notaqueenakhaleesi Lay

Heejin como uma universitária sentindo falta de casa no que deveria ser "a mais maravilhosa época do ano". Jinsoul se apresentando em um show na época de Natal e tendo seu grande momento. Olivia Hye como a jovem promessa da televisão que não gosta das festas de final de ano. Yves como a modelo que faz um grande anúncio na ceia de Natal. É aquela época do ano, aquela onde todos os sonhos são possíveis e a crença em coisas boas é renovada. Em quatro curtos universos alternativos, temos quatro heroínas vivendo momentos distintos no maior feriado da sociedade ocidental.


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

#loona #Jinsoul #heejin #olivia-hye #yves
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homesick

Heejin college AU!


Não havia nada de novo do lado de fora, apenas o frio cortante que se seguia depois de tantas horas nevando. Os flocos caíam macios e silenciosos, ocupando todo o espaço do peitoril e sumindo aos poucos com a luz fraca que vinha de um sol que se esforçava muito para dar as caras.

Não foi para isso que tinha se inscrito, pensou Heejin.

Decidida a estudar fora, deixou para trás Seul, a família, sua cultura e seu passado, pronta para abraçar o novo e o que viesse em seu combo. Foi uma decisão até que fácil em um primeiro momento, especialmente porque sua relação com os pais já não era a mesma desde quando resolveu se abrir e contar o que planejava para o próprio futuro, mas depois de seis meses longe de casa começou a se perguntar se tinha que ser mesmo universitária em um outro continente.

— Jeon? — a voz grave vinha do lado de fora do quarto.

Heejin estava de ponta cabeça na cama e foi forçada a rolar para o lado, quase caindo, antes de atirar os longos fios escuros e responder.

— Sim? — O seu tom de voz era precavido. Pensava que era a única ainda no campus, já que todos os seus colegas partiram para as suas respectivas casas.

— É o Jaehyun. Do bloco do lado. Por que você ainda está no campus?

— Por que você está no campus? — Rebateu, com os olhos grudados na porta, com desconfiança.

Jaehyun era o garoto popular do campus, que tinha frequência baixa nas aulas, mas grande nas festas. Todo mundo queria ser seu amigo e ele parecia disposto a realizar esse pedido. Ele tinha inclusive furado a quarentena para se encontrar com amigos em um bar enquanto estava todo mundo em Lockdown. Não tinha como ele não ter uma seleção de festas o esperando naquele final de ano.

O garoto riu, entretanto, ignorando a pergunta e seguir falando do outro lado da porta.

— Vamos lá, caloura. Acho que somos os únicos no prédio inteiro. Quero sair pra jantar, mas vai ser mega depressivo fazer isso sozinho no salão do refeitório — suas intenções, mesmo que não ditas, eram notáveis.

Ele não queria estar deslocado, assim como ela se sentia naquele momento, mas em um modo completamente diferente.

Porém, o que mais além de contemplar o teto e pensar em tudo que deixou para trás ela teria para fazer toda a noite?

— Me dá uns minutos.

O salão do refeitório foi enfeitado por guirlandas artificiais, assim como com neve falsa e brilhos pendurados no teto simulando as estrelas. Com uma risada baixa, Heejin comentou:

— Cada um tem a Hogwarts que merece.

— Se o teto ceder, teremos uma visão do céu desabando com neve, então chupa, bruxos — Jaehyun disse entre os lábios para a garota, a fazendo sorrir, levemente surpresa de alguém como o todo poderoso e popular saber o mínimo de cultura pop.

Além dos dois, poucas pessoas no hall estavam ainda por ali. A maioria que restava tinha os anos estampados na cara, que estava sistematicamente enfiada entre livros desgastados, fazendo anotações rápidas em seus notebooks. O som insistente dos teclados sendo batidos era mais frequente do que o som de talheres nos pratos.

