raphaelynegrao Raphaely Negrao

Aos 17 anos, Teresa Dusnt se mudou mais vezes do que gostaria depois que seu pai morreu por um câncer gástrico. Como uma válvula de escape, sua mãe se casou várias vezes e isso fez com que elas se mudassem tanto que Teresa nunca conseguia manter alguma amizade ou relacionamento. Quando sua mãe se casa com Adam, Tessa se vê indo para Santa Mônica e está determinada que dessa vez não irá criar laços com ninguém. Tudo muda ao conhecer Logan Moore, um rapaz de 17 anos divertido, relaxado e que gosta de viver o momento. Mas ele esconde um segredo dela, Logan foi diagnosticado com um tumor cerebral. O garoto poderia ser operado, mas suas chances de sobrevivência eram tão pequenas que ele decide que irá viver o melhor verão de sua vida. E escolhe que quer Teresa ao seu lado. One Last Time é um livro conta a comovente história de amor de um casal que não podia imaginar que precisavam tanto se conhecer. Por meio de sofrimentos, traumas e dores, os dois encontram um lugar para o amor. Só não sabem quanto tempo isso vai durar. ■ Plágio é crime!


Romance Todo o público.

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Prólogo

As paredes brancas pareciam ficar ainda mais claras com a luz do sol que entrava pela grande janela e pela luz artificial sobre a minha cabeça. A mesa em formato de uma elipse também é branca e a única cor que tem sobre ela são as pilhas de exames que fui obrigado a fazer. Essa é a primeira reunião com os médicos que davam a pior notícia que os meus pais poderiam ouvir.

Mas não era a primeira vez que eu escutava toda aquela história que eles pareciam tão tensos em contar. Na noite passada, enquanto eu estava muito bem preso dentro da máquina que fazia uma tomografia computadorizada do meu cérebro, os médicos da pequena sala ao lado esqueceram de desligar o microfone que tinha para se comunicar comigo. A consequência? Eu pude escutar tudo o que eles se preparavam para dizer aos meus pais nesse exato momento. A doutora Shannon, a responsável pelo meu caso, parecia procurar entre mil palavras diferentes aquelas que poderiam amenizar a situação que se resumia a apenas 3.

Eu vou morrer.

Ao invés de ser prática, ela dava esperanças a minha mãe, Lola Moore, que ela não precisava, mas que tentava se agarrar a todo o custo. Da mesma forma que agarra — e na minha opinião quase esmaga — a mão de meu pai. Um dos doutores, um homem de meia idade com cabelos grisalhos e marcas de expressões cansadas que poderia ser consequência de seu trabalho, disse que eu tinha apenas 25% de chances de sobreviver a cirurgia que abriria meu crânio e tiraria uma parte do meu cérebro, sendo as chances de eu ter sequelas que fariam eu deixar de ser eu, Logan Moore, maiores ainda.

Faz duas semanas desde que eu senti o primeiro sintoma que me levou até aquela sala gelada. As dores de cabeças e tonturas não eram muito fortes, apenas irritantes. Como adolescente, elas poderiam ser por diversos motivos: falta de nutrientes, falta de sono, muito tempo no celular ou vídeo game, uma batida na cabeça depois de alguma burrice com meus amigos ou de qualquer outra coisa, então não dei muita importância. Até que sai de casa um dia e desmaiei, sendo direto levado para um hospital. A bateria de exames começou logo depois de eu dizer o que sentia e o diagnóstico não demorou muito para sair.

Um tumor cerebral que eu prefiro chamar de benigno, se desenvolvia tão rápido quanto Usain Bolt nas olimpíadas. Não, talvez fosse até mais rápido que o homem mais rápido da atualidade. E de acordo com os senhores jalecos na minha frente, ele já estava atingindo partes complicadas do meu cérebro.

Para eles, minha única opção era operar o mais rápido possível e já começar o tratamento. Mesmo que todos os remédios que receitaram pudessem apenas diminuir um pouco os sintomas do tumor, me dando apenas algumas horas podendo fingir que não sinto o meu cérebro ser pressionado pela bola de massa esquisita. Mas não podendo esquecer que existia, já que os remédios tinham efeitos colaterais como náuseas a uma indisposição que não me eram nada típicas. E nem podendo aproveitar meus últimos momentos nessa bola que chamamos de planeta Terra.

