lucas-santos1629834214 Lucas Lira

Este livro é a continuação de: Zenon; a vampira e o caçador. Depois dos últimos acontecimentos,  da suposta visão e a escolha de íris; nossa dupla parte em uma empolgante viagem para a terra natal da vampira, Londres; onde pretendem acabar de vez com toda essa maldição. Além da eminente ameaça  de novos ataques da bruxa, ágata, que busca ressuscitar as bestas lendárias; e uma profecia horripilante, que ameaça a Longa existência do caçador  ;  a dupla tem a árdua missão de encontrar o vampiro responsável por todo o infortúnio de íris, e pela morte da antiga parceira de Zenon; Jasmine. Amor, ódio, vingança, intrigas,  e grandes aventuras, aguardam nossos desbravadores, na segunda e ultima parte dessa caçada mortal.


#5 em Aventura Todo o público.

#Zenon
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A Partida

A profecia de Lucia

Íris e Zenon encontravam-se sentados no aeroporto internacional de Manaus, enquanto aguardavam o voo que partiria para Londres

Foi difícil encontrar um voo sem conexões até a capital britânica. Por sorte acabaram encontrando um que partiria em breve.

Enquanto aguardavam, Zenon fazia várias pesquisas em livros e em seu notebook, afim de descobrir como encontraria o vampiro que a mais de vinte anos não sabia notícias.

íris, estava preocupada com algo que aconteceu minutos antes, o que a faz interromper o caçador:

- estou receosa com o que a vó da Júlia nos disse.

Zenon, olhando-a de rabo de olho, a repreende:

- aquela velha é uma maluca; isso sim.

- mas e a profecia?

- eu sou de uma época em que profetas usavam cajados e comiam gafanhotos; e não avental, e ficavam sentados em uma cadeira de balanço. Agora se me permite: " a missão vem primeiro".

A verdade é que, como o voo só partiria ao meio dia, Zenon e íris acabaram aproveitando este tempo para encontrar um novo lar para Juliana. Como sua irmã e seu pai estavam mortos, e sua mãe internada em um manicômio, a decisão mais prudente com certeza era deixar a adolescente aos cuidados de seus avós.

Juliana se lembrava de cada detalhe, dos meses em que foi mantida na caverna, aos cuidados de Milena. Abordo de um carro popular, que Zenon “tomou emprestado” do estacionamento do aeroporto, a menina contava para o casal os detalhes de Seus dias como esfinge; detalhes horrendos, que por vezes a abalavam, de modo que ele segurava o choro.

- não é culpa sua. – Íris tenta a consolar.

- é sim. - a jovem irrita-se. – é tudo minha culpa.

- é verdade! - Zenon intervém, ríspido. - você fez coisas terríveis e machucou muita gente.

- Zenon! Não diga essas coisas. Ela é só uma menina - íris o repreende.

- ele tem razão. eu feri tantas pessoas. - a menina quase chorava de emoção. - até comi carne humana. - está lembrança faz Juliana não se conter mais, e prantear com as duas mãos no rosto.

- viu o que fez? - Íris, também no banco de trás, ao lado de Juliana, abraça-se com a moça.

- a verdade, é que você nunca vai poder mudar as coisas que fez. - o caçador continua, de olho no retrovisor, vendo apenas o reflexo da adolescente. – digo isso, pois ela também me obrigou a fazer coisas terríveis, no passado, só pelo seu bel prazer. por isso não te julgo. Se há alguém que sabe o que você está passando sou eu.

Juliana ergue a cabeça, o questionando com esperança:

- então me diga: o que fez para essa dor passar?

- ela nunca passa, Mas você aprende a conviver com ela. O fato é que Encarar seus erros de frente, faz parte do processo para superar suas dores. - Zenon conclui. – mostra que você tem coragem e não fica se escondendo atrás de desculpas esfarrapadas.

Por mais que suas palavras fossem duras, as duas meninas sabiam que Zenon tinha razão, por isso, até chegarem na casa dos avós da ex esfimge, o silencio reinou naquele carro.

Chegando à casa dos avós da menina, o trio é recebido por uma senhora raquítica, de pele escura, olhos castanhos bem profundos e uma longa cabeleira de fios brancos, de nome Lúcia.

Quando a senhora percebeu que o casal de desconhecidos havia trazido sua netinha, a velha muito se alegra e os convidam a entrarem, tomarem cada um seu assento e comerem alguns biscoitos.

- eu sabia que minha netinha retornaria. Os espíritos me garantiram que iam a trazer em segurança. - a senhora diz, sentada em uma cadeira de balanço na sala de estar da casa, enquanto afagava os cabelos de sua netinha querida, sentada aos pés da senhora.

