liralov Lira Pavlova

A relação de Bucky e Steve estava bem, até a chegada de um certo embrulho...


Conto Para maiores de 18 apenas.

#romance #universo #lgbtq #Steve #alternativo #inkspiredstory #Bucky
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Capítulo Único

A primeira coisa que percebeu quando entrou pela porta foi o silêncio.

Desde que Peter havia se mudado, raramente o apartamento ficava quieto. A TV sempre estava ligada, ou o aparelho de som, ou Peter estava perambulando pelo lugar. Conversando e batendo nas coisas, típico dos adolescentes.

Steve não ficava por baixo, os dois juntos era sinônimo de muita bagunça e barulho. Mas hoje estava assustadoramente silencioso. Nenhum ruído de fundo, nenhuma briga no corredor sobre quem deixou a pasta de dentes na pia.

Bucky sorria cansado, afundando-se no sofá e apoiando a cabeça no encosto. Era uma coisa rara, ter o lugar só para si, mesmo que por pouco tempo. E depois do dia que teve, um momento para descansar cairia bem.

Haveria outra competição chegando, como era de costume nessa época do ano, e as coisas nos bastidores estavam ficando tensas. Bucky era patinador profissional, algo que fazia com paixão. Porém, os esforços do treino de hoje lhe renderam uma bela enxaqueca.

Ele aperta os olhos para depois olhar para a mesa na esperança de que tenham deixado algum paracetamol por lá, e assim não ter de se arrastar até o banheiro. Mas que nada, a mesa estava realmente limpa, sem nada a não ser um par de jogos americanos e um pacote, colocados no meio.

O pacote parecia ser um presente de Natal. Levado pela curiosidade se levanta do sofá e se dirige a mesa, a testa franzida enquanto olha para o rótulo. Está um pouco borrado, mas é endereçado a ele. Sorri brevemente. Aquele presente só poderia ser de Steve para ele. Então, Bucky pega o endereço do remetente e tudo dentro dele se transforma em gelo.

De Londres – UK

Remetente: Sam Wilson

“Sam.” Pensou em voz alta.

“Hey.”

A voz de Steve ressoa pelo apartamento, fazendo com que Bucky pule surpreso.

“Você me assustou.”, ele diz baixinho, virando-se para olhar para Steve, de pé atrás dele, com os braços cheios de compras. O loiro pega os pacotes e coloca no balcão, de costas para a mesa da cozinha e começa a descarregar os pães, legumes e algumas bananas. Depois de um tempo, Bucky se junta a ele o ajudando no processo. Eles guardam as compras em silêncio, um silêncio que pode ser mais assustador que qualquer briga que já tenham tido.

O moreno começa a dobrar as sacolas vazias, para então guardá-las na terceira gaveta ao lado da geladeira. Steve está encostado no balcão entre a pia e o fogão, os braços cruzados sobre o peito. Se Bucky não estivesse se sentindo tão exposto agora, com certeza estaria admirando a maneira como os músculos de Steve ficam naquela pose.

Ele fecha a gaveta e depois limpa o balcão com a toalha pendurada na torneira. A cada movimento, ele pode sentir as miradas do outro sobre si, aquecendo sua pele de uma forma desagradável e nada sexual.

Ambos evitam olhar para a mesa e o pacote sobre ela.

Finalmente, a pequena cozinha está impecável novamente, e Bucky procura algo para dizer, qualquer coisa que quebre o silêncio. Desesperado, ele recorre à frase mais banal. “Como foi seu dia?” ele pergunta, podendo contemplar o rosto frio do outro.

“Bem.”

Bucky acena com a cabeça, “Uh, o trabalho vai bem?”

Antes que Steve possa responder, sua fala é cortada por um Peter tagarela entrando pela porta da cozinha. “Será que o senhor Stark aumenta meu salário se eu pedir gentilmente? Estou lá há seis meses trabalhando feito um louco e nada de aumento.” Ele deixa as chaves do carro caírem na tigela perto da porta e corre para a geladeira, quase esbarrando em Bucky para pegar uma cerveja. “Cara, quem pegou o presente? E por que não abriram ainda? Eu não me importo se é um presente de Natal, uma vez que está aqui você tem que abrir. E pra quem é?”

