I
Igor de Aguiar


Tubarões, baleias ou monstros do mar? O que está acontecendo com uma das praias mais populares do litoral paulista?


Conto Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#terror #conto #378 #mistérios
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Intro



Da areia, o olhar de Bento procurava o seu amigo surfista atentamente. Não o achando, ele correu e ligou para a emergência. Voltou ao mar a fim de tentar encontrá-lo. A equipe de bombeiros rapidamente apareceu. Era possível ver um objeto boiando. Bento percebeu que era prancha do seu amigo Wagner. A prancha estava completamente intacta. Bento engolia o choro. O seu rosto estava claramente angustiado. Os pais ficam sabendo do desaparecimento de Wagner e vão à praia.

Os jornais noticiavam mais um desaparecimento na praia de Santos, litoral paulista. Era o terceiro desaparecimento em exatos três meses. Os jornais alertavam os banhistas, com o apoio de profissionais, objetivando evitar afogamentos. Eles citavam, também, a possibilidade de tubarões ou baleias. Mas era quase que totalmente descartado, porque não havia histórico de acidentes.

Famílias e amigos não descansavam, embora algumas já tivessem desistido. Uma equipe de investigação foi acionada, porque algo estranho ocorrendo. Normalmente, a correnteza dos mares acaba trazendo os corpos para as areias. Emerson Gregório, um dos investigadores, achava isso tudo muito estranho. Afogamentos já ocorreram nessa praia, mas todos os corpos foram encontrados. Mesmo que um tubarão tivesse atacado, ele não devoraria o corpo inteiro.

Peritos especializados em acidentes no mar trabalhavam diuturnamente. As buscas eram incessantes, mas nenhuma resposta, por hora, era encontrada. A forma como alguns desaparecidos tinham sido levados era intrigante. Algumas pessoas prestaram esclarecimentos, elas diziam que os desaparecidos eram rapidamente puxados por alguma coisa e sumiam após isso. Porém, a maioria, não sabia se isso acontecia, pois, simplesmente desapareciam muito rápido.

Então os investigadores trabalhavam com duas teorias. Chamaram de Teoria A e Teoria B. Na Teoria A, propuseram que se tratava de um evento raro: ataque de baleias ou de tubarões. Então, começaram a caçar amostras desses incríveis e perigosos bichos marinhos. Pescadores também ajudavam durante esses trabalhos.

Já na Teoria B, afogamentos devido à correnteza ou por não saber nadar, era outro motivo sendo trabalhado. Existiam muitos casos, se comparado com ataques de bichos marinhos. A probabilidade indicava que era muito mais possível de que se tratava de afogamentos. Contudo, o fato de não haver corpos fazia com que a probabilidade voltasse à estaca zero. Então, o fator determinante seria encontrar esses corpos, já que, animais marinhos não se alimentam de humanos, e por causa disso, os corpos também seriam devolvidos à praia de Santos após ataques.

Naquela praia havia um pescador esportivo. Seu nome era Liu Chen. Foi naturalizado brasileiro, mas era de origem chinesa. Seus pais, que já morreram, trouxeram-no quando havia muitas guerras na China, com seus 7 anos. Chen era muito calado, não tinha filhos ou esposa. Porém a vizinhança gostava dele. Nunca houve reclamação a respeito de qualquer atitude sua. A pesca esportiva é bastante comum nessas regiões de São Paulo, um passatempo.

Embora houvesse avisos por toda a praia e nos jornais, as pessoas continuavam a visitar a praia de Santos. O número foi claramente reduzido. As pessoas tinham medo, mas sempre pensavam que se tratava de afogamentos, em sua maioria. Elas não viam a hora de tudo ser esclarecido a fim de que as suas rotinas voltassem ao normal. Até que, outro ataque acontece. O medo tomou conta do ar e as pessoas rapidamente saíam das praias.

As investigações continuavam a todo vapor. Algumas novas teorias estavam sendo levadas em consideração, por mais loucas que pudessem parecer. Ano passado, jornalistas descobriram uma grande pirâmide na praia de Santos. Foi a descoberta aleatória mais incrível da história do Brasil.


Não se falava em outra coisa: como resolver esse caso já que muitas pessoas foram prejudicadas de forma econômica e psicológica. Para piorar, o clima chuvoso não ajudava a descobrir mais pistas sobre o animal. Embora alguns exemplares tivessem sido capturados, nenhum vestígio era encontrado.

Contudo, depois de exaustivas buscas e análises, foi possível encontrar partes de roupas no estômago de um tubarão capturado a pouquíssimo tempo.

