mahbcm Maria Luiza

Marujos navegando sobre Carmona. Uma aventura de Maverick e sua tripulação agitada. Cartas, canhões, amores, um francês falante, intrigas e muito vinho. Descobertas de novas terras e perdas...


Aventura Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#aventura #Marujos
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Novos Planos

— Uma tempestade forte vem vindo, marujos! — esbravejava Maverick, o capitão, fitando atentamente as nuvens escuras que se aproximavam com o vento e segurando a aba de seu Três Pontas. — Içar velas, Guinar para estibordo! Não podemos passar por mais uma tempestade... não nessas condições... — murmurou as últimas palavras.

Os fios de cabelo que não permeneciam dentro do Três Pontas balançavam com o vento incansável e seus olhos se estreitavam mais a cada onda de ventania. O olhar preparado analisava as condições do mar. O sorriso de canto, já a muito conhecido pelos marinheiros, que se esticava com facilidade, agora morria aos poucos. A emoção de uma tempestade era sem igual, mas era provável que Carmona não aguentaria mais um temporal bruto como aquele.

Os homens obedeceram de imediato. Confirmando em uníssono:
— Guinar para estibordo!

Pierre começara a cantarolar uma música em francês que ele mesmo criava, assim como sempre fazia quando as coisas ficavam "interessantes", ou seja, quando as coisas pareciam desandar.

Les vagues de la mer ont I'intention de nous emporter... — cantava alegre, enquanto içava as velas.

— Oh, cale essa maldita boca, Pierre! — Jonas o interrompeu. — Sempre que parece que vamos morrer, você começa a cantar. — contestou içando o outro lado das velas.

O Francês riu. Balançando a cabeça, fazendo com que os brincos balançassem junto com seus cabelos loiros amarrados para baixo e fechando os olhos.

— Mas é claro, mon ami! A vida foi feita para sorrir e beber. Não importa se vamos morrer, devemos cantar e rir. — retrucou, com seu sotaque mais aguçado devido a situação emocionante.

A discussão estava a todo vapor, ainda mais quando Pierre disse a Jonas que ele mesmo faria o favor de jogá-lo no mar para uma baleia o comer. Jonas odiava que o comparassem com um personagem bíblico, pois dizia não acreditar nisso.

Mas ambos pararam quando ouviram a voz alta de Maverick soar de cima do convés:

— Parem com essa discussão e façam esse navio virar... a não ser que queiram se tornar comida dos brancos.

Os marujos estremeceram apenas de lembrar dos temidos monstros: enormes tubarões preto e branco, que atingiam de nove à onze metros. Sem falar das histórias incontáveis de piratas, tendo seus navios naufragados, que foram vítimas desses demônios. Mas os brancos tinham algo que os tubarões comuns não tinham: sua forma de "brincar" com os homens. Nenhum marinheiro havia sobrevivido para contar o quão aterrorizante é ver a barbatana de um Branco inclinada saindo da água.

Enquanto os marujos faziam o possível para que o navio desviasse da tempestade, Maverick baixou o olhar para Ragnar, que estava desenrolando uma corda que ficava dentro de um dos barris. Fez um movimento de cabeça que significava: "Na minha cabine, agora". Ragnar assentiu, guardando a corda e passando a marchar em direção a cabine.

Fechou a porta da cabine atrás de si, abafando as vozes berrantes dos marinheiros. Maverick estava de pé, com as duas mãos apoiadas sobre a superfície de madeira, observando o mapa, que ia de uma ponta a outra da mesa retangular. Estava sem o Três Pontas, ficando com os cabelos livres. A luz amarelada sobre a cabeça de Maverick balançava devido as ondas agitadas que batiam violentamente contra o casco do navio. Os olhos amarelos de Maverick estavam atentos no papel envelhecido, como se quisessem memorizar cada detalhe. Ragnar se aproximou da mesa e juntou as mãos atrás das costas, olhando em frente, como um soldado taciturno e arrogante.

— Posso saber para quê me chamou aqui? — questinou.

O capitão levantou os olhos para o marujo à sua frente, com sua carranca que geralmente signficava que tinha algo dando errado. Ragnar ficou alerta. O moreno já esperava más notícias, no entanto, quando o rosto de Maverick suavizou e um risinho apareceu em seu rosto, ele relaxou, soltando o ar que prendia e amenizando a tensão de seu rosto.

