markaurrliosc Marco Aurélio

Sinopse: Um assassinato faz com que Victor Vicent comece a investigar um misterioso serial killer nomeado como Seis, ele acha que com isso desvendará a morte de seu ente querido e encontrará paz, mas o que ele não sabe é que os assassinatos em série estão intimamente ligados a uma coisa muito maior, podendo até conter respostas sobre seu passado. Quem se interessar e quiser comprar um exemplar físico de A Sexta Peça, ela está disponível para compra na Uiclap: https://loja.uiclap.com/titulo/ua13579/


Suspense/Mistério Para maiores de 18 apenas.

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PRÓLOGO: TORNE-SE A SEXTA PEÇA

6 de Junho de 2020 - 04:20

Mesmo que eu tente evitar o pensamento ele vem à minha mente, meu avô sempre dizia: "Cada segundo que se passa é uma dádiva aos Evoluídos", ele tinha o costume de chamar as pessoas sábias de suas histórias de Evoluídos, bem, pelo menos foi assim que eu interpretei durante toda minha vida. Todas as vezes que eu chegava da escola após ter brigado ele costumava repetir essas palavras e mesmo que eu não tenha as entendido na época eu as guardei porque eu amava o velho Antônio e o doloroso vazio que sua morte me trazia me fez perder totalmente o sono durante essa madrugada, o que é normal pois eu já durmo mal, mas o agravante é algo imensurável hoje.

A polícia me contatou pouco depois das três da manhã dizendo: "Ah, alô, é o Victor Vicent", após eu assentir ouvi: "Bem, seu pai está morto, sinto muito". Provavelmente meu contato estava salvo no celular do meu avô como: Victor Vicent Filho, e como tecnicamente ele era meu pai adotivo eu não corrigi o policial, apenas perguntei onde tudo havia acontecido, me arrumei e agora estou aqui dirigindo para o Bairro Longevidade, onde meu avô foi assassinado. Eu não aguentaria ouvir metade das informações pelo celular, eu queria saber tudo de uma vez.

Mesmo que eu evitasse, os questionamentos eram inevitáveis; vô Antônio odiava a cidade grande, ainda mais uma metrópole do tamanho de Aurora, isso porque ele me criou durante toda a minha infância numa chácara na cidadezinha de Poente do Sul, no interior de Goiás, onde criava plantas e animais, todo o brilho em seus olhos ao me ver ajudando-o ou notando o crescimento da pequena plantação vinham em minha mente agora como socos sequenciais, junto a isso a memória dele reclamando da cidade grande vinha, e o questionamento: "Por que ele estava aqui?" pairava na minha cabeça.

Eu já havia saído de Poente do Sul há cerca de seis anos para poder estudar na cidade de Aurora, mas eu amava a cidadezinha e a paz que ela trazia consigo era tudo que eu queria agora. Vô Antônio me visitava nas férias, nisso ele aproveitava para resolver seus problemas aqui na cidade, ele fazia papel de velho pobre e sofrido mas tinha bastante dinheiro e era muito inteligente, antes de me tirar do orfanato ele era um dos líderes de uma grande empresa junto ao seus dois irmãos, isso fez com que ele sempre buscasse conhecimento, fazendo-o entender um pouco sobre tudo; com setenta e sete anos ele se virava sobrenaturalmente bem e não gostava que o tratassem com desdém, então eu sempre deixava ele se virar por Aurora e especificamente agora esse pensamento martela minha cabeça enquanto lágrimas frias descem e encharcam meu rosto, eu quase perco a visão da estrada, uso o antebraço para enxugar meus olhos marejados e continuo com as mãos firmes no volante tentando pensar em outra coisa, mas gradativamente o GPS aponta que estou próximo do local em que os policiais me disseram pra ir e os pensamentos relutam em mim cada vez mais.

Provavelmente se eu não tivesse falado com tanta seriedade na ligação os policiais não me deixariam vir aqui para a averiguação, e mesmo que o questionamento: "Ele pode não ter morrido" exista, ao ouvir a notícia pelo celular, por algum motivo inexplicável, eu sabia que com certeza era ele.

