pablomedina120598 Pablo Medina

Sinopse:  A história   relata a caminhada   de um jovem céptico  de 22 anos com inúmeras  dúvidas   a respeito  de sua espiritualidade e dilemas  Moraes , e sua busca por um entendimento   de seu  propósito  em um mundo  deturpado  e caótico.  Até que indivíduos  distintos  se juntam  a ele em uma jornada   que se mostrara extremamente  complexa  e renovadora .


Drama Para maiores de 18 apenas.

#Ocanticodobaldo
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● CAPÍTULO 1- Um Dia Normal.

"No princípio criou Deus os céus e a terra."

ou no princípio uma explosão aleatória gerou tudo.

no que acreditar?

ao menos é isto que é nos ensinado, e o que ensinamos aos nossos filhos, e eles por sua vez ensinam aos seus. o mundo é moldado pelo que acreditamos, por exemplo, homens que acreditam em paz, vivem em guerra consigo mesmo e com o próximo, homens que acreditam no amor escrevem suas próprias tragédias românticas, lembram de Romeu e Julieta?, porém todos os homens acreditam que suas atitudes ,escolhas e motivações, possuem um propósito, algo que justificará sua breve vida, que garantirá sua realização pessoal. alguns acreditam que seus propósitos foram previamente determinados pelo destino , que nasceram para efetuar tal missão, na qual muitos deles próprios não sabem qual é, há também os que recebem seus propósitos da parte de Deus, um ser supremo que detém todo e total poder. o fato é que todo ser necessita de algo para fazer com sua vida. por que sem um significado o que resta se não o vazio existencial de uma vida incompleta.


O dia parecia potencialmente bom para Dener Anthony, o céu claro com uma brisa agradável que entrava pela janela de Seu quarto, os sons metropolitanos que fundiam-se com o cantar dos pássaros , e o sibilar relaxante do vento suave em seus ouvidos, era um dos poucos exemplos que ele tinha de como a harmonia entre natureza e o homem poderia ser bela.

porém, ele sabia que esse pensamento era incrivelmente superficial e patético pós o homem é o pior inimigo da natureza e vice-versa. e que os sons que o agrada tanto pela manhã , são gritos de socorro e clangores de guerra , pós lá fora, Dener sabia que o Homem estava matando a natureza e ela estava revidando de alguma forma não tão descarada quanto a humanidade.

Ele pensava muito sobre assuntos de relevância diminuída pelo resto do mundo, tal como motivações fúteis, aquecimento global, fome , seca e esses tipos de coisas que são ignoradas até que batam em sua porta. porém ele Cagava quando o assunto era fazer algo a respeito. sua mente pensava o seguinte .

" se o mundo tá foda-se com tudo de errado no mundo, então não devo me importar já que também faço parte do mundo, de qualquer forma vamos todos a merda juntos".

Ele nunca conseguia conter um sorriso quando esse pensamento o visitava, as vezes nem o próprio Dener sabia o que esse sorriso em particular significava.

7:15 , ele olhou para sua cama que estava bastante convidativa a mas cinco minutos de sono, entretanto os deveres da vida adulta o fizeram descer suas escadas que rangiam a cada degrau atormentado pelos seus pés, Dener morava sozinho, que fazia com que os mas sutis do sons emitidos por seus degraus rudimentares tornassem-se escandalosos .

seu ritual matinal consistia em um banho de dez minutos com sua Playlist favorita tocando ao fundo, Dener possuía um gosto musical bastante eclético que variava de um excelente clássico, aos mais promíscuos gêneros musicais, em particular ele se sentia bem com o que a música o transmitia, era interessante para ele pensar o que as letras e principalmente o que os compositores sentiam e queriam que o público também sentisse com seus versos .

ao concluir seus preparos para mais um dia de trabalho , trabalho esse qual Dener detestava por motivos diversos, seu desgosto era manifestado sempre que ele colocava aquele uniforme cinzento da equipe de limpeza do GranMast Shopping , ele sonhava com o dia em que queimaria o cinzento uniforme até que se tornasse brasas no ar. a imagem do fogo consumindo por completo o maldito traje lhe trazia conforto.

outrora nunca soubesse quando esse dia chegaria, Dener sabia que uma hora ou outra seus dias como serviçal de merda estavam contados, ele conhecia seu potencial e sabia que era capaz de muito mais, e estava disposto a provar isso.