— Então, por que não está em um avião indo para casa uma hora dessas? — Jaehyun perguntou, sentado à frente de Heejin com um sorriso de covinhas, esperando que ela revelasse todos os seus segredos enquanto comiam lascas de peru sem muito gosto.

— Por que você não está em algum lugar tropical em uma festa, tomando drogas? — Rebateu, arqueando a sobrancelha, antes de cruzar os dedos sobre a mesa.

— Quem disse que eu tomo drogas?

— Então houve uma proposta de uma viagem tropical.

Jaehyun riu, sendo obrigado a concordar com um gesto breve, fazendo com que Heejin encolhesse os ombros de modo sutil, sabendo que estava certa.

— Como sustentaria meu papel de ser presente nas situações mais diferentes se eu fosse mesmo para o Caribe como o esperado? — Ele revidou, piscando em sua direção.

A garota fingiu que isso não a deixou meio inquieta, pensando que rapazes bonitos e que tinham jeito de que iriam ser uma má escolha sempre iriam lhe abalar.

— Bem, essa foi uma escolha meio burra, mas, sabe como é, cada um escolhe suas batalhas — afirmou, antes de erguer o copo com suco de uva até a boca.

Nem mesmo uma taça de vinho barata serviram naquela ceia fajuta…

— Se foi uma escolha burra, por que você também a fez? — Assim que ele rebateu com aquela, podia ver o ar de “touché” vindo diretamente de seus olhos atentos.

Maldito.

— Eu não quis voltar para casa. Problemas com a família — citou por cima, esperando que fosse o suficiente, mas era óbvio que Jaehyun não deixaria passar.

— Dramas familiares como você saiu fora do esperado pelos seus pais que esperavam um engenheiro e vão ganhar um filósofo?

— Drama familiar do tipo ninguém gosta de você depois que se assumiu bi e disse que gostaria de trabalhar com algo que não paga realmente bem — disparou, um fluxo de palavras de uma única vez.

Jaehyun assentiu, compreendendo.

— Eu sou o filósofo no lugar do engenheiro que era o sonho dos pais — esclareceu, apontando para si. Bateu o seu copo de suco com o de Heejin, em um brinde. — Em nome de todos que sabem que voltar para casa seria pior que ficar aqui nesse lugar abandonado.

— Voltar para casa não seria ruim… — Começou a dizer, até notar o olhar do outro sobre si, procurando melhores explicações. — Não seria ruim pelas memórias que tenho, não pela minha família em si.

— Hmm.

— O quê?

— Termine seu peru, Jeon, porque acho que tenho uma ideia sobre o que você pode fazer quanto a isso.

— Por que estamos aqui?

— Porque aqui vamos fazer uma das primeiras tradições natalinas da nossa lista: nos presentear — Jaehyun esclareceu, com uma tranquilidade singular.

Estavam parados em uma farmácia 24 horas, a apenas uma hora do campus. O tempo piorava lá fora, cada vez mais cruel e dando indícios que o dia 25, quando chegasse a hora, seria repleto de neve e frio. Heejin apertava cada vez mais os braços ao redor de si mesma, olhando de um lado para o outro entre diversas prateleiras de absorventes e produtos para alergia. Aquilo parecia uma ideia horrorosa, entretanto a companhia de Jaehyun era bem-vinda de alguma forma; melhor do que ficar sozinha, entediada e se perguntando diversas vezes se não seria melhor se apenas tivesse ficado calada sobre sua identidade e ambições.

— Então… Você está sugerindo que troquemos presentes? Mas ainda não é nem mesmo dia 24.

— Heejin! Não mate a ideia antes de começar!

— Okay… — Seus olhos o observaram de canto, antes de abrir um pequeno sorriso. — Se for assim, você não pode espiar antes da hora. — Então o girou, o colocando de costas para si, antes dela mesma ficar de costas para o garoto. — Nós vamos à procura. E então nos encontramos no caixa. Vai ser a hora que trocaremos os presentes.

— Parece que você entrou no clima…

— Não comece…

— Okay, te vejo do outro lado do corredor!

