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Alisson Barbosa


Uma agência de atores realiza um evento em busca de novos talentos. Devido a dificuldades financeiras, Kate Taylor é uma jovem de 18 anos que decide tentar a sorte no mundo do entretenimento, arriscando passar na audição que irá decidir sua vida no showbiz. Com isso ela acaba chamando a atenção de Arthur Green, um certo diretor que vê um incrível potencial que a garota tem para a atuação, potencial esse que pode ser a chave do seu sucesso ou a fonte de sua ruína.


Histórias da vida Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#Drama #cinema
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Capítulo 1

Kate

Até o diretor dizer "corta", por um certo tempo eles presenciam a vida de outra pessoa, vivenciando outras eras e até mundos ou uma simples vida cotidiana. Os responsáveis por essa forma de entretenimento são conhecidos como atores...

Fecho o panfleto e o coloco em um dos bolsos do meu moletom enquanto olho ao redor, um tanto nervosa em meio a dezenas de mulheres lindas.

Todas estão ridiculamente bem vestidas e esperam sua vez nessa fila, organizada em um salão enorme dentro de um prédio tão grande quanto.

A colossal agência de talentos Galaxy faz audições anuais, mais de vinte mil pessoas se reúnem ao redor do país, inspiradas pelo seu sonho de brilhar no estrelato ou pelo menos ter um espaço no mundo do entretenimento.

Quanto mais fico aqui mais penso que esse não é meu lugar, todo esse ambiente é meio... Chique demais para mim, sabe? Sou uma garota comum, não me considero a pessoa mais feia desse mundo, mas em meio a essas mulheres que parecem ter saído de uma revista de moda, sou apenas uma gata assustada em meio a leões.

— Moletom? Isso é sério? — resmunga uma garota loira logo a minha frente, seguido de várias pequenas risadinhas.

— Bom...sim — respondo de forma meio tímida, logo depois diversas outras garotas a sua frente soltaram algumas gargalhadas.

Acho que sei o porque riem, todas elas estão simplesmente incríveis, vestidos e roupas fantásticas e eu... Bom eu estou como sempre, um moletom cinza, calças jeans e tênis all stars, não possuo muitas roupas então minhas opções são meio limitadas, na verdade, mesmo se eu tivesse um guarda-roupas cheio, ainda acredito que não iria conseguir me vestir bem, não tenho senso de moda e acabo me preocupando mais com meus irmãos menores do que comigo mesmo.

Mesmo assim, é meio cruel rirem de outra pessoa só pela maneira que ela está vestida, mas parece que as coisas funcionam desse jeito para algumas pessoas.

As próximas candidatas já podem entrar

A voz nas caixas de som localizadas em algumas paredes da sala, indica que a sessão atual já havia terminado.

Com isso, outro grupo de oito garotas saem do salão, onde todas aguardam na fila e vão até a grande porta de vidro, logo em frente. Dois homens de terno que ficam de guarda, abrem espaço para as meninas passarem, enquanto às oito candidatas anteriores esperam as atuais entrarem, para poder sair.

Se não houver nenhuma mudança mágica nos planos, eu entrarei na próxima sessão.

De repente, me surpreendo ao ver alguém atrás de mim, colocando uma das mãos sobre meu ombro.

— No fim, só sua atuação importa.

Ao me virar, vejo uma garota tão deslumbrante quanto as outras, usando um vestido que realça bem o azul de seus olhos, junto aos seus lindos cabelos cacheados. Ela me encara com um sorriso gentil, completamente diferente das outras que parecem cobras.

— É, você tem razão.

Logo depois da minha resposta, ela continua - mas é estranho, a última sessão demorou dez minutos, a anterior, quinze e a primeira trinta, é como se...

— Se não estivessem querendo perder tempo com lixo? - a empatia em pessoa que está na minha frente interrompe.

— Eu não iria dizer isso.

— Não importa, é isso que estão fazendo.

— Como pode ter tanta certeza? E não acha isso meio cruel de se dizer? — pergunto.

— Esse é o mundo do entretenimento "amiga", mas não é como se alguém como você, que eu nem ao menos sei o que está fazendo aqui, fosse entender.

Encaro a resposta dela com um certo desconforto, eu sei bem que não me encaixo nesse meio, meu irmão que insistiu a minha presença aqui, ele sempre diz que eu seria uma atriz genial, que nasci para isso, que não me imagina de outra forma no futuro e outras coisas gentis. Ele é muito atencioso e se faz bastante de durão, apesar dos seus nove anos, só espero que nossa condição atual não esteja fazendo com que ele e minha outra irmãzinha, gêmea dele amadureçam rápido demais.