7:45. ele acendeu o baseado de maconha previamente preparado no dia anterior, o aroma forte, e a fumaça que ele expelia de suas tragadas selvagens , formavam uma névoa entorpecente em sua volta que o permitia meditar em sua mente caótica e questionadora, a droga em seu corpo o provia sensações que modalizava entre êxtase, confusão mental ,prazer, completude seguida de um enorme vazio existencial, a maconha funcionava como algum tipo de portal dimensional para Dener, enquanto a onda e a marola o preenchia ele podia acessar memórias e visitar o passado embora algumas vezes suas lembranças fossem psicodelicamente alteradas pela droga.

toda via Dener gostava desses breves momentos em que ele se permitia viajar em suas paranoias enquanto estava chapado. revisitando sua infância, quando ele era apenas o pequeno Anthony, uma criança humilde outrora saudável do Rio de Janeiro. nascido no dia 12 de maio de 1999, com três quilos e cem gramas, sua mãe Amoline o batizou de Dener Anthony Decastro juntamente de seu pai Ricardo Decastro, a mãe de Dener particularmente amava o significado, de ambos os nomes que o dera, no qual ela escolherá com carinho.

ela dizia.

—" meu pequeno presente valioso, você crescerá e procurará a felicidade que merece, e a encontrará. e então vai entender o significado da vida."


em sua infância nunca faltou afeto por parte de sua mãe que o tinha como sua preciosidade mas valiosa, embora seu pai com o passar dos anos se tornou aflituosamente ausente em sua vida, trabalhando longos períodos e dormindo sempre que estava em casa.

Dener era infinitamente próximo de sua mãe, embora de seu pai as únicas palavras trocadas eram as bênçãos dadas e recebidas.

ele em sua pobre mente inocente de criança não compreendia o motivo de tal desprezo que o acometia por parte de seu pai, E as coisas não melhoraram.

em seu aniversário de seis anos, sua mãe o presenteou com a chegada de uma nova integrante na família, Angela Decastro, embora o nascimento de sua irmã tenha resultado no falecimento de sua mãe por complicações, Dener de imediato criou um amor pela criança e um forte dever de proteção para com ela, pós mesmo com o luto e a dor de perder sua mãe muito cedo, Dener encontrava conforto em Angela, que para ele simbolizava o presente que sua mãe o deixou para cuidar.

seu pai Ricardo por outro lado se tornou leviano com a criação dos filhos, e um homem portador de uma moralidade depravada e corrompida de dar enjoo no garoto de sete anos, não levou muito tempo para Dener e Angela serem afetados pela displicência do pai, no qual Dener gradativamente desenvolvia uma repulsa e ódio frívolo.

por inúmeras noites seu pai o submetia a testemunhar cenas hediondas que cirandavam em torno de bebidas , drogas, e cenas de apetites sexuais excêntricos.

Ele odiava o pai por inúmeros motivos, a vida de promiscuidade, a falta de amor e afeto, o fato dele com apenas sete anos já ter a responsabilidade do mundo nas costas, a desnutrição de sua irmã que chorava até desmaiar por conta da fome. ele se perguntava se de fato o pai desejava a morte por inanição de seus filhos.

quatro anos infernais o acolheram, Dener não poderia ter sobrevivido, não teria como ele ter sobrevivido. mas sobreviveu, e consigo sua irmã Angela , sua penitência ao lado de seu pai teve fim quando vizinhos denunciaram Ricardo por negligência , Dener lembra amargamente do olhar de seu pai quando levaram ele e sua irmã de sua casa por agentes do conselho tutelar, as emoções captadas por Dener nesses breves segundos em que seus olhos encontraram os de seu pai ficaram marcadas em sua mente , e sempre que Dener se drogava às emoções eram revividas com o máximo de intensidade. o ódio mas também o alívio de está se livrando de dois pesos mortos que Dener suspeitava que seu pai jamais queria ter de carregar.

Dona Cecília, uma senhora de 61 anos foi quem acolheu os irmãos quando seu pai forá preso, então eles poderam desfrutar de sossego e paz , algo que há anos não possuíam .

8:06 .

— Puta que pariu. —disse Dener olhando para o relógio empoeirado em cima da geladeira.

ele estava atrasado. sem demoras ele correu até o quarto ainda aéreo e tonto por conta da droga, tropeçando nos degraus e esbarrando em móveis.

