brina Sabrina Leone

Após os eventos devastadores da invasão da Cortesã à Nova York, o ilustre detetive consultor Sheldon Cooper se vê diante de algo muito maior que o mundo: a Inglaterra. O Reino Unido corre perigo diante de um escândalo e somente a excêntrica criatura britânica pode ajudar. Juntamente com sua eterna parceira Rachel Gibson, Cooper estará diante de desafios ainda maiores, que exigirão o máximo do detetive, pois Sheldon nunca teve oponentes tão criativos quanto os que está prestes a conhecer. Ps: Essa é a primeira história da 2° Fase deste universo. Logo, existem mais 6 histórias que formam a Fase 1. Então, meu caro leitor, antes de se aventurar nas páginas desse conto, sugiro que leia as histórias que antecedem essa. Todas elas estão postadas aqui, e estas são: 1: The Cooper 2: O Retorno de Sheldon Cooper 3: Imortais 4: A Primogênita 5: O Paladino Vermelho 6: Insight.


Crime Impróprio para crianças menores de 13 anos.
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A Mulher



Para Sheldon Cooper ela é sempre "A Mulher". Raras vezes Rachel o ouviu menciona-lá sob qualquer outro nome. Ao seus olhos, ela eclipsa e domina todo o sexo feminino. Não que ele sentisse por ela qualquer emoção do gênero do amor. Todas as emoções, e essa em particular, eram detestáveis à sua mente fria, precisa, mas admiravelmente equilibrada. Ele era a mais perfeita e observadora máquina de raciocinar que o mundo já viu; como amante, porém teria metido os pés pelas mãos.

Sua parceira, Rachel Gibson, nunca falou das paixões mais ternas, senão com certeza ele zombaria com um sorriso desdém. Esses sentimentos eram admiráveis para o observador e excelentes para revelar os motivos e as ações dos homens. Para o homem de raciocínio treinado, admitir tais interferências em seu temperamento sensível, sutilmente equilibrado, era introduzir um fator de perturbação capaz de abalar todos os seus julgamentos. Areia num instrumento sensível, ou uma rachadura em suas potentes lupas, não causaria mais estorvo que uma emoção forte em uma natureza como a sua.

Apesar de tudo, para Sheldon Cooper só havia uma mulher, A Mulher, de duvidosa e questionável memória.



Alfred Cooper observava a mulher em sua frente com angústia e um gigantesco peso em sua consciência.

A loira, de descendência francesa, com os cabelos ondulados e volumosos, usava um terno feminino preto. Estava vestida como uma executiva. Os olhos azuis e as bochechas rosadas lhe davam um ar angelical que ela, naturalmente, não possuía.

—O que você está fazendo aqui?— Alfred questiona, ante aos dentes brancos dela.

—Nova York está sendo atacada nesse exato momento, senhor Cooper— ela informou, estudando-o —O mundo está em conflito, é a oportunidade perfeita

—Oportunidade?

—Conflitos geram caos. Caos, geram necessidades. E necessidades... Geram oportunidades...

—Sabe que eu poderia mandar te prender agora mesmo, não é?— ele a desafia, mas a vê manter a calma.

—Se fizer isso, nunca saberá o que eu tenho a lhe oferecer— ela o encara no fundo dos olhos.

—Explique-se— Cooper permite, reclinando em sua cadeira.

—Como sabe, meu marido, Nickollas Minetta, morreu

—Ele desapareceu— corrigiu Alfred —Não foram encontrados corpos.

—Se estivesse vivo, já teria vindo até mim. Meu marido morreu

—Bem... eu sinto muito

—Ah, não se preocupe. Ele era tedioso, ciumento e rocava. Esse não é o motivo dessa reunião. Eu tenho informações que o governo britânico possa ter muito interesse

—O governo britânico quebrou, o primeiro-ministro foi assassinado.

—Mas vão se reerguer. Com a sua indicação ao cargo, é óbvio.

—Não está...— ele a encara com incerteza no olhar —Não está sugerindo que eu indique você como primeira-ministra de Londres, não é?!

—Oh, é claro que não, senhor Cooper— ela negou em mais absoluto protesto —Eu não me envolvo em política, ainda mais a britânica.

—Então o que exatamente a senhorita deseja?

—Os negócios de meu falecido marido caíram sob mim, seus contatos.

—Que tipo de contatos?

—Os piores. Assassinos, crápulas, corruptos, infames, traficante de armas, células terroristas. E é isso o que eu lhe ofereço, senhor Cooper.

—Seu ex marido já me fez essa mesma proposta— disse Alfred, seriamente —Ele me prometeu nomes, pessoas que nem sabíamos que existiam, em troca de informações sobre Sheldon

—Eu posso te dar a localização exata dos serial killer mais procurados da Interpol— ela garantiu —Posso lhe dar um mapa para uma base terrorista no Afeganistão. Posso dizer que celebridade vai morrer na semana que vem em um "acidente" de carro

—Em troca de quê?— ele questiona, duvidoso.