— Se lembra da vez em que meu pai nos fez fazer o teste para "virar homem"? — indagou sorrindo.

Ragnar sorriu fraco, não poderia esquecer nunca as loucuras e aventuras que estivera e fizera junto com Sirius e Maverick, mas então voltou a ficar sério. Não conseguia entender onde ele queria chegar falando sobre os velhos tempos, ou sobre seu pai.

— Claro que lembro... mas acho que não é momento para lembranças, Maverick.

Ragnar era o único marujo que chamava a Maverick pelo nome (só quando não estavam na presença dos homens, é claro), não por falta de educação, mas sim porque cresceram juntos e tinham intimidade o suficiente para tal costume.

— Eu sei disso. — baixou os olhos para o mapa, parando de sorrir. —A questão é que precisamos voltar para aquela ilha...

Ragnar arregalou os olhos.
— O quê? — franziu as sombrancelhas. Sabia bem qual ilha o capitão se referia. — Não podemos. — olhava para Maverick, o fitando com seriedade.

Temos que voltar para lá. — dizia sem tirar os olhos da mesa.

— Pense bem, Maverick, Drako foi morto por... — tentava evitar dizer aquilo, pois sabia que seu amigo não gostava da acusação. — por nativos naquele lugar!

O ódio na voz de Ragnar, falando dos indígenas,era claro.

— Drako não foi morto por nativos! —bateu a mão contra a mesa. — Não diga o que não sabe! Não acuse um povo inocente!

Ragnar apertou a mandíbula e desviou os olhos para a parede ao lado, onde estava pendurado um quadro com o desenho do navio pirata de Sirius, pai de Maverick. Ragnar achava Maverick um homem imparcial demasiado, nunca julgava algo antes de conhecer. Mas agora, vendo o desenho, lembrou-se de Drako pulando a prancha e nadando livremente na água, como se não tivesse medo de nada. Como podia ser tão corajoso a ponto de voltar para o lugar em que Drako faleceu?

— Drako morreu de uma doença chamada Malária. — tornou a falar, tirando Ragnar de seu devaneio.

— Mesmo assim, — voltou os olhos para Maverick. — não podemos voltar. —

— Ele deixou algo lá antes de morrer... preciso buscar. — disse entre dentes. — Ele mesmo me pediu. — sussurrou.

Ragnar entreabriu a boca para contrariar o capitão novamente, quando a porta se abriu bruscamente. Eles dois miraram a porta. Como sempre: era Pierre, com um sorriso no rosto e os cabelos molhados, que estava no vão da porta olhando para Ragnar e Maverick. Anunciando estrondosamente:

— Conseguimos, Capitaine!

Olhou para ambos e, vendo suas expressões, se retraiu, pois percebeu que havia atrapalhado algo crítico. Alejandro apareceu de repente e o puxou pelo ombro, murmurando algo como:"Pare de incomodar o capitão!", fazendo o francês se desequilibrar e quase cair para trás, enquanto tentava alcançar a maçaneta para fechar a porta e deixá-los em paz, mas então Maverick saiu de trás da mesa, sorrindo e dizendo:

— Deixe o pobre Pierre! — pediu saindo da cabine, atravessando a porta, abrindo os braços e olhando para o marujos. — Peguem os vinhos, as cervejas e tudo o que tivermos. Vamos festejar!

Os piratas deram gritos de alegria. Pierre se desvenciliou bruscamente do aperto de Alejandro em seu braço esquerdo e passou a cantar outra canção, algo como:

Vins et bières pour les marins fatigués!

Ragnar sabia que não conseguiria o fazer mudar de ideia. Maverick era alguém que, com uma ideia na cabeça, seria mais fácil que cortassem seu pescoço. E a tripulação o seguiria, pois eram leais a ele e dariam sua vida por ele...

27 de Abril de 2022 às 22:05 4 Denunciar Insira Seguir história
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Glaon Cruz Vilela Glaon Cruz Vilela
Muito Bom. :)
May 21, 2022, 18:14

  • Maria Luiza Maria Luiza
    Muito obrigado por ter lido :D June 03, 2022, 00:15
GUILHERME SANTOS DE FREITAS GUILHERME SANTOS DE FREITAS
Cara o primeiro capítulo ficou incrível, bom trabalho!
May 10, 2022, 16:23

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