— Puta que pariu. —ele resmungou ao topar o dedo na quina de sua cômoda derrubando um copo de vidro que se estilhaçou no chão.

não havia tempo, ele apenas ignorou recolhendo para si sua mochila e correndo novamente para saída.

de fato o dia estava sublime, o céu com um tom azulado vivido e rechonchudas nuvens aqui e ali espalhadas por ele. embora fosse cedo o sol já estava alto.

a caminho do Trabalho Dener rememorou as lembranças que teve mas cedo, o que o fez criar coragem de ligar para Angela. Quando fez dezesseis anos, Dener decidiu desbravar o mundo por conta própria, obviamente muitos fatores o motivará a tomar tal decisão. a verdade é que ele já possuía uma mente completamente madura devido às suas experiências, e o fato de ter se virado para manter sua irmã e a si mesmo vivos durante a infância, o regime debaixo do teto de dona Cecília também o incomodava, por achar a mulher autoritária e exigente com alguns temas, e isso o fazia se sentir infinitamente ingrato , pós foi Dona Cecília que o salvou de uma vida solitária, e principalmente uma vida sem Angela ao seu lado, o corpo dele se arrepiava sempre que ele lembrava que essa possibilidade de uma vida longe do único bem que sua mãe lhe deixará poderia de fato ter acontecido se não fosse pela generosidade e benevolência de Dona Cecília. quando completou dezesseis anos Dener arrumou um emprego e foi morar sozinho em um bairro bem afastado de sua antiga casa, para ele seria um recomeço, embora todos os fins de semana ele voltasse para a casa de Dona Cecília para visitá-la e sua irmã.

De fato Dona Cecília e Dener possuíam discordância sólidas, mas a velha mulher veridicamente amava Dener e Angela, e ambos também a amavam

8:27

— alô?.

a voz de Angela ao telefone criou uma aceleração no peito dele , ela insistiu mas algumas vezes porém ele não disse nada . por esses breves segundos em que sua irmã dizia "alo" em seu ouvido, Dener perdeu a capacidade de falar, juntamente com a capacidade de levar ar aos pulmões, somente quando Angela encerrou a ligação, todo seu corpo recuperou suas funções.

Merda. Dener pensou digitando o número novamente, mas sua coragem havia desaparecido.

8:42.

seu ônibus estacionou em sua parada abruptamente, ao descer Dener pensou na possibilidade de comprar um carro por não suportar mais as conduções lotadas que tinha de encarar todo santo dia.

— Está atrasado o que houve com você?.

— Perdi a hora Ester. —Dener disse a puxando pelo braço.

— Então ligou para ela?— perguntou Ester de forma curiosa.

— É claro que liguei , eu te disse que iria ligar.— ele respondeu sem muita convicção de suas palavras.

— Eu sabia que você não iria conseguir, porra Dener ela é sua irmã, a dois meses que você não dá notícias a ela, deixe de pensar só em você por um minuto.

as palavras de Ester o fez parar e refletir , será mesmo que ele estava sendo egoísta?, de imediato ele soube que a resposta para essa pergunta era um sólido sim, faziam dois meses que Dener não entrava em contato com Angela e dona Cecília, o trabalho certamente tinha haver , pós ele tinha exploratórios horários de treze horas diárias de Domingo a Domingo com apenas uma folga na semana . mais desde que as Drogas entraram em sua vida , ele tem se tornado surpreendentemente volúvel, consigo mesmo e as pessoas a quem ele ama, a culpa de está quase sempre drogado e se encaminhando para um vício que potencialmente poderia destruir sua vida o levando a morte , lhe causavam um constrangimento tão sólido e torturante que suas visitas a sua família ,reduziram-se a telefonemas rápidos , até sua ausência total.

— Ah porra Ester , eu disse que ligaria e eu vou ligar , só estou esperando uma boa hora. —disse Dener incomodado com as palavras de Ester.

— Espero que quando ligar seja do seu próprio celular e não de uma clínica de reabilitação, acorda Dener.— disse Ester dando um tapinha na cabeça dele.

— Ester toma conta da sua vida Beleza.

— Escuta. se você quiser ser a porra de um drogado de merda vá em frente, que seja, mas não arrasta pro buraco quem se importa com você caralho. —encerra Ester o deixando sozinho em frente a grande e majestosa entrada do GranMast Shopping.