Bucky pôde ver o exato momento em que Peter viu a etiqueta do embrulho e quando o mesmo ficou sem graça quando viu o remetente. O rapaz recua lentamente, primeiro olhando para Bucky e depois para Steve, “Eu vou estar no meu...meu...tanto faz.” Saindo as pressas da cozinha.

“É uma pergunta válida.”, diz Steve finalmente, sua voz soando um tanto alta.

“O quê?”, o moreno finge não entender.

O loiro encolhe os ombros. “Por que você não abriu o pacote?”

Bucky morde o lábio. Não há resposta que funcione nessa situação, ele tem certeza disso. Então, em vez disso, ele encolhe os ombros e olha para a janela.

Steve suspira e puxa o casaco de volta. “Eu tenho que ir.”, diz ele.

“Steve.”

“Eu esqueci alguma coisa na loja.”, o loiro mente. O moreno até acreditaria nele se não conhecesse aquele loiro como a palma de sua mão.

“Por favor, não.”

Mas Steve apenas sorri e abre a porta. “Eu volto”, diz ele, e Bucky fecha os olhos rezando para um Deus que não acredita que isso, pelo menos, seja verdade.

***

Já passava da meia noite quando a porta da frente se abre novamente. Bucky se senta no sofá esfregando os olhos turvos.

“Você não tinha que esperar.” Steve deixa cair as chaves na tigela ao lado da entrada. “Eu sei que você tem treino amanhã cedo.”

“Eu não consegui dormir.” Desde que estavam juntos, o moreno estava acostumado a ter o corpo quente do outro ao seu lado à noite.

“Não era necessário.”

Bucky sentiu o temor crescer em seu estômago. “Steve, precisamos falar sobre isto.”

“Sim, precisamos. Mas não esta noite. Estou sujo, preciso de um banho.”

Steve se dirige pelo corredor até o banheiro, o Bucky o segue. Antes de a porta ser fechada, o moreno lança um olhar angustiado ao outro, que o ignora. Ele retorna a sala e observa a caixa sobre a mesa, sentindo-se tentado a abri-la.

***

O problema é que eles nunca conversaram sobre isso.

Sam havia sido seu grande amor do passado e que há dois anos tinha retornado de Londres, colocando de pernas pro ar a relação que havia construído com Steve. Nessa época, Bucky sucumbiu aos sentimentos que ainda tinha por Sam e transou com ele, mesmo estando com Steve. O loiro acabou descobrindo a traição e rompendo com o moreno. Passaram meses sem se ver, até o casamento de Natasha, quando Steve o procurou e eles transaram na igreja. Bucky ficou tão feliz por ele ter lhe dado uma segunda chance. E desde então, o assunto ‘’Sam’’ foi enterrado. O que alegrou o moreno, já que ele poderia colocar o incidente com o ex numa prateleira esquecida atrás da sua mente, rotulada como ‘’Erro, Over’’.

Mas não foi assim. Seus sentimentos por Sam estavam adormecidos, esperando o momento certo para despertarem, as conseqüências emocionais de sua traição espreitavam sob o verniz de felicidade que ambos se esforçavam tanto para manter.

Bucky rola na cama, o frio não o deixa dormir. Na maioria das noites eles dormiam abraçados, o hálito quente do outro soprando atrás do seu pescoço. Hoje à noite há uma linha invisível entre eles, Steve dorme estático em seu lado da cama. O moreno se enrola nos cobertores e tenta dormir.

***

Às duas da manhã ele pensa em sair da cama, pegar o pacote da mesa e enfiar no lixo do lado de fora. Ele chega até a porta antes de admitir para si mesmo que fazer isso também não resolverá nada, e provavelmente irá piorar a situação.

Ele rasteja de volta para a cama e envolve o edredom com força em torno dele.

***

Às 3:17 ele desliza uma mão pelo colchão, sob as cobertas, até que ele roça na parte de trás da mão de Steve.

Cinco minutos depois, ele liga seu mindinho com o do loiro.

Dez minutos depois, ele finalmente adormece.

***

Às 5:42, ele acorda envolto em calor. Steve está com um pé entre as panturrilhas de Bucky, um braço em volta de sua barriga e o nariz contra seu pescoço

Bucky mantém-se absolutamente imóvel, mal ousando respirar, sem querer fazer nada para perturbar a natureza tênue de suas posições. Lentamente, ele volta a dormir, esperando que, quando Steve acordar, ele não vá embora.

