mahbcm Maria Luiza

Baseio no anseio de minha alma. No anseio de te ter em meus braços álgidos de pedra. Baseio no teu riso inexpressivo, que já não sabe se é desolado ou vivo. Baseio na vontade ardente de te amar...


Poesia Romance Todo o público.
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Fria.

Eu vi...
Vi cravado em seus olhos as pétalas de uma flor viva.
Vi em seus lábios a vermelhidão de um calor proibido.
Em suas costas vi as asas cortadas de um anjo.
E sim, sei que tem muitas perguntas, questionamentos... Mas somos pinturas desconhecidas. Destinados a viver separados, porque nem todas as pinturas um dia são reconhecidas.

Noite estrelada aquela a qual pensei em você. Onde as ondas de um azul escuro dançavam no céu, e eu apenas continuava desejando o ver.

Me senti completamente confusa observando-te, pois assemelhou-se a Mona Lisa, inicialmente estava sério. Porém, logo após, esboçou o que parecia ser o rascunho de sorriso e, ainda depois, corou. Tantas reações em um só quadro de momento...

Não faz ideia de como desejei ainda mais ganhar O Beijo seu, assim como na pintura de um dos mestres. Em tintas amarelas eu gostaria de pintar essa sua alma fria, esperando trazer o calor da cor, e banhar sua boca com o sabor da minha.

Olhando suas linhas bem traçadas, amarelo e vermelho, é que caí nas minhas, azul e branco. Foi quando percebi nossa grande diferença...

E na impressão de um Sol Nascente, vi o azul gélido dos teus lábios cálidos. No entanto, observando cada detalhe, cada canto, pude notar o alaranjado de um interior aquecendo aos poucos.

Peço que não chore. Não chore quando notar a imensidão que cabe no curto espaço entre nós... imensidão essa que nos separa. Pense nas estátuas prestes a se tocar, mas foram esculpidas justamente para apenas desejar... desejar que um dia o mármore mude sua forma e as estrelas realizem seus pedidos tão sofridos.

Nem Otelo, nem Desdemona tiveram... Por que nós teríamos? Não somos prestigiados, privilegiados. Então sim, somos destinados a apenas observar calados cada detalhe da perfeição que há em nós. Então sim, viverei olhando-te de longe, longe o bastante para que não olhe para mim... para que não sofra se apaixonando por cada mínima particularidade minha.

Na música? Na música somos as notas tristes de um piano. Um violino agudo e ensurdecedor. Um violoncelo grave e melancólico. Uma flauta insondávelmente tristonha que apenas sonha com o musicista que dê o valor merecido.

E é nisso que baseio meus poemas, músicas, poesias... Baseio no anseio de minha alma. No anseio de te ter em meus braços álgidos de pedra. Baseio no teu riso inexpressivo, que já não sabe se é desolado ou vivo. Baseio na vontade ardente de te amar...

E pretendendo te amar, é que compreendo que não fomos feitos com essa finalidade. Fomos criados para que os verdadeiros apaixonados se inspirassem e criassem as mais belas palavras de romance, ou que sofressem se lembrando de que um dia estiveram amando.

Também peço que não diga, não peça, não implore. Não implore para que eu fique, pois não tenho a capacidade de olhar em seus olhos, que na verdade são quentes, e dizer que não quero.

Não diga que me aprecia. Em hipótese alguma diga que me estima. Se realmente me preza, por favor não diga... Não diga que me ama, visto que não posso suportar a ideia de que, em circunstância alguma, jamais te abraçarei. Jamais.

Afaste-se. Afaste-se, uma vez que o único ser de mármore aqui sou eu. Frio, gélido, gelado... E maciço. Bonito e pouco vivo. As asas cortadas, francamente, são minhas. Me perdoe, fiz você se encantar por algo desanimado. Fui capaz de fazer alguém brilhante, intenso, amarelo e laranja ficar apaixonado por uma mulher de pedra: azul e branco.

Somos opostos e, na realidade, os opostos, mesmo se atraindo, nem sempre ficam juntos. Por isso somos pinturas desconhecidas. Entenda: você é vivo... eu nunca estive viva.

14 de Julho de 2022 às 20:19 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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Maria Luiza Eu faço uns contos malucos, chega aí :)

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