Ester era formosa , gentil, e incrivelmente simpática, embora suas qualidades que a mas definam eram sua sinceridade ácida, e a falta de papas na língua, Dener odiava a autoridade que ela transparecia em suas atitudes, porém ele realmente gostava de Ester ,e uma coisa que esses dois anos em que eles se conhecem mostraram a Dener, é que por trás de todas as palavras afiadas que eles lançavam um ao outro, é que ambos gostavam genuinamente um do outro.

enquanto a bela menina de arrebatadores olhos castanhos claros, e volumosos cabelos cacheados da mesma tonalidade de seus olhos, trançados em suas costas, se afastava até sumir por completo na multidão dentro do shopping, Dener saboreava o gosto amargo que a razão por trás das palavras de Ester lhe causavam.

9:25.

o chão grudento e sujo de sorvete que um garotinho jogou no chão por birra, pois a mãe se recusou a dar algo que ele queria, irritou Dener, sua vontade era de pegar a bola de sorvete de chocolate que derretia no chão lentamente e passar na cara da mãe e do pivete mal criado. porém lá estava ele com sua vassoura, panos e um carrinho com utensílios de limpeza, tendo de lembrar a si mesmo que precisava daquele emprego.

o ambiente de trabalho de Dener, o GranMast Shopping ficava localizado no centro do Rio de Janeiro, a amplitude do local era vasta, que tornava todo o trabalho ainda mais laborioso, a ponto de no fim do dia Dener ter febre de exaustão.

12:37.

no almoço, Dener reuniu todo seu bom senso e humildade, dispondo-se de seu orgulho, que naturalmente era uma de suas qualidades . o fato de saber e reconhecer seus erros e não ter vergonha de assumi-los e corrigir o próprio.

então ele encaminhou-se ao jardim do shopping onde possuíam roseiras belicamente podadas e cuidadas, as admirou enquanto aspirava suas fragrâncias que para ele eram bastante agradáveis e suave, mas que não chegavam nem perto do êxtase que sua nuvem de maconha lhe proporcionava. Dener avistou um botão em plena florescência, ele imaginou que poderia muito bem significar um recomeço, já que é isso que flores fazem , brotam morrem e recomeçam. Mirando a rosa de sarom , no topo de um emaranhado de outras flores, ele sutilmente partiu o talo recolhendo para si o botão róseo.

com delicadeza e cuidado ele envolveu a jovem flor em um de seus panos, porém o mas limpo e branco deles, e dirigiu-se até a cafeteria Nespresso do outro lado do shopping, ao parar enfrente a loja, de primeiro momento ele apenas a observou trabalhar se perguntando se agora seria um bom momento para aborda-la. porém essa dúvida não perdurou por muito tempo, ele foi até o balcão em que Ester estava anotando algo em seu Tablet.

— Desculpa. —ele estendeu o talho e o botão da flor frente ao seu rosto de modo que ela conseguisse visualizar bem a flor

— O que está fazendo?.— questionou Ester.

porém um sorriso lutava para não se formar em seu rosto.

— Reconhecendo que fui um cuzão hoje cedo.

— foi mesmo. mas eu não disse aquelas coisas pra tentar te ofender, me importo com você Dener. assim como sua família . —disse Ester pegando para si o talo da flor.

— Eu sei. vou ligar para elas amanhã eu te prometo isso.— disse Dener buscando qualquer sinal de aprovação nos olhos de Ester porém só encontrou dúvidas.

— que tal sairmos hoje? . —propôs ele.

— hoje?. mais ainda é terça-feira.— argumentou Ester.

— não precisa ser algo agitado poderíamos apenas sair pra comer algo o que acha?.

Ester ponderou a pergunta por alguns segundos, então ela levou a flor ao nariz, e absorvendo o aroma ela disse.

— meu expediente acaba as 19:30. e só pra constar, vai ser tudo na sua conta.— disse ela dando uma piscadela e se virando par o interior do Nespresso.

14:49.

Era cedo, mais Dener já estava tendo de lidar com os sintomas da abstinência, embora tenha comido uma porção exageradamente grande de macarrão ao molho branco no almoço, seu apetite parecia amplificado em uma ou até três vezes, ele também estava experimentando a irritabilidade, que são habituais de pessoas que lidam com os vícios, ele descontou sua frustração em seu carrinho de limpeza o chutando inúmeras vezes. ele chorava de puro ódio e de puro desejo em se drogar. em sua mente tudo era novo. não foi rápido , levou um ano e quatro meses até Dener se tocar que estava viciado , ele lembrava exatamente de suas primeiras tragadas , a euforia, prazer , a paz, e uma infinidade de outras sensações, extraordinariamente fantásticas para um rapaz de 19 anos que se sentia capaz de conquistar o mundo se quisesse, foi inevitável, antes que se desse conta ele já estava tragando ,aspirando, injetando de tudo em seu corpo. maconha , cocaína, ecstasy, LSD, morfina, ópio. seu falso bom senso lhe impedia de começar uma empreitada na onda do crack, curiosamente Dener possuía o pensamento de que ser um cracudo era humilhação demais até para ele, de alguma forma ele se sentia superior aos consumidores de tal veneno.