E é isso que eu tenho. Dias. Por mais que meus pais se recusem a aceitar, eu não tinha muito mais tempo. Podia sentir isso. Antes mesmo de escutar sobre o tumor, eu já tinha uma vaga sensação de que não tinha muito mais tempo de vida. Só não achei que bateria as botas por conta de um câncer maldito. Todos os cinco na sala além de mim continuam falando, discutindo de qual seria a "melhor opção" para retardar a minha morte. Sem esforço, fico apenas de braços cruzados, pensando o quanto aquela mesa era brilhante e mais relaxado do que qualquer pessoa que estivesse naquele prédio. O meu momento de falar estava quase chegando e as respostas que eles queriam poderiam ser resumidas em apenas uma palavra.

Depois de escutar tudo o que aqueles médicos haviam dito, eu passei a noite em claro, encarando o teto e escutando quando alguma enfermeira passava no corredor com algum carrinho que avisava que eu não estava sozinho com um ar-condicionado muito barulhento. Preenchi essas horas pensando nessa conversa que estávamos tendo agora e no que teria que dizer, já que, mesmo sendo menor de idade, eu ainda tinha que dar a minha opinião sobre... bom, a minha vida.

— Podemos preparar Logan para ser operado amanhã mesmo. — Doutora Shannon diz.

Chegou a hora.

— Não. — Digo ao mesmo tempo que minha mãe diz sim.

— Logan... — Ela tenta argumentar.

Minha mãe coloca a mão livre sobre meu braço e cubro ela com a minha, forço um sorriso para tentar tranquilizá-la e então dou de ombros. Quando me volto para os médicos que me encaravam assustados do outro lado da mesa, meu sorriso se esvai.

— Eu não vou ser operado amanhã. Tenho algumas coisas para fazer antes de permitir que vocês metam suas mãos no meu cérebro. É a minha vida e eu decido o que vou fazer.

— Seu tumor está evoluindo muito rápido Logan, você precisa operar. — A tentativa da doutora de me deixar mais tranquilo apenas me frustra mais.

Abro um sorriso.

— Eu nunca disse que não iria operar nunca. Eu aceito a operação, só não aceito amanhã. Quero três meses para fazer o que eu quiser fazer e então vocês podem fazer o que quiserem comigo.

— E seus sintomas, querido? — Minha mãe pergunta. Consigo perceber que ela está perguntando apenas para poder se impor depois e tentar me obrigar na operação

Mas dessa vez ela não vai conseguir.

— Eu posso tomar alguns remédios, não é? Eu me sinto bem, não preciso tomar eles ainda. Mas se piorar, eu começo a tomar.

— Quanto mais tempo você demorar a fazer a operação, mais suas chances diminuem, garoto. — O outro médico, que parece ser menos paciente, diz.

Não contenho meu sorriso e o deixo crescer mais ainda.

— Mas continuam existindo, não é?

Passo a próxima hora tendo que escutá-los procurar todas as maneiras possíveis de argumentar comigo, mas no fim é em vão. Em casa, meus pais continuam tentando, pedindo no início e depois ordenando, minha mãe chora várias vezes, chegando a me ameaçar ao dizer que pode me obrigar. Porém, eu estava decidido e sabendo que ela nunca iria me obrigar a fazer algo dessa forma não recuo. Nem mesmo quando escuto seu choro e a voz de meu pai tentando acalmá-la atravessarem as paredes e chegarem até meu quarto. É claro que eu não gostava de escutar seu choro, mas no final era a minha vida. Minha escolha e eu sei muito bem o que queria fazer com ela. Ao menos nesses três meses.