Outro desaparecimento foi notificado: uma senhora. Populares a viram sendo arrastada e gritando. Tentaram ir atrás, mas já era tarde. Nenhum sinal da senhora. As pessoas ficavam cada vez mais aterrorizadas. Cada vez mais chocadas com todo esse terror. Os gritos de súplica da senhora entoavam na cabeça de todos que presenciaram.

Emerson Gregório resolveu criar uma equipe de mergulho. Essa equipe realizando vários treinamentos, porque as águas eram muito turvas e eram necessários muitos equipamentos. Além de turvas, eram perigosíssimas, pois, as correntezas não ajudavam na parte de nadar. Tudo estava sendo meticulosamente preparado. Seriam todos fortemente amarrados, caso algo os puxasse.

A investigação ia além do mar. Muitas pessoas começaram a prestar depoimentos. Emerson não entendia como associar o que as pessoas denunciavam com as teorias que analisavam. As denúncias não faziam o menor sentido. Começou a pensar sobre a possibilidade da cidade de Santos estar passando por algum tipo de surto coletivo, ao invés de ter proporem soluções mais simples. Mas, mesmo assim, ficou intrigado. Não via a hora de começar a mergulhar para entender o que estava ocorrendo na praia.

A teoria A ganhava cada vez mais força. O fato de conseguirem encontrar pedaços de corpos já identificados fazia com que toda essa história estivesse perto do seu final. O grande problema era saber o motivo de esses animais estarem invadindo as praias nesse momento. Há algum tipo de agressão ao meio-ambiente? Equipes que trabalhavam em outros casos envolvendo tubarões no Nordeste também vieram ajudar.

Já a teoria B, poderia ser a consequência da teoria A. Os desaparecidos, por terem sido mordidos por tubarões, poderiam ter perdido a consciência por causa da perda de sangue. Isso facilitaria o afogamento. Contudo, as duas teorias se esbarram no fato de não terem encontrado corpos.

Além do mergulho protegido por gaiolas previsto durante a próxima semana, uma longa rede seria jogada em possíveis locais onde os corpos poderiam estar.

Enquanto isso, Liu Chen tirava os seus incríveis equipamentos de pesca. Ele limpava cuidadosamente cada parte do seu barco. O interessante era a tecnologia de detecção e pesca automática. Praticamente os robôs faziam todo o trabalho em prol de sua pesca. Ele não se incomodava e nem tinha medo do que ocorrendo no local. Ele falava pouco. Aparentemente tinha paixão pela pesca. E não deixava que nada atrapalhasse o seu momento de diversão.

Nesse mesmo dia, outra pessoa que estava no raso foi atacada. Os bombeiros viram tudo e tudo foi filmado, não deu tempo de reagir. Nesse dia, incrédulos, recolocaram suas lanchas no mar para tentar encontrar a pessoa que foi puxada. Nem um sinal de vida. A nova vítima simplesmente sumiu. Lanchas do corpo de bombeiro procuravam por todos os lados algum sinal. Perguntaram ao Liu Chen, se ele conseguiu ver algo. Mas ele disse de forma rápida que não conseguiu avistar nada.

Para aproveitar que iam fazer mergulhos em várias partes da praia, combinaram, também, de mergulhar na região da pirâmide. Queriam descobrir que tipo de pirâmide era essa. Alguns historiadores levantavam a teoria de que eram feitos sacrifícios humanos, quando, em algum momento, a praia era mais rasa nesse local.


Estava ensolarado. Algumas pessoas ainda insistiam em entrar na água. Elas ainda não se adequaram a essa nova realidade. Contudo, a praia de Santos ficava cada vez mais deserta. Certa melancolia batia nos rostos de seus moradores por perderem um local de lazer. A parte da areia e da orla de ciclistas ainda era bem visitada. Tornando aquele local bem aglomerado.

Os jornais do litoral e da capital avisavam a todo o momento de que haveria uma grande operação no local com a finalidade de tentar descobrir mais sobre o animal que estava atacando. Os ataques ainda aconteciam, embora mais raros. As gaiolas de proteção já estavam indo para as lanchas de salvamento. Tudo sendo preparado para uma grande pesquisa devido a sua gravidade, porque, o que estava acorrendo, era um choque de terror contra familiares e contra toda a população.

Emerson Gregório fazia toda a apuração e inventário dos equipamentos que iam ser usados no mergulho. Uma lanterna especial fazia com que uma forte luz diminuísse a turves da água. E alguns chips foram colocados nas roupas de mergulho dos investigadores e bombeiros. Feito isso, estavam completamente preparados para o que poderia vir. Procedimentos assim não eram comuns no mar. Geralmente tudo era feito fora do mar com o intuito de que ninguém se ferisse, já que não dava para calcular muito bem o grau de periculosidade.