tomado pela insanidade ele rastejou até seu carrinho de utensílios vasculhando cada um dos seus inúmeros compartimentos de produtos de limpeza, até que encontrou. Seus olhos brilharam como se um diamante precioso o tivesse sido entregue naquele momento. mas era apenas a ponta de um baseado que não deveria ter mas que seis centímetros, mas era tudo que Dener precisava para aplacar seu desejo por prejudicar ainda mais seu corpo.

trancando a porta do almoxarifado, ele acendeu seu miserável quase inexistente baseado, e se deleitou com as duas únicas tragadas que conseguiu efetuar, ele sorriu em alívio como se uma dor insuportavelmente forte estivesse sendo diluída pela erva enrolada em um pedaço sujo de seda, muitos tentam se livrar do vício e entendem o quão destrutivos eles podem ser, mas Dener não pensava assim, ele amava as drogas tanto quanto a si mesmo. e é aí que estava o perigo.

16:58

O badalar do enorme relógio de ponteiro na praça de alimentação do GranMast Shopping soava lentamente enquanto Dener passava pano no chão, ele mal terminava de concluir a limpeza de uma área , quando outra já estava amundiçada por lixos descartáveis , mas naquele momento em especial ele não se importava de ter que limpar cada canto do Shopping, Dener estava "alto" e passando o pano no chão com um sorriso vivido e iluminado no rosto. sua simpatia com os clientes eram destacadas e elogiada, era como se as drogas despertassem a melhor versão de Dener, ele sentia que poderia ser alguém incrível enquanto a ilusão durasse.

— Den !?. —uma voz desagradável soou em seus ouvidos. e Dener búfou como quem dizia " a fala sério puta que pariu".

ele se virou apenas para encontrar Mathias, que exceto pelos seus olhos verdes, o sujeito era completamente indecoroso com seu corpo chupado e seco, canelas e pulsos cadavéricos ,seus dentes eram obscurecidos, e seus olhos mesmo com a tonalidade atraente não possuíam luz como se não houvessem vida neles .

— que caralho tá fazendo aqui!?.— sussurrou Dener se contendo para não gritar com Mathias.

— Não é esse tom de voz que você usa quando quer ficar chapado. —disse Mathias com tranquilidade.

— vai se fuder aqui é o meu trabalho porra .— seu punho apertado envolta do cabo da vassoura e a temporã sobressaltada mostravam a tensão de Dener.

— Calma Den...eu só vim comer algo e te vi, não achei que seria um problema dar um oi ao meu melhor cliente. —a lábia serpentina de Mathias o fez recuar.

— Mathias aqui não por favor. —implorou Dener em sussurros entre os dentes.

— Den? realmente acha que eu quero te prejudicar?.— Mathias perguntou.

Dener não tinha uma resposta apropriada então optou pelo silêncio.

— Escuta só queria te passar a visão de que chegou um carregamento novo, como é um dos meus melhores clientes , e amigo é claro, tive que te dar a notícia em primeira mão , mano. como sabe estou a sua disposição . a voz de Mathias soou sem pretensão.

— tá legal qualquer coisa eu entro em contato com você.— disse Dener duramente.

— estarei aguardando , e pra não dizer que de fato não vim com boas intenções .

Mathias pegou um copo solitário com algo cremoso com aroma de morango pela metade e despejou o conteúdo aos pés de Dener, o líquido grosso ao colidir com o chão pré-esfregado por Dener se espalhou em pequenos gotejos de milk-shake, sujando as botas e a calça de Dener no processo.

