monalisaholmes Mona Lisa

Descobrir e aceitar Draco Malfoy como seu companheiro veela até que foi fácil, mas tentar criar um relacionamento com ele enquanto escondia uma doença que sequer entendia era mais que um desafio. Porém, não era como se Malfoy fosse facilitar qualquer coisa.


Fanfiction Livros Para maiores de 21 anos apenas (adultos).

#veela #dracoxharry #mpreg #harrypotter #dracomalfoy #drarry
2
280 VISUALIZAÇÕES
Em progresso - Novo capítulo Toda semana
tempo de leitura
AA Compartilhar

Maldito veela

Harry não precisou de mais do que alguns segundos para decidir o que fazer. A impulsividade que não era novidade para ninguém, piorava em situações especificas. Como aquela.

Ignorou os próprios ferimentos, já teve piores é claro, e empurrou a maca para dentro do primeiro quarto vazio que encontrou. Pessoas gritavam ao seu redor, gritos de dor e ordem urgentes, medibruxos entravam e saiam do seu caminho com as roupas sujas de sangue, e alguns até mesmo feridos, mas ainda assim bem preparados com luvas de látex nas mãos e poções de cura em bandejas mal equilibradas. Não era o único Auror tentando ajudar, mas o número de vítimas não diminuía e a situação só parecia piorar. Precisava ser rápido.

Fechou a porta do quarto, selando-a no ato para impedir qualquer visitante e se virou para a pessoa inconsciente na maca.

Draco Malfoy estava bastante ferido e a varinha não estava tão firme nas mãos trêmulas de Harry que não poderia parar para se acalmar. Aproximou-se da maca tentando decidir o que fazer primeiro. Havia um corte superficial na cabeça, resultado da queda que causou o desmaio. Arranhões e escoriações no rosto, nas mãos e alguns mais fundos que rasgaram as mangas do jaleco e da blusa nos braços. O ferimento profundo no estomago era o que o preocupava e, é claro, as possíveis consequências do cruciatus.

Deixou a varinha na mesinha ao lado e ergueu as mãos sobre o corpo, murmurando os feitiços de cura que conhecia. Em seguida vasculhou na bolsa que trazia consigo a procura de qualquer poção que pudesse conter a hemorragia no abdômen e aproveitou a oportunidade para fazer com que Draco bebesse uma poção que pudesse diminuir as dores no corpo e outra para sono sem sonhos.

Um ataque ao St. Mungus era o que o Ministério da Magia menos esperava no momento. Foi sorte, e graças aos reflexos rápidos de um Auror que estava ali apenas por um exame, que a ajuda chegou logo depois da primeira bomba. O grupo de Comensais se espalhou pelo hospital lançando feitiços em todos que viam pelo caminho, torturando os vulneráveis e desmaiando possíveis combatentes. Sem perceber Harry acabou lado a lado com Malfoy protegendo o acesso à sala de internação infantil, bloqueando feitiços e algumas vezes conjurando um campo de proteção ao redor de Malfoy que se distraia com uma ou outra criança que queria sair correndo. Quase dez Comensais tentavam cercá-los, especialmente raivosos contra o sonserino que era visto como traidor e contra o menino-que-sobreviveu responsável pela derrota de Voldemort.

Foi sua culpa. Quando restavam apenas três Comensais de pé, Harry abaixou a guarda e, enquanto tentava garantir que a porta da sala não fosse mais aberta, Malfoy foi lançado contra a parede. Não foi forte, mas logo em seguida veio a maldição e Harry se esforçava para não matar os outros dois ao ouvir os gritos que o loiro não conseguia conter por causa das feridas anteriores.

Quando finalmente conseguiu se livrar dos atacantes, Malfoy já estava inconsciente.

― Malfoy ― chamou quando o viu piscar os olhos com dificuldade ― Tente ficar acordado, okay?

Malfoy soltou resmungos incoerentes e Harry se apressou. Respirou fundo, sabendo que precisava de calma e concentração e, quando se sentiu pronto, pressionou o ferimento com uma mão e colocou a outro sobre o peito dele. Sentiu a magia vibrar sob sua pele e um formigamento na ponta de seus dedos. Sabia que não deveria estar curando daquela forma, sua magia veela estava instável e podia ser rejeitada ou drenada, e que estar tão perto do seu possível companheiro poderia lhe trazer problemas depois, mas não podia simplesmente não fazer nada.

Que Snape reclamasse depois.

― Potter ― Malfoy engasgou e Harry entrou em desespero ao vê-lo cuspir sangue ― O que... onde-

― As crianças estão bem ― Harry respondeu ao entender a preocupação e fitou os olhos confusos do outro ― Você foi atacado e estamos sem insumos. Preciso que fique quieto, poupe energia.

Malfoy assentiu com a cabeça e Harry voltou a agir com mais rapidez.

― Preciso de mais magia ― murmurou enquanto colocava essência de murtisco nos ferimentos, então fez com que ele tomasse quase toda a poção repositora de sangue.