***

Quando ele acorda de novo, é dia, e Steve está com a mão dentro da calça do pijama de Bucky, acariciando seu pênis quase rudemente. O moreno vira a cabeça para fitá-lo, mas o loiro não olha em seus olhos. Em vez disso, inclina-se para frente para sugar seu pescoço, enquanto segue com a masturbação. Bucky geme, os músculos tremendo, quando chega ao orgasmo.

Uma vez recuperado, ele tenta alcançar Steve, mas ele já saiu da cama. “Chuveiro”, diz o loiro, enquanto sai pela porta.

***

Bucky está sentado na mesa da cozinha, com o embrulho na sua frente. Steve entra e vê a cena, tentando ao máximo se manter indiferente. O moreno percebe a presença do outro e não diz nada, apenas pega uma faca e corta a fita no topo da caixa.

“É bom ter cuidado”, Steve fala, as palavras saindo meio que a contragosto. “Você não gostaria de danificar alguma coisa.”

A princípio, parece um monte de jornais amassados. Ele vai levantando camada após camada, colocando-os de lado, enquanto se aprofunda um pouco mais. E ao longo do processo, ele pode sentir os olhos do outro atrás de si. Embora, cada vez que olhe para o loiro ele finja estar olhando para outro lugar. Então, o papel se foi e Bucky olha para dentro da caixa. Ao lado dele, ele pode sentir Steve olhando também.

O silêncio se estende até Steve finalmente deixar escapar, “O que é isso?”

Pela primeira vez desde que ele viu o pacote na mesa, Bucky sorri. "Memórias", diz ele. Então, começa a esvaziar a caixa do seu conteúdo.

"Devem ser boas lembranças", murmura Steve, a amargura em cada sílaba.

O moreno para o que faz e olha para o loiro, esperando até que eles façam contato visual. “Algumas delas”, diz ele. “Outras, nem tanto.” Ele coloca o item em sua mão sobre a mesa e puxa a cadeira ao lado dele. “Steve, por favor, sente-se.”

Lentamente, Steve se senta. Bucky alcança e agarra sua mão, segurando-a firme, enquanto o loiro faz um esforço para se afastar.

“Eu nunca te falei sobre o Sam”, diz o moreno, procurando por outro item na caixa.

“Por mim tudo bem”, diz o loiro olhando para a caixa. “Quanto menos eu souber sobre esse idiota, melhor.”

"Não, não é", Bucky responde. “Não está bem.”

"Tudo estava bem até que este pacote apareceu", diz Steve.

Bucky pega a fita na borda da caixa. “Assim como tudo estava bem até Sam aparecer. Mas não estava, não realmente, porque havia muita coisa que eu mantinha reprimida dentro de mim e que não cheguei a compartilhar com você. Tanto que eu nunca lidei com isso. E nós dois sabemos o quão bem isso funcionou por um tempo.”

Ele observa Steve engolir em seco, o músculo em sua mandíbula se contraindo.

“Quando me mudei para Nova York, queria deixar meu passado para trás. Eu queria, eu não sei, me reinventar. Então eu forjei uma vida onde eu era o filho único e gay de pais que me aceitavam. Alguém que sempre foi forte. E depois de um tempo, eu me tornei essa pessoa.”

Bucky suspira, examinando os itens na mesa. "Até Sam aparecer e rasgar aquela teia de mentiras em pedaços."

“Bucky...”

Ele continua falando, de qualquer maneira, sabendo que se ele não disser agora, talvez nunca seja dito. “E para lidar com isso, lidar com essas emoções, problemas e lembranças, comecei a construir novas mentiras. Eu não encarei isso de frente, e isso nos separou.”

Steve faz um barulho estrangulado e Bucky olha para ele com preocupação. Mas o homem mais velho apenas engole e acena com a cabeça para que o outro continue.

“Trair você foi horrível, Steve, e eu aceito a culpa por isso. Mas foi a minha outra traição – as mentiras, o meu lado que ocultei de você – que eu ainda não soube lidar.”

