zephirat Andre Tornado

A vida em várias facetas, desde a fantasia ao mistério, o pragmatismo, o sentimento, a desilusão, o sonho, a ambição, o humor e a tragédia. Pequenos contos reunidos pela primeira vez que serviram, em tempos, para libertar a alma e desagrilhoar a escrita.


Histórias da vida Todo o público. © História original de minha autoria.

#drama #humor #perda #amor #contos #oiriginal #vida
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I - Misteriosa


O fumo do cigarro enrolava-se em volutas cinzentas na penumbra da sala.


Gostava de pouca luz quando embarcava em novas fases da sua vida. Nada de lamechices destrutivas, de comer chocolate até à náusea, de ver séries românticas com um pacote de lenços de papel pousado estrategicamente junto de si, nada de compras desenfreadas de lingerie. Nada disso. Apenas ausência de luz na sala que aquecia primeiro como se quisesse aí cozer um bolo. Calor e sombras.


Sentada no sofá, as pernas esguias cruzadas em posição de flor de lótus, tinha entre mãos a caixa redonda de papelão. Uma espécie de presente.


Bem, uma espécie não. Mesmo um presente. Uma excentricidade que comprara para si num daqueles sítios da Internet não muito recomendados para famílias. Ou, já agora, para mulheres sozinhas em fim de relação.


Colocou uma madeixa loira atrás da orelha.


Puxou outra passa ao cigarro, decidida a descerrar a caixa. Já tinha rasgado o papel enfeitado com arabescos negros sobre um fundo branco. Exigira que a caixa viesse embrulhada, pois era, de facto, um presente. Meneou ligeiramente a cabeça. Olhou o fumo do cigarro e reconheceu, nos seus desenhos erráticos e etéreos no ar escuro e quente da sala, os arabescos do papel.


Linda coincidência!


Arrancou a tampa com um safanão, gesto pouco meigo, mas que lhe importava a meiguice. Iria experimentar o lado negro, selvagem e aventuroso da vida e não podia começar com reservas.


A máscara era linda, enfeitada de plumas, purpurinas em redor dos buracos donde espreitariam os olhos, pinceladas azul-cobalto e verde-esmeralda. Mais arabescos. Emulava uma máscara do carnaval de Veneza, mas com um travo de perigo.


Ela sorriu, mordeu o lábio inferior sentindo o arrepio no estômago.


Estava preparada para a festa mistério.

10 de Janeiro de 2022 às 16:17 0 Denunciar Insira Seguir história
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