mahbcm Maria Luiza

Se eu soubesse que minha vida de mais infelicidades teria se decidido naquele dia, na conversa e no riso de Jonas, eu teria ficado em casa...


Histórias da vida Todo o público.
4
491 VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

Um novo começo

As lágrimas brotavam quentes e pareciam ferver ao decorrerem meu rosto já cansado. Elas caíam na horizontal, indo até meus ouvidos e molhando meu travesseiro. Eu estava sendo atacada pelo choro que insistiam em cair todas as noites; meros reféns dos meus desgostos acumulados. Cubro a boca e seguro a respiração, tentando conter os soluços. Um soluço contido, palavras não ditas, tantos beijos e abraços falsos...

Sua respiração ao meu lado só tornava mais amargo e pesaroso o meu pranto. Inspirando e expirando, o peitoral subindo e descendo, os olhos em linhas retas e serenas, a barba por fazer e o cabelo pintado de preto amassado pela fronha. Jonas ainda era dolorosamente belo para a idade em que se encontrava.

Não me avisaram que uma vida poderia dar errado tantas vezes. O certo é que dias ruins aconteçam para que dias bons venham, mas onde estavam os meus dias bons, os dias de glória? Provavelmente guardados em uma gaveta repleta de documentos perdidos e esquecidos...


[...]



Quando conheci Jonas, eu tinha acabado de sair de um casamento angustiante. O matrimônio consistia em eu sempre terminar no chão, encolhida sob proteção da parede fria e dos pisos gélidos, sangrando pelo nariz e com feridas pelo corpo.

No início do meu primeiro casamento, tudo estava sucedendo de forma brilhante. Algumas semanas após as núpcias, descobri que a paixão dele por álcool era desastrosa, findei por entender o que era ter um marido violento. E, para terminar toda a desgraça, soube que ele me traiu com minha irmã... Eu não sei por parte de quem foi a maior traição.

Era um casamento arranjado, sempre foi óbvio que não daria certo, mas eu, como em todas as vezes que errei, queria acreditar que estava enganada. Eu tinha apenas 17 anos, não entendia bem a vida.

Fiz de tudo para conseguir separar dele, e por fim consegui. Veja só, a primeira coisa que conquistei na vida foram papéis de divórcio. Na época, o divórcio não era bem visto pela socidade, mas aprendi a seguir em frente. Após me livrar de tanto sofrimento, que durou três anos, passei a frequentar bares e a fumar: outras coisas que não eram bem vistas por todos, principalmente quando se é mulher. E, frequentando um desses bares, sentada em um banquinho de madeira sem encosto, debruçada no balcão de mármore, bebendo um copo de Marguerita, foi que começou uma outra fase da minha triste vida...

25 de Abril de 2022 às 13:50 0 Denunciar Insira Seguir história
3
Leia o próximo capítulo Se eu soubesse...

Comente algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~

Você está gostando da leitura?

Ei! Ainda faltam 5 capítulos restantes nesta história.
Para continuar lendo, por favor, faça login ou cadastre-se. É grátis!