Heejin seguiu em sua caminhada para um lado enquanto Jaehyun seguiu para o outro. O que poderia dar de presente de uma farmácia para o cara popular da faculdade? Pensou rapidamente em um pacote de camisinhas, mas não queria deixar no ar que estivesse sugerindo algo. Fez uma caretinha ao pensar que lhe entregar uma caixa com aspirinas para ressacas seria algo extremamente acusatório, também. Olhou mais um pouco, mordeu o lábio inferior, então sorriu, se esticando inteira para alcançar a prateleira de cima, agarrando o pacote com gummy bears, pensando que seria algo que ela gostaria de ganhar se fosse o oposto. Fez alguns minutos de enrolação, antes de se dirigir ao caixa, onde ele já a aguardava, assobiando, transformando sua respiração em uma nuvem de fumaça.

— Muito bem, hora da verdade — Ele disse, puxando de trás de si uma caixa de suplemento alimentar em barras e um protetor labial em bastão. — Porque você claramente se exercita e eu não iria arruinar sua dieta diária com outra coisa que não fossem proteínas.

— Como você…? — Começou a perguntar, pensando em como ele saberia que era a louca do pilates, mas talvez os músculos dos seus braços fossem a resposta correta. Apenas concordou, antes de apontar com o queixo para o protetor labial. — E essa parte é por que?

— Porque está congelando lá fora e é óbvio que lábios rachando não são uma coisa muito legal de se ter.

— Você tem um ponto — ela aceitou, antes de empurrar para as mãos do garoto o pacote de gummy bears. — Porque acho que você precisa também de algo doce e divertido em sua vida.

Jeahyun sorriu para ela, aquelas covinhas surgindo em seu rosto, antes de concordar.

— Você me surpreende, Heejin.

Ela percebeu que era a primeira vez que ele não a tratava pelo sobrenome.

A segunda parte do plano "natal no campus" envolvia um pequeno furto. Heejin olhava de um lado para o outro, ansiosa, enquanto Jaehyun enfiava com cuidado, na parte de trás de sua caminhonete, um vaso de planta que estava pegando da frente de uma casa.

— Eles vão nos ver e chamar a polícia — declarou, ansiosa, em um sussurro teimoso para o outro.

— Ninguém nunca foi preso por roubar uma suculenta! — Ele protestou, a fazendo negar com a cabeça, intrigada.

— E desde quando você entende de plantas?

— Hey. Eu não sou só o cara que comanda festas em fraternidades, okay? — Revidou, seriamente, para ela. Porém o seu tom de voz foi mais alto que o da garota, atraindo a atenção dos moradores da casa; uma luz se acendeu do lado de dentro, os fazendo entrar em pânico. — Okay, é isso, pula pro carro. Agora!

O perigo de correrem em uma pista congelada não passou por suas cabeças até sentir os pneus patinando no asfalto. Foi apenas quando estavam com a adrenalina no pico que perceberam que poderiam morrer por causa de um vaso de planta.

— Para, ou vamos bater!

— Em quê?

— Em qualquer coisa!

O automóvel foi desacelerando conforme perdia a velocidade, até parar no meio da rua. Não havia ninguém por perto, nenhum outro carro cortando o gelo. E houve também o silêncio entre os dois, cortado pela risadinha de Jaehyun.

— Bem, temos a sua árvore de natal, agora. Só precisamos enfeitá-la no seu quarto e… pare com isso! — Reclamou, enquanto a menor dava uma sequência de socos fracos e irritados em seu braço.

— Essa. Foi. A. Pior. Das. Ideias. — Pontuava sua fala com as batidas contra o corpo do outro, que, sem surpresa nenhuma, era tão duro quanto o seu. Bufou, antes de lhe olhar longamente. — Eu nunca fiz nada de tão arriscado assim, antes.

— Posso dizer que estou criando memórias novas pra você? — Arriscou, arqueando a sobrancelha.

— Talvez.