— agora tem mais trabalho para você.. de nada. —disse Mathias se virando e indo embora.

em algum lugar de sua mente, Dener se imaginou dando diversos tiros na cabeça de Mathias, mas ele conhecia a si mesmo e sabia que ele podia ser um drogado de merda e um viciado egoísta mas não era um assassino.

e também ele conhecia Mathias , quando saiu da casa de Dona Cecília em sua adolescência, Dener conheceu pessoas e uma delas foi Mathias ,ambos tinham inúmeras coisas em comum, o fato de crescerem sem pais e serem exemplos de sobreviventes nesse mundo onde mães boas morrem, e pais cruéis abusam de seus filhos, Dener havia encontrado alguém que parecia entender o que ele sentia e que compartilhava de pensamentos similares, não levou muito tempo até ambos se admirarem como irmãos, e foi exatamente isso que se tornaram, irmãos. ambos se apoiavam e aceitavam, porém atritos imergiram entre os rapazes e dilemas e moralidades foram postos em cheque.

após Mathias receber uma proposta para se filiar ao tráfico local quando os garotos tinham 18 anos, Dener mesmo já sendo usuário de inúmeras substâncias não achou a proposta algo admirável e tentou resgatar um Mathias já ludibriado com as falácias de quem mas tarde seriam seus patrões. porém o resultado foi apenas o rompimento da amizade de ambos, suscetível a isso tempos depois Dener descobriu que o tráfico e principalmente seus fornecedores estavam a comando da gerência de Mathias que adotou o vulgo "perverso". então fazendo de Dener de fato o que Mathias dissera . seu cliente.

— Filho da puta. —pensou Dener enquanto se curvava pra limpar a sujeira que Mathias fez .

18:44.

Dener borrifou os últimos resquícios de seu perfume o espalhando de forma igualitária em seus ombros e pescoço, ele se olhou no espelho, e pensou o quão bonito estava. e de fato Dener se encaixava na categoria de jovens de vinte e dois anos bem-afeiçoados, seu cabelo negro como carvão estavam uniformes e bem penteados , seus olhos eram escuros mas brilhantes, e mesmo com o consumo de tantas substâncias ele era de uma incrível boa aparência, com seu corpo esguio porém atlético, seus sorrisos emitiam covinhas em ambos os lados de suas bochechas, ele queria possuir a pele morena como de sua mãe e a de Angela, mas foi a tonalidade Clara da pele de seu pai que predominou em sua genética .

sua barba estava ralá e seu bigode bem visível, o que o fez ter um pequeno vislumbre que causou desconforto nele, mesmo ele odiando , Dener era uma réplica de seu pai na juventude, ele tentava não pensar muito sobre isso mas era um fato inalterado.

rapidamente com uma lâmina de barbear, ele se livrou de cada mísero pelo facial até que a sensação de que seu pai estava o encarando em seu reflexo desaparecesse por completo.

— sim. esse sou eu .— ele pensou ao lavar o rosto na pia .

o banheiro dos funcionários estava vazio. ele cogitou em arrumar algo para aliviar o estresse e fazer o Dener extrovertido sair para fora antes de seu encontro com Ester , mas desistiu rápido da ideia por nunca conseguir esconder dela quando estava chapado .

19:30.

Dener estava novamente no jardim a espera de Ester, ele não queria que ela o visse de mãos vazias ,então do mesmo emaranhado de flores que ele roubará a rosa que entregou a Ester mais cedo, ele fez um buquê com flores multicoloridas e as enrolou com uma fita de tom a laranjado, ele tomou cuidado para cobrir delicadamente os espinhos , se perguntando a cada volta que ele efetuava em torno do talo do buquê com a fita, se ela iria gostar ou achar brega e desnecessário. até porque eles não são namorados, ao menos Ester nunca deixou qualquer centelha de que algum sentimento que não fosse o de amizade existisse entre eles.

Essa dúvida o deixou intrigado, porém ele estava surpreso , como esse tipo de pensamento jamais lhe ocorreu?. será que Ester em algum momento lhe derá alguma dica de que a amizade dele não era seu único objetivo.

ele resmungou um palavrão quando mordeu seu próprio dedo enquanto devorava as unhas .

— Recomponha-se . —ele ordenou a si mesmo .

Ele levantou a cabeça ligeiramente quando percebeu a aproximação de alguém, e lá estava ela , simples com calça jeans estilizada, um tênis al-star rasteiro preto, e uma camiseta branca com babados cobrindo o busto, seus cabelos estavam soltos e seus cachos bailavam na brisa fresca daquela noite , seus olhos esmeraldas brilhavam com intensidade com as luzes dos refletores noturnos do shopping, que estava lotado aquela noite.

Dener se viu embasbacado com a beleza De Ester , obviamente eles já saíram juntos outras vezes , e ele já a viu tão linda quanto hoje, toda via o pensamento de mais cedo parece ter despertado algo dentro dele.

— Está atrasada. —brincou Dener relembrando o que ela disse para ele quando o dia começou.

Ester em sua fisionomia manifestou uma falsa raiva logo um sorriso indicando que ela se lembrava.