- com todo o respeito, comadre. Os únicos espíritos ao qual a senhora deve alguma gratidão, sou eu, e esta elegante moça britânica, que está na sua frente.

- que coisa Zenon. - Íris repreende dando uma cotovelada em suas costelas.

- só estou dizendo que nós quase nos matamos para trazer essa jovem de volta para casa, sem contar a pobre da Júlia, que está com a alma presa a um smartphone, fazendo ligações de Setealém. Tudo isso para essa velha agradecer aos astros pelo nossos esforços. - o caçador revolta-se. – o ser humano já foi mais grato.

Ao ouvir as lamúrias do caçador, a anciã faz um longo período de silêncio. Seus olhos fitavam o vazio, e ela balbuciava palavras indecifráveis. Depois recobrando os sentidos, Lucia pergunta.

- onde está minha Júlia? Eu sinto a presença dela, mas não a vejo em lugar algum.

Íris tira o celular de sua bolsa e o entrega a senhora. A vampira tinha dificuldades em explicar para Lucia tudo que havia acontecido em apenas um dia.

Quando Lúcia toma o aparelho em mãos, abre um largo sorriso.

- então ela fez o ritual antes de partir. Que menina esperta.

Depois a anciã diz, olhando para o aparelho com amor:

- Você ainda tem um longo caminho a fazer, minha querida neta. – Lucia olha novamente para o casal. - Me digam, Onde está o corpo? - a senhora os questiona, impaciente.

- na barriga de um monstro gigante. - o caçador a responde, com toda sua insensibilidade.

- isso é ruim. Não tem como completar o ritual sem um corpo.

- isto já não é problema nosso. Vamos, my lady! - Zenon impera a vampira.

Zenon dá as costas a senhora, mas a voz de Lucia o intimida.

- esperem! Porque não levam o telefone com vocês? Eu posso sentir o quanto ela ia querer isso. A Julinha criou um vínculo muito forte, principalmente com você.

A senhora se dirige até íris, a entregando novamente o aparelho.

Entretanto, quando as mãos aveludadas de íris, encontram as mãos enrugadas de Lucia, a anciã tem uma espécie de transe, ficando em total silêncio, enquanto sacudia seu corpo, o que deixa íris assustada.

- aconteceu algo? - Íris tenta dialogar com a mulher.

- há, minha querida. - a voz de Lucia tinha uma entonação diferente. - os espíritos me mostram tantas coisas boas sobre você. Quando te olho, é como se visse um tímido botão de flor, tentando esconder sua beleza atrás de suas inseguranças e de seus temores. Todavia, eu vejo um lindo desabrochar para esta flor. O dia em que todos verão quem realmente é você.

As palavras de Lucia, deixam Íris boquiaberta e trêmula. Zenon percebe isto, razão pela qual o caçador escarnece:

- não acredite nessas asneiras. Até eu, posso fazer uma profecia dessas.

Acho que a médium, se quer ouviu as blasfêmias do caçador, tamanho o estado de transe em que estava.

- e quanto a ele? O que os espíritos mostram? - Íris aponta para Zenon.

- deixa eu ver sua mão, e eu te direi.

- nem em sonhos. Eu não acredito nesses charlatanismo barato.

- não seja rude! Pode ser até que tenhamos uma pista sobre nossa jornada.

Mesmo sem concordar, Zenon entrega suas mãos a médium, que passa a concentrar-se de novo.

Desta vez, Lúcia não exibia um semblante alegre, como quando pegou as mãos de íris. A médium tinha em seu rosto, um genuíno semblante de pavor. Seus olhos lacrimejaram a medida em que ela anunciou:

- Meu Deus; que terrível.

Zenon, não levando a sério, a responde:

- se isto é por causa dos calos; as vezes eu me sinto um pouco solitário, por isso ... Sabe como é...

Juliana gargalha ao ouvir isto. Íris por outro lado tenta o repreender, mas Ana foi mais rápida:

- os espíritos me mostram sangue e morte, através de suas mãos.

- de fato; estas mãos já foram responsáveis por muitas mortes. A senhora ficaria surpresa. - Zenon rebate.

- ah! eu vejo isso também. Assim como Vejo uma grande tristeza dentro de você. Uma longa vida de tristeza, amargura e solidão. Mas não é sobre isto que que estou falando. Eu vejo morte, mas é a sua própria morte que eu vejo.

- impossível! - Zenon esbraveja.

