adoh Danilo Barreto Do Nascimento

O muséu de artes de Marco Tyllor é uma das mais prestigiádas galerias a recuperar artes antigas e modernas pondo-as para serem apreciadas pelo público, porém à estranhos casos ocorrendo lá dentro, melhor que continuem acontecendo dentro do que fora.


Horror Histórias de fantasmas Para maiores de 18 apenas.

#Conto #Terror #Fantasia # #Surrealismo
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Saturno

Seu

turno havia começado a pouco tempo, mas Joe já pensava em quando voltaria para casa descansar, imaginando-se deitado em sua cama o dia inteiro dormindo como uma pedra, enquanto caminhava a passos lentos pelo piso liso do muséu, olhava as paredes vagamente, passando o olhar de quadro em quadro, sem nunca estar interessado em seu conteúdo, com pouca esperança de que algum estaria faltando. O chiado do Walkie-Talkie inrrompe o silêncio e ele deixa seus pensamentos de lado. Levou a mão ao aparelho e o puxou para perto a boca, apertando o botão do microfone.


— Joe Edgar na escuta câmbio. — Respondeu com a voz puchada pelo sono.


— Está tudo normal na ala 12? Câmbio.


— Nada anormal, câmbio.


Era protocolo perguntarem se havia algo fora do comum em cada ala do muséu, onde cada guarda noturno fazia sua ronda cobrindo 3 alas, Joe achava desnecessário e ridículo todas as frases terem de terminar com "câmbio". Eram 7 guardas, andando pelos corredores espaçosos vigiando incompreensíveis obras que os autores "moldaram" com suas mentes.

Joe passava por diversos e diversos quadros no corredor, restaurados e emoldurados com grande cuidado. Na curva que se encontrava entre dois quadros antigos, ele virou para a direita e diminuiu mais a velocidade de sua passada para olhar um em específico. Um homem que a seu ver era um velho humano gigante segurando um outro indivíduo enquanto o devorava, algo que causava desconforto em Joe, sempre lembrava da primeira vez que o viu e se assustou. Mirou para a plaquinha colada na parede abaixo da moldura:

"Saturno Devorando um Filho.1819 - 1823"

Não havia o nome do artista, característica que alguns quadros tinham, nunca se importou em perguntar para os guias o porquê. Passando pelo lado daquele macabra obra, acelerou novamente o passo e voltou a vigiar o que estava a sua frente, seguindo preguiçosamente pelo corredor branco. Então ao longe percebeu algo estranho com um dos quadros na parede à direita, só havia a moldura.

— Temos um quadro desaparecido na ala 12, solicito o que todos cubram a maior área possível de suas alas e estejam atentos. — Falou enquanto segurava o Walkie-Talkie perto da boca.

— Entendido. — Responderam quase todos ao mesmo tempo em meio aos chiados do aparelho.

Joe acelerou o passo de volta pelo corredor que veio, o ladrão teria que passar pelas outras alas para sair do muséu, e com isso teria que ter passado por ele, se perguntava como isso não teria acontecido, mas ainda poderia estar por perto. Virou a mesma curva a sua esquerda e encontrou algo que parecia corpo no chão, ficou imóvel por 2 segundos sem entender o que via e então se aproximou para conferir.

Agachou-se perto do que seriam os restos de um homem, a cabeça e o braço não estavam no lugar que deveriam, o corpo estava pelado em cima de uma poça de sangue. Joe olhou para o quadro na parede, notou que o sangue vazava da moldura, nada além de um fundo preto com sangue nas bordas. Da poça uma trilha de pegadas vermelhas seguia pelo extenso corredor, eram grandes demais. Joe se levantou e seguiu a passos largos a única pista que tinha do que quer que fosse aquilo, pegou seu Walkie-Talkie e o levou para perto da boca.

— Encontrei um corpo na ala 12, estou seguindo o rastro do suspeito. — Movia a outra mão para o lado da cintura onde sua arma estava presa ao cinto coldre padrão.