— Então estamos empatados?.— perguntou ela.

—acredito que sim. —ele Respondeu com um sorriso.

ambos começaram a caminhar lado a lado, ela envolveu seu braço entorno do dele formando um elo de corrente. andaram dessa forma até a saída do Shopping. como seu pagamento havia sido debitado há dois dias , ele prontificou a si mesmo a pagar por tudo, então chamou um táxi, e como um cavalheiro abriu a porta para que ela entrasse, ambos gargalharam com a cena.

Dener podia dizer que era verdadeiramente feliz ao lado de Ester , entre eles não havia tensão , ou qualquer tipo de desconforto ou constrangimento, ambos conheciam os seus limites porém sua liberdade um com o outro era tão grande que eles se permitiam serem quem eles realmente eram.

Ester por exemplo , era extremamente autêntica , altruísta, sensata e infinitamente irônica, porém com a maior capacidade de amar que Dener já pode testemunhar em alguém da sua idade , ele a admirava por conta da gentileza e dedicação que ela tinha em tudo que se propõe a fazer.

já ele próprio era o oposto , porém ela não ligava , pós Ester enxergava algo bem no interior de Dener, algo que ela sabia que valia a pena .

20:31.


— É sério que ele te deu cem reais de gorjeta só por que você elogiou o cabelo dele. —disse Dener dando risadas entre-cortadas .

— Para, era um corte de cabelo bastante exótico tá.— Ester ria radiante ao dizer.

— sabe Ester eu estava precisando mesmo disso, tá tudo tão foda lá forá.

— eu sei Dener, imagino como as coisa estejam sendo pra você, mas sabe eu acredito que vão melhorar. —disse ela com olhos repletos de ternura.

— tem ido as reuniões do N.A?— ela perguntou.

ele respondeu que sim , mas a verdade é que a mêses ele não ia a uma reunião se quer.

Ester sabia que ele estava mentindo mas o clima e o ambiente entre eles estava tão agradável que não seria ela a estragar.

— que bom. estou orgulhosa de você, sei que vai conseguir sua sobriedade de volta.

21:03 .

O prato principal já havia sido servido e eles se deliciaram, com costelas de carneiro assada e sopa de tomate italiano, partindo para a sobremesa ambos pediram bolo de chocolate com sorvete de baunilha flambado.


— Não, não é como se Jesus Cristo ,ou o próprio Deus em pessoa se revelasse a mim , é como uma sensação. algo sobrenatural e difícil de explicar, uma experiência única sabe?. —disse Ester

não ele não sabia , Dener em todos os seus vinte e dois anos sempre se sentiu tão próximo de Deus quanto o Brasil das Filipinas. ele acreditava na existência desse ser que ele julgava indiferente com sua dor e de sua irmã mas não por fé ou religião mas sim por que Deus foi seu principal alvo de culpa por conta de toda infelicidade que o acometeu em sua vida.


— Na verdade não, mas deve ser algo incrível. —disse ele tentando parecer fascinado com cada palavra de Ester.


— Acredita Nele?.— perguntou Ester olhando nos olhos de Dener .

— Sinceramente?, acreditar talvez, ter fé definitivamente não.

a resposta de Dener pareceu a ter surpreendido mais seus olhos se fixaram nele com ainda mais intensidade.

— Ele acredita em você.— disse ela com a mesma ternura, porém transpassando uma certeza que o fez se perguntar se ela estava certa.

o resto da noite rodopiou em torno de conversas casuais e agradáveis entre os dois, ele a colocou em um táxi e se despediu com um beijo na testa que era sua marca registrada para com ela, ela fez o mesmo gesto e se foi.

a caminho de casa as perguntas de Ester a respeito de Deus , perduraram insistentemente em seus pensamentos,

ele se perguntou como era possível ela amar e ter um relacionamento com alguém que ela não ver ,não toca e não ouve,

ele se lembrou da palavra que tornava as afirmações dela possíveis , Fé, segundo Ester essa pequena palavra comportava a chave para acessar ao todo poderoso e seus insondáveis propósitos.

"que se foda".

ele balançou a cabeça expulsando todos os pensamentos em relação a Deus .