O caçador parecia tentar recolher suas mãos, porém Ana continua:

- ouça o que os espíritos tem a dizer: " algo foi mudado, e um forte abalo se fez. Para que o equilíbrio seja mantido, tu terás que morrer”. Logo agora que encontrou aquilo que tanto procurava. Que triste. Saibas que ainda esta semana, morrerás pelas mesmas mãos que te criaram.

Terminada a mensagem, a senhora larga as mãos do caçador, voltando a sentar em sua cadeira de balanço, nitidamente esgotada.

Íris olha para Zenon com espanto, que furioso anuncia:

- Vamos embora Walker! Não temos mais tempo a perder. - desta vez o caçador vai embora.

Foi exatamente por causa desta mensagem, que íris estava tão aflita, enquanto esperavam pelo avião. Zenon continuava pesquisando, embora Íris percebesse que ele se aplicava naquilo para livrar sua mente da mensagem que recebera.

- e se o que ela disse for verdade? - Íris externa suas preocupações.

- de novo com isso? Já te disse que não acredito nessas bobagens.

- você não entende. Eu fiz uma escolha. As coisas não deveriam ser assim. Na outra realidade você vivia bem mais, como um prisioneiro da bruxa. Sinto que é tudo minha culpa.

- ouça: Eu não vou morrer, tudo bem? Agora precisamos nos concentrar em te tornar uma humana de novo. Esse é o plano.

- eu queria falar sobre isso. Eu já vivi uma vida inteira como uma humana, E não estou bem certa se quero isso de novo. Foi por isso que eu voltei. - Íris ruboriza um pouco, encolhendo timidamente os ombros. - por isto e por você. – ela o diz.

- por mim? - desta vez Íris ganha a atenção do caçador. - como assim?

A vampira ensaiava algumas palavras, mas uma voz anuncia em um alto falante:

- o voo cento e vinte e três, com destino a Londres já vai partir.

- ouviu? Temos que ir. - ela diz, aliviada.

O caçador e a criança

Foi naquela ocasião, enquanto sobrevoavam os céus, com destino a capital britânica, que íris acabou descobrindo uma nova faceta sobre Zenon.

É sempre bom lembrar que depois de quase dois milênios de existência, nosso caçador já havia ingerido tanto álcool, que o mesmo já quase não fazia efeito em seu metabolismo. O que significava que em raríssimos momentos, Zenon perdia por completo a sua sobriedade. Digo raríssimo, pois havia apenas uma coisa que deixava o nosso caçador embriagado: O sono.

Já vimos que a mente extraordinária de Zenon estava em constante atividade, quase nunca parando suas atividades.

Todavia, ter um cérebro tão ativo, exigia bastante de seu próprio corpo, que precisava gerar energia para sua mente; o que significava que quando este já não disponha de tanta energia, seu cérebro não entendia que aquela era hora de desligar, relutando para continuar em atividade. Tal desequilíbrio o deixava um tanto quanto embriagado, por assim dizer.

Zenon já havia se privado de seu merecido sono desde que íris entrou em seu caminho, ou seja, exatos cinco dias, e este sacrifício começava a exigir demais do caçador, que em meio a um silêncio unânime, aproxima-se do ouvido de íris, como se fosse contar algo.

O fato de Zenon manter-se focado durante todo o voo, em sua pesquisa, leva a vampira a especular que talvez ele tivesse descoberto algo. Por isto, a jovem se aproxima com demasiado interesse; e decepciona-se, quando ouve o que Zenon tinha a falar:

- eu estive pensando. - Seu tom de voz era um tanto quanto esquisito. - se a " mamãe" foi a roça, e o "papai" Foi trabalhar, quem era que cantava a música para a criança?

- como é? Tão de brincadeira com a minha cara? - a vampira se aborrece.

- só estou dizendo que esta canção de ninar tem uma letra muito macabra. E se for a própria Milena que estiver cantando para a criança, antes de sequestrá-la, e a transformar em um monstro.

Zenon afunda a cabeça no encosto do assento, concluindo:

- faz agente refletir. Não faz?

- silêncio! As pessoas vão pensar que nós somos loucos. - Íris volta a ler o romance que tanto a empolgava, ignorando Zenon.

Zenon dá uma espiada em todos a sua volta. Depois continua com seus delírios:

- Eu sempre achei que os trens fossem bem mais seguros que os aviões. Eu ficaria mais tranquilo se estivéssemos viajando em um trem.

- nem faz sentido o que você está dizendo. iríamos demorar, sabe-se lá quantos dias, em um trem.

- Eu poderia usar esse tempo para te seduzir, o que seria uma boa. - Zenon confessa. - o que eu quero dizer, é que existem mais aviões que caíram no solo, do que trens que se acidentaram no céus. Então fico com o trem.