Depois disso voltou a apertar o ferimento no abdômen, dessa vez com as duas mãos. A magia fluiu mais uma vez e seu corpo tremeu.

Malfoy finalmente arfou e pareceu ganhar mais consciência. Os olhos cinzentos estavam inquietos, indo de um lado para o outro como se estivesse procurando algo. Então ele respirou fundo e fez uma careta de dor.

― Potter ― resmungou com a voz rouca ― Não sei o que tá fazendo... mas precisa parar.

Harry franziu o cenho sem entender.

― Você tá pálido ― Malfoy completou para esclarecer.

― Tô bem e você ainda precisa de um pouco mais, o ferimento ainda não começou a cicatrizar e ainda tá sangrando.

― Eu sou o medibruxo aqui.

― E eu sou o único que consegue ficar de pé.

Malfoy revirou os olhos e contraiu os lábios, com certeza o achando idiota.

― Não por muito tempo se continuar assim.

― Preocupado, Malfoy? ― Harry rebateu com implicância.

― Vai sonhando, Potter. Mas se você morrer por perto, com certeza serei o culpado.

― Faço uma carta ou um patrono antes só pra te livrar desse triste fim.

Sorrindo, Harry se afastou e limpou as mãos ensanguentadas em um dos lençóis. Pegou a varinha, mas não ousou pronunciar nenhum feitiço a mais e optou por guardar os vidrinhos das poções da maneira tradicional. Sentia que seu corpo estava um pouco leve e sem firmeza, por isso se escorou na parede e deixou seu corpo deslizar até o chão. Aparentemente o quarto realmente não era utilizado e não tinha nada além da maca.

― Você tá bem?

Harry não respondeu, suas reações ainda estavam lentas. Porém todo o seu corpo automaticamente se levantou quando viu que Malfoy estava tentando levantar da maca.

― Ficou maluco?! Precisa ficar deitado!

― Não me respondeu, Potter. Entendi como uma negação e eu sou medibruxo. É meu deve salvar os outros.

― Parece um louco falando assim ― Harry disse revirando os olhos e segurando os ombros para força-lo a voltar a deitar.

O loiro não se mexeu.

― Usou muita magia... ― começou a enunciar enquanto o analisava com os olhos, esquadrinhando seu corpo ― Com certeza. Magia demais, sem varinha? Você é o louco aqui, cicatriz. Tá mais pálido que os fantasmas de Hogwarts e por Merlin, Potter! Isso é sangue?

E sem esperar por resposta ele abriu o casaco do Auror e arregalou os olhos para o corte profundo no ombro alheio.

― Ainda tem alguma poção de cura?

― Não, usei o que tinha em você ― Harry respondeu enquanto se afastava de novo, sempre tinha que manter distância entre os dois ― Pare de pensar nisso, só preciso de tempo. Logo minha magia veela vai se restaurar e cuidar de tudo aos poucos.

Malfoy arregalou ainda mais os olhos, em choque.

― Você é meio-veela também?

― Sim, recebi minha herança tardiamente, mais exatamente no ano passado. E você?

― No inicio do sétimo ano. Já estávamos preparados, é claro, então passei o ano tomando poções supressoras e tentando aprender a... controlar... isso... espera, como sabe sobre mim?

Harry abriu um sorriso envergonhado antes de responder.

― Severo. Ele deixou escapar em um de meus momentos de humilhação. As palavras dele foram “Pare de ser tão estupido, Potter. Draco conseguiu controlar isso na primeira aula e você continua travado como um maldito gigante velho” e então me ameaçou dizendo que se eu contasse pra alguém o meu lado veela seria o menor dos meus problemas.

Malfoy abalançou a cabeça e sorriu de forma contida.

― Parece tão estranho pra você quanto pra mim?

― Não ― Harry respondeu com um sorriso convencido ― É pior.

― Como? ― o loiro ergueu os olhos para fita-lo.

― Como sempre, o destino nos testando ― Harry respondeu antes de apontar para ele e anunciar ― Dominante ― então apontou para si ― Submisso...

― Não... mesmo?

Harry concordou e voltou a escorregar até sentar no chão, esperando por alguma brincadeira ou risada.

― O quê? Sem nenhuma provocação?

― Não sei você, mas eu cresci ― Malfoy respondeu jogando as pernas para fora da maca e finalmente sentando na borda ― Além disso, sei o quanto é delicada a situação de um submisso, principalmente sem uma ligação.

― Se tivessem me explicado sobre tudo isso antes, eu já estaria bem mais feliz.

― Ninguém explicou nada quando era criança?

Harry riu sem humor e respondeu com desânimo:

― Quando criança eu nem sabia que magia existia, muito menos isso de veela. E mesmo se soubesse, é obvio que meus tios me impediriam de fazer qualquer coisa.

― Hum... sempre tem a Sabe-tudo pra você perguntar.