— Corpo? Consegue identificar de quem é?

— Negativo, a cabeça não está presente e o corpo está despido.

Tomou a pistola nas mãos, havia usado uma apenas no teste de tiro ao alvo. Dobrava os corredores cada vez mais nervoso com medo de encontrar-se com o que quer que fosse.

— Joe responda, o que está havendo? — Não tinha prestado atenção na primeira vez que ele perguntou.

— Eu não tenho conhecimento, apenas estou seguindo o rastro que vai para a ala 11.

— Entendido, Willy está vigiando a entrada para a ala 12, estamos indo.

— Positivo senhor, não topei com nada ainda. — Falou outra voz do aparelho.

Joe virou uma ultima curva à sua esquerda que conectava as duas alas e não viu nada, estava um bréu a sua frente, o outro segurança deveria estar a alguns metros a sua frente, também não estaria conseguindo o ver obviamente.

— HEY!— Joe gritou para ver se conseguiria alguma resposta.

Conseguiu ouvir um "hey" muito baixo, estava mais distante do que imaginava. Ligou sua pequena lanterna que era distribuida para todos os seguranças, iluminando sua frente, mas não o suficiente.

— NÃO VIU NADA? — Não obteve resposta.

— HEY!

— Hey — Não foi ele que respondeu.


Foi mais grosso e como se falasse para dentro, diferente demais da voz do outro guarda. Joe apontou a arma para frente, e usou a outra mão para tentar contatar o Willy pelo Walkie-Talkie.

— Willy pode me ouvir? — Sem resposta. — Will-

— hey — Ouviu novamente a mesma voz, um pouco mais alto, o que quer dizer que estaria mais perto.

Joe segurou trêmulo sua arma com as duas mãos, ouvia passos baixos de algo vindo, e ele se afastava a medida que eram mais audíveis.

— Apareça devagar e com as mãos na cabeça! — Ele disse, mesmo não querendo que o que quer que fosse se revelasse.

O barulho de passos cessou, ainda a uma boa distância de Joe, se fosse algum companheiro teria respondido ou se aproximado, mas tudo ficou em silêncio. O mal pressentimento invadiu Joe e ele recuou para trás rapidamente. De relance ele viu algo grande se mover para fora do escuro, apertou o gatilho e deu um tiro, se virou no mesmo momento e começou a correr pelo corredor, não esperou para ver se havia acertado, sua intuição dizia que não, e que estaria atrás dele naquele momento. Virou o corredor e olhou para trás, algo grande realmente o perseguia, era mais rápido que ele, Joe deu mais tiros para trás acertando alguns, de nada adiantou e foi agarrado, duas mãos com dedos imensos que apertavam seu tronco com tanta força que ele sentia que fosse furar sua pele e esmagar seus ossos, ele se debatia e atirava contra o seu rosto, o do mesmo velho macabro que estava naquele quadro, seus olhos arregalados e a expressão macabra eram difíceis de esquecer, foi a ultima coisa que ele viu antes do escuro cair sobre ele e sentir seu pescoço ser pressionado por dentes enquanto sua cabeça e torso eram puxados, sua carne rasgar e ter sua cabeça arrancada. Sua cabeça foi mastigada e engolida, o velho começou a rasgar o resto do corpo de Joe com seus dentes e a o comer por partes.


Os outros seguranças chegaram a ala 11 e viram o corpo de Willy destroçado, com membros faltando. Passaram pela escuridão e apenas encontraram uma poça de sangue com alguns pedaços humanos no chão. Andaram por toda ala 12 e não acharam Joe, nem o suposto corpo que ele havia avisado, mas um dos quatros realmente não possuía mais a arte. A arte de Saturno devorando seu filho estava no mesmo local, imutável, como deveria estar.



29 de Maio de 2022 às 00:40 0 Denunciar Insira Seguir história
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