De início a vampira se chateia, achando que se tratava de mais uma das brincadeiras de Zenon, mas quando o olhou melhor, foi que ela se deu conta de seu gritante cansaço. De seus olhos entreabertos, travando uma batalha cruel contra o sono. De suas palavras que saíam de forma lenta de sua boca, aos tropeços. E de seu corpo que vacilava cada vez que ele quase adormecia.

Compadecida, e antes que o caçador continuasse com suas fanfarrices, íris segura a cabeça de Zenon, a apoiando em seu colo, (embora não muito farto). Íris, delicadamente afaga os cabelos de Zenon, enquanto o contempla adormecer sob seus cuidados.

Vendo Zenon dormir em seu peito, íris é tomada por um sentimento espantoso e sublime. Embora a profecia de Lucia fosse algo alarmante, um momento como aquele fazia sua escolha valer apena, por mais que ansiasse pelo que estava por vir.

Pela primeira vez naquela semana, íris não via no rosto do caçador, um semblante triste e vazio, ou enigmático. Seu semblante era de alguém, que pela primeira vez, encontrara algo que lhe faltava a muito tempo.

Pouco a pouco, sua própria mente também cedia ao cansaço, até que juntos, o caçador e a vampira adormeceram.

Talvez o fato de estar tão próxima a Zenon, e por suas próprias habilidades magicas, que ela mesmo não conhecia muito bem, a Vampira tem mais uma de suas visões, enquanto dormia junto ao caçador.

Na visão, íris estava novamente na mansão de Zenon. a vampira sabia que estavam em algum lugar no passado, entretanto era praticamente impossível distinguir o ano.

Íris ouve passos pela escada. Zenon as desce de roupão azul, com cabelos amarrados em seu tradicional coque; trazendo consigo um cacho de uvas e uma garrafa de uísque junto a um balde metálico de gelo.

O caçador senta-se em uma poltrona, tomando o controle da tv em mãos.

- minha nossa; Quase perdi a Vila Sésamo. - Íris o ouve dizer, comendo algumas uvas.

Zenon parecia muito empolgado com seu programa de televisão, até ouvir alguém tocar a campainha com pressa, o que o faz levantar, praguejando todo tipo de ofensas.

Com um brusco solavanco, o caçador abre a porta, se deparando com um homem alto, pálido e um pouco rechonchudo. Além da calvície visível, outras característica marcante era suas vestes sacerdotais e seu nariz pontiagudo.

- senhor Zenon, desculpa o incomodo, mas precisamos de sua ajuda em nossa catedral.

- ora, padreRenfield;à quanto tempo. Veio exorcizar o demônio que há em mim?

Zenon tenta fechar a porta, mas o padre o impede, clamando:

- sabe que eu não te pediria nada, se não fosse minha última escolha. As coisas estão fora de controle.

- não é você mesmo que diz que o nosso bom Deus está no controle de tudo? Deveria ter mais fé, homem.

- se você nos ajudar, prometo que te arranjo um lugar no paraíso, ao lado de nosso pai celestial. - o sacerdote tenta barganhar.

- não. Se não estou enganado, da última vez em que nos vimos, o senhor disse que jamais pediria ajuda a um “demônio” como eu.

- já disse que não tivemos escolha. A três dias, a filha de satã vem profanando nosso santuário.

- pois ele que venha dar cabo da própria filha.

O padre continua talvez esperando comover o caçador:

- há uns sete anos ela apareceu em nossa catedral. Naquela época, nós achamos que ela era uma criança inocente e desamparada. As irmãs ficaram comovidas e a aceitaram no monastério, cuidando e a ensinando, como uma filha.

- lindo. Mas, onde eu entro nessa história toda?

- a única coisa que estou te pedindo, é que vá lá e dê cabo daquela aberração. Não é o que você faz de melhor? - o reverendo mantinha o olhar ríspido no caçador. - a três dias as irmãs tem sido atormentadas por aquele monstro; revirando nossa catedral, falando um idioma tão velho quanto o latim. Aposto que é uma bruxa.

Zenon abre a porta com demasiado interesse.

- se por acaso eu for, Ganho o quê com isso? -

- estará fazendo a obra do nosso pai. - percebendo que o caçador fecharia de novo a porta, o reverendo acrescenta. – eu acrescentarei uma boa quantia em ouro, também.

- por que não começou por aí? Vamos logo reverendo. É sempre bom ajudar um velho conhecido.

- só prometa não decapitar ninguém, dessa vez. Algumas irmãs ainda estão traumatizadas, por causa da última vez em que esteve por lá.

