johnathan-silva-oliveira Johnathan Silva Oliveira

Uma coletânea de contos infantis que eu selecionei de meus outros livros, além de outras histórias independentes que criei só para esta obra. Quando nossas crianças voltarem a crescer arraigadas sobre o solo fértil da arte que imita a natureza, da música que não agride ou polui, da seiva pura e simples que alimenta os seres de coração verde, então veremos os frutos da justiça e da paz imperecíveis e todo o ar carregado do perfume da virtude e da felicidade genuínas. Meus personagens principais revestem-se continuamente de outros matizes, variando de história para história, possuindo, no entanto, os mesmos nomes, em alguns casos.


Infância Épico Todo o público.

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O jardim de Nonon

Lá pelas bandas da rua Maluquice Mundica da Paz, havia uma casa realmente louca. Nela vivia uma criatura parva e atoleimada, denominada Jeguevársio. Mas ele não habitava sozinho o antro de demência. Junto com ele moravam pequenos seres de formato retangular, conhecidos como Tios Jolos. Como o próprio apelido sugere, os pequeninos seres eram parentes de Jeguevársio. Se alguém aí está se perguntando como um jegue pode ter parentesco com tijolos, nem me atrevo a responder. Pois só o que se sabe é que o dito cujo não sossegava dia e noite, tentando consertar os prejuízos que seus Tios causavam à casa. Jeguevársio, batia, cortava, derrubava, quebrava, remendava, martelava, e, principalmente, abestalhava, num ciclo sem fim de levantar a casa e pô-la abaixo. Por que, enquanto o desajuizado homem dormia, os danados Tios Jolos desmanchavam o que ele tinha trabalhado durante o dia. Podem imaginar o que acontecia na manhã seguinte? Sem raciocinar na falta de senso e lógica, ele começava o interminável batuque. Todos na vila, tinham pavor da casa. Pois diziam que ela tinha vida própria e que havia engolido o lastimável homem, mantendo-o aprisionado naquela eterna tortura.

— O que Jeguevársio já está concertando de novo? — perguntava um de seus companheiros.

— Deve estar apertando os parafusos da cabeça e pregando o juízo no lugar — comentava outro amigo.

— Ou desentordando o senso de noção — zombava um terceiro.

— Que nada! Ele vai construir tudo isso aí que vocês disseram. Afinal, ele nunca teve — arrematava o quarto, para a diversão e riso geral de todos.

O indivíduo tinha uma filha, chamada Zoovana. O motivo desse nome é que a menina tinha um grande talento para emitir os diversos sons do reino animal.

Às vezes era galinha.

— Já disse pra tu parar com esses cacarejos. O que os moradores irão pensar? — censura o pai.

— Que criamos galinhas — a mãe apoia.

A mulher era uma Jaçanã, que passava o dia a lavar roupas da vila inteira.

Outros dias, a garota resolvia fazer-se de pterodáctilo ou dragão.

— Zoovana! Deixa de gritos, menina! — repreendia a mãe.

Em não raros dias, ela também imitava perfeitamente um elefante, ou leão, ou qualquer outro bem barulhento. Era assustador! Zoovana sem dúvida tinha um go-gó dos bons.

Jeguevársio não estava sozinho nessa sina amaldiçoada, pois tinha vizinhos classificados com a mesma ordem asinina e, por este motivo, igualmente tolos. Um deles morava de frente e chamava-se Belosário, que de belo não tinha nada. O indivíduo lembrava as aparências de um trol, ogro, trasgo, ou qualquer dessas criaturas de formas e trejeitos broncos. Do lado deste tinha o Chico Anum: uma ave tagarela por demais. O dia que Deus dava, era entrando na casa e saindo, para sentar-se na calçada e reiniciar os discursos:

— Olha a frente da casa desse rapaz, cheia de mato! Se fosse a minha já estaria brilhando. Onde que já se viu... Parece bicho, morando nesse matagal.

A Dona Coroca, uma mucura caximbeira, passava em frente e entrava na conversa:

— Quem limpa é a mulher dele (esta na figura de uma raposa). Ele passa o dia escondido. Ouvi dizer que é um lobo-guará banana.

Saltando uma casa para o lado, residia um casal idoso de juritis. A pobre senhora padecia já de severas dores nas articulações. O velho, ao contrário, não aquietava um instante: ia e vinha, levando e trazendo coisas para dentro da casa.

A esposa reclamava:

— Não sei onde tu porás tanto cacareco. Vais acabar enfartando.

— Quem está vivo, tem que viver. Não fazer nada é para os mortos. Vou já varrer o quintal.

— Varrer? Você quis falar lamber, não é? Porque ontem mesmo tu alisaste aquele terreiro.

— Todos os dias caem folhas. Queres o fundo da casa igual ao chiqueiro do vizinho?

— Não fales assim do pobre Nonon. Ele não é saudável da cabeça, pobrezinho.

— É preguiçoso, isso sim. O que ele pretende? Forrar o quintal inteiro com folhas secas? Está parecendo um ninho gigante. Me dá até coceira, só de pensar.

— Ouvi a esposa dele dizendo que a sua intenção é cultivar um jardim.

— Não teria que limpar, primeiro?

— Não me pergunte. Quem pode entender aquela criatura?

(...)



6 de Março de 2023 às 00:15 0 Denunciar Insira Seguir história
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