Harry deu de ombros e desviou o olhar para o chão. Estava sem falar com os amigos há quase um ano, consequência de sua natureza veela de certa forma. Não havia mais raiva entre eles, pelo menos era o que achava, havia apenas um clima denso que não conseguiam superar. Os olhares sempre eram constrangidos e furtivos, as conversas nunca fluíam sem outra pessoa instigando a comunicação e a formalidade reinava quando se encontravam.

― O quê? Não me diga que te abandonaram.

Esperou ver deboche, mas só encontrou confusão ao olhar para Malfoy. Era um questionamento genuíno.

― Não percebi quando meu charme veela começou a funcionar e acabei afetando Ronald em um momento não muito oportuno ― confessou um pouco constrangido e com um peso no peito ― Foi a primeira vez e é claro que veio mais forte por causa do atraso. Ele tentou... você sabe, ela nos pegou enquanto eu tentava tirar ele de cima de mim.

― E ela te culpa?! ― Malfoy se indignou ― Que coisa mais absurda, Potter. Você não tinha nem como saber se controlar, o Weasley que deveria-

― Hey... fica calmo, ainda tá se recuperando. Todo mundo perdeu o controle naquele dia. Ronald nem deve conhecer o significado dessa palavra, pra começar, e Hermione estava grávida e falou coisas que... não falaria em outro momento. De qualquer forma, passou, a gente só não sabe como voltar ao normal, eu acho.

E era verdade. Ninguém o culpava mais e ele não tinha mais nenhum temor quando encontrava Rony de forma inesperada, só havia constrangimento. Mas Malfoy ainda tinha um vinco entre as sobrancelhas, irritação faiscando em seus olhos.

― Então não passou, Potter ― argumentou contido ― Eles tinham que pedir perdão de joelhos, no mínimo, e o imbecil do Weasley deveria procurar ajuda ou levar alguns socos pra aprender a agir com decência. O que foi?

Harry estava rindo, incapaz de se conter diante de um Malfoy tão expressivo e inesperadamente preocupado. Nem todo mundo amadurecia, estava feliz em saber que eles não eram um exemplo disso.

― É estranho, sabe, conversar com você assim depois de tantos anos de implicância. Acabei de contar um momento constrangedor sem pensar duas vezes.

― Constrangedor? Hunf, tá mais pra trauma. E não se preocupa, não vou contar pra ninguém.

― Não é uma preocupação.

Levantou-se, com mais dificuldade dessa vez, e voltou a se aproximar do medibruxo, analisando-o com cuidado.

― Já começou a cicatrizar, bom. O nível de magia tá melhor, mas você ainda não tá pronto pra ir salvando vidas ou andar mais que o estrito necessário, sem efeitos visíveis do cruciatus, mesmo assim você pode ter reações tardias. Alguém pode vir te buscar?

― Moro sozinho, Potter ― Malfoy respondeu repentinamente inexpressivo.

Harry engoliu em seco, seu coração batendo mais rápido quando finalmente teve que olhá-lo nos olhos. Ficou um pouco mais difícil respirar. Provavelmente nunca saberia se aquele era o efeito natural do sonserino em seu corpo ou se era seu maldito veela que insistia em deseja-lo, mas seus olhos o procuravam sempre que visitava St. Mungus – mais vezes do que gostaria, seus dedos formigavam para tocá-lo e, antes que pudesse evitar, se aproximava mesmo sem quaisquer planos de conseguir algo a mais.

De novo, antes que pudesse evitar, tocou o pulso dele. Com uma rapidez milagrosa conseguiu pensar em olhar os ferimentos mais leves como desculpa. Pigarreou e se afastou.

― Potter.

― Vou te levar em casa, okay? Uma aparatação acompanha é o melhor por enquanto ― Harry se adiantou com pressa, fugindo do momento.

Malfoy segurou seu pulso e o trouxe para perto novamente.

― Potter, seus olhos estão dourados.

Harry arfou e se soltou nervoso, rapidamente se afastando alguns passos.

― Droga, me desculpa. Isso acontece as vezes, deve ser por causa dos ferimentos.

― Certeza que é isso? Precisa de alguma coisa?

― Tô bem, juro. Vamos logo, você ainda precisa descansar, minha magia não vai te manter acordado por muito tempo.

Mentiu sem pensar duas vezes. Não precisava saber que era o seu veela idiota reagindo a presença dele. Porém, se tivesse usado um pouco mais daquela milagrosa rapidez mental de antes, teria concluído que era perda de tempo pensar em uma desculpa tão boba quando, obviamente, o herdeiro de uma das famílias mais antigas e tradicionais do mundo bruxo, que teve aulas particulares por toda a infância e sempre soube de sua natureza veela sabia mais sobre o assunto do que ele.

Harry também não percebeu, enquanto pegava a bolsa e se preparava para aparatar, que, por alguns segundos, seus olhos não eram os únicos dourados.

1 de Julho de 2022 às 02:26 0 Denunciar Insira Seguir história
0
Leia o próximo capítulo O toque pela poção

Comente algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~

Você está gostando da leitura?

Ei! Ainda faltam 2 capítulos restantes nesta história.
Para continuar lendo, por favor, faça login ou cadastre-se. É grátis!