- não prometerei o que não posso cumprir. - Zenon dá as costas ao padre, anunciando. - Vou preparar meu arsenal e já volto.

O caçador volta para seu quarto no topo da escadaria de madeira. O padre espera alguns minutos até o ver descer novamente com sua espada, mochila, um colete de tricô feito em algodão, camisa preta e uma calça de brim.

- eu vou chamar uma carruagem. – o padre comenta.

- eu não ando em dois cavalos. Minha carruagem tem trezentos e quarenta e sete cavalos.

Zenon e o reverendo caminham até a garagem do caçador. Em meio a vários carros clássicos, motos que levariam qualquer amante de duas rodas a loucura, e até uma biga romana, ao qual o próprio Zenon usou em combate, nos seus tempos de general; Zenon guia o padre até seu Mustang, ano sessenta e nove, de cor laranja, com detalhes em preto.

- belo possante, - o padre elogia.

- eu tenho meus mimos. - Zenon retruca, já entrando no carro. – não espera que eu abra a porta para o senhor entrar; não é?

O sacerdote entra no carro, e Juntos, Zenon e Renfield se dirigem a um local que a vampira conhecia muito bem. Se tratava da catedral de Southwark, mesmo lugar onde seria seu casamento.

A catedral continuava exatamente igual ao que íris se lembrava. Um lugar estupendo, de arquitetura gótica, e estrutura normanda, que a milênios era lugar de adoração na capital britânica.

Quando a dupla desce do Mustang, são recebidos por uma freira corpulenta, de olhos verdes; assim como uma freira um pouco mais jovem e esbelta, de cabelos ruivos (que saíam um pouco, através da touca rígida), olhos amendoados e boca vermelha, voluptuosa.

- irmã Margareth. - Zenon saúda a irmã mais velha. - da última vez em que estive aqui, você era uma jovem tão bela. Parece que o tempo não está ao seu favor.

Vendo que sua companheira caiu em um contido riso, Margareth se enfurece, desfazendo do caçador:

- francamente, Renfield; Você sabe o que ele é. Não acredito que trousse este demônio para profanar nosso santuário.

- sabe que as circunstâncias me obrigaram, irmã. Se o que acontecer aqui vier a público... - O reverendo franze suas têmporas, tamanha a preocupação.

- a conversa está boa, mas onde está a Capetinha que eu tenho que matar. Se terminar isso logo, talvez consiga assistir meu programa.

- a irmã Mônica te levará até o quarto, onde ela está trancafiada. Eu e o reverendo precisamos ter uma conversa. – Margareth o diz.

O caçador é guiado pela freira mais jovem, de nome Mônica, até os átrios do templo. Pelo caminho, Zenon e a jovem papeavam, a medida em que entravam no templo.

- parece que a madre superior não gosta muito de você. - Mônica comenta.

- então a recíproca é verdadeira. - Zenon parecia procurar algo em seu pescoço.

- Foi bem engraçado o que você falou. Ela é sempre tão rígida conosco.

- não entendo o que uma jovem bonita como você, está fazendo num lugar como esse. - vendo que o que procurava não estava em seu pescoço, Zenon vasculha os bolsos de sua calça.

- a minha mãe me colocou aqui aos dez anos. Desde então, vivo aos cuidados da madre e do reverendo. – Mônica retorna ao assunto que mais a interessava. - Me acha mesmo bonita?

- bem mais do que a maioria das freiras que eu conheço.

Não achando o que procurava, Zenon externa:

- por acaso, você não tem um crucifixo por aí? Devo ter deixado o meu em casa. Vai ser bem útil para lidar com o demônio.

- acho que o meu ficou no quarto. Se quiser, vamos lá pegar; não deve ter ninguém lá a esta hora da manhã. - a jovem olha para Zenon com lascívia. – eu nunca tive contato com um homem, então se puder...

- acho que o padre, ou a madre deve ter um. – Zenon interrompe.

- talvez... - a freira comenta, decepcionada.

Deixando Mônica estática onde estava, Zenon volta ao local onde Renfield e Margareth conversavam.

Zenon nunca foi do tipo que gostava de espreitar, já que não era fácil para ele esconder a sua presença. Todavia, ouvir o teor da conversa entre Margareth e o reverendo, faz o caçador se esgueirar por uma das colunas do templo, ouvindo o que seus anfitriões dialogavam:

- o senhor sabe que estamos sofrendo as consequências pelos seus pecados, não é, padre? Desde o dia em que o senhor se envolveu com aquela meretriz, e gerou esta abominação, estamos sofrendo as consequências. Eu deveria te denunciar ao clero. - Margareth repreende.