— Boas memórias?

Ela virou o rosto para a janela, observando a rua quieta do lado de fora. Menos apreensiva e mais tranquilamente quieta.

— Apenas volte para o dormitório.

— Você que dá as ordens — ele lhe respondeu, antes de completar. — Temos uma última parte para cumprir, nessas tradições.

De volta aonde tudo começou.

A presença de Jaehyun preenchia cada espaço e Heejin sabia disso. Conseguia perceber pelo seu perfume amadeirado que não sumiu mesmo com toda a correria pela qual passaram. Ou pelo seu cantarolar enquanto improvisar com uma meia da própria Heejin a meia que o Papai Noel deveria colocar o presente, mas estufando-a com as suas barras proteicas e o protetor labial. Ou como ele só parecia muito disposto a ajudá-la a passar por aquilo, sem querer nada em troca, aparentemente.

Talvez fosse o clima. Talvez fosse aquela maldita época. Mas de repente se viu dando alguns passos em frente, enlaçando a cintura do garoto com quem nunca tinha trocado uma palavra até aquele dia, o abraçando de uma forma honesta e sincera.

— Obrigada por tentar me fazer ficar melhor — murmurou, sentindo as bochechas corarem.

Aquilo pegou Jaehyun de surpresa, ela podia notar pela forma como seu corpo se retesou. Estava se afastando dele e prestes a pedir desculpas quando ele segurou seu pulso, de forma gentil, enquanto buscava seu olhar com o próprio. Olhando para cima, ela engoliu em seco.

— Não vim aqui por um acaso — os lábios de Heejin se separaram e seu rosto foi tomado por uma expressão surpresa e confusa. Jaehyun parecia ofegante e incerto, sem saber por onde começar. — Okay, eu não queria ir para casa dos meus pais e ouvir mais um monte de blá blá blá sobre as minhas escolhas. Mas eu também queria me aproximar de você. Eu sempre via você correndo pela quadra de manhã e sempre pensava “Qual é dessa garota? O que ela pensa? Quem ela é?” . E nunca soube realmente como chegar até você, como abordar e conhecer. E sei que parece juvenil e até mesmo bobo, mas tinha receio que você só me afastasse por não me achar assim tão interessante…

— Eu… Ahn… — Tinha que admitir, seria o que faria em outras circunstâncias, sem pensar muito. Então ele tinha um ponto.

— Decidi arriscar, um tiro no escuro — ele disse, fazendo uma pequena pausa e sorrindo, sem graça. — Ouvi você comentando que iria ficar no campus no feriado e pensei que poderia tentar me aproximar, talvez te levar para sair. Não tinha um plano, mas de repente ele me ocorreu enquanto estávamos jantando. Eu só queria ter uma oportunidade de me aproximar.

Aquelas palavras lhe soavam sinceras. E estavam próximos, muito próximos. E não era como se ela não tivesse o achado bonito e interessante desde o momento em que abriu a porta e realmente colocou seus olhos nele, o vendo realmente de perto. Com uma das mãos, quebrou um pequeno galho da planta que tinham ornamentado com papel picado e glitter. O ergueu acima da cabeça, ficando na ponta dos pés, enquanto o olhava com um ar desafiador em seu rosto.

— O quê…? — Jaehyun começou a dizer, até que percebeu. — O visco.

— E você sabe o que se deve fazer debaixo do visco, não?

Ele segurou sua cintura de maneira firme e gentil, ao passo em que foi preciso mergulhar para alcançar os lábios frios e macios da garota. Ela segurou em seus braços para encontrar equilíbrio e afastou os lábios de maneira em que o beijo foi correspondido assim que a oportunidade se fez.

Não era a sua casa, não eram as memórias que tinha. Mas poderia construir algumas outras novas naquele seu primeiro ano se aventurando bem longe, em plena época mais maravilhosa do ano.

6 de Dezembro de 2021 às 01:27 0 Denunciar Insira Seguir história
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