Após sair da avenida principal e entrar diretamente no Bairro Longevidade passei por alguns quarteirões e gradativamente a cidade foi ficando mais sem cor e adoecida, era um bairro mais pobre e como era madrugada eu já fazia mil teorias do que poderia ter acontecido com meu avô, era inevitável pra mim, linhas e mais linhas de pensamento sobre o que poderia ter ocorrido se ligavam na minha mente e eu só tentava prestar mais atenção na estrada para chegar logo ao local e saber a verdade.

Por volta das quatro e quarenta da madrugada eu chego ao local, que não era difícil de encontrar, era uma rua estreita com calçadas mais estreitas ainda, fechada dos dois lados pela polícia, cheia de casas sem acabamento ou apenas no tijolo, barracos de madeira e um contêiner de lixo do lado direito de onde eu vim, logo estacionei o velho Opala na esquina, desci e senti o sereno frio ao respirar, mesmo que fosse verão qualquer morador congelaria de frio a essa hora. Segui em direção ao bloqueio na rua, me identifiquei ao policial para poder passar e ele me indicou a onde ir; o clima frio e úmido piorava ainda mais meu nervosismo, enquanto eu andava na direção dos outros policiais eu podia ver as gotículas de água caindo refletidas pela luz vermelho alaranjada do único poste que ficava a minha esquerda, mais à frente onde parecia ter ocorrido o crime havia três policiais à direita, eles estavam na frente do que parecia um pequeno e velho bar.

O bar era uma área aberta com uma mesa de sinuca, uma jukebox e ao lado uma máquina de jogos. Eu me aproximei tentando manter a maior calma possível, inspirando profundamente o ar gelado para oxigenar o sangue, mas não funcionou, quanto mais eu me aproximava do bar vazio o cheiro de cerveja, pinga e cigarro invadia minhas narinas de maneira que eu não conseguisse nem achar o oxigênio, tossi com a mão na boca, pude jurar que ela estava tremendo; logo após fui na direção de um dos policiais dizendo:

— Boa noite senhor, eu sou Victor Vicent — O policial conversava com os outros dois homens, ele se virou rapidamente, logo notei que era um homem baixo, com a pele morena, rugas ao redor dos olhos castanhos, não tinha barba alguma e tinha fios de cabelo branco nas laterais da cabeça que ficavam a mostra mesmo com o boné da polícia, ele era meio gordo mas aparentava ser bem forte, a farda o cobria por completo e ele usava um enorme casaco que também parecia ser da polícia; eu olhei em seus olhos e pude ver certa experiência ser transpassada a mim, estendi a mão e agora pude confirmar que eu estava realmente tremendo — Fui chamado para fazer o reconhecimento do meu pai.

Mesmo eu extraindo o máximo da minha força de vontade eu já estava com um enorme desejo de correr em direção a cena do crime e confirmar minhas teorias, mas me segurei, continuei minha batalha interna. O policial apertou minha mão fria e trêmula num gesto acolhedor e disse:

— Prazer Victor, eu sou o Subtenente Jorge, é uma situação complicada pra ter que se apresentar — Ele põe sua mão no bolso do casaco acompanhando a outra que já estava posta — Agradeço você por manter a calma e ajudar nosso trabalho.

— Tudo bem senhor — Minha voz treme de leve — Podia me explicar o que aconteceu?

— Você não quer conferir primeiro se realmente se trata do seu pai? — Ele faz uma expressão confusa — Bem, eu não devia perguntar, a escolha é sua — Faço com que sim com a cabeça e ele continua dizendo detalhes enquanto me guia pela área aberta do bar — Uma denúncia anônima efetuada perto das duas e meia da madrugada fez com que viéssemos aqui, tentamos falar com o dono do bar mas após algum tempo descobrimos com os vizinhos que ele mora sozinho e está de férias no presente momento — Enquanto entro no bar vejo a minha direita lado a lado a jukebox e uma máquina de jogos (aquelas de fliperama que tem diversos jogos), em sua tela estava ligado o replay de uma partida de Tetris, era a única luz do ambiente, quase impossível de passar despercebida; Jorge nota que eu encaro a luz da máquina — Todas as fontes de luz foram quebradas, restando apenas esta máquina, e até aqui tudo estava para mais um crime hediondo na cidade de Aurora — Sua voz falha nesse momento, parece que ele hesita em admitir o quão perigosa Aurora é — Até encontramos o corpo do seu pai dentro do pequeno banheiro masculino — Ele aponta para um canto escuro à direita do bar que tem um formato de L, os banheiros estão na ponta final de baixo do L — Nós não encostamos em nada, o senhor foi encontrado com seis facadas no peito e no celular dele havia apenas o seu contato — Ele para de andar e ao olhar para trás vejo que os outros dois policiais que estavam com ele nos acompanharam, percebo que é o sinal para eu ver o corpo.