20 de Dezembro de 2021 às 21:15 6 Denunciar Insira Seguir história
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Anna Neves Anna Neves
Olá, Raphaely Negrão ! Tudo bem com você? Faço parte do time de Leitores beta e vim aqui deixar meu feedback em sua história. Eu li a sua história e gostei do que encontrei nela , sua abordagem dentro da sua forma de escrita tem muito fluída e leve que torna muito fácil o entendimento para os leitores. One Last Time é um romance muito lindo e puro que conta a história de amor entre Teresa e Logan , que são personagens que cativam. Adorei a forma com você aborda assuntos tão complexos com tanto conhecimento, de um jeito simples e ao mesmo tempo tão cheia de detalhes. Sua narrativa do começo ao fim muito bem escrita e colocada , os diálogos bem construídos sem deixar dúvidas. É sempre importante apontar o fato de que a capa também é importante para atrair os leitores para sua obra , então sua capa assim como sua sinopse estão muito bem feitas. Histórias sobre amor sempre tem um lugar especial no coração das pessoas então é linda e bem original sua obra inteira. A buscar por conhecimento do outro mesmo tendo um relacionamento é possível aprender um pouco mais a cada dia , existe uma troca entre os personagens retratando a realidade que vivenciamos. Muitas vezes relacionamentos longo de vários anos não possuem tanto aprendizado e troca como o deles retratados, mostrando que o tempo não importa quando existe interesse sobre o outro. Fiquei muito tocada com tudo que li e aprendi muito também então eu quero apenas deixar os meus parabéns a você por escrever algo tão sensível e lindo. Boa sorte !
February 03, 2022, 21:47

  • Raphaely Negrao Raphaely Negrao
    Muito obrigada pelo seu feedback!!! Receber criticas construtivas e positivas sempre ajuda a melhorar e continuar!!! February 09, 2022, 21:07
Isabelle Torres Isabelle Torres
Oii eu gostei tanto da sua história que aceitaria sugestões para melhorar a minha! Estou me dedicando muito nela é bem curtinha não vai tomar seu tempo! Enfim estou adorando a história já simpatizei com a personagem! E já indentifiquei a situação!
January 07, 2022, 23:44
J.  Scarlett J. Scarlett
Olá! Faço parte da Embaixada brasileira do Inkspired e estou aqui para lhe parabenizar pela Verificação da sua história. Para começar, eu amei seus personagens e a sua trama. Li dois capítulos e a construção da empatia entre mim (leitora) e eles (personagens) já está muito forte, tanto com a Teresa com a mãe problemática, quanto com o Logan com essa reviravolta do câncer em sua vida. Além disso, no início do capítulo um, quando a Teresa pensa sobre os tipos de adolescente, eu me identifiquei tanto! Pensava a mesma coisa toda a vez que minha mãe me mandava sair de casa! Dei muita risada, e foi aí que notei o quanto sua obra tem uma maneira intimista de falar com o leitor, qualidade mais que positiva, principalmente com a proposta dela sendo tão sensível. Sua escrita e sequência de acontecimentos no enredo são muito coerentes e coesos, não deixam o leitor perdido por muito tempo na história porque você a introduz muito bem, dá para perceber o quanto você sabe o que quer passar na sua escrita. Seus personagens são bem descritos, assim como seus cenários, que ainda deixam um espacinho para a imaginação do leitor. A ambientação da trama junto com a escrita em primeira pessoa me ajudou bastante a ter catarse com seus personagens, você desenrolou tudo de maneira muito harmoniosa. Sobre a gramática, encontrei poucos erros, como na passagem “Tem aqueles que sai (saem)...”, mas nada recorrente que atrapalhe a fluidez da leitura. Sua obra é muito boa, me deixou querendo ler mais desde o prólogo. Seus personagens e as problemáticas até agora foram muito bem tratadas e apresentadas ao leitor, amei demais e já estou no caminho para me apaixonar. Meus parabéns autora, sua história é muito promissora, e sei que muitos leitores concordarão comigo. Te desejo muito sucesso nessa caminhada!
December 28, 2021, 16:33

  • Raphaely Negrao Raphaely Negrao
    Muito obrigada!!! ❤❤❤ Esse tipo de comentário me inspira muito para continuar escrevendo e ir melhorando cada vez mais. Obrigada por sua crítica construtiva e estou extremamente feliz por estar gostando da história. ❤❤ January 02, 2022, 20:09
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