- não faça isso, Madre. Eu já fui perdoado pelo meu pecado. Deus até nos enviou alguém para nos livrarmos daquele monstro. - Renfield a consola.

- um demônio, você quer dizer. Ele nos enviou um demônio; um monstro que decapitou quase duzentos fiéis da última vez em que esteve aqui.

Furioso, Zenon deixa a coluna onde estava escondido, protestando:

- ora, ora, ora. Parece que o senhor não mentiu quando disse que esta criança era filha de satã. Talvez não do próprio, mas de um de seus emissários

- eu... Não sei o que está falando. - o reverendo tenta defender-se.

- Vocês que se dizem imitadores de cristo, são uma piada. - Zenon desembainha sua espada.

- não tem o direito de falar assim do nosso senhor. Você é um demônio. Uma abominação, fruto de uma bruxaria. - Margareth intervém.

Ensandecido, Zenon agarra as vestes sacerdotais do reverendo, chegando com o rosto próximo ao do homem, desafiando:

- parece que não somos tão diferentes assim. Eu posso até ser um monstro, de fato. Já o senhor não passa de um falso profeta.

Zenon solta o pescoço de Renfield, que abalado, cai de joelhos em um pranto agoniado.

Sem qualquer empatia, Zenon continua:

- em todo caso, só vim buscar seu crucifixo. - o caçador arranca bruscamente o artefato do reverendo.

Com o crucifixo em mãos, Zenon, o reverendo e a madre, voltam ao local onde Mônica ainda os aguardavam. O trio segue de encontro ao porão da catedral; parando na frente de uma grande porta de chumbo.

- quando passar por esta porta, encontrará o demônio. - Mônica os diz, com as mãos na maçaneta.

- estranho. A esta altura, eu já deveria estar sentindo a presença do mal. O que sinto, na verdade, é um grande poder mágico. - o caçador reflete.

- quando isto acabar, nunca mais pise em meu santuário. - o reverendo impera.

- com isso você pode contar. -o caçador, sem temer o perigo, já cruzava a porta.

Foi no momento em que estava do outro lado dos portões de chumbo, que foi fechado bruscamente atrás dele, que Zenon teve a certeza que aquela pobre criança não era, nem de longe, o mal que a imputaram.

O cenário era exatamente como o reverendo o havia descrito. A menina parecia fora de si, e flutuava em pelo ar, enquanto era tomada por um poder mágico sem precedentes. A sua volta, os moveis presentes no quarto também flutuavam e giravam envolta do corpo da menina, formando um grande furacão, enquanto ela murmurava algo, em uma linguagem primordial, existente antes das línguas serem repartidas, na torre de babel.

Mesmo o duro e impenetrável Zenon, não pôde deixar de comover-se ao ver tamanha injustiça impetrada a uma simples criança, que apenas tinha nascido com o dom da magia.

- saia daqui. - a menina o diz em voz distorcida, percebendo sua presença.

Ignorando os avisos da menina, Zenon continua caminhando tranquilamente, em direção ao turbilhão magico. Do lado de fora, ainda era possível ouvir a voz do trio de religiosos, clamando por suas vidas em uma prece fervorosa.

- por que está fazendo isso? - o caçador a questiona. - sei que não é um monstro, como eles dizem.

- eu estou cansada. - lagrimas caíam do rosto da menina, a medida em que ela desabafava com Zenon. - cansada de sofrer nesse maldito lugar. Cansada de ser maltratada, de ser torturada, de me trancafiarem nesse maldito porão, me deixando dias sem poder comer ou sair. Eu vou matar todos eles.

Irritada, a criança arremessa magicamente uma máquina de escrever em direção a Zenon, que salta para o lado, deixando o móvel se chocar contra a parede.

- eu sei o que você está passando. Não deveria dar ouvidos ao que este bando de hipócritas diz. Isto que você tem se chama magia; e a sua em questão, é de uma das mais extraordinárias que eu já vi.

A menina tinha cabelos escuros, embora curtos e repicados, como se alguém os tivesse recortado a força. Tinha olhos azuis e cintilantes e um rosto inocente e angelical. Seu corpo estava desnutrido e marcado por vários hematomas.

- como sabe que não sou um monstro? - ela o questiona.

Abrindo mão de sua espada, Zenon caminha um pouco mais de encontro a criança, que o observava preocupada.

- olha, eu sei como é ter algo incontrolável te consumindo por dentro. Sei o que é ser considerado uma aberração. É por isso que eu quero te ajudar.

- Prometa que não vai me machucar, como eles fizeram.

- se você acreditar em mim, eu posso te ajudar a controlar este poder. Tenho bons aliados, que farão de você uma pessoa forte, com um poder surpreendente.

