahn, quer dizer, é fofo que você acredite na lenda.

Yoongi resolveu ignorar o seu pequeno deslize e cruzou os braços petulantemente, perguntando:

— Vai me dizer que você nunca acreditou nela?

Jimin ergueu os ombros, em uma pose corajosa — e que, na visão de Yoongi, era simplesmente fofa —, e respondeu:

— Claro que não. Isso é só um jeito de fazer a gente voltar para casa antes das dez da noite, hyung. Eu já voltei com meus pais de festas mais de duas da manhã várias vezes e a gente nunca foi engolido por espíritos sem rosto, e aí? — Ele abriu um sorriso grande e iluminado, que foi automaticamente espelhado em Yoongi. — É sério, Yoon hyung. Os dalgyal gwishin não existem.

— Ainda prefiro não arriscar. — Yoongi deu de ombros. — Além disso, o que tem de divertido em passar a madrugada na escola procurando por um troféu velho?

Ok, Jimin pensou, hora de apelar.

— Eu vou estar lá com você — murmurou, pegando tanto a si quanto Yoongi de surpresa. Não querendo desperdiçar a onda repentina de coragem, prosseguiu: — Você vai embora ano que vem, hyung. Essa pode ser uma oportunidade que temos de criar uma memória legal, não sei. Eu nem queria participar, mas, depois que fui sorteado com você, eu fiquei animado pra isso.

— Eu também fiquei aliviado que fomos sorteados juntos — confessou Yoongi, baixinho.

Jimin fingiu que seu coração não parou abruptamente no peito.

— Então! — Ele agarrou o braço do mais velho e começou a sacudi-lo, enquanto dava pulinhos no lugar. — Vamos, por favor! Eu prometo que vou te proteger de qualquer fantasma feioso que aparecer. Por favor, por favor, por favor, por favorzinho.

Yoongi soltou uma risada que ecoou como um feitiço encantador de magia pelo corredor.

— Tá, tá. — Ele afastou a mão de Jimin do seu braço. — Mas eu só vou porque é com você e também porque você prometeu que iria me proteger.

— Eba! — comemorou, abraçando espontaneamente Yoongi, que riu novamente contra o seu ouvido.

Jimin ia morrer. Sério, Min Yoongi seria a causa da sua morte.

Ele se afastou para garantir ao mais velho que a noite seria divertida e que eles quebrariam o recorde da dupla que tinha encontrado o troféu mais rápido, mas foi interrompido por uma voz autoritária e grossa soando do final do corredor:

— Ya, Min, Park! O que você estão fazendo fora de sala?

— Droga, o inspetor. — Yoongi reconheceu o homem baixinho e carrancudo primeiro antes de agarrar a mão de Jimin e falar: — Corre! Se ele pegar a gente, estamos ferrados.

Jimin não hesitou um segundo, antes de sair correndo na direção contrária do inspetor do terceiro ano — que era ranzinza e tinha a pior fama dos funcionários do colégio —, ainda de mãos dadas com Yoongi e fingindo que as batidas aceleradas do seu coração eram por conta do medo de ser pego e levar um castigo, não pela forma que os dedos grandes de Yoongi envolviam firmemente a sua mão.

Talvez os dagyal gwishin não fossem a coisa mais assustadora e eletrizante daquela escola.


~~~~



Notas Finais: o que os sintomas de paixão não causam em uma pessoa, hein?

jimin que o diga.

vocês gostaram do capítulo?

queria deixar aqui um

agradecimento muito carinhoso para a @mimi2320ls / @bebeh1320alsey

pela betagem e a @yonpanx/ @yonpanx por essa capa e banners tão, tão

lindos. vocês são incríveis! ❤️

até o próximo capítulo!

14 de Julho de 2022 às 00:36 0 Denunciar Insira Seguir história
0
Leia o próximo capítulo 02:01

Comente algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~

Você está gostando da leitura?

Ei! Ainda faltam 1 capítulos restantes nesta história.
Para continuar lendo, por favor, faça login ou cadastre-se. É grátis!