O moreno pega um caderno, um pouco desgastado nas bordas. Um pequeno sorriso toca nos cantos de sua boca. "Então este sou eu, com toda a minha glória desgastada. Eu costumava escrever neste diário. Nem lembrava mais que tinha deixando com o Sam. Quero que leia.”

O loiro finalmente fala, sua voz baixa e tensa. "Eu pensei que já conhecesse você."

"De muitas maneiras, sim", diz Bucky, lutando contra o desejo de envolver os braços em torno de Steve e deixar o passado desaparecer. “Mas acho que sempre retive alguma coisa, com medo de que, se você visse o meu verdadeiro eu, fosse embora.”

Ele espalhou os itens da caixa na mesa. “Isso é tudo que deixei para trás quando Sam e eu terminamos. Tudo o que deixei para trás quando tentei me tornar alguém novo. Porque eu não acreditava que fosse o suficiente”, ele faz uma pausa. “Você nunca foi minha segunda escolha, Steve. Eu acho que me senti como duas pessoas diferentes, puxadas em direções opostas. Mas no final, você era o que eu queria. Aqui, com você, era onde eu queria estar.”

“Mas e se isso”, Steve acena com a mão na mesa. “Só te traz lembranças...E se essa for a maneira que Sam achou de ganhar você de volta?

Bucky sacode a cabeça em negação. "Isto é um adeus. Ele está deixando de lado todas as minhas partes que eu deixei para trás. Eu só... eu só preciso abraçar essa parte de mim agora. Aceitar que é uma parte de quem eu sou, quem eu costumava ser. E espero que você possa abraçar essa minha parte também. ”

O silêncio se estende entre eles.

Steve puxa o menor para um beijo. Aquilo era um sinal de que o loiro estava disposto a deixar o passado do outro no passado.

“Então.” Steve pega na caixa uma fita cassete e a vira. "O que diabos é isso?"

“Éh...acho melhor a gente não ver essa fita...”

17 de Julho de 2022 às 00:25 2 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Lira Pavlova Escrevo para espantar demônios. Uma russa de coração brasileiro. Poliglota. #LGBTQIANP+ 🌈

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Hillary La Rocque Hillary La Rocque
Olá! Faço parte da Embaixada brasileira do Inkspired e estou aqui para lhe parabenizar pela Verificação da sua história. Foi só ler a sinopse que minhas anteninhas já ficaram ligadíssimas! Não pude evitar pensar em como achei aquilo interessante. A sinopse breve, mas que já diz tudo o que precisa, casou perfeitamente com a mensagem da capa. Combinação certeira que estimula o leitor e aumenta a vontade de descobrir o que há nas linhas abaixo. Conseguiu elaborar e descrever os eventos com graça e detalhes na medida. Uma linha de acontecimentos bem organizada permite ao leitor acompanhar a história e compreendê-la com facilidade, o que coopera positivamente com a experiência do mesmo. O que foi exatamente o que você fez do início ao fim. A introdução aos personagens e o drama central foi bem colocada. Os diálogos também ficaram bastante naturais, assim como suas interações, atendendo à respectiva personalidade de cada um e ao momento que estavam vivenciando. Também ouso dizer que a mensagem que seu conto repassa é muito valiosa e espero que mais pessoas possam ser alcançadas por ela. Sua escrita é excelente, fluída e limpa, por isso tenho poucos apontamentos a fazer. Primeiro, no seguinte trecho “Bucky está sentado na mesa cozinha”, como pode ver, faltou apenas o “da” antes de “cozinha”. E por último, em “O moreno pára o que faz e olha para o loiro”, segundo o novo acordo ortográfico, “para” é sem acento seja na forma de verbo ou preposição. Gostaria de indicar nosso blog do Esquadrão da Revisão, que está cheio de dicas e conteúdo que a ajudarão a seguir evoluindo no universo da escrita. Assim como o Guia de Etiqueta. Por aqui eu me despeço! Desejo-lhe sucesso com seus novos projetos e que continue compartilhando conosco a sua criatividade e escrita maravilhosas. Um grande abraço e até a próxima!

  • Lira Pavlova Lira Pavlova
    Eu fico muito feliz que vocês da Equipe Inkspired tenham gostado da minha história ❤ Obrigada por corrigir os pequenos erros que cometi , irei consertá - los . Forte abraço !🥰 3 weeks ago
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