seff Carlos F.L. De Sousa

Em um lugar criado para quebrar a mente humana não se pode baixar a guarda nem esperar algo que não seja a morte.


Suspense/Mistério Impróprio para crianças menores de 13 anos. © Valley of the shadow

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O vale das sombras

Abri meus olhos lentamente e olhei ainda com a visão turva para minhas mãos, senti o elmo frio em minha cabeça, meu sobretudo azul-escuro impedia que as frias placas de aço encostasse em minha pele, ainda sim aquele vento frio me cortava até a alma, com um arrepio que me subia pela espinha, estava tudo em ordem com meus equipamentos, minha grossa bota de couro, minhas calças, a estola aquecendo meus ombros, até a espada estava no seu devido lugar.


Levanto minha cabeça e olho ao redor, me deparo com uma floresta de árvores escuras e muito altas, uma densa névoa cobre todo o lugar, não está noite, mas é impossível para min determinar um possível horário, então não tenho como saber se está perto do anoitecer. Começo a caminhar sem rumo, de nada adianta toda experiência que tenho, pois não posso me guiar pelo céu já que não consigo vê-lo e a névoa limita meu Campo de visão a no máximo 40 metros aproximadamente.


Sou um cavaleiro conhecido e respeitado pela minha coragem, pois nunca temi inimigo algum, e nunca recuei frente o perigo. Mas desde que comecei a caminhar não ouvi nada além de meus passos e o vento que tocava meu rosto por entre as frestas do meu Elmo, sem grilos, pássaros, cigarras ou animais, e isso me incomoda muito, me dá desconforto e uma sensação muito desagradável, mas que lugar é esse a final?


Continuo caminhando por algumas horas e percebo que está um pouco mais escuro isso definitivamente não é bom, sinto como se com o cair da noite algo que me observa se sentisse mais livre para se aproximar. Ouço um sussurro que veio por entre as árvores que dizia algo como "A noite traz consigo a morte........aquele que te observa trará consigo o desespero". Após ouvir apenas meus passos por horas, isso fez eu sentir uma profunda preocupação e medo.


Como estava mais escuro pude observar uma fraca luz por entre as árvores, aperto o passo em direção a luz que se intensifica, posso observar uma cabana, sem absolutamente nada ao redor além de malditas árvores de madeira escura.


— Mas que droga definitivamente tem algo me observando e dessa vez está bem perto.


Com uma mão seguro a espada e com a outra, empurro a porta lentamente, posso observar o interior da cabana, totalmente diferente do que aparentava ser por fora, madeiras novas e bem pregadas uma lareira acesa, e uma mesa bem no meio da sala. Entro de vagar e com cautela, depois de uma breve vistoria percebo que não há ninguém ali, não pude notar na entrada pegadas nem marcas de rodas, sinais externos indicaram ser uma cabana abandonada por décadas, mas seu interior praticamente recém terminando, o que mais me intriga é olhar para a mesa e ver um banquete quer ainda exalava vapor, como se tivesse sido feito na (quele) mesmo momento, não me atrevo a tocar na quela comida.


Coloco algumas barricadas na porta e começo a olhar pela janela o breu absoluto que está ao lado de fora, posso observar dois pontos que brilhavam com uma luz fraca, eu simplesmente me recuso a acreditar que se trata de um par de olhos, mas quando um sorriso de dentes afiados e branco começou a se formar embaixo dos dois pontos brilhantes eu realmente senti medo, até o ar ficou mais pesado, fecho a janela rapidamente, e tento acalma meu coração que batia tão rápido que pude por um momento pensar que sairia pela minha boca, tranco todas as janelas e coloco meu elmo na mesa, olho para a comida pensando que aquela poderia ser minha última noite em vida, e eu definitivamente não queria morrer com fome, começo pelo pedaço de carne, estava com um gosto diferente do habitual, mas comi tudo, o arroz, as batatas, o milho, a carne até mesmo o vinho, mesmo não sendo habituado a beber, depois de alguns minutos um sono incontrolável tomou conta de meu corpo e eu adormeci no tapete de pele em frente a lareira.


Abro meus olhos lentamente e percebo a lareira apagada, a messa destruída por podridão, a pele do tapete dura e desgastada, pego meu elmo da mesa e o coloco novamente, tudo que iluminava o ambiente era uma vela que flutuava no meio da sala, olho para uma das janelas e percebi que ainda é noite, olho para a outra janela e meu corpo se paralisa com um arrepio que pude sentir este mesmo em minha alma, agora pude ver nitidamente a face da (quele) ser demoníaco que me observava até agora, um sorriso desforme de orelha a orelha com olhos fundos que brilhavam com uma fraca luz branca, dois chifres contorcidos sobre sua cabeça e um manto preto cobrindo seu corpo esquelético, meu espanto foi ainda maior quando ele disse


"Dominus meus vult in occursum adventus tui".


Não fazia ideia do que aquele demônio, quis me dizer, recuei de vagar tomando uma distância de mais ou menos 4 metros, então virei as costas e corri saltando pela outra janela agora destruída, e começo correr floresta adentro, com passadas longas e firmes tentava não esbarrar nas árvores, parecia ser umas cinco horas, pois não estava mais uma escuridão absoluta, enquanto corria pude ouvir respirações animalescas vindas de todos os lados exceto a minha frente, pude ver o que pareciam ser silhuetas de cachorros rodeados de uma fumaça negra e densa, seus olhos vermelhos perseguiam meus passos, para minha surpresa eles pararam de me perseguir quando cheguei no que parecia ser uma praia de areia e pedras cinzas, a névoa também cobria o mar de águas negras e turvas.


Parei por um momento olhando para até onde minha vista podia enxergar, os sons que vinham da floresta atrás de min me perturbavam a mente e não conseguia sequer formular um pensamento.


— ah..., mas que.... não não não não.... foco!! não vou morrer aqui!!


Usei minha espada de apoio para não cair.


Foi nesse momento quem o mar se agitou e ondas começaram a quebrar nas pedras, uma forte tempestade se iniciou, com raios que caiam ao meu lado, do mar emergiu uma besta de tamanho imensurável, apenas um de seus olhos era maior que uma casa, e pelo que pude contar haviam doze olhos vermelhos, não consigo descrever a aparência do que estava na minha frente, mas pude ver que tinha cerca de seis braços e assas como as de um morcego que eram maiores que castelos, quando aquilo olhou para min me faltaram forças nos joelhos, e cai ajoelhado no chão, palavras vieram na minha cabeça, tenho certeza que colocadas pela quela criatura, não consigo dizer o que me falou, minha vista escureceu, meu corpo pesou, mas era meu último momento de vida ali, com todas minhas forças me ergui


-m...morr...o do me....meu jeito.


tudo ficou escuro depois disso.

- Acorde!! ei você! Acorde.

- Ahhh

- Como se chama?

- Seff .... me chamo Seff Winters

Abri meus olhos e pude perceber que um grupo de pescadores me tiraram da água numa rede cheia de bagres e marimo, apaguei de novo logo em seguida.


Eles me fizeram muitas perguntas quando eu acordei, já que aparentemente me tiraram do meio do mar, contei tudo que sabia e ofereci um generoso pagamento para me levarem até o reino em que eu vivia. Entre meus dentes tinham restos de milho e carne, e minha armadura de placas estava com estilhaços de vidros da janela, definitivamente eu estive na quela cabana, minha esposa disse que eu já estava desaparecido a quatro meses, mas..... aquilo está lá, no meio do oceano, disso eu tenho certeza.



















28 de Julho de 2022 às 23:40 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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