lyzboa Lisboa

Ao norte de Moriburgo alonga-se um vale, entre Goiás e Mato Grosso do Sul, deserto, quase estéril. Tudo que lhe habita o solo não passa de árvores longilíneas, antigas e ressecadas. Não só de lendas vive o lugar, um histórico de desaparecimentos preenche as fichas policiais. Ao final do outono, Cícero decide por conta própria investigar o Vale, não em seu melhor estado emocional acaba por laçar o pai e a irmã em sua neurose, buscando entender o que lhe ocorreu e quais respostas guarda o lugar


Suspense/Mistério Todo o público. © Copyright 2021 by J. F. Lisboa

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Prólogo

As folhas secas que o outono despedaçou, arrancando-as à força das árvores rotas, maculavam-se no charco e as unhas, tão firmes e naturais, há um segundo claras donas de lucidez, poluíam-se inteiras em busca do precioso pingente: um dente-de-leão dourado. E, é claro, sua vista já marejava, embora tanto piscar não recobrara nitidez.

Os joelhos empapando-se na areia úmida, doíam?, se sim, não assaz importante, mas manchavam toda a região central das pernas dojeans. O vento de baixo grau também não parecia incomodar, o suéter espesso tecido pelas longas agulhas da avó suportavam a aragem assobiante; entretanto àquela hora já não se sujavam só as unhas, os punhos completamente imersos navegando de norte a sul na lama, caçavam o pequenino artigo de joalheria como ferinos inquisidores espanhóis.

Agora, sim, as lágrimas se desgrudavam pinchando-se – "torpeeeedo!" –, desprovidas de paraquedas tais as colunas romanas ante o vento da revelia "bárbara". Feliz fora ao arregaçar suas mangas na altura dos cotovelos, pois o suéter permaneceu imaculado, além dos perdigotos ocasionais frutos do desespero semi-infantil naquela tempestade em lama d'ira.

E assim o era, final de tarde, as nuvens entravam obscurecendo naquela zona de Moriburgo, todo o céu estendia-se nublado acima do vale. Ah, não, meu caro tu, não fiques a pensar nas melancólicas aulidas que passeavam entre os arcabouços da selva. Menina, pequena menina!, devia ir-se embora, fugir-se ainda em glória, mas nunca se sabe de tudo, ou todos, que nos aguardam.

A joia: colar e pingente eram presentes, regalos de um pai que hoje bate à porta... Embaixo da terra. Não pode perdê-lo! Que faz? Que injustiça! Ah, má-sorte! Por que eu?!, pensou consigo. Então, o que diria? O que dirá? Pois, tateia e sacode, segura e julga achar, não está lá!, mas torna a bater fitando uma superfície que seus extraviados olhos jamais penetrarão. Tudo é rocha, é pedra, é tudo solidez impassível e ela desistirá. E dar-se-á por vencida.

Assim ela se conhece... Assim ela aprendera a vida e desta apreensão, seu lar não mais o será; não como ela gostaria que fosse, não como ela recordará e talvez obrigando-se a dormir quando arriba a madrugada, torne à memória o tão quisto pai, toc-toc-tocando na porta, onde o som ecoa em seu jovem peito feminil... Virá, portanto, o Sonho, soprar-lhe areia às pálpebras e assim secarão as lágrimas, que persistiram atravessando pálpebras cerradas em rigidez, e fugaz adormecerá. Sonhando o colar e o homem...

Ou assim seria, se as Melancolias do Vale não antes a tivessem abraçado.

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10 de Junho de 2022 às 17:39 0 Denunciar Insira Seguir história
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