ladyssl Maria Eduarda S. S. de Lima

Desde o primeiro dia, uma cuidava da outra a sua maneira, eram irmãs, eram família e o porto seguro de cada uma.... Sempre estiveram juntas.... Até não estarem mais.


#11 em Drama Todo o público. © Todos os direitos reservados por Maria Eduarda S. S. de Lima. Não é permitida a reproduçao total ou parcial desta obra, sem a previa autorização da autora.

#drama #saudade #doença #dor #irmãs #acidente #perda #choro #sensivel
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Cibele

Quando me ligaram do hospital meu coração já sabia, todo meu corpo já sabia. Mesmo assim, tentei ficar calma, mas claro que cada minuto desde que entrei no carro pareciam horas até chegar ao seu encontro minha querida irmã. Eu te vi de longe no jardim quando estacionei e corri até a enfermeira que apenas me deu um sorriso doce, mas seus olhos já pareciam pesados.

E lá estava você, sentada no pequeno banco de madeira, olhando as pequenas flores de cerejeira caírem. O clima não estava tão frio, mas devido à sua saúde frágil estava vestida em roupas quentes. De costas, pude ver o cachecol tricotado azul bebê que fiz e lhe dei de presente a um tempo atrás. Ele balançava sem parar contra a brisa fresca e parecia quesairía voando a qualquer momento, assim como você.

Me aproximei devagar para não assustá-la, sem coragem alguma de te encarar. O aperto no meu peito malmente me deixava respirar. Sua irmã é realmente uma covarde Cibele. Então, você tomou a iniciativa e se virou para mim, sorrindo. Parecia uma criança que ganhou o presente que sempre desejou. Seu semblante era doce, mas pálido e fraco, e olhando em meus olhos me disse:
— Obrigada por tudo que fez por mim até agora mãe. — Senti um arrepio correr sobre mim, mesmo tendo te criado desde bebê, essa era a primeira vez que me chamava assim. — Por me criar, me ver crescer e cantar para mim quando estava com dor. Obrigada por me amar e cuidar de mim. Eu te amo Hannah, mamãe, por favor viva a melhor vida que poderia por mim.

Sua voz já fraca, estava ainda mais trêmula no final e quando vi as lágrimas correm por seu rosto, foi como se todo o ar tivesse ido embora e voltado de uma só vez. Meu corpo caiu ao seu lado no banco e chorei com você segurando-a firmemente em meus braços, temendo que iria embora rápido demais.
— Filha, minha filha. Obrigada por ficar e suportar essa mãe sua até agora, saiba que nunca fui mais feliz do que todos esses anos ao seu lado, sim?? Eu te amo demais Cibele, minha filha amada.

Seu choro em meu colo foi como uma confirmação, ela estava partindo, ia voar para longe e eu ficaria aqui, com todas nossas lembranças juntas. A agarrei como a um bebê e em meu abraço tentei confortá-la, mesmo que meu coração estivesse em pedaços e com um aperto sufocante.
— Mamãe… — Sua voz rouca e baixa me fez querer nunca mais soltá-la — Você poderia cantar pra mim, sabe, aquela de sempre?
— É claro que posso minha filha. — Você não disse “uma última vez”… Mas eu já sabia que seria e mesmo com um aperto na garganta, cantei suavemente nossa música.


"Baby mine, don't you cry

Baby mine, dry your eyes

Rest your head close to my heart

Never to part

Baby of mine..."


Enquanto cantava, olhava em seus olhos e vi quando se aconchegou mais em mim e fechou os olhos, sua respiração ficando cada vez mais leve e seu corpo relaxando.


"...From your head to your toes

You're not much, goodness knows

But you're so precious to me

Sweet as can be

Baby of mine."


Quando terminei você estava calma demais e seu corpo caiu sobre mim, foi então que percebi…você não respirava mais. No seu rosto ainda rolava uma lágrima e limpei ela enquanto todo meu mundo desabava em minhas próprias lágrimas. Te abracei um pouco mais forte, suprimindo o grito de desespero em minha garganta. Dei-lhe um beijo na cabeça e percebi como o vento soprou mais forte, e como as flores de cerejeira caiam ao nosso redor. Você era como essas flores, elas deixavam suas árvores, assim como você estava me deixando.

De longe, vi a enfermeira correr ao nosso encontro e desejei que ela demorasse só um pouco mais. Um minuto mais. Eu ainda não estava pronta para deixá-la, mas precisava aceitar que agora você não mais existia, tinha enfim descansado. Eu te amei e ainda te amo, e prometo guardar sua existência em meu coração para sempre, foi um prazer te conhecer e te ter ao meu lado, minha irmã e filha, Cibele.

27 de Maio de 2022 às 07:28 2 Denunciar Insira Seguir história
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Daniel Trindade Daniel Trindade
Olá! Faço parte da Embaixada Brasileira do Inkspired. Estou aqui para lhe parabenizar pela Verificação de sua história. Desejo que sua história alcance muitos leitores aqui em nossa comunidade. Continue escrevendo e publicando suas obras conosco. Sucesso e felicidade em sua arte! ♡
January 22, 2023, 18:25

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