22:38.

apenas quando chegou em casa Dener se deu conta do quão exausto estava , seu corpo clamava por sua cama mas ele se lançou no chuveiro quente. enquanto o vapor o envolvia e água colidia com sua pele , ele lembrava de cada sorriso que Ester lhe ofertou hoje, ele não sabia o que estava acontecendo, talvez ele estivesse se apaixonando por ela , ou talvez sua carência por alguém tenha chegado ao limite , pós Dener lembrava muito vagamente da última vez em que seus lábios tocaram outro .

aleatoriamente sua Playlist reproduziu "Stuck on you" - Lionel Richie. e então ele dançou, Dener era um bom dançarino, ele se enrolou em sua toalha e dançou pelo banheiro até a cozinha , na cozinha ele aspirou uma fileira de cocaína, que o fez se sentir insanamente vivo e ainda mais alegre, cantando Stuck on you, a plenos pulmões, ele subiu as escadas performando alguma coreografia louca moldada por sua mente alucinada e eufórica, ele fumou um baseado e deixou outro preparado para o dia seguinte, ele subiu as escadas e andou até seu quarto que estava exatamente como ele deixou pela manhã, ele dançou e cantou usando seu celular como microfone, apenas a dor árdua e o sangue escorrendo na sola dos seus pés o fizeram parar, ele olhou para o chão e viu os cacos de vidro do copo que ele derrubou mais cedo, quando estava atrasado para o trabalho. por não conseguir encostar o pé no chão ele se lançou nu na cama, ainda entorpecido pelas drogas e o cansaço. ele olhou novamente para seu pé mirando os fragmentos de vidro ainda acoplado em sua pele , ele pensou no como a dor era infinitamente menor comparado a sensação do objetivo final. no caso dele era o êxtase de está drogado

então ele ouviu como um Sussurro em seu ouvido a seguinte frase.

— " Eu pensei a mesma coisa quando morri na cruz por você. "

ele levantou assustado se perguntando de onde veio a voz e se de fato foi real, deitando novamente ele olhou pro teto , respirou fundo e soltou todo o ar de uma só vez, e concluiu supondo que já tinha passado dos limites nas drogas por um dia, pos já estava ouvindo coisas. concluindo ele disse.

— mais um dia normal .
























19 de Maio de 2022 às 13:08 17 Denunciar Insira Seguir história
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Leia o próximo capítulo ● CAPÍTULO 2- Dependências.

Comente algo

Publique!
P Pabline
Arrasou irmão tá incrível
MS Marina Soares
Amei Ester !!!!!!!!
MD Magno Dantas Bento
Quase uma hora de leitura pra algo genérico e sem enredo . Muito chato.
ME Marcela EDITORA ROCCO
Intrigante e curioso , o detalhamento dos fato é a linha do tempo entre eventos e muito bem feita parabéns! , adorei o método de usar as horas para marca períodos.
IC Isabel Cortez
Tem palavrão e drogas só falta sexo pra dar certo kkk, brincadeiras as parte muito interesse gostei parabéns pela escrita.
CS Caio Senna
Já sou fã!
May 31, 2022, 17:19
Luis Felipe Luis Felipe
Boa escrita, gostei bastante.
May 25, 2022, 23:20
F Fabíola Matos
Que texto expressivo!, Ester é a própria sensatez em pessoa , estou apaixonada por ela .
May 25, 2022, 10:41
ED Elinelza Da Silva Monteiro
A falta de limitações no palavriado dos personagens talvez impessa que sua história seja verificada mas boa sorte goste muito desse capítulo.
May 23, 2022, 13:13
LL Luis LEITURA BR
O tema do capítulo com a sacada da última fala do protagonista foi bem legal.
May 23, 2022, 13:07
AS Ana Santana De Castro
28 minutos de leitura porém o único desenvolvimento interessante foi a voz que ele escutou no final. E o trecho não dura nem duas linhas, espero que seja melhor explicado no próximo capítulo.
May 23, 2022, 12:26
M Martha Munhoes
Já vi que vai ser aquela típica história clichê que amamos ler !
May 23, 2022, 12:16
FM Felipe Melo
O final deu até um arrepio kkk quando Jesus falou com ele (spoiler)
May 23, 2022, 10:52
Thaina Silva Thaina Silva
Dener e o reflexo de muitos jovens adultos na sociedade, a dualidade conflitante que o personagem mostra e muito interessante. Parabéns que Deus abençoe sua obra.
May 23, 2022, 10:27
RS Ricardo Saraiva
Boa tarde meu jovens, queria primeiramente destacar o seu detalhismo com as emoções do personagem, estou intrigado com o desenrolar da história e achei curioso o final do primeiro capítulo. Por favor continue a escrever mais capítulo.
May 21, 2022, 18:44
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