Vô Antônio conhecia muita gente, seu celular era velho mas haviam muitos contatos nele, mesmo que ele quisesse ter apagado tudo acho que não teria tempo antes de sua morte.

Quem fez isso?

Penso, até perceber que estou parado ao lado do policial, engulo em seco e começo a avançar na direção da porta. Há a minha frente, respectivamente, duas portas com ícones de banheiro feminino e masculino, a do banheiro feminino está fechada, já a do banheiro masculino está entreaberta, minha cabeça volta a fervilhar e eu tento agir antes de começar a pensar demais e desistir, sigo na direção da porta de metal verde e enferrujada, encosto a mão na maçaneta de metal fria e empurro a porta, então eu vejo um banheiro minúsculo e sujo, com apenas um vaso sanitário e uma pia, as paredes com respingos de sangue e no chão uma poça densa sangue, não havia corpo algum ali, meu cérebro não processa tal informação, eu me viro perplexo e vejo que os policiais atrás de mim notam o mesmo que eu. Eles discutem entre si, o mais alto e magro diz a Jorge:

— Ele estava aí minutos atrás, o que aconteceu?

— Eu não sei, fiquem de prontidão — Responde Jorge numa voz mais alta e firme — Olha a porta Luiz — Diz ele olhando para o outro policial com a pele escura e de cabelo curto.

Todos sacam suas armas, Jorge gesticula para que eu me ponha atrás dele, eu rapidamente o faço, mas começo a olhar para todos os lados, não conseguindo segurar minha confusão. Logo após um tempo eles verificam tudo novamente e fazem sinais negativos com a cabeça diversas vezes, até que um policial vem correndo do lado de fora, o mesmo policial pra quem eu me identifiquei ao chegar, ele grita do lado de fora:

— Subtenente, tem uma coisa, é urgente! — Ele aponta na direção que veio, na direção que eu vim — Encontrei algo.

— Vamo, vamo! Acompanha ele Marcos, Luiz fica com o Victor, Victor ei! — Jorge olha pra mim notando minha desorientação — Fica aqui.

— Senhor, acho melhor não — O policial que veio avisar me olha assustado — É melhor ele vir.

Jorge assente, eles vão e eu sigo atrás; ao chegar no final da rua somos guiados a direita para a esquina onde eu havia estacionado o meu Opala, ou melhor o velho Opala que vô Antônio me deu, por que eu penso nisso logo agora? Assim que me aproximo junto aos policiais vejo que a cena havia mudado, no banco do motorista sentado e com facadas no peito estava meu avô, eu tenho o impulso de vomitar mas Jorge me segura, nisso uma pergunta vem diretamente a mim:

Como ele foi parar ali?

Ouço o policial que nos guiou até ali dizendo:

— Tem algo escrito aqui.

Eu instintivamente olho tentando tirar o corpo de vô Antônio do meu campo de visão, lágrimas escorrem novamente por meus olhos e embaçam minha visão, eu às seco novamente e agora eu consigo ler, por todo o banco e lataria do carro haviam diversos números seis desenhados possivelmente com uma faca, havia também escrito no vidro do lado de dentro com sangue um número em romano:

VI

Logo abaixo dele havia o que pareceu ser um bilhete dobrado em cima do painel, eu corro rapidamente na direção dele para abrir e ler, meu cérebro não estava funcionando direito, alguns policiais tentam me segurar mas são contidos por Jorge num comando firme, eu pego o bilhete, abro-o e vejo que nele está escrito com caneta preta:

"O espaço não é nada pra mim, tornei-me a primeira peça, agora, torne-se a sexta peça

6."

12 de Janeiro de 2022 às 16:36 0 Denunciar Insira Seguir história
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