As palavras do caçador começam a surtir efeito na pobre menina. Em sua visão, íris vê quando alguns dos moveis começam a despencar, a medida em que a própria menina cessava com suas investidas, murmurando:

- eu nunca quis machucar ninguém. Tudo que eu queria era poder sair deste quarto, brincar e viver uma vida normal.

- por que ser normal, se você pode ser mais? Não precisa se envergonhar daquilo que te faz único. Se vier comigo, eu te ensinarei como usar sua magia para salvar vidas.

Percebendo que as palavras que acabou de ouvir eram sinceras, a criança começa a voltar para o solo, fazendo com que o furacão de móveis a sua volta sessasse. A menina ainda parecia tonta, por isso Zenon se apressa para segurar em suas pequenas e delicadas mãos.

- pode mesmo me ajudar? - ela o pergunta, segurando em sua perna, visivelmente assustada.

- eu jamais permitirei que monstros, como os que estão rezando lá fora, maltratem alguém tão frágil como você. Se não quiser vir comigo, apenas posso procurar um bom lugar, com uma boa família para cuidar de você.

- obrigado. - a menina abraça com mais força a perna do caçador. – ninguém nunca foi tão bom assim comigo.

Do lado de fora, o trio ouve quando Zenon anuncia: " está terminado", seguido de três bruscas pancadas contra a porta. o reverendo e Margareth se entreolham aliviados, enquanto Mônica parecia abalada com a possível morte de uma criança.

O que eles não esperavam, era que ao abrirem a porta, se deparariam com o caçador e a criança de mãos dadas, caminhando como fazem pais e filhos em um passeio.

- o que significa isto? - Margareth vocifera, já ficando vermelha.

- não tenho mais nada a fazer por aqui. A partir de agora, essa criança ficará sob minha guarda. - Zenon continua marchando.

- não pode deixar esta monstruosidade escapar. - o reverendo preocupa-se.

Percebendo a distração de Zenon, o padre revela uma adaga escondida em sua bata. Com um gesto brusco, ele intercepta a criança das mãos do caçador, a ponto de quase apunhalar o coração da menina; Exceto pela agilidade excepcional de Zenon, que virando-se, o golpeia com um chute na boca do estomago, que deixa o reverendo assassino prostrado.

- a única pessoa que merece a morte, é o senhor, reverendo. Já está mais do que na hora de o senhor ter uma conversinha pessoalmente com Deus.

Sem mais, nem menos, Zenon, em um único e preciso golpe de sua espada, arranca bruscamente a cabeça do reverendo, fazendo com que seu corpo caia em direção oposta a cabeça, vertendo muito sangue.

- ainda bem que eu não prometi nada. - Zenon comenta, tapando os olhos da criança.

- você é um monstro. – Margareth se desespera.

A madre superior, até queria sair correndo, mas o caçador arremessa babel, que acerta em cheio o coração da mulher, a matando instantaneamente.

Zenon andava em direção a Mônica, que chorava em desespero, o implorando:

- não me mate, por favor. Eu nunca fiz nenhum mal a esta criança. Eu juro.

- você sabia das maldades que eles faziam com esta criança?

- sim. - a jovem assume.

- e quantas vezes fez algo em relação a isso? - Zenon insiste.

- você não entende. Eu não podia ir contra as ordens da madre, ou do reverendo.

Sem clemência, Zenon tira a espada cravada no corpo de Margareth, a enfiando no abdômen de Mônica, que começa a despencar no chão, perdendo sua vida.

- você é igualmente culpada.

Juntos, a criança e o caçador deixam a catedral, com destino ao Mustang de Zenon, Deixando para trás, os corpos de Renfield, Mônica e a madre Margareth.

Já dentro do veículo, com destino a sua mansão. Zenon dirigia com demasiada atenção, enquanto a criança brincava com um dado de pelúcia.

O caçador nunca foi lá muito fã de crianças, é verdade. Mas aquela em questão o fazia ver a si próprio, alguém injustiçado e espiado por causa dos pecados de outra pessoa. Em virtude disso, ele a questiona:

- como é mesmo seu nome, menina? - Zenon não tira os olhos da estrada.

- eu nunca tive um nome. Eles só me chamavam de monstro e de aberração.

- sei.

Reflexivo, Zenon olha para um livro de contos, que havia esquecido no painel de seu carro, a dizendo em seguida:

- que tal Jasmine? É um nome bem bonito. Significa: "flor perfumada". Se quiser, este pode ser o seu nome.

- é muito bonito. - Jasmine alegra-se com seu novo nome. - e o seu?