O peso da gaiola deixava o barco de salvamento levemente inclinado. Iria estar dentro dessa gaiola: Emerson, João e Vagner. Vários jornais iriam fazer a cobertura com o apoio de helicópteros.

Tudo pronto para o grande dia.

Segundo a meteorologia seria um dia de muito sol, na cidade santista. A praia seria esvaziada. Não queriam correr o risco de curiosos entrarem no mar.

Se fossem tubarões, não tinha jeito, a praia teria de ser interditada. Se fossem afogamentos, mais salva-vidas seriam preparados para atuar. O mistério rondava todo o local. Embora os soldados estivessem tomando todas as precauções, existia certo receio por falta de respostas conclusivas.

A conclusão a respeito das partes de corpos encontradas no estomago de tubarões foi surpreendente, assustadora, agonizante.

Concluiu-se que os corpos tinham sido cortados antes de entrarem no estômago do tubarão.

Os cientistas ligavam, desesperadamente, para a equipe de investigação.

Ligavam.

Ficaram desesperados. Eles resolveram ir pessoalmente ao local do mergulho.

Liu Chen parecia preocupado. Ele correu no ancoradouro flutuante, mesmo sem permissão, e acelerou a sua lancha em direção ao local de buscas.

Diferentemente do normal, a sua lancha estava desarrumada. Havia materiais de pesca de ponta. Drones aquáticos, rifles de pesca, radares de alta precisão, redes automáticas. Tudo que um pescador moderno sonhava em ter.

— Precisa de ajuda aí? — gritava Emerson para o Vagner.

— Está tudo perfeito. Estamos prontos, é só abaixar à gaiola — respondia Vagner.

Como a água era muito turva, menos pessoas participaram da operação na região em que estavam os mergulhadores. Todavia, uma equipe com helicóptero e ambulância permanecia de prontidão.

Fecharam à gaiola de proteção. O guindaste, controlado por Emerson, começou a descê-los.

O fundo, naquela área, era de mais ou menos 100 metros. Não demorou muito: enxergaram o pico da tão falada pirâmide. Ela estava completamente soterrada, somente era possível enxergar as suas extremidades.

Mas o topo da pirâmide não era tão fundo. Emerson descia cada vez mais a corda do guindaste.

Algo estava sendo visto.

Os mergulhadores gravavam tudo.

Os olhos de Vagner se arregalaram de uma forma assustadora.

Sem olhar para o João, ele apontava e o tocava para ele olhar também.

Um líquido vermelho começara a cegar a visão de Vagner.

Vagner olhou trás, empurrou levemente o ombro do seu amigo e percebeu que o líquido vermelho vinha do corpo do João.

Era sangue!

Ele estava sem vida!

Havia algo puxando a parte do abdômen do João. Era algo parecido com uma âncora ou um arpão. Primeiramente, Vagner achou que havia sido um acidente. Desesperado, ficou sem saber como agir.

Pensou em sair da gaiola.

A gaiola iria voltar à superfície em 20 minutos. Fazia 12 minutos que ela se encontrava dentro d’água.

Emerson olhou para o seu celular, que, sem saber, tinha várias ligações. Ele retornou.

Assustado e impressionado, não pensou duas vezes: começou a erguer o guindaste.

Ele viu o corpo do João. Tocou o seu rosto, mas percebeu que não havia vida.

Toda a guarda já estava informada e partiram, desesperadamente, para o local de mergulho.

Como Vagner não estava na gaiola, resolveu, então, colocar os equipamentos de mergulho para tentar resgatar o seu amigo. Apesar de saber o quanto era arriscado e fora do protocolo, não recuou.

Marcos levou uma arma. Ele tinha olhado para os lados e viu que tinha uma lancha não muito longe. Num local proibido.

Vagner tentava fugir do homem que estava atirando um arpão de longa distância.

Era bizarro. Sinistro. Aterrorizante.

O arpão o acertara raspando.

Existiam dezenas de corpos empalados no solo.

Fazia um círculo por toda a pirâmide.

Vagner chega à superfície. Acena com a mão direita.

Mas logo é puxado. O arpão pega em seu pé direito. Ele foi puxado lentamente para o fundo.

Ele gritava de dor.

Vagner viu o rosto de quem o puxava para ser empalado. Era o de Liu Chen.

Liu Chen puxava Vagner ao girar um carretel de corda. Com frieza e sem esboçar qualquer emoção.

Sem forças e com muita dor, Vagner estava desistindo.

Até que...

Liu Chen é atingido. Marcos desfere cinco vezes contra o seu corpo.

E dois mergulhadores aparecem e tiram Vagner ainda com vida.

3 de Julho de 2022 às 07:14 0 Denunciar Insira Seguir história
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