Apenas abaixo um pouco minha cabeça e olho para o chão meio magoada, como não? Aquela garota basicamente jogou na minha cara o que eu já sabia desde o momento em que passei pela porta desse prédio, só aceitei vir aqui depois de muita insistência do meu irmãozinho e como fui demitida do meu último emprego, não havia nada a perder, com exceção da minha pouca dignidade.

— Apenas ignore — a garota do vestido azul diz enquanto coloca sua mão em um dos meus ombros novamente — Qual o seu nome?

— Kate... Kate Taylor, e o seu?

— Jéssica! — ela reponde com um sorriso tão contagiante que me senti na obrigação de sorrir de volta.

As próximas candidatas já podem entrar

Chegou a hora da verdade, vou indo junto as outras sete meninas, todas aparentemente meio nervosas e eu não estou diferente, Jéssica está entre elas o que me dá um certo alívio, porém a senhorita empatia também veio junto com um rosto confiante, praticamente jogando seus loiros cabelos para trás ao começar a andar com uns saltos aparentemente mais caros que o meu guarda-roupas inteiro.

Passando pela porta de vidro foi-se possível ouvir um" boa sorte "dos rapazes de terno, enquanto todas incluindo eu, acenam com a cabeça um "obrigada" a senhorita empatia ignora e continua andando com seu jeito metido e eu digo isso sabendo que todas aqui andam como se estivessem em passarelas e mesmo assim essa garota consegue se destacar de uma maneira irritante.

Depois de um corredor relativamente longo, todas nós passamos por outra porta que dá acesso a uma sala fechada com uma grande mesa de madeira no fim e algumas pessoas que parecem ser os "juízes" sentadas, até que um deles começa a falar.

— Bem-vindas meninas, iremos iniciar o teste em poucos segundos, por favor se alinhem aqui em frente.

Exatamente cinco pessoas estão sentadas na grande mesa no centro do salão, uma mulher de meia-idade com cabelos loiros amarrado em um coque fica nos olhando fixamente em silêncio. Ela parece ter muita classe e a maneira que se veste mostra isso, seu olhar verde é penetrante, como se estivesse olhando para cada meticuloso movimento nosso e isso me deixa com um pouco de frio na barriga.

Outra figura que me chama a atenção é um cara na casa dos trinta com um pequeno rabo de cavalo, barba curta, olhos castanhos, pele branca ligeiramente bronzeada e sinceramente o que me surpreende é o fato dele está com o dedo no ouvido, coçando com uma certa... Convicção?

Eu oficialmente tenho medo de um dos juízes e acho o outro estranho, os demais são mais bem encarados/ normais, incluindo o que estava falando.

Quando finalmente nos alinhamos em frente a mesa, a mulher que nos encarava desde o segundo em que entramos naquela sala finalmente começa a falar, me pegando de surpresa.

— Eu quero uma expressão que demonstre tristeza.

Sua voz saiu em um tom suave, porém firme, todas as outras entenderam logo de início o que ela quis dizer e começaram a mudar suas feições no mesmo instante, eu demorei um pouco para absorver a informação, graças ao coceirinha alí que me distraiu.

Uma expressão de tristeza.

Suas palavras tocaram em mim, bem lá no fundo. Imediatamente me lembrei da mesma sensação que eu tive após a morte da nossa mãe, tive que me fazer de forte na frente dos meus irmãos que choravam tanto, de joelhos ao lado daquela maca... mordi o canto dos meus lábios com força na tentativa de segurar minhas emoções como nunca segurei, meu campo de visão, meio borrado por estar encharcado, observava os dois naquele estado, agachei... Os abracei de uma forma que não conseguissem ver o meu rosto e então... As lágrimas saíram livremente dos meus olhos enquanto sentia o gosto metálico de sangue na minha boca.

Quando do por mim, os juízes estão me olhando perplexos, lágrimas escorrem pela minha bochecha enquanto coloco uma das minhas mãos sobre os lábios, me surpreendo ao ver que está sangrando um pouco.

— Já vi o suficiente — pronúncia a mulher ao centro da mesa, dando um fim na audição.

Todos os juízes me encaram surpresos, as demais garotas não entenderam muito bem o porque já que provavelmente estavam mais preocupadas com os próprios desempenhos.

Logo em seguida outro dos juízes diz que já podemos nos retirar e o resultado dos testes chegará em breve por correspondência. Todas presentes, incluído eu, agradecemos e deixamos a sala logo em seguida.

28 de Março de 2022 às 20:37 0 Denunciar Insira Seguir história
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