- pode me chamar de Zenon, que significa: “o brilho do trovão”.

- eu posso te chamar de tio Zenon? - a menina já se apegava ao seu tutor.

- de jeito nenhum. É ridículo.

Zenon percebe o abatimento no rosto de sua pupila, que desde cedo já se mostrava inteligente, poderosa e promissora.

- tudo bem. - Zenon pragueja. - só não faça isso em público; Tenho uma reputação a zelar.

O sorriso alegre daquela criança, parecia preencher o frio coração do caçador, por isto ele a diz:

- ouça Jasmine. A primeira coisa que quero que saiba é que este mundo está cheio de pessoas horríveis, como o desgraçado de seu pai, a madre, ou até a mim mesmo. Assim como existem pessoas puras e virtuosas, embora muito raras, assim como você. A nossa primeira lição vai ser te dar o discernimento de cada uma delas, para que nunca mais confie em pessoas maldosas.

Contrariada, Jasmine protesta:

- você não me parece uma má pessoa. Parece ser um homem de bom coração.

De início Zenon surpreende-se, depois estupefato, comenta, parando em um grande centro comercial:

- é verdade. às vezes, eu tenho meus momentos.

A visão termina, e íris acorda no avião, ao lado de Zenon (que ainda não havia despertado), Completamente suada e ofegante.

Não havia como ela saber quanto tempo se havia passado, mas olhando pela janela do avião, a vampira percebe que estavam bem perto de sua querida cidade. " não há nada melhor, do que estar de volta em casa"; íris pensava, afagando os cabelos de Zenon.

Quando o caçador despertou, o avião já sobrevoava o território inglês. Ele ainda parecia discernir o que estava acontecendo a sua volta, ou o fato de, após longos anos, ter sonhado novamente com o dia em que se encontrou com sua aprendiz. Havia menos olheiras em suas pálpebras, e seu semblante estava um pouco mais revigorado.

Como qualquer outra pessoa no mundo, Zenon acordava no auge de seu mau humor, lançando a íris alguns olhares emburrados, enquanto ela sorria e se concentrava em seu romance.

Depois, percebendo que a vampira o amolaria por um bom tempo, pelo fato de ele ter dormido em seus seios, o caçador se defende:

- que fique bem claro que eu não estava dormindo. só estava descansando a visão

19 de Fevereiro de 2022 às 00:00 15 Denunciar Insira Seguir história
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Ana Dias Ana Dias
Posso lhe perguntar uma coisa? Se não for muito impertinente é claro
April 22, 2022, 14:18

  • Ana Dias Ana Dias
    hanna_fd_ April 22, 2022, 14:41
  • Lucas Lira Lucas Lira
    Manda o seu insta... Não apareceu aqui April 22, 2022, 14:39
  • Ana Dias Ana Dias
    Deu, já mandei pedido April 22, 2022, 14:35
  • Lucas Lira Lucas Lira
    Deu certo? April 22, 2022, 14:34
  • Ana Dias Ana Dias
    E será que poderia passar, ou não passa por ser nestas circunstâncias kkk April 22, 2022, 14:27
  • Lucas Lira Lucas Lira
    lucky_skaywollker Segue lá rsrs April 22, 2022, 14:27
  • Ana Dias Ana Dias
    Agora até estou com um arrependimento de ter feito uma pergunta nada haver ;--; April 22, 2022, 14:26
  • Lucas Lira Lucas Lira
    Uso insta rsrs April 22, 2022, 14:26
  • Ana Dias Ana Dias
    Vc tem algum tipo de redes sociais? Instagram talvez kkk Pergunta muito estranha? 😐 April 22, 2022, 14:22
  • Lucas Lira Lucas Lira
    Pode sim rsrs April 22, 2022, 14:19
  • Lucas Lira Lucas Lira
    Claro que n April 22, 2022, 14:19
Ana Dias Ana Dias
E os mistérios continuam kkk Fico tão maravilhada com a sua criatividade, que às vezes me questiono onde arranjou tanta 😂 Em relação ao capítulo...sem comentários, simplesmente incrível como todos os outros!!
April 22, 2022, 14:00

  • Lucas Lira Lucas Lira
    Desde criança sempre me disseram que eu tinha uma imaginação muito fértil; ou que minha cabeça vivia nas nivens. Tudo que faço é tira-la das nivens e colocar no papel kk E os misterios... Bem as vezes acho o plano de fundo da historia um poco raso, então os misterios é bom para aguçar s curiosidade rsrs April 22, 2022, 14:07
Isabelle Torres Isabelle Torres
Descansando a visão isso minha avó fala direto!
February 22, 2022, 22:56
~

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