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A cena

- Bruno, é o seguinte, a porta não quer ceder, acredito que está bloqueada, vou a viatura chamar reforço e uma ambulância, não há necessidade de alarde, mas tem algo estranho naquele quarto, não tente arrombar a porta e não deixe ninguém subir até lá.

- Errado como, puta merda, logo no meu turno? Que sacanagem aquele maluco aprontou lá?

Almeida saiu do hotel e foi até a viatura, pegou outra máscara, um pé de cabra, e pediu reforço pelo rádio.

Subiu as escadas e chegou em frente a porta, respirou fundo, procurou pensar em outras coisas e falou novamente.

- Senhor, aqui é o soldado Almeida, se o senhor não abrir a porta em 10 segundos eu vou entrar.

Os danos ao patrimônio do hotel serão adicionados a sua conta.Não houve resposta então o soldado apoiou o pé de cabra e forçou primeiro a fechadura, depois a porta num pequeno vão que foi se alargando até que com um estrondo do lado de dentro a porta cedeu, quando deu por si um cheiro de podridão horrível preencheu o lugar, nem as 2 máscaras deram conta do odor nauseante e terrível que saiu lá de dentro, o estômago de Almeida se contraiu com força, ele cerrou os dentes, não queria dar aquele vexame, de contaminar o local do crime, ia parecer um juvenil.


Sacou a pistola e avançou para dentro pisando num enorme guarda roupas, deu mais alguns passos vacilantes e o que viu o deixou completamente horrorizado e sem palavras.

Almeida não conseguia tirar os olhos daquilo, era como alguns dos seus sentidos tivessem se amplificado quando abriu aquela porta, o olfato e visão, não conheciam limites de ação ali, o tato de toda a pele lhe dava calafrios, arrepios, sentiu um medo animalesco, uma vontade enorme de correr dali, pegar a viatura e sumir, fugir para nunca mais ser encontrado.

O que viu ali era real demais para ficar em devaneios; no centro do quarto havia uma espécie de bolsa de gosma que variava de cor conforme a luz batia, ângulos e matizes lhe davam tons de verde, vermelho ou azulado.

As vezes até ficava transparente e ia se espalhando, como se viva e se nutrindo do que sobrara do homem dentro dela, sim ele estava lá, o ocupante do quarto, vestido com sua roupa de dormir, mas como entender tal coisa, e descrever num relatório?

A muito custo conseguiu convencer suas pernas de se moverem, a cabeça de se mexer e ir em frente, precisava terminar a inspeção do local, contornou a poça gelatinosa nojenta evitando que seus coturnos tocassem aquilo e olhou todo o resto. Nada parecia fora do lugar a não ser alguns utensílios e roupas, mas ninguém, nada no banheiro, nenhum traço de outra presença ali com excessão do pobre homem apodrecendo na imundície naquele tapete.



Já tinha visto gente morta, coisas terríveis, violentas mas não algo como aquilo, fez a volta, refez seus passos e se encostou na parede. Colocou a pistola no coldre e tentou o rádio da roupa, não funcionou, pegou o celular no bolso, completamente apagado, não sabia como era possível aquilo, apertou os botões umas 10 vezes mas nada, mudo, cego, silencioso. Teve vontade de arremessar na parede mas não fez, lembrava perfeitamente de dar a carga completa dele antes se sair do batalhão. Olhou pro lado e viu Bruno com os braços cruzados na frente do peito e uma expressão que não sabia definir entre nojo, ódio, raiva. - O que tá acontecendo aqui, os hóspedes ligaram reclamando do mau cheiro e do barulho, o que esse maluco fez?


- Seu hóspede está morto, vou chamar o serviço funerário do município, legista e equipe, você vai precisar prestar esclarecimentos, e todos que tiveram contato com ele antes, o ideal é que você interdite o andar inteiro, daqui a pouco vai ter bastante gente saindo e entrando nas próximas horas.


- Como é Almeida?

- É o que você ouviu.

- Você é o gerente dessa espelunca, faça o seu trabalho vamos, eu preciso ir a viatura novamente, e é melhor você não ir lá dentro, é um aviso sério, não entre ou toque em absolutamente nada e não deixe ninguém fazer o mesmo a não ser que esteja escoltado por alguém responsável da corporação, meu celular morreu por isso eu preciso voltar lá. Ou desce comigo ou me espera aqui.


- Nesse fedor, só se eu fosse maluco, vou contigo, que bucha é essa Almeida, o que ele fez, se matou?

Já vi um maluco chupar um cano de hk e foi a última alegria dele, a cabeça explodiu igual a uma melancia madura, era miolo pra tudo que é lado, uma desgraça da porra pra limpar.

- O que tem lá em cima é pior.


12 de Julho de 2022 às 02:18 2 Denunciar Insira Seguir história
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Conheça o autor

Siph Ferreira Nerd de maquiagem, amante de música, livros e quadrinhos, amiga de Meia Noite e Qliph, viciada em podcast e buscando seu rumo nesse mundo.

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Norberto Silva Norberto Silva
Caraca! Consegui sentir na pele como o Almeida se sentiu ao ver algo tão grotescamente fora da realidade! Mandou bem demais moça! Parabéns!
July 21, 2022, 18:22

  • Siph Ferreira Siph Ferreira
    Ahh muito obrigado. Me senti enjoada e agoniada quando fui transcrever para o celular. Feliz em ver alguém que escreve tão bem apreciar algo meu. July 22, 2022, 02:30
~