—Passe livre. Visto branco. Legalidade de passaporte— ela passou a língua sob os lábios pequenos —Eu quero que me apague do banco de dados da Scotland Yard

—Imunidade— ele juntou as mãos e expressou estar profundamente pensativo, analisando a situação.

—Você me deixa começar uma vida nova, apagando meu passado e, em troca, eu lhe dou a cabeça dos mais procurados do mundo— ela propôs —Pode salvar milhões, impedir atos terroristas, acabar com o crime organizado.

—Realmente é uma proposta interessante, senhorita...?

—Palmer— ela balançou a cabeça afirmativamente —Nicoly Palmer.

—Senhorita Palmer, sim. Mas qual a chance de uma chefe como você entregar seus comparsas?

—Quero deixar essa vida, senhor Cooper. Meu ex marido é quem cuidava dos negócios, ser a esposa viuva me coloca em uma posição arriscada

—Tem medo que te derrubem— constatou Alfred.

—Eu tenho— ela confirmou —Por isso quero legalidade civil. E eu não planejo entregá-los, não totalmente

—Explique-se

—O senhor me concede o passe livre, continuo mantendo as aparências com as mafias e, quando a oportunidade surgir, eu te notifico. Assim, coloca seu serviço secreto em ação e ninguém suspeitará de nada

—Seu acordo é baseado em meras palavras— ele respondeu, sem acreditar nela —Como posso ter certeza de que vai cumprir com sua parte no acordo? Como posso confiar em você?

—Não pode— ela se levanta e o encara seriamente —Mas posso provar que estou disposta a sair deste mundo

—Como?— Alfred a observa atentamente.

Nicoly inspirou o ar de seus pulmões, pegando o jornal que estava dobrado sob a mesa de Alfred. Ela abriu na primeira página, onde havia uma manchete sobre Sheldon Cooper e Rachel Gibson.

—"Foi só através dos esforços do sagaz detetive particular Sheldon Cooper e a analista de perfis Rachel Gibson que suspeitas voltaram a recair sob Yan Carmichael, levando-o a sua prisão e acusação"— Nicoly leu, calmamente, a matéria sobre o último caso em que Sheldon e Rachel haviam trabalhado antes da invasão em Nova York —Impressionante

—Rachel vai estar no tribunal em três horas, por conta da falta de Sheldon— comentou Alfred, sem entender aonde a loira queria chegar.

—Essa operação vai por água abaixo— afirmou ela, seriamente, jogando o jornal na mesa.

—Por quê?— indagou ele, perplexo.

—O pessoal de Carmichael me procurou. Geralmente eu não perderia meu tempo, ele é um traficante de drogas perverso. Certamente nada nele me chama a atenção... Mas o pedido deles é de grande interesse pois envolve a Rachel, melhor amiga do seu filho

—Ele está pedindo o quê?

—Transporte para fora do país, nova identidade, passaporte, conta bancária, cartões de crédito. Assim como ser apresentado para as pessoas certas, para restabelecer seus negócios... E ele quer até amanhã à noite— ela respondeu, deixando-o pensativo —Por algum motivo, Carmichael acredita estar a ponto de se tornar um homem livre

—Sheldon tinha uma testemunha— lembrou Alfred —Ela irá depor hoje. Carmichael não vai a lugar nenhum

—Alguma coisa vai acontecer hoje, senhor Cooper— ela o encarou seriamente —Eu acho que Rachel Gibson não vai ter um dia muito bom no tribunal

Ela se levantou e deixou a sala, caminhando lentamente. Desconfiado, Alfred a observou se afastar enquanto os telefones tocavam incessantemente outra vez.

Yan Carmichael era um traficante de drogas reconhecido no mundo do crime. Ele tinha, em média, apenas trinta anos, pele parda, cabelo crespo e negro, olhos castanhos e um maxilar quadrado. Sheldon e Rachel desmebraram sua teia de crimes com a Scotland Yard, levando-o para a prisão e, posteriormente, seu julgamento.

Às três horas da tarde, todo o tribunal estava lotado. Yan Carmichael tinha um advogado fornecido pelo Estado e esperava, calmamente, por sua sentença.

Mesmo com a atenção mundial em Nova York, ante ao ataque alienígena declarado, o restante do mundo não poderia parar, as vidas tinham que continuar.

O tribunal estava quase vazio, com pouquíssimas pessoas, mas isso não era motivo para adiar ou cancelar o julgamento do mesmo.

Rachel Gibson estava na plateia, ao lado do inspetor Bruce Stewart, acompanhando o caso no qual os dois trabalharam com Sheldon.

No início da seção, Rachel recebera uma mensagem de Alfred, que, mesmo duvidando de Nicoly, não podia ignorar a informação que recebeu.

"Fique de olho em Carmichael"

Sem entender, ela apenas encarou o criminoso, que parecia bem à vontade para quem estava sendo julgado.

—Catherine Tyler foi sequestrada no estacionamento de um shopping— começou a promotora, enquanto fotos das vítimas passavam no telão —Marge Armstrong foi pega do lado de fora de um cinema. Jorge Jackson deu um último beijo em sua esposa antes de sair para correr. Miguel Antunes, Daniela Noble, e aqui— a foto de um homem negro fardado apareceu no telão —Stevan Castanhari. 109 vítimas ao longo de seis anos. Eram membros da polícia britânica e americana, que preparavam casos contra o cartel dirigido pelo senhor Carmichael— ela encarou Yan, que estampou um sorriso em sua face —Eram testemunhas credenciadas para depor contra ele. Acreditamos que estão mortas. Porque nunca, nenhuma delas, foi encontrada— ela revelou ao júri e, em seguida, dirigiu-se até Robert Castanhari, um homem de 60 anos, branco, de terno, que era a principal testemunha que Sheldon e Rachel haviam conseguido em suas investigassoes passadas —Senhor Castanhari, poderia nos dizer qual sua ligação com essa situação trágica?

—Aquele é meu filho— disse Robert Castanhari, apontando para o policial na tela —Ele era membro da patrulha da fronteira quando foi levado— ele contou, emocionado, com os olhos lacrimejantes —Eu nunca mais vi meu filho... E eu sei quem fez isso— ele acrescentou, tendo uma mistura de sentimentos entre tristeza e raiva, encarando seriamente Yan Carmichael —Eu vi, eu sei quem matou meu filho!

Após a exclamação de Robert Castanhari, um senhor de uns 70 anos, começou a passar mal. O senhor respirou ofegante e tentou se apoiar na bancada, mas acabou desmaiando e surpreendendo todo o tribunal.

O juiz bateu o martelo ante ao falatório que se iniciava, os paramédicos foram chamados e o tribunal começou a se esvaziar em uma pausa.

Rachel acompanhou Robert Castanhari até a área de segurança, pois ele era a pessoa mais valiosa para o caso em que ela e Sheldon trabalharam por tanto tempo. Com o excêntrico detetive fora, Rachel não poderia se permitir errar. Ela queria mostrar ser capaz, ser mais que uma assistente do melhor detetive que o mundo moderno já viu.

Na ala de segurança, Rachel deixou Robert Castanhari aos cuidados de dois policiais. Após isso, ela correu entre as pessoas que andavam de um lado para o outro assustadas. Uma verdadeira confusão se estabeleceu e Rachel só queria reencontrar Yan Carmichael.

—Rachel— Bruce a chamou em meio a multidão.

—Inspetor Stewart— ela correu até ele.

—Falei com os paramédicos, o ataque cardíaco foi induzido quimicamente. A testemunha foi envenenada

—E quanto ao Carmichael?— ela questionou, preocupada.

—Levado pelos policiais

—Que policiais?

—Banner e Carl

—Não, isso é impossível— ela respondeu, sabendo que os policiais em questão estavam na ala de segurança com Robert Castanhari.

Confuso, Bruce Stewart viu os olhos de Rachel arregalem como se tivesse solucionado um enigma. Ela correu pelas escadarias e ele a seguiu. Foram até a ala de segurança, onde um terceiro policial estava morto com um tiro na testa.

Após isso, rapidamente, ambos correram até a cela onde Yan Carmichael deveria ter sido levado. Nada. Não encontraram nada.

Os dois correram para a saída, mas também não havia nenhum sinal da testemunha ou do acusado, apenas mais confusões de pessoas com uma ambulância e uma viatura da polícia que se aproximava. Robert Castanhari e Yan Carmichael haviam desaparecido sem deixar rastros.

Meia hora depois, Rachel abriu a porta do escritório de Alfred com extrema violência e rapidez.

—Como sabia sobre Yan Carmichael?!— indagou ela, furiosa.

—Santo Deus... ela estava certa— murmurou Alfred para si mesmo, ignorando os telefonemas irritantes.

—Ela? Ela quem?— indagou Rachel, impaciente.

—A Mulher— respondeu Alfred, seriamente, instalando uma curiosidade repentina em Rachel.

—A Mulher? Aquela A Mulher? A que... Desestabiliza Sheldon?— indagou ela, incrédula.

—Ela mesmo... ela me avisou sobre isso... Eu não tinha certeza, mas ela estava certa.

—Certa do quê? Sobre o quê?

—Se acalme— ele disse e ela sentou-se em sua frente —Vou lhe contar tudo...



12 de Fevereiro de 2022 às 12:45 0 